Eu não escrevi Deltora Quest. A série e todos os personagens pertencem a Emily Rodda.
Me perdoem pela demora! Muito trabalho, alguns bloqueios criativos e uma certa dose de preguiça me impediram de postar antes. Espero que algum dos meus pacientes leitores que começaram a ler esta história ainda esteja por aí.
Reviews seriam adoráveis (mesmo que para reclamar da demora).
Capítulo 10
Um plano
_ Com base nas informações que Jasmine te passou, Lief, tenho algumas ideias para recuperarmos o Cinturão. Acho que podemos elaborar um plano e colocá-lo em prática o quanto antes.
Estavam os três sentados à mesa da cozinha. Perdição havia afastado o prato já vazio da modesta refeição que Lief oferecera a ele e a Barda.
_Mas Perdição... _ Lief começou _ Mesmo que consigamos roubar o Cinturão, o que vamos fazer depois? Não temos nem ideia de onde está o verdadeiro herdeiro.
_ Acredite em mim, garoto. Esse é o menor dos nossos problemas. Uma vez com o Cinturão nas mãos, encontrar o herdeiro será apenas uma consequência.
Lief soltou um resmungo descrente.
_ Lief, _ Barda interferiu _ eu entendo sua reticência depois de termos entregue o cinturão às mãos erradas uma vez. Mas não podemos deixar o Cinturão no palácio. Não nas mãos de Dain.
O garoto foi obrigado a concordar.
_ Certo, mas se vamos tirar o cinturão do palácio, vamos tirar Jasmine de lá também.
Barda sorriu.
_ Claro. Se essa é a sua exigência para participar...
Havia algo de brincalhão no tom dele que dava a entender que sabia mais sobre os sentimentos de Lief do que o garoto gostaria.
_ Isso vai dificultar as coisas, mas certamente não podemos deixá-la lá. _ disse Perdição, pragmático. Não parecia ter percebido a zombaria. _ Dain pode usá-la como refém.
Lief estremeceu diante da possibilidade.
_ E vocês têm alguma ideia de como entrar no palácio?
_ Na verdade eu estava pensando na passagem secreta da pedra em forma de urso que seu pai usou para entrar no palácio na noite em que Senhor das Sombras tomou o poder.
_ Não me lembro de ter lhe contado sobre isso, Perdição.
_ Barda andou me contando algumas histórias durante a viagem.
Lief teve a sensação de que os dois homens vinham fazendo planos para invadir o palácio muito antes de encontrá-lo. Aparentemente havia mais segredos entre eles do que imaginava. Isso deixou levemente incomodado.
_ O essencial _ Perdição continuou _ é que você chegue ao Cinturão o mais rápido possível e ordene as pedras da maneira correta tão cedo quanto puder.
_ Por que você fala como se fosse eu quem devesse fazer isso? Pode ser qualquer um de nós, quem tiver a oportunidade primeiro.
_ Você teve muito mais contato com o Cinturão durante a jornada do que nós. _interrompeu Barda _ Provavelmente ele guiará você se for preciso. Além disso, se pretendemos resgatar Jasmine, vamos precisar procurar. Ela não estará a par do plano. Para isso, Perdição e eu conhecemos melhor o palácio e a posição dos guardas.
_ E você tem alguma ideia de onde fica a tal câmara onde está o Cinturão?
_ Na verdade tenho algumas, sim. _ respondeu Barda afastando o próprio prato vazio. _ Você tem algum papel aí?
Logo, tinham diante deles um mapa simplificado do andar térreo do palácio com uma série de rotas demarcadas até os locais onde Barda achava que poderia estar a câmara de que Jasmine falara.
_ São muitas possibilidades. _ constatou Lief _ Dificilmente vamos acertar a sala de primeira. Isso dá muito tempo para sermos pegos.
_ Infelizmente teremos de correr o risco. _ sentenciou Perdição _ Mas podemos reduzir esse risco, se planejarmos bem e estivermos preparados. E você ainda tem a sua capa, Lief. Será muito útil. Prestem atenção...
Já passava da meia-noite quando os três saíram discretamente da ferraria. Planos e possibilidades haviam sido discutidos e estabelecidos. O ponto em que mais rapidamente concordaram foi em executar o plano naquela mesma noite.
Caminharam até a pedra em forma de urso que escondia a entrada da passagem secreta. Lief ia oculto pela capa, por insistência dos companheiros. Atravessaram agachados o túnel e entraram na capela do palácio empurrando um dos ladrilhos de mármore.
Saltaram sobre o piso frio da capela e se esgueiraram silenciosamente até a porta que dava para o grande salão. Perdição espiou discretamente por ali, e fez um gesto aos outros dois. De acordo com o plano, ele iria atrás de Jasmine, enquanto os outros dois procuravam o cinturão. Barda e Lief observaram o homem se afastar até uma passagem discreta que levava aos andares superiores evitando a demasiadamente exposta escada principal, e então partiram na direção contrária.
Após evitarem as áreas de maior movimento cruzando alguns cômodos vazios, entraram em um longo corredor. Enquanto caminhavam apressados, Barda sussurrava instruções a Lief.
_ Este corredor se divide em dois mais a frente, e a tal sala pode estar para qualquer um dos lados. Vamos ter que escolher. Até lá, tome cuidado com as entradas laterais.
Mal ele pronunciara isto, uma voz ressoou no corredor.
_ Capitão Barda!?
Os dois se voltaram. Um jovem soldado estava parado atrás deles, provavelmente saído de uma das entradas a que o homem se referira.
_ Narin... _ balbuciou Barda.
_ O senhor voltou de Noradz... Já achávamos que havia acontecido alguma tragédia.
_ Estou bem, Narin. _ A voz de Barda era tensa, mas ele parecia estar tomando conta da situação. _ Na verdade ninguém pode saber que estou aqui. São ordens secretas do rei. Uma espécie de missão especial.
_ Certo, senhor. Mas ... vejo que está acompanhado do senhor Lief. Recebemos ordens expressas do rei de detê-lo. Está sendo acusado de traição.
_ Ahn! Vejo que Dain resolveu informar a todos. Não se preocupe, Narin. Ele já está sob minha guarda.
_ Mas, senhor... Ele não está amarrado ou amordaçado... Pode ser perigoso!
_ Soldado Narin, _ de repente Barda assumiu um tom muito mais autoritário, fazendo o soldado assumir posição de sentido automaticamente _ você não precisa me ensinar o que devo fazer.
_ Não, senhor!
_ Eu sei o que estou fazendo. Agora não mencione para ninguém que nos viu, se não quiser ser acusado de contribuir para os planos do inimigo. Apenas continue sua ronda.
_ Sim, senhor!
Com uma expressão assustada, o rapaz se afastou, obediente. Barda soltou um suspiro aliviado.
_ Precisaremos ter ainda mais cuidado. Cubra-se com sua capa. Ao menos de longe você não será visto. _ resmungou ele, arrastando Lief em direção ao fim do corredor.
Quando chegaram à encruzilhada, Barda hesitou um instante. Voltou-se então para o caminho da direita.
_ Não. _ interrompeu Lief. _ É pelo outro lado.
Barda fitou-o e assentiu. Lief sentiu-se grato por não ter que explicar que sentia o cinturão chamando-o, a estranha cobiça invadindo-o como um odor impossível de ignorar.
