N.A.: A música do capítulo é Easier to Run, do Linkin Park, tá no álbum Meteora, p. quem quiser ouvir, é mto boa! Capítulo 9 - O Fim de um Sonho
It's easier to run / É mais fácil correr
Replacing this pain with something numb / Substituindo essa dor por algo dormente
It's so much easier to go / É tão mais fácil fugir
Than face all this pain here all alone / Que enfrentar toda essa dor, sozinho
Dois meses tinham se passado, e Draco nunca mais havia falado com Pamina, ou Gina, como ele agora deveria chamá-la. Sabia que ela estava casada com outro, justamente com seu maior inimigo, Harry Potter.
A pior notícia que ele podia esperar estava estampada nas primeiras páginas dos maiores jornais, o feliz casal estava "grávido". O menino-que-sobreviveu iria ser papai novamente.
Draco não sabia exatamente como se sentir a respeito disso. Tinha um grande misto de emoções: raiva, ciúme, inveja e até ganas assassinas quanto a Harry. Ela que dizia que o amava já estava grávida de outro! Hipócrita!
Como ele podia ter sido tão enganado por uma mulher? Ela o fez acreditar que o amava, que era uma pessoa confiável... Tudo mentira! O enganara da pior forma possível. O fez acreditar que era uma pessoa que nem sequer existia.
Jogado na cama de seu quarto pensava em o que faria daqui para frente e também lembrava como tudo tinha acontecido...
~***~
Os dias que passava em Veneza com Pamina estavam sendo os melhores de sua vida. Jamais imaginara que poderia sentir-se tão bem ao lado de uma pessoa, ela era a única que o compreendia e que o entendia e aceitava como era. Podiam conversar sobre qualquer assunto e até mesmo as discussões que surgiam devido às posições firmes de cada um era algo prazeroso. Ele adorava irritá-la!
Passeavam pela cidade e Draco não sentia nenhum indício de que Voldemort estava por perto, não sofria com dores do chamado dele. Estava tão absorvido nela e no lazer que estavam tendo naquele lugar que não pensou que pudesse ser perigoso ficar por mais tempo. Já estavam há um mês na cidade.
Draco, após horas de conversa com Pamina na suíte do hotel estava com uma estranha sensação de que tudo o que estava vivendo com ela poderia acabar a qualquer momento. Em conseqüência disso a beijou e abraçou como se nunca mais fosse estar com ela. Fizeram amor da maneira mais especial. Tinha sido a melhor noite da vida de Draco, ele sentia que a amava, e sempre amaria.
Ela caiu cansada a seu lado e adormeceu aninhada em seu peito. Ele ficou observando-a e permaneceu acordado durante a madrugada. Não conseguia dormir, por mais que estivesse cansado. Resolveu levantar-se e ir até o banheiro tomar um banho para ver se resolvia o problema da insônia.
Entrou na queda d'água e respirou fundo. A angústia que sentia não era bom indício. Saiu da água e enrolou-se na toalha e subitamente parou caindo no chão com uma dor dilacerante na cabeça. "Draco Malfoy", ressoava no fundo de sua mente, e Draco sabia do que se tratava, Voldemort o chamava pela segunda vez desde sua fuga.
Ficou jogado ao chão por cerca de dez minutos, sentindo como se seus pensamentos fossem expulsos de sua mente. A única imagem que via era Voldemort gargalhando. Sentiu mais medo do que nunca em sua vida.
Quando a dor passou repentinamente, levantou-se, vestiu a calça do pijama e com esforço foi até o quarto, se sentando na beira da cama. Não podia gritar enquanto sentia a dor, portanto não havia acordado Pamina, ela continuava tranqüilamente adormecida, e ele sentiu-se aliviado por isso. O chamado deveria ser um aviso. Deveriam ir embora o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo teriam que ter cautela, já que Voldemort estava por perto e queria o pergaminho que somente Pamina sabia onde estava.
Levantou os olhos do chão e ao reparar em um canto do quarto viu algo que o surpreendeu.
-Filhinho, não está nada bem, não é? Acho que o recadinho do Lord chegou a você. - ele sussurrava, parecia não querer acordar a moça. -Quero falar com você, mas em outro lugar. - disse tirando uma pedra verde brilhante do bolso que logo Draco percebeu ser uma chave de portal.
Diante do olhar desconfiado de Draco, Lúcio estendeu a chave próxima ao filho e ordenou.
-Segure, ou vai se arrepender.
Sem alternativas Draco segurou a pedra, juntamente com Lúcio e sentiu o familiar puxão em torno do umbigo. Logo aterrissaram em uma sala grande, com as paredes brancas, vazia.
-Sabia que você me encontraria cedo ou tarde. - Draco disse rispidamente, mas ainda com a voz ligeiramente tremula. -O que quer? Pamina?
-Quem? Pamina? Ah sim, a Weasley... - Lúcio respondeu, assim como quem não quer nada.
-O que disse? - não conseguia acreditar em seus ouvidos, não devia ter entendido bem as palavras.
-Weasley, ou vai me dizer que ela não te contou a qual família pertencia? - o cinismo era óbvio na voz do Malfoy mais velho. -Essas pessoas de hoje em dia juram amor eterno a pessoas que nem conhecem... Tsk, tsk...
Draco sentia que seu mundo virava de cabeça para baixo e em seguida desmoronava. Lembrou-se quase que instantaneamente das palavras dela: "Acho melhor não conversarmos sobre isso. Eu, ao contrário de você, tive que mudar de identidade ao entrar para a Agência. Se você insistir posso dizer, mas acredito que atrapalharia nossa relação."
Atrapalharia? Isso impede totalmente qualquer tipo de relação entre ambos! Draco não poderia ter nada com ela... Sempre a odiou na escola, lembrava-se de tantas vezes que a humilhou, e também o prazer, sinceramente vazio, que sentia com isso. Além das rixas entre ela e ele, lembrava-se de tê-la enfrentado no quinto ano e também de ter perdido já que ela o havia prendido no armário com bichos-papões.
Sempre aprendeu a odiar e repudiar os Weasleys, como poderia se aproximar de algum deles? Eles não eram bruxos dignos, era uma família tradicional mas que tinha perdido todos os valores, tanto materiais quanto morais, já que além de pobres eram a favor de sangue-ruins misturados aos bruxos, e pior ainda, o pai de Pamina era um adorador de trouxas!
"Não precisa dizer. O passado deve ser esquecido. Não importa quem você ou eu somos. A única coisa que importa é que estamos aqui, juntos." - ele tinha respondido com essas palavras às afirmações dela, mas agora, deparando-se com a realidade percebia que não poderia sustentar isso.
Ele era um Malfoy, ela, uma Weasley. Nada mudaria isso. Nem mesmo o forte sentimento que os unia. Viviam em mundos diferentes que não se uniriam jamais.
-Draco? Está me ouvindo? - Lúcio gritava do outro lado da sala, conseguindo arrancar Draco de seus pensamentos. -Eu disse que se arrependeria de salvá-la naquele dia, mas você me ouviu? Não, os filhos nunca ouvem os pais, nem quando nós temos a razão.
-Você não tem direito a me dizer nada. Se alguém é o culpado de tudo isso, essa pessoa é você mesmo! - Draco começou a ficar nervoso.
-Eu? Não me venha com essa! Você já é um adulto e não sou culpado se você se deixou seduzir por um bom par de pernas! - Lúcio jogou parte da verdade na cara de Draco.
A resposta não foi outra, pela primeira vez Draco revidou um dos tapas que já tinha levado de Lúcio. Deu com a mão espalmada um sonoro tapa na face direita de Lúcio, fazendo com que seu pai tivesse que se escorar na parede.
E surpreendemente, fazendo com que ele sorrisse, gargalhasse. Fato que enervou mais a Draco.
-Sabia que você era um fraco, que não passaria por essa prova. Não sabia quem a agente Pamina era, mas adorei posteriormente saber que era a garotinha Weasley, assim serviria de castigo por você ter realmente falhado. - ele respondeu com o divertimento evidente em seu tom de voz.
-Sim a culpa foi sua, eu não sou fraco! Sempre fui superior a você em tudo, papai. Não conhece o ditado que diz que a criatura saiu melhor que o criador? Seu medo era que eu tomasse seu posto em relação a seu amado Lord, sei que ele estava disposto a eliminá-lo, e quem ficaria no seu lugar? Alguém mais jovem e mais eficiente! EU. Mas pode ficar com ele só para você, porque eu não estou interessado nisso. Vou tratar apenas de minha vingança pessoal. Que o mundo bruxo se exploda! Que os sangue-ruins reinem sobre os sangue-puros, eu não estou mais me preocupando com isso. Apenas digo que vai se arrepender do que fez contra mim.
Something has been taken / Algo foi
retirado
From deep inside of me / Bem do fundo de mim
A secret
I've kept locked away / Um segredo que tenho mantido bem
trancado
No one can ever see / Nunca pode ser visto por
ninguém
Wounds so deep they never show / Ferimentos tão
profundos nunca mostrados
They never go away / Eles nunca
sumirão
Like moving pictures in my head / Como imagens
movendo-se em minha cabeça
For years and years they've
played / Por anos e anos elas têm passado
Ele nem esperou ouvir uma resposta de Lúcio e aparatou de volta para sua suíte no hotel. Tinha que resolver seus problemas com Pamina. Aparatou no banheiro, lavou o rosto e saiu, já olhando para a cama.
Sim, agora conseguia reconhecê-la, aqueles cabelos pretos e os olhos azuis não mais o enganavam, conseguia encaixar o rosto de Pamina no da adolescente ruiva que havia conhecido em Hogwarts.
Começava a amanhecer, o quarto se iluminava com os primeiros raios de sol. Pôde ver que ela acordava, passou a mão no lado da cama que ele deveria estar ocupando e sorrindo olhou ao redor. "Como ela consegue viver com tanto peso na consciência por me enganar?" - pensou irritado.
-Draco? O que houve? Você está tão pálido! Sente-se bem? - ela perguntou afoita sentando-se na cama enrolada nos lençóis para cobrir sua nudez.
Se ele sentia-se bem? Claro que não!
-Como eu pude ser tão facilmente enganado... - ele murmurou, mais para si do que em resposta a ela.
Draco estava mergulhado em pensamentos, mas percebeu que ela se levantou colocou sua camisola o roupão e se aproximou dele.
-Tem algo a ver com nossa fuga? Quem te enganou? - ela perguntou, colocando a mão direita sobre o rosto dele.
O toque dos dedos dela causou uma sensação estranha em Draco, sentiu-se gelado, inflexível e dormente.
-Tire as mãos de mim! - ele disse devagar e friamente, empurrando o braço dela e causando um desequilíbrio fazendo com que ela caísse com um baque no chão, sobre um tapete. -E ainda pergunta, Weasley! Tenho nojo de mim, e nojo de você também. Como eu pude tocar em você? Como pude fazer amor com você? Essa sua aparência me enganou, mas eu deveria ter percebido que por dentro você sempre foi a Weasley pobre e adoradora de trouxas de sempre! - gritou com raiva e desprezo na voz.
Ainda sentada no chão, já com lágrimas brotando em seus olhos, Pamina começou a argumentar, mas as palavras entravam pelos ouvidos de Draco e não faziam sentido algum.
-Como você pode ter nojo de tanto amor? Você disse que não importava quem éramos- e antes que ela pudesse terminar a frase a interrompeu.
-Sim, eu disse, mas devia estar louco! Você era a provação na minha missão como comensal, eu devia ter percebido isso. Imagina se eu misturaria meu sangue com o seu? Vocês são todos ignorantes, não possuem nenhuma cultura, nenhum senso do que é certo. E amor? Ah! E existiu algo mais do que atração física entre nós? - Draco não gritava mais apenas mostrava sua repugnância em seu tom de voz.
Não conseguia olhar para ela. Doía no fundo de sua alma deixá-la. Mesmo escondido pelo orgulho o amor que sentia por ela permanecia em seu coração. Inconscientemente. Encará-la era a pior visão do mundo.
-Não estou entendendo? Comensal? Você é comensal?
-Sim, eu também tenho um segredinho, Weasley. Pensa que só você escondeu algo do seu amor? Sou, era, nem sei mais... De qualquer maneira, era um Comensal da Morte, servia ao seu grande inimigo, Voldemort! Sabe qual era minha missão? - agora diria toda a verdade. -Te matar. Piada, não? E eu fui imbecil a ponto de falhar nela e impedir que meu pai a realizasse. Ainda fugi com você, te salvei! Se arrependimento matasse estaria duro nesse mesmo instante. - lágrimas começaram a escapar de seus olhos. Nem lembrava-se da última vez que tinha chorado, e também não sabia ao certo porque chorava agora. Era amargura ou a dificuldade de deixá-la?
-Eu também estaria morta de arrependimento!!! Me entreguei a você achando que me amava, achando que era a favor da mesma causa que eu, acreditando que queria acabar com o mal quando você estava ao seu lado! Agora eu tenho nojo de mim!
-Meu pai tinha razão, disse que me arrependeria de salvá-la naquele dia na mansão. O cretino sabia de tudo e não me contou! Somente agora que já tinha feito tudo de errado ele me encontra e joga a verdade na minha cara. - Draco parou para suspirar e olhou profundamente para ela, queria confirmar que o que iria dizer era a verdade. -Quero que me esqueça! Esqueça que me conheceu, esqueça tudo o que passamos aqui, esqueça que eu existo! - virou os olhos frios novamente para a parede. -Eu farei o mesmo. Vou embora agora, faça o que quiser de sua vida, já não me importo mais. Quero que você morra, pois para mim já está morta, Virgínia Weasley...
Essas palavras foram as mais duras que Draco já havia dito em toda sua vida, entretanto retratavam o que ele sentia no momento. Sua raiva por ter sido enganado, e por querer acreditar na verdade mais fácil fazia com que ignorasse seus sentimentos mais profundos. Queria apenas feri-la para que sentisse ao menos um pouco de toda dor que ele estava passando e para que ela o esquecesse e nunca mais o procurasse. Seria mais fácil não ter que vê-la mais.
Pegou uma mala e rapidamente guardou parte das coisas enquanto Gina parecia paralisada, jogada em um canto do quarto. Saiu rapidamente. Quanto mais longe dali, melhor.
It's easier to run / É mais fácil correr
Replacing this pain with something numb / Substituir essa dor por algo inatingível
It's so much easier to go / É tão mais fácil fugir
Than face all this pain here all alone / Que enfrentar toda essa dor, sozinho
Saiu do hotel e ficou por horas vagando pela cidade. Não sabia o que fazer, não sabia para onde ir. Não sabia o que pensar. Não sabia o que sentir.
Via os casais felizes que passeavam pela cidade e teve ódio de si mesmo por ter acreditado na tola idéia do amor. Esse sentimento que não existia, havia sido criado apenas para fazer com que as pessoas se casassem e tivessem que se aturar até os restos de suas vidas. Lembrou-se de como seus pais eram infelizes em seu casamento, e que não poderiam se separar. A sociedade bruxa não tolera a separação, por isso foi inventado o amor, para que os jovens mergulhassem de cabeça em algo que se arrependeriam amargamente depois.
Passou ao lado de uma loja bruxa que oferecia viagens via flú. Resolveu ir embora dali. Voltaria para sua antiga vida, ou quase voltaria, já que nunca mais seria um comensal. Poderia finalmente criar vergonha na cara e ajudar sua mãe a livrar-se de Lúcio.
No entanto, ao chegar em casa, Draco não teve a menor vontade de fazer algo. Apenas saiu do escritório de seu pai e jogou-se em sua cama, dormindo por dois dias seguidos. Sem ter vontade de fazer mais nada, nem se levantar, nem comer, nem ver a luz do dia. Ficou no escuro, mergulhado em seus sentimentos de desgosto e arrependimento. Nem via se alguém entrava em seu quarto.
Após ter acordado mais uma vez, sem se erguer da cama, sua mãe ao seu lado disse que ele tinha ficado em estado de choque, sem ela nem saber o porquê. Comunicou-lhe a morte de Lúcio. Engraçado, não sabia como tinha acontecido. Leu nos jornais que o corpo havia sido encontrado no mesmo quarto de hotel que ele e Pamina se hospedaram em Veneza. Quem teria o matado? De qualquer maneira, tinha feito um grande favor.
Primeiro problema resolvido. Estava livre com sua mãe, assim pensava. Precisava apenas arranjar o enterro e herdar toda a fortuna Malfoy. Ah, teve que antes explicar como alguém já morto há meses era encontrado morto há dias... Afinal, para todos, Lúcio tinha morrido antes de Draco entrar para a Agência. Isso gerou horas de interrogatórios no Ministério, especificamente no Departamento de Aurores. Draco disse que não sabia de nada e conseguiu com seus advogados que não fosse necessário ingerir Veritaserun para provar suas declarações ao júri.
Deveria, na realidade, ficar triste com a morte de seu pai, mas não conseguia sentir nada, nem tristeza, nem alivio, nem compaixão. Absolutamente nada!
Agora era o homem da casa. Deveria cuidar dos negócios e de sua mãe. Contudo não poderia deixar de lado suas ambições pessoais. A vingança agora era dirigida a Virgínia Weasley. Não sabia ainda o que fazer contra ela.
Pensaria em algo.
Um mês se passou enquanto Draco assinava todos os papéis, era julgado e colocava sua vida em dia. Não tinha sido incomodado por Voldemort, entretanto sentia que logo seria procurado.
Resolveu que precisava mudar de idéia.
Queria se vingar de Gina, mas o sentimento de arrependimento havia se alojado em seu coração. Passava a lamentar todos os dias por tê-la abandonado, a amava e não deveria deixar que seu orgulho estragasse isso.
Falaria com ela.
Investigou e descobriu que agora ela morava na casa de Harry Potter. Isso não era bom sinal. Além de não gostar dele, seria difícil se aproximar, aquela era a casa mais segura de todo Reino Unido! Qualquer alarme despertaria ao mínimo sinal de alguém como ele por perto.
Tentaria mesmo assim.
Passou dois dias estudando e descobriu uma brecha nos feitiços. Essa era sua especialidade, desarmar proteções e entrar em locais proibidos.
Conseguiu entrar na casa, estava de noite, portanto andava sozinho pelos corredores. Ouviu um choro de criança, vinha de um dos quartos. Parou em frente à porta e a viu. Lá estava a traidora. Mesmo com a fraca luz do abajur do quarto conseguiu distinguir os cabelos, agora vermelhos.
Deveria ter juntando aquele rosto com o cabelo vermelho antes! Era tão óbvio, casava-se tão perfeitamente. Ela tinha em seu corpo todos os vestígios de uma verdadeira ruiva, e conseqüentemente, uma Weasley. As sardas nas costas, no colo, pintando toda a pele branca com detalhezinhos delicados. Os olhos castanho-escuros. Tudo levava a essa verdade que ele nem pensava em acreditar. Era mais fácil para seu inconsciente defini-la como morena, ou até mesmo loura. E bem distante de sua família inimiga.
O menino que Draco reconheceu como o filho de Potter com a Lovegood chorava no colo de Pamina, e ela cantava para ele. A cena era tão delicada, prosaica, que ele logo esqueceu de qualquer raiva que sentia e desejou que pudesse fazer parte daquilo de alguma maneira. Imaginou-se chegando em casa, depois de um dia de trabalho e encontrando a mulher que amava daquela mesma maneira, cuidando do filho de ambos.
Logo seu devaneio foi dissipado pela realidade que aproximou-se como uma nuvem negra do objeto do sonho. Potter, que estava em um canto do quarto que Draco não tinha visto anteriormente, aproximou-se de Gina e pegou o garoto, que tinha dormido no colo, colocando-o no berço.
-Ele já dormiu. Acho que agora pode descansar! Como John gosta de você! - Potter disse divertido, olhando o menino no berço e virando-se para Gina. -Preciso dizer que o pai dele também?
Em seguida ele abraçou a Gina e inesperadamente a beijou. Aquilo era demais para Draco. Quando ele resolveu tentar consertar seu erro, tentar tê-la para si, é tarde demais. Potter roubara seu lugar. Seu sonho.
Foi embora e resolveu conformar-se com a realidade. Errara e deveria pagar por esse erro até o resto de sua vida.
If I could change I would / Se eu pudesse mudar, eu o faria
Take back the pain I would / Tirar a
dor, eu tiraria
Retrace every wrong move that I made I would /
Refazer tudo o que eu fiz de errado, eu preferiria
If I could / Se
eu pudesse
Stand up and take the blame I would / Levantar e levar a culpa, eu o faria
If I could take all the shame to the
grave I would / Se eu pudesse levar toda a vergonha para a
sepultura, eu preferiria
~***~
Saindo do quarto escuro para o banheiro sentiu o enjôo matinal se manifestando logo, fazendo-a perder qualquer apetite. Resolveu tomar um banho, enquanto isso lembrou-se das palavras de Harry, e de como ele tinha salvo sua vida.
Ao sair do hotel, Gina lembrava vagamente de ser levada para outro hotel e adormecer abraçada a Harry. Quando acordou soube estar já de volta a Londres, na casa de Harry. Estava confusa demais para responder qualquer pergunta que ele fizesse. Estava abalada e não conseguia sair de seus próprios pensamentos.
Conversaram sobre o que tinha se passado apenas uma semana após a chegada. Harry fazia o favor de expulsar qualquer pessoa que quisesse falar com ela, afinal Gina não queria ver ou falar com ninguém, nem mesmo sua família.
Após essa pior fase da crise, resolveu voltar a viver. Sempre fora uma pessoa forte, passara por tantas dificuldades. Não seria um homem que a derrubaria! Se nem mesmo Voldemort tinha conseguido, quem era Draco Malfoy para isso? Resolvida, conversou abertamente com Harry.
-Sei que está grávida, Gina. não pude evitar ouvir. E quero te ajudar. - a conversa logo chegou no ponto mais delicado de todos.
-Mas, Harry... O que você pode fazer? Não quero ficar nas suas costas, te atrapalhando! Você tem um filho para criar, ainda tem seu emprego de auror e toda a responsabilidade de acabar com Voldemort sobre seus ombros. - não queria que ele mudasse sua vida para ajudá-la.
-Podemos fazer um acordo de amigos. Sei que os bruxos não toleram bem mães solteiras, - diante do olhar irado dela, consertou. -também sei que você não se importa com esse fato, mas pense em sua família. Podemos nos casar, seu filho terá uma família, e o pequeno John terá uma mãe.
-Harry, falando assim parece fácil, mas você sabe que não posso oferecer nada a você. Acabo de sofrer uma decepção e-
-E, nada. Não estou te cobrando. Não precisamos ser realmente casados. É apenas uma questão de conveniência. - Harry completou, cortando-a. -Não precisa responder agora. Pense e resolva.
Assim que a semente do casamento de ambos plantou-se no coração de Gina como uma esperança de refazer sua vida. Não poderia mais ser útil como gostaria, voltando a ser uma Agente, no entanto poderia cuidar de seu filho e retribuir Harry todos os cuidados dispensados a ela.
Viu sua família, e foi um dia muito emocionante.
Todos festejaram, gritaram e choraram muito. Gina nem acreditava que via os sete irmãos novamente. Pelo fato da grande emoção desmaiou, causando a suspeita de algo errado em Molly e, em seguida, o anúncio do noivado com Harry. Era a melhor forma de remediar a situação sem chocar os Weasleys com a verdade de que ela esperava um filho de um Malfoy que a havia abandonado ao saber quem ela era.
A felicidade de todos com a noticia não foi maior porque não seria possível. Molly dizia o tempo todo que sua menininha agora era uma mulher, que se casaria após tantas aventuras, e que ela agora seria uma vovó coruja, como se já não fosse com os outros netos. Artur não cansava de se admirar com a idéia de Harry entrar oficialmente para a família. Os gêmeos caçoavam de quando Gina era mais nova e apaixonada por Harry, cantando o poema que ela havia mandado para ele no Dia dos Namorados, em seu primeiro ano em Hogwarts. Percy enumerava as responsabilidades do casamento. Rony e Hermione já se comprometiam como padrinhos. E Gui e Carlinhos não se conformavam da "bebê" deles agora estar se casando e tendo o bebê dela.
Gina sentiu-se um pouco mais animada. Mas os hormônios da gravidez mexiam muito com seu humor e havia dias em que ficava em depressão profunda, sem nem conseguir se levantar da cama. Só chorava e se lamentava, querendo morrer.
A noite estava com John, no quarto, fazendo-o dormir e sentiu uma presença conhecida.
"Draco?" - foi o primeiro pensamento em sua mente. Seria possível ele estar ali? Ou estaria por perto? Teria acontecido algo grave com ele que a levasse a direcionar seus pensamentos para ele? Começou a se preocupar. Por mais que tivesse rancor pelo o que ele havia feito a ela, não conseguia deixar de amá-lo.
Como o menino tinha cochilado, colocou-o no berço. Iria até a porta para verificar sua intuição, mas Harry se aproximou e a distraiu, se declarando e a beijando inesperadamente, pela primeira vez, a não ser em público, desde que estavam noivos. Ela acabou afastando Harry e indo até a porta, mas não havia ninguém lá. Apenas um vento frio da janela veio contra seu rosto, causando um arrepio súbito. Teve a sensação de que algo relacionado a Draco a chamava. Seu coração apertou-se. Tudo isso a importunando e Harry vinha pedir carinhos!
-O que houve? - Harry surgiu atrás dela, confuso. Sem respostas resolveu continuar. -Desculpe, não devia ter feito isso.
-Tudo bem, Harry. Mas ainda não estou pronta para corresponder seus sentimentos. Você disse que não cobraria- já estava irritada.
-Eu sei, não faço mais. - ele a cortou e voltou chateado para dentro, ficando ao lado do berço de John, acariciando os cabelos louro-dourados do menino.
Mais um mês e se casaram.
Por mais que não amasse Harry, sua proposta era boa. Não voltaria a ficar com Draco, mesmo que ele se arrependesse e implorasse perdão. Se não fosse por Harry, ela e o filho que esperava de Draco poderiam estar mortos. Como poderia um dia voltar a confiar nele? Era melhor reconstruir sua vida com Harry, que era um bom amigo, seria um ótimo companheiro, lutavam do mesmo lado, pelos mesmos ideais.
A notícia da gravidez vazou para as revistas de fofoca do mundo bruxo. Agora todos pensavam que Gina estava grávida de Harry Potter.
Assuntos relacionados ao Pergaminho Sagrado foram estudados pelos aurores com Gina, e a busca adiada para depois do nascimento do bebê. Seria arriscado mexer com esses assuntos perigosos no estado em que ela estava, por mais que ela insistisse não haver problemas Harry não permitia e os aurores, pessoas apaixonadas, mas responsáveis, não concordariam com as atitudes explosivas de Gina. O pergaminho estava seguro na Estação Rodoviária, mais seguro do que ao alcance de comensais nos prédios do Ministério da Magia.
~***~
Sometimes I remember the darkness of my past / Às vezes, eu me lembro da escuridão do meu passado
Bringing back these memories I wish I didn't have / Retornando a essas lembranças que eu não queria ter
Sometimes I think of letting go and never looking back / Às vezes, eu penso em desistir e nunca me recordar
And never moving forward so / E nunca seguir adiante
There would never be a past / Então não haveria um passado
Draco pensava que não poderia nunca mais ter de volta o que tinha se passado, mas também não conseguia enxergar nenhum futuro à sua frente, não possuía a menor idéia do quê fazer com sua vida. Não havia mais nada que o preenchesse nem sequer a vontade de se vingar. Era tudo um enorme vazio.
Ela estava grávida e iria se casar com outro e não havia nada que ele pudesse fazer sobre isso, a não ser assistir de camarote pela imprensa, coisa que ele resolver que não faria de modo algum.
Deveria se isolar do mundo, mas antes disso algo interferiu: Voldemort.
Decidiu que viajaria o mundo e juntou seus pertences quando a dor do chamado o acometeu, fazendo com que caísse de joelhos no chão de seu quarto, sentindo como se sua cabeça pudesse explodir com tanta pressão.
Bellsouth, comensal famoso por matar a senhora Potter, Luna, surgiu em seu quarto e com um sorriso sarcástico puxou Draco do chão.
-Pare de se lamentar, mariquinhas! Mesmo com suas falhas o Lord quer vê-lo. - ele disse pegando um objeto que Draco não pode reconhecer, transportando-os para outro local através de uma chave-de-portal.
-Malfoy. - ouviu em seguida a conhecida e gélida voz que o atormentava nos chamados.
-Lord. - o que ele poderia fazer a não ser se curvar? Ser morto? Bom, no estado que se encontrava talvez nem se importasse com isso.
-Tenho uma missão para você. Comensal da Morte.
Draco não acreditou em seus ouvidos? Ainda era um comensal? Mas ele não estava interessado em ser um! Queria sua liberdade.
-Sim, você ainda é um. - a voz que vinha de um local escuro atrás dele respondeu, como se ouvisse seus pensamentos em alto e bom som. -Para mim você passou no teste. Mostrou que era superior a um de meus melhores comensais, seu pai, o derrotando e conseguindo se esconder por um longo tempo com a Agente. Quero seus serviços.
Draco não estava nem um pouco interessado em voltar a trabalhar como comensal. Mas o que poderia fazer? Recusar uma convocação na cara de Voldemort? Já que não tinha mais o que fazer mesmo, sua vida estava vazia, oca. Dessa forma ocuparia-se com algo, ajudaria a destruir o que Gina queria: a paz.
Just washing it aside / Apenas deixando
de lado
All of helplessness inside / Todo desamparo
profundo
Pretending I don't feel misplaced / Fingindo que eu não
me sinto deslocado
Is so much simpler than change / É tão
mais simples que mudar
Assim Draco ganhou sua primeira missão verdadeira como comensal, conseguir encontrar o Pergaminho Sagrado. Tinha passado por tantas dificuldades e mudanças, mas queria acreditar que internamente continuava o mesmo jovem de meses atrás que possuía o objetivo mesquinho e simples de se vingar de ex-colegas de escola.
If I could change I would / Se eu pudesse mudar, eu o faria
Take back the pain I would / Tirar a
dor, eu tiraria
Retrace every wrong move that I made / Refazer
tudo o que eu fiz de errado, eu preferiria
If I could / Se eu
pudesse
Stand up and take the blame I would / Levantar e levar a culpa, eu o faria
If I could take all the shame to the grave / Se eu pudesse levar toda a vergonha para a sepultura, eu preferiria
N.A.: Gente! Demorou um pouquinho mais saiu o cap novo! E aí? Gostaram de ver o lado do Draquinho na história? Bom, me digam oq acharam!
REVIEWS JÁ!!!
Esse capítulo é presente p/ minha miguinha Jaqueline Granger q. fez aniverssário agora, no dia 19, bijinhos!! Ah, leia a fic dela, Sem dizer adeus, é uma R/H mto fófis!
Agradecimentos: Kathy Parteno Gryffindor, Nina Portter, Marianinha, ana_le, Anaísa, Flávia, Ianê, Bru Malfoy, Kel Minylops, Bebel Malfoy, Fernanda N., e Cris Skywalker (eu vô responder seu mail! Mas é q ele tá salvo no meu outlook e eu fiquei esse tempão sem net em casa e não podia acessá-lo de outro lugar), ah, tb vou agradecer a td mundo q tá dando o maior apoio p. o Portal Draco & Gina ( www. portaldracoegina. cjb. net ) p. visitar o link é só tirar os espaços q tive q colocar pq senão o FF apaga o link ^^.
Essa semana não temos trechinho... Sorry, vcs vão ficar curiosas!! bijinhos e continuem lendo.
