Hospital

1:30 da tarde

Cena 3.2

SUSAN: Carter! – Susan entrou no hospital trazendo uma ambulância. Ele saiu correndo para ajudá-la.

JOHN: O que aconteceu?

PARAMÉDICO: Uma plataforma caiu perto da Rugs, que estava em chamas. Os bombeiros foram chamados e acabaram machucados. – explicou um paramédico.

JOHN: Quantos feridos?

PARAMÉDICOS: 2 graves e 3 estáveis.

JOHN: Eles estão vindo pra cá?

PARAMÉDICOS: Só os em estado crítico. – os três entraram na sala. Logo em seguida, vieram Ray, Malik e Sam.

SAM: Queda de plataforma? – ela indagou.

PARAMÉDICO: É.

SAM: O outro bombeiro está na sala ao lado. O Luka está cuidando dele.

JOHN: Como ele está?

SAM: Eu não sei.

Recepção

WEAVER: Frank, o que aconteceu? – ela perguntou aparecendo por lá.

FRANK: Caiu uma plataforma. São dois casos críticos e os outros 3 foram pro Mercy.

WEAVER: Onde eles estão?

FRANK: Trauma dois e seis. – ela saiu imediatamente dali.

Trauma 2

WEAVER: O que temos aqui? – ela indagou assim que passou pela porta.

SUSAN: Hangar Luxus, 34 anos, pressão 8/6, batimentos em 70. – ela respondeu.

JOHN: Pupilas reativas. – ele avisou depois de examiná-lo.

RAY: 1mg de Inderol e 50cc dê soro. – pediu o residente.

JOHN: Malik, ligue para a ala dos queimados e peça um leito.

MALIK: Ok. – ele saiu de lá.

WEAVER: Então está tudo sob controle aqui?

JOHN: Está. – ele respondeu olhando pra ela.

WEAVER: Ok. Eu vou ver a outra sala. – ela afirmou saindo de lá. Susan e Carter se olharam.

Trauma 6

LUKA: Isso é inútil. – ele afirmou largando os instrumentos.

PRATT: Hora da morte: 1h39min. – ele avisou olhando no relógio.

WEAVER: Ele não tinha chance?

LUKA: Não. – ele respondeu irritado e deixando a sala. Kerry ficou olhando para o cadáver em cima da cama. Pratt esperou alguns segundos, antes de pegar o papel e cobri-lo em seguida.

Trauma 2

CHUNNY: Carter, dois acidentados chegando. – avisou Chunny ao entrar na sala. John olhou pra enfermeira e em seguida pra Susan.

SUSAN: Vai. Eu fico com esse aqui. – ela respondeu. Ele balançou a cabeça e deixou a sala.

JOHN: Tempo de chegada? – ele indagou enquanto andava pelos corredores do hospital junto com a enfermeira.

CHUNNY: 10 minutos. – ela respondeu.

JOHN: Greg! – ele chamou quando passou pela recepção. Pratt logo os seguiu.

PRATT: O que aconteceu?

JOHN: Mais pacientes. – os três saíram do hospital.

Dois minutos depois...

Chunny entrou no hospital para chamar outra enfermeira para ajudá-los, enquanto os dois esperavam pela ambulância do lado de fora. Algum tempo depois, eles viram Abby se aparecer por lá.

JOHN: Hei.

ABBY: Hei. – ela respondeu sorrindo. – Oi, Pratt.

PRATT: Hei. – ele cumprimentou.

ABBY: Vocês tão esperando?

PRATT: É. Quer ajudar?

ABBY: Claro, eu só vou me trocar. – Nessa mesma hora eles ouviram a sirene das ambulâncias.

PRATT: Eu acho que não vai dar tempo. – ele afirmou indo socorrê-las.

PARAMÉDICO: Pablo Parkinson, 11 anos, sofreu luxação na perna esquerda. – informou o homem que trazia a maca.

ABBY: Oi, Pablo. Eu sou a Dra. Lockhart, vou cuidar de você, ok?

PABLO: Por favor... ajude... ajude minha... irmã. – ele pediu com certa dificuldade.

ABBY: Outros médicos cuidarão dela, não se preocupe.

PABLO: Por favor. – ele pediu novamente. Ela olhou pra ele.

ABBY: Carter, cuide dele. Eu fico com a irmã. – ela pediu indo atender o outro caso – O que nós temos aqui?

PARAMÉDICA: Patricia Parkinson, nove anos, tem hematomas por todo o corpo. – informou a mulher enquanto tirava a maca da ambulância.

ABBY: Patricia, você pode me dizer onde está?

PATRICIA: No hospital. – ela respondeu.

HALEH: Batimentos em 92, pressão 10/6. – avisou a enfermeira.

ABBY: Siga o meu dedo. – ela pediu. A garota obedeceu. – Muito bom.

PATRICIA: Como está o meu irmão? – ela indagou olhando pra Abby.

ABBY: Ele vai ficar bem. – ela respondeu sorrindo.

PATRICIA: Você promete? – as duas se olharam.

HALEH: Abby. – chamou a enfermeira. Ela logo olhou pra Haleh. – Nós temos que ir.

ABBY: Tudo bem. Trauma três, vamos.

Trauma 3

ABBY: Chunny, dê 4mg de lidocaína. – ela pediu – Patricia, nós vamos lhe dar um remédio pra você não sentir nada, está bem?

PATRICIA: Dói muito!

ABBY: Eu sei, querida, mas com isso você vai se sentir melhor.

PATRICIA: Está bem. – A menina finalmente concordou. Abby sorriu pra ela.

HALEH: Pressão caindo. – avisou a enfermeira.

ABBY: Patricia. Patricia! – Abby tentou acordá-la – Ela está inconsciente. Tubo.

CHUNNY: O RX ficou pronto.

ABBY: Deixe-me ver isso. – a enfermeira deu o exame pra Abby, que o analisou rapidamente. – Não, tudo parece normal.

HALEH: O tubo está pronto.

ABBY: Obrigada. – ela pegou o tubo e se posicionou melhor – Ok, vamos... eu estou quase... lá. Pronto, eu entrei. Balão.

HALEH: Saturação subindo, pressão 10/8. – ela e as duas enfermeiras se olharam.

ABBY: Tudo bem, dê mais 2mg de morfina e peça uma tomografia da cabeça. Eu vou ver como está o menino. – ela informou saindo de lá.

Trauma 5

JOHN: Malik, cadê o Dubenko? – ele insistia mais uma vez.

MALIK: Eu estou tentando avisá-lo. – respondeu o enfermeiro.

JOHN: Tente mais! Sam, dê 20 de Iboprufeno e 20 de Demerol.

SAM: Você quer tomografia? – ela indagou olhando pra ele.

JOHN: Quero.

ABBY: Como ele está? – ela perguntou assim que entrou na sala.

JOHN: Ele precisa de cirurgia. – respondeu Carter – Malik!

MALIK: Eu estou tentando!

JOHN: Ok, esqueça. Ligue para o Centro Cirúrgico e diga que nós precisamos de alguém aqui o mais rápido possível. – ele pediu – Agora, Malik.

MALIK: Ok, ok, relaxa. – Carter preferiu não responder.

JOHN: Pablo, eu vou colocar essa máscara em você pra ajudar na sua respiração, mas é só por alguns minutos, ok? – ele perguntou colocando a máscara no menino e começando a examiná-lo com o estetoscópio. – A respiração está fraca.

SAM: Oxigenação em 70. – ela avisou.

JOHN: Ok, nós teremos que esperar ela subir. – ele respondeu olhando pro garoto em seguida – Pablo. – ele pediu quando viu que ele tentava tirar a máscara – Pablo, você tem que ficar com ela. – ele insistiu – Por favor. Pablo. – o garoto não obedecia.

SAM: Eu acho que ele está querendo falar alguma coisa. – afirmou a enfermeira. Ela e Carter se olharam. Malik acabou ajudando o garoto.

PABLO: Doutora. – ele chamou baixinho – Doutora.

JOHN: Abby, eu acho que é com você. – ele afirmou olhando pra ela.

ABBY: Comigo? – ela foi falar com o garoto – Pablo, o que foi, querido?

PABLO: Minha irmã... como... como ela está?

ABBY: Ela está bem, não se preocupe.

PABLO: Você a salvou? – os dois se olharam e ela hesitou um pouco antes de responder.

ABBY: Sim, eu a salvei. – ela disse sorrindo pro garoto.

PABLO: Obrigado. – ele agradeceu.

ALBRIGHT: O que aconteceu aqui? – perguntou a cirurgiã entrando na sala.

JOHN: Luxação na perna esquerda. – ele respondeu.

ABBY: Ele precisa de cirurgia.

ALBRIGHT: Vocês têm a autorização? – ela indagou.

JOHN: Os pais estão a caminho.

ALBRIGHT: E o que eles disseram?

ABBY: Pra fazer o que fosse preciso para ajudá-los. – ela respondeu encarando a médica.

ALBRIGHT: Tudo bem então. Eu vou levá-lo lá pra cima. Vamos, pessoal. – um enfermeiro da cirurgia, ela e Malik deixaram a sala, sobrando apenas Carter, Abby e Sam. Os três ficaram em silêncio durante algum tempo.

SAM: Eles não falaram nada no telefone. – ela afirmou.

ABBY: Eu sei.

JOHN: E a irmã? – ele indagou olhando pra Abby.

ABBY: Ela está bem.

JOHN: Que bom. Chunny, tente descobrir se os pais já chegaram.

CHUNNY: Ok.

JOHN: Obrigado. – ela deixou a sala.

ABBY: Eu vou me trocar. – ela falou saindo também dali e não lhe dando chance de dar uma resposta. Diante do tom na sua voz, ele acabou decidindo ir atrás dela.

SDM

Cena 3.3

JOHN: Hei. – ele fala a fazendo encará-lo.

ABBY: Hei.

JOHN: Você está bem?

ABBY: Estou ótima. – ela respondeu dando um sorriso falso e logo o tirando do rosto.

JOHN: É difícil. – ele afirmou e Abby o encarou – Quando se tem crianças envolvidas. – ela abaixou a cabeça.

ABBY: Eles não têm culpa. – ela respondeu o encarando novamente.

CHUNNY: Abby. – a enfermeira entrou na sala procurando por ela. Os dois a olharam – Os pais estão aqui. – ela avisou. Abby olhou pra Carter e saiu da sala acompanhada pela enfermeira, impedindo-o de falar mais alguma coisa.

Sala de espera

Cena 3.4

Antes de conseguir entrar na sala, Abby deu uma olhada nos pais dos meninos pela janela. Ela respirou fundo e só então entrou. Os dois se levantaram para recebê-la.

ABBY: Oi, eu sou a Dra. Lockhart, cuidei da sua filha, Patricia. – ela informou.

PAI: Como ela está? – perguntou o homem.

ABBY: Ela teve muitos hematomas devido ao acidente, mas ela está bem. Respira sem ajuda de aparelhos e está consciente.

PAI: Nós podemos vê-la? – Nessa hora, a enfermeira entrou na sala.

ABBY: Claro. Chunny, leve os Parkinson até o trauma três, por favor.

CHUNNY: Claro. É por aqui. – ela disse apontando o caminho. Os dois a seguiram deixando a sala.

MÃE: Ah e... – ela se virou pra Abby, que os observava parada na porta – Você sabe alguma coisa do Pablo? – Abby hesitou um pouco em responder.

ABBY: Ele... sofreu uma luxação na perna esquerda e foi levado pro centro cirúrgico.

MÃE: Oh meu Deus! – ela exclamou começando a se desesperar ainda mais.

ABBY: Mas ele está bem. É um menino forte e saudável. – ela afirmou tentando da r um sorriso.

MÃE: A cirurgia, ela... É perigosa? – as duas se encararam.

ABBY: Não, ele só precisa descansar depois disso e tudo vai dar certo. – a mãe balançou a cabeça enxugando as lágrimas e passando a mão no cabelo em seguida.

MÃE: Ele pode... Ele pode perder a perna? – ela indagou olhando pra Abby, que abaixou a cabeça e só então respondeu.

ABBY: É uma chance. – ela respondeu olhando pra ela rapidamente.

MÃE: Oh, Deus. – ela disse deixando outra lágrima cair.

ABBY: Eu lamento. – ela respondeu.

CHUNNY: Sra. – Chunny a chamou – Sua filha está perguntando por você. – a mulher tentou se controlar.

MÃE: Tudo bem. – ela enxugou o rosto mais uma vez.

CHUNNY: Vamos. – a enfermeira a abraçou, a acompanhando até a sala. Abby observou as duas saírem dali, e com um pouco de angústia voltou pra recepção.

Cena 3.5

ABBY: Hei Frank, você teve alguma notícia do menino da luxação?

FRANK: Qual o nome dele? – ele indagou.

ABBY: Pablo Parkinson. – ela respondeu.

FRANK: Não. Se você quiser, eu posso ligar pro C.C. e tentar descobrir.

ABBY: Não, eu mesma ligo. Obrigada.

FRANK: De nada. – ela saiu de lá e entrou numa sala vazia. Ela hesitou um pouco antes de pegar o telefone e discar um número.

ABBY: Oi, aqui é a Dra. Lockhart do E.R., eu quero saber sobre um paciente. – ela afirmou. – O nome dele é Pablo Parkinson. – ela respondeu – Ok. – Abby aguardou algum tempo – Ainda não? Tudo bem então. Você pode pedir pra Albright me avisar aqui na área de emergência quando ela acabar? – ela pediu – Certo, obrigada. – ela respondeu desligando o telefone. Ela mais uma vez respirou fundo, e saiu da sala.

Trauma 3

ABBY: Está tudo bem aqui? – ela perguntou ao entrar na sala. Chunny, a mão e a garota olharam pra ela.

CHUNNY: 50cc por hora. – avisou a enfermeira.

ABBY: Certo. – ela respondeu dando uma olhada no soro e indo falar com a menina em seguida.

ABBY: Oi, querida. Como você está se sentindo?

PATRICIA: Bem. – ela respondeu. Abby sorriu e pegou o estetoscópio começando a examiná-la.

ABBY: Bom som nos pulmões. - ela falou baixinho.

PATRICIA: E o Pablo? – ela indagou. Abby olhou pra ela.

ABBY: Ele está bem.

PATRICIA: Eu posso falar com ele?

ABBY: Ainda não. Os médicos estão terminando de examiná-lo, mas depois eu o trago aqui pra que você possa vê-lo, ok?

PATRICIA: Ok. – ela respondeu ficando em silêncio. Alguns segundos depois, Abby colocou o estetoscópio ao redor do pescoço novamente.

ABBY: Chunny, dê outro litro de soro e coloque a máscara nela por cerca de uma hora.

CHUNNY: Tudo bem.

ABBY: Eu já volto. – ela disse saindo da sala.

CHUNNY: Com licença. – Chunny falou pra mãe e fez o mesmo. – Abby! – ela chamou a alcançando.

ABBY: O que foi?

CHUNNY: Por que você pediu soro e oxigênio?

ABBY: É só uma precaução extra.

CHUNNY: Mas ela está bem.

ABBY: Eu sei. – ela respondeu. As duas se encararam.

CHUNNY: Tudo bem, se você acha melhor...

ABBY: Obrigada. – ela respondeu entrando no elevador. Chunny a observou até a porta de fechar.

Centro Cirúrgico

Cena 3.6

Ao invés de ficar dentro da sala de cirurgia, Carter preferiu ficar na sala ao lado, junto com o pai do garoto que parecia muito abalado. Os dois passaram o tempo todo calados. O homem às vezes colocava a mão no queixo angustiado e Carter lhe dava um olhar de compreensão, assegurando que aqueles que estavam dentro da outra sala eram os melhores médicos de Chicago e de que tudo ficaria bem com o garoto. Algum tempo depois, os dois ouviram a porta abrindo. Carter olhou pra ver quem era, enquanto o pai sequer se mexeu. John deu um pequeno sorriso pra ela, que foi retribuído. Abby chegou perto do pai, colocando uma mão no ombro dele, o que o fez olhar pra ela.

ABBY: Não se preocupe, Sr. Parkinson. Vai dar tudo certo. – ela afirmou o encarando e balançando a cabeça. O homem apenas acenou e sorriu, sem muita confiança no que ela falara. Logo ele caiu no choro, e ela o abraçou.

PAI: Por que isso tinha que acontecer? Eles são os meus filhinhos. – ele afirmava chorando ainda mais – O que eu vou fazer sem eles?

ABBY: Você não vai perdê-los.

PAI: Eu sei, eu sei. – ele falava como que tentando também se convencer daquilo. Nessa hora, Albright acenou com a cabeça pra Carter, que logo se voltou pro pai.

JOHN: Sr. Parkinson. – ele chamou tocando seu ombro. O cara logo soltou Abby. – Eles terminaram. Você quer vê-lo?

PAI: Ele está bem? – ele indagou tentando parar o choro. Carter olhou pra ele.

JOHN: Está. – ele respondeu finalmente – Ele está dormindo agora devido aos medicamentos, mas se o senhor quiser...

PAI: Eu quero. – ele respondeu com convicção na voz.

JOHN: Ok. Vamos, por aqui. – Carter sinalizou e o homem o acompanhou, deixando a sala. O pai se desesperou ao entrar no local da cirurgia e deparar-se com o garoto naquela situação. Ele relutou um pouco, mas mesmo assim foi se aproximando do filho. Quando finalmente o alcançou, ele segurou sua mão fortemente e lhe beijou o rosto, chamando-o de "meu garotinho". Carter olhou pra salinha à sua frente, e mesmo sem poder vê-la, ele sabia que Abby estava balançada por aquela cena e todo aquele caso. Ele saiu da sala sem fazer barulho, quase imperceptível e foi até lá. Abby não se deu nem ao trabalho de olhá-lo quando o ouviu passar pela porta.

ABBY: Eu nunca vi um pai assim. – ela afirmou ainda sem encará-lo – Não sabia nem que existia. – ele não respondeu – Talvez todos sejam assim, mas como eu posso saber se nunca tive um? – ela deu um sorriso falso, deixando uma lágrima cair. John colocou uma mão no seu ombro.

JOHN: Você não tem um pai... mas você tem a mim. Eu sei que a diferença de significado é enorme, mas... é verdade. – ela não respondeu, e mais uma vez, deixou uma lágrima cair. Ele a abraçou por trás, com seus braços rodeando seu tórax. Abby passou alguns segundos daquele jeito, mas logo se separou dele.

ABBY: Obrigada. – ela agradeceu limpando o rosto. John assistiu ela sair de perto dele e caminhar em direção à porta – Eu preciso de um cigarro. – ela afirmou abrindo a porta e a fechando em seguida, deixando Carter só e péssimo na sala.

Cena 3.7

Ela desceu pela escada até o E.R. Abby entrou num banheiro e jogou um pouco de água no rosto, tentando limpá-lo. Ela respirou fundo e saiu de lá, tentando pensar em outras coisas. Acabou encontrando com Susan no corredor.

SUSAN: Esse movimento todo me irrita às vezes. – ela afirmou ajeitando algumas fichas.

ABBY: Não precisa nem me dizer. – ela respondeu sinceramente.

SUSAN: O que foi? – ela indagou olhando pra Abby – Você parece preocupada. Quando ela ia responder, Chunny a interrompeu.

CHUNNY: Abby, a garota sofreu uma parada. – ela olhou pra Susan e saiu correndo em seguida, tentando socorrê-la.

Trauma 3

ABBY: 200mg de Versed. – ela pediu ao entrar na sala.

MÃE: O que aconteceu?! – indagou a mãe da menina desesperada.

ABBY: Sam, leve a Sra. Parkinson até a sala de espera.

MÃE: Não, eu quero ficar aqui. – ela respondeu.

SAM: Senhora, você tem que deixar os médicos trabalharem. – pediu a enfermeira tocando seu ombro.

MÃE: Não...

SAM: Eles vão ajudá-la, não se preocupe. – a mulher ainda hesitou, mas acabou concordando.

ABBY: Preparar o desfibrilador e carregar em 90.

JOHN: O que houve? – ele indagou entrando na sala.

CHUNNY: Assistole. – avisou a enfermeira quando o monitor disparou.

YOSHI: Pás carregadas.

JOHN: 50cc de soro e oxigenação.

ABBY: Eu já pedi. – ela respondeu – Ok. Afastem-se. – Abby deu o choque.

CHUNNY: Batimentos subindo, ritmo recuperado. – ela informou. Carter começou a examiná-la com o estetoscópio.

JOHN: Bom som nos pulmões. – ele afirmou – Os exames ficaram prontos?

ABBY: Não mostraram nada. Ela aparenta estar bem. – ela respondeu.

JOHN: Ok. Dêem mais 100mg de Versed e mais 50cc de soro.

CHUNNY: Certo.

JOHN: Você quer falar com a mãe? – ele indagou olhando pra Abby. Ela acenou com a cabeça e deixou a sala. Carter e Chunny se olharam.

JOHN: Eu já volto. – ele avisou indo atrás dela. Carter a viu ali perto, já falando com os pais.

MÃE: Mas ela vai ficar bem? – indagou a mãe, que chorava abraçada com o pai.

ABBY: Ela vai ter que ficar em observação hoje e amanhã mesmo, nós a levaremos lá pra cima. – ela respondeu. Nessa hora, Carter chegou do seu lado.

MÃE: Oh, Deus! – ela exclamou chorando ainda mais.

PAI: Calma, querida, vai dar tudo certo. – o marido tentava inutilmente lhe acalmar.

MÃE: Como você sabe disso?! – ela indagou irritada – Meus dois únicos filhos estão num hospital em perigo de vida e você me pede pra ter calma?!

PAI: Nossos filhos. – ele a corrigiu – E eu sei que eles vão ficar bem. – a mulher o encarou – Eu sei. – ela hesitou um pouco e caiu novamente no choro. Carter olhou pra Abby e os dois saíram dali, deixando o marido abraçado com a mulher.

ABBY: Isso aqui tá um saco! – ela resmungou indo até a recepção.

JOHN: Você quer dar um tempo? – ele perguntou olhando pra ela.

ABBY: Obrigada, mas eu acho que se revoltar um pouco mais pode ajudar. – ela respondeu pegando mais fichas.

JOHN: Você vai se ocupar? – ele indagou balançando a cabeça.

ABBY: Isso nunca falha. – ela respondeu saindo de lá. Carter a observou durante algum tempo e acabou fazendo o mesmo.

5 da tarde

Cena 3.8

Carter atendeu apenas uns dois pacientes antes de decidir dar uma passada na sala de trauma pra ver como a garota estava. Quando ele entrou lá, deu de cara com Chunny, que conferia o soro.

JOHN: Tá tudo bem? – ele perguntou pra ela.

CHUNNY: Tá. – ela respondeu – Eu só vim fazer uma checagem.

JOHN: Foi a Abby que mandou? – ele indagou.

CHUNNY: Ela se deixou abalar pelo caso. – Carter balançou a cabeça.

JOHN: É. – ele falou e olhou pra garota, que o encarava seriamente. – Hei, Patricia. Eu sou o Dr. John Carter. Você está sentindo alguma coisa? – A menina piscou uma vez. – Ok. Eu vou tirar esse tubo, mas preciso da sua ajuda, certo? – ela piscou novamente. – Eu quero que você respire e expire três vezes. Na minha contagem: um. – ela obedeceu – Dois. No três, expire bem forte. – ele pediu – Três. – ele puxou o tubo. A menina tossiu um pouco.

JOHN: Você está sentindo alguma coisa? Está doendo? – ele indagou começando a examiná-la com as mãos.

PATRICIA: Não.

JOHN: Tudo bem. Você tá com fome? Porque minha amiga Chunny aqui conhece um ótimo lugar que se vende hambúrguer, o que você acha?

PATRICIA: Minha mãe não me deixa comer essas coisas. Ela diz que faz mal. – ela respondeu. Carter sorriu.

JOHN: Na verdade, ela está certa, mas eu duvido que se for só dessa vez ela não permita. – a garota olhou pra ele e ele sorriu – Chunny, compre dois sanduíches e duas batatas pra mim e pra minha nova amiga Patricia. – ele pediu dando-lhe o dinheiro.

CHUNNY: Ok. Eu já volto. – ela respondeu soltando a ficha e saindo da sala.

JOHN: Cadê os seus pais? – ele perguntou se sentando numa cadeira.

PATRICIA: Eles foram ver meu irmão. – ela respondeu.

JOHN: Ele já acordou?

PATRICIA: Eles disseram que sim. – Carter balançou a cabeça – Isso significa que ele está bem? – os dois se encararam.

JOHN: Sim. – ele finalmente respondeu. A garota sorriu – Você gosta dele?

PATRICIA: Gosto, mas ele não pode saber disso.

JOHN: Eu aposto que ele gosta de você também. – ela deu de ombros – Eu tinha um irmão também, sabia?

PATRICIA: Como ele se chamava? – ela perguntou olhando pra ele.

JOHN: Harry.

PATRICIA: Ele é médico também?

JOHN: Não.

PATRICIA: Então o que ele faz? – Carter olhou pra ela e hesitou um pouco em responder.

JOHN: Ele... é um artista.

PATRICIA: Ele canta? – Carter riu.

JOHN: Não, ele... pinta.

PATRICIA: Ele é pintor? – os dois se olharam.

JOHN: Sim. – ele respondeu – E dos bons se você quer saber.

PATRICIA: Ele pode pintar um quadro pra mim?

JOHN: Claro, é só você me dizer sobre o que, que eu falo pra ele.

PATRICIA: Eu quero uma borboleta.

JOHN: Borboleta?

PATRICIA: É.

JOHN: Você gosta de animais?

PATRICIA: Só de borboleta.

JOHN: Por quê?

PATRICIA: Não sei. Porque são bonitas. – ele sorriu. – Como aquela médica. – Carter olhou pra ela.

JOHN: Quem?

PATRICIA: A de cabelo preto e roupa branca. Ela é muito bonita. – ele olhou pra ela e sorriu.

JOHN: É, ela é linda.

PATRICIA: Você gosta dela?

JOHN: O que? – ele olhou pra ele – Não, nós só somos amigos.

PATRICIA: Você está apaixonado por ela?

JOHN: Não! – ele respondeu sorrindo.

PATRICIA: Você a ama. – ela respondeu olhando pro lado e sorrindo. Carter não respondeu, apenas sorriu. – Ela sabe? – ele olhou pra ela.

JOHN: Sabe o que?

PATRICIA: Que você a ama. – ele riu, não respondendo à pergunta. – Por que você não conta pra ela?

JOHN: Que eu a amo? – ele indagou a encarando.

PATRICIA: Que você não sabe viver sem ela. – ela respondeu.

JOHN: Você tem certeza que só tem nove anos?! – ele indagou surpreso.

PATRICIA: Tenho, por quê? – ela perguntou sem entender.

JOHN: Nada. – ele respondeu se levantando – Eu tenho que atender alguns pacientes, senão minha chefe me mata. – ele fez uma careta e ela sorriu – Mas eu volto pra te ver, ok?

PATRICIA: Volta mesmo? – ela indagou.

JOHN: Não vai nem dar tempo de você sentir minha falta. – ele respondeu piscando pra ela, que sorriu. – Eu já volto. – ele disse andando em direção a porta.

PATRICIA: John. – ela o chamou. Ele olhou pra ela.

JOHN: O que foi?

PATRICIA: Você vai dizer pra ela? – ela indagou. Ele a encarou durante algum tempo.

JOHN: Por você... eu conto.

PATRICIA: Promete? – ele abaixou a cabeça e olhou pra ela em seguida.

JOHN: Prometo, mas só se você rezar pra que dê certo e que ela fique comigo.

PATRICIA: Feito. – ela respondeu. Carter sorriu pra ela e em seguida, deixou a sala.