O DIA DAS BRUXAS
Lílian acordou indisposta na manhã do Dia das Bruxas. Só conseguira pegar no sono quando já estava amanhecendo. Agora, o relógio marcava quase dez horas, e a primeira coisa que percebeu, ao se levantar, era que Harry e Tiago não se estavam no quarto.
Levantou-se, desesperada, e correu até a sala e cozinha, e não os encontrou. Sentou-se, desolada, no sofá, tentando imaginar o que poderia fazer, ou a quem poderia pedir ajuda naquele fim de mundo, quando Tiago entrou tranquilamente pela porta da sala, carregado de sacolas, empurrando o carrinho do bebê.
- Tiago, você é louco de sair sem me avisar?
- Ei, Líli, calma. Relaxa, meu amor - Tiago aproximou-se da esposa, e a abraçou. - Eu vi que você demorou para pegar no sono, por issso eu não te acordei.
- Você podia ter deixado um bilhete..., ah Tiago, eu pensei tanta besteira...
- Desculpa, Líli. Eu achei que quando eu chegasse, você ainda estaria dormindo...escuta, não vamos brigar de novo, ok? Não foi esse o nosso acordo? Eu sei que não está sendo fácil, mas nós precisamos resistir.
Lílian permaneceu em silêncio, mas sorriu para o marido, e se beijaram como não faziam há vários dias. Em seguida, Tiago abriu as sacolas, e mostrou as compras que havia feito.
- Vou acender uma fogueira, e soltar alguns fogos para divertir o Harry. E estou morrendo de vontade de comer torta de abóbora - Sorriu para Lílian, os olhos brilhando como os de uma criança.
Sirius chegou em casa, vindo do trabalho. Correu para tomar banho, e ir até a casa de Isabella. Tinha muito o que fazer naquela noite, mas antes queria jantar com o seu amor. Tirou do bolso uma caixinha, e a abriu. Dentro, um anel brilhava intensamente. O rapaz sorriu de satisfação, imaginando a expressão que Isabella faria ao receber a jóia. A bruxa que lhe vendera o anel, garantira que o brilhante era mágico. "A mulher que receber essa jóia, enquanto a usar, jamais se esquecerá do homem que a presenteou". Sirius não sabia se acreditava ou não . O que importava era que aquele anel representava o seu amor por Isabella.
Após o banho, passou o seu melhor perfume e vestiu a camisa que ganhara da namorada no dia do seu aniversário. Olhou-se no espelho, e sorriu, satisfeito com sua aparência. Desceu as escadas correndo e encontrou sua mãe na sala. Mellyssa admirou o filho, que terminava de ajeitar a roupa.
- Posso saber aonde você vai, tão perfumado?
- Vou jantar com a mulher da minha vida, mãe. - Sirius ignorou a careta que formou-se no rosto da mãe. - Estou bonito?
- Você é lindo de qualquer jeito, querido. - Mellyssa passou as mãos nos cabelos do filho, tentando ajeitá-lo. No fundo não se conformava que aquele homem feito mais alto que ela própria, fora um dia o seu bebê. Sirius já era um adulto, embora ela relutasse em aceitar esse fato.
- Olha só o que eu comprei para a Bella, mãe. - Sirius mostrou o anel, que faiscava dentro da caixinha.
- É aniversário dela?
- Não, mãe. Eu vou pedi-la em casamento.
- Casamento? Mas já?
- Lógico. O divórcio dela vai sair a qualquer momento. É só questão de marcar a data.
- Vocês não estão se preciptando?
- De jeito nenhum. A gente se ama, vamos casar e lhe dar lindos netos, Sra Black.
- Sou muito jovem para ser avó, Sirius. Não me venha com novidades, hein? - Melyssa, de repente ficou séria, e mudou completamente de assunto. - Você tem notícias de Lílian e Tiago?
- Não mãe. - Sirius ficou levemente embaraçado, ao mentir descaradamente para sua mãe. Mas tinha prometido não conta nada sobre o plano dos Potter à ninguém. E mesmo que quisesse contar onde eles estavam vivendo, não poderia dizer, devido ao feitiço Fidelius. Beijou Melyssa no rosto e desceu para a garagem.
- Ah, e não precisa me esperar, mãe. Não sei a que horas vou voltar.
- Juízo, Sirius. E cuidado - Melyssa beijou o filho na testa, e o encarou, de repente, muito séria. - Preferia que você não saísse essa noite, querido.
- Mãe, por favor... - Sirius subiu na moto, e agitou a varinha para abrir o portão - Não precisa ter ciúmes.
O rapaz deu a partida na moto, e a acelerou, ganhando velocidade. Melyssa acompanhou o filho, até este desaparecer de vista, levantando vôo. Sentia uma estranha opressão no peito, como se tivesse acabado de receber a notícia de uma tragédia.
Ao ouvir a campainha de seu apartamento tocar, Isabella correu a atender a porta. Assim que a abriu Sirius pegou a namorada no colo e a rodou pela sala.
A moça ria feito uma criança. Finalmente, o rapaz a colocou no chão e os dois se beijaram avidamente, parecendo que não se viam a muito tempo.
- Seu louco - Isabella tomou fôlego, ainda abraçada a Sirius.
- Louco por você, isso sim. - Sirius acariciou os cabelos da namorada, e encarou seus belos olhos - tenho uma surpresa pra você.
- Eu também - Havia um brilho diferente no olhar de Isabella, quando a moça pegou um envelope em cima da estante. - Meu divórcio, Sirius. sou novamente uma mulher livre e desimpedida.
- Nem tão livre assim, senhorita - Sirius segurou o queixo de Isabella e ergueu a cabeça dela, fingindo dar uma bronca. Em seguida, tirou a caixinha com o anel de dentro do bolso da jaqueta, e a entregou a Isabella. - Você está disposta a se amarrar novamente?
Isabella pegou o anel, eo comtemplou diante da luz. Sem esperar a resposta, Sirius pegou a jóia e a colocou no dedo de Isabella, que agora sorria, encantada.
- Sirius, você é louco - repetiu , fingindo-se indignada - Deve ter custado uma fortuna.
- Você merece, Bella. Te amo demais, sabia?
- Também te amo. E muito.
Sirius sentou-se a mesa e em seguida, uma travessa fumegante de lasanha veio flutuando da cozinha. Isabella também se sentou e serviu a massa.
- Vou jantar logo Isabella, não vou ficar aqui essa noite.
- Não? - Isabella espantou-se. Sirius, de repente ficara sério, e comia rapidamente - Hoje é dia das bruxas, pensei que poderíamos comemorar juntos... e , bem... eu preciso, er... conversar com você... sobre uma coisa...
- É muito urgente? Não, Bella, é sério. É o seguinte, eu preciso resolver umas coisas que o Tiago me pediu - Sirius corou levemente, como sempre acontecia quando mentia.
- E falando nele, você não vai me dizer mesmo para onde eles foram?
- Eu não sei Isabella, quantas vezes eu preciso te dizer isso? - Sirius virou a taça de vinho, engolindo a num gole só. - A Lílian te escreveu?
- Recebi uma carta dela, ontem a tarde. Mas ela diz que não pode revelar onde eles estão escondidos...
- Então é melhor você esperar essa situação se resolver...
- Você sabe onde eles estão, mas não quer me contar...
- Escuta, Isabella, eu não vou discutir isso com você agora. - Sirius se levantou e passou a mão nos cabelos da namorada. Encarou-a, meio espantado - O que você queria conversar comigo?
- Amanhã a gente conversa, agora você está com pressa, e eu não estou me sentindo bem...
- O que você tem?
- Nada, acho que a massa não me fez bem...
- Bem então eu vou indo. Amanhã eu passo na redação do Semanário, e te pego para a gente almoçar. Tudo bem?
Isabella forçou um sorriso e acompanhou Sirius até a porta.
- Você tem certeza de que está bem? - Sirius perguntou preocupado com a súbita palidez de Isabella.
- Estou muito melhor do que você imagina - Agora sorria enigmaticamente para Sirius. - vai logo, meu amor, não precisa se preocupar comigo.
Beijaram-se ao se despedirem, parados na porta do apartamento. Isabella enlaçou o pescoço de Sirius, e o apertava contra seu corpo, não querendo que o rapaz se fosse. Por fim, soltaram-se e Sirius desceu, correndo, as escadas do prédio.
Tiago armou a fogueira com galhos de árvores secas, que recolheu nos arredores da sua casa, enquanto Lílian se esforçava na cozinha, tentando preparar um jantar mais caprichado.
Pela primeira vez em vários dias, jantaram com animação. Harry pegava pedaços de torta com as mãozinhas, e lambuzava o próprio rosto com o recheio de abóbora. Logo após o jantar, Lílian pegou o filho no colo, e os três saíram para o quintal, onde se encontrava a armação da fogueira. Tiago pegou a varinha, e a acendeu. Em seguida, pegou algumas bombinhas e as jogou no fogo, provocando pequenas explosões coloridas. Tiago pegou o filho dos braços da esposa e o aproximou das chamas. Harry ria, exibindo seus dentinhos, encantado. Lílian se aproximou de Tiago e o abraçou pelas costas, apoiando as mãos nos ombros do marido.
- Te amo demais, Tiago, e você é o melhor pai do mundo.
Tiago encarou os olhos verdes da esposa, que brilhavam diante do fogo.
- E você é a mulher da minha vida. E quero ter outro filho, assim que essa loucura toda passar. Uma menina, linda como a mãe.
Pouco depois, quando a fogueira se extinguiu, voltaram para dentro de casa e Lílian colocou Harry no berço e o fez dormir. Voltou para a sala. Tiago estava no sofá, ouvindo música. Lílian deitou-se no colo do marido.
- A senhora já não está bem grandinha para dormir no colo? - Tiago passava as mãos pelos cabelos de Lílian, sentindo seu perfume.
- Nós ainda somos crianças, Tiago - Lílian levantou-se e sentou de frente para o marido, sorrindo maliciosamente, e o puxou para si.
Fora de casa, fazia frio e ventava, mas era indiferente para Lílian e Tiago. O que interessava naquele momento, era todo o amor que emanava deles, tomando conta da pequena sala. Ficaram em silêncio durante muito tempo, sem vontade de saírem daquele sofá apertado. Era como se o mundo, de repente, tivesse desaparecido.
Um estrondo violento, seguido de uma espécie de explosão, os despertou de repente. Tiago levantou, assustado, e encarou Lílian que parecia ler, na expressão de pânico do marido, o que estava acontecendo.
- Tiago...
- Lílian, leve Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu o atraso.
Lílian saiu aos tropeços da sala, em direção ao quarto de Harry, arrancou o filho do berço, envolvendo-o nas cobertas. Ouviu uma porta se escancarando e uma garagalhada fria e aguda.
- Avada Kedrava
Lilian precipitou-se pelo corredor e ao chegar na sala, com Harry, sentiu a respiração falhar, e seu coração gelou, ao ver Voldemort empunhando sua varinha, sorrindo sarcasticamente. Ao seus pés, estava o corpo de Tiago, caído, sem vida.
Não houve tempo para Lílian gritar ou chorar ao ver o marido morto. Voldemort virou-se para ela, ainda sorrindo.
- Largue a criança e vá embora. Só quero a criança. Vai... - Lílian agarrou-se mais ainda em Harry, evitando olhar para o corpo de Tiago. O bebê chorava, assustado.
- O Harry não, o Harry não, por favor o Harry não!
- Afaste-se, sua tola... afaste-se agora...
- O Harry não, por favor não, me leve, me mate no lugar dele... Harry não! Por favor.... Tenha piedade... tenha piedade...
- Afaste-se. Afaste-se menina
- Harry não! Harry não! Por favor... Farei qualquer coisa...
Lílian gritava, aflita. Voldemort riu, , uma gargalhada aguda, fria. O desespero daquela menina sangue ruim, implorando para salvar seu filho, o divertia. não era a primeira, nem seria a última... No entanto ficava sempre irritado quando aquilo acontecia. Se ela estava disposta a morrer, que morresse. Não iria poupar a criança por isso.
- Avada Kedavra!
Lílian tombou de costas, no chão, ainda segurando firmemente Harry nos braços. Seu último, e mais forte pensamento, antes de ser atingida, estava voltado para o filho : "Nada vai atingir o meu Harry. Nada".
O bruxo então virou-se para o bebê que continuava a choramingar. Não sentiu pena nem piedade. Apontou sua varinha para Harry e desferiu a mesma maldição que usara para matar os pais do bebê...
... Foi, então, que houve uma espécie de explosão, e Voldemort gritou, com toda a força que tinha. O feitiço atingira Harry,na testa, provocando um corte, em forma de raio, e rebatera, voltando-se para o próprio Voldemort. Este foi arracando de seu corpo, tornado-se menos que um espírito, menos que um fantasma mais insignificante. Então desapareceu, deixando para trás seu reinado de horror e preconceito. Harry continuava chorando, ainda envolvido pelos braços da mãe.
Capítulo11...
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