Capítulo Dez

Sufficient Unto the Day

- James, por favor... - Ginny se esforçou para colocar uma fralda em James. Ele não a deixara secá-lo completamente depois do banho, então ele ainda estava um pouco escorregadio. James se retorceu na mesa de troca quando Ginny estava tentando prender a fralda ao redor de sua barriga redonda com um alfinete. Ele virou e o alfinete que Ginny estava tentando fechar escorregou e espetou a perna gorducha de James.

James começou a gritar e, horrorizada, Ginny o pegou no colo, a fralda meio fechada caindo sobre a mesa. Ela o segurou firmemente contra si, o melhor que conseguia, considerando o aumento de sua barriga.

- Sinto muito, querido! Mamãe não quis fazer isso. - fungou contra o cabelo de James.

- Qual é o problema? - Molly entrou no quarto, amarrando o cinto de seu roupão.

- Nenhum. - Ginny disse irritadamente, verificando a perna de James para saber se ele precisava de algum tipo de atenção médica.

James se afastou de Ginny, quase caindo de seus braços.

- Papa! - ele chorou. - 'Ero papa!

Molly esticou os braços.

- Aqui, deixe-me pegá-lo.

- Está tudo bem, mãe. - Ginny suspirou.

As mãos de Molly se fecharam ao redor de James.

- Ginny, querida, você parece exausta. Deixe que eu o coloque na cama.

James se remexeu freneticamente, tentando se afastar.

- Nããão. 'Ero papa! - gemeu.

- Mãe, está tudo bem. - Ginny disse tensamente, sua nuca ficando vermelha.

- Ginny, será que poderia apenas... - a voz de Molly foi interrompida por um par de mãos que surgiu entre ela e Ginny.

Arthur tirou James das mãos de Ginny e de Molly. James ficou mole nos braços de seu avô, esfregando o rosto na flanela suave e gasta do pijama de Arthur. Arthur se virou para Molly e Ginny.

- Eu vou colocá-lo na cama. - colocou James na mesa e habilidosamente prendeu uma fralda ao redor de James, prendendo-a com uma mão. - Como voar uma vassoura. - murmurou.

Os ombros de Ginny caíram em derrota. Silenciosamente, seguiu Molly para fora do quarto de Bill e foi para o patamar. Molly colocou uma mão no ombro de Ginny.

- Ginny...

- Agora não, mãe, está bem? - Ginny subiu lentamente as escadas até o banheiro. Ginny realmente não queria ouvir o que quer que fosse que Molly ia dizer. Ia se sentir um completo fracasso de qualquer modo.

Ginny abriu os registros da banheira e cuidadosamente entrou. Estava toda dolorida. Seus pés estavam inchados, suas costas doíam, e Harry ainda não tinha voltado para casa. Ele tinha partido há mais de duas semanas. Sentia muita falta de Harry. Assim como James. Depois de ficar parada por alguns minutos, sem fazer nada, Ginny pegou o sabonete, levou-o até o nariz por um momento, inalando o aroma de sândalo. Tinha voltado para casa alguns dias depois de Harry ter partido, fora até o banheiro e guardou alguns dos sabonetes dele em sua bolsa. Era um péssimo substituto, mas era melhor do que nada.

Ginny copiou uma das atitudes de seu marido e demorou o máximo possível no banho. Era uma maneira de evitar Molly e a conversa de 'você está fazendo um trabalho maravilhoso'. Ginny não queria ouvir. De novo.

Vestiu seu roupão, e foi até seu quarto, apenas para encontrar Molly sentada na ponta de sua cama.

- Mãe, eu realmente estou cansada.

- Eu sinto muito. - Molly disse abruptamente. - Por agir daquela maneira, tentando pegar James. - Molly torceu a ponta do cinto de seu roupão. - Eu não gosto de ver nenhum dos meus filhos... Esforçando-se tanto quanto você tem feito. - Molly encolheu os ombros. - Eu sou sua mãe, Ginny, e não importa a sua idade, eu sempre vou tentar melhorar as coisas para você.

- Eu não... - Ginny se sentou ao lado de Molly. - Eu não quero que você melhore as coisas. Eu não quero que você pense que eu não consigo fazer isso sozinha. - disse teimosamente.

- Eu sei que você consegue lidar com James. E todo o resto com que está lidando agora. Isso não quer dizer que você não pode pedir ajuda.

Ginny saiu da cama e pegou sua camisola.

- Eu não quero precisar pedir ajuda. - olhou para Molly. - Eu tive um dia longo, mãe. Boa noite. - disse em uma dispensa firme, porém educada.

Molly se ergueu e afastou uma mecha de cabelo do rosto de Ginny.

- Boa noite, Ginny.

Depois de Molly sair do quarto, Ginny passou a camisola por sua cabeça, e se deitou na cama. Olhou para a pilha de livros no criado mudo com um suspiro e pegou seu conjunto de crochê. Não estava dormindo bem ultimamente. Era difícil dormir sem Harry. E quando dormia, sonhava que estava sozinha. O bebê também era muito mais ativo à noite do que James tinha sido. Bunny dormia o dia todo e corria maratonas à noite.

Ginny olhou para a lã vermelha em suas mãos. Tinha começado a fazer um cachecol de natal para Harry. Imaginou se isso era tentar um pouco o destino.

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Harry sabia que estava sonhando. A Ginny que via tinha o cabelo longo. No meio das costas. Ele conseguia tocar. As mechas acobreadas deslizaram por entre seus dedos e brilharam sob a luz do sol da tarde, antes de se esparramar em suas costas nuas. Ela o olhou, um sorriso em seu rosto, antes de mergulhar no rio.

Harry a observou nadar preguiçosamente, em paralelo com a beira do rio, onde ele estava sentado sobre um cobertor antigo.

- Venha. - ela disse. - Eu não vou deixar você se afogar.

Cuidadosamente, Harry entrou na água, lembrando-se de que tinha nadado nas profundezas do Lago Negro na escola. Mas ele dava os créditos ao Guelricho por essa habilidade. Sentia a correnteza em sua cintura. Ginny estava boiando em suas costas, seu cabelo um raio de sol vermelho dançando na correnteza. Apertou os olhos duvidosamente para os pedaços de pano que ela chamara de biquíni. Ele gostava bastante do biquíni, mas não onde outras pessoas podiam ver.

Harry flexionou os joelhos até que a água estivesse na altura de seu pescoço. Ergueu os pés e abriu os braços, imitando a posição de Ginny. Seus dedos roçaram os dela, e Harry fechou os olhos, deleitando-se na sensação de liberdade.

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Harry abriu os olhos. A palma de sua mão estava doendo. Fora isso que o acordara. Abriu os dedos e soltou o porta-retrato. Harry tinha segurado com tanta força, que a ponta cortara a pele sobre a linha da vida. Soltou um resmungo de desgosto ao pensar no que a professora Trelawney teria dito. Esfregou a outra mão no rosto. Aquela era a única parte do Rio Otter em que podiam nadar sem serem englobados pela imprensa antes do sétimo ano de Ginny. Ginny tinha o convencido a ir nadar com ela algumas vezes, apesar de seus protestos de que realmente não o sabia fazer. Ela o ensinara com a mesma facilidade que ele a ensinara a se defender em seu quinto ano.

Harry olhou impacientemente para seu corpo. Pare com isso! Bufou para si mesmo. Ginny não precisava estar presente para seu corpo reagir dessa maneira. Sentou-se cuidadosamente, e colocou os pés no chão. Harry tirou a varinha de sob o travesseiro e a apontou para a janela. Todas se abriram silenciosamente, e o ar gelado entrou na lavanderia, esfriando sua pele quente. Olhou para sua mão, e considerou e rejeitou curá-la com magia, mas por algum motivo que não conseguia, nem queria, definir, Harry deixou o corte em paz. Era profundo o bastante para deixar uma cicatriz.

Harry levou a fotografia de James e Ginny para perto de seu coração. Conseguia sentir a vibração do batimento de seu coração na ponta do porta-retrato. Harry se deitou de lado, conscientemente assumindo sua posição favorita para dormir, de conchinha com Ginny. Sua mão livre se curvou a sua frente, tentando decidir o quão grande ela tinha ficado. Esse bebê era tão especial para Harry quanto James era, e silenciosamente amaldiçoou a bruxa que tinha a obrigação de encontrar. Ela tinha causado tanto caos em sua vida.

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Harry abriu a porta da casa. Conseguia ouvir James chorar e começou a subir as escadas correndo, mas não importava o quão rápido corresse, as escadas que levavam para o andar superior ficavam mais e mais longas. Harry conseguia sentir a apreensão crescer em seu estômago. Não era do feitio de Ginny apenas deixar James chorar dessa maneira.

- Ginny! - Harry parou de correr, apertando o corrimão, ofegante, tentando recuperar o ar. O choro de James ficou mais frenético e Harry começou a tentar subir as escadas mais uma vez.

Depois do que parecira quilômetros de escada, Harry passou pela porta do quarto de James, para o encontrar sentado no meio de seu berço. Harry o pegou no colo e cuidadosamente voltou para o patamar, dando tapinhas nas costas de James.

- Onde está a mamãe, eh? - perguntou para seu filho. James não respondeu, mas escondeu o rosto no ombro de Harry.

Harry começou a procurar em todos os cômodos. Eles estavam assustadoramente silenciosos e parados. Os pelos em sua nuca se ergueram, e mudou James de lado, tirando a varinha do bolso.

- Hominum revelio. - murmurou, mas nada aconteceu. Lentamente, Harry voltou para o andar debaixo, seu braço instintivamente se apertando ao redor de James. - Eu não gosto disso. - disse para seu filho. Harry foi para a cozinha.

Viu um pedaço de pergaminho sobre a mesa.

- Wingadium leviosa. - disse, acenando a varinha na direção do pergaminho, que se ergueu graciosamente da mesa. Mantendo a varinha apontada para o pergaminho, Harry se aproximou para examiná-lo.

O sangue sumiu de seu rosto quando viu as letras muito familiares cortadas de revistas.

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Harry se sentou, coberto de suor, ofegando. Colocou os óculos no rosto e começou a respirar fundo e lentamente. É por isso que Aurores não deviam trabalhar em casos tão pessoais, disse a si mesmo. Tremendo levemente, Harry pegou um antigo suéter pendurado em um cabide e o passou por sua cabeça. Pegou seu relógio do parapeito da janela e viu a hora. Era apenas quatro da manhã. Dando de ombros, saiu da cama de armar e abriu a porta da lavanderia, e entrou na cozinha. Parou na porta. Iain já estava sentado à mesa, uma grande xícara de chá fumegando a sua frente. Iain ergueu os olhos, surpreso, antes de convocar outra xícara do armário. Encheu-a de chá e a empurrou na direção da cadeira vazia. Harry a aceitou com gratidão. Olhou para Iain por sobre a borda da xícara.

- Você não dorme muito, dorme?

Iain riu quietamente, e tomou um gole do próprio chá.

- Não. Mas eu nunca tinha lição incompleta na escola. - enrolou as mãos ao redor da xícara e estudou Harry. - Não parece que você dorme muito, também. - comentou casualmente.

Harry colocou sua xícara na mesa.

- Às vezes. - disse simplesmente, correndo a ponta de um dedo pela borda.

Iain colocou os pés protegidos por meias sobre outra cadeira.

- Você tem um filho pequeno, não é?

- Sim. Ele tem quase dois anos.

- Deve ser difícil. Estar aqui.

Harry ergueu uma sobrancelha.

- Só um pouco.

Iain levou sua xícara aos lábios.

- Como isso funciona para você? Ser casado com um filho e ser Auror? Achei que a maioria dos Aurores optava por não se casar, para começo de conversa. Ossos do ofício e tudo o mais.

- A maioria não se casa. - Harry admitiu. - Ou, se casam, ou eles têm uma esposa que é incrivelmente maravilhosa ou deixam de ser Aurores em algum momento. - inconscientemente começou a girar a aliança de casamento ao redor de seu dedo. - É uma vida difícil. - Harry um canto de sua boca se ergueu. - Ginny, minha esposa, ela é uma das extraordinárias. - tomou um gole do seu chá.

- Quanto tempo mais você acha que vai demorar?

- Eu não sei. - Harry suspirou, tomando o resto de seu chá e se servindo de mais. - Aposto que você nunca pensou que ser um Auror seria tão empolgante. - disse com desprezo. Harry fechou os olhos, e um flash da tarde antes de James nascer passou por sua mente. - É como dar a luz, às vezes. - disse quietamente. - Longos períodos de espera, seguido por uma intensa e curta explosão de atividade.

- Nem brinca. - Iain resmungou.

- Nós vamos pegá-la. - Harry esticou os músculos doloridos. - Ela vai cometer um erro eventualmente. - sorriu sem humor. - Ela sempre o faz.

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Ginny acordou, sentando-se sonolentamente. Olhou para o relógio.

- Droga! - estava atrasada e tinha que estar em Holyhead em quarenta e cinco minutos. Ginny saiu da cama, e fuçou nas roupas sobre a mesa. Ergueu uma camiseta até o nariz, cheirando-a cuidadosamente. - Bom o bastante. - murmurou, procurando por calças. Estava quase quente demais para usar calças, Ginny pensou, mas fez uma careta ao correr a sola de um pé por sua canela. Não tinha depilado suas pernas desde que Harry partira há mais de duas semanas. Ia usar calças, então.

Ginny correu para dentro do banheiro e penteou o cabelo apressadamente e lavou o rosto. Tentou escovar os dentes e vestir as calças ao mesmo tempo, mas derrubou espuma sabor menta na calça. Ginny cuspiu a pasta de dente na pia e conseguiu colocar a calça no lugar, antes de vestir a camiseta. Desceu as escadas e pegou sua bolsa na porta dos fundos.

- Mãe! - chamou, uma mão na maçaneta. - Mãe! Estou saindo!

Molly saiu da lavanderia, uma cesta cheia de roupa de cama em seus braços.

- Você não vestiu essa camiseta sábado passado? - franziu o cenho para Ginny. - Poderia jurar que vestiu. Eu ainda não a lavei.

- Está tudo bem, mãe. - Ginny protestou. - Eu tenho que ir para Holyhead. Eu vou voltar antes do jantar. - Ginny olhou para seu relógio. - Eu acho. - adicionou, antes de ir para o jardim. Ginny abriu o portão do jardim e aparatou antes que o portão se fechasse novamente.

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Ginny guardou suas anotações em sua bolsa e a pendurou em seu ombro. Gwenog Jones demorou-se na sala privativa do pub favorito das Harpies em Holyhead, esperando por Ginny.

- Você sempre pode voltar, sabe. - disse casualmente para Ginny. - Quando suas crias forem um pouco mais velhas.

- Eu poderia. - Ginny reconheceu, com igual casualidade.

- Eu te aceitaria de volta em um piscar de olhos, Ginny. Uma das melhores Artilheiras que eu já tive.

Ginny encolheu os ombros.

- Obrigada, mas estou feliz onde estou, Gwenog.

- Como pode estar feliz sentada na lateral?

- Por que eu não estava mais feliz em uma vassoura. - Ginny sorriu de modo reconfortante para Gwenog. - Eu gosto de fazer isso. Sou boa nisso. Talvez tão boa quanto eu era em marcar gols.

- Bem, então, se nós temos que ter alguém escrevendo sobre nós, eu preferiria que fosse uma de nós. - Gwenog deu um abraço de um braço só em Ginny. - Compre uma vassoura para esse aí, eh? Quanto antes melhor. Especialmente se for uma garota. - disse, dando um tapinha no estômago de Ginny. - Nós vemos em Portree, sexta-feira.

Ginny assentiu, andou até a lareira e usou o Flu para ir ao escritório do Profeta.

Uma vez segura em sua mesa, na ocupada sessão de Quadribol no terceiro andar, Ginny se permitiu considerar voltar ao time. Admitiu que havia uma certa atração em voltar. Pegou uma pena e, sem pensar, desenhou uma linha no centro de um pedaço de pergaminho. Prós, escreveu no alto de uma coluna. Rabiscou Contras no alto da outra. Por trinta minutos, Ginny escreveu qualquer coisa que lhe passasse na mente que seria bom sobre jogar. Escreveu apenas uma coisa no lado contra. Passou vários minutos olhando para a lista antes de colocá-la na bolsa.

Escrever as características das Harpies 2006-2007 era muito mais fácil. Elas ainda tinham as mesmas jogadoras da temporada passada, todas as quais Ginny conhecia muito bem. Terminou o artigo rapidamente e o levou até o escritório de Eleanor.

- Eleanor? - chamou, batendo na porta. - Aqui está meu artigo.

- Oh, Ginny, eu estava prestes a ir conversar com você. - Eleanor apontou a varinha para porta, que se fechou atrás de Ginny.

- Oh. Tudo bem. - Ginny ficou parada incertamente sobre o tapete em frente à mesa de Eleanor, o artigo seguro em seus dedos subitamente gelados.

Eleanor olhou para Ginny.

- Não é nada sério, realmente. - indicou uma das cadeiras do outro lado da mesa. - Sente-se antes que seus tornozelos fiquem do tamanho de hipogrifos. - Ginny obedeceu com alarme. - Quando eu estava grávida com meu segundo filho, se eu ficasse mais de vinte minutos em pé, meus tornozelos começavam a ficar parecidos com Bolo de Caldeirão. - Eleanor refletiu, prendendo seu cabelo cinzento em um coque frouxo, passando um simples lápis trouxa para mantê-lo preso. - De quantos meses você está, de todo modo?

- Quase sete meses.

- Huh. - Eleanor estudou Ginny. - Não parece.

- Gah. Eu me sinto enorme.

Eleanor bufou.

- O que você vê quando olha para baixo?

Confusa, Ginny olhou para seus dedos.

- A ponta dos meus sapatos.

- Viu? Eu não conseguia ver nada além de bebê quando estava de sete meses.

Ginny riu.

- Oh, com James eu estava no tamanho e formato de uma baleia.

Eleanor mexeu em uma pilha de papel em sua mesa, tentando localizar o arquivo de Ginny.

- Então, quando você acha que vai começar sua licença?

- Final de julho, suponho. - Ginny respondeu. Não tinha pensado sobre isso.

- Bom. Teremos alguns estagiários que podemos usar para cobrir os Cannons e Falmouth, e aqueles dois podem cobrir as Harpies enquanto você estiver fora. - Eleanor olhou para Ginny. - Você sabe que pode tirar um ano todo. - afirmou.

- Uh, sim, eu acho... - Ginny murmurou, olhando para suas mãos.

Eleanor deixou a pena de lado e estudou a jovem mulher do outro lado da mesa.

- Suponho que a questão deveria ser se você quer tirar um ano. - apoiou o queixo nas mãos. - Qual é o problema? - perguntou simplesmente.

- Não quero ficar longe por tanto tempo. - Ginny disse, apenas levemente na defensiva.

- Eu não vou dar sua vaga para outra pessoa. - Eleanor disse apenas, tendo trabalhado nisso por tempo demais para dançar ao redor do problema. - Leitores gostam de ter alguém de dentro cobrindo um time.

- Quando eu tenho que te dar uma resposta? - Ginny perguntou.

- Bem... - Eleanor folheou um pequeno calendário. - Você recebe seis meses automaticamente... Você vai tirar os seis?

- Estava planejando em fazer isso.

- Tudo bem. Vai ser bom para os estagiários cobrir os Cannons por tanto tempo. Fazê-los ficar durões. - Eleanor olhou para o calendário. - Apenas me deixe saber até quinze de fevereiro se você for tirar o resto do ano, certo?

Ginny assentiu, e se ergueu, virando-se para sair.

- Oh! Aqui está o artigo. - o passou para Eleanor. - Obrigada. - disse quietamente.

- Não tem problema. Eu tive muitos editores idiotas como o Flanagan, também. - Eleanor sorriu para Ginny.

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Harry se viu disfarçado como um homem idoso, sentado no banco de um parque sujo do outro lado da rua da casa abandonada. Apertou os olhos contra a luz da manhã, e tentou ver além da escuridão das janelas.

Fazia um mês. Os trainees nunca reclamavam das longas horas ou a enorme quantidade de estresse que isso colocava neles. Eles, como Harry, entendiam muito bem que era um jogo de espera.

- Como xadrez. - Kevin tinha dito. - E é a vez deles. - Harry se ajeitou sobre o banco, gemendo suavemente. Paciência nunca tinha sido uma de suas qualidades.

Shacklebolt tinha os visitado na semana passada para ver como estavam. Ele e Harry tinham ido para o jardim para conversar em particular. Ginny estava bem. Shacklebolt passava pela Toca todos os domingos para ver como ela estava. O bebê também estava bem. Ginny estava com a aparência cansada, Shacklebolt tinha lhe dito. Harry se lembrava de que, a essa altura, quando ela estava grávida de James, ela não dormira muito. Imaginou se ela estava congelando todo mundo n'A Toca, ou se apenas o quarto dela estava com o feitiço de refrigeração que ela usara no apartamento deles em Soho. James estava bem, também. Ele estava um pouco grudento, entretanto, e começava a chorar freneticamente quando Ginny tinha que ir a um jogo ou ver Shanti.

Harry se remexeu, tentando diminuir o entorpecimento em seu traseiro, quando o vento mudou, vindo do lago. O portão da frente começou a balançar. Rangeu, a ferrugem nas dobradiças protestando vigorosamente. Os trouxas nem olharam. Mesmo Harry tinha que apreciar o ótimo trabalho com feitiços, apesar dos propósitos. O vento mandava correntes de ar gelado nas costas de sua jaqueta. Harry estremeceu.

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- PAPA!

Ginny se sentou em um pulo quando o choro angustiado de James penetrou seu cérebro.

- PAPA!

Jogou os cobertores para o lado e trombou com a cadeira de sua antiga escrivaninha.

- Maldição. - rosnou, esfregando os dedos com o outro pé, incapaz de alcançá-los normalmente.

- PAPA!

Ginny abriu a porta do quarto. James estava sentado no meio de seu berço, os olhos cheios de lágrimas.

- Shhh. - disse, tentando pegá-lo. Ele se debateu contra seus braços.

- 'Ero papa! 'ERO PAPA! - ele urrou.

Ginny conseguiu apoiar James no quadril e lentamente se ajoelhou sobre o tapete em frente ao berço. James brigou para ser solto, mas Ginny o segurou contra si firmemente.

- 'Ero papa. - ele gemeu.

- Eu também, James. - Ginny murmurou.

- Papaaaaa. - ele choramingou em resposta.

Ginny simplesmente o segurou em seus braços, balançando-o lentamente, como fazia quando ele era um bebê. Eventualmente, ele se acalmou e voltou a dormir, as lágrimas secando e deixando um caminho marcado em suas bochechas.

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No andar de cima, em seu quarto, Arthur colocou uma mão no braço de Molly, quando ela começou a se levantar quando o choro de James chegou ao quarto andar.

- Ela não vai gostar disso, Molly.

- Mas...

Arthur balançou a cabeça.

- Você conhece Gin. Se ela quiser, ela vai pedir nossa ajuda. Ela vai querer estar sozinha para isso.

Molly se sentou, apoiada contra a cabeceira da cama. Pegou seu crochê no criado mudo e começou a fazer um cobertor. Não conseguia ficar sem fazer nada.

O choro de James diminuiu depois de vários minutos tensos. Molly deixou seu crochê de lado e saiu da cama. Desceu as escadas na ponta dos pés e espiou dentro do quarto de Bill. Ginny estava sentada em uma posição estranha no chão, James em seu colo. Ela se balançava para frente e para trás, os olhos fixos em algo que Molly não conseguia ver.

Continua...

N/T: Obrigada pelos comentários no capítulo anterior.

Tradução do título do capítulo é: suficiente para o dia.

Até semana que vem.