Capítulo 10 – O Visitante - Arizona Robbins
Pelas minhas contas hoje estou entrando no terceiro mês de gestação, até o momento tudo está correndo bem sem sangramentos e com muitos enjoos matinais e muita fome, de doce principalmente, noite de sexta- feira sai mais cedo do trabalho peguei Sofia na creche e vim para casa fazer um jantar especial para Callie, quando ela entra pela porta acompanhada de Owen Hunt, a primeiro momento fiquei chateada porque planejava uma noite quente depois do jantar, olhei para ele e notei sua aparência, estava tão abatido que parecia não comer e dormir por dias senti pena do nosso chefe de cirurgia, depois Callie me contou que seu turno tinha acabado ás dezoito horas, mas meia hora antes ela e Hunt foram chamados para uma emergência pelo jeito a cirurgia foi longa. Segundo Callie depois de muito trabalho eles conseguiram estabilizar o paciente, ela estava se preparando para chamar um taxi quando Hunt lhe ofereceu uma carona.
– Hey, chamando um taxi?
– Sim, Arizona foi embora no carro.
– Quer uma carona?
– Sério eu quero, mas não vai te desviar do caminho para casa até ao meio da floresta?
- Não se preocupe, estarei bem.
Owen estava morando no traller do Derek e lá era muito frio, no trajeto até nossa casa ele a contou que tinha terminado com Emma que ela era muito especial, mas que ele ainda amava Cristina e que não estava mais suportando sua ausência. Quando pararam na nossa porta Callie com pena do amigo disse.
– Você está parecendo um lobo solitário e faminto, lá dentro é quente e tenho certeza que tem comida, quer jantar conosco?
– Estou bem não quero atrapalhar.
– Acredite você não atrapalha será um prazer ter você para o jantar.
Ele aceitou, Callie como sempre anunciou que estava em casa e Sofia saiu correndo pulando no seu colo.
– Mama senti saudades.
– Eu também mi hija, diz oi para tio Owen.
– Oi Tio Owen.
Owen era muito bom com crianças seria um bom pai, a pegou dos braços de Callie e lhe deu um grande abraço apertado a erguendo ao alto a fazendo rir, Sofia adorava isso.
– Arizona, temos convidado para o jantar.
– Hey Owen seja bem vindo em nossa casa e fique a vontade, estou terminando o jantar aceita uma bebida?
– Se vocês tiverem um whisky eu aceito estou com muita sede de uma bebida forte.
Ele tirou o casaco e pendurou no armário de entrada, e sentou-se no sofá onde Callie lhe serviu um Whisky.
– É uma bela casa Torres.
– E grande.
– E grande, pretendem encher com crianças e animais?
– Talvez mais umas duas crianças e um cachorro.
– Sabe ando pensando em comprar uma casa e ter filhos e cachorros, Emma seria perfeita ela quer ter uma casa cheia de crianças, mas não a amo, e não posso condená-la a um casamento fadado ao fracasso, Cristina eu a amo e ela não quer ter filhos. Então acho que vou me tornar um pai solteiro, me candidatei para adoção ha três dias, preciso comprar uma casa. Aqui parece ser um bom bairro será que tem uma casa aqui perto poderíamos ser vizinhos.
– Isso é uma grande coisa se tornar um pai solteiro.
– Vocês acham que vou ser um bom pai? Será que o serviço social vai me aceitar?
– Você é um bom homem Hunt com certeza será um bom pai para qualquer criança.
– Mark Sloan conseguiu ser pai solteiro então acho que consigo, bem que ele tinha vocês duas.
– Você conseguirá também. E se precisar de ajuda estamos aqui pode contar conosco.
Enquanto jantávamos, ele nos confidenciou estar dormindo com Cristina Yang só que sem compromisso acertado, eles estavam tendo apenas sexo, um bom sexo, mas somente sexo, foi ai que entendemos o que se passava com nosso amigo. Era triste ver um homem como Owen Hunt perdido e solitário daquele jeito, ele foi nosso hóspede naquela noite depois de beber quase meia garrafa de Whisky, Callie e eu não o deixamos sair de nossa casa.
– Torres eu sou capaz de dirigir até o Traller não é tão longe assim.
– Sabe o que penso que você precisa passar a noite aqui e ter um bom café da manhã antes de ir para o hospital amanhã, então não tem desculpa suas chaves estão confiscadas temos um quarto de hospede quente e com uma cama confortável, você tem duas opções ficar ou ir de taxi.
E foi assim que Hunt passou a noite em nossa casa o que foi bom porque quando estava indo para o hospital na manhã seguinte depois de um excelente e animado café da manhã com minha família ele viu uma casa na outra rua da nossa Á venda e se apaixonou imediatamente por ela.
Os dias passaram e eu me sentia cada vez mais enjoada, faminta e sonolenta, meu Page tocou ás quatro horas da madrugada eu não pude acreditar, Callie precisou me sacudir.
– Arizona é seu Page é 911, você precisa responder.
– Droga não é possível que Karev não possa resolver, sou uma mulher grávida e cansada.
– E também uma cirurgiã de bebês Rock Star, então levante e vai salvar a vida de mais um bebê.
Eram oito horas da manhã quando sai da OS estava exausta e faminta, recebi uma mensagem de Callie dizendo que já estava no hospital e tinha trazido meu café da manhã e me esperava na sala dos atendentes, não pensei duas vezes, dei a notícia à família do bebê e fui me encontrar com minha esposa. Callie estava no vestiário se arrumando. Me aproximei e a ajudei a terminar de colocar o jaleco branco e a puxei pela gola para um intenso beijo de bom dia que só terminou por precisarmos de ar.
– Nossa é o melhor bom dia da minha vida.
– Não seja boba.
– Trouxe o seu café, pão com queijo branco e aquela geléia gosmenta que você gosta e um cappuccino descafeinado.
– Obrigada. Peguei a vasilha abri e cheirei estava maravilhoso e a fome só aumentou.
– O que foi sua emergência?
– Uma grávida de dezesseis anos brigou com o namorado foi subir as escadas correndo caiu rompeu o baço e teve um bebê prematuro que não está muito bem.
– E como você está se sentindo em relação a isso?
Callie parecia preocupada, olhou pra mim como se eu fosse surtar a qualquer momento ai então lembrei: estou grávida de dois meses eu havia me esquecido disso.
– Eu estou bem Callie, quando estava na OS com aquele bebê fiquei pensando em Sofia, eu pedi a Deus para que ele tivesse a mesma sorte de nossa filha de conseguir sobreviver e ter uma vida saudável.
Agora foi Callie que me agarrou em um beijo quente me empresando na parede e já enfiando a mão por baixo da minha blusa para alcançar meus seios. Quando fomos interrompidas por uma voz.
– Vocês não tem outro lugar para fazer isso?
– Miranda Bailey!
Falamos juntas, eu me escondi no pescoço de Callie rindo enquanto ela explicava.
– Não, está proibido de fazer isso nos quartos de plantão você não recebeu o memorando da diretoria?
– Vocês são a diretoria, então a ordem vem de vocês.
– Na verdade alguém ameaçou processar o hospital por condutas indecorosas dos profissionais dessa instituição. Então a ordem não foi uma escolha e sim uma imposição.
– Ai vocês, Shepherd e Grey, Avery e Kepner, Yang e Hunt acham que aqui é lugar para isso agora.
– Miranda não seja tão dura com as meninas, querida.
Ben saiu de trás dos armários arrumando suas roupas ela agora é residente de cirurgia e passava a maior parte do seu tempo no hospital.
– Nós estamos é atrapalhando vocês dois, isso sim, Miranda Bailey!
– Isso é culpa de vocês que criaram essa regra estúpida e se vocês não tem o que fazer eu tenho que ir salvar vidas e sou casada com um residente de cirurgia que tem praticamente morado nesse hospital.
Bailey saiu e ficamos os três rindo da cena.
– Bem eu preciso ir também tenho uma consulta em exatamente um minuto, seu page começou a tocar.
– E não se esqueça, é seu dia de levar Sofia na aula de dança.
– Não me esquecerei.
Callie me beijou e saiu pela porta, então fui comer meu café da manhã e visitar minha filha na creche já que ainda não a tinha visto esta manhã.
Estava me preparando para o almoço quando meu page tocou e sai em direção ao PS, um trauma muito crítico, uma garota de 12 anos que foi encontrada em um canteiro de obra por alguns trabalhadores, ela havia sido brutalmente espancada. Os paramédicos já entravam no PS com a garota, quando eu, Avery e Murphy chegamos.
– O que temos?
– Menina aparenta doze anos, brutalmente espancada e possivelmente sofreu abuso sexual, encontrada num canteiro de obras é uma sorte ela ainda estar viva.
– Leve a para o trauma um, Avery gritou.
– Chame Torres e Shepherd ela tem ferimentos na cabeça e parece ter ossos quebrados.
De repente a sala estava cheia de pessoas.
– Quem são essas pessoas? Quero todos fora daqui. - gritei
– Somos policiais Dra. e precisamos pegar as provas, esta pode ser uma garota que desapareceu ontem de manhã na porta do colégio.
– Esperem lá fora, primeiro temos que salvar sua vida. Preciso de ajuda aqui alguém chame Karev e Kepner, esta menina tem muitos ferimentos internos e uma enorme hemorragia, vamos leva-la imediatamente para OS, quando apertei a barriga da garota ela vomitou toda em mim um líquido branco viscoso, passei mão por aquilo e perguntei.
– O que é isso?
– Não sei, mas parece esperma. Avery respondeu meio sem jeito.
Passei a mão pela gosma branca na minha roupa e imediatamente senti meu estomago revirando e corri a lixeira mais próxima e vomitei tudo que tinha no estomago. Todos no PS ficaram me olhando com cara de não entendi nada, principalmente Bailey que não perdeu um flash de nada do que acontecia.
Fizemos tudo que estava ao alcance da medicina para salvar a vida daquela criança ali na mesa de operações e não conseguimos. Estávamos eu, Karev, Shepherd, Kepner, Avery e Callie na OS, quando seu pequeno coração parou, eu ainda tentei e tentei reanimá-la de todas as formas e já estava exausta de fazer compressão em seu peito, quando uma mão tocou meu ombro e disse.
– Robbins, pare não podemos fazer mais nada, ela se foi.
Era Karev eu levantei minha cabeça e olhei para todos na OS, Callie, Kepner e Shepherd e algumas enfermeiras choravam, somente quem era pai entendia o que estava acontecendo ali, sai da sala eu precisava de ar, você deixa sua filha de doze anos na porta da escola e por algum motivo ela sai com desconhecidos e é brutalmente violentada, torturada, espancada e morta. Ai você pensa em seu bebê que está na creche e no que ainda nem saiu da sua barriga e sente a dor daqueles pais.
– Hey você está bem?
Ouvi a voz de Callie me perguntando ela colocou a mão no meu ombro, eu estava encosta na parede o ar me faltava e as lágrimas escorriam pelo meu rosto eu a abracei eu precisava sentir o calor do seu corpo pelo menos por alguns instantes.
– Não, preciso ir dar a notícia à família.
– Iremos todos juntos.
Derek que veio logo atrás com seus olhos visivelmente vermelhos pelas lágrimas nos disse.
Demos a notícia à família e foi horrível, esse trabalho às vezes é uma droga, precisei ir ver minha filha na creche abraçá-la e a noite não conseguia dormir até busquei Sofia e a pus para dormir em nossa cama. Callie também não conseguia dormir depois de checar as portas e janelas pela terceira vez ela se deitou.
– Hey quer conversar?
– Não consigo dormir, eu fecho os olhos e fico vendo aquela criança, não consigo desligar eu sempre consigo, mas hoje não estou conseguindo, fico pensando na dor dos pais e no que ela passou.
Então Callie começou a conversar comigo tentado desviar meus pensamentos.
– Arizona!
– Aham!
– Já imaginou a carinha do nosso bebê?
– Ainda não, como você imagina? Será que vai ser um menino ou uma menina?
– Não sei, mas isso não importa, eu o imagino com os olhos azuis e brilhantes, iguais os da mãe e com esse narizinho empinado achando que é o "ser da razão" e com um sorriso mágico de covinhas.
– Eu não tenho o nariz empinado de "ser da razão".
– Ah! Tem sim.
– Não tenho não.
Enquanto conversávamos ríamos Callie segurava a minha mão por cima do corpinho de Sofia que dormia tranquilamente no nosso meio.
– E se ele nascer com essa sua arrogância, Deus vamos ter problemas.
– Eu não sou arrogante.
– É sim.
– Não sou não.
– Callie,
– Oi.
– Ele vai ser perfeito de qualquer jeito.
– Sim vai ser perfeito, é o que importa ele ser perfeito e feliz.
Demos um beijo de boa noite por cima de Sofia e ficamos cada uma com seus pensamentos até dormir.
Uma semana depois que ocorreu o episódio da garota ainda estávamos na paranoia com Sofia, Callie ainda checava as portas e janelas mais de uma vez quando estávamos em casa e não deixávamos Sofia perto de estranhos.
