Oi gente!
Aqui está mais um capítulo da fic. Esta foi a que eu mais demorei para atualizar, me desculpem os que estão acompanhando.
Demorou, mas está aí mais um capítulo. Espero que gostem.
Beijos!
Naquela tarde Sesshoumaru voltou ao centro cirúrgico depois de muito tempo. A expectativa em torno de sua atuação naquele procedimento era grande, mas isso não afetava seu comportamento. Ele estava seguro e tranqüilo como, aliás, sempre demonstrou estar em todos os casos médicos que atendeu.
O centro cirúrgico possuía uma câmara de observação que ficava em um nível mais elevado. Aquele era um hospital-escola e muitos estudantes e residentes passavam por ali.
Naquele momento a câmara estava repleta de estudantes e alguns companheiros médicos de Sesshoumaru, inclusive seu tio que estava quieto na primeira fila de observação. Todos queriam ver aquilo, não só porque era um evento interessante para os jovens médicos que estavam ainda aprendendo, mas também para aqueles que acompanharam cada passo da lenta e árdua recuperação de Sesshoumaru.
O médico estava concentrado no que fazia nem sequer tomava conhecimento das pessoas que o observavam. Ele havia iniciado o procedimento a pouco mais de uma hora e tudo parecia bem.
Uma equipe formada por seis pessoas o acompanhava, entre anestesista, instrumentador, assistentes e enfermeiros. Todos ali trabalhavam em perfeita harmonia como em uma orquestra e Sesshoumaru era o regente. O jovem médico dava instruções à equipe enquanto manuseava os delicados instrumentos utilizados para explorar o cérebro do paciente. Seus movimentos eram guiados por um endoscópio e as imagens do interior da cavidade craniana eram visíveis em um monitor instalado ali. Todo o procedimento estava sendo gravado, o que era comum e Sesshoumaru gostava disso, pois era possível analisar as imagens depois.
Numa sala de espera próxima dali, toda a família do senhor Iwano aguardava ansiosa e rezando aos deuses pelo término da cirurgia. A espera era torturante, os ponteiros do relógio que estavam em uma parede naquela luxuosa sala de espera pareciam congelados no tempo.
A senhora Iwano estava sentada em um dos sofás e um de seus filhos estava ao seu lado confortando-a. O homem que se sabia ser o irmão do paciente estava de pé e tomava um chá que fora trazido por sua esposa para todos ali. Ele estava confiante de que o jovem Dr Taisho conseguiria salvar a vida de seu irmão e apenas esperava que tudo terminasse o mais rápido possível.
Cinco horas e meia depois, a cirurgia foi encerrada e o paciente foi levado para o CTI. Sesshoumaru saiu da sala de cirurgia depois de cumprimentar toda a equipe pelo trabalho e também receber os cumprimentos por parte deles.
O jovem médico entrou na sala de esterilização e retirou o avental que usara durante a cirurgia colocando-o no local reservado a isso, assim como fez com as luvas. Ele voltou a lavar as mãos enquanto a máscara que fora afastada do rosto, ainda estava amarrada ao seu pescoço. Feito isso Sesshoumaru deixou a sala e foi ao encontro da família de seu paciente que aguardava por notícias. Ao chegar à sala de espera todos se levantaram e o encararam com expectativa.
- E então doutor? – O irmão do sr Iwano perguntou.
Um clima de tensão tomou conta do ambiente enquanto todos se concentravam no que o médico diria. O silêncio, que não durou mais do que alguns segundos, foi quebrado pela voz grave e serena de Sesshoumaru.
- Foi uma cirurgia bastante complicada, mas muito bem sucedida. Eu consegui isolar o tumor e removê-lo sem comprometer o tecido e por isso acredito que não haverá seqüelas para ele.
- Ele vai ficar bom então? – A senhora Iwano indagou visivelmente emocionada.
- As chances de que ele tenha uma vida normal daqui para frente são muito boas. Serão necessários certos cuidados, mas ele vai viver.
Todos respiraram aliviados e os filhos do sr Iwano abraçaram a mãe que chorava naquele momento enquanto os outros comemoravam a notícia. O irmão do paciente se aproximou de Sesshoumaru e apertou sua mão em agradecimento, fazendo logo depois uma reverência mais do que respeitosa.
- Muito obrigado Dr Taisho! Nenhuma recompensa será suficiente para pagar a alegria que o senhor está nos dando nesse momento.
- Eu apenas fiz o meu trabalho. – O médico disse de forma tranqüila e recebeu depois o agradecimento do restante da família. – Ele foi levado para o Centro de Terapia Intensiva agora e ficará sob cuidados constantes nas próximas 48 horas. Esse é um período crucial para a recuperação dele, precisamos ficar atentos a qualquer reação.
- Nós podemos vê-lo?
- Poderão, mas apenas através do vidro. Não podem entrar na sala por causa do risco de infecção.
- Hai. – A senhora Iwano respondeu.
- A enfermeira vai levá-los até lá. – Sesshoumaru informou, indicando uma das enfermeiras que fizeram parte da equipe de cirurgia.
- Por favor, venham comigo. – Ela disse com a voz calma.
A família Iwano a acompanhou através do corredor e Sesshoumaru retirou a máscara do pescoço caminhando logo depois rumo à sala dos médicos. Ele estava satisfeito consigo mesmo e com o trabalho realizado. Fizera mais uma vez, dera a chance de sobrevivência a uma pessoa que já havia sido desenganada e que havia perdido todas as esperanças.
Ao chegar à sala dos médicos, Sesshoumaru foi cumprimentado pelos colegas, dentre eles Bankotsu e o Dr Ken que estavam ali.
- Meus parabéns pelo retorno triunfal Sesshoumaru. – Disse Bankotsu apertando a mão do amigo.
- Obrigado. – o jovem agradeceu. - mas eu não diria que este foi um retorno triunfal, foi ... adequado. – completou depois de pensar por alguns segundos na melhor palavra.
- Sesshoumaru? – uma voz conhecida chamou por ele que logo se virou para encarar quem o chamava. – Podemos conversar?
Hakudoushi tinha seu sorriso habitual e o tom de voz tranqüilo quando chegou à sala dos médicos e todos os que estavam ali o fitavam.
- Claro. Vamos até a minha sala. – Sesshoumaru respondeu.
Os dois caminharam pelo corredor e tomaram o elevador para chegar ao andar onde a sala de Sesshoumaru ficava. No caminho até seu destino outras pessoas o cumprimentaram como se ele houvesse conquistado um prêmio ou algo do tipo. Sesshoumaru respondeu a todos com sua discrição característica.
- Tsubaki teceu muitos elogios a sua performance na sala de cirurgia. – Comentou o mais velho.
- Ela uma bajuladora. – Sesshoumaru respondeu e arrancou um sorriso do tio.
- Nós dois sabemos bem que ela não faz esse tipo. – o jovem também sorriu.
Eles já estavam acomodados nas confortáveis poltronas da sala em cuja porta estava grafado, em letras prateadas, o nome Taisho Sesshoumaru – Neurologia e Neurocirurgia. Conversavam sobre o evento e as repercussões clínicas do caso, algo normal entre médico-chefe e subordinado.
- Como se sentiu enquanto estava lá?
- Bem. É como se nunca tivesse me afastado das minhas funções. Estava sentindo falta.
- Eu fico feliz em ouvir isso. Também estava ansiosa para ver um dos meus melhores de volta a ativa.
- Ansioso? – Sesshoumaru indagou calmamente arqueando uma das sobrancelhas. – Eu já teria voltado a fazer cirurgias há muito tempo se você não tivesse me impedido. Aliás, você fez de tudo para me manter afastado do hospital pelo máximo de tempo possível e se associou a Izayoi para conseguir isso, eu sei.
Hashi voltou a sorrir encarando o sobrinho. Era verdade. Depois do acidente e por ter se afastado por tanto tempo de suas atividades, havia uma preocupação quanto a deixar que Sesshoumaru retornasse ao trabalho tão cedo. Logo que se viu andando sem ajuda, o jovem médico quis voltar a trabalhar e foi ao hospital diversas vezes com essa intenção, mas Hashi havia dado ordens expressas para que ele não fosse readmitido até que ele próprio desse a ordem para tal.
Sesshoumaru brigou muitas vezes com o tio por causa disso e também com Hayashi, seu melhor amigo. Hayashi era o chefe do pronto socorro e sempre foi o homem de confiança de Hakudoushi, por isso acatava as ordens do chefe mesmo sabendo que isso contrariava imensamente o amigo.
- Naquele período eu não tinha certeza se você estava pronto para voltar. Não que eu duvidasse de sua capacidade, mas me preocupava o seu estado emocional e a minha opinião era a mesma da médica que acompanhou você.
- Vocês não viam que era muito pior que eu ficasse ocioso em casa...
- Eu sei que você queria manter-se ocupado e retomar logo sua vida, mas não creio que a pressão do dia-a-dia no hospital fizesse bem a você naquele momento.
- Você usou até o Hayashi para me manter longe. – Sesshoumaru disse sério lembrando daqueles dias.
- Eu tive que obrigá-lo. Como seu amigo ele provavelmente deixaria você voltar e fazer o que quisesse, então eu precisei apelar para o lado profissional dele e fazer com que ele o visse como qualquer outro membro da equipe. Ele é superior a você na hierarquia do hospital e tinha que usar isso independente da amizade entre vocês.
- Deu certo. Ele ameaçou chamar a segurança para me tirar do prédio.
Hashi riu com mais vontade ao ouvir as palavras do sobrinho. Era bom naquele momento poder olhar para trás e rir do que aconteceu. Agora tudo não passava de lembranças, mas na época era uma decisão difícil de tomar, pois ele sabia o quanto Sesshoumaru amava seu trabalho e como aquele ambiente era parte importantíssima de sua vida. Afastá-lo dali havia sido doloroso, não só para Sesshoumaru, mas também para ele.
Após conversar com o tio, ainda em sua sala, Sesshoumaru trocou de roupa e pegou suas coisas para sair do hospital. Antes de ir ele passou para ver seu paciente e analisou as fichas de monitoramento, ficando satisfeito com o que encontrou. Ele deu instruções aos enfermeiros e ao médico plantonista da CTI e orientou que o chamassem caso algo anormal acontecesse.
Cerca de meia hora depois o médico dirigia pelas ruas da cidade até sua casa. Estava tranqüilo e apesar do cansaço, se sentia bem e satisfeito consigo mesmo. Havia feito seu trabalho com a eficiência habitual e com isso garantido uma vida mais longa e saudável para seu paciente.
O trajeto até o apartamento foi feito rapidamente, já que àquela hora da noite o tráfego estava muito tranqüilo. Não demorou muito e ele já colocava a chave na porta de entrada do apartamento entrando logo no imóvel. Sesshoumaru acendeu as luzes da espaçosa sala e após depositar as chaves sobre o aparador foi até o bar, onde se serviu de wisk com gelo, depois se sentou no sofá branco próximo à porta que dava para a sacada e ficou admirando o céu escuro daquela noite.
Algum tempo depois, Sesshoumaru estava em seu quarto. Ele havia tomado um banho relaxante e agora assistia ao noticiário deitado na espaçosa cama.
Eram onze e meia da noite quando ele olhou o relógio digital no criado mudo e suspirou pensando nela. Eles haviam se visto a menos vinte e quatro horas atrás, mas era inevitável sentir falta dela, do seu cheiro, da sua voz, seu toque. Não estariam juntos naquela noite, porque Sesshoumaru não fazia idéia de quando estaria livre de suas obrigações no hospital e ela tinha um jantar com clientes, mas o médico esperava ao menos falar com ela e ouvir sua voz doce antes de dormir.
Pouco antes da meia noite, o sono já começava a exigir que Sesshoumaru fechasse os olhos e se entregasse, quando o som do telefone celular ecoou pelo ambiente.
Sesshoumaru estendeu o braço e pegou o pequeno aparelho sobre a mesinha e sem olhar no visor o atendeu.
- Moshi, moshi! – Falou com a voz sonolenta.
- Aah, eu acordei você?
- Quase. Eu ainda não estava dormindo.
- Já é tão tarde, me desculpe.
- Que horas são?
- Meia-noite.
- Você chegou agora?
- Na verdade ainda estou a caminho do hotel.
- Está tudo bem, sua voz está estranha?
- Está, eu só estou cansada e com um pouco de dor de cabeça. Deve ter sido o vinho. Mas me conta... como foi lá no hospital?
- Correu tudo bem. A cirurgia foi um sucesso.
- Eu sabia que seria meu amor. Estou muito feliz por você. Parabéns!
- Obrigado. E o seu jantar como foi?
- Ah! Eles fazem o possível para que seja agradável, mas é um jantar de negócios. Falamos de contratos e agendas, esse tipo de coisa. Eu vou ter que retomar minha agenda e meus compromissos.
- Entendo. – Falou calmamente e em um tom compreensivo.
- Vamos conversar sobre isso depois? Eu já estou chegando e você está com soninho, não está?
- Estou. – Ele sorriu.
- Então. Amanhã nos falamos e se você puder depois do hospital nós podemos nos econtrar.
- Tudo bem. Você vai estar livre amanhã?
- Vou.
- Então quando eu estiver liberado do hospital eu te ligo.
- Ok. Boa noite Sesshy. Sonhe com os anjos.
- Boa noite minha Rin.
No carro enquanto faltavam ainda alguns minutos para chegar ao hotel, Rin desligou o telefone e ficou com o aparelho na mão, enquanto sua expressão pensativa era refletida no vidro do carro.
- Você vai contar pra ele amanhã? – A voz de Ayame foi ouvida.
Rin apenas concordou com um aceno de cabeça sem deixar de fitar a paisagem no lado de fora do carro.
- Tudo vai dar certo Rin-chan, acredite.
- Eu espero que sim Ayame, espero que sim.
Quero agradecer muito aos reviews que recebi e dizer que fiquei contente em saber que algumas pessoas que estavam com ódio mortal do Sesshy, agora já o estão vendo com outros olhos. Você sabe de quem falo, não é Nathy? Minha leitora mais exigente, nossa!
Todos estão ansiosos para saber como o caso Sesshy e Kagura se deu, mas vocês terão que aguardar porque não posso simplesmente atropela a história para matar a curiosidade de vocês. kkkk. Adoro deixar o povo curioso.
Posso adiantar que a Kagura amava o Sesshy de verdade e talvez ainda ame, só que de um jeito muito distorcido e amoral. Posso dizer também que ela tinha um ciúme doentio dele, era atrevida, ousada e apelava a seus atributos para ter a atenção dele depois que o amor acabou. Aguardem e confiem.
Aqueles que gostam das cenas românticas entre Oyakata e Izayoi podem ter certeza de que verão outros momentos fofos entre os dois. Esse casal passou por muitas coisas e o amor e cumplicidade deles é imenso.
Recebi bons comentários também sobre a conversa entre Sesshy e a mamãe Iza. Eles se adoram e esse amor foi a primeira vista para ambos. Izayoi literalmente se apaixonou por ele quando o conheceu ainda bebê e o sentimento é mútuo, embora Sesshoumaru o contenha mais. Ele não a chama de mãe, como vocês devem ter percebido, mas não porque não a considere assim. O motivo vocês entenderão no decorrer da fic.
É bastante provável que a raiva de vocês de volte para o Inuyasha.
Aguardo novos comentários.
Beijos!
