N/A: Não acredito! Mais uma pessoa deixou um review! Será que só agora, que a história já passou da metade, as pessoas vão comentar? O.õ

E o que que tem de errado com esse bendito site que não me deixou atualizar ontem? E ainda tem a audácia de alterar a minha formatação! Que raiva! ÒÓ

Agradecimentos super especiais para:

Nao-chibi – Não se preocupe, Unio vai estar aqui quando você voltar. Você é das minhas, entende que não adiantaria nada ter o Yami sem o Yugi. Francamente, sem o Yugi, o Yami ainda estaria trancado no enigma do milênio, e isso é só pra começar u.u Quanto ao nome do pai do Yami, eu também copiei e colei porque, sejamos francos, não há santo que consiga escrever esse nome sem colar

Gabriela P.M – Bem vinda! Bem vinda! Bem vinda! \o/ Sim eu ri horrores lendo as suas reviews, mas é por causa da sua empolgação. Você deixa claro que realmente está gostando da história e isso me deixa muito feliz! Não se preocupe com Yugi/Yuugi. É que como eu leio muitas fics em inglês eu nem lembro mais como se escreve em português -.-' Também não precisa se preocupar com as atualizações, já que eu nunca começo a postar uma fic que não esteja já 90% ou totalmente completa. É que eu não suporto a idéia de começar a contar uma história pra alguém e não terminar (sério, eu peguei raiva de alguns autores por isso ¬¬). E muito obrigada pelos elogios. Realmente, a gente vê cada fic por aí que dá até medo.

Aviso: O final deste capítulo pode ficar meio confuso. Tenham em mente que era essa a intenção. =3


Unio

- Capítulo 9 -

O sol chegou de mansinho, entrando na sala com hesitação. No sofá, deitados nos braços um do outro, os dois jovens ignoravam o astro rei, mais preocupados em manter seus olhares unidos.

- Yami, posso perguntar uma coisa? – Yuugi disse com cuidado, atento a cada reação. Havia gasto os últimos dez minutos pensando em como sanar sua curiosidade sem desencadear outro ataque de ansiedade. Agora, rezava para que houvesse conseguido.

O príncipe fez que sim, sentindo a tensão que lentamente se acumulava. Ao seu redor, as sombras tremularam, mas Yami não lhes deu atenção.

- Por favor, não me entenda mal. Seus olhos são lindos, mas a cor, bom, não é uma cor comum entre humanos. – o pequeno anjo respirou fundo, não se atrevendo a desviar o olhar – Yami...o quê é você?

O príncipe se encolheu, quase deixando o abraço, mas parando no último instante. Ainda assim, era óbvia a luta travada nas íris vermelhas.

- Isso importa? – perguntou com um fio de voz, o corpo estremecendo de leve.

Yuugi sorriu triste. Levantou do sofá com cuidado para não empurrar sua companhia, espreguiçando-se com gosto. Suas asas, presas pelo lacre, estremeceram dolorosamente, mas já estava acostumado.

- Não importa. Mas eu gostaria de saber um dia. – o pequeno anjo respondeu por fim, inclinando-se para roubar um selinho – Eu vou tomar banho. Se importa de começar a fazer o café?

Yami fez que não e Yuugi sorriu, desta vez feliz. Deixou a sala e sumiu pelo corredor. Instantes depois uma porta se fechou.

Suspirou, o corpo amolecendo contra o sofá. Não entendia o porque, mas nunca sentira tanto o peso de seu segredo. Era como se, além de aumentar, o peso houvesse se movido, deixado seus ombros para apertar-lhe o peito, puxando seu coração para baixo.

Devo contar? Yuugi parecia tão triste... – se forçou a levantar e ir para a cozinha. Seu salvador não costumava demorar no banho e, de acordo com o relógio na parede, tinha pouco tempo antes que o menor tivesse de sair pela porta sem olhar para trás.

Eu já lhe mostrei meus olhos, o que pode ser pior? – começou a fazer o café, ainda lembrando de como Yuugi se surpreendera da primeira vez que o fizera. Teria toda aquela admiração caído por terra, agora que mostrara que não era cego?

Perderia mais se revelasse suas origens?

"Você não é um príncipe! Você não é nada! Só uma coisa que teve sorte em nascer!"

Yuugi...eu sou algo para ele... – o sentimento quente em seu peito dizia que sim, mas então porque não conseguia abafar a memória da voz de sei pai?

"Mas eu vou consertar esse erro, e você nunca mais terá sorte nessa vida. Você vai viver e morrer como um nada, Yami, tão patético que ninguém vai se lembrar, tão inútil que nem mesmo sua morte fará diferença."

Faz diferença...Yuugi vai chorar...

"Então porque ele te deixa?"

Olhos vermelhos se arregalaram e mãos apertaram a bancada da pia com força. Aquelas eram palavras totalmente novas, não lembranças. O que estava acontecendo?

"Tolo. Achou mesmo que ele queria o seu bem? Uma coisa tão inútil não merece sequer o esforço. Você acha que está livre, mas tudo que seu precioso Yuugi fez foi te trancar em outra gaiola."

Não! Yuugi nunca...

"Quem disse? Esse sentimento patético no seu peito? Tsc. Sentimentos não prestam para nada! Quantas vezes eles impediram que se ferisse?"

É diferente! Esse é novo! É forte!

"Nada em você é forte! Nunca vai ser!"

Está errado! Eu vou ser! Vou proteger...

"Quem? Yuugi? Ele é tão inútil quanto você!"

Não se atreva a falar mal dele!

"A verdade dói? Admita! Vocês não tem a menor chance!"

- NÃO!

As sombras responderam, atacando ao desesperado comando. O alvo foi atingido e jogado para trás, batendo contra a parede e escorregando até o chão. Pálpebras tremularam, olhos sendo forçados a se abrirem na esperança de entender o que acontecia. Entender porque havia dor em seu peito e sangue em seus lábios.

Olhos vermelhos se arregalaram, voltando a realidade com o som do impacto. Se ainda estivesse em seu reino, não teria ficado nada além de feliz por enfim conseguir manipular as sombras a sua vontade. Porém aqui, neste mundo tão estranho, sobre a proteção e cuidado do ser mais luminoso que jamais vira, Yami se sentia a mais vil das criaturas.

- Ya...mi? – o menor piscou, tentando focar a vista. Havia entrado na cozinha depois do banho, apenas para ter uma massa negra se chocando contra si. Ou, pelo menos, era isso que achava que acontecera. A verdade é que estava tonto demais para tentar lembrar.

O príncipe se adiantou, ajoelhando ao lado do pequeno anjo caído, desesperado em ajudar mas temendo tocá-lo. Sombras dedilharam sua pele mas Yami não as queria, não agora. E, se tê-las significava machucar Yuugi, nunca iria querer.

- A-aibou, eu sinto muito! Eu não te vi entrando! – se forçou a parar quando viu que não tinha como explicar. O que poderia dizer? Que suas memórias ganharam vida, provocando até que não conseguisse mais controlar e atacasse, com um poder que nunca conseguira manifestar antes, diga-se de passagem? Não. Só assustaria mais o menor se dissesse isso.

Assustaria a si mesmo.

Yuugi piscou, a dor subitamente esquecida.

- Aibou? O que é isso? – perguntou inocente. A palavra estrangeira não representava nada para si, mas algo lhe dizia que gostaria do significado. Isto é, se Yami conseguisse se acalmar o bastante para dizer.

Porém, para sua total surpresa, em vez de Yami ignorá-lo para continuar seu ataque de pânico, ele apenas lhe encarou, espantado e...corado?

- Não é nada. – tentou disfarçar, desviando o olhar.

- Você não me chamaria assim se não fosse nada. Nem ficaria envergonhado. – Yuugi provocou, um pequeno sorriso maroto brincando em seus lábios.

Não querendo negar mais do que já negara, e secretamente esperando que o outro aprovasse sua escolha, o príncipe respirou fundo, juntando coragem.

- Parceiro. – a palavra parecera levar consigo todo o ar de seus pulmões e Yami respirou fundo mais uma vez – Aibou é parceiro.

Os jovens se calaram. O único som era o da cafeteira trabalhando, logo, nem isso. A casa se tornou silenciosa e desconfortável. Cansado de todo aquele show, Yuugi se levantou, estendendo a mão para seu tão querido quanto esperado hóspede. Olhos vermelhos piscaram.

- Yami, não podemos ficar o dia inteiro no chão. Eu ainda tenho que trabalhar. – brincou, a mão ainda estendida.

O príncipe a pegou com hesitação, mais para agradar a ambos do que por precisar de ajuda. Encarou as ametistas que tanto admirava, sem saber se ficava feliz ou triste com a facilidade com que era perdoado.

Eu não te machuquei? – perguntou timidamente, incapaz de dizer as palavras em voz alta.

- Claro que não. Não se preocupe, você só me assustou. – admitiu embaraçado, coçando a nuca. Mais uma vez havia pago o preço por sua inabilidade.

- Mas...

- Yami, eu estou bem. – disse com sinceridade, lavando o sangue de seus lábios com cuidado para não sujar sua roupa. O príncipe achou por bem deixar o assunto de lado.

Assim o resto do café da manhã foi feito e ambos os jovens se sentaram a mesa, comendo em silêncio. Uma pergunta gritava para ser feita, mas Yuugi parecia tão perdido em pensamentos.

Você não gostou. – suspirou, baixando os olhos para o prato, cutucando sua torrada com desinteresse.

- Hum? Ah, não! Eu adorei! – Yuugi foi forçado para fora de seus pensamentos com a pergunta, mesmo não tendo certeza que a ouvira, como sempre. Logo um grande sorriso iluminava seu rosto – Pode me chamar assim quando quiser, Yami.

O príncipe se sentiu aliviado por ver o sorriso, muito embora parte de si ainda se sentisse culpada pelo acidente. O anjo percebeu e começou a pensar no que fazer. Sempre se sentia triste por deixar o pobre rapaz sozinho, mas nunca conseguira realmente encontrar uma solução.

Mas agora Yami podia ver

Argh! Eu sou um idiota! – o pensamento cruzou sua mente com tanta força que era quase doloroso. Levantou, pegando o outro de surpresa, o fazendo pular em seu assento.

- Yami, quer ir trabalhar comigo hoje?

-x-

- Mas vovô, porque o rei não gostava do príncipe? – o pequenino perguntou, seus grandes e inocentes olhos já marejados.

- Porque o príncipe era fraco, enquanto o rei era forte.

- Mas não é justo! O príncipe não pediu para ser fraco! – o pequeno se revoltou, luz dançando ao seu redor – Aposto que ele queria ser grande e forte e ajudar a proteger todo o reino!

O avô suspirou triste. Amava seu neto mais que tudo, mas não conseguia entender como seu filho gerara uma criança tão fraca. A aura que envolvia o pequeno, apesar de extremamente branca e luminosa, não era nem metade que a dos outros garotos da mesma idade.

- Calma, Yuugi. É só uma história.

- Mas...

- Sem mais mocinho, você precisa dormir. Amanhã é um dia importante, lembra?

O pequeno suspirou, sabendo que não poderia adiar mais. Enfiou-se debaixo das cobertas, aconchegando-se na cama, deixando a vista apenas seus grandes olhos. Sugoroku lhe sorriu, mas ainda estava com medo. E se não conseguisse? E se nada mudasse?

O anjo mais velho se levantou, pegando a vela acesa na cabeceira para guiar-se. Estava prestes a fechar a porta, quando as palavras do pequeno anjo lhe acertaram o peito.

- Se eu conseguir ter asas, eu posso conhecer o príncipe, vovô?

E Sugoroku apagou a vela, não querendo que seu neto visse suas lágrimas.

- É só uma história, Yuugi.

-x-

- Só uma história... – repetiu, observando o jovem que se movia alguns metros à frente, tentando separar a grande massa de orquídeas em pilhas da mesma cor. Sentia-se um pouco culpado por isso. De todos os dias que poderia ter trazido Yami, tinha que ser justamente quando as flores chegavam? Era de longe o dia mais atarefado.

Mas o trabalho o está distraindo. Também deve ser bom poder sair e ver as coisas. Eu não acho que ele conheça nenhuma dessas flores.

May não havia se oposto, pelo contrário, até agradecera pela ajuda extra. Yuugi temera como seria o encontro dos dois, uma vez que Yami não estava acostumado a lidar com outras pessoas – verdade seja dita, o príncipe só interagia verdadeiramente com o pequeno anjo – mas tudo acabou bem. Melhor que o esperado até, quando Yami conseguiu responder sem parecer submisso demais.

Se bem que ele não pareceu submisso o dia todo. – franziu o cenho, finalmente parando para analisar o comportamento do outro. Viu cabeça erguida e olhos firmes, determinação disfarçando a insegurança. O que teria acontecido para causar uma mudança tão drástica?

Aibou...E eu achando que havia exagerado com o beijo. – sorriu, ainda surpreso em como a palavra parecia tão bela e natural. Se não possuísse uma memória tão boa, com certeza acharia que sempre conhecera a palavra.

Disposto a ajudar seu parceiro, Yuugi se aproximou.

- Yami.

O príncipe ergueu o rosto e sorriu, dando espaço para o menor sentar ao seu lado. O anjo o fez e logo os dois estavam separando as orquídeas.

- E então? O que está achando até agora? – Yuugi puxou a conversa depois de um instante de silêncio. As orquídeas estavam acabando e não queria que terminassem se encarando sem saber o que dizer.

- Eu gosto daqui. – o príncipe respondeu com sinceridade, olhos fixos na tarefa. O ambiente era agradável com todas aquelas flores diferentes e coloridas e ainda podia ficar lado a lado com seu Aibou, que mais poderia querer?

- Que bom. May disse que você pode vir mais vezes se quiser.

- Mesmo? – olhos vermelhos encararam ametista, brilhando de felicidade.

Yuugi riu.

- Porque não? Mas não crie grandes esperanças, as coisas costumam ser bem tediosas por aqui.

- Com você por perto? Nunca.

- E-eu não sabia que você era romântico, Yami. – o anjo baixou o olhar, as faces coradas.

- Eu também não. – o príncipe riu maravilhado. Sempre gostava de ver Yuugi corar.

O menor correu a mão pelo cabelo, colocando uma mecha dourada atrás da orelha. Voltou a separar as orquídeas, tentando não se concentrar no calor ainda queimando seu rosto. Logo só restava uma.

Yami sorriu, uma idéia lhe tomando a mente. Já vira Mahado fazer algo parecido, e com ótimos resultados, então porque não tentar? Esperou, acompanhando os movimentos de seu Aibou apenas para esticar a mão, cobrindo a dele com toda a casualidade que conseguiu fingir.

Mas Yuugi não poderia se importar menos. Não agora.

As emoções correram para si, tão fortes que gemeu, tentando fugir do toque que lhe feria. Mas era tarde demais, o caos já espiralavam em seu peito, e não importava o quanto tentasse conter, simplesmente não conseguia!

/Determinação em se provar a altura. Orgulho por estar ao seu lado. Raiva pelo ataque. ÓdIo... sANnguE... CoNfusÃO ... pAssADo. iNcERrteZa. SeGUraNÇa...sEGredoS... MenTIraS.../

Yami...dói...

/ReSPeitO! aCeitAçãO! FúRIa! DeSesPErO!/

...pare...por favor...

/MEDO./

/MeDO dE SeR sONho.../

/mEdO De aCAbar.../

/MEdo dE nÃo SeR aMAdO./

...eu não agüento mais...Ya...mi...

/MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO/

/MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO/

/MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO//MEDO/

/MEDO//MEDO//MEDO//MEDO/

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- Sombras, por este sangue eu as invoco...