Capítulo Dez

Espelhos

A mansão Malfoy tem três alas separadas, cada uma contando com seus devidos quartos, salas de estar, bibliotecas, sacadas e banheiros, além de alguns escritórios. O lugar conta também com as cozinhas, agora abandonadas, uma estufa, um jardim de inverno, onde Narcissa gostava muito de servir chás, além das masmorras, em seu subterrâneo.

Os muros altos, ladeados por pavões brancos, cercavam a propriedade que, um dia, havia sido impecável. Agora, no entanto, beirava o caos. Na luz da madrugada, Draco fitava a casa e perdeu-se durante alguns minutos em recordações da sua infância ali dentro, até perceber seu problema mais iminente: como, exatamente, ele iria encontrar alguns pergaminhos dentro de um lugar daquele tamanho?

"Hours slide and days go by
Till you decide to come
And in between it always seems too long
All of a sudden"

Acordar e perceber que estava sozinha não deveria ser nem um pouco decepcionante, mas foi. Sorriu um pouco consigo mesma, imaginando que Draco tivesse voltado para seu próprio quarto antes que os outros percebessem que ele não havia dormido lá.

Levantou-se com relativo bom humor e não demorou a sair de seu quarto para tomar café. Passando pelo corredor, notou a porta do quarto de Draco aberta e sorriu. Ele já deveria estar lá embaixo, esperando por ela.

Deveria ser contra a lei conseguir se sentir tão feliz durante um momento tão ruim de sua vida, mas não conseguia impedir o sorriso um tanto oculto de surgir em sua face, a cada vez que se lembrava de Draco e da maneira como ele era com ela, quando estavam a sós.

Tão companheiro, tão compreensivo. A dor muda as pessoas, e a dor pela qual Draco havia passado o havia transformado em um homem, não mais um menino, talvez de maneira muito semelhante ao que ouvir a profecia havia feito com Harry.

Pensava nisso quando chegou à cozinha e percebeu que apenas Lupin, Harry e Neville estavam lá. Harry tinha a expressão fechada, e Hermione começou a ficar preocupada. Buscou os olhos de Remus e viu ele mexer quase que imperceptivelmente a cabeça em sinal de negação. Draco não havia estado na cozinha àquela manhã.

- Bom dia. – ela cumprimentou, um tanto incerta, e obteve alguns resmungos em resposta.

- Você viu o Malfoy ontem à noite, Mione? – a garota quase engasgou com o suco de abóbora ao ouvir as palavras de Harry, e Neville lhe deu alguns tapinhas nas costas, enquanto ela se refazia.

- Ahn... Ele estava... Entrando no quarto dele, a última vez me que o vi... Por que, Harry?

- Porque ele sumiu.

Foram as palavras que Harry não disse que atingiram Hermione e a fizeram olhar para Lupin, uma vez mais. As palavras não ditas que berravam que Harry desconfiava que Malfoy tivesse conseguido alguma informação e voltado a se juntar aos Comensais. Instintivamente, ela recordou da conversa sobre as Horcruxes e durante um instante, sentiu medo.

Medo de ter sido enganada e usada, medo de ter perdido alguém em quem havia aprendido a confiar tanto quanto em si mesma, medo de ter se enganado tanto no julgamento de uma pessoa, que teria posto toda a missão de Harry em risco.

Mas durou apenas um instante. Lembrou o sorriso de Draco e também o carinho dele com ela, mesmo quando ainda nem eram amigos. Lembrou sua expressão de dor ao falar dos pais que haviam morrido e sua revolta por ser forçado a fazer coisas que não queria, por não ter escolhas.

Era uma questão de confiança, e ela confiava em Draco. Era simples assim.

- Desde quando? – sua voz mais firme, agora.

- Não sabemos... – disse Lupin, um pouco de pesar em sua voz - Percebemos que ele não estava aqui hoje pela manhã, mas não podemos ter certeza de que ele ainda estava aqui ontem à noite.

- Bem, nós não podemos simplesmente desconfiar dele, por ele ter saído. Ninguém é proibido de deixar o quartel general, por que essa regra não se aplicaria a ele?

- Porque ele foi um Comensal da Morte. – respondeu Harry, com a voz raivosa.

- A atitude de vocês está sendo absurdamente inadequada. Nós queremos aliados. Se ao primeiro motivo de desconfiança, vocês já estão dispostos a desacreditar nele, é apenas mais um motivo para que ele jamais confie em nós e aí, sim, ele retorne para Voldemort! – a voz dela aumentava a cada palavra, e Hermione começava a ficar realmente zangada. Harry seguia o mesmo caminho.

- Amiguinha dele como você está dele, Mione, eu achei realmente que fosse defendê-lo!

- Não é por ser "amiguinha" dele, Harry! É porque, até a última vez em que eu conferi, este aqui é o lado onde nós defendemos pessoas! Se qualquer motivo, qualquer deslize, é razão para desconfiança e punição, então nós não somos diferentes de Voldemort ou do Ministério, e talvez aquela droga de Arauto tenha razão!

- Continue assim, e logo você vai estar dizendo que eu serei o novo Lorde das Trevas, Hermione! – gritou o rapaz, levantando-se da cadeira e dando um soco na mesa, enquanto encarava uma Mione igualmente furiosa, fazendo a garota se levantar também.

- E mesmo se você se tornasse, eu jamais sairia do seu lado, porque eu confio em você, e teria certeza de que você teria razões para agir assim! Não se despreza a confiança de alguém, e primeiro arruma-se evidências para a culpa, para só então acusar! Dêem algum tempo, e Malfoy vai estar de volta.

Encaram-se alguns segundos, lados opostos da mesa, e Harry suspirou e baixou o olhar.

- Talvez você tenha razão. Desculpe, Mione. – a garota deixou a respiração sair, e então Harry voltou a olhar para ela - Mas se ele não estiver aqui até o entardecer, vamos denunciá-lo ao Ministério, como Comensal fugido.

Hermione sustentou o olhar mais alguns segundos, e acenou com a cabeça.

Era bom Draco estar bem e voltar logo.

Porque senão, ela mesma se certificaria de que ele era um homem morto.

"I don't mind where you come from
As long as you come to me
I don't like illusions I can't see
Them clearly"

Eliminar cozinhas, sacadas e qualquer instalação externa havia sido uma coisa boa, mas não necessariamente prática. Levou horas até que conseguisse encontrar os mapas, e mais horas até que acertasse os feitiços para retirá-los de lá.

Quando, finalmente, tinha os malditos mapas nas mãos, estava quase se arrependendo de ter ido e foi apenas o pensamento de que, sem aqueles mapas, os imbecis da Ordem, liderados por aquele idiota, iriam levar ainda mais tempo para acabar com Voldemort que o manteve na busca.

Quando chegou às portas de Grimmauld Place estava imensamente cansado e nervoso. Tinha muita consciência de que não havia avisado que sairia, que Potter estaria clamando pela sua cabeça e ter consciência da marca em seu braço coçando incontrolavelmente nas últimas horas não ajudava em nada para acalmar seus nervos.

Hermione provavelmente estaria incrivelmente zangada com ele. E isso era apenas o começo de seus problemas.

Entrou na casa o mais silenciosamente que pôde e foi agraciado com a visão de Hermione sentada ao pé da escada, olhando para a entrada com uma intensidade que parecia que ela tentava desintegrar a porta apenas com o olhar.

- Por Deus! – foi a sua única exclamação, antes de pular no pescoço dele, e apertá-lo com força. Draco soltou um suspiro de alívio ao abraçá-la de volta, com prazer. Esperara coisa pior do que isso.

Quando começava a relaxar, sentiu um tapa no braço, seguido por outro, no lado de seu corpo, e vários deles, em sucessão, enquanto Hermione se afastava.

- Você por acaso enlouqueceu? Onde foi que se enfiou o dia todo, Malfoy?

- Isso, Mione, é o que todos nós queremos saber, não é? – perguntou Harry do alto da escada, olhando para Draco com óbvia desconfiança.

- Eu estava na Mansão Malfoy, Potter. Não sabia que era proibido aos membros da Ordem deixarem a casa. Por acaso é?

- Não, Malfoy, mas você deveria ter avisado. Um ex-Comensal pode ser tão facilmente pego pelo Ministério se não tiver o álibi certo, não é mesmo?

- Ora, Potter, chantageando, quem diria? – ele arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços em frente ao peito, - Até me surpreende que você não tenha me denunciado ao Ministério.

- Se você não tivesse aparecido em uma hora, eu teria feito exatamente isso.

Draco não estava exatamente surpreso ao ouvir a declaração, mas aquilo não o fez se sentir mais confortável também. Saber que era tão claramente suspeito, e que qualquer deslize poderia acarretar no fim de sua liberdade, talvez sua vida, era algo extremamente desconfortável, para dizer o mínimo.

- É bom saber até onde sua confiança vai, Potter. Continue assim e logo, logo conseguirá invadir a mente de todos aqui e saber o que pensamos.

Ele terminou de falar e seguiu direto para seu quarto, passando por Potter sem lhe dar nem um olhar.

Harry fervia de raiva. Duas vezes, no mesmo dia, havia sido acusado de estar se portando como Voldemort. Aliás, por Draco e Hermione. Eles pareciam estar compartilhando muitas idéias, ultimamente. Muitos olhares e sorrisos. E o olhar de Hermione para o alto da escada, onde Malfoy havia acado de desaparecer, também não era nada comum, até algumas semanas atrás...

O que estaria acontecendo?

"I don't care no I wouldn't dare
To fix the twist in you
You've shown me eventually
What you'll do
I don't mind...
I don't care...
As long as you're here"

- Draco… - Hermione chamou baixinho, quando abriu a porta do quarto do loiro, encontrando-o organizando diferentes mapas sobre a cama.

Ele a encarou e deu um sorriso gelado.

- Ora, Granger. Não tem medo de ficar com o malvado Comensal? – Hermione fez um som irritado e foi até o lado do rapaz, trancando a porta com um feitço, enqaunto o fazia.

- Pode tirar a máscara de Comensal, Draco, por favor, isso nunca me convenceu. Onde você estava? Tem a menor idéia do que eu passei para te defender aqui? Harry queria te entregar pro Ministério, sabia?

- E você me defendeu? – ele sabia que não deveria ter que perguntar, mas pudera confiar em tão poucas pessoas durante a sua vida...

- Defendi. É o que fazemos quando se está junto, não é? – ele olhou para ela, levantou-se e a abraçou com tal força, que Hermione pensou ter ouvido uma de suas costelas se partir.

- Vai me dizer onde estava, agora?

- Fui buscar mapas.

- Mapas? – ela parecia intrigada.

- Sim, mapas. Você me disse que estão procurando aquelas coisas... Meu pai comentou sobre esses mapas. Pouco antes de ele... Morrer, ele tirou esses mapas do Quartel general de Você-Sabe-Quem. Eu pensei que pudesse ajudar.

Hermione o encarava, incrédula.

- Você arriscou sua posição na Ordem, sua segurança, indo até a Mansão para ajudar a encontrar Horcruxes? Mesmo sabendo o risco que estava correndo?

- Sabe, Hermione, quando você fala em voz alta a coisa parece bem mais idiota, mas eu acho que foi isso que eu fiz, sim.

- Bem, você sabe o que temos que fazer, não sabe?

- Entregar os mapas para o Potter, sem que ele saiba que fui eu que peguei, e aí ele acha essas coisas e acaba com elas, mata a cobra e o maluco, e nós vamos embora para Bruxelas? – Hermione riu.

- Não, Draco. Contar para o Harry que você arriscou a própria vida para nos ajudar.

- Eu não quero fazer isso.

- Mas isso é o certo a se fazer.

- E quem disse que eu quero fazer o certo? – Hermione o encarou, e deixou um sorriso leve se formar em seus lábios, enconstando a mão no rosto dele e entrelaçando-a nos cabelos finos, aproximando seu rosto do dele.

- Você parece ser bem persuasiva quando quer, sabe, Granger?

- Vamos ver se eu te convenço, então, Malfoy.

Ela sorriu antes de unir seus lábios aos dele, e a abençoada paz que sempre acontecia quando se beijavam apareceu novamente.

Mais tarde pensariam sobre como contar a Harry.

Apenas mais tarde.

"And I'll take you for who you are
If you take me for everything
Do it all over again
It's all the same"


N.A: Música é All the Same, Sick Puppies, e não é minha!

Desculpa o atraso, galera! Acabei me involvendo com um projeto em dupla, (com a minha tiwn, Agy), e o lançamento da fic, e me perdi no tempo, sorry.

Aliás, para quem curte pinhão, link no meu profile, Ad Infinitum. XD

Muito bem, chega de propagandas, vamos às reviews!

Lauh: Obrigada pela Review, linda! Bem, virão mais encrencas por aí? Poor Draquenho (cínica)

Mione G. Malfoy: Draquenho intacto (por enquanto – risadas maquiavélicas)

Caroll: Valeu pela review! Tomara que tu continue gostando. XD

Haraiso: Mais um cap. Aí. Espero que continue gostando XD

Le Diedie: Um homem com 17 sardas no nariz merecia dominar o mundo \o

Hauhauhauahuahuahauhauahu

Bjs!

Fla: Valeu pela review, floooor!!! Aliás, menina, que fim foi aquele em detenção?? Coisa mais perfeitosa eveeeer!!! Parabéns! Bjs!

Snake Eye's BR: Muito obrigada pela Review e os elogios. É difícil escrever NC, fiquei muito contente mesmo que tenha saído no tom que eu queria.

Valeu. X D

Tinker: Valeu pela review!!! Draquenho inteiro aí (por quanto tempo?? Não sei.)

Huahauhauhauahuahuahauhau Bjs!

Anna: desculpa o atraso, more!!! Mesmo!! Espero que tu tenha curtido! Bjs!

Yuuki Kiryu: Honra mor a Vick ter indicado minha fic, e fico muito feliz que tu esteja curtindo essa. Quanto às sonbras dos personagens, acho que todos os meus tem esse toquezinho levemente angnst... hauhahauahu.

É a vida XD

Bjs!

Aliás, Agy: não é propaganda de fic futura, não, viu? É que meu Harry está se revelando, oras!

E era isso, galera! Até sexta! (Sem atrasos desta vez!)

Bjs e

R E V I E W !