Notas do capítulo
Estou de volta GALERA! Eu demorei, eu sei e peço desculpa, mas isso não vai fazê-los me odiar menos, então... kkkkk. (que doce ¬¬''). Enfim... Aqui está mais um capítulo, espero que apreciem. ps: Desculpem-me por possíveis erros.

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Ela se foi.

Em um primeiro momento, Callie não havia acreditado nisso. Ao acordar nua e sozinha na cama da princesa, ela imaginou que a loira havia surtado novamente e a estava evitando. E esse pensamento a fez extremamente mal-humorada durante todo o tempo, mesmo sabendo que isso poderia acontecer.

Mas então, o dia se passou e, por mais comum que fosse o fato da loira sair por horas e horas em uma cavalgada, ela sempre voltava no final do dia... Entretanto, aquilo não aconteceu... Arizona perdeu o café, o almoço e na hora do jantar, também não apareceu. E isso, é claro, deixou a todos preocupados, inclusive ela própria. O rei chamou Owen para sair a procura dela pelas redondezas e Tim se voluntariou em acompanhá-lo na busca. Teddy e a rainha ficaram fazendo companhia uma à outra, apreensivas por qualquer notícia, esperando que ambos os homens a encontrassem.

Horas depois e nada… Já se passavam das duas da manhã, quando Tim e Owen voltaram de mãos vazias e o rei começou a ficar desesperado… Na verdade, todos ficaram… Ninguém havia conseguido dormir. Até mesmo Cristina, que não se importava muito com as pessoas, achou o sumiço estranho. E, sendo a pessoa que era, a aflição de Callie não passou despercebida por ela. Callie mal conseguia ficar parada e a cada minuto que se passava sem notícias da loira, era um golpe no seu coração. Não querendo que todos notassem seu desespero, a morena pediu licença aos Reais, com a desculpa de que verificaria algo no quarto da loira.

Na verdade, ela só queria poder chorar sem que ninguém estranhasse o seu comportamento. Ela estava ficando louca de preocupação. E se alguém a houvesse raptado? E se ela agora estivesse em perigo e precisando de ajuda, sem que ninguém pudesse salvá-la? A loira era muito impulsiva em alguns momentos. Sentando-se na cama, Callie agarrou o travesseiro usado pela loira e o abraçou. Exalar o cheiro da fronha, lágrimas se formaram no canto de seus olhos.

"Arizona…" A latina chamou o nome da princesa, em um sussurro embargado. "Por favor, esteja bem."

Foi só então, quando seus olhos deram uma viajada pelo quarto, que a morena avistou um pedaço de papel em cima do criado-mudo, que ela não havia dado atenção antes. Curiosa, Callie foi até o papel e percebeu seu nome estava escrito nele. Ao abrir, ela reconheceu a caligrafia impecável da loira.

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Calliope,

Eu sei que isso pode parecer loucura, mas eu decidi seguir meus sonhos. Para isso, infelizmente eu precisei fugir, uma vez que meu pai jamais me permitiria fazê-lo. Provavelmente quando ler isso, já estarei longe o suficiente, de modo que vocês já não precisam se preocupar em procurar-me. Sei que foi repentino, mas eu realmente não planejei isso… Apenas me veio a chance e eu agarrei a ideia. Diga a todos que os amo e que eu sinto muito por sair assim, mas finalmente viverei a minha vida. Com relação à noite passada, eu realmente sinto muito por, mais uma vez, forçá-la a algo que não queria. Mas então, penso que não sinto em tudo… Enfim… Só quero que você diga isso a eles… Diga-lhes que ficarei bem, porque fui seguir meu sonho.

Carinhosamente,

Arizona Robbins.

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Ela se foi.

Callie ficou ali... Apenas encarando o papel, não realmente acreditando no que havia acabado de ler. Ela passou os olhos pela nota uma vez, duas, três vezes, até que a ficha finalmente caiu. Arizona Robbins havia fugido. Ela não tinha se perdido ou sido sequestrada, ela fugiu. E a nova realidade fez o coração da mulher Torres afundar. Arizona foi embora, para seguir seus sonhos... Sozinha... E Deus sabe lá quando, ela veria a loira novamente, se a visse de novo. Com a insegurança que rondava por mundo afora, Callie temia pela jovem princesa e o medo assolou-se de seu peito. Ela precisava avisar a alguém... Precisava dizer o que havia acontecido! A princesa não poderia estar muito longe, poderia ela?

Pegando a nota, Callie saiu em disparada pela porta do quarto e descendo as escadas rapidamente, quase tropeçando em seus próprios pés. Todos ainda estavam no grande salão, apreensivos e esperançosos de que a loira apareceria por aquelas grandes portas. A rainha era a que mais demonstrava angustia por falta de notícias e olhava para o marido com olhos suplicantes, mas o homem se sentia tão impotente quanto, naquela situação. Entretanto, cada um foi retirado de seus pensamentos, quando a morena veio correndo pela entrada em direção a eles, já meio sem fôlego. Todos olharam confusos, quando ela se dobrou, colocando as mãos nos joelhos e tentando regular sua respiração novamente. Não era fácil correr por todo um castelo.

"O que significa isso?!" Perguntou o rei, não muito contente pela maneira como Callie invadiu o local.

"Majestade... Fugir... A princesa." Ela tentou dizer, mas seus pulmões gritavam desesperadamente por ar. Tim se aproximou de Callie, pacientemente esperando que ela se recuperasse.

"O que você está tentando dizer, Callie?" O rapaz perguntou, olhando atentamente para a serva de sua irmã. A latina desistiu de tentar dizer e entregou o papel ao rapaz, que pegou-o imediatamente e começou a ler.

"O que é isso? O que está dizendo?" Teddy veio ao pé do príncipe e ele posicionou a nota, permitindo que ela pudesse dar uma olhada também. Quando ambos terminaram de ler, a cor havia sumido de suas faces. Eles desviaram os olhos para Callie, observando-a atentamente antes de olhar para os demais na sala, que esperavam com expectativa.

"E então? O que diz ai?" Perguntou Bárbara impaciente, se aproximando dos três.

"Mamãe..." Tim começou cautelosamente, para não alarmar a rainha.

"É sobre Arizona, não é? O que aconteceu com a minha filha?!" Pediu, leve tom desesperado em sua voz, ao notar a face preocupada de seu filho e Teddy. Quando o rapaz não respondeu de pronto, a rainha se exaltou. "Timothy Robbins, estou falando com você!"

"Bárbara." Daniel repreendeu a esposa, enquanto se aproximou dela e descansou suas mãos nos ombros da mulher. "Todos estamos preocupados, mas você precisa manter a calma... Ficar dessa maneira não vai ajudar ninguém.

"Esse é o problema, Daniel! Não consigo ficar de outra maneira, quando não sei onde meu bebê está!

"Mamãe..." Tim começou. " Eu não sei onde Zona se meteu... Esse papel é um bilhete que ela deixou para Callie." Ele acrescentou, exibindo o papel em suas mãos. Olhando para a latina brevemente, antes de voltar sua atenção a seus pais.. "Ela não foi capturada ou qualquer outra coisa... Ela se foi."

"Como assim ela se foi?" Daniel perguntou, temendo a resposta.

"O que Tim está tentando dizer, vossa Majestade, é que Zona fugiu." Teddy explicou.

"E obviamente foi por impulso... Ela diz aqui que não planejou isso e que não é para procurarmos ela, porque provavelmente já estará muito longe." Tim terminou em um lamento

A sala ficou em silêncio por alguns minutos.

Ela se foi.

Arizona havia ido e não tinham nenhuma pista de onde ela se meteu.

Quando o choque inicial passou, Bárbara reagiu da maneira que nem o rei esperava. Ela virou-se para o marido, raiva ardendo em seus olhos.

"Isso tudo é culpa sua, Daniel! Ela não teria fugido, se você não fosse tão cabeça dura!" A mulher vociferou para ele.

"Como tentar proteger minha filha, é ser cabeça dura, Bárbara? Acha mesmo que, se eu tivesse autorizado Arizona para viajar por ai, ela estaria segura?!" O rei perguntou incrédulo.

"Você poderia ter feito um acordo com ela! Um acordo, na qual ela poderia ir, se levasse alguns homens de nossa guarda consigo!" Ela gesticulou, enquanto continuava a gritar com o rei. "Mas não! Você simplesmente se recusou a considerar qualquer coisa, como se você não conhecesse nossa própria filha, Daniel! Você sabe como Zona é e eu tinha certeza que era questão de tempo para que algo do tipo acontecesse!

"Mamãe, acalme-se." Tim pediu, aproximando-se da rainha.

"Como me acalmar, Timmy? Sua irmã está Deus sabe onde e não podemos fazer nada. Não sabemos nada..." Bárbara não conseguir terminar, quando começou a chorar no ombro do príncipe.

"Zona é uma garota esperta... Ela vai saber se cuidar." Tim disse, orando que fosse realmente verdade o que estava dizendo. Teddy olhou para a cena e depois para os demais na sala... A rainha chorava nos ombros do filho. O rei estava abatido pelo cansaço e até, o que ela poderia dizer, vergonha. Callie e os demais servos estavam espalhados pelos cantos e surpreendentemente, ou não tão surpreendentemente assim, Callie era a que demonstrava mais abatimento por toda a situação. E ela? Bem... Dizer que estava nervosa e preocupada com Arizona, seria um eufemismo. Arizona e toda sua impulsividade, por vezes, deixaram Teddy exasperada. E agora ela havia passado dos limites! Entretanto, se a jovem Altman fosse sincera consigo mesma, diria que algo do tipo não deveria surpreendê-la tanto e na verdade, até concordava com a rainha. Isso demorou, mas ela sabia que mais cedo ou mais tarde, aconteceria.

"O que faremos a respeito?" Teddy perguntou aos demais.

"E o que poderíamos fazer? Você leu o bilhete, Teddy... Ela não quer ser encontrada e provavelmente estará muito longe agora." Tim falou. O rei parecia perdido em pensamentos, até que se aproximou do filho e pediu silenciosamente o papel em suas mãos. Lendo, Daniel não pode deixar de levantar uma sobrancelha para as palavras da filha... Principalmente um certo trecho... Disfarçadamente olhou para a jovem latina, antes de pigarrear e assumir o controle da situação.

"Pois eu mandarei meus homens em todas as direções... E quando eu a encontrar, essa mocinha estará muito, muito encrencada.

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Livre! Livre! Finalmente livre! Gritava a voz interior de Arizona. Ela cavalgava a toda velocidade com Salazar, pelos campos desertos. Faziam algumas horas que ela havia fugido, literalmente, do reino de seu pai e agora era poderia se considerar dona de seu jogo. Ela tinha parado por alguns momentos, para tomar água e deixar seu quarto de milha descansar, mas sabia que, para uma fugitiva, tempo era sagrado. Arizona estava ciente de que seu pai tentaria ir atrás dela, mesmo dizendo-lhe que não deveria. Dessa forma, a loira preferiu não pagar para ver. Agora estava de volta a sua viagem sem rumo, mundo afora e ela mal conseguia se conter, louca para explorar tudo o que podia.

Levaram mais algumas horas e alguns povoados depois, antes decidir que já estava na hora de ambos descansarem. E tinha em mente, também, que não poderiam ficar muito.

"Bem, Salazar... Ficaremos nesse povoado essa noite e amanhã cedo partiremos novamente. Temos apenas de encontrar um lugar para nos alimentarmos e dormirmos." Informou ela, descendo do animal e puxando-o pelas rédeas. O lugar não era de todo o mal, observou a princesa, enquanto caminhava pelo local. As casinhas eram bem sobrepostas e as ruas eram limpas. E mesmo não havendo sinal de qualquer tipo de luxo, não deixava de ter um ar agradável e amistoso residindo ali.

"Bem, agora o que precisamos é encontrar um alojamento... Pelo menos um que também aceite cavalos." Ela disse, olhando para seu animal de esguelha, antes de virar sua atenção para frente. Salazar soltou uma baforada na nuca de Arizona, o que a fez saltar. "O que? Você é um cavalo, não? Ou está achando que sou eu?" A loira fez uma pergunta retórica, mas, para sua surpresa, o animal relinchou e bateu o casco no chão. Arizona estreitou os olhos e abriu a boca para a audácia de seu cavalo. "Não brinque comigo, Salazar." Avisou, apontando para ele. Aquele animal era inteligente demais, para seu próprio bem.

Eles caminharam mais um pouco, até avistarem uma espécie de alojamento ou coisa parecida, um senhor, que regava algumas plantas na entrada da habitação e, a julgar por sua aparência, Arizona não lhe daria mais do que sessenta e cinco anos. Ajeitando o capuz na cabeça, a princesa aproximou-se do homem, chamando-lhe a atenção.

"Com licença, senhor... Eu sou ahn..." Arizona parou um momento. Ela não achava que usar seu verdadeiro nome fosse uma boa, principalmente quando se era uma "fugitiva." Ela tossiu, antes de falar novamente. "Sou Elizabeth... Ehh... Elizabeth Ro..." Arizona parou e se bateu mentalmente... Era óbvio que não poderia dizer seu sobrenome também. "Ro...Torr... To... To–bbins... Isso.. Sou Elizabeth Tobbins. Uh... Sou uma viajante sem rumo e estou procurando um lugar para passar essa noite." A loira gaguejou nervosamente, devido à mentira e estendeu a mão do homem, que a olhava desconfiado.

"Hum... Senhorita "Elizabeth Tobbins"?" O homem repetiu, levado pela estranheza do nome. "Bem, senhorita Elizabeth, eu não alojo viajantes estrangeiros e desconhecidos ou qualquer outra pessoa, a qual eu não confio." O homem informou, diretamente. Para ele, a moça loira era deveras suspeita.

"Eu entendo senhor, mas como disse... Estou apenas precisando de um lugar para passarmos a noite. Já está escurecendo e não temos onde ficar." Ela falou, apontando para ela e, em seguida, Salazar. "E não se preocupe, eu posso pagar nossa estadia, se esse for o caso." Ela ofereceu e usou uma de suas armas mais poderosas. As covinhas.

"Sinto muito, mas a resposta ainda é não." O homem continuou irrevogável. A expressão de Arizona foi de um sorriso a uma carranca. Ela não entendia como suas covinhas haviam falhado... Elas nunca falharam antes, mas ultimamente não tem tido tanta sorte. Desanimada, ela simplesmente acenou com a cabeça e começou a se afastar, puxando Salazar consigo, preferindo não insistir com o homem. O que ela faria agora? Não havia lugar que ela poderia ficar, se não naquele alojamento. Fora o fato que estava cansada e precisava de um banho, ou ficaria cheirando a cavalo. O homem apenas observou a figura derrotada se afastar vagarosamente. Querendo ele ou não, ela era apenas uma menina e sabia que era perigoso demais para uma jovem ficar perambulando por aí durante a noite. Revirando os olhos para si mesmo, o homem esperava que não viesse a se arrepender pelo que faria.

"Ei, você mocinha... Espere um pouco." Ele disse, chamando a atenção da jovem loira. "Venha aqui." Ele indicou, gesticulando com a mão, para que ela se aproxima-se. Arizona mordeu o lábio e sua expressão tornou-se um pouco mais esperançosa, enquanto retornou os poucos passos para perto do homem. " Bem... Tudo bem... Eu posso te oferecer um lugar para ficar essa noite. Mas só porque eu não quero me sentir culpado depois, por ter deixado uma mulher vagar sozinha por ai. Principalmente com o mundo do jeito que está." Ele justificou e parou a jovem princesa, quando a mesma começou a sorrir de novo. "Entretanto, há uma condição". Ele apontou, mas o sorriso de Arizona não vacilou.

"Claro, o que seria?" Ela perguntou e o homem estreitou os olhos para ela, fixando bem seu olhar no rosto da loira.

"Diga-me seu verdadeiro nome." Ele exigiu e o sorriso de Arizona morreu. Droga! Aquele senhor havia descoberto sua mentira. Arizona bateu-se mentalmente. Era óbvio... Nem ela teria acreditado, depois de sua atuação lamentável, em sua apresentação.

"Eu já lhe disse senhor... Elizabeth Tobbins." Arizona tentou novamente, mas o homem apenas sacudiu a cabeça, decepcionado.

"Sinto muito... Não posso ceder-lhe um lugar para ficar." Dito isso, o homem começou a se afastar. Arizona olhou para o senhor que já ia embora e sabia que se não cedesse, o homem jamais aceitaria hospedá-la.

"Espere! Tudo bem, eu digo... Mas prometa-me não dizê-lo a ninguém." Arizona pede, quando o homem retorna. Com uma sobrancelha levantada e postura firme, ele retruca.

"Você não está em condições de fazer exigências... Se queres um lugar, diga a verdade." Ele falou, com braços cruzado. A loira respirou fundo e acenou com a cabeça.

"Ok... Tudo bem... Eu sou Arizona Robbins e sou uma andarilha, que está viajando sem rumo pelo mundo." A loira se apresentou, não mentindo, mas também não dizendo completamente a verdade. O homem olhou-a com expressão indecifrável, antes de estender a mão.

"Robert Stark... Dono do alojamento." Ele se apresentou e a loira pegou a mão oferecida. "Vamos, siga-me e traga seu cavalo.

"Sim senhor." Arizona concordou, não querendo expressar muito seu alívio ao homem rígido à sua frente.

Eles andaram mais aos fundos do terreno e pararam em uma antiga construção de madeira.

"Esse é um velho estábulo, mas acho que será suficientemente seguro para seu cavalo." Ele informou.

"Está ótimo senhor, obrigada." Arizona agradeceu e guiou Salazar para dentro. Stark ajudou-a a acomodar o animal e quando ambos estavam feitos, ele levou a loira para dentro do grande casarão antigo, a fim de mostrar suas acomodações.

"Há comida na cozinha, caso tenha fome." Dizendo isso, Stark se virou para ir embora, mas não antes de ouvir um agradecimento da loira. Uma vez sozinha, Arizona deu uma boa olhada em seu quarto, antes de cair com tudo na cama... Ela estava exausta, mas de alguma maneira, feliz... Ela agora era uma mulher livre e descompromissada. Esperava porém, que sua família a perdoasse por fugir daquela maneira. E esperava que, no dia que ela estivesse pronta para voltar, que eles entendessem finalmente, o porquê havia feito aquilo...

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Alguns sentimentos difusos tomavam conta de Callie naquele momento, enquanto caminhava pelos jardins do Castelo. Ela sentia necessidade de ar fresco, depois de não ter conseguido dormir direito desde o sumiço, até então, a descoberta da fuga da loira. Não havia se passado nem uma semana, desde que Arizona havia ido embora, mas a latina já sentia falta dela terrivelmente.

Por diversas vezes, porém, Callie gritava para si mesma que não era para se sentir assim. Afinal, Arizona era e sempre foi uma princesa mimada.

"Mimada, egocêntrica, mandona..." Callie falou consigo mesma, mágoa em sua voz. "E linda e sensível..." Seus olhos ardiam de lágrimas não derramadas. Arizona havia feito Callie se apaixonar por ela e agora a loira havia ido. Não que isso fosse culpa de sua ama, mas a latina precisava culpar alguém naquele momento, porque pensar em todos os sentimentos contraditórios que estava atravessando-a internamente e o fato de ter se apaixonado por uma mulher, havia sido exclusivamente sua culpa, a estava matando por dentro.

Outra coisa que a preocupava, era seu emprego... Sem Arizona para servir, Callie temia seu destino. Tinha medo de deixar a família Real Robbins e acabar em um inferno, parecido com o que passou com os Boswell. Novamente, desde a ida da caçula Robbins, ela fez pequenas coisas para servi-los, dado que não havia muito o que fazer. Rezava, porém, para que o rei jamais a dispensasse.

A jovem latina estava perdida em pensamentos, enquanto observava a mesma fonte que Arizona havia estado, dias atrás, até que sentiu uma figura se aproximar.

"Torres." Mark chamou, quando observou sua amiga, estranhamente imóvel, olhando para a fonte... Mesmo que ele já tivesse com a ligeira impressão de que ela não olhava para lá, realmente.

"Mark." Callie cumprimentou-o, porém, seu desanimo era evidente em sua voz. O homem grisalho olhou para ela com uma expressão solidária.

"Eu fiquei sabendo sobre vossa Alteza Blondie..." Ele começou, mas a morena o deteu.

"Mark, não a chame assim... Tenha mais respeito, por favor." Callie repreendeu, mas sua voz era calma.

"Ok, Torres... Essa tristeza toda não pode ser por causa dela, ou é?" Mark perguntou, indo direto ao ponto. "Essa mulher foi uma enorme dor na sua bunda em vários momentos... Não é possível que estejas assim por ela." A maneira como o homem havia mencionado Arizona, irritou Callie de uma maneira que nem a mesma conseguiria explicar.

"Mark, "essa mulher" na qual se referiu, trata-se de vossa Alteza Real, Arizona Robbins. Então, eu peço-lhe novamente que refira-se a ela com mais respeito." A latina ralhou, fulminando o homem com os olhos. Mark apenas olhou para ela e tomou uma postura mais séria.

"Tudo bem, olha... O que esta realmente acontecendo, Torres? Quer dizer... No início, achava-a irritante e de temperamento instável o tempo todo com você. Agora a defende com unhas e dentes e anda triste pelos cantos, como se tivessem matado seu cachorro. E eu tenho certeza que não é só porque teme seu emprego." O homem deduziu, sabiamente e a latina suspirou pesado, antes de acenar com a cabeça.

"Não, você tem razão...Não é só por isso." A latina suspirou. "Eu acho que me apaixonei por ela." Confessou e Mark deixou boca cair ligeiramente aberta. "E agora ela se foi e eu me sinto perdida..."

"Você está falando sério?" Mark não podia acreditar em seus próprios ouvidos, para que ele precisava de uma nova confirmação. A jovem Torres se virou para encará-lo e ele poderia dizer que ela estava segurando-se para não chorar.

"Eu pareço estar brincando, Mark?" A morena perguntou, chateada. O homem apenas encolheu os ombros.

"Bem... Você pode me dizer, pelo menos, como isso aconteceu?" Ele pediu, com genuína surpresa. "Porque eu também não acho que ela seja uma moça apaixonante." Mark amassou a cara em desgosto, ao lembrar a postura ríspida e arrogante da jovem Robbins. Callie se virou para ele, seu rosto marcado por desaprovação.

"Não a julgue, Mark... Você não a conhece."

"E você a conhece?"

"Em parte... Fui sua serva nos últimos meses." Callie sacudiu os ombros. "E ultimamente, temos estado um pouco mais próximas." Ela desviou o olhar ao final da frase, não querendo dizer o que esse "mais próximas" verdadeiramente significava. O homem grisalho olhou para ela com certo ceticismo e suspirou, quando a morena virou-se novamente de costas, seu rosto fora do alcance dos olhos azuis de seu amigo. Olhos azuis-claros como os de sua ama, mas nem de longe, tão bonitos e marcantes como os dela, na opinião da latina.

"Torres?" Mark chamou, quando a mesma parecia ter caído novamente, perdida em pensamentos.

"Ela só deixou uma nota." A voz da jovem Torres era marcada por certo ressentimento.

"E o que você esperava? Que ela gritasse aos quatro ventos que fugiria?" Mark perguntou, com ironia. "Além disso, você parece esperar muito mais dela, do que um servo esperaria de seu amo." Mark apontou, desconfiado.

"Eu te disse, Mark... Nos aproximamos muito nesses últimos tempos."

"Mas você continua sendo apenas uma serva. Sinto muito, Torres, mas é a verdade." O homem apontou. Callie não retrucou, apenas suspirou pesadamente. "Sabe... Agora é ver o que o rei está planejando pra você."

"Sim... Sem vossa Alteza aqui, não sei o que esperar." A latina comentou e ambos suspiraram dessa vez.

Os dois ficaram mais ou menos dois minutos em silêncio, cada um em seus próprios pensamentos, até que Tim aproximou-se da dupla.

"Callie, Sloan" O príncipe cumprimentou com voz neutra. Ambos retribuíram, em uma reverência.

"Sua Alteza." Disseram em uníssono.

"Callie, precisamos conversar." Tim falou mais sério e Mark viu isso como um convite para deixá-los a sós. Dando um último olhar cúmplice para a latina, ele deu um passo para trás.

"Com licença, eu vou voltar a meus afazeres." O homem grisalho informou, já retirando-se, mas surpreendentemente, Tim o impediu.

"Você pode ficar, Sloan... Na verdade, o que tenho a dizer envolve os dois." O jovem rapaz esclareceu e Mark apenas deu um aceno de cabeça, apreensivo.

"Sua Alteza?" Callie o chamou, preparada para escutar atentamente. Com um longo suspiro, Tim começou a falar.

"Bem, Callie... Dado aos atuais acontecimentos, você deve saber mais do que ninguém que, uma vez que vossa Alteza Arizona não está aqui, você não terá a quem servir diretamente." Ele começou e Callie fechou os olhos, já temendo aonde aquela conversa a levaria. "Entretanto... Durante esses dias, tenho conversado com meu pai sobre como deveríamos lidar com a partida de minha irmã e seu destino, uma vez que a compramos para servir exclusivamente a ela e..." Tim olhou com uma sobrancelha elevada e a morena poderia jurar, por um segundo, que sua expressão parecia divertida. "Depois de ler a carta que ela deixou antes de partir, entre outras coisas, acredito que minha irmã não ficaria nada contente em voltar e ver que você não está mais conosco. Por isso, convenci papai de que você deveria continuar a nossos serviços, até que ela retornasse." Ele deu-lhe um pequeno sorriso, quando a latina parecia olhar um pouco mais aliviada. "E é aí que você entra, Sloan." Tim voltou-se para o paisagista, que o olhava em confusão. " Uma vez que parecem se dar muito bem, achamos talvez que Callie pudesse ficar com você e ajudá-lo nos cuidados da jardinagem." O príncipe finalizou sua proposta com um sorriso como de quem havia achado a solução para todos os problemas.

Callie olhou para seu melhor amigo com uma expressão esperançosa, mas logo foi substituída por um sorriso, que refletia ao de Mark , quando, sem pestanejar, ele concordou com a proposta.

"Sem dúvidas, sua Alteza. Eu ficaria muito feliz em ter Callie me ajudando durante a ausência de vossa Alteza Blon...Uh... Arizona." Mark falou, corrigindo-se a tempo, mas recebendo um olhar aguçado da latina. Tim, porém, não parecia ter percebido o "quase" deslise.

"Perfeito! Dessa forma, Callie, você ficará a serviço de auxiliar de Sloan, até que minha irmã volte, impedindo que alguém seja degolado por ela." Com a conclusão da frase, Tim soltou uma gargalhada audível, por imaginar Arizona querendo matar alguém, sendo que ela seria era a única que estaria em apuros quando voltasse.

"Obrigada, sua Alteza." Callie agradeceu e Tim parou de rir, apenas sorriu brilhantemente. Um sorriso que muito lembrava o de sua irmã. Na verdade, muita coisa no rapaz lembrava a jovem loira.

"Não me agradeça. Vai por mim, estamos todos apenas evitando o início de uma guerra." O sorriso de Tim cresceu e Callie ruborizou sob aquele olhar sugestivo. Mark, porém, era o único que ainda permanecia com "olhar de paisagem."

"Então eu posso começar imediatamente?" Callie perguntou ansiosa, olhando para os dois homens.

"Bem, isso é com Sloan." Tim falou, simplesmente.

"Então começaremos agora mesmo, Torres." Mark falou animado, chegando em torno da latina e dando-lhe um tapinha nos ombros.

"Ótimo, vejo-os mais tarde." Com isso, Tim virou-se para retirar-se, mas Callie chamou-o de volta.

"Sua Alteza?" O rapaz voltou-se para ela e a morena ficou levemente corada, tendo a delicadeza de não olhá-lo nos olhos, em respeito. "O senhor acha que vossa Alteza Arizona voltará em breve?" Na pergunta e o tom preocupação obvia em sua voz, o jovem príncipe olhou solidário para ela, suspirando fundo, antes de responder.

"Impossível dizer, Callie... Mas eu rezo todos os dias para que minha irmãzinha volte em segurança. Tão imprudente quanto foi sua ida, espero que ela seja esperta o suficiente para lidar com o mundo lá fora"...

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O sol havia raiado mais ou menos há uma hora, quando Arizona decidiu por retornar ao seu caminho sem rumo por ai. Depois de tomar um café reforçado e alimentar seu cavalo, a moça pegou todas as suas coisas e começou a colocá-las na sela do animal.

"Bem, eu acho que é tudo." Disse Arizona, amarrando uma última bolsa.

"Tenha uma boa viagem, senhorita... E tome muito cuidado por onde anda." Stark alertou.

"Não se preocupe, senhor, eu sei me virar." A loira falou, cheia de convicção. Andando próxima ao homem, ela tirou uma pequena bolsa com dinheiro e ofereceu a ele. "Pegue, esse é o pagamento por ter me deixado ficar." Ela esclareceu, vendo a confusão em seus olhos.

"Não precisa, menina... Fica por conta da casa." Ele disse, recusando a recompensa.

"Hum... O senhor tem certeza?"

"Tenho sim, sua Alteza... Tenho certeza que precisará do dinheiro mais do que a mim, durante sua viagem." Ele falou sorrindo e a jovem Robbins ficou branca feito porcelana.

"O senhor..." Ela começou, mas foi cortada.

"Arizona Robbins..." Ele repetiu o nome da loira, vagarosamente. "Acha mesmo que eu não associaria esse nome ao de sua Alteza? Ora mocinha, eu sou velho, não bobo." Stark disse e sorriu para a jovem, que ainda parecia mortificada em seu lugar.

"O senhor não pode contar a ninguém que me viu aqui." Arizona pediu em um sussurro desesperado, depois que saiu do seu estado de torpor.

"Viu quem? Eu não sei do que você está falando." Stark falou sério e sua feição era carrancuda, mas logo foi substituída por uma expressão mais simpática e um meio sorriso se fez em seu rosto, deixando a jovem princesa saber que ele não contaria. "Tome, leve isso com você." O homem falou, entregando à loira uma trouxa com alguns alimentos caseiros, como pães, bolos e também algumas frutas.'' Arizona olhou para o saco em suas mãos e depois voltou a olhar para o velho homem, que sacudiu os ombros, como se não fosse grande coisa. "Só para o caso de sentir fome." Stark tentou soar indiferente e ficou levemente surpreso e abalado, quando Arizona deu-lhe um abraço, antes de se despedir e montar Salazar.

"Crianças..." Ele falou consigo mesmo, balançando a cabeça, enquanto via a figura loira se afastar aos poucos pelo caminho.

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"Torres!" Mark chamou, enquanto se aproximava de Callie, que estava regando as rosas brancas. A morena virou-se para ele e arqueou uma sobrancelha bem delineada. Ela estava levemente em dúvidas se o homem estava animado ou com vontade de ir ao banheiro.

"O que está acontecendo, Mark?" Callie largou o regador e se aproximou dele.

"Rá! Alguns funcionários do reino estão pensando em fazer uma pequena "reunião" no alojamento dos empregados." O homem balançou as sobrancelhas sugestivamente na palavra "reunião", fazendo Callie estreitar os olhos, desconfiada.

"E o rei sabe sobre isso?" a morena perguntou, sentindo que já sabia a resposta.

"Hum... Não" O homem respondeu e a latina balançou a cabeça, virando-se novamente para retornar a sua tarefa. "Mas será divertido e o que o rei não vê o rei não sente, e nós sentimos menos ainda." Ele tentou convencer a morena.

"Mark, isso é errado... E se ele ou qualquer outro membro nos pegar?" Callie perguntou preocupada.

"Ele não pegou até hoje, ou pelo menos, finge muito bem que não sabe sobre isso, porque fazemos há anos." Mark tranquilizou.

"Fazem há anos? E como eu só sei sobre essa "reunião" agora? Estou aqui há meses. A latina perguntou, incrédula.

"Hum..." Mark coçou o queixo, fingindo pensar. "Deve ser porque você vivia para servir vossa Alteza Blondie." Ele falou, erguendo uma sobrancelha.

"Mark..." Callie começou em um tom de aviso, mas o homem a impediu, levantando as mão para o ar.

"Ok, desculpa. Enfim... Você vem ou não? Sinto que você está meio triste ultimamente, tenho certeza que vai ser o lugar perfeito para se distrair e se divertir."

"É seguro ou não?" A latina perguntou, enquanto pensava no assunto. Por um lado parecia arriscado, mas por outro, Mark tinha razão... Ela precisava se distrair e essa era sua chance perfeita.

"É seguro e divertido." Mark afirmou, com convicção. Callie pensou mais um pouco sobre a proposta e sorriu largamente, antes de balançar a cabeça animadamente.

"Então eu vou." Ela aceitou e o homem refletiu seu sorriso.

"Ótimo, esteja às onze da noite na entrada lateral... Eu vou te levar lá." Mark combinou

"Tudo bem, às onze então." Ambos apertaram as mãos, em um trato.

"Poxa vida, Torres... Você vai adorar..."

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"Hum... Que lugar agradável." Comentou Arizona, com ironia, enquanto entrava em mais uma vila. Já fazia algumas horas desde que tinha retornado à sua viagem. Na verdade, já se passavam das cinco da tarde e o sol já estava mais fraco, vagarosamente descendo pelo horizonte.

A aparência do pequeno lugar não era das melhores. Casas de madeira, em sua maioria, se encontravam em ruínas e o as ruas eram desertas e sujas. Com uma careta, a loira olhava de um lado para o outro, enquanto seu cavalo trotava.

"Pelas condições deploráveis desse lugar, não creio que acharemos o que precisamos, Salazar." Ela comentou com o animal. Nas últimas horas, Salazar se encontrava a única opção de conversa e, até mesmo isso, já não parecia tão estranho, assim sentia a loira. Eles continuaram andando atentamente por entre as ruas estreitas até que, surpreendentemente, avistaram uma espécie de pequeno armazém entre duas casas, aparentemente abandonadas.. "Curioso..." A jovem pensou consigo mesma. Dando-se mais um tempo para analisar o local, Arizona desceu da sela, e amarrou seu animal em um tronco, antes de entrar no estabelecimento solitário.

Dentro do pequeno local, era possível encontrar diversos tipos de limentos e bebidas. Sacas de grãos, frutas, verduras e legumes, ficavam em uma parte do lugar, enquanto na outra havia pães, bolos, queijos e algumas especiarias em potes de vidro, em exposição. Mais uma vez, a loira se encontrou boquiaberta, com tanta fartura em alimentos, em um lugar deveras abandonado.

"Eu sei o que você deve estar pensando, mocinha, mas devo dizer que há viajantes de todos os lugares que passam por aqui..." Arizona virou-se para a figura com voz rouca, que repentinamente, encheu por aquelas paredes silenciosas. Era um velho homem, de rosto severo... "Mais um". Pensou a loira, segurando uma vontade enorme de revirar os olhos. Ele se encontrava nos fundos da loja, atrás de um balcão de bebidas. "Então, o que vai querer?" Perguntou ele, sem cerimonia.

"Hum... Tenho viajado há algum tempo e preciso de algo para beber." Arizona pediu.

"Bem, como você pode ver, bebida aqui é que não falta." Ele falou com ironia, fazendo um gesto para as bebidas atrás dele, nas prateleiras. "O que vai querer? Tenho whisky, vinhos, rum, licor... Enfim..." Enumerou, enquanto polia a madeira do balcão.

"Eu estava pensando em algo com menos teor alcoólico." Arizona respondeu. "Sei lá, talvez água." Ela sacudiu os ombros e deu um meio sorriso, devolvendo espirituosamente a ironia do velho senhor. O homem olhou-a com olhos semicerrados e se inclinou sobre o bar, a fim de encará-la melhor.

"Hum... O que temos aqui? Uma espertinha?" Ele perguntou retoricamente, analisando o rosto da jovem, antes de voltar a sua posição normal, atrás do balcão. "Bem... Você é um tanto atrevida... Diria que até corajosa... Qual seu nome?" Ele perguntou.

"Elizabeth" Arizona disse, preferindo optar pelo seu segundo nome, como nome fantasia, assim como havia feito com Stark.

"Clark... Gery Clark." Ele se apresentou, estendendo a mão a tremer. "Vai querer água somente?"

"Sim, senhor Clark." Arizona afirmou, mas no mesmo instante, ouviu o relincho incomodado de seu cavalo, do lado de fora do armazém. "Salazar?" Arizona disse seu nome, com confusão em sua voz. Quando os sons continuaram, a loira seguiu até a porta para ver o que estava acontecendo, deixando o velho senhor, que também estampava certa confusão em sua expressão, para trás.

Chegando ao lado de fora, Arizona se deparou com uma cena que fez seu sangue ferver. Três homens estavam mexendo com seu animal, que nada podia fazer para se defender.

"Hey, você é bonito, rapaz... Que tal vir com a gente?" Falou um deles, já desamarrando as rédeas do cavalo e já puxando-o consigo. Aquilo foi a gota d'água para a jovem Robbins.

"Ei! Deixem meu cavalo em paz!" Arizona gritou, aproximando-se dos homens, já empunhando uma adaga em suas mãos.

"Oh, boneca... Vai com calma. Esse cavalo é seu?" Perguntou um deles, com sorriso insolente, observando a loira se aproximar irada.

"Sim, por isso, afastem-se nesse minuto!" Ela ordenou, com raiva. Os homens riram e começaram a fazer sons semelhantes aos produzidos por gatos, obviamente achando divertida toda aquela situação.

"E se a gente não quiser? Vai nos ferir com sua faquinha?" O que segurava as rédeas de Salazar, zombou, fazendo os outros dois homens rirem.

"Ora, seus miseráveis! Vocês não tem ideia de com quem estão a se meter!" Dito isso, Arizona avançou em um deles, que a tempo conseguiu se desvencilhar do golpe da adaga, aproveitando-se e manobrando os braços da jovem Robbins, agora imobilizada por ele. "Me solta, seu maldito!"

"Se você se preocupa tanto com seu cavalo, podemos levá-la conosco..." o terceiro homem se aproximou dela, segurando sua face para analisa-la de perto. "Tenho certeza que faremos um bom proveito dos dois, certo pessoal?" Ele perguntou e ouviu a confirmação satisfatória dos outros dois. Naquela situação, Arizona já não poderia imaginar como aquilo poderia ficar pior. Mas antes que os homens fizessem o planejado, ouviram um baque de porta, revelando Gery Clark.

"Soltem à menina." Ordenou o homem com voz severa.

"Fica calado, velho, ou sobrará pra você!" O que segurava o rosto de Arizona ameaçou. Porém, nenhum deles havia percebido que o dono do armazém empunhava uma arma de fogo, até que ouviram um tiro e o mesmo homem cair sem vida no chão, em frente a todos. Um tiro certeiro na cabeça pôs fim a vida do bandido. Arizona arregalou os olhos e deixou a boca cair aberta em choque, ao presenciar a morte de forma tão crua. Ela nunca havia visto ninguém morrer daquela maneira, tampouco a centímetros de si. Sentiu ser libertada, quando ouviu a voz irada daquele que a segurava a poucos instantes.

"Velho miserável, veja o que você fez!" Ele gritou, gesticulando para o corpo do amigo, estirado no chão. "Você vai me pagar!" Dizendo isso, ambos os homens empunharam suas armas e foram em direção ao senhor Clark. Vendo que a situação não ficaria boa para ser presenciada, o dono do armazém dirigiu-se à loira, seu tom autoritário e severo.

"Pegue seu cavalo e fuja o mais rápido que puder! E não olhe para trás!" Ordenou para ela, mas Arizona ainda permanecia imóvel em seu lugar, em estado de choque. "Anda menina! Fuja de uma vez!" Ele gritou mais forte, tirando a jovem princesa de seu transe. Correndo para Salazar, Arizona subiu na sela, pegou suas rédeas com força sobre-humana e golpeou as laterais do animal com os pés, fazendo-o sair em disparada pela trilha de terra. Ainda conseguiu ouvir um deles pedindo para que o outro atirasse nela, antes que fugisse, mas logo em seguida, mais tiros foram ouvidos. Correndo como nunca havia feito antes, a única coisa que a jovem conseguia fazer era fechar os olhos e torcer para que ninguém a estivesse perseguindo.

O animal continuava em disparada e parecia que havia entrado em um caminho florestado, com muitas árvores e seus galhos passavam muito rentes à sua cabeça, exigindo um maior cuidado em atravessar aquele caminho. Porém, antes que pudesse fazer o cavalo desacelerar, Arizona foi de encontro a um galho mais baixo, que atingiu-a violentamente, fazendo-a cair da sela. As últimas coisas que teve consciência para registrar, foi os sons dos cascos de Salazar batendo sobre o chão cheio de folhas, cada vez mais distantes dela, antes de ser tomada por completa escuridão...

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"Hey, psiu! Torres! Estou aqui!" Mark gritou sussurrado, chamando a atenção de Callie, em meio a escuridão da noite. Eles haviam marcado às onze para ir a tal "reunião" no alojamento, que a latina sabia muito bem que não era uma simples reunião de servos e empregados.

"Mark, vou perguntar de novo... Você tem certeza que isso é seguro?" Callie sussurrou de volta, fazendo o homem bonito olhar para ela com sobrancelha erguida.

"Sim, confie em mim... Agora vamos, não temos tempo a perder." Ele falou, guiando Callie pelo braço, descendo o caminho de pedras em direção ao grande galpão. Mark era o tempo todo vigilante, olhando de um lado para o outro, buscando ver se alguém da guarda estava por perto.

"Para algo tão seguro, você parece meio tenso, Sloan." A latina comentou, com ironia, fazendo Mark revirar os olhos.

"Todo cuidado é pouco, ex- Alteza" Mark provocou de volta, fazendo-a golpeá-lo levemente no braço. "Shii... Quieta, Torres, estamos chegando."

O alojamento era, verdadeiramente, um grande galpão todo construído em madeira. E consideravelmente afastado do castelo. Por um momento, Callie pensou que talvez ele tenha sido construído com a função exata de dar certa privacidade... Mas então, concordou que o rei querer dar privacidade a servos era loucura demais.

"Bem, aqui estamos..." Mark falou, com certo tom de orgulho. "A propósito, você está muito bem hoje, Torres." O homem elogiou. Callie sorriu para o fato de seu melhor amigo ter reparado isso. Ela escolheu um vestido de melhor aparência, mesmo sabendo que todos estariam no mesmo nível.

"Obrigada Mark, você também não está mal." Ela elogiou-o de volta, fazendo o homem sorrir.

"Olhe pra mim, eu sou um Deus na Terra... Poderia estar de trapos e ainda estaria bem." O homem disse, cheio de si, fazendo a latina revirar os olhos para as palhaçadas dele.

"Certo, senhor "Deus", que tal entrarmos?... Provável estar mais divertido lá dentro do que aqui fora."

"Vamos lá!" Mark falou excitado, esfregando as mãos. "Uhuu, Torres, você vai adorar!"

E assim seguiram até a entrada e, quando Mark empurrou as grandes portas de madeira, o som da batida encheram seus ouvidos. Era uma música envolvente, animada e muito diferente da Valsa e Foxtrote que tocavam em festas e encontros da nobreza. Dando uma visualizada geral local, a morena descobriu que muitos dos servos do reino estavam presentes, entre eles estavam Meredith, Lexie, Karev e até mesmo Cristina. Callie olhava fascinada, quando aquilo poderia ser sua primeira experiência em lugares assim.

"Mark, esse lugar é incrível! Diga-me mais uma vez porque nunca me disse sobre isso?" A latina não conseguia parar de sorrir, enquanto via alguns deles dançando, outros bebendo e rindo em grupos.

"Por causa da vossa Alteza Dragão." Ele respondeu com humor, mas decidiu parar de brincar, quando Callie, mais uma vez, olhou em reprovação para o apelido que ele dera à Arizona.

"Mark, já conversamos sobre isso." Callie repreendeu novamente, mas logo sua atenção se desprendeu de Mark para a festa... E a cada momento que avançavam, cumprimentavam um ou outro colega. Vendo o olhar admirado de sua melhor amiga, o homem continuou a falar.

"Nós fazemos isso uma vez ao mês... Às vezes duas, mas com muito cuidado, para não levantar suspeitas."

"E como conseguem as bebidas e o restante das coisas?" Callie perguntou confusa e o homem apenas coçou a barba para responder.

"Mais um motivo para ser uma ou duas vezes ao mês... Cada um dá um pouquinho do que tem, para poder comprar as coisas... Mas quando não podemos, fazemos só pela diversão de vir aqui, dançar e conversar." Ele explicou e sorriu, mas o semblante da morena se tornou preocupado.

"Mark... Eu não ajudei em nada." Sloan ainda estava sorrindo, quando passou o braço sobre o ombro da latina.

"Não se preocupe com isso agora, Torres... Você é minha convidada." Ele piscou para ela e só então Callie começou a relaxar.

"Sloan?" Ambos ouviram uma voz chamar atrás dele e se viraram para atender uma mulher ruiva alta. Seu rosto tinha traços bonitos e marcantes e seus olhos eram verdes. Sua expressão era simpática e amigável, apesar de Callie ter uma leve sensação que ela estava dando um olhar perspicaz.

"Addison! Finalmente decidiu aparecer?" Mark cumprimentou a mulher ruiva, como se já fossem velhos amigos.

"Sim, você sabe Mark... Muito trabalho." Addison respondeu, dando-lhe um abraço, para só então virar sua atenção para a latina, que estava respeitosamente afastada para dar-lhes um tempo. "Acho que estamos sendo indelicados, Sloan." Ela disse, virando-se para Callie.

"Sim... Addison, essa é Callie Torres, ex serva de vossa Alteza Arizona e agora minha auxiliar nos cuidados dos jardins." Mark apresentou, estufando o peito. Callie olhou para ele de "rabo de olho", pois era a primeira vez que se referia à Alteza Arizona como Alteza Arizona. "Callie, essa é Addison Montgomery, uma das médicas do reino." Ambas as mulheres cumprimentaram-se cordialmente.

"Então, Mark... Eu pensei que você estivesse tentando algo com a pequena Grey." No comentário sugestivo, Callie arregalou os olhos e adiantou-se em explicar.

"Não... Posso dizer que isso é um equívoco, Dra. Montgomery... Eu e Mark somos apenas bons amigos." Callie disse e Addison acenou com a cabeça, em entendimento.

"Sim, até porque eu não acho que eu faça o tipo de Callie." Mark se aproximou mais de Addison e falou de maneira mais sussurrada. "Eu diria que ela tem um fraco por pessoas loiras, de olhos azuis e covinhas." Ele piscou.

"Mark!" Callie o repreendeu, corando de vergonha.

"Está tudo bem, Callie... Vossa Alteza Timothy é um homem verdadeiramente atraente e gentil... Não é difícil ter uma queda por ele." Addison tranquilizou a latina, mas quando ambos à sua frente endureceram e pigarrearam, ela estranhou. "O que foi?"

"Bem, não era bem dessa versão de cabelos loiros, olhos azuis e covinhas que eu estava me referindo." Mark corrigiu a ruiva.

"Mark, por Deus... Você é um fofoqueiro!" A latina repreendeu o amigo.

"Dos melhores." O homem deu um sorriso insolente e a morena o fuzilou com o olhar. "Calma, Torres... É só Addison, ela é confiável." Garantiu, dando um tapinha nas costas da doutora.

"Espere um pouco, você tem uma queda por vossa Alteza Arizona? Desculpe-me... Eu a respeito bastante, mas ela não me parece ser uma pessoa muito fácil de se apaixonar." Addison comentou, intrigada. Callie notou a naturalidade com que Addison tratou a questão de atração por outra mulher, surpresa que, o que intrigava a ruiva não era o fato dela sentir uma queda por uma mulher, mas sim por essa mulher ser Arizona.

"Sim, foi a mesma coisa que disse a ela." Mark afirmou, gesticulando com as mãos.

"Mark..." Novamente, Callie o chamou em um tom de aviso.

"Eu sei, eu sei... Não a conheço para dizer." Ele repetiu suas palavras. "Mas ainda estou sem entender. Veja meu lado, Torres... Ela sempre foi intolerante com servos, mimada e você lembra de como foi hostil comigo." Ele falou para a morena, com rosto de cãozinho ferido.

"Não será só o seu ego machucado falando, por vossa Alteza não cair nas graças do seu charme, Sloan?" Addison provocou.

"Eu nunca joguei meu charme para ela... Se o tivesse feito, ela teria caído para mim, sendo lésbica ou não." Ele garantiu, presunçoso, fazendo ambas mulheres revirarem os olhos.

"Não esteja tão certo disso, Sloan... Ela é lésbica de ouro." Addison cortou o amigo.

"E ela te odeia." Callie acrescentou, fazendo o homem semicerrar os olhos.

"Ela também não é a minha pessoa favorita nesse mundo." Encolheu os ombros, em acordo. "Além disso, mesmo agora, já não teria qualquer chance." Ele falou, perversamente olhando para Callie.

"O que você quer dizer com isso, Sloan?" Addison perguntou confusa e Callie adiantou-se, antes de seu melhor amigo abrisse a enorme boca outra vez.

"Nada, doutora." Callie interveio, mas Addison era muito inteligente para seu próprio bem. Entendeu na hora o que seu velho amigo insinuou, fazendo-a sorrir provocativamente.

"Addison." A ruiva corrigiu.

"Como?" Callie pediu, sem entender.

"Você pode me chamar de Addison... Todos me chamam assim." A mulher ofereceu e a latina sorriu. O trio deixou cair o silêncio confortável entre eles, enquanto observavam a movimentação do alojamento naquela noite. Alguns grupos engatavam uma conversa animada, enquanto outros estavam sentados, disputando jogos de carta e mais algumas outras pessoas no centro do grande salão, que estavam dançando. Tudo estava muito bem, até que um assunto estalou, novamente, na cabeça ruiva.

"Então, você ainda está perseguindo a Pequena Grey?" Addison retornou a perguntar que havia feito no início da noite e Callie cuspiu o que tava tomando para rir.

"Mark está perseguindo a "pequena Grey" da Meredith?" Na pergunta da latina, foi a vez de Adisson bufar uma risada.

"Oh meu Deus, não!" Addison não se conteve, enquanto olhava para a "cara de paisagem" do homem grisalho. "Ele está atrás da "pequena Grey" da Lexie. Lexie é a Pequena Grey." A ruiva explicou. Callie virou-se para o amigo.

"Mark, você não me contou que tinha algo com Lexie."

"E eu não tenho... Estamos apenas vendo um ao outro, de vez em quando. Mas tudo de forma aleatória." Ele explicou, entretanto, não convenceu as duas mulheres. Vendo os olhares desconfiados sobre ele, Mark tratou de desviar a atenção. "E você, Addison? Alguém em mente?"

"E desde quando você está interessado em minha vida particular, Sloan?" Perguntou a ruiva, com uma sobrancelha erguida.

"Eu me preocupo com você, Addison. Por incrível que isso possa parecer." Mark falou sério, mais sério do que Callie já havia visto, o que pegou ambas mulheres de surpresa. A latina olhou para seu melhor amigo e depois para a ruiva, o reconhecimento bateu à sua frente. Sentindo que estava sobrando, a latina pigarreou antes de pedir licença.

"Eu acho que vou dar uma olhada por ai. Vejo vocês depois." a morena anunciou.

"Aonde você vai, Torres?" Mark perguntou, com genuína preocupação.

"Vou conhecer o ambiente... Tem alguns aqui que já conheço e quero ir falar com eles."

"Bem, então está bem..." O homem olhou meio desconfiado, mas deixou estar. Callie sorriu para eles, antes de sair em direção à Cristina e Meredith. Era óbvio que, se algo já existiu entre o jardineiro e a doutora, não seria ela que ficaria a segurar a vela.

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Dor... Foi a primeira coisa que Arizona sentiu quando retornou a consciência. Tudo estava muito confuso e demorou algum tempo para ela perceber que ela estava segura, dentro de uma cabana velha de madeira. Não sabia como havia chegado lá ou quem a tinha trazido. A única coisa que tinha certeza era a dor insuportável em sua cabeça e no corpo.

Levantando devagar, a loira conseguiu dar uma pequena visualizada no local. Ela estava deitada sobre alguns mantos, despostos no chão ao lado de uma lareira. O lugar era simples e com poucos móveis. Gemendo, Arizona sentou-se e colocou a mão na cabeça, tentando inutilmente parar a dor.

"Tome, esse chá fará você se sentir melhor." Arizona saltou ao som da voz repentina atrás dela. Com dificuldade, a jovem Robbins virou-se para deparar-se com uma figura feminina, que trazia uma xícara em suas mãos. A mulher tratou de tranquilizar a jovem loira, quando a mesma parecia estar assustada por sua aparição. "Fique calma, eu não vou te prejudicar..." Ela garantiu.

Arizona ainda parecia meio perdida, enquanto olhava um pouco sem foco por todo o local.

"Onde estou? O que aconteceu?" Ela perguntou.

"Na minha cabana. Eu a trouxe para cá, quando a encontrei caída e ferida no meio da trilha." A mulher explicou, sentando-se em uma cadeira ao lado da lareira. Só então Arizona lembrou o que havia acontecido naquele fim de tarde e gemeu, quando sentiu que algo lhe faltava.

"E onde está Salazar?!" Ela perguntou, com uma ponta de desespero. A mulher, porém, mantinha uma expressão impassível.

"Se você está se referindo a um cavalo castanho, que estava a seu pé quando a encontrei caída no chão, devo dizer que o trouxe para os fundos e o coloquei junto com o meu." A mulher respondeu e Arizona soltou audivelmente o ar que estava segurando.

"Obrigada." Arizona agradeceu sinceramente, aceitando a xícara de chá que a mulher ainda lhe oferecia. Só então que a loira tirou um tempo para verificar a outra mulher. Seus cabelos eram mais cheios e loiros, olhos azuis de gelo e aparentava ser alta. Sua expressão porém era uma mistura de seriedade e perspicácia.

"Então... O que uma jovem como você faz sozinha por ai?"Perguntou a mulher desconhecida à jovem Princesa.

"Sou uma viajante... Quero descobrir o mundo."

"Bem... Com certeza não fará isso caindo de cavalos." Ela apontou espirituosamente, fazendo Arizona encará-la um pouco indignada.

"Foi um acidente... Eu estava fugindo em alta velocidade e não vi o galho de uma das árvores... Ela me acertou em cheio e eu caí.." A loira se justificou.

"E por que você estava fugindo?" Perguntou, apesar de não apresentar muito interesse em seu tom de voz.

"Fui atacada por um trio de bandidos, que queriam roubar meu cavalo. O senhor do armazém me ajudou."

"O velho Clark?"

"Sim... Ele chegou a matar um deles, antes de me pedir para fugir... Mas não faço ideia de como ele esteja agora. Não me afastei o suficiente, para que eu ainda consegui ouvir tiros." Arizona falou, de cabeça baixa. Esperava que não houvessem matado o dono do armazém por sua culpa.

"Entendo... Os dias de hoje andam muito perigosos..." A mulher refletiu.

"Sim, tenho ouvido isso bastante." Arizona disse, tomando um gole do chá.

"E mesmo assim, anda sozinha por aí?" A loira mais velha perguntou, incrédula. "Você deve ser aquele tipo de menininha idealista, que quer provar pra si mesma que pode se virar sozinha..." Ela arriscou dizer, com uma sobrancelha levantada. "Bem... Se me permite dizer, é imaturo, idiota e completamente irracional, mas enfim..." A mulher sacudiu os ombros e Arizona sentiu uma leve onda de raiva em seu âmago. Ela não estava acostumada a ser chamada de idiota, entre outras coisas.

"E quem você acha que é para me julgar?" Arizona perguntou, já levantando-se para demonstrar um pouco de imponência diante da mulher.

"Ei, vai com calma, "loira fru-fru"... Não estou julgando, apenas arriscando dizer a verdade." A mulher sacudiu as mãos frente ao corpo, em sinal de trégua. "Além disso, eu a trouxe aqui, depois de encontrá-la caída."

"Não pedi a sua ajuda." Arizona devolveu, com raiva.

"Orgulhosa também?" A mulher mais velha riu. "Você é uma garota cheia de "qualidades"." Ela comentou, sarcasticamente, enfurecendo ainda mais a jovem Robbins.

"Quer saber de uma coisa? Eu acho que já vou indo." Ela anunciou, andando com um pouco de esforço até a porta, mas não dando o braço a torcer. "Obrigada, na mesma."

"Ei, espere!" A desconhecida chamou. "Ok, assumo que começamos com o pé esquerdo, mas talvez possamos tentar de novo?"

"Eu nem sei quem é você ou que você faz." Disse a princesa, não muito interessada.

"Bem, eu também não te conheço... E então?" Olhando para os olhos azuis de gelo, a loira mais jovem tomou um tempo para pensar, antes de relaxar um pouco e ceder.

"Ok... Sou Elizabeth Tobbins." Ela se apresentou, com o nome fictício.

"Erica Hanh... Sou uma vendedora ambulante e exploradora." Ela ofereceu a mão e Arizona tomou-a, olhando para a mulher com curiosidade.

"Então você viaja muito por aí?"

"Sim, as vezes passo meses fora." Ela concordou.

"E depois vem com a coragem de me julgar, por viajar sozinha?" Arizona olha para ela com o nariz meio empinado.

"Sim, porque diferente de você, eu já estou acostumada a me virar sozinha... Você por outro lado, é inexperiente... Só de bater os olhos em ti, já descobri isso." Erica argumentou. Arizona suspirou de frustração audivelmente, antes de sacudir os ombros.

"Ok, olha... Eu adoraria continuar conversando e tal... E agradeço os primeiros socorros e todos os cuidados, mas agora preciso ir..." Ela informou a Hanh, sem muita paciência para escutar o quanto ela era imatura.

"Se você quiser, eu posso acompanhá-la... Não é seguro viajar sozinha." Erica ofereceu.

"Não obrigada." A jovem Robbins recusou, enquanto se arrumava adequadamente.

"Sim? Bem... Do jeito que você está indo, não vai durar muito sozinha. Vamos, aceite! Deixe de orgulho e deixe-me acompanhá-la... Vai por mim, eu conheço muito por ai." A mulher insistiu.

"E que garantia tenho de que você é confiável?" Arizona perguntou diretamente.

"Eu te trouxe para minha casa e impedi que morresse caída na floresta?" Erica respondeu, como se fosse óbvio. "Além disso, se alguém tentar prejudicá-la, eu posso ajudá-la a se safar... E em troca, você me faz companhia, já que tenho que viajar de qualquer maneira."

"Você confia em uma desconhecida para viajar com você e eu que sou imprudente." A loira revirou os olhos. "E em todo o caso, você é uma mulher... Não seria de grande ajuda, caso fossemos atacadas." Com a conclusão de Arizona, Erica riu e seguiu até a porta de acesso aos fundos da cabanha, onde estavam os cavalos, mas não sem antes provocar a jovem princesa.

"Pois saiba, senhorita Tobbins, que você não é a única aqui que usa calças masculinas."

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Notas finais do capítulo
Então galera... Quatro personagens apareceram nesse cap... Devo dizer que Addison é uma das minhas preferidas e não colocá-la na minha fic, seria um desperdício de uma das melhores personagens do show. Também coloquei Robert Stark que apesar de ter sido uma dor enorme da bunda do Karev, durante meados da sétima temporada, eu simpatizei com ele, depois que ele começou a ser mais amigável no final da mesma. Coloquei também Erica Hanh, e com certeza alguns me julgarão por isso, mas eu também me simpatizava com ela, mesmo que Erica havia sido a carrasca de Cristina, por toda aquela história do envolvimento dela com seu rival, o Preston Burke. Enfim... O único que não me simpatizei foi o Sr. Clark, o atirador do hospital, mas entrou bem no contexto, então o coloquei aqui. (Só gostei quando ele matou aquela residente chata. ¬¬'''). Então é isso... Só senti a necessidade de explicar porque os coloquei. Espero que tenham gostado. Comentários e favoritos sempre bem-vindos.

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