7VERSE : SETE VIDAS

SETE VIDAS VIDA 6: CAINDO NA REAL

vida 6 CAPÍTULO 10

PRENDA-ME SE FOR CAPAZ

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AGORA

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– Como fez isso?

– Esqueceu que sou Dean Winchester? Meu irmão, Sam, é um hacker habilidoso e me ensinou alguns truques. Eu não saberia pensar numa forma de quebrar as proteções dos sites, mas uso técnicas que outros inventaram e que já funcionaram antes e torço para que alguma delas funcione mais uma vez. E tem funcionado. Aqui, nesta realidade, tudo parece mais fácil. Os sistemas de segurança de informática daqui não são tão seguros quanto os do meu mundo.

– Tenho lido tudo o que tem saído nos jornais. A polícia não tem qualquer pista do seu paradeiro. Estão perdidos. Já estão surgindo críticas na imprensa sobre à atuação da polícia. Eles já consideram a sua prisão uma questão de honra.

– Eu comprei pela internet diversas passagens aéreas, em companhias diferentes, partindo de aeroportos diferentes, para diferentes destinos, cada uma para um nome falso diferente, usando um mesmo cartão de crédito do Jen. E também diversas passagens rodoviárias e ferroviárias com dois outros cartões, também do Jen, também para diferentes nomes falsos. Em horários muito próximos e pontos de embarque diferentes. Alguns de cidades próximas. Estes três cartões eu dei para os caras com a aparência mais suspeita que eu encontrei na rodoviária quando estavam prestes a embarcar para três destas cidades de destino. Dei as senhas dos cartões e disse que chegando lá eles podiam gastar à vontade. E, finalmente, usei um cartão do Jay para alugar um carro em nome de Trevor Padalecki e paguei com dinheiro vivo um sujeito bastante parecido comigo para pegar o carro na locadora e abandoná-lo no estacionamento da estação ferroviária de Portland. E um segundo cartão do Jay para alugar um taxi aéreo que partiu de Portland para Los Angeles levando esse mesmo sujeito. Um sujeitinho bem descolado e inescrupuloso, por sinal. Me custou um bocado de dinheiro, mas acho que acabou sendo um dinheiro bem aplicado.

– Não acredito que fez isso.

– Isso e muito mais. Também venho espalhando boatos e até fotos em redes sociais. Todo dia alguém avista Jen Ackles em um lugar diferente. Portland. Los Angeles. Seattle. Nova Iorque. San Antonio. Miami. A polícia está, neste momento, seguindo um monte de pistas falsas. Eles não têm certeza se estou ou não na cidade.

– E como está fazendo para não ser descoberto aqui no hotel? Faz uma semana que você está hospedado não oficialmente aqui no hotel, já saiu e entrou diversas vezes, e nunca foi abordado. Ninguém percebeu nada.

– Os recepcionistas trabalham em turnos. Sempre tem alguém chega ou sai num turno em que eles não estão. Eles não podem acompanhar a movimentação de todos os hóspedes. Estão acostumados a acreditar cegamente nos registros dos computadores.

– Que você vem manipulando.

– Isso. Existindo o registro, e as diárias sendo pagas, ninguém desconfia de nada.

– Mas, e para entrar e sair?

– Eu desviei as imagens de todas as câmaras de segurança do hotel diretamente para o laptop do Jen e, do laptop, retransmito essas imagens para os monitores da recepção e da sala de segurança. Mas posso, quando quero, enviar imagens falsas de um corredor vazio, por exemplo. Portanto, sempre sei quando tem alguém nos corredores e não sou visto quando me movimento nos andares. Eu e também você. Ou achou que foi simplesmente sorte. Quando preciso sair, espero um momento em que o atendente está ocupado ou uso o celular para ligar para a recepção e distrair o atendente.

– O laptop do Jen? Mas, você não chegou aqui com nenhum laptop.

– Não foi difícil voltar na casa do Jen e recuperar o laptop dele. Peguei emprestado um carro ..

– Pegou EMPRESTADO?

– Peguei e já devolvi. O dono nem ficou sabendo. Continuando .. Peguei emprestado o tal carro, fui até a casa de Jen & Jay, usei a chave da porta dos fundos, subi até os quartos e peguei tudo ia precisar: dinheiro, talões de cheque, cartões de crédito, algumas mudas de roupa, os laptops do Jen e do Jay, os passaportes dos dois e isso aqui, álbuns de fotografia do Jay.

– Você ROUBOU dinheiro, o passaporte e objetos pessoais do Jay?

– Eu vou precisar disso tudo isso para salvar o Jay. Acha que vai ser fácil chegar na Europa? Com todas estas medidas de segurança antiterroristas, não dá para pegar um vôo comercial. E mais. Eu andei pesquisando na internet. O seriado é popular no mundo inteiro. Mesmo na Europa. Não tem como eu poder andar de cara limpa.

– Ainda é cedo pra falar em Europa. A primeira coisa é sair de Vancouver. O melhor é você vir comigo para Washington.

– Não. Você também está sendo muito visada pela imprensa. Esqueceu a pequena tropa de repórteres montando guarda no saguão nos três primeiros dias. Agora, menos. Mas, volta e meia, aparece um. VOCÊ me ajudando é algo que eles suspeitam que possa acontecer. É por isso que eu preciso tanto do Chad. Ninguém vai suspeitar que justamente ELE está me dando cobertura.

– Quase enfartei naquele dia. Achei que estava tudo perdido. Achei inacreditável quando o Chad não nos denunciou ali mesmo, no hospital. Por mais que ele estivesse com medo ou até mesmo por isso. E acaba que, depois de quase terem se matado, vocês ficaram .. amigos.

– Não ficamos amigos. Apenas concordamos que ambos fomos vítimas da criatura. A sereia por muito pouco não fez que nos matássemos um ao outro. Ele sabe que, sozinho, não tem chance de encontrar o verdadeiro Jay. Precisa da minha experiência. E eu preciso que ele me dê cobertura. Se não esclarecermos o que de fato aconteceu com o Jay, com o verdadeiro Jay, mais cedo ou mais tarde o Jen vai acabar preso. Ou vai passar o resto da vida escondido. Ou seja, precisamos unir forças se quisermos ter alguma chance de limpar o nome do Ackles e, quem sabe, salvar a vida do Padalecki.

– Acredita mesmo que Jay esteja vivo?

– Na verdade, NÃO. Mas, precisamos descobrir o que realmente aconteceu. Amanhã, o Chad vai ter alta do hospital. Ele deve ser liberado para deixar a cidade logo após prestar depoimento. E aí vamos ao encontro de Sandra McCoy e, dependendo do que escutarmos, embarcaremos para a Europa.

– Você vai se mostrar para a Sandra McCoy? E se ela não acreditar em vocês e chamar a polícia?

– Vamos ter que arriscar. Ela conhecia o Jay intimamente. TEM que ter notado alguma diferença. Ter alguma suspeita de que havia algo de errado com ele.

– Está certo. Então eu encontro vocês na Europa.

– NÃO, Dan. Não é uma viagem de férias. Eu sou um foragido e me ajudar pode trazer muitos problemas para você. Além do mais, você já deveria estar de volta às gravações de One Tree Hill.

– O Chad não pode gravar. A voz dele ainda não voltou ao normal. Eles estão reescrevendo as cenas. Eu liguei para o diretor e disse que não tinha condições de continuar a temporada. Que precisava de um tempo. Meu personagem e o dele saem da trama por um tempo. Melhor assim. Eu não estava com cabeça para voltar à rotina mesmo.

– Dan, me sinto péssimo sabendo que baguncei tanto a sua vida. Os depoimentos para a polícia, o assédio da imprensa e, para completar, toda essa hostilidade dos fãs de Supernatural.

– A minha vida estava precisando de uma chacoalhada. Tudo nela estava estagnado. Faltava loucura. Faltava amor. Faltava VOCÊ na minha vida, Dean. Estar com você aqui, neste momento, compensa todo o resto.

– Eu também me sinto assim. Mesmo com essa loucura toda, eu estou feliz. E é você que me deixa assim. Feliz.

– Eu não quero e não vou deixar você sozinho. Mesmo sendo cheio de recursos, ainda assim você precisa de mim. Não estou me referindo a trazer comida. Para isso, você até podia dar um jeito. Mas, quem ia fazer você relaxar com um carinhozinho bem aqui. Um outro aqui. E aqui.

– Aaai. Você sabe como me deixar louco. Você me deixa louco, sabia? Adoro quando você vem com esses .. carinhozinhos.

– Como esse? - E esse? - E esse?

– Aaai. Aaai. É. Assim mesmo. Continua.

A conversa morreu ali mesmo. As palavras ficaram desnecessárias. Em minutos, as roupas estavam espalhadas por todos os cantos do quarto.

Abandonadas.

Muito mais desnecessárias que as palavras.

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NO DIA SEGUINTE

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– Não acha arriscado MENTIR num depoimento oficial de uma investigação policial de assassinato?

– Pode ser que eu me arrependa depois, mas eu não queria acabar com a reputação do Jay. Do verdadeiro Jay. Aquele que um dia foi o meu melhor amigo. Que gostava de garotas. Esse Jay, que vivia com o Jen, eu não tenho certeza de quem realmente era. Ou, segundo o próprio Jensen, O QUÊ realmente era.

– Acredita mesmo no que o Jen diz?

– Eu não sei mais no que acreditar. Mas, pensei que VOCÊ acreditasse. Afinal, mesmo com tudo o que aconteceu, vocês continuam juntos. Vocês ESTÃO juntos, não estão?

– Uma mulher apaixonada NUNCA é uma boa referência.

– Além disso, adoro os pais do Jay e sei o quanto esses boatos devem estar fazendo-os sofrer. Eu não queria ser a fonte de mais sofrimento.

– Como você sabe que o próprio Jay não revelou tudo para os pais?

– Eles foram me visitar no hospital e, como eu não estava podendo falar e eles estavam emotivos, acabaram falando mais do que normalmente fariam. De uns meses para cá, eram ELES que ligavam pro Jay, nunca o contrário. Jay estava frio com eles. Isso tudo foi fazendo com que eu acreditasse cada vez mais nas coisas que o Jen disse, por mais fantásticas que pareçam. O Jay sempre foi muito ligado à família. Mas, foram eles próprios que disseram que nunca vão acreditar no envolvimento do filho com um homem.

– Esse Jen que estou conhecendo agora certamente GOSTA de garotas. Nem o melhor ator do mundo fingiria tão bem.

– Eu não podia alimentar a versão de crime passional sabendo que as coisas não aconteceram como parecem para quem as vê do lado de fora. Quem não viveu aquela situação toda. Eu agora vejo que eu realmente agi como se estivesse enfeitiçado. Fazendo coisas que nunca imaginei que faria. Coisas completamente fora de propósito.

– Com certeza a polícia vai me chamar para um segundo depoimento.

– Bem, agora é com você. Você está livre para confirmar ou não que tivemos um caso e que eu vim a Vancouver para tomar satisfações com o Ackles por conta disso. Eu disse no depoimento que eu toquei a campainha e parti pra cima dele, mas ele me dominou e me amarrou. O Ackles insistiu para que eu não dissesse que fui eu quem trouxe a adaga e nem que o ataquei com ela em primeiro lugar. Ele disse que eu ia me encrencar e podia não receber permissão para deixar a cidade. Mas, acho que, na verdade, ele só está querendo livrar a minha cara. Isso, de certa forma, me deixa em débito com ele. E é verdade que eu não vi o Jen esfaquear a criatura.

– A CRIATURA?

– Fica mais fácil assim. Acreditar que aquele não podia ser o Jay.

– Esta história de que tivemos um caso saiu da sua cabeça?

– Na verdade, saiu de uma insinuação do McG, quando ele, o Singer e o Kripke foram ao hospital me ver. E também lembrei que você me disse que declarou numa entrevista que só ficou na cidade para me fazer companhia.

– E como ficam você e a Katie depois dessa?

– Está VENDO ela aqui a meu lado? Eu quase MORRI e ela não apareceu no hospital para me ver.

– Ah, meu querido. Você não merecia estar passando por isso. Você é um amigo excepcional. Eu devia ter ido mais vezes ao hospital. Imagino o quanto foi difícil para você.

– Mas, não conseguia deixar o Jen sozinho. Sei como é.

– Bobo.

Sem que Dan e Chad percebessem, um paparazzo fotografou com uma objetiva o abraço emocionado dos dois e Dan tocando com carinho o rosto de Chad. No dia seguinte, essas fotos, e a publicação de parte do depoimento de Chad à polícia, alimentariam a versão de que a morte de Jay Padalecki aconteceu em meio a uma disputa entre Chad Murray e Jen Ackles pelo amor de Dan Harris.

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– Acredita que o McG quer continuar o seriado com outros atores? Ele já até formalizou o convite para o Hayden Christensen.

– Já eu estou até com medo de sair à rua. Não imagina as coisas horríveis que os fãs do seriado estão dizendo a meu respeito. As barbaridades que estão sendo espalhadas na internet e nas redes sociais.

– E o Jen? Cadê ele?

– Vamos até o meu hotel. Não é bom falarmos sobre isso na rua.

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– O Jen está escondido aqui no seu hotel?

– O Jen é mais cheio de recursos que você possa imaginar. Já estou acreditando que ele seja mesmo Dean Winchester.

– O quê?

– Esquece. Uma piada nossa.

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DEPOIS

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– É assim que você vai comigo para Los Angeles? Se bem que é capaz de lá ninguém estranhar. Cara, naquele dia no hospital, mesmo com todo medo que eu estava sentindo, sem falar na dor - e vocês não imaginam como estava doendo -, eu quase cai na gargalhada quando te vi com essa peruca, esse corte maluco e essa maquiagem toda. Se bem que tem algo diferente daquele dia.

– Agora as mechas estão vermelhas. Naquele dia estavam azuis.

– Mas, precisa ir de saia também?

– Precisa. O kilt é parte importante do disfarce. As pessoas olham para as pernas dele e não para o rosto.

– É. Você tem pernas bonitas, Jen. Musculosas, torneadas. E não são só as pernas que são bonitas. Foi isso que chamou a atenção do Jay? Vira um pouquinho para eu ver melhor.

– Pára com isso, Chad.

– Eu sei como fazê-lo parar rapidinho.

– Falando sério, Jen. Se eu descobrir que isso tudo é um plano que você armou para fugir da responsabilidade pela morte do Jay, eu juro que te denuncio imediatamente para a polícia. Mesmo que eu acabe preso também.

– Não tem nenhum truque, Chad. Eu vou provar para você. Nós vamos descobrir o que aconteceu com o Jay.

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01.03.2014