Oi galera! Desculpe a demora. Tive que parar a Fic devido a problemas familiares, porém, já estou de volta. Espero que gostem.
Na manhã seguinte, Bella e Victória correram lado a lado. Bella observava com admiração a bola vermelha que era o sol coroando o lago azul brilhante.
- Acho que nunca vi um nascer do sol, ela murmurou enquanto corriam.
Victória olhou para ela com surpresa.
Encontraram-se antes da aurora em frente ao prédio onde ficava a cobertura de Edward. Bella tinha deixado a mochila com suas coisas para o trabalho com o porteiro, e Victória e ela saíram juntas sob a luz pré- aurora. Era a primeira vez que se encontravam para correr e a parceria estava dando certo.
- Sério? Primeira vez?
- Eu já vi o sol nascer, sim, claro, disse Bella. Notou a expressão confusa de Victória diante da contradição. - Desculpa. Acho que estava pensando em voz alta. Eu só estou me sentindo realmente acordada hoje. Bem. É como se eu já tivesse olhando para um sol nascendo antes, mas nunca tivesse realmente visto. - Você já se sentiu assim?
Os olhos de Victória estavam distantes. - Sim. Acho que sei do que está falando. Lembro uma manhã em Paris. Era como se a luz do sol estivesse batendo no mundo de uma maneira que fazia tudo brilhar. Tudo parecia novo. Como se notasse seu ar sonhador, deu um olhar pesaroso. Bella devolveu um sorriso reconfortante.
- Engraçado você se sentir mais viva do que nunca em Paris. Era onde eu me sentia mais morta. Victória a olhou, inquisidora.
-Tenho a impressão, por conta de umas coisas que você já contou, que tinha uma vida muito... privilegiada lá.
- Mas também muito vazia.
- E você está mais feliz agora, Victória mais afirmou do que perguntou, o olhar fixo no perfil de Bella.
- Sim. Ah, sim.
Victória virou-se para olhar o nascer do sol. Por alguns instantes, apenas o som das ondas fracas, o bater das sopas no cimento e o barulho do trânsito ao longe atingiram os ouvidos de Bella.
- Você tem razão. Victória sorriu. - Este sol nascendo tá espetacular. Valeu por avisar.
- De nada, disse Bella, sorrindo de volta.
- Você parece estar gostando muito de...Chicago, disse Victória. Bella levantou a sobrancelha diante do sorriso entendedor da mulher. - Você tem planos de ficar depois de acabar o estágio?
- Esse é meu objetivo, sim. Tenho uma ideia. Uns planos.
- Que planos?
Bella hesitou, tentada a ser honesta com a curiosidade sincera de Victória. Gostava dela, instintivamente se sentia confortável com ela. Ainda assim... não tinha coragem de revelar a ninguém. Suas aspirações secretas faziam com que se sentisse muito vulnerável.
- Tenho essa ideia de abrir um restaurante diferente, focado em pessoas que estão se recuperando de algum vício. Não apenas essas pessoas, claro, qualquer pessoa poderá ir, mas com eles em mente. E não só restaurante, mas também café e clube, com música, talvez banda ao vivo, dança. É muito complicado pra pessoas com histórico de abuso de substâncias sair e se divertir sem a tentação do álcool. Ficar rodeado de bebida é um gatilho real, não apenas para alcoólatras, mas para todos os outros tipos de dependentes.
- Você parece entender bem do assunto, disse Victória com cautela.
Bella sorriu. - Não sou alcoólatra nem uso drogas, se é o que está pensando. Embora eu tenha tido minha fase de balada até o amanhecer, eu conseguia ficar longe da birita. Mas, sim, eu sei umas coisas a esse respeito. Inspirou para tomar coragem. - Tive uma grande amigo que morreu de overdose de heroína.
O passo de Victória falhou. - Nossa, que péssimo.
- Sim, foi terrível, disse Bella, respirando através da pressão repentina que lhe apertou a garganta. - Ainda é recente. Ele morreu há pouco mais de seis meses.
- Você e ele eram... - Não, Bella interrompeu, adivinhando o que Victória estava prestes a dizer.
- Éramos apenas amigos. Grandes amigos. Na verdade, foi um dos poucos amigos que tive na vida, infelizmente, ela acrescenta, trêmula. Disfarçou a descompostura com um sorriso brilhante. - Eu era péssima pra escolher amizades. Ou eles me escolhiam mal. Ou as duas coisas.
- Tenho certeza de que isso está mudando.
- Valeu, disse Bella com gratidão. - Quero pensar assim, pelo menos. Meu amigo realmente mudou a maneira como eu vejo as coisas. Não apenas sua morte, ou a percepção da fragilidade das coisas, como a vida é delicada. A vida dele me transformou. Sei que as pessoas tem uma ideia preconcebida sobre usuários de heroína, mas meu amigo não se encaixava no estereótipo de nada. Ele era único. Maravilhoso. A gente se conheceu na escola de culinária. Era o mais talentoso de todos, um verdadeiro poeta da cozinha, mas nunca hesitava em nós ajudar e dar apoio em nossas dificuldades. Mas ele tinha esse demônio. Lutava diariamente contra o vício. Todas as horas. No final, sucumbiu ao monstro, mas sua vida tinha significado. Ele teve importância. Ao menos para mim. Sua voz ficou embargada, e piscou o brilho do sol em seus olhos.
- E você quer montar esse restaurante como um tributo à vida do seu amigo?, Victória perguntou com seriedade.
- Sim. Mas mais do que isso, Bella disse baixinho. - Minha vida não estava dando em nada quando o conheci. Eu era uma concha, vazia por dentro. Posso não ter tido um demônio tão maligno quanto a heroína para derrotar, mas minha vida estava saindo do controle. Ele me transmitiu esperança... significado. Sempre serei agradecida a ele por isso.
- Ele deve ter sido muito especial.
- Foi mesmo, disse Bella, lutando contra as emoções, e as vencendo. - Por isso bolei esse plano para o restaurante. Seria ótimo. Amigos e familiares de pessoas que lutam contra o vício costumam achar que não podem levá-las para um restaurante ou pra sair, com medo de influenciar uma recaída. Seria um lugar em que poderiam ir sem preocupações. Meu amigo me contou que na reabilitação aprendeu muito sobre comidas nutritivas. O corpo dessas pessoas realmente se acaba com os químicos. Vários viram gourmet, mas não tem lugares para frequentar e celebrar o amor pela comida e jantar fora. Tudo isso acaba causando muito bem.
Bella olhou ansiosamente para Victória, preocupada que um olhar incrédulo ou condenatório silenciasse a ideia para sempre. No entanto, Victória não parecia nem um pouco desdenhosa.
- É uma ideia fantástica. Sabe para quem mais séria ótimo? Pessoas de dieta. Ou não necessariamente de dieta, mas que estejam tentando ter hábitos mais saudáveis. Você teria tudo para atendê-los. Poderiam se arrumar e exibir os corpos novos, mas não precisariam se preocupar com as calorias extras das bebidas e poderiam dançar para queimar as calorias do jantar, comentou Victória, rindo.
- Não tinha pensado nisso.
- Comedores compulsivos são dependentes também, disse Victória, seu ar de conhecimento atiçando o interesse de Bella.
- Você parece conhecer bem o assunto, disse Bella, imitando o jeito de Victoria.
- Conheço, afirmou Victória. - Eu era uma comedora compulsiva na infância. Muito acima do peso. Um dos motivos por que comecei a correr na faculdade.
- Ajudou com o vício? - Me ajudou a retomar o controle sobre meu corpo. Minha vida. Bom, eu amei essa ideia. Sabe para quem você deveria pedir ajuda? O Edward. Quando Bella não respondeu de imediato, Victória virou-se para estudá-la.
Por acaso, estavam se aproximando do prédio alto onde Edward...onde ela...morava.
- Você não acha que seria uma boa ideia? Ele tem um monte de contatos na cidade. Ele é o centro da cena noturna e de restaurantes em Paris. Ele está a caminho de se tornar uma referência em Chicago também. Algo pareceu ocorrer a ela. - Ei... você conhecia o Edward antes de vir pra cá? Você ia ao restaurante dele lá?
- Sim, já o conhecia, e acho que já fui uma vez no restaurante dele, continuou, esquiva, olhando distraidamente para o prédio de Edward. Estava pensando no que ele tinha dito na noite anterior sobre pedir o que desejava. Andava pensando muito sobre aquilo. Devia contar sua ideia a Edward? Não o tinha feito, pois se sentia vulnerável demais. Doeria ver a dúvida no rosto dele. Uma coisa era se abrir para Victória, já com o Edward, as coisas eram diferentes.
- Este é o prédio do Edward, não? Bella piscou, acordando dos pensamentos.
- Ahn...talvez. Acho que deve ser. Percebeu o olhar divertido e irônico de Victória.
- Que foi?
Victória revirou os olhos. - Qual é, Bella. Você não acha mesmo que eu vou acreditar nisso.
O coração de Bella pareceu correr à sua frente. Quase tropeçou.
- Porque não?
- Observei que vocês têm uma química bem forte. Victória olhou com o canto dos olhos e viu a colega incrédula, com a boca aberta. - Ele não tira os olhos de você sempre que está por perto.
- Ela...ela percebeu? Aí, não. Edward vai ficar tão irritado.
- Claro. Mas não tem nada de mais, né?, perguntou ao perceber a expressão pesarosa de Bella.
- Não, eu só... a gente achou que estava sendo discreto.
- Não se preocupe com isso, disse Victória em tom confidencial. -Eu não devia ter dito nada. Não é da minha conta. Mas só pra você saber: eu acho fantástico. Ele é um homem maravilhoso. Victória continuou dando um olhar de lado, agora faiscante. - É tããão lindo. E aquela voz...o sotaque, tão sexy. Bom, você tem sotaque também, então não deve achar tão sexy quanto nós, americanos, mas...
- Eu acho a voz dele sexy, concordou Bella, incapaz de se controlar. Victória sorriu.
- Estamos de acordo então. Você vai falar com ele? Sobre a ideia do restaurante?, incentivou.
Bella mordeu o lábio. - Talvez.
- Bom, se decidir falar, boa sorte. Sei que o Edward parece meio intimidador. Eu sentia o mesmo a respeito do meu marido. Eles são parecidos nesse sentido.
- Valeu. E você tem razão quanto à questão da intimidação. Acho que preciso de mais coragem do que sorte, ela murmurou entre-dentes.
Ainda mais porque ela queria ser honesta com Edward não só a respeito de sua ideia do restaurante. Queria seguir o conselho dele e contar o quanto o desejava...o quanto queria se submeter a ele. Colocar um desejo tão frágil e vulnerável em palavras era um dos desafios mais difíceis que já tinha enfrentado.
