As palavras dele giravam na minha cabeça e eu voltei a molhar meu rosto ainda vermelho do ultimo choro. Como eu pude deixá-lo? Com muito esforço, garanto. Lógico que eu não queria, lógico que eu queria tê-lo para sempre, será que ele não percebia? E por que diabos ele estava ali me abordando, dois meses depois?

- Eu... – comecei chorosa, mas acabei pedindo a confirmação dos pensamentos de Harry. – Você saiu de casa? Passou o natal na toca.

- Então isso estava na sua penseira – ele refletiu e depois continuou um pouco mais alto me olhando acusadoramente – Lógico que eu saí de casa. Queriam que eu me casasse com Pansy. Me proibiram de voltar a ter qualquer coisa com você. Você tem noção Hermione Granger de como foi acordar naquele dia e não ver ninguém do meu lado? Eu levantei preocupado, você também não estava no quarto, todas as suas coisas tinham sumido também, e o porta retrato. Que imaginei na hora que você tivesse jogado em uma lata de lixo qualquer por ai. Quando falei com minha mãe ela disse que encontrou você na escada e que você disse a ela que tinha ido embora. Eu fiquei me sentido sujo, usado, um babaca que achava que estava fazendo amor com a mulher da sua vida, enquanto essa estava somente se despedindo. Hoje eu descubro naquela maldita penseira, pelos pensamentos da Lovegood, que você foi embora pelo que a minha mãe lhe disse. Você deveria ter me contado que a minha mãe tinha ido falar com você, você sabia que seria difícil minha família aceitar. Porque não me disse tudo para que enfrentássemos juntos? Minha mãe, meu pai, Pansy, os pais dela, qualquer um que quisesse nos prejudicar? Não, você preferiu me tratar como um estúpido. Preferiu me deixar.

Cada palavra dele era como um açoite. Doloridas, acusadoras, cheias de magoa.

- Não queria que você perdesse seus amigos, sua família, suas convicções, seu dinheiro. – eu disse e depois disse ainda mais baixo – não queria que você fosse machucado.

- O que adianta todo dinheiro do mundo se vou ser um imbecil infeliz que faz tudo o que os pais querem, casado com uma garota burra e ridícula - Malfoy berrava - E que convicções são essas que você acha que tirou de mim? A do puro sangue? Então me deixou em nome das convicções de comensal da morte? Você sabe muito bem quem eu sou, Hermione, sabe muito bem as minhas reais convicções. Por que me doeria perder família e amigos que nem sabem quem eu sou de verdade, que não tem nem a capacidade de me apoiar? Você viu o pensamento de um deles hoje, sabe muito bem quem me apoiou. Rony, Gina e o restante da sua família me acolheram em sua casa no natal, uma casa e uma família que eu desprezei a vida toda. A mãe deles, tão gentil, fez um prato pra mim mesmo todos tendo acabado de comer, arrumou um lugar para que eu dormisse e roupa para que eu vestisse sem nem que eu tivesse que pedir. Vi que ela não foi dormir na mesma hora que o marido, sabe por que Hermione? Ela passou a noite costurando para mim, ela disse que costurava para todo mundo no natal e que como eu estava la não seria diferente, disse que eu também tinha que ganhar presentes. Harry me emprestou roupa todo o tempo que fiquei la. Ele e todos os outros, mesmo o Jorge Weasley, tentaram me distrair e me animar o tempo todo. Dava para ver a preocupação nos olhos daquelas pessoas. São essas pessoas Hermione, que você quer que eu despreze por um pai comensal da morte, uma mãe que não me aceita e por amigos que se aproximaram de mim por interesse ou que me tratam com descaso?

- Desculpe – eu disse sinceramente, e as minhas lagrimas aumentavam, eu podia sentir a verdade nas palavras dele e podia ver como eu tinha feito tudo errado, mesmo que com boa intenção – Eu queria apenas que você fosse feliz. Eu... eu amo você.

Não sei se pela sinceridade que eu sabia que ele via nas minhas palavras ou se porque já tinha dito tudo, mas ele foi para perto de mim e me puxou de encontro ao seu corpo, me abraçando. Afundei a cabeça em seu peito, sentindo seu cheiro do qual eu sentia tanta falta.

- Não posso ser feliz Hermione, sem você.

Eu levantei o rosto e olhei firme nos seus olhos, me perdendo no azul. Me aproximei devagarinho e o beijei, um beijo lento, apaixonado, salgado das lagrimas.

- Achei que nunca fosse te ter assim outra vez, eu senti tanto sua falta... – eu comecei a dizer.

- Eu também – ele disse com a voz estrangulada.

- Eu chorava todas as noites – continuei.

E então dissemos juntos.

- Eu sonhava com você chorando.

- Ligação de alma – ele disse.

- Sim – eu concordei – mas eu achei que fosse somente perigo.

- Eu também – ele concordou, agora ele estava mais leve e eu também, ele sentou na minha cama e eu sentei ao seu lado.

Olhei para o relógio, já eram duas e meia. Amanha a gente ia acabar se atrasando para aula. Apontei a varinha para o relógio, fazendo um feitiço despertador e depois para nossas roupas transformando a dele em um pijama preto e a minha em uma camisola champanhe.

- Dorme aqui comigo meu amor.

- Da ultima vez que dormimos juntos – ele disse e seu rosto ficou serio – acordei sozinho.

Eu me senti culpada novamente, triste por tê-lo magoado. Puxei Draco para o meu colo, entre as minhas pernas, deitando a cabeça dele na minha barriga e comecei a fazer carinho nos seus cabelos. Oh Merlin, como ele era lindo!

- Você precisa jurar, Hermione – ele disse e eu vi o quanto ele estava preocupado – que nunca mais vai me deixar.

- Não vou. – eu disse – Nunca mais. Eu juro.

Ele finalmente sorriu e a minha vida estava iluminada outra vez.