Livro 10
Faça um Pedido
Era noite, se é que poderia ser chamado de noite quando se estava parado num ponto longínquo do universo. As portas da Tardis estavam abertas e uma única pessoa olhava para o lado de fora, sentada com os pés tocando o infinito abaixo da nave, na beirada daquele abismo. Estrelas sumiam, estouravam, meteoros dançavam, nuvens e galáxias inteiras brilhavam em um verdadeiro espetáculo cósmico de cores. Mas ela ficava lá, sozinha, deleitando-se, enquanto ele apenas a observava a uma certa distância, parado junto aos controles de sua nave.
- Time Lords não dormem nunca? - Ela o notou e perguntava sem nem ao menos olhá-lo.
- Nós precisamos de muito menos tempo do que os humanos - ele respondeu aproximando-se.
- Isso explica porque nunca consegui dormir mais de quatro horas em uma noite.
- Você ainda tem traços da genética humana.
Ela não falou mais nada, ainda observando as estrelas. Seu tempo não era exatamente tanto quanto gostaria e precisava aproveitar enquanto o tinha. Todo o tempo do mundo, sua imortalidade, não lhe pertencia mais desde o dia em que a entregara para aquele homem.
- Vê aquelas estrelas ali? - Ele perguntou sentando-se ao lado dela, na ponta da nave. - Formam todo um sistema solar, é o lar de várias raças, os Klepiturianos, os Zarkhan, Varkaran…
Era bonitinho vê-lo sendo inteligente e ela fingia bem prestar atenção. Sabia de todas aquelas informações, mas também gostava de como ele ficava feliz em se mostrar conhecedor dos mistérios do universo. Foi quando ele percebeu isso que apenas a puxou para seu peito, recostando-se no vão das portas e a abraçando. Ele simplesmente compreendia que chegava a hora de se despedirem mais uma vez, sem saber quando tornaria a vê-la novamente.
- Você poderia viajar comigo - ele a convidou mais uma vez.
- Eu não posso e você sabe disso. Não deve ser assim, está em seu passado e em meu futuro - ela respondeu de uma forma um tanto sombria.
Houve novo silêncio, no qual um cometa passou até próximo de onde estavam.
- Faça um pedido - ele disse. - Não é assim que falam na Terra?
Ela riu, era uma tradição boba, mas fez assim mesmo. Enquanto repetia mentalmente, de olhos fechados, ele a beijou no rosto e sussurrou duas palavras em seu ouvido.
- Acabei de te dizer o meu nome. Dessa vez o meu nome de verdade, esposa - ele explicou.
Seus olhos nunca brilharam tanto e ele parecia até uma criança envergonhada com a demonstração de afeto. Ela então encostou a cabeça no ombro dele, finalmente exibindo um sorriso.
- A única situação em que posso e devo revelar o meu nome, é para realizar um casamento, e você é a minha esposa. Então, por favor, fique comigo, não retorne para Stormcage - pedia apertando-a mais uma vez.
Mas ela não respondeu. Stormcage era o seu lar e a sua punição, a qual ela mesma se condenara. Era o que merecia, depois do que fizera a ele, ainda que contra sua vontade.
- E qual o nome daquela estrela, marido? - Perguntou apontando em uma determinada direção, mudando de assunto propositalmente para algo mais leve.
Ele sorriu sem que, no entanto, lhe chegasse aos olhos, e começaram a falar de estrelas e civilizações distantes, tudo para tornar aquele momento o mais perfeito possível e memorável para ambos.
De longe, Amy e Rory observavam, parados no corredor.
- Ela está feliz - disse a ruiva com imensa tristeza. - Mesmo depois de tudo que fizemos, ela conseguiu ser feliz.
