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CAPÍTULO DEZ

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Sesshoumaru estava no cruzeiro a conversar com uns amigos e a beber champanhe. O enorme barco tinha zarpado há uma hora e já pouco das luzes de Santorini se podia ver no horizonte. O capitão levá-los-ia a dar uma volta pelo mar durante a noite e, pela manhã, estariam de volta à ilha.

A música clássica tomava conta do ambiente, ouvia-se o tilintar de copos e algumas gargalhadas de conversas alheias. O salão de baile estava cheio de gente rica e famosa e completamente iluminado por enormes candelabros de cristal acima das suas cabeças. Todas as portas de vidro estavam abertas para deixar entrar o ar nocturno. A noite era deveras agradável, suave e aconchegante, sem uma ponta de vento.

Sesshoumaru perguntava-se onde estava a sua irmã. Tinha entrado sem ele ver e tinha-se confinado no seu quarto para se vestir. Tinha-o avisado por telefone que levava consigo Rin e que lhe agradecia por a ter convencido a vir à festa.

Sesshoumaru praguejou entre dentes quando pensou nela. Estava maluco por a ver vestida naquele maldito vestido. Passou a noite em branco e ainda sentia as dores consequentes da erecção que o incomodara a noite toda. Tinha sido orgulhoso o suficiente para se negar a dar-se alívio e a comportar-se como um adolescente com as hormonas aos saltos.

Foi chamado à atenção por uma jovem mulher que lhe fez uma pergunta e ele retomou a conversa com os seus amigos. Reparou que a mulher o olhava insistentemente e que mexia no cabelo várias vezes, ria-se exageradamente das suas piadas e apoiava-se frequentemente no seu braço.

Queria ir para a cama com ele.

Bom, não nessa noite, talvez noutra, mas nessa não. Estaria muito ocupado a olhar para Rin.

Um dos convidados bateu no copo de champanhe para chamar a atenção e todos se aproximaram, em frente à escadaria. Era Kouga, muito sorridente e impecavelmente vestido com um terno preto.

- Meus senhores e minhas senhoras… Esta noite irá realizar-se o jantar de ensaio do meu casamento com a encantadora Kagome Taisho. – uma onda de aplausos invadiu o salão e ele riu-se pedindo silêncio com as mãos. – Queria anunciar-vos apenas a chegada da minha adorada noiva. Senhoras e senhores, Kagome Taisho!

Apontou para o cimo da escadaria elegante e Kagome desceu, um autêntico anjo com um vestido cor de marfim, sem alças e decorado com imensos fios dourados. Os seus cabelos estavam presos num coque severo e muito direito, sem um único fio de cabelo fora do sítio. Tinha várias jóias de safira a adornarem-lhe o corpo e a combinarem com os seus olhos azuis.

Quando desceu, esboçou um sorriso para o noivo e deu-lhe a mão. Kouga puxou-a levemente e beijou-a quando uma nova onda de aplausos explodiu pelo salão. Sesshoumaru franziu a sobrancelha ao ver a tristeza espelhada nos olhos da irmã. Deu-lhe um aperto no coração a aperceber-se que estava infeliz, apesar de tudo.

De repente, toda a sala ficou em silêncio absoluto.

Sesshoumaru, como todos os outros convidados, olhou para cima e, no topo da escadaria, estava a mulher mais bonita que alguma vez vira. Começou a descer lentamente, mais pela insegurança do que pela falta de visão, e todos os olhares masculinos se fixaram na enorme e tentadora racha que deixava ver uma perna delgada e de pele macia.

Sesshoumaru deixou de respirar ao dar-se conta do seu erro. Nunca devia ter permitido que Rin entrasse naquela festa vestida daquela forma, foi como se tivesse temperado um pedaço de carne e o tivesse atirado para um covil de leões esfomeados. Viu pelo canto do olho que a maior parte dos homens procurava esconder o vulto nas suas calças atrás de qualquer coisa.

A sua reacção não tinha sido diferente. Ele mesmo estava a passar um mau bocado.

Rin tinha os cabelos encaracolados presos num coque sensualmente mal feito. Os caracóis rebeldes escavam-lhe por todo o lado, passeando livremente sobre a pele do pescoço. Sesshoumaru pensou que mais cedo ou mais tarde, morderia aquele pescoço e lhe deixaria uma marca. Estava, muito sinceramente, a ficar louco por aquela mulher. Pensou se não seria uma má ideia deitar-se com aquela mulher que se atirara praticamente nos seus braços para se aliviar um pouco. Caso contrário, atirar-se-ia para cima de Rin como um animal no cio.

Antes que outro homem o fizesse, passou por entre os convidados boquiabertos e estendeu a mão para Rin. Estava, claramente, aterrorizada por estar ali. Parecia que sairia a correr a qualquer momento.

- Boa noite, agapi, estás linda! – deu-lhe o braço e levou-a para o salão enquanto os convidados recuperavam do choque e se dirigiam aos noivos. Sesshoumaru viu o sorriso de triunfo de Kagome pelo canto do olho.

Com que então, a sua irmã tinha planeado tudo. Tinha descoberto que ele dera o vestido provocador a Rin e decidiu provar a ele mesmo que o que queria com ela era mais que óbvio virando o feitiço contra o feiticeiro. Naturalmente, tinha resultado. Sesshoumaru estava no limite do desejo.

- Obrigada, senhor Taisho. O senhor também.

Sesshoumaru olhou para o seu terno cinzento e olhou para ela. – Acha?

Ela riu-se, sentindo-se um pouco mais relaxada. – Não consigo vê-lo, obviamente, mas sei que estaria muito elegante se o visse.

Ele riu-se. – Fico muito lisonjeado pelo elogio.

Levou-a até a mesa e puxou-lhe a cadeira para que se sentasse. Todos os convidados estavam-se a acomodar nos seus lugares e Sesshoumaru sentou-se à sua frente, sem nunca deixar de apreciar o modo como aqueles doces olhos amarelos pareciam brilhar hipnoticamente sob o brilho das luzes e das velas.

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Rin sentia-se observada. Tinha a certeza que metade da mesa onde estava sentada estava a olhar para ela. Mantinha uma conversa baixa corriqueira com Kagome, que estava a seu lado, mas não conseguia concentrar-se muito porque sabia que Sesshoumaru estava à sua frente. Se esticasse os pés alguns centímetros por baixo da mesa, tocaria nos dele.

- Sentes-te bem, Rin? – Kagome perguntou, depois de conversar um pouco com Kouga e Sesshoumaru.

- Sim, sim. – sorriu e bebeu um pouco de vinho. – Não te preocupes.

Kagome sorriu e acariciou-lhe a mão que tinha pousada no colo, a apertar o tecido do vestido com força.

- Relaxa, está tudo bem. Estás a sair-te lindamente! Ninguém pára de olhar para ti!

Retribuiu-lhe com um sorriso frágil e voltou a beber vinho. Por isso mesmo…, pensou.

- Menina Hatanaka. – um jovem convidado chamou-lhe a atenção. – Já nos conhecemos de algum lado? Sou Lionel King.

Rin sorriu debilmente e olhou na sua direcção. Ainda ninguém parecia ter-se apercebido que era cega e já iam no terceiro prato.

- Não acredito que nos tenhamos encontrado antes, senhor King. Tenho a certeza que me lembraria de si.

- Ora… - riu-se. – Trate-me por Lionel, por favor…

Ela sorriu e voltou a comer.

- Menina Hatanaka. – um outro senhor, na casa dos quarenta chamou-a também. – Peço-lhe imensas desculpas por fazer uma pergunta tão privada e que não tem nada a ver comigo, mas… Está comprometida?

Sesshoumaru sentiu um ciúme tremendo subir-lhe à cabeça com aquela pergunta inusitada e engasgou-se dissimuladamente com o vinho. Kagome reparou e sorriu, começando a prestar atenção à conversa.

- Não. De momento não tenho ninguém, mas como o senhor disse muito acertadamente, não tem nada a ver consigo. – sorriu adoravelmente e o homem, de tão embasbacado com o seu sorriso, não se apercebeu que levara um pontapé no rabo com aquela resposta, nem pareceu preocupar-se muito com o assunto.

Sesshoumaru voltou a comer, mais descansado e orgulhoso da sua pequena agapi. Mais tarde, um jovem abordou-a e sentiu pena por não a deixarem comer em paz. Todos os homens daquela mesa estavam cativados por ela.

- Devo dizer-lhe, menina Hatanaka, que nunca conheci uma mulher tão bonita e delicada como a menina. Sempre tive como mulher ideal uma mulher como Kagome, mas confesso que quando a vi, o meu ideal mudou radicalmente. Apaixonei-me pelos seus cabelos negros e pelos seus olhos amarelos. – sorriu e dedicou-lhe um olhar quente, na esperança de a cativar. – Você é lindíssima!

Sesshoumaru ficou a olhar para ele com cara de parvo. O coitado não sabia que ela não veria o tal olhar, mas bom, também não pretendia dizer-lhe que era inútil.

Rin acabou de mastigar e bebeu um pequeno gole de vinho, deixando o jovem empedernido à espera, humilhado.

- Ouviu o que disse, menina Hatanaka?

Ela olhou para a fonte da voz masculina e sorriu inocentemente, sentindo-se cansada das abordagens de todos aqueles homens. Meu deus! Eles já acabaram de comer e ela ainda só ia a meio do prato!

- Sim, senhor James, mas não sei que quer que lhe diga. Agradeço o elogio, é tudo. – voltou a comer e Sesshoumaru tapou um sorriso de orelha a orelha atrás do guardanapo de pano. Tinha uma vontade enorme de se rir à gargalhada na cara do pobre James.

Mais tarde, ouve dança no salão e Sesshoumaru sentiu-se frustrado por não ter a oportunidade de dançar com Rin. Estava desejoso de pôr a mão naquela cintura e atraí-la contra o seu corpo para lhe sentir o cheiro a pêssegos. Oh, maldito fruto! Não sabia que gostava tanto daquele perfume até o ter sentido em Rin pela primeira vez.

Muitos homens conseguiram roubar-lhe Rin para uma dança e nem conseguiu falar com ela. Teve então a ideia de fazer um discurso em honra dos noivos. Assim as danças acabariam e quando se brindassem aos noivos, teria a oportunidade de ir ter com Rin.

Pegou num copo de champanhe e ordenou a orquestra parar. Quando todas as atenções estavam nele, procurou os olhos amarelos no meio dos convidados. Viu-a exactamente no meio, um pouco aliviada. Se calhar os dois homens que a ladeavam estavam a disputar uma dança com ela e ele acabara por a salvar com aquele brinde.

- Senhoras e senhores, antes de mais nada, quero agradecer-vos por terem vindo a este jantar. Significa muito para mim e para a minha irmã. – ergueu o copo na direcção dela, que sorriu um pouco. – E é com prazer que dedico este brinde a ela, pois é a mulher mais delicada e bonita que já vi e também a mais forte e dedicada à família. Será, sem dúvida, uma óptima esposa. – virou-se para Kagome e sorriu-lhe, levantando o copo. – Este é para ti, Kagome mou. Aos noivos! – gritou.

A multidão gritou e aplaudiu, bebendo champanhe também.

Sesshoumaru preparava-se para ir ter com Rin, mas ficou surpreso quando não a viu mais no salão de baile. Fartou-se de a procurar, mas acabou sendo arrastado numa conversa de empresários milionários e não pôde fugir.

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Inuyasha subiu as escadas que levavam da sala das máquinas ao exterior, nomeadamente à popa do cruzeiro. O seu chefe fez um negócio com os encarregados do cruzeiro e conseguiu um trabalhinho para aquela noite. Mandou Inuyasha e mais uns empregados dele para trabalharem lá. Como integrante do staff, não estava autorizado a subir para a zona dos convidados, mas como ele era rebelde e dono das suas próprias regras há mais tempo, infringiu as regras do supervisor e escapuliu-se. O que queria ver era a gente rica, mais nada, depois voltaria para baixo, para o pé das máquinas que precisavam de ser oleadas, limpas e abastecidas a toda a hora.

Espreitou para o salão de baile e engasgou-se quando viu Sesshoumaru fazer um pequeníssimo discurso. Aquela era a festa dele? Então Rin estaria por ali, com certeza! Oh, ficaria tão feliz por saber dessa coincidência! Procurou-a pelos convidados vestidos a rigor e estacou por completo quando reconheceu o anjo vestido de marfim mais perto da porta, acompanhado por um homem elegantemente vestido.

Era Kagome.

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Continua…

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Este capítulo é bem pequeno, mas é para vos fazer sofrer! Muhahahahah!

Não se preocupem, meus amores, amanhã ou depois de amanhã ponho um novo. (com hentai! Heheheh)

AH! Só para vos alertar… o hentai vai ser muito pesado, estou só a avisar para quem não gosta de ler. Dei o meu melhor para o escrever e acho que passei para ele a noção desesperada e 'primitiva e animalesca' com que o Sesshoumaru tomou a Rin. No entanto, achei também que podia escrever bem melhor. Mas, bom, não vou entrar já por aí porque ainda não chegou à 'parte' que interessa.

Respondi às reviews identificadas por PM, como me aconselhou a fazer a minha querida amiga Bulma Buttowsky (gracias, Chica!), e vou responder agora às reviews anónimas.

Mollychan – Obrigada pelo elogio, não sabes como adoro recebê-los. Hoje em dia, numa sociedade onde se paga por tudo (quase até por respirar O.O), eles são tão raros e poupados que até me esqueço de como é bom ouvi-los.

Infelizmente, a Rin ainda vai sofrer mais um pouco nas mãos do Sesshy. Fiz um cliché em que, depois de terem dormido juntos, há uma desavença entre eles e separam-se durante um tempinho. No entanto, não é nada duradouro, o final é bem feliz. E quanto à Kagome, bom, percebeu que estava a desperdiçar algo Grande. Com G maiúsculo, como costumo dizer. XDDD

Beijinhos!

Juliana – Pois é, o Inu não sabia que a Kagome se ia casar, mas ele também não sabe a sua verdadeira identidade, não é? Agora vai tudo fazer sentido (pelo menos para ele). E o Sesshy… coitadinho. A Rin tem tanto poder sobre ele que o pobre coitado nem sabe o que fazer consigo mesmo. Encontrou finalmente uma mulher de valor e não sabe lidar com isso. XD

Beijos!

Lene – Ainda bem que achas a história emocionante. Tenho uma amiga (que vive perto de mim, aqui na Terra-do-Bacalhau-Natalício XD), que, apesar de ter gostado, não a achou nada do outro mundo. Não a posso culpar, não é? Ela prefere coisas mais excitantes e perigosas como anjos, demónios e outros seres comuns nos romances do estilo fantástico.

Mas ainda bem que gostas, é isso que eu quero! 8D Não podemos agradar a todos, somente aos que nos importam. U.u

Beijinhos!

Amanhã ou depois de amanhã, voltarei com outro capítulo. Obrigada a toda(o)s!

Ja ne, minna!