Capítulo 10 – Confrontation

Regina chegou à mansão no horário do almoço, como havia dito a Selene. Encontrou a garota na sala de estar, sentada em seu sofá. Ela parecia desolada, o que preocupou a Rainha no primeiro momento.

"O que aconteceu?", a rainha perguntou, ajoelhando-se diante da garota, que secava as lágrimas dos olhos, que se encontravam completamente vermelhos.

"Eu fui até ele.", a garota começou, tentando controlar os suspiros. "Eu fui até ele e ele me propôs um acordo.", continuou, e, no mesmo instante, Regina conjurou para ela um copo com água, para acalmá-la.

"Bem, era previsível que ele fosse fazer o acordo.", Regina responde, pegando o copo da mão da garota, assim que ela o bebeu, e agora o colocando no chão, sentando-se junto a ela. "Não era mesmo?", completou a rainha, enquanto passava as mãos nas costas da garota, que parecia estar em um choque muito profundo para continuar a história.

"Sim, mas ainda assim, Regina. Ainda assim eu não esperava que fosse tão baixo, tão cruel. Os anos não o mudaram.", ela respondeu, e essa última parte ela falou mais para si mesma. "Também, como poderia mudar? Ser cruel faz parte do que ele é.", completou e olhou então para a Rainha ao seu lado. "Não posso aceitar a proposta dele.".

"O que ele propôs?", perguntou a rainha e a observou, em silêncio, quando então Selene apontou para a mesa de centro. A rainha se aproximou da mesma e pegou o frasquinho de conteúdo verde. "O que é isso?", questionou a Rainha, e Selene tomou fôlego antes de respondê-la.

"Segundo ele, isso me dará proteção.", disse ela por fim. "Ele não poderá me ver ou sentir minha presença. Tanto ele, como qualquer outra pessoa que queira me fazer mal.", completou ela.

"Certo, e como devemos usá-la?", perguntou Regina, seu tom de voz misturado com ansiedade e preocupação.

"Ele pediu em troca a filha que eu espero.", disse Selene, ignorando a pergunta da prefeita.

"Como é?!", indagou Regina, não acreditando no que acabara de ouvir.

"Bem, é exatamente isso que você ouviu!".

"Mas pra que diabos ele quer a criança?", perguntou Regina, agora verdadeiramente irritada com a situação. Ela se levantou e andou de um lado pro outro. Seu estado de espírito estava completamente alterado agora, ela tinha uma de suas mãos na cintura, enquanto refletia no que faria a seguir. Selene se levantou também e caminhou em sua direção.

"Eu disse a ele que a criança já era sua.", respondeu Selene, fazendo a rainha se virar para ela.

"E?".

"E ele disse que era a única condição dele.", continuou a garota. "Nós não precisamos da poção. Nós só precisamos de tempo.", completou ela, fazendo Regina colocar suas mãos sobre seus ombros e a olhar bem no fundo dos olhos.

"Mas infelizmente nós não podemos contar com o tempo, não é mesmo?", questionou Regina. "Você também não pode viver esses próximos meses com medo de que algo possa acontecer com você e essa criança, de modo que eu realmente acho que você deva usar a poção.", completou Regina.

"Mas eu não posso dar a criança a ele! Ele é um louco!", disse Selene, completamente nauseada só com a ideia de que sua filha pudesse parar nas mãos daquele homem.

"Concordo com você e eu não deixarei isso não acontecer. Deixe que eu me entenda com Rumple, mas enquanto isso se proteja.", disse a Rainha enfim, enquanto ainda segurava o frasquinho em suas mãos. "Como devemos usá-lo?".

"Ele disse em alguma joia ou roupa.", Selene respondeu, e Regina olhou para as próprias mãos e para o anel que usava em um de seus dedos.

"Bem, isso deve servir.", disse Regina, que acabara de tirar o anel de seus dedos. "Posso?", perguntou ela a garota a sua frente, que entendeu o pedido e estendeu sua mão para que a rainha colocasse o anel em seu dedo. Usando então sua magia, Regina fez com que o anel se encaixasse perfeitamente no dedo da garota. "Agora temos que tirar pra eu poder despejar a poção.", Regina disse a garota, que parecia ligeiramente distante, depois do gesto da rainha. "Algum problema?", Regina a questionou, mas não obteve uma resposta logo de cara. O que Regina teve como resposta foram lágrimas. Selene olhava para a mão na qual a rainha acabara de colocar o anel e olhava para o anel com um semblante carregado de tristeza.

"Ele jamais precisou me dar um anel para selar nosso casamento.", Selene disse, fazendo com que Regina entendesse o que estava acontecendo.

"Ele te deu mais do que um simples objeto, não foi mesmo?", perguntou Regina, colocando uma de suas mãos sobre o ventre da garota, que sorriu em resposta.

"É, ele deu sim... Ele teria sido um pai incrível.", Selene continuou. "Ele foi um homem incrível.".

"Aposto que foi. Eu jamais farei com que essa criança esqueça-se dos pais que ela teve, mesmo que ela não chegue a conhecer o seu rosto, Selene.", disse Regina e a garota sorriu para ela e permitiu que a Rainha a abraçasse. "Eu prometi tomar conta de vocês duas e é isso o que eu vou fazer.", concluiu Regina, e assim que o abraço foi quebrado, Selene entregou o anel a ela e a viu despejar o conteúdo verde sobre a joia. O objeto brilhou em resposta e passado alguns segundos, Regina o colocou de volta no dedo da garota. Não era uma proposta de casamento, nem nada do tipo, mas ainda assim era um gesto carregado de promessas a serem cumpridas e de desejos que talvez não fossem realizados.

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"Parece ótimo.", disse Belle, para o almoço que Rumple havia preparado e levado para os dois almoçarem na biblioteca. Ele fez questão de levar uma toalha quadriculada e de estendê-la sobre uma das mesas de madeira. Preparou a mesa como se estivessem em um piquenique e ele mesmo serviu Belle, que mesmo não querendo estar ali com ele, não podia negar o quanto ele se esforçava para eles darem certo.

"Bem, foi preparado com muito carinho.", ele respondeu, sentando-se a mesa. Os dois estavam sozinhos, era hora do almoço e não havia uma alma sequer naquele prédio. Eles conversaram sobre coisas banais e Belle era sempre vaga nas respostas, pois não achava a conversa assim tão interessante e também porque não conseguia parar de pensar em Ruby. "E então? O gosto estava tão bom quanto a aparência?", questionou Rumple, assim que Belle terminou sua refeição.

"Sim, estava tudo incrível. Obrigada.", respondeu ela. "Bem, eu tenho que voltar ao trabalho.", continuou, mas Rumple segurou sua mão, impedindo-a de se levantar da mesa.

"Não estou vendo muito trabalho a ser feito, não é mesmo? Por que foges de mim, minha Belle?", perguntou ele, ainda segurando a mão dela sobre a mesa – ele nem percebeu que o gesto a machucava. A garota usou toda a força que pôde para se desprender do homem, e quando se preparou para então respondê-lo, alguém entrou na biblioteca, roubado então sua atenção e deixando suas palavras no ar.

"Boa tarde, Belle.", disse a voz da xerife, que caminhou em direção a Belle, olhando atentamente para o homem que ainda estava sentado a mesa. "Está tudo bem por aqui?", perguntou a loira, provavelmente sentindo que havia uma tensão entre os dois.

"Está tudo ótimo.", se adiantou Rumple. "Não é mesmo, Belle?", continuou ele. A garota apenas concordou com a cabeça e forçou um sorriso.

"Tem certeza?", insistiu a xerife, deixando claro que agora ela estava perguntando apenas para Belle, que novamente concordou com a cabeça.

"Aconteceu alguma coisa?", perguntou Belle, se aproximando da xerife. Ela não precisava citar o nome de Ruby para que Emma entendesse o porquê do tom de preocupação.

"Não, não aconteceu nada.", respondeu Emma.

"Então o que você faz aqui, xerife Swan?", era Rumple novamente. Emma revirou os olhos, ignorando a pergunta do homem, que lhe tirava dos nervos.

"Granny vai fazer uma festa de boas vindas para Ruby e estou aqui para te convidar.", disse Emma, e isso fez com que Belle sorrisse, mas no mesmo instante o sorriso foi apagado, quando Rumple se levantou e caminhou em sua direção. Emma olhou para o homem que mancava a sua frente e para sua bengala, e em seguida ela olhou para Belle, que ele tinha envolvida em um dos braços.

"Ela já tem planos para hoje à noite.", ele respondeu em um tom seco.

"Ah é?! E quais são eles?", questionou Emma.

"Bem, ela e eu vamos jantar em nossa casa e o que faremos depois não te interessa. Além do mais, não entendo a necessidade de fazer uma festa pra essa garota. Não é como se ela tivesse passado uma temporada na Europa.", Rumple retrucou, em um tom de voz coberto de sarcasmo e irritação.

"Eu acho que eu tenho o direito de tomar minhas próprias decisões.", respondeu Belle, soltando-se do abraço que Rumple a mantinha. "Eu posso passar apenas algumas horas na festa e volto antes do jantar.", ela continuou, olhando para Rumple, que parecia explodir de ódio a qualquer momento.

"Ou vocês dois podem ir.", Emma interrompeu, pois sentiu que Rumple não estava gostando nada do rumo que a história estava tomando. "Tenho certeza que você será muito bem recebido.", ela continuou.

"Bem recebido não quer dizer bem esperado.", contestou Rumple, que já estava de saco cheio de Ruby ficando em seu caminho.

"É o melhor que posso te oferecer.", retrucou Emma. "Bem, eu vejo vocês mais a noite. O convite já está feito. Até mais.".

"Obrigada, Emma.", disse Belle, que acompanhou a xerife até a saída.

"Você vai ficar bem com esse cara?", perguntou Emma em um sussurro.

"Já enfrentei monstros piores.", ela respondeu, soltando uma breve risada. Emma olhou para Rumple e depois para a garota a sua frente.

"Monstros fazem seu tipo, não é mesmo?", questionou Emma.

"Talvez.", Belle respondeu. "O que faz o seu tipo, Emma?", ela perguntou a xerife, que foi pega de surpresa com a pergunta.

"Eu realmente não sei.", foi tudo o que Emma conseguiu responder. "Acho que ainda não encontrei alguém que realmente faça meu tipo.", concluiu ela. Belle sorriu em resposta, antes de respondê-la.

"Bem, você é uma princesa, tenho certeza de que deve ser bem difícil achar alguém no seu nível.".

"Não sou assim tão princesa, sou a pessoa mais desajustada que eu conheço.", respondeu Emma.

"Mas eu tenho certeza de que você um dia vai achar alguém tão desajustada quanto você. Então tudo fará sentido.", completou a garota.

"Certo. Mas eu não contaria com isso. Até mais a noite, Belle.".

"Até mais, Emma.", concluiu Belle, fechando a porta atrás de si e olhando para Rumple, que havia ficado exatamente onde ela o havia deixado.

"Sobre o que falavam?", perguntou o homem, assim que Belle se aproximou dele.

"Sobre como as pessoas podem ser completamente desajustadas e ainda assim perfeitas na vida de alguém." Ela respondeu para ele.

"Como eu e você éramos.", ele pensou, mas o que respondeu foi apenas um: "Entendo, Belle.", e se despediu dela com um beijo na testa, dizendo que a veria mais tarde.

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A Rainha não se deu ao trabalho de bater na porta do Senhor das Trevas e anunciar a sua chegada, assim como também não se deu ao trabalho de virar a maçaneta. O que ela fez foi simplesmente usar sua magia para abrir a porta, e entrou com uma fúria tão descontrolada que Rumple precisou de alguns segundos para entender o que estava acontecendo.

"A que devo a honra da sua visita?", perguntou ele em um tom de deboche para a mulher a sua frente – ele sabia bem o porquê dela estar ali. Ela fechou a porta atrás de si, com a mesma fúria que usara para abri-la. O barulho da porta batendo chamou a atenção de Belle, que se encontrava em seu quarto no primeiro andar. A garota saiu de seu quarto às pressas e desceu as escadas o mais rápido que pôde, mas jamais chegou ao último degrau. Regina caminhou em direção de Rumple e com um de seus braços estendidos ela impedia que Belle continuasse.

"Volte para o seu quarto, Belle. Essa conversa é privada.", disse a rainha, seu tom de voz coberto de ódio, enquanto ela se aproximava cada vez mais de Rumple, que não mexeu um músculo sequer.

"Rumple? Está tudo bem?", perguntou Belle em um tom preocupado, e Rumple apenas confirmou que sim e disse para ela ouvir a rainha.

"Que diabos de acordo foi esse que você fez com a garota?", perguntou Regina, o mesmo tom de ódio na voz, mas dessa vez em um sussurro, pois não queria que Belle ouvisse a historia.

"Bem, toda magia vem com um preço.", respondeu ele. Seu sotaque e seu sorriso debochado encheram a rainha de um ódio que só fazia crescer dentro dela.

"Você não tem escrúpulos mesmo, não é?", perguntou a rainha. "Ela precisa de ajuda e está esperando um bebê!"

"A segurança da garota não me diz respeito. Agora que você já liberou sua fúria, me dê licença, eu tenho que me arrumar. Vou sair com Belle essa noite.".

"As suas saidinhas também não me interessam, então guarde seus comentários pra você. Ela usou a poção, mas devo te dizer que você jamais terá a criança.".

"Um acordo foi feito.", disse Rumple, em um tom seco. Regina simplesmente ignorou e se colocou a andar em direção à saída. "E como você pode me direcionar tamanhas palavras? Chega a ofender, sabia? Eu dei a ela exatamente o que ela me pediu. Uma poção de proteção. Muito valiosa, diga-se de passagem. Acredito que eu cobrei o preço justo, já que eu não posso extrair mais nada dela, não é mesmo?".

"A criança me pertence.", disse a rainha, virando-se para ele.

"Não. Não pertence.", Rumple disse, aproximando-se dela a ponto de não deixar nenhum espaço entre os dois. "Você acha que pertence, você quer que ela pertença, mas não. A criança é minha por direito. Já que ela usou a poção. E eu a terei de alguma forma ou de outra. Porque minha magia, Regina, é muito mais poderosa que a sua.".

"Nós veremos isso.", Regina respondeu de volta, seus dentes semicerrados e seu ódio querendo dominar cada célula de seu corpo. Em seguida, ela se virou novamente e caminhou em direção à porta, batendo-a novamente assim que saiu.

"Nós podemos fazer outro acordo, porém.", ela se virou para a voz do homem que acabara de se materializar em sua frente. "Sabe, eu não vejo muita vantagem de ter um bebê, levando em conta que eu tenho minha própria garota e até onde eu sei, diferente de você...", ele continuou, com um sorriso no rosto enquanto apontava de cima a baixo para a Regina com um de seus dedos. "Diferente de você, eu acredito que ela não seja infértil.".

"Mas do que adianta se ela não te ama?", retrucou a Rainha, em um tom de deboche. O sorriso do homem sumiu e mais uma vez ele se aproximou da rainha, quebrando a distancia entre eles.

"Você quer o novo acordo ou não?", perguntou ele, em um tom sério.

"E qual seria ele?".

"Bem, de fato Belle não me ama mais. Mas eu realmente acredito que amor se constrói. Ela aprendeu a me amar quando eu ainda tinha uma aparência de uma fera. O que a impede agora?".

"Outra fera.", respondeu Regina, rindo da desgraça do homem que um dia fora seu mestre.

"Por pouco tempo, é isso que eu quero que você faça. Tire Ruby do meu caminho.".

"Você perdeu a cabeça?", perguntou a rainha, completamente indignada com a sugestão do homem. "Eu acho que você estava lá comigo, quando eu aprisionei a estrela para que ela curasse Ruby! Então você agora quer que eu simplesmente tire a vida da garota? Porque diabos você mesmo não faz isso?".

"Ficaria muito obvio não é mesmo? Se a garota simplesmente morresse pelas mãos de um homem.", respondeu ele, em um sussurro. "Existe apenas duas maneiras de matar um lobisomem.".

"Sim, a bala de prata e arrancando a cabeça dela. Eu não farei nenhum desses métodos!", continuou a rainha. "Eu estou querendo mudar pelo meu filho!".

"Você não precisa fazer nada, minha rainha.", respondeu Rumple. "Mas Selene pode...".

"Selene?! Selene não mataria nenhuma mosca!".

"Isso eu sei, mas o lobo dela, por outro lado, parece ser bem incontrolável, não é mesmo? Veja só, resolveríamos dois problemas de uma vez. O de Selene e o meu.", continuou o homem, completamente excitado com seu plano de tirar Ruby do caminho. "Você pede para a estrela usar o lobo dela para matar a Ruby e em troca você pode ficar com o que quer que aquela garota carregue no ventre.", concluiu Rumple, e estendeu sua mão para que Regina concluísse o acordo. Regina olhou para a mão do homem e depois para seus olhos e se aproximou dele o mais perto que pôde a fim de falar a seus ouvidos.

"Seu problema é bem maior do que Ruby, Rumplestiltskin... Seu problema é um vazio enorme que você carrega em seu peito e quem sabe até em sua mente. Você é um doente incorrigível.", e dizendo isso ela deu um passo pra trás e o olhou nos olhos. "Eu tenho pena da Belle e só digo algo: seu filho teve sorte de ter saído sua vida quando teve a chance.", concluiu a rainha e desceu as escadas da varanda de Rumple, caminhando em direção ao seu carro. "Anote minhas palavras, Rumple: Você não terá essa criança!", disse ela entrando em seu carro.

"Ah não, minha Rainha... Quem não terá essa criança é você.", disse Rumple, para si mesmo, enquanto via o carro de Regina desaparecer na noite.