Capítulo Dez

Três semanas se passaram, o começo de dezembro, e essas três semanas tinham sido cobertas de neve. Neve, neve e mais neve. Meus amigos e eu ainda íamos à pista de skate, nós só não conseguíamos mais andar de skate, então nós sentávamos lá, comendo e falando.

Era onde estávamos agora. Nosso horário de almoço tinha começado há vinte minutos, e nós todos decidimos relaxar e conversar sobre nada. Não estava muito frio, apesar da neve, então era por isso que eu estava usando apenas um moletom, jeans e um cachecol. Eu estava perto de uma das rampas que Chuck, Patrick e um outro garoto que eu não conhecia bem, estavam sentados.

-Ei, aquele garoto que o Pierre pega toda hora, está aqui. – Patrick disse aleatoriamente.

A próxima coisa que eu sabia, eu tinha escorregado no gelo e cai nas minhas costas no concreto cheio de neve. Várias pessoas riram, mas Chuck e Patrick foram me ajudar. Eu me levantei, enquanto Chuck limpava minha roupa, mas eu estava mais preocupado com o que Patrick tinha dito, então eu olhei na direção da Rua Barker.

David estava andando na nossa direção, a cabeça baixa a maior parte do tempo.

-Eu estou bem, estou bem. – falei impacientemente, afastando Patrick e Chuck. Eu encontrei David perto da mesa de piquenique, longe o bastante para que ninguém nos ouvisse. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, eu o beijei. – Isso é estranho. – falei. – Você nunca quer vir aqui.

Ele deu de ombros.

-Eu só precisava falar com você, e eu assumi que te acharia aqui.

-Nunca ouviu falar em celular?

-Ignore as banalidades e me deixe falar. – falou. – Eu tenho um pedido.

-Eu não toco nenhuma música country, só para você saber. – respondi.

David riu.

-Você é ridículo. – disse. – Na verdade, eu tenho esse projeto que requer sua assistência mínima. Você tem a chance de virar um modelo, de certo modo.

-Ooh, você quer me desenhar pelado, não é? – falei. Eu continuei a sorrir afetadamente, mas ele ignorou isso.

-Você vai ter que ir lá em casa, já que minhas coisas estão lá. Então, me encontre na frente da escola depois do quarto período. Mesmo que você não precise de direção.

Assentindo, eu falei: - Ótimo plano. Eu vou estar lá.

Ele sorriu e me beijou.

-Te vejo mais tarde. – falou e foi embora.

Quando eu voltei para o lugar onde Chuck estivera não-tão-discretamente nos observando, ele garantiu de perguntar sobre o que era. Isso era interessante, por que David nunca tinha me convidado para sua casa, antes. Talvez eu fosse, finalmente, encontrar seus pais misteriosos e, talvez, descobrir quem era aquele outro homem ao lado de David no funeral de Spencer.

Eu me senti animado durante o terceiro e quarto período, enquanto eu ansiosamente esperava o último sinal tocar. Eu nem me importei em perguntar por que, de repente, ele estava me permitindo entrar em sua casa, por que eu só me importava com o fato de que ele estava, e talvez nós estivéssemos fazendo progresso após sete semanas estando "juntos" (sim, eu contei).

Chuck não pareceu prestar atenção para o modo que eu não conseguia parar de falar sobre isso, por que ele tinha seu próprio encontro com Dean hoje à noite, então isso era tudo sobre o que ele conseguia falar. Essencialmente, nenhum de nós estava prestando atenção ao outro, o que deixa ainda mais sem sentindo as conversas toda vez que eu pegava suas anotações emprestadas (ao invés de prestar atenção, ou fazer as minhas próprias).

Depois que as aulas terminaram, eu abandonei Chuck e o resto dos meus amigos para me escorar contra as escadas na frente da escola. Eu tinha minha típica expressão auto-suficiente em meu rosto, enquanto eu esperava, os braços cruzados sobre meu peito.

As pessoas me cumprimentavam, mas não eram muitas que me abordavam, desde que elas achavam que eu tinha namorado. E, também, o jeito que eu estava não era exatamente 'acessível'.

Dez minutos depois, David estava entre os vários alunos saindo da escola. Eu o parei, segurando-o pelo braço, antes que ele passasse direto por mim.

-Mas que... – mas, então, ele notou que era eu. – Oh. Hey, Pierre.

Eu o puxei para mais perto e o beijei. Ele correspondeu por um momento, então se afastou.

-Bem, vamos. Eu não quero que demore. – falou. Ele começou a andar e eu o segui.

-Seus pais estão trabalhando? – perguntei, assim que começamos a andar.

-Por que isso importa?

-Eu só quero saber se vamos estar totalmente sozinhos. – respondi num jeito sexualmente sugestivo.

-Bem, um deles deve estar. Ele, às vezes, volta para casa cedo. – David disse casualmente.

Por que ele disse 'ele' eu assumi que ele quis dizer seu pai.

-E sua mãe? Ela trabalha até tarde?

Agora David parecia um pouco embaraçado.

-Uh, eu não... Tenho realmente uma 'mãe'.

Minhas sobrancelhas se franziram.

-Mas... Você sempre diz seus pais. Você tem uma madrasta ou algo assim?

-Uh, bem, algo... Certo, espere aí. – ele subitamente parou de andar, segurando meu braço e me parando, também. – Eu acho que eu deveria explicar, antes de chegarmos lá. – eu o olhei curiosamente, mas pacientemente. – Meu pai é gay. E ele tem um marido. E eles estão juntos há dezoito anos. Eles me criaram desde que eu nasci.

Eu quase ri, mas o não o fiz.

-Bem, não há nada de errado nisso. – falei honestamente. – Não é como se eles conduzissem orgias gays na sala de estar e passassem todas as noites no clube, trouxessem porcarias para casa e cheirassem cocaína do abdômen do outro.

-Eu só queria te contar para que você não se chocasse ou qualquer coisa assim quando nós chegarmos lá.

-Bem, crise evitada. – falei.

Ele sorriu e só a maneira como ele o fez, fez meu coração flutuar como as asas de um beija-flor.

-Certo, vamos. – disse, e nós voltamos a ir para sua casa.

Uma vez que entramos, começamos a tirar nossos agasalhos. David estava usando uma jaqueta, então ele tinha mais para tirar do que eu. Eu só tirei meus tênis e cachecol, então esperei que ele me guiasse até algum lugar.

-Quer beber algo? – perguntou, gesticulando para eu segui-lo pelo corredor. Enquanto eu o fazia, notei a porta sob as escadas, no que deveria ir para o porão.

-Se você insiste. – falei assim que entramos na cozinha. Eu olhei ao redor.

Quase diretamente na frente da onde eu estava, havia uma porta de correr, de vidro, a cozinha à direita (quase como se estivesse em uma caixa, com o balcão sobressaindo-se da parede num ângulo certo), a sala de jantar à esquerda, e a sala de estar virando a esquina do corredor, do outro lado da parede do corredor onde eu estava.

As paredes eram de um azul pastel suave, que mantinha o cômodo parecendo brilhante. Espiando a sala de estar, o humor mudou um pouco, ao invés com uma cor amarela legal, que caia bem com o azul.

-Lugar legal. – falei.

David abriu a geladeira e tirou duas latas de cerveja de gengibre.

-Algumas pessoas podem dizer facilmente que caras gays vivem aqui, só por causa da decoração. Eu não acho que seja verdade. Qualquer um poderia ter decorado isso aqui. – ele disse.

-Eu também não acho. Isso é muito estereotipo. Eu sou gay e não sei merda nenhuma de decoração. Obrigado. – adicionei quando ele me ofereceu uma das latinhas. – É bem decorado, entretanto.

-David, eu não sabia que você estava em casa. – um homem disse assim que entrou no cômodo, e eu me virei para notar que era o menor do casal que eu vi com David algumas poucas vezes.

David deu de ombros e pousou sua lata aberta sobre o balcão.

-Cheguei em casa faz uns cinco minutos. – respondeu e beijou o homem na bochecha. – Onde está o pai?

-Está tomando banho, ele vai descer em um minuto. – respondeu. – Quem é seu amigo?

David andou de volta para pegar sua bebida e preguiçosamente gesticulou com sua mão.

-Pierre, esse é meu pai. Pai, esse é o Pierre, um amigo da escola. – ele nos apresentou.

Eu estendi minha mão para seu pai.

-É um prazer te conhecer. – falei educadamente.

O homem sorriu, aparentemente contente com minhas maneiras, e apertou a mão oferecida.

-É um prazer conhecê-lo também, Pierre. Pode me chamar de Seth. – falou. David lhe ofereceu uma bebida, mas ele recusou, ao invés falando comigo. – Então, o que o traz aqui, Pierre?

Antes que eu pudesse responder, entretanto, David falou.

-Um projeto de arte meu. Eu estava te contando ontem à noite, lembra?

Seth assentiu, uma expressão de entendimento em seu rosto. Ele andou pela cozinha e manteve suas mãos ocupadas com a cafeteira. Eu bebi minha bebida, enquanto David andava até mim e disse num tom de voz bem mais suave (obviamente tentando manter a conversa apenas entre nós dois).

-Vai ser melhor no porão, por que tem mais espaço.

Eu assenti: - Ok.

Nesse instante, o outro pai de David entrou na cozinha, completamente vestido e parecendo com alguém que tinha acabado de sair do banho.

-Hey, David. – falou alegremente. – Como sua mãe está?

-Ela está ótima. Ela vai ligar hoje a noite para fazer planos para algum jantar fim de semana que vem. – David respondeu. – Pierre, você conhece o Noah. Pai, esse é o cara que eu estava beijando na varanda no dia que você o conheceu. – eu sorri e Noah também, enquanto nos cumprimentávamos de modo simples. – Agora, Pierre, vá esperar no porão. – falou, andando para abrir a porta sob as escadas. – Eu vou descer em um minuto.

Concordando, eu desci as escadas para dentro de um bem renovado porão. Uma parede estava diretamente na frente das escadas, e eu notei um banheiro nessa parede. Quando eu virei para o único lado possível, que era a esquerda, eu vi um sofá de couro preto, próximo ao centro do lugar, de frente para a televisão, que estava na parede oposta.

As paredes eram azuis, mas um azul diferente do da cozinha, e o tapete era um cinza escuro. Eu virei a esquerda novamente, e na parede mais distante, eu vi uma mesa com um computador entre duas prateleiras cheias. Fotos e trabalho de arte estavam nas paredes e eu notei algumas peças do trabalho de David, os quais eram bons.

David se juntou a mim antes que eu tivesse a chance de bisbilhotar.

-Então, eu devo ficar nu agora ou mais tarde? – perguntei, me virando para encontrá-lo carregando uma câmera profissional que parecia boa e cara.

-Você pode ficar quieto e me deixar fazer o que eu tenho que fazer. – David respondeu, enquanto andava até a mesa.

-E o que seria? – perguntei.

Ele parou ao lado da cadeira – que tinha rodinhas – e se virou para mim, segurando sua câmera.

-Eu preciso de fotos. – falou. – Suas. Para um projeto.

-O que isso tem a ver comigo?

-Chega de perguntas. – falou, pegando a manga da minha blusa e me puxando para onde ele estava parado antes. Ele me sentou na sua cadeira, me virando para olhar para ele. – Relaxe, não tente fazer poses. Eu quero que você pareça natural.

Respirando fundo, eu falei.

-Ótimo. Eu acho que eu pareceria mais natural nu, entretanto. – ele girou os olhos e parou mais de um metro e meio longe de mim, erguendo sua câmera até seu rosto e batendo uma foto antes de eu sequer estar pronto.

Algumas fotos e mudanças de posição mais tarde, e eu não consegui mais ficar quieto.

-No que seus pais trabalham? – perguntei.

Ele suspirou, mas não parou de tirar fotos.

-Você não tem a habilidade de calar a boca, né?

-Responda a pergunta. – exigi. – Eu quero saber.

David hesitou.

-Seth é um professor. Atualmente, ele está dando aulas para a primeira série em uma escola pública aqui perto. – falou. – E Noah é arquiteto. Ele é tão brilhante e inteligente. Bastante artístico, também. Ele desenhou alguns prédios maravilhosos pela cidade.

-Então... Isso faz dele o verdadeiro homem da casa? – brinquei.

Ele riu.

-Só por que ele é arquiteto, não significa que ele é um cara gay masculinizado. – falou. – Mas, sim, esteriotipicamente, ele é mais masculino que Seth. E, hey, isso quer dizer que eu não sou o verdadeiro homem da casa?

-Eu não disse isso. A não ser, é claro, que você goste assim.

-Só fique parado e cale a boca. Eu não vou te dizer de novo.

-Ótimo, então eu posso continuar falando e não ter que me preocupar em ser interrompido.

Um sorriso lindo passou por seu rosto, enquanto ele levava a câmera até ele novamente. Foram, provavelmente, umas doze fotos, antes de eu falar novamente.

-Como Seth e Noah te tiveram? Você foi adotado?

Dessa vez, entretanto, ele não se deu ao trabalho de tentar me calar.

-Seth e Noah se casaram há dezoito anos. Então, eles decidiram que queriam ter um filho. Desde que todo mundo sabe que dois caras não podem conceber um bebê juntos, eles pediram a uma amiga de Seth se ela poderia ter o bebê deles.

-Você a conhece? – perguntei.

-Ah, sim, eu falo com a Amanda o tempo todo. Eu vou visitá-la freqüentemente, desde que ela e o marido vivem há uns quinze minutos daqui... – suas palavras ficaram mais e mais suaves quando ele percebeu que estava me dando mais informações do que pretendia. – Certo, agora se levante e cale a boca.

Pelos próximos quinze minutos, ele bateu fotos e, em algum momento desse tempo, David começou a gostar disso, e eu jurei que ele estava tirando as fotos por maiores motivos do que apenas seu "projeto".

-Sobre o que, exatamente, é esse projeto? – perguntei depois de um tempo.

Respirando fundo, ele decidiu me contar.

-É para um programa de fotografia. Eu tenho que tirar fotos de pessoas que eu conheço. E, também, um monte de gente queria que eu tirasse, desde que eles pensam que estamos namorando. Eu escolhi fazer sobre você, de todo modo.

Eu sorri forçadamente e ele girou os olhos. Essa única ação fez meu sorriso virar um verdadeiro, e eu descansei minha mão na lateral do rosto dele.

-É bom saber que eu sou sua musa. – falei.

-Eu nunca disse isso. – ele tentou soar desprezível, mas eu conseguia ver um sorriso escondido.

Foi quando eu me inclinei para mais perto, para pressionar nossos lábios. Como sempre, ele apenas me permitiu beijá-lo por um momento, parecendo não querer. Mas eu o conhecia bem, então eu lambi seu lábio inferior para pedir passagem para dentro de sua boca. Ele cedeu, descansando suas mãos no meu quadril e separando seus lábios para minha língua.

Eu gentilmente o pressionei contra um espaço vazio da parede, e o beijei mais profundamente. Ele reagiu imediatamente, apertando seus braços ao redor da minha cintura e beijou de volta com fervor. Eu enrolei meus dedos em seu cabelo, sentindo sua maciez, sendo capaz de ver em minha mente como era, só pela maneira que eu o sentia.

Seu corpo pressionou contra o meu, como se ele quisesse sair da armadilha que eu o tinha colocado, mas eu sabia que ele não se importava. Lentamente fazendo os beijos serem mais aficionados, eu deixei minha mão correr por seu braço e enlacei com a dele, erguendo-a contra a parede. Eu fiz o mesmo com a outra mão, me certificando de tirar a câmera de lá primeiro, até eu verdadeiramente tê-lo preso ali.

Eu me afastei por um momento, sorrindo para ele, e ele correspondeu.

-Podíamos levar isso para seu quarto? – sugeri.

-Pierre, meus pais estão em casa. – David falou. – Mesmo que você tivesse uma chance de se dar bem nesse momento – o que você não tem – eu não faria isso sabendo que eles conseguiriam ouvir. É só inconfortável.

-Eu só estava falando de nos beijarmos. – falei.

Ele girou os olhos.

-Claro que estava. – falou sarcasticamente, e eu sorri largamente. Encontrando meus olhos novamente, ele sorriu e assentiu. – Certo, se você está tão desesperado... – ele soltou minhas mãos e pegou sua câmera, gesticulando para eu segui-lo para o andar de cima.

Uma vez que chegamos lá, eu notei que Noah estava ao telefone no pequeno escritório, e Seth estava na cozinha, claramente preparando algum tipo de comida.

-Eu estava prestes a chamar vocês. – Seth nos disse.

-Por quê? – David perguntou.

-Eu estava me perguntando se Pierre vai ficar para o jantar. – Seth disse.

David olhou para mim, e eu dei de ombros. Seu rosto tinha uma expressão que eu não conseguia descrever – possivelmente, curiosidade –, mas eu decidi responder no lugar dele.

-Se não for dar trabalho. – falei educadamente.

-É claro que não. – Seth respondeu.

-Então, eu adoraria ficar. – falei e David olhou para mim novamente, com a mesma expressão. Eu apenas sorri para ele. – Eu só vou ter de ligar para meus pais, primeiro.

-Você pode usar o telefone lá em cima. – David disse, então falou com Seth. – Nós só vamos baixar essas fotos. – Seth assentiu e David me guiou para o andar de cima, para dentro do que, aparentemente, era seu quarto.

Não era um quarto enorme; a cama pegava a maior parte do espaço, estando posicionada diretamente no meio da parede mais distante. Ao lado esquerdo da cama, havia uma mesa bagunçada, próxima à porta do closet, e do outro lado da cama estava uma cômoda com um espelho, e uma janela mostrando a rua da frente da casa.

As paredes estavam cobertas com pôsteres de banda, e sobre sua cama, palavras tinham sido pintadas em preto, dizendo: Um homem sem esperança, é um homem sem medo. Eu me perguntei de onde isso era. Provavelmente, de algum quadrinho.

-Quarto legal. – falei, enquanto David se sentava em sua escrivaninha e abria um laptop que estava coberto de adesivos.

-Valeu. – ele murmurou, enquanto ligava o computador.

Eu tomei a liberdade de me sentar em sua cama, que tinha uma coberta vermelho escuro, que combinava com o suave marrom das paredes.

-Hey, eu quero saber uma coisa. – falei assim que ele pegou um cabo e o ligava em sua câmera.

-Já estava na hora. Provavelmente, está bastante vazio aí. – falou.

Uma risada falsa e exagerada saiu de minha boca, então eu disse:

-Quem é aquele cara com quem eu te vejo as vezes? A primeira vez que o vi, foi quando eu te dei os marcadores, acho. O nome dele é... Robert, ou algo assim?

-Por que precisa saber? – ele perguntou.

-Bem, considerando que estamos em um relacionamento aberto, nós devíamos ser abertos com o outro.

-Não estamos em nenhum tipo de relacionamento.

-Então, o que somos?

-Eu não sei. Como você define duas pessoas que simplesmente gostam de se beijar, sem muito envolvimento emocional?

Desde que eu não estava certo da resposta, eu decidi esquecer isso e voltar para a pergunta que David tinha evitado.

-Quem é ele?

Ele desviou os olhos, então olhou de volta para mim, e nossos olhos se encontraram por um momento ou dois, antes dele falar qualquer coisa.

-Richard é meu terapeuta. – ele admitiu. Eu tentei não parecer tão surpreso com isso. Mas apesar do meu esforço, David ainda estava defensivo quando disse. – Sim, eu tenho um terapeuta, você tem algum problema com isso?

Meus olhos se arregalaram, surpreso com sua seriedade.

-Não, não tenho. – falei. – Você tem um problema com isso?

Ele cerrou suas sobrancelhas para mim de um jeito confuso, então voltou sua atenção para seu computador novamente.

-Bem, agora que você sabe, você pode cruelmente zombar dos meus problemas.

-Eu não vou, David. – respondi. Não falamos nada por alguns momentos. – É por causa da sua vida em casa?

-Não é da sua conta. – ele replicou, então eu calei a boca.

Aparentemente, entretanto, eu não parecia ter tal capacidade, então eu falei:

-Seu motivo para não querer um namorado era por que você tinha acabado de sair de algo sério. Quem era ele?... Ou ela?

Ele me olhou estranhamente.

-Ela?

Dei de ombros.

-Nunca se sabe.

-Não, eu sempre fui gay. Eu te disse isso.

Eu assenti, me lembrando de quando ele me contou no carro a caminho do shopping.

-Então, quem é ele?

-Você já fez muitas perguntas para um dia. Tente novamente depois. – ele disse.

E eu não fiz mais nenhuma pergunta, por que quando ele tinha terminado com as fotos, eu liguei para meus pais para informá-los que eu não ia para casa até mais tarde, então nós passamos o resto do tempo até o jantar, nos amassando em sua cama. Noah nos chamou para jantar um pouco depois, e nós dois perdemos tempo ajeitando nossos cabelos e roupas, antes de descer.

Antes de descermos, entretanto, dividimos um olhar, e eu sabia que David não gostava da idéia de nós dois jantarmos com seus pais; isso era muito do estilo de namorados. Mas eu não me importava, por que eu tinha aprendido um monte de coisas sobre David hoje, e eu queria aprender mais. Eu queria saber o que passou na cabeça dele, quando ele tinha dito que não podíamos ser namorados.