CAPÍTULO X
As semanas que se seguiram foram quase insuportáveis, com Isabella fechada em seu mundo particular, no qual nem Edward conseguia penetrar. Os médicos diziam que era uma fase normal, conhecida como depressão pós-parto, no seu caso agravada pela culpa que sentia com a perda do nenê.
Não que ela fosse responsável pelo que acontecera, mas o fato de não ter ficado muito feliz com a gravidez a enchia de remorsos. Ela não acontecera por sua vontade. Sentia-se como uma marionete nas mãos de Edward, e isso era o suficiente para que não desejasse tanto o filho. Não que ela não gostasse de crianças, pelo contrário. Mas sempre havia imaginado que elas deveriam ser resultado de um amor sólido e profundo. E não tinha sido assim que as coisas se passaram entre eles. Uma parte dela estava ressentida com essa maternidade imposta e outra chorava a perda do bebê.
Não se interessava por nada à sua volta. Edward tentava animá-la levando-a a restaurantes pequenos, mas ela nem sequer sentia o gosto do pouco que comia. Era como uma boneca de pano, sem vida e sem movimentos.
Leah era carinhosa e, quando a reprovava, achava que com afeição e cuidados ela poderia recuperar parte de sua antiga alegria de viver.
Um dia, decidida a pôr um fim nessa situação, Isabella olhou resoluta para Edward depois do jantar e anunciou:
— Preciso sair daqui.
— Não sozinha.
— Por que não?
— Porque eu não quero.
— Você não pode me impedir, não sou mais criança.
— Posso sim, e não hesitarei em fazê-lo.
— Vai contratar um guarda-costas? Leah e Jacob não podem me vigiar o dia inteiro!
Edward olhou para ela calmamente.
— Talvez seja uma boa idéia tirar umas férias. Dê-me tempo para organizar algumas coisas.
— Você não entende? Eu quero ir sozinha.
— Isso está fora de questão.
Seus olhos encheram-se de lágrimas.
— Mas eu vou, Edward. Com ou sem a sua permissão.
— Uma disputa?
— Eu quero o divórcio — sussurrou Isabella, exausta, os olhos chamejando de raiva.
— Jamais!
— Não posso continuar a viver desse jeito.
— E para onde você iria?
— Perth. Todos os meus amigos moram lá. Eu...
— Uma semana, Isabella. A casa de vocês ainda está vazia e Carmem irá junto. — O olhar escuro tornou-se penetrante. — Não fique imaginando coisas. Se você não estiver no avião, irei atrás de você e a trarei de volta pelos cabelos. Entendido?
— Isso é escravidão!
— Chame pelo nome que quiser.
— Prefiro ir sozinha.
O rosto de Edward estava enraivecido, mas Isabella sentia-se surpreendentemente corajosa.
— Não. Uma semana é muito pouco, quero um tempo maior.
— Duas semanas, Isabella.
— Então, você realmente vai permitir que eu vá?
Ele apenas fez um gesto afirmativo com a cabeça e levantou-se da mesa.
Depois dessa conversa, foi uma questão de dias para fazer os preparativos necessários. Parecia que Edward tinha pressa em livrar-se dela. Cada vez o via menos, pois ele sempre saía antes que ela descesse para o café e frequentemente mandava recados por Leah dizendo que trabalharia até mais tarde ou que teria um jantar de negócios.
Isabella ficou triste por ele não fazer questão de passar os últimos dias antes da viagem junto dela, e ficou enciumada com seus constantes compromissos fora de horário. Sem dúvida, Irina devia estar trabalhando muito também!
Na véspera da viagem escolheu cuidadosamente a bagagem, deixando de lado os vestidos, sapatos e bolsas de noite. Ficou o dia todo arrumando suas coisas e foi dormir cedo, sem ver Edward, já que seu voo era às nove horas do dia seguinte.
Tinha combinado que Jacob a levaria, pegando Carmem no meio do caminho, pois Edward dissera ter um compromisso inadiável naquele horário.
Às oito horas em ponto ela guardou a bolsinha de maquilagem na frasqueira e verificou que tudo o mais estava em ordem, dando uma olhada cuidadosa no quarto antes de descer.
Um estranho frio na barriga traía sua ansiedade enquanto descia a escada. Sua mala já estava no carro e fora isso só faltava despedir-se de Edward.
Devagar, caminhou em direção ao escritório, com vontade de sair correndo dali, ao mesmo tempo em que tinha desejos de abraçá-lo.
Dominando um mau pressentimento, bateu à porta e virou a maçaneta, antes que tivesse a oportunidade de desistir. Ele estava atrás da escrivaninha, ocupado em examinar alguns papéis e olhou-a ao ver que ela parava diante da mesa.
O silêncio era enervante e ela preferia o sarcasmo ou a raiva àquele olhar impassível diante de si.
— Queria agradecer...
— Por quê?
— Por me deixar ir.
Um novo silêncio tomou conta do ambiente, a tensão crescendo a cada segundo.
— O que você quer, Isabella? — perguntou ele, enquanto fechava as gavetas da escrivaninha. — Minha bênção?
Edward parecia impaciente para que ela fosse embora. Toda a sua preocupação estava voltada para os compromissos do dia. Ele se levantou e saiu da sala, sem falar nada. Será que ele a beijaria? De repente ela desejou ardentemente que o fizesse, mas Edward não deu o mínimo sinal de ter essa intenção, e ela foi obrigada a sair da sala atrás dele, e caminhar a seu lado até o carro.
Jacob abriu a porta do carro para ela, tão logo se aproximou. Assim que entrou no carro, Edward fez um breve aceno e entrou no Mercedes estacionado na garagem. Segundos depois, Jacob deu a partida e atravessaram os portões, seguidos por Edward.
Isabella observava Edward vindo logo atrás, mas, assim que pegaram a avenida principal, ele desviou em direção ao centro e sumiu em meio ao tráfego.
Carmem estava pronta e à espera. Isabella tentou mostrar-se entusiasmada com as férias, durante o breve trajeto até o aeroporto. Mas, na verdade, uma intensa letargia dominava-lhe o corpo e ela tentava mentalmente assegurar-se de que essa viagem era tudo que queria e de que realmente precisava. Qual era o problema agora? Seria ótimo ficar em casa de novo, ver seus amigos, sentir-se livre. Por que sofrer por Edward?
Estacionaram o carro e Jacob pegou as malas, acompanhando-as até o terminal dos passageiros.
A caminhada até o balcão de bagagem lhe pareceu enorme cada passo aproximando-a do momento de sua partida. Não só para fora de Sidnei, mas para longe de Edward.
Edward! Não queria tanto se livrar dele? Por que agora tinha vontade de ficar?
"Deus, estou enlouquecendo!", pensou, desesperada.
Foram dez minutos de terrível angústia, até que o voo fosse anunciado e a possibilidade de desistir desaparecesse. Isabella pegou sua valise e encaminhou-se em direção ao portão de embarque.
— Até logo, Jacob. — Impulsivamente Isabella beijou-lhe ternamente o rosto. — Cuide de Edward por mim. — As palavras saíram-lhe da boca sem controle e ela estremeceu ao notar o que dissera, viu que Carmem já estava indo e eram as últimas passageiras a embarcar. — PreciBellaos ir — murmurou e, com um leve sorriso, seguiu Carmem sem coragem de olhar para trás.
Durante toda a viagem as imagens de Edward ocuparam sua mente. O tédio fazia com que não conseguisse distrair-se com outras coisas. Foi um imenso alívio desembarcar e concentrar-se no reconhecimento da paisagem familiar.
Esperava que a casa estivesse exatamente igual mas, embora tudo parecesse do jeito que deixaram, um terrível vazio pesava no ambiente.
Alguém tinha estado por ali e feito a faxina. Havia comida na geladeira e os produtos essenciais estavam guardados nos armários.
— Vou arrumar as minhas coisas — disse Isabella, tentando demonstrar entusiasmo, seguida de Carmem, que pretendia fazer a mesma coisa.
Andou pela casa tocando todos os objetos familiares, parando para arrumar os quadros, enquanto ia de uma sala a outra.
Os vasos tinha sido regados, o jardim estava em perfeito estado, sem nenhuma erva daninha. Até o balanço continuava dependurado na árvore. Fazia apenas quatro meses que tinham partido e pareciam anos. Queria sentir-se como aquela estudante, sem grandes complicações, que sabia exatamente o que queria da vida.
O pensamento a deprimiu e ela foi até o telefone, ansiosa por falar com alguém. Uma hora depois tinha combinado de se encontrar com três amigas diferentes para jantar nos próximos três dias.
Parte de sua alegria de viver voltou e naquela noite ela dormiu um sono profundo, acordando no dia seguinte muito bem-disposta.
A primeira semana foi preenchida com os amigos. Isabella avistou os lugares mais queridos e usufruiu da alegria de sentir-se livre. Foi apenas no meio da semana seguinte que percebeu que tentar recuperar o passado não passava de uma ilusão.
"Minha vida mudou, eu mesma mudei", constatou, tristemente.
Aquela casa não era mais o seu lar e ela não pertencia mais àquele lugar.
Edward tinha telefonado uma vez, mas ela pedira a Carmem que dissesse que não estava. Agora sua imagem parecia assombrá-la, teimando em dominar sua mente até que se resumisse em seu único pensamento.
À noite seu sofrimento era pior, revivendo a lembrança de como se sentia nos braços de Edward, da sensualidade de seu toque, de seus beijos. Os penBellaentos lhe traziam um calor na boca do estômago, corrosivo, insuportável. Era como se sentisse uma fome monstruosa que só Edward poderia saciar.
"Desejo!", pensava ela nas inúmeras vezes em que a insônia a perturbava.
Suas noites eram tão solitárias, tão vazias, que ela quase se arrependia de sua loucura de afastar-se dele. Mas será que o desejo e o amor não estavam ligados? Isabella estava confusa demais para poder refletir melhor.
Se não era amor, concluiu ela dois dias depois, enquanto pegava o avião de volta, era uma perfeita imitação. Pela primeira vez, desde o aborto, ela sorria com vontade. Sentia-se leve, alegre, feliz. Uma chama parecia brilhar em seu coração, irradiando luz e calor por todo seu corpo.
Desceu animada do avião, procurando ansiosa aquele homem que mais queria ver nesse mundo, o rosto mais querido da Terra. Mas nada. Talvez estivesse atrasado ou o vôo adiantado... Porém logo suas ilusões foram destruídas ao ver Jacob completamente só.
Um peso enorme a abateu e teve que fazer um esforço para parecer tranqüila, enquanto Jacob deixava Carmem na casa dela e se dirigia para a mansão de Edward.
Por que tinha de viver um conflito de emoções tão intenso?
— Ora, dane-se Edward! — praguejou ela, inutilmente.
Se ele tivesse ido buscá-la no aeroporto, não teria conseguido evitar atirar-se em seus braços. Mas agora...
O carro entrou no portão principal e quando Isabella estava saindo ouviu o barulho do Mercedes. Então viu Edward saindo de dentro do carro.
Tudo que ela queria dizer ficou preso em sua garganta; permaneceu parada enquanto ele se aproximava e a saudava:
— Bem-vinda ao lar!
O som daquela voz provocou-lhe calafrios e ela respirou fundo antes de responder:
— Olá, Edward.
A expressão dele era indecifrável. Edward apenas segurou sua mão, sem nenhum movimento para beijá-la. Entraram juntos.
— Fez boa viagem?
— Sim, obrigada.
— Quer um drinque antes de se refrescar?
Isabella hesitou, mas acabou concordando. O álcool, de um jeito ou de outro a ajudaria, dando-lhe coragem. Deus sabia o quanto estava precisando de alguma coisa que lhe acalmasse os nervos.
Edward foi até o bar, serviu-se de uísque e fez um coquetel de vermute para ela.
— Obrigada.
— Imagino que tenha se divertido em suas férias. Nunca estava em casa quando eu telefonava.
Isabella deu um bom gole em seu coquetel e respondeu gentilmente:
— Tinha muitos amigos a rever.
— Imagino que você tenha logo retomado a sua rotina.
— A maioria dos meus amigos estavam ocupados durante o dia, com exceção dos fins de semana. Carmem e eu fizemos algumas compras.
— E durante a noite você saía.
Se não o conhecesse bem, ela acharia que estava com ciúme. Teve vontade de provocá-lo e disse, com malícia:
— Todas as noites. Loucas festas que duravam até a madrugada.
Os olhos escuros cresceram de raiva, mas a voz continuou macia como seda.
— Se eu acreditasse nisso, quebraria todos os ossos de seu lindo corpo.
Isabella fechou os olhos e então os abriu bem devagar.
— E por que não o faz? Já quebrou todo o resto...
— Essa é uma afirmação muito grave, e me sinto inclinado a exigir que se explique melhor.
— Ah, é? — Seus olhos brilharam de raiva. — Por que esta cena, hein? Tenho certeza de que não ficou aqui sentado durante a minha ausência. Imagino que Irina tenha providenciado milhares de desculpas para ficar até mais tarde no escritório. E ainda tinha a opção da glamorosa Tânia para lhe fazer companhia. Essas são as duas que conheço. Deus sabe quantas mais existem por aí.
— Irina é uma secretária muito eficiente. Isso é tudo.
— Acho que ela não é da mesma opinião!
— Tânia é uma dessas inúmeras mulheres que não conseguem desistir de um relacionamento há muito terminado.
— Você quer dizer que a usou, da mesma forma que a mim?
— Mas foi com você que eu me casei, não foi?
— Oh, sim! Vivo no maior luxo possível, sem nada para fazer. Minha única obrigação seria ser mãe. O problema é que eu falhei, não é?
Para desespero de Isabella as lágrimas brotaram em seus olhos e ela se virou com a intenção de fugir dele, antes que percebesse que chorava. Mas os braços fortes a agarraram.
— Ponha-me no chão, seu idiota! — Ela tentava arranhar as costas dele, sem sucesso. — Cretino! — As lágrimas corriam abundantes por suas faces. — Eu te odeio!
Mas de nada adiantou debater-se e gritar; ele a levou daquele jeito até o quarto.
— Solte-me, solte-me! — Sem uma palavra, ele a colocou no chão, e segurou-a pelas mãos. — Solte minhas mãos!
Ele a soltou e, na mesma hora, Isabella ameaçou esbofeteá-lo. De repente, ele a segurou de novo.
— Agora chega, Isabella.
— Você sempre ganha, não é?
— Nem sempre.
— Não acredito. Você é invencível.
— As aparências enganam.
Ela sentiu uma pequena esperança brotar em seu coração.
— Tinha esperança de que você já tivesse descoberto a razão.
Talvez, talvez, ela tivesse... Ficou hesitante e silenciosa, implorando com o olhar que ele dissesse mais alguma coisa.
— Antes você falava o que lhe vinha à cabeça, Isabella. Por que tem medo agora?
"Porque antes não tinha medo de perdê-lo, Edward." Ela não sabia como agir, estava totalmente insegura. Depois de um longo silêncio, arriscou:
— Pensei que tudo que eu queria estivesse em Perth.
— E se enganou?
O ambiente estava carregado de emoção, e seu coração deu um salto ao notar que ele estava tenso, os olhos brilhando de maneira estranha.
— Sim.
— O que a fez mudar de ideia?
Ela levantou a cabeça e o encarou.
— Você. Era como se eu estivesse montando um gigantesco quebra-cabeça e de repente, ao colocar as últimas peças, tivesse uma visão geral. — As lágrimas escorriam do canto de seus olhos. — Você não devia ter permitido que eu viajasse.
Edward não disse uma palavra e um calafrio de medo percorreu-lhe a espinha. Reuniu toda a sua coragem e prosseguiu:
— Queria odiá-lo por ter me forçado a casar com você. E no início te odiei. Não sei quando tudo começou a mudar. Talvez tenha sido na época em que estava no hospital. Eu senti ciúme de Irina, Tânia e de todas as mulheres que passaram por sua vida. Quando fiquei grávida, parecia que eu estava me tornando parte de você, que estava perdendo a minha identidade. Depois que abortei, fiquei ainda mais confusa. — Respirou fundo e gritou angustiada: — Quer ouvir tudo, não é? Pois bem, eu te amo! Que mais quer de mim? Que eu implore o seu amor?
— Vai implorar?
— Preciso?
Estava perigosamente emocionada e sentia seu corpo todo doer. Por que o amor a machucava tanto?
Ele levantou seu queixo com a mão, e obrigou-a a fitá-lo.
— Acho que você devia demonstrar um pouco desse amor de que está falando.
— Para quê? Para que me atire no rosto que fui paga?
— Então é isso que pensa?
Ela o encarou em silêncio, o rosto branco como papel. Edward estava tão perto, e tão longe. Era só dar um passo e estaria em seus braços. Mas aquela pequena distância significava muito. Se ele a rejeitasse, ela poderia morrer.
Devagar, aproximou-se e rodeou-lhe o pescoço com braços trêmulos, puxando-o para junto de si. Sua boca envolveu a dele, abrindo-se generosamente num longo beijo.
— Eu te amo! Muito antes de você merecer eu já te amava. As palavras sinceras foram sopradas na boca dele, e o corpo forte estremeceu.
Então foi a vez de Edward reagir, com um desejo que não dava margens a dúvidas. Ela sentiu a força dos braços dele enquanto a beijava, até que não pudesse mais respirar.
Suavemente, ele deixou seus lábios e tocou-lhe o pescoço, descendo em direção ao decote de sua blusa, os dedos ansiosos procurando os botões que lhe revelariam os seios delicados.
Com movimentos suaves tirou-lhe o sutiã e então beijou-lhe os bicos róseos, que se arrepiaram instantaneamente.
Edward estremeceu de prazer, enquanto ela tirava-lhe a camisa e o acariciava com a mesma paixão.
— Deus! Olhe o que você está fazendo comigo... — sussurrou Edward, totalmente arrepiado.
— Acho que esse sentimento é recíproco — murmurou Isabella, corando até a raiz dos cabelos.
Os olhos escuros agora eram suaves e brilhavam de paixão.
— E o que acha que devemos fazer?
Ela fingiu pensar.
— Tenho uma ideia.
— Ah, é?
A vontade de brincar com ele trouxe-lhe um brilho malicioso no olhar.
— Depois do jantar?
— Não me diga que está com fome!
— Sim... Não vai me beijar?
Edward traçou-lhe os contornos do rosto com o dedo e disse com voz provocante:
— Está me propondo que faça amor com você?
— Espero que sim. Estou ardendo de desejo.
Os braços fortes a enlaçaram pela cintura, conduzindo-a até a cama.
Isabella passou as mãos nos cabelos de Edward e o beijou, delicadamente, até que ele a abraçasse com urgência, tocando-a de uma maneira que a deixou totalmente vulnerável.
— Edward...
Vendo o ar de dúvida nos olhos dela, ele parou e a olhou com franqueza.
— Eu me casei com você com uma única intenção: reaver o que me era de direito. Uma esposa me traria inúmeras vantagens e eu estava disposto a aproveitá-las. Mas você me tocou profundamente e, assim que chegou, eu já não era mais capaz de ficar sem você. Depois de um tempo eu não queria perdê-la. Já devia ser amor... Mas não dei muita atenção a isso, até ser hospitalizado. Foi quando fui obrigado a admitir que morria de raiva cada vez que via Emmett perto de você. Era tão natural com ele, tão carinhosa, e vê-los juntos era o suficiente para ficar louco de ciúme. Na minha arrogância machista achei que poderia persuadi-la a me amar. Na cama, era tudo perfeito, mas durante o resto do tempo nos tratávamos como os piores inimigos.
Os olhos escuros demonstravam um profundo remorso e as mãos fortes acariciaram suavemente as costas de Isabella.
— Sou tão mais velho que você...
— Tem apenas trinta e sete anos!
— Dezessete anos de diferença. Quando você tiver cinquenta eu terei quase setenta.
— Mas falta muito para isso! O que se pode saber do futuro? — Seus olhos encheram-se de lágrimas. — Eu te amo, Edward Cullen, do fundo do meu coração. Está querendo me dizer que não podemos ficar juntos porque quando você estiver velho eu ainda estarei na meia-idade? Você honestamente acha que o meu amor é superficial a ponto de não aceitar as mudanças? Se quer jogar tudo pela janela...
A boca sedenta de Edward a calou, possuindo-a de uma maneira apaixonada e doce, até não deixar mais dúvidas de seus sentimentos.
— Você é meu amor, minha vida, Isabella!
As carícias se intensificaram. Juntos atingiram o clímax com tal paixão, que Isabella não pôde impedir as lágrimas de felicidade, que ele secou com beijos apaixonados.
Logo a chama se reacendeu e ela o envolveu num abraço cheio de pedidos, beijando seu pescoço com fúria até que ele a possuísse novamente, desta vez mais lentamente, aproveitando cada ondulação do ritmo erótico dos corpos em brasa.
Passou-se um longo tempo até que ele a pegasse no colo e a carregasse para o banheiro. Edward encheu a banheira e a colocou na água morna, esfregando-a e massageando-a com infinita delicadeza. Isabella sentia-se incrivelmente feliz e tranquila, segura do amor do marido e do seu. Os olhos de Edward brilhavam de contentamento.
— Sem remorsos?
Ela sorriu e disse docemente:
— Como poderia haver algum?
O interfone tocou e a voz de Jacob trouxe-a de volta à realidade:
— Os senhores vão querer jantar, ou devo dizer a Leah para jogar tudo fora?
— Que horas são, Jacob?
— Nove.
Um olhar para o marido lhe revelou que ele nem escutava, absorto em observar-lhe as formas.
— Diga a Leah que desceremos dentro de quinze minutos.
Pegando uma toalha, ela se cobriu, ignorando o desejo silencioso de Edward.
— Fora, seu homem insaciável. Que apetite!
— Eu preferia ficar aqui.
Ela deu uma gargalhada.
— Se eu conheço Leah, ela deve ter preparado uma mesa toda romântica, com velas e um vinho excelente para brindar nossa união. Seria uma pena decepcioná-la, não acha?
— Realmente, uma pena... — disse ele, com um cinismo diabólico.
— Vou me vestir — informou ela, fugindo para o quarto.
Ela escolheu um vestido simples mas sensual, escovou os cabelos e passou um pouco de maquilagem.
Enquanto se olhava no espelho, Edward se aproximou e começou a acariciar-lhe o pescoço, os cabelos, a nuca...
— Edward!
— Psiu! Só um beijinho, certo?
Foi um gesto carinhoso, apenas um leve toque em seus lábios e então ele a segurou pela mão.
— Vamos?
Isabella olhou para ele em silêncio, e então disse baixinho:
— Para onde você quiser me levar, para o resto de minha vida!
Ele a beijou, caminhando com ela para fora do quarto.
F I M
