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Capítulo Nove – Milagres

Encontrar com meus sogros à primeira vista, fora uma coisa realmente constrangedora. Quando eu os vi pela primeira vez no aeroporto meu coração ficou extremamente acelerado e eu podia sentir gotículas de suor se formarem em minha testa.

Todo o pouco do inglês que eu sabia, acabara evaporando-se. Na verdade eu tinha medo de tentar falar em francês e sair tão estranho como se eu estivesse falando em japonês.

Todavia, quando eu vi que Bella havia me apresentado para os pais dela, eu me senti na obrigação de falar algo. Tentei falar algo em inglês, mas acabei misturando as coisas. O que fez meu nervosismo ficar ainda maior.

Depois de mais algumas coisas ditas, Renée – mãe de Bella – abraçou-me e de repente, eu me senti mais calmo. Ela falara em francês comigo e depois eu dei um aperto de mão firme com o pai de Bella.

Fomos para o apartamento e Bella levou Renée até o quarto, para deixar seu pai a sós comigo.

Deseja beber algo? – indaguei, tentando não falhar com meu inglês.

– Pode falar em francês comigo – sorriu. – Edward, eu gostaria de conversar com você.

– Tudo bem, Sr. Swan. Sente-se – indiquei-lhe o sofá e ele o fez.

– Chame-me de Charlie – disse-me e eu assenti. – Bom você deve saber que Bella é nossa única filha, certo?

– Claro, senh... Charlie.

Seus olhos ficaram sombrios, tristes, carregados de uma nostalgia que não parecia muito boa.

– Edward, eu não sei se Bella já comentou isso com você, mas... mas Renée sempre teve problemas para engravidar. Antes de Bella, minha mulher sofrera três abortos. O útero dela não era capaz de suportar uma gravidez, entende?

"Os médico já achavam praticamente impossível que Renée engravidasse. Nós estávamos entrando com toda a papelada para uma possível adoção... então Renée engravidou. Começaram os enjôos e foi uma gravidez de extremo risco. Bella nasceu um mês antes do esperado, mas nasceu saudável.

"Você deve estar se perguntando: onde ele quer chegar com isso? Eu quero que você entenda, Edward, que você entenda que Bella é especial. Ela é a nossa vitória, nosso pequeno milagre. Eu posso ver que você a ama, que você quer cuidar dela... e isso é tudo o que eu te peço, rapaz. Que você nem sequer pense em magoá-la. E eu sei que você não o fará."

– Com toda certeza não o farei. Bella é tudo pra mim, e machucá-la, seria como machucar a mim mesmo.

– Fico feliz que estamos entendidos.

Assenti e fitei a parede. Pelo olhar de Charlie, eu sabia que havia mais coisas na história de Bella, e sabia também, que na hora certa ele ou Bella me contariam. Eu não tinha a mínima idéia sobre o que conversar com ele, afinal eu não sabia nada a seu respeito. Não sabia quais coisas poderiam interessá-lo e quais ele mais detestava. Na verdade eu só ficava pensando em suas palavras. Eu sempre vi Bella como uma forma de milagre, e agora eu entendia que ela não era apenas o meu milagre.

– Então, Emmett comentou sobre você gostar de golfe – Charlie murmurou.

– Se eu dissesse que apenas gosto de golfe, estaria sendo modesto – ri.

~x~

Charlie e eu tivemos uma conversa bastante amigável e eu descobri o quanto éramos parecidos. Foi divertido, já mais ao final da noite ele declarou estar cansado e eu disse para ele ir dormir.

Escutei Bella ir para o quarto – provavelmente para tomar um banho – e sentei-me na cama e me pus a esperá-la, conversamos um pouco e logo resolvi ir tomar um banho também. Deitei-me na cama e aconcheguei-me ao corpo de Bella.

E enquanto eu a admirava, só pensava nas palavras de Charlie.

Eu posso ver que você a ama, que você quer cuidar dela... Que você a ama... Que você a ama... a ama... ama...

~x~

Acordei Bella no dia seguinte e a encarei apaixonadamente como em todos os outros dias. Ainda tentava organizar meus pensamentos sobre tudo que estava acontecendo comigo. Quando eu estava com Bella não era aquela coisa sexual.

Era um carinho enorme, uma vontade de ficar sempre perto, de sempre tocá-la, olhá-la...

Fomos para a casa de meus pais e passamos o dia lá. Meu pai adorou conversar com Charlie, e, apesar de não se falarem muito, minha mãe adorara ficar com Renée.

Bella praticamente bancava a tradutora, sempre esclarecendo o que cada um dizia, e, conseqüentemente, o final do dia, ela estava exausta. Deitamos abraçadinhos e eu sussurrava coisas doces em seu ouvido, enquanto a escutava ressonar tranquilamente em meus braços.

~x~

Na terça feira Bella e eu tivemos de ir à editora. Eu para fotografar, e Bella para fazer alguns ensaios para a próxima edição. Ela deixara tudo preparado para seus pais e saímos de casa, no caminho eu pude apreciar a sua companhia, segurando um pouco sua mão, ou trocando olhares.

Dei meu nome na portaria e adentramos o estacionamento, eu já estava quase saindo do carro, quando Bella me parou e segurou minhas mãos.

– O que foi? – indaguei, fingindo não me lembrar.

– Nada... – sorriu sem graça.

– Certeza?

– Sim, foi só um impulso.

Concordei, segurando uma risada e saímos. Fomos de mãos dadas até o elevador e Bella parecia completamente inquieta. Eu sabia o que ela queria. Só estava fazendo um charme. Sorri. Antes que a porta do elevador se abrisse, segurei os dois lados do rosto dela e a beijei calmamente, entrando, logo em seguida no elevador.

– Achei que tivesse esquecido o meu beijo de bom dia – sussurrou, envergonhada.

– Nunca. Estava só fazendo um charme – ri.

Acariciei-lhe as mãos, soltando-as apenas quando chegamos ao andar desejado. Bella fora trocar de roupa e eu fui preparar a máquina e o estúdio.

~x~

– Não, não, Elizabeth! Vire seu rosto um pouco mais para direita, sim? Incline o queixo para cima e faça uma expressão de dor.

Ela fez o que eu pedi.

– Levante mais um pouco... isso. Perfeita.

Bati algumas fotos e depois vieram as próximas modelos: Faddei e Irina. Elas eram russas e estavam aqui para uma matéria sobre a moda e economia do país. Cumprimentei-as e pedi que ficassem em suas posições.

– Irina incline-se um pouco para sua esquerda, sim? Agora leve a mão direita dando uma leve amassada nos cabelos e dobre um pouco o joelho direito. Isso, linda! E Faddei, incline-se para frente e procure fazer um olhar perdido. Apoie as mãos nos dois joelhos e levante a cabeça para direita. Isso, perfeito...

Tirei fotos de vários ângulos e finalmente terminaram o ensaio. Estava guardando a máquina, quando uma das coordenadoras desse setor chegou.

– Edward! Precisamos que você tire umas fotos da Isabella, sim? Ela está se trocando e você deve ir para o estúdio 4.

– É alguma matéria especial? – indaguei-a, estranhando o fato de termos que mudar o estúdio.

– Claro – sorriu. – É para o mês de maio.

Assenti. O que diabos tinha no mês de maio? Balancei a cabeça e peguei minha câmera indo até o estúdio.

Chegando ao local, notei que o mesmo estava completamente vazio e haviam algumas pétalas de rosas no chão e um enorme sofá branco com detalhes em ouro a sua borda. Atrás do sofá havia um cenário parecido com o de uma igreja. Algumas velas iluminavam o local.

Então eu a vi. Bella estava... fantástica? Não... isso era pouco para tamanho requinte. Ela usava um vestido de noiva tomara-que-caia que grudava em sua cintura e começava a se abrir formando uma calda cheia e com detalhes florais.

Simplesmente... minha.

De repente, eu não estava mais no estúdio 4, mas sim no interior da Basílica de Sacré Cœur. Toda a igreja decorada com rosas brancas e vermelhas e todos os bancos ocupados por amigos e familiares meus e de Bella. Atrás de mim havia um padre, e ao meu lado, minha mãe sorriu, passando-me confiança.

Meu coração estava acelerado, e eu não conseguia raciocinar direito. O que estava acontecendo? Então eu olhei para mim, e notei que não usava mais os mesmo jeans com a camisa social de antes. Agora eu estava de terno e gravata.

Ofeguei, ao escutar a marcha nupcial começar a tocar.

Aquele era o meu casamento? Não, não... era o nosso casamento. Pisquei algumas vezes, e vi Bella entrar na igreja. Ela sorria feito uma boba e eu estava com o mesmo sorriso.

A vi caminhar lentamente até o local que eu estava e então seu pai entregá-la a mim. Sorrindo, segurei sua mão e nos virei para o altar. O padre começara a falar o mesmo discurso de sempre, e tudo o que eu conseguia fazer era admirar os olhos da belíssima mulher ao meu lado.

– Você aceita, Edward? – indagou. – Edward? Edward? EDWARD?

Balancei a cabeça e pisquei algumas vezes, notando que eu estava de volta ao estúdio e Bella ainda estava vestida de noiva.

– Em que você estava pensando? – indagou, sorrindo docemente.

– Nem me lembro mais – menti. – Mas tenho certeza de que era em você.

Bella sorriu e eu pedi que ela se posicionasse para as fotos no sofá.

Edição de maio.

Claro.

Maio. Mês das noivas.

Como não havia pensado nisso antes?

Revirei os olhos e voltei minha atenção às fotos, pedindo que Bella fizesse algumas poses. Pouco depois ela foi trocar o vestido e então voltou com um tomara-que-caia curto.

Sim. Era um vestido de noiva curto. Ele batia pouco acima do meio de suas coxas e era em um formato de tubinho, moldando-lhe bem as curvas e, principalmente, os seios, proporcionando um maravilhoso decote. O véu – ao contrário do vestido – era enorme e dava um charme sensual ao vestido.

Bella sorria, fazia as poses que eu pedia. Geralmente não era eu a fazer essa parte do ensaio, mas o responsável por isso – Matt – estava de licença devido a uma cirurgia de urgência que havia feito ontem.

Pedi a Bella que se deitasse no sofá e ela o fez, lançando-me um olhar diferente. Um brilho de desejo? Talvez...

Respirei fundo, sabendo que esse seria o ensaio mais longo que eu já fizera.

~x~

Já ao final da tarde, estávamos de volta ao apartamento e Bella teve a ideia de convidarmos os pais dela para um jantar. Concordei e ela lembrou-se de chamar meus pais, pedindo que eu ligasse para eles.

Concordei e lhe dei um selinho, vendo-a desaparecer pelo corredor, provavelmente para avisar aos pais. Peguei meu celular e disquei o número da casa dos meus pais.

Alô? – Esme atendera no terceiro toque.

– Oi, mãe – saldei-a. – Como à senhora está?

Oi, meu bem! Estou ótima, e você?

– Estou bem também. Então, a senhora e o papai vão fazer algo essa noite?

Querido! – ralhou, em tom de brincadeira.

– Você sabe que eu não estou perguntando sobre isso, por favor. Ew!

Certo, perdoe-me, mas foi inevitável – gargalhou. – E não, não temos nada programado para hoje. Por quê? Você tem alguma ideia?

– Bella gostaria que eu os chamasse para um jantar hoje à noite. Vamos a algum restaurante, sabe relaxar um pouco. Sei que está em cima da hora, mas chegamos da revista faz poucos minutos.

Está certo. Que tal irmos àquele restaurante que eu amo tanto? Tenho certeza de que os pais de Bella vão adorar.

Ótima ideia. Nos encontramos lá às oito e meia. Beijos, mãe.

Beijos, meu bem.

Finalizei a ligação e cai de costas na cama. Tantas coisas haviam acontecido em minha vida em tão poucos meses. Quer dizer... quanto tempo havia se passado desde o dia em que eu vira Bella pela primeira vez?

Dias? Semanas? Meses? Anos?

Impossível definir. Apesar de saber cada segundo ao seu lado, dizer que eu a conhecia a tão pouco tempo, parecia a pior mentira já contada na história. Por mais que fosse verdade.

– Hoje você está tão viajado... – Bella sussurrou, deitando-se sobre mim.

Senti meu corpo vibrar. E não era a mesma vibração de sempre. Parecia algo maior. Um desejo consumia minhas células, e instintivamente eu tomei sua cintura em minhas mãos, no momento em que eu a beijava ferozmente.

Não era o beijo apaixonado e delicado que costumávamos trocar. Era algo... Maior... Mais urgente.

Eu não raciocinava muito bem, mas sentia vontade de possuir Bella de uma forma que eu jamais fizera antes.

Então, como se toda mi há consciência voltasse à tona, eu me lembrei que os pais de Bella estavam no quarto da frente e que precisávamos nos arrumar. Bella separou nossos lábios no mesmo instante, como se lesse meus pensamentos.

Acariciei-lhe seu rosto e dei-lhe um selinho.

Estranhamente o clima romântico e protetor de antes havia voltado.

– Vou tomar um banho, certo?

Assenti e a vi entrar no banheiro. Enquanto Bella tomava seu banho, eu caminhei lentamente até a mesinha que havia ao lado de minha cama. Abri a gaveta e peguei uma caixinha preta que havia ali, tirando de lá a foto de Bella.

Ainda me lembrava do dia em que eu a tirei. Estávamos no início do mês de março, e eu havia ido a Avenida Champs-Élysées com o intuito de tirar algumas fotos para seu álbum de casamento, e então, ao final do ensaio Bella havia aparecido e saído na foto por acidente.

No dia, eu não soube os motivos que me levaram a revelar a foto, afinal, eu nem conhecia a garota e ela só saíra na foto por acidente, mas o fato de poder não ver àqueles olhos novamente, foi o mais estímulo que eu encontrei.

Bella não sabia dessa foto. Na verdade, eu julgava que ela nem ao menos se lembrava de mim. Que ela nem devia ter me notado no dia em que eu a tirei. Eu tinha receio de contar isso a ela... talvez um dia. Talvez...

Escutei o barulho da água sendo fechada, e rapidamente voltei com a foto para a gaveta. Logo Bella saiu do banheiro, envolta a um roupão e eu ri, notando que aquele era meu roupão e havia ficado maior do que o normal em seu corpo pequeno.

– Não ria – pediu, rindo.

Dei um beijo em sua testa e segui para o banheiro. Olhei para minha banheira, havia tanto tempo que eu não a utilizava. Geralmente eu tomava banho ali nos dias em que eu estava nervoso demais, e então pegava um bom vinho, com uma música clássica e passava horas ali, esvaziando minha cabeça de pensamentos que me estressassem ainda mais.

Sorri, eu não precisava mais dela. Agora eu tinha Bella, e não havia forma alguma de estar estressado, estando ao seu lado.

Tirei minha roupa rapidamente e adentrei o chuveiro.

~x~

Ao sair do banheiro, enxuguei-me e vesti uma roupa social. Não algo que me deixasse formal demais, mas que não me deixasse com aparência desleixada. Dei uma penteada em meus cabelos e coloquei meu relógio de estimação no pulso direito.

Estava saindo do quarto, quando Bella aproximou-se da porta. Como eu a abri no mesmo instante, acabamos chocando nossos corpos. Ri a peguei pela cintura, impedindo sua queda.

Foi só quando separei nossos corpos, que eu pude reparar melhor em suas roupas. Bella usava um corpete branco tomara que caia, junto com uma saia de cintura alta florida e um cinto vermelho um pouco abaixo dos seios. Em seus pés estavam sapatos altos, também na cor vermelha e em seu braço um casaco preto.

Seus cabelos estavam soltos e caíam espalhados em perfeitos cachos pelos ombros e por suas costas. Sua maquiagem não estava forte e consistia em apenas um brilho suave nos lábios.

– Perfeita – sussurrei, dando-lhe um tocar de lábios na testa.

– Olha só quem está falando – disse, enlaçando os braços em meu pescoço.

Toquei-lhe os lábios lenta e apaixonadamente e a apertei contra meu corpo.

– Vamos? – indaguei, finalizando o beijo.

Bella assentiu e ofereci meu braço a ela, que aceitou sem nem pensar. Sorrindo, fomos para a sala e encontramos seus pais a nossa espera.

Eu nunca tinha notado como a mãe de Bella se parecia com ela, mas agora, olhando-a melhor eu podia ver claramente os traços da filha em seu rosto. Renée era uma espécie de Bella mais velha, mas é claro que nada se comparava a beleza de Bella.

– Estão todos prontos? – Bella indagou.

– Só estávamos à espera de vocês – Charlie respondeu.

Assenti e fomos até o carro, no qual durante todo o trajeto até o restaurante tivemos uma conversa agradável.

~x~

Quando chegamos do restaurante, já se passava das onze horas. Fora uma noite bastante divertida. Minha mãe e Esme marcaram um dia de compras para o dia de amanhã, e eu e Charlie marcamos um jogo de golfe. Eu o levaria ao clube que era sócio para além de conhecer, jogar uma partida comigo. Meu pai trabalharia o dia todo e não poderia ir, e Bella passaria parte do dia na revista e depois encontraria com minha mãe e Renée.

– Amanhã às sete horas esteja de pé, Charlie – disse-lhe.

– Tudo certo, boa noite rapaz – tocou meu ombro. – Boa noite, filha.

Ele deu um beijo na testa de Bella e foi para o quarto. Renée despediu-se de nós e foi logo em seguida. Bella e eu fomos para o quarto e ela pediu um minuto, enquanto ia no banheiro se trocar.

Aproveitei e retirei minhas roupas, ficando apenas com calças de moletom. Ela logo saíra do banheiro, usando pijamas e veio ao meu encontro.

– Queria passar o dia com vocês amanhã – fez biquinho.

– Eu sei meu bem, mas você precisa ir a revista.

– Eu sei – suspirou. – Enfim, melhor irmos dormir.

Concordei e apaguei a luz do abajur.

– Boa noite, Edward.

– Boa noite, Bella.

~x~

Na manhã seguinte, eu acordei um pouco antes das seis horas e Bella ainda dormia. Depositei um leve beijo em sua testa e fui me arrumar. Tomei um banho calmo e depois vesti uma roupa mais esportiva. Separei minha roupa de jogo e a coloquei em uma mochila.

Fui até a cozinha onde preparei um café preto e forte e o tomei. Logo Charlie chegou à cozinha, usando roupas parecidas com as minhas.

– Aceita um café?

– Com toda certeza.

Coloquei em uma xícara para ele e tomamos o café em silêncio. Depois de colocar as xícaras no lava louças saímos do apartamento e fomos para meu carro.

Charlie e eu não demoramos a chegar ao clube, e ele adorara o local. Jogamos até depois do meio dia, quando resolvemos parar para almoçar e começamos a conversar coisas amenas.

– Charlie, perdoe-me se eu estou sendo inconveniente, mas...

– Você notou que eu não lhe contei tudo a respeito de Bella, certo?

– Sim, eu até poderia indagar isso a ela, mas tenho medo de provocar alguma ferida...

– Entendo. E suponho que você queira saber o que aconteceu certo?

Fiquei sem responder e Charlie suspirou.

– Tomarei o seu silêncio como um sim. Bom, meu rapaz, você nunca se perguntou o motivo de Bella mudar tanto de lugar? Viajando sempre assim?

– Na verdade, não.

– Há alguns anos, Bella começou a sentir muitas dores de cabeça e levamo-la ao médico. E no laudo médico foi dito que ela estava com um tumor cerebral. Bella ficou arrasada, é claro. Afinal ela tinha apenas 16 anos. Eu e Renée não sabíamos o que fazer todos ficamos chocados com a notícia.

"Bella começou a se isolar do mundo, pois, de certa forma, ela sabia que iria morrer. Ela não queria se apegar a mais ninguém, por isso começou a se isolar de tudo. Pouco falava até comigo e sua mãe!

"Bella estava prestes a completar seus 17 anos e ia tentar a cirurgia, e cerca de uma semana antes da cirurgia o médico nos ligou marcando uma consulta urgente. Ficamos todos preocupados, Bella se recusava a ir, mas foi.

"Quando chegamos lá, ele estava nervoso, e então nos disse que havia ocorrido uma falha no sistema do hospital e que na verdade o laudo era falso. Eu fiquei furioso, queria processar o hospital, comecei a gritar e só parei quando escutei o choro de Bella.

"Ela não chorava por raiva, mas por emoção. Ela levantou e abraçou o médico, agradecendo-o. Renée também chorava emocionada. Então meus gritos cessaram. E eu fui entender, aquele era apenas mais um milagre.

"Bella não tinha nenhum tumor, era completamente saudável e não perderíamos nossa filha. E essa é a história de Bella"

– Uau, nossa... estou completamente...

– Sem palavras? Perplexo? Irresoluto?

– Tipo isso...

– Por fim, Bella resolveu curtir a vida. Ela havia encarado uma falsa morte, e sabia bem essa sensação. Então decidiu que queria viver cada momento intensamente.

– Mas o que isso tem haver com ela sempre estar mudando?

– Ela prometeu que conheceria cada país desse planeta. Ou pelo menos grande parte deles. Mas agora acho que ela vai quebrar essa promessa...

– Por...?

– Nós homens às vezes somos tolos, não concorda?

Charlie riu e se levantou, convidando-me para continuarmos o jogo de onde havíamos parado.

de onde havíamos parado.

~x~

Seguinte, não sei se tem alguém que lê isso aqui, mas eu tenho essa fic concluída aqui e faltam mais 3 capítulos + Epílogo e um capítulo especial para acabar. Se os fantasmas aparecerem e comentarem eu termino tudo isso até dia 15.

Bjs