Only Time III
Dama das Rosas
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Eurin, Alister e Eraen são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 10: Eu te amo...
.I.
Mais um dia de treinos começava, a rotina seria a mesma de todos os dias, isso é claro, se aquela pequena reunião na arquibancada fosse ignorada.
-Ele esta avoado demais; Cadmo comentou com Aaron e Shaka que estavam sentados a seu lado.
-Realmente, faz mais de duas semanas que vejo ele assim; o aquariano ressaltou.
-Deixem ele, deve ser fase; Shaka desconversou, embora soubesse perfeitamente o motivo disso.
Mal o virginiano falou isso, Alister deixou seu treinamento com Miguel de lado para aproximar-se do grupo, que não era nem um pouco discreto ao falar da desatenção do pisciano;
-Bom dia; Alister os cumprimentou, aproximando-se visivelmente animado.
-Bom dia; os três responderam, trocando um rápido assentimento, para mudarem de assunto.
-Que cara é essa Cadmo? –o pisciano perguntou franzindo o cenho.
-Nada não; ele apressou-se em responder.
-Fala sério, será que não tem alguém que não seja idiota nesse lugar, para me dar uma informação? –uma voz feminina chamou-lhes a atenção.
Automaticamente os quatro viraram na direção da voz e até Shaka quase abriu os olhos tamanha sua surpresa.
-Eurin! –Alister murmurou surpreso.
A cor dos olhos e cabelo era idêntica aos da amazona, mas a estatura não, o que indicava que a garota a sua frente era mais nova. Aimê; ele pensou, lembrando-se da conversa que tivera com Eurin e a mesma lhe contara sobre a irmã mais nova.
-Então, vão ficar com cara de idiotas até quando? –Aimê perguntou voltando-se para os três cavaleiros com um olhar cortante, menos para o loiro que de certa forma simpatizara com ele, ele não fazia o tipo pervertido; ela concluiu de imediato.
-Ahn! Quem é a figurinha? –Cadmo perguntou, voltando-se para os demais.
-O que disse? –a garota perguntou serrando os orbes de maneira perigosa, fazendo o Escorpião esconder-se atrás de Aaron, mais como instinto do que como auto-defesa.
-Ela me lembra alguém; Aaron falou pensativo.
-Pra agir assim, só se for...; Cadmo começou, mas outra voz o cortou.
-AIMÊ!
A garota de pouco mais de seis anos virou-se imediatamente...
-MANA! –ela exclamou animada, correndo até a amazona sob o olhar curioso dos cavaleiros.
-'Então é ela mesma, nunca pensei que fossem tão parecidas'; Alister pensou, seguindo a garotinha com o olhar, vendo-a correr abraçar a amazona.
-Se uma Eurin nesse santuário já é fogo, o que dirá de uma miniatura; Cadmo brincou, tirando um leve riso de Aaron, porém os dois sentiram o corpo congelar diante do olhar envenenado de Alister sobre eles. –O que foi? –o Escorpião perguntou encolhendo-se pela segunda vez só naquela manhã.
-É melhor tomar cuidado com o que fala; o pisciano avisou em tom mortal, enquanto afastava-se para falar com Giovanni que estava conversando com Eraen e Ares do outro lado da arena.
-Ih! Sempre isso? – Cadmo perguntou, voltando-se para Aaron que deu de ombros.
-o-o-o-o-o-
-O que esta fazendo aqui? –Eurin perguntou surpresa ao ver a garotinha saltar, agarrando-se a seu pescoço, quase levando a ambas ao chão.
-Vim lhe visitar, ou não posso? -Aimê falou com ar angelical, enquanto era colocada no chão pela irmã visivelmente envergonhada com a demonstração publica de afeto.
-Você está aprontando alguma coisa; ela falou fitando-a desconfiada.
-Bem...; a garota de orbes amendoados começou, fitando o céu por alguns segundos, como se buscasse a melhor forma de começar a explicar. –Vim passar uma temporada com você;
-O QUE? –o gritou de Eurin fez até algumas colunas tremerem.
.II.
-Nossa, o que será que aconteceu? –Eraen perguntou para os dois cavaleiros a seu lado, ao verem Eurin deixar a arena levando a garotinha 'saltitante' consigo.
-Vai entender; Giovanni falou indo sentar-se ao lado da jovem de melenas lilases, mas deteve-se diante do olhar envenenado de Ares.
-O que foi? –ela perguntou vendo o olhar envenenado que os dois cavaleiros a seu lado trocavam.
-Nada, não; Ares falou com um sorriso pouco convincente, passando o braço sobre o ombro dela, puxando-a para longe do italiano.
-o-o-o-o-o-
Sentou-se em um banco em baixo de uma árvore na entrada do vilarejo das amazonas. Passou a mão nervosamente pelos cabelos, enquanto a garotinha a seu lado, fitava-a curiosamente.
-Me explica isso direito; Eurin pediu, tentando manter a calma.
-Eu fugi de casa, só isso; Aimê respondeu com simplicidade. –Não tem tanta teoria se formos analisar; ela completou, sem esconder em seu tom de voz, o sarcasmo certamente herdado da mais velha.
-Fugiu de casa, mas e 'seus' pais? –a amazona perguntou, fazendo questão de deixar alguns pontos claros ali.
-Queriam me mandar para um colégio interno na Suíça, onde eu seria para ser ter uma cabeça de vento como a mamãe e ser tão tapada quanto papai, ai sim, eu seria a 'nobre' prefeita; a garotinha respondeu gesticulando calmamente, como se fosse um adulto a expor suas irritações para com a sociedade patética de sua época.
-O que? –Eurin perguntou, virando-se abruptamente para ela.
-Isso mesmo, eu disse que não iria e eles queriam me obrigar a ir para lá, ainda mais quando disse que queria me tornar uma amazona; ela explicou.
-Isso não é pra você; a mais velha falou.
-Foi o que eu disse para eles; Aimê ressaltou veemente.
-Não, estou falando dessa vida, isso não é pra você; Eurin corrigiu.
-Mas eu quero; a mais nova rebateu com um olhar determinado.
-Entendo que você esteja irritada com 'seus' pais, mas...;
-Você também; Aimê a cortou.
-Uhn?
-Você diz 'seus' e não 'nossos', eles também são seus pais e você não quer mais nada com eles, por quererem te obrigar a fazer coisas que você não quer, da mesma forma que estão fazendo comigo; a garotinha falou, com um olhar triste. –Eu não tenho mais ninguém alem de você, não posso voltar para lá;
Parou por um momento, respirando fundo, já tinha planos de levar a irmã para morar consigo, mas tinha aquela maldita estipulação de Shion para esperar um mês, se bem que, desde que conversara com ele, agora faltava apenas uma semana.
Poderia falar com ele e pedir para que Aimê ficasse consigo essa semana e ir para Gothland, na casa que Isabel lhe dera para quando fosse sua vez de treinar um sucessor que usasse aquele lugar, enquanto fosse necessário.
É, essa seria a melhor coisa a se fazer; ela pensou.
-Você já almoçou? –Eurin perguntou, voltando-se para ela.
-...; Aimê deu um aceno negativo.
-Vem, vamos pra casa, depois eu vou falar com Shion pra você ficar comigo pelo menos essa semana, antes de irmos embora; ela falou, levantando-se.
-Ir para onde? –a garotinha perguntou confusa.
-Eu pedi a ele no começo do mês para lhe treinar como amazona, assim você poderia ir morar comigo; Eurin explicou.
-Sério? –Aimê perguntou animada.
-...; Eurin assentiu, silenciosamente, ainda questionando-se sobre algumas coisas.
-OBRIGADA! –ela gritou lançando-se ao pescoço da amazona.
-Ta, ta; a amazona balbuciou, abraçando a pequena.
.III.
Olhou para os lados, vendo se não estava sendo seguido ou coisa parecida, caminhou pelo extenso caminho do bosque, precisava chegar de maneira discreta ao vilarejo das amazonas.
Queria conversar com ela, saber o que estava acontecendo para a garotinha ter aparecido, sentira a tensa há poucos minutos e resolvera ir atrás para averiguar o que estava acontecendo.
Logo encontrou uma casa modesta próximo ao bosque que cercava o vilarejo. Ótimo, poderia se aproximar sem problemas. Viu uma janela aberta e aproximou-se, imaginando que era provavelmente do quarto.
Aproximou-se cauteloso, olhando para todos os lados, viu do outro lado do quarto, a garotinha de melenas esverdeadas dormindo tranquilamente na cama da amazona, enquanto a mesma mantinha-se com a mascara inexpressiva a fitar algum ponto no nada, sentada na cama.
-Eurin! –Alister chamou num sussurro, ela não respondeu, viu que a mesma estava encostada na parede, será que estava dormindo? –ele se perguntou, intrigado.
Saltou a janela, aproximando-se a passos cautelosos, quando ia tocar-lhe o ombro, para chamar-lhe a atenção, sentiu a mão da amazona fechar-se com força sobre seu pulso, para em seguida, jogá-lo em direção a cozinha.
-Sou eu; ele apressou-se em dizer.
-Uhn? –Eurin murmurou, acordando completamente, surpreendeu-se ao ver o cavaleiro caído em baixo da mesa, com um olhar assustado. –O que está fazendo ai, Alister? –ela perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Se você não percebeu, foi você que me jogou aqui; o pisciano falou revoltado, indo levantar-se, mas acabou por acertar a cabeça no fundo da mesa. –Droga; ele resmungou.
-Espera, eu te ajudo, antes que você se mate; ela falou aproximando-se e lhe estendendo a mão, mas antes que ela pudesse dizer algo, Alister puxou-a para baixo, fazendo-a cair sobre o mesmo. –Hei! Que id-...;
-Você sentiria falta? –Alister perguntou, enlaçando-a pela cintura.
-Do que? –Eurin perguntou, tentando se afastar, mas sentiu-o estreitar os braços ainda mais em sua cintura, mantendo seus corpos completamente colados, numa situação difícil de ser explicada para algum espectador.
-De mim? –o cavaleiro perguntou, fitando-a intensamente, enquanto tocava-lhe a face prateada com suavidade.
-Alister; ela balbuciou, tendo os pensamentos obliterados de sua mente quando os orbes acinzentados cravaram-se sobre os seus, como se fossem capazes de enxergar através da mascara.
Sentiu a face incendiar-se quando os lábios dele pousaram com suavidade sobre a curva de seu pescoço e a respiração quente chocou-se contra a pele sensível.
Fechou os olhos clamando aos céus por auto-controle, haviam passado as duas ultimas semanas conversando, conhecendo-se melhor, indo caminhar por lugares até então, inexplorado pelos outros habitantes do santuário, encontrando em si mesmos um lado que desconheciam separados, porém sem investidas declaradas por parte do cavaleiro, como aquela.
-Então? –Alister perguntou num sussurro enrouquecido, deixando a ponta do nariz roçar suavemente a curva do pescoço da jovem, fazendo-a estremecer.
Foram as duas semanas mais torturantes de sua vida, se bem que não sabia como classificar. 'Prazerosa agonia' era talvez algo mais apropriado, como diria Oscar Wilde, para definir aquilo. Viveram tantas coisas que apenas os aproximaram, mas já não conseguia conter os pedidos de sua alma e coração para ignorar aquilo que sentia e tentar manter-se apenas como um 'bom' amigo.
-Lugar interessante para se conversar; uma voz divertida soou atrás dos dois.
-Aimê! – Eurin falou surpresa, tentando levantar-se rapidamente. –AI; ela gemeu ao acertar a cabeça no fundo da mesa, voltou-se para Alister com um olhar retalhador, enquanto o mesmo não parecia nem um pouco incomodado com a situação que estavam.
-Me ajuda? –ele pediu com um sorriso inocente, quando ela pôs-se de pé, saindo de baixo da mesa.
-Você tem pernas, levante sozinho; ela rebateu áspera.
-Oras, se é por mim, não se incomodem, podem continuar; Aimê falou com um 'Qzinho' de sarcasmo, vendo a situação deverás comprometedora que pegara a irmã. Quem sabe passar aquela temporada no santuário, fosse mais interessante do que imaginava; ela pensou com um sorriso nem um pouco inocente.
-Alister já está de saída; Eurin falou num tom frio.
O cavaleiro pensou em fazer alguma piadinha, mas encolheu-se diante do olhar entrecortado da amazona, era melhor conversarem outra hora se tentasse falar alguma coisa agora, teria sérios problemas.
-Mas ele nem se apresentou; Aimê alfinetou.
Ele voltou-se para Eurin, como se pedisse sua autorização, a amazona manteve-se neutra, sabia que a irmã estava lhe provocando e não lhe deixaria em paz depois que ele fosse.
-Alister de Peixes, muito prazer; ele falou, prestando-lhe uma respeitosa reverencia.
-É uma pena que ainda não posso dizer o mesmo; Aimê falou em tom solene, o surpreendendo. –Não costumo responder a cumprimentos de pessoas que acabo de conhecer, para saber se foi um prazer ou mera obrigação, mas espero poder responder isso um dia; ela falou calmamente.
-...; Alister assentiu, até nisso as duas eram parecidas; ele pensou. – Nada mais justo; ele respondeu.
-Mas ahn, eu posso ir dar uma voltinha se vocês quiserem continuar de onde pararam; ela falou com um sorriso maroto, fazendo a amazona querer saltar de Star Hill.
-Aimê; Eurin falou em tom de aviso.
-É melhor eu ir, só vim ver se Eurin estava bem; Alister falou com ar sério, porém rindo internamente, conseguia imaginar perfeitamente a amazona mais vermelha que seus cabelos. –Mas agora que vi que esta bem, já vou indo; ele completou, lançando um olhar de soslaio a amazona que mantinha-se impassível. –Seja bem vinda ao santuário, Aimê. Até mais; o pisciano falou, encaminhando-se para a porta.
-Até; as duas responderam.
Viu a porta fechar-se quando o cavaleiro deixou a casa, mesmo assim manteve-se em silencio, mal sabia ela que a resposta para aquela pergunta seria repetida muitas vezes em sua mente, anos depois...
-o-o-o-o-o-
Olhou atentamente alguns papeis em cima da mesa, suspirou cansado, tinha mais tudo àquilo de fichas para conferir de novos possíveis 'aprendizes' que chegariam ao santuário no final daquele mês para serem treinados.
Precisava estudar seus perfis e ver que cavaleiro ou amazona se enquadrava com o aprendiz e a possível armadura a competir. Deixou seus olhos caírem sobre uma ficha que acabara de pegar entre as mãos.
♂
Lancaster, F.
Suécia.
Signo: Peixes.
Filho único de uma família tradicional, que ao longo dos séculos sagra cavaleiros que tornaram-se os maiores lideres da Europa durante os séculos 11 e 12.
♂
-Uhn! Interessante; ele pensou, com um meio sorriso entre os lábios.
-Com licença; Ares chamou-lhe a atenção, abrindo uma frestinha na porta.
-Sim! –ele falou, voltando-se para o irmão.
-Eurin pediu para falar com o senhor e disse que é urgente; o cavaleiro respondeu.
-Pode mandá-la entrar; Shion falou com um meio sorriso formando-se em seus lábios. Seria interessante tentar; ele pensou.
Poucos segundos depois a porta abriu-se para a amazona, que como sempre mantinha uma passividade e frieza impecáveis.
-Sente-se, por favor; Shion pediu, indicando-lhe uma cadeira em frente a sua mesa. Viu-a sentar-se ainda mantendo-se silenciosa. –Eurin, aproveitando que está aqui, queria lhe falar sobre a conversa que tivemos no começo do mês; ele começou.
-É sobre isso que vim até aqui, Mestre Shion; ela falou.
-É? –ele perguntou surpreso.
-...; a amazona assentiu. –Devido a alguns problemas familiares como creio que o senhor deve estar à parte, minha irmã chegou hoje ao santuário, por isso gostaria de lhe pedir autorização, para que ela permaneça aqui comigo pelo menos por essa semana;
-Sua irmã, aconteceu alguma coisa? –ele perguntou preocupado.
-Nada grave, a não ser que um daqueles ex-familiares apareçam novamente aqui, para me dar o prazer de mandá-los eu mesma para o Tártaro; ela falou fria.
Shion calou-se, já imaginava que os pais da amazona haviam feito alguma coisa para a irmã mais nova ir ao santuário, pedindo asilo a mais velha. Respirou fundo, já conseguia prever o que ela lhe pediria em seguida.
-Eurin, no final dessa semana acaba o prazo de experiência que eu havia lhe dado; o ariano começou com ar sério.
-Eu sei, por is-...; ele a cortou com um aceno.
-Eu permito que você volte a Gothland com sua irmã, para treiná-la como sua sucessora no período de sete anos seguidos; ele falou. –E como sei de sua competência, vou pedir-lhe para que assuma a responsabilidade de outro pupilo consigo;
-Como? –Eurin perguntou surpresa.
-Ele é um conterrâneo seu, vive em Visby desde o nascimento, perdeu os pais há um ano e vive com os tutores. Vem de uma família tradicional que sagram cavaleiros e ele é o próximo da linhagem para concorrer à armadura de Peixes; Shion explicou. –Eu gostaria que você o treinasse para concorrer à armadura de Alister; ele sentenciou, esperando pelo momento que ela sairia cuspindo fogo, por ter que treinar alguém justamente para a armadura do pisciano, mas o que aconteceu em seguida, lhe frustrou e surpreendeu.
-Como é o nome dele? –ela perguntou calmamente.
Era estranho pensar que treinaria alguém para concorrer à armadura de Alister, mas não menos interessante; ela pensou, mal podendo conter a hora de contar os pisciano que estariam rivalizando nesse ponto como mestres, porque certamente ele treinaria um aprendiz logo.
-Filipe Lancaster; Shion respondeu.
Já ouvira falar sobre a família Lancaster, bastante tradicional. Isabel já lhe contara muitas histórias relacionadas com aquela família, principalmente uma em especial sobre a famosa lenda da Rosa Vermelha de Lancaster, seria interessante somar suas técnicas com alguém da linhagem real de Anjou.
-Está bem, quando posso conhecê-lo? –Eurin perguntou.
-Semana que vem, pode partir e eu avisarei os tutores do garoto para o prepararem para sua chegada; ele avisou.
-...; a amazona assentiu.
-Qualquer problema entre em contato com o santuário, qualquer suporte necessários você terá com os agentes do santuário que vivem na cidade, residindo em Estolcomo e Gothland, te darei antes de partir um livro que contem todos os contatos que você pode usar para conseguir o que quiser, desde documentos a passagem de avião; ele explicou.
-Está certo; ela falou. –Posso ir?
-À vontade; o ariano respondeu, recostando-se melhor na cadeira.
Levantou-se silenciosamente, deixando a sala em seguida, antes treinar um pupilo, do que correr o risco da irmã ter de voltar a viver com os pais.
-o-o-o-o-o-
Olhou distraidamente para as colunas a sua frente, aquele lugar era bastante curioso. Estava num lugar aleatório ao mundo real; ela pensou enquanto seus olhos corriam extasiados pelas gravuras indianas que tinha entre as paredes daquele lugar.
Mais alguns passos encontrou duas frondosas portas que representavam um botão de nenúfar, tão distraída que estava não viu quando bateu contra alguém.
-Desculpe; ela balbuciou erguendo os olhos, deparando-se com o cavaleiro de melenas douradas, pouco mais alto do que si.
-Tudo bem, mas você esta perdida? Onde está Eurin? –Shaka perguntou calmamente, com um breve aceno da mão, fazendo as portas de Twin Sall se abrirem.
-Nossa; Aimê murmurou surpresa ao ver o imenso jardim que abriu-se a sua frente. –Não, ela foi falar com o Grande Mestre; ela comentou, aproximando-se da porta do jardim.
-E você não deveria estar esperando-a lá em cima? –o virginiano perguntou com um meio sorriso.
-Bem...; a garotinha começou voltando-se para ele com um sorriso sem graça.
-Quer conhecer Twin Sall enquanto Eurin não aparece? –ele perguntou, vendo que ela não saberia se explicar porque fugiu do lugar que deveria estar.
-Posso? –Aimê perguntou hesitante.
-...; Shaka assentiu, indicando-lhe que entrasse. –Mas vou avisar Eurin que você está aqui; ele completou, porém viu-a correr entre as flores, indo em direção as arvores gêmeas, não ouvindo mais nada do que falara.
-o-o-o-o-o-
Deu um suspiro aliviado à medida que deixava o templo, procurou por Aimê aonde a deixara, mas a garota desaparecera, porém seu consolo era que ela estava com Shaka em Virgem, menos mal; Eurin pensou.
Passou pelos pilares de Peixes, a passagem estava escura, provavelmente Alister não estava ali; ela concluiu, continuando a andar sem enxergar um palmo a sua frente, mas poucos passos foram dados na direção da saída, quando sentiu alguém lhe puxar para longe.
Virou-se bruscamente para acertar o individuo que lhe segurava, mas qualquer pensamento racional foi obliterado de sua mente quando uma leve brisa chocou-se contra sua face, proveniente do deslocamento de ar, causado pela retirada rápida da mascara.
Entreabriu os lábios para gritar, porém tal protesto morreu em seus lábios, quando sentiu outros sobre os seus.
As costas tocaram com suavidade um dos pilares de mármore e dedos finos prenderam-se de maneira possessiva entre os fios esverdeados.
Embora não enxergasse um palmo no meio daquela escuridão, conhecia até de olhos fechados o sabor daqueles lábios quentes sobre os seus, que moviam-se lentamente, buscando por reconhecimento e aceitação.
Instintivamente seus braços contornaram o pescoço do cavaleiro, sentindo os fios vermelhos roçarem com suavidade suas mãos, causando uma deliciosa sensação de conforto.
-Estava com saudades; Alister sussurrou enrouquecido, dando uma mínima brecha entre seus lábios, para que respirassem.
-Uhn? –ela murmurou confusa, inebriada com a respiração quente a chocar-se contra sua face.
-Sonho com seus beijos desde aquela noite; o cavaleiro confessou, tocando-lhe a face com ternura, tirando-lhe um suspiro dos lábios. –Com a cor dos seus olhos, que são capazes de congelar o tempo; ele falou num sussurro, enlaçando um dos braços em sua cintura.
-Alister; Eurin murmurou surpresa.
Ele aproximou-se novamente, mas ao contrario do que ela esperava, sentiu a respiração dele chocando-se contra a lateral de sua face, enquanto uma das mãos subia com suavidade pelo meio de suas costas, aproximando-os ainda mais.
-Amo você; ele sussurrou, fazendo-a estremecer e simplesmente buscar o apoio de seus braços para não cair.
Entreabriu os lábios para tentar falar, mas palavra alguma saiu, apenas sua respiração tornou-se ainda mais entrecortada e o coração disparou como se fosse sair pela boca a qualquer momento.
-Nossa que escuridão! –uma voz não muito distante, chamou-lhe a atenção.
-Cadmo; Alister resmungou irritado, virando-se para a direção da voz.
-Eu preciso ir; Eurin balbuciou com a voz tremula.
-Podemos conversar depois? –ele perguntou esperançoso, ouvindo os passos do Escorpião se aproximarem cada vez mais.
-Não sei... Aimê; ela falou só agora se lembrando da irmã.
-Quando ela dormir me encontre no Coroa do Sol, no lugar de sempre; Alister falou.
-...; a amazona assentiu, porém antes que conseguisse se desvencilhar os braços dele, sentiu os lábios de Alister sobre os seus, envolvendo-a em um beijo quente e atordoante. –Eu preciso ir; ela sussurrou, ao afastarem-se parcialmente.
-Até depois; ele sussurrou, soltando-a antes que Cadmo acabasse por encontrá-los ali.
Eurin recolocou a mascara que jazia caída ao pé do pilar e desapareceu no meio da escuridão.
Deu um baixo suspiro, encostando-se no pilar que ela estava anteriormente. Aos poucos as luzes do salão começaram a se acender e Cadmo o encontrou com facilidade, mas o que viu lhe surpreendeu.
Alister jazia com o olhar perdido em algum ponto pouco importante, com ar mais avoado do que vira pela manhã, mas o que lhe chamou a atenção foram os cabelos completamente desalinhados, que parecia ser pouco importante para o cavaleiro, por sinal; ele pensou se aproximando.
-Alister; Cadmo chamou, fazendo-o voltar-se para si, piscando confuso.
-Uhn?
-Algum problema? –o Escorpião perguntou, fitando-o desconfiadamente.
-...; ele negou com um aceno. –Por quê?
-As luzes estavam apagadas; Cadmo comentou, apontando para as lâmpadas. –Achei que não estivesse aqui, mas senti seu cosmo, então entrei; ele avisou.
-Ah sim! –ele balbuciou sem dar muita importância, voltando a olhar o ponto que vira a amazona pela ultima vez.
-Tem certeza que está bem? –o cavaleiro perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Sim, perfeitamente bem; Alister respondeu, desencostando-se do pilar e virando-se para ele. –Mas e você, o que queria comigo?
Ponderou por um momento, não, ele precisava aprender a lidar com aquilo sozinho, era um risco necessário a correr; Cadmo pensou, para em seguida balançar a cabeça levemente para os lados.
-Vai a Toca hoje? –ele desconversou.
-Não; Alister respondeu.
-Até você? –o Escorpião fez-se de descrente.
-Como assim, até eu? –o pisciano perguntou arqueando a sobrancelha.
-Hoje nem o Aaron eu consegui arrastar para ela; ele reclamou.
-Não vou nem perguntar o porque; Alister falou, rolando os olhos.
-Puff! Que decepção vocês dois, hein; Cadmo reclamou.
-Leve Miguel com você; o pisciano sugeriu.
-Ah, faz-me rir, no dia que alguém conseguir fazer Miguel de Capricórnio deixar o sossego de seu templo, pra farrear comigo, as vacas voaram; ele falou sarcástico.
-Sem comentários; Alister falou, balançando a cabeça levemente para os lados.
-Já que você não vou, vou eu... eu que não pretendo ficar trancado nesse santuário; o Escorpião continuo, indo em direção as escadarias.
-Bom proveito; o cavaleiro falou casualmente.
-Até mais; Cadmo falou.
-Até; Alister respondeu.
-"Droga, eu preciso arrumar um jeito de falar pra ele"; o jovem de melenas prateadas pensou, preocupado.
-o-o-o-o-o-
Recolocou a mascara rapidamente, enquanto descia as escadas, pedindo aos céus para não encontrar com ninguém pelo caminho, ainda sentia seu coração dar saltos dentro do peito.
Não só por tudo que acontecera, mas pelas palavras de Alister que não paravam de ecoar em sua mente.
Mal notou quando havia chegado em Virgem e quase atropelou Shaka ao tentar passar pelo templo.
-Eurin!
-Desculpe Shaka, não havia lhe visto; ela desculpou-se rapidamente.
-Imagino, você parece agitada, aconteceu alguma coisa? –ele perguntou calmamente.
-Não, não foi nada; ela apressou-se em responder, enquanto passava a mão pelos cabelos, tentando alinhar novamente os fios, certa de que eles estavam extremamente bagunçados. –Mas e Aimê, espero que ela não tenha te dado muito trabalho; ela mudou de assunto.
-Não, mas acabou dormindo; Shaka falou sorrindo, enquanto indicava-lhe para seguir consigo.
Entraram na sala principal do templo de Virgem e logo encontraram a garotinha de melenas esverdeadas dormindo tranquilamente no sofá.
-Ela deve ter ficado cansada depois de perguntar tanto; ele comentou.
-Como?
-Sua irmã tem cede de saber Eurin, ela não para de questionar enquanto não se sentir satisfeita, uma boa característica para a nova geração; Shaka falou, aproximando-se do sofá. –Vou com você até o vilarejo e a levo, assim não precisa acordá-la;
-Não precisa se incomodar Shaka, eu a levo; Eurin adiantou-se.
-Não é incomodo algum e também, não é seguro andar pelo santuário há essas horas; ele falou com ar sério.
-Do que se refere? –ela perguntou intrigada com o tom sombrio dele.
-Nada preocupante, fique tranqüila; o cavaleiro falou, enquanto passava os braços por baixo das pernas e costas da garota que resmungou um pouco, mas apenas voltou a dormir. –Vamos;
-Obrigada; Eurin agradeceu.
Continua...
Domo pessoal
Mais um capitulo só, possivelmente não haja epílogo e o próximo encerre de uma vez a trilogia 'Only Time'. Espero sinceramente que estejam gostando da história e do casal principal.
Lembram-se de Vale das Flores, onde Aimê conta a Filipe sobre ter conhecido Alister quando foi ao santuário e sobre a relação de Eurin com ele. Então, essa foi uma rápida introdução sobre essa parte do passado.
Agora, o mês está chegando ao fim e com ele muitas surpresas vão surgir, preparem-se para fortes emoções.
Obrigada novamente pelos reviews e até a próxima...
Um forte abraço
Ja ne...
