Capítulo 10 – Filho

John Stilinski não sabia que lobisomens existiam até o momento em que foi mordido.

Obviamente a ideia já havia passado pela sua cabeça algumas vezes frente à inundação de acontecimentos em que seu filho e – ele veio a descobrir depois – todos os lobisomens da cidade estavam envolvidos e que foram arquivados por ele na delegacia. Mas ele justificava sua descrença com Stiles e sua inacabável capacidade de falar sobre, bem, tudo, inclusive absurdos como vampiros, lobisomens, bruxas, demônios e uma ampla variedade de alienígenas. E agora ele só podia rezar para que a concretização dessas coisas parasse nos lobisomens.

Stiles falava demais, e metade do que ele falava não fazia sentido para John, por mais que ele se esforçasse. Outra grande parte era composta por reclamações e recomendações quanto aos hábitos de John, o que fazia o xerife se perguntar às vezes se não havia uma certa inversão de papéis na relação de pai e filho que eles instituíam, mas ele estava mais preocupado em tentar saber se Stiles estava vivo e não machucado e se esquivar de perguntas sobre casos sigilosos do que com sua relação com seu filho.

O que claramente foi um erro, mas ele demorou tempo demais para perceber isso. Basicamente, toda a sua vida, pois quando ele percebeu, era para ele estar morto.

- Eu sinto muito, pai. – Stiles chorava, Derek segurando seus ombros para evita-lo de se jogar sobre o homem ainda ferido – Eu sinto muito.

- Por salvar minha vida? – o xerife ainda tentava se equilibrar depois do acidente, do tiroteio, da mordida e da imensa enxurrada de informações.

- Eu só... Eu... Eu não poderia perder você. Eu não estou pronto para ficar sozinho.

E John não sabia o que fazer para diminuir o imenso medo na voz de seu filho. Não era medo somente de perdê-lo, embora estivesse claramente ali. Era medo de ser abandonado, era medo de ficar só. E ele esteve só por tanto tempo sem que John pudesse fazer nada a respeito.

John o olhou e o puxou contra seu peito, embora o movimento ainda lhe causasse dor. Stiles não estava sozinho, embora não percebesse, isso era claro para John na forma como Derek olhava para seu filho, no fato de que Isaac e Erica aguardavam mais atrás, visivelmente preocupados, no fato de que Scott e Allison conversavam com os policiais e tentavam mantê-los isolados pelo máximo de tempo possível, no fato de que Melissa, Boyd e Peter haviam saído para oficializar os últimos acontecimentos junto à ambulância chamada às pressas e ao caçador que estava na cidade e certamente ouviria falar que Derek mordera um humano.

Eles não cuidavam de John, cuidavam de Stiles, porque Stiles era parte do pack deles há muito tempo. Parte dessa estranha família que vinha se aglomerando em torno dele de forma meio caótica, mas extremamente necessária.

E, depois que John se curou e entendeu o que realmente estava acontecendo com ele, nem por um momento ele pensou que se tornar um lobisomem era algo ruim. Porque ele poderia ser o único a notar, mas Stiles desejava isso: desejava contar a verdade para o seu pai sobre uma parte tão importante da sua vida, desejava unir as duas partes do seu mundo e os dois grupos de pessoas que eram tão importantes para ele.

Quando sua primeira lua cheia chegou, John não sentiu medo, não se sentiu ansioso, não sentiu nenhum impulso destrutivo ou deslumbramento com suas novas capacidades. Stiles falara tanto, por tanto tempo, sobre como tudo era que tudo em que John conseguia pensar enquanto seu corpo mudava e seus sentidos o faziam ver o mundo de forma diferente é que Stiles estaria melhor agora.

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