Lawless Hearts

Por: Kracken

Tradução: Aryam


N/T: Obrigada a todos(as) que acompanham essa fic!

Atenção, este capítulo contém cenas... quentes. Aconselho preparar uma limonada geladinha para ler ^_~


Corações sem lei

Capítulo 09 - Se deixando levar

Faltava uma boa distância para a linha de chegada. Uma distância duplicada se considerar todas aquelas máquinas grandes, homens se empurrando e xingando, e o terreno perigoso. Os novatos, claro, caiam na lama tão rápido que era como se mergulhassem na lama sozinhos. Fui 'agraciado' com a visão de uma das máquinas de um iniciante, um pedaço grande de metal girando perigosamente, passando pelo meu pára-choque e se chocando contra outras duas máquinas. Foram ao chão, e meu lado esquerdo ficou livre para manobras.

Não tem como simplesmente correr até o final. Ninguém o deixaria fazer isso por uma razão: era como 'chamar para a briga'. Ao invés disso, você tem que se voltar para os oponentes e se assegurar de que não cheguem também. Quando ninguém termina a corrida, o desafio muda para 'o último de pé'.

Chutamos, empurramos e golpeamos uns aos outros. Ossos e músculos trabalham duro enquanto fazemos omelete da lama debaixo das rodas. Aquela lama espirrava por todo lado, lançando para cima seus segredos em blocos deformados com a tendência de voar para qualquer direção. Eu os despistava, desviava e me abaixava mesmo dirigindo, enquanto Heero dava aos oponentes o melhor de nós.

Tenho que reconhecer, Heero fez um ótimo trabalho para uma primeira vez. Ele se segurava firme, o que era a maior parte da batalha, e se comparava a qualquer rival que vinha para cima de nós. Estava até ficando convencido, pensando que tínhamos uma chance. Nunca tive uma antes. Precisa-se de certa dose de brutalidade para vencer. Eu não tinha essa crueldade, nem queria ter. Estava nessa pela diversão. Teria sido legal vencer, mas, fazer o quê...

Um chute no queixo fez minha cabeça girar. Vi luzes e caí por cima do guidão; Heero fez um som me alertando que alguém estava prestes a virar patê. Tateei para trás, mesmo quando me esquivava de outra bota e agarrei a camisa de Heero. "'Tô bem!" assegurei-o, forçando-me a me endireitar e escapando de mais um ataque. Minha cabeça pulsava e um olho estava embaçado. Pisquei rapidamente e senti o inchaço. Minha Nossa, como doía!

"Duo?" Heero chamou.

"'Tô bem!" repeti e voltei à direção.

Olhei para trás quando ouvi um motor rugir quase na minha orelha, e vi Heero fazer algo incrível. Agarrando a parte de trás de meu assento, equilibrou-se em suas mãos e chutou com os dois pés. Derrubou meu vizinho de lote no chão e gritei de alegria, um segundo antes de Stubbert cair quase debaixo de minhas rodas. Não sou um psicopata que mata pessoas só porque me irritam e tentam me tirar dos negócios. Eu tive apenas uma opção para conseguir me desviar rápido o suficiente. Assim, empinei as rodas frontais e joguei Mudhhopper para o lado. Foi tudo à base de reflexo. Reflexo que não contava com Heero sentado bem na traseira e uma máquina imunda bem no meio do caminho.

A queda foi feia. Lama e metal rodopiando e indo para os ares. Quicamos outra vez como uma mola por causa da força de nossa aterrissagem. Começamos a rolar para trás. Não tive nem tempo para dizer 'Que merda!'. Mas tive tempo para soltar um 'Porra!' e raciocinar a certeza de estarmos prestes a sermos esmagados por Mudhopper.

Braços circundaram minha cintura por trás e me puxaram com força para longe de Mudhopper. Quando caí de vez na lama, estava levemente ciente de Heero me segurando contra seu peito e chutando algo para cima. Estúpido, inútil... Um homem não era forte o suficiente para parar aquele tipo de peso e força. A pancada foi forte e afundamos. Senti meu corpo entorpecido pela dor. Soa estranho, mas era como parecia. Acho que apaguei antes de cair a ficha de que estava machucado, de que metal golpeara meu pobre couro, de que Duo Maxwell estava provavelmente destruído além do que um médico poderia remendar. Pelo menos morrer não era tão ruim quanto achei que seria.

Porém, acordar foi uma desgraça. Dei por mim com o médico, Heero e Stubbert me arrastando. Fui carregado para a lateral da pista. Minha pele parecia ter sido atacada por cacos de vidro e pregos enferrujados, minha boca ardia com gosto de lama e respirar resumiu-se a ofegos forçados em meu diafragma judiado. Acredito que os guidões tentaram fazer picadinho de meu peito.

"Não ouse morrer, Maxwell!" Stubbert rangeu os dentes. "Ainda tenho que te levar a falência!"

"V-v-vai s-se f-foder!" Arfei e cuspi terra mais ou menos em sua direção.

O homem riu. Não me lembro de jamais ter ouvido aquele som saindo desse desgraçado antes. Talvez ele apenas não quisesse ser atormentado por culpa; Duo Maxwell, seu inimigo mortal, salvara sua vida a custa da própria. Nossos colegas sucateiros nunca o deixariam esquecer.

Estiquei o braço e agarrei Heero, puxando-o para perto. Ele limpou meu rosto com pedaços de pano dados pelo médico, enquanto este limpava meus ferimentos com anticéptico ardente. Heero limpou uma camada de lama de meu único olho. Pisquei ainda tonto. "'C-cê ta legal?"

"Perna esquerda," ele admitiu como se não importasse. Parecia um soldado reportando mesmo continuando a me limpar. "Um corte fundo na panturrilha. Uma contusão no ombro esquerdo." Aquela monotonia em sua voz acabou de repente e perguntou ansioso "Você está bem?"

Bufei assim que consegui retomar minha habilidade de respirar. "Não deveria estar..." Fiquei confuso com sua expressão preocupada e pálida. Fez-me ficar repentinamente com medo. Mentalmente, chequei-me. Eu não sentia nenhum pedaço de metal perdido dentro de mim, nem nada esmagado ou seriamente fora de lugar, então, que diabos...?

"Eu estou bem, não estou?" perguntei.

O médico fez um som irritado. "Vocês rapazes vão até lá, tentam se matar e fica preocupado agora?" Ele teve piedade quando meus olhos giraram para vê-lo. Eu devia estar obviamente a beira do pânico. "Você está bem!" ele me assegurou bruscamente. "Vai ficar dolorido por alguns dias. Mantenha esses malditos ferimentos ensopados em anticéptico e, ao primeiro sinal de infecção, vá direto para o hospital antes que algo tenha que ser amputado por gangrena."

"Aposto que foi condecorado por sua incrível habilidade em consolar pacientes," zombei, logo antes dele picar uma agulha em meu pescoço e injetar algo que queimou minha veia. "Porcaria, que merda foi essa?"

O doutor acenou para o campo e os homens ainda batalhando. "Você não quer saber o que tem ali pra precisar de uma injeção," falou para Heero e se levantou. "Leve esse cara para casa e limpe-o. A corrida acabou para ele."

Isso foi o que mais doeu.

Stubbert levantou-se também e olhou feio para Heero. "Precisa de uma mão?" perguntou no mesmo tom de voz que se perguntaria: 'precisa que te encha de porrada?'

"Dá o fora, Stubbert!" reclamei.

Stubbert bufou e sua bota enlameada me deu um chute, bem, só um cutucão, para ser honesto, porque Heero levantou a mão e o parou. "Seja espertalhão o quanto quiser, Maxwell," meu vizinho avisou. "Conseguiu trégua por hoje. Amanhã, veremos."

E se foi. Agora era apenas Heero e eu, e me sentia derrotado até a alma. Suspirei. Tentei afastar minha franja suja do rosto, mas estava tremendo demais. "Perdi de novo," falei com intenção de brincar. "Não queria quebrar meu recorde."

Heero chacoalhou lama do pano em suas mãos e o jogou por cima do ombro. Foi então que percebi que ele estava coberto de lama também. Afinal de contas, havia ficado debaixo de mim. Pensei sobre isso, pensei em como ele poderia muito bem ter me abandonado e se salvado. Ao invés disso, ele deliberadamente competira sua força com a da máquina... por mim.

"Desculpe," pedi, não sabendo mais o que dizer.

Heero olhou para mim confuso. "Por quê?"

"Te coloquei em perigo por não pensar rápido o suficiente. Acho..." pausei envergonhado e então terminei toscamente: "acho que estou ficando enferrujado..."

O Preventer grunhiu como se eu tivesse dito algo engraçado enquanto recolhia nossas coisas, para depois me erguer. Quando me levantou, jogando-me por cima do seu ombro, precisei me perguntar sobre a força desse cara, ignorando os próprios ferimentos, facilmente me carregando de volta para meu terreno.

A chuva começava a acalmar. Ele por fim falou: "você não é mais um soldado."

Isso dizia muitas coisas e sabia que ele estava certo. Era uma desculpa que eu queria agarrar e segurar firme. Não queria me sentir um inválido ainda. Perder no campo de lama já fora ruim o suficiente.

Lembrei de algum orgulho ou ao menos tentei ganhar um pouco de volta. "Pode me colocar no chão. Posso andar."

Heero se esforçava para andar, avançando pesadamente pela lama, curvado sob o meu peso. Grunhiu: "você tem um ferimento na cabeça".

"O que me dá uma dor de cabeça infernal, mas não afeta minhas pernas, Yuy. Me põe no chão!" tentei me empurrar de seus ombros, mas era difícil de minha posição. Acabei por falhar inutilmente.

Tudo bem, não gosto de ficar envergonhado ou de fazer papel de palhaço. Não quero ser visto por todos sendo carregado, e não gosto de fazer Heero pensar que eu precisava ser carregado. Era uma facada no meu ego, com a lâmina funda o suficiente para cutucar meu temperamento.

Sabe, às vezes pode se ficar nervoso sem nem perceber. A raiva se esconde e cresce mais e mais, magoando-se cada vez mais até que algo ou alguém a desperte. Infelizmente, Heero acabou sendo o gatilho. Acho que ainda estava bravo sobre a operação armadilha, por ter sido mentalmente despido e exposto onde todos poderiam me julgar; por ter minha cabana roubada, por precisar de ajuda, por ter perdido a merda da corrida. Tudo o que sei é que em um momento eu estava pendurado sobre os ombros de Heero, enquanto ele se recusava a me descer, e no outro, eu estava apertando meu braço em seu pescoço e o socando.

Fomos ao chão como um saco de batatas. Heero tentou se recuperar, mas o instinto o fazia tentar desviar da minha chuva de socos, defender-se e me derrubar ao mesmo tempo. Ele caiu por baixo de mim, mas isso não me dava vantagem. Enquanto a lama respingava para cima e voltava para nos cobrir, ele me girou para que eu perdesse meu aperto em sua garganta e me empurrou.

Eu xingava endoidecido, nem ao menos ciente do que diabos falava. Não conseguia parar. Meu temperamento era como um vulcão em erupção. Estava cego de raiva, dormente para todo o resto a nossa volta e apenas reagindo. Agarrava a camisa de Heero, apertava-a, puxando-o, não o deixando escapar.

Quando dei por mim, senti a junta dos dedos ardendo. A dor se registrou lentamente. O que percebi em seguida era que Heero não revidava. Ele desviava habilmente de todas minhas investidas mesmo que eu estivesse tão perto e o segurando. Percebi completamente o que fazia quando comecei a ficar rouco.

"Seu filho da puta desgraçado! Acha que pode voltar para minha vida? Quer ver a merda na qual Duo Maxwell está vivendo? Quer me ver jogar meu próprio negócio pro fundo do poço? Quer ver como não consigo arranjar o que comer? O piloto Gundam fodão não consegue nem vencer uma corrida na lama! Já riu o bastante? Conseguiu o suficiente para levar de volta para os colegas do trabalho racharem de rir? Aposto como está aliviado de não ter ficado comigo depois da guerra. Aposto que está feliz por ter acertado sua droga de vida com Releca Bitchcraft! Hilde se tocou e deu o fora também. Quem seria idiota pra ficar perto de mim? Você vai achar muito melhor ir para bem longe quando isso acabar, não vai? Daí não vai ter mais que fingir pelo bem da missão que dá a mínima pra mim!"

Foi como uma purificação vocal. Ouvia minha própria voz como se pertencesse à outra pessoa, um trouxa que precisava de um pé enlameado enfiado na bunda por ser um maldito chorão. De onde veio toda aquela baboseira? Não havia percebido como eu era bom em engarrafar as coisas e colocar uma máscara feliz. Tinha convencido a mim mesmo de que tudo estava muito bem com a minha vida e com Heero. Até parece...

Parei quando perdi o fôlego e apenas sentei ao lado de Heero na lama endurecida, ofegante, ambas as mãos de punhos fechados na frente de sua camisa. Havia sangue, percebi espantado, sangue de meus dedos sujando a camisa e a pele de Heero. Ele tinha claramente um olho roxo.

Nossos olhares se encontraram. Meus olhos estavam vazios como minha mente nesse momento, mas os de Heero... angustiados, cheios de preocupação por mim. Quando sua mão larga se enlaçou na minha nuca e uma mão encheu-se com minha trança, pensei com certeza que interpretei mal aquele olhar e que ele iria acabar comigo. Ao invés disso... ao invés disso, Heero me forçou para baixo pelo cabelo e apertou ferozmente seus lábios nos meus. Foi um beijo rude, profundo, cheio de terra, um pouco de sangue da boca cortada e gosto de... testosterona? Seja lá o que for, tinha um gosto selvagem, primitivo, e eu queria mais. Enfiei minha língua e explorei sua boca, não me importando com o que havia acabado de acontecer entre nós, sem ligar para onde estávamos, sem me importar... com... nada...

Já fez algo e teve aquele sentimento de 'certo'? Perfeitamente 'certo'? Absolutamente 'certo'? Bem, eu nunca tive esta sensação antes. Enroscado com Heero na lama, tentando engolir sua língua inteira, sentindo suas mãos fortes me apertando contra ele como se fossemos lutar, tive o sentimento de 'certo' e foi tão forte que cegava, dolorosamente, tudo junto, enlouquecedor e totalmente assustador. Queria enfiar a mão dentro dele e puxar a outra metade da minha maldita alma, pois junto com aquele sentimento de 'certo' tinha uma forte sensação de Heero possuir aquela parte de mim todo esse tempo e nunca dei falta dela até agora.

Não, não estava para me tornar eloqüente e poético ou o que queira chamar. Tinha intuição. Estava amedrontado e carente. Queria beijar aquele bastardo para sempre. E, no mínimo; queria mesmo ter a transa de nossas vidas bem aqui e agora como nunca quis com ninguém mais antes.

O beijo tinha que terminar. E realmente assim foi. Separamo-nos com o som de sucção estalado e apenas nos encaramos. Não dissemos nada. Tínhamos a mesma expressão; expectativa. Ambos sabíamos o que viria a seguir. Ajudamos um ao outro a levantar, ignorando a lama pingando, ignorando nossos machucados e ignorando as pessoas boquiabertas nos olhando. Vagarosamente coloquei um braço sobre os ombros de Heero e ele deslizou um em volta de minha cintura. Nós nos suportamos e mancamos de volta para meu lote.

Sussurrávamos e não sei por quê.

"Abra a porta."

"Tá."

"Tudo bem?"

"Sim."

"Precisamos nos limpar."

"Tá."

Trancamos a porta da minha cabana colocando a cadeira debaixo da maçaneta. Mancamos para o quarto e para o banheiro. Liguei o chuveiro, enquanto Heero trazia as toalhas, xampu, sabonete e uma escova como se fossemos passar por uma importante cerimônia.

Encaramo-nos outra vez e sorrimos. Mãos começaram a puxar as roupas e despimos um ao outro. Heero acariciou as laterais de meu corpo, minhas costas nuas, procurando por arranhões e cortes, checando por ferimentos largos. Fiz o mesmo com ele.

Eu ri por conta de toda aquela lama sobre nele. Ele usou o polegar para limpar um pouco meus olhos e riu levemente em retorno. Dividimos um longo olhar e então... Estendi o braço e acariciei sua ereção crescente e, ainda segurando-a, puxei-o de modo ousado para o chuveiro, com a ajuda da outra mão atrás de seu pescoço. Nossos lábios se encontraram e procurei aquela sensação, aquele gosto selvagem em sua boca de novo. Ele moldou minha bunda com as duas mãos e a apertou.

Ensaboamos-nos, nos enxaguamos, nos ensaboamos mais uma vez. Heero correu uma mão para a fenda entre minhas nádegas e 'lavou' minhas bolas gentilmente com os dedos calejados. O suave 'arranhar' fez meus benditos dedos do pé se contraírem. Continuei acariciando-o, adorando sentir sua masculinidade e virilidade. Eu o queria, queria explorar cada gosto dele. Comecei a me ajoelhar, a água caindo sobre nós.

Heero me parou, trouxe-me de volta, segurou meu rosto e me beijou por inteiro. Passou xampu pelos meus cabelos desfazendo a trança e pacientemente tirando toda a sujeira. Certa hora, afastou minha cortina de cabelo molhado para o lado e se esfregou em mim, deixando-me saber o quão duro estava, o quanto me desejava. Afastando-se um pouco, empalmou minha ereção. Abri as pernas para evitar cair, fechei os olhos e aproveitei.

Mãos me puxaram. Desliguei a água. Não estávamos relutantes em deixar o chuveiro. Promessas foram feitas com sorrisos e olhos brilhando de paixão crescente. Enxugamo-nos. Meu cabelo foi escorrido, escovado e secado o melhor que conseguimos, e então estávamos a caminho da cama.

Não chegamos lá de uma vez. Fui pressionado contra a parede e atacado. Puxei Heero para mim e montei em seu joelho, balançando e roçando-o contra o espaço entre minhas bolas e minha entrada. Ele levantou minhas pernas e me fez colocá-las em volta de sua cintura, sua ereção me provocando, mas não passando disso, não tão cedo. Ainda estávamos machucados. Heero ainda mancava. Entretanto, a dor ficou no fundo de nossos pensamentos e não sentíamos desconforto. Endorfinas eram ótimas por isso. Talvez pagássemos por isso mais tarde, mas não ligávamos naquele momento.

Espalhamo-nos em minha cama estreita e ficamos na posição meia nove. Gemi e senti meus olhos rodarem para trás da cabeça, enquanto Heero sugava minha ereção em um calor úmido; sua língua girando e sua mão esfregando meu membro em um aperto firme. Retornei o favor. A masculinidade de Heero estava inchada e erguia-se de um ninho de cabelos castanhos. Parecia que me chamava; aquela parte de mim que me fazia diferente desde meu nascimento, aquela parte que dizia 'Eu gosto de caras! Minha Santa, como os desejo!' em vez de querer garotas. Avidamente engoli Heero e movi minha boca com força. Não me enjoaria disso tão cedo. Agarrei suas nádegas e o puxei mais para dentro, afundando meus dedos, trabalhando para cima e para baixo, adorando aquele maravilhoso, rígido, longo pedaço de...

"Deus!" Heero exclamou em uma voz estrangulada. Gozou tão forte que engasguei. Puxei-o para cima e o deixei escorregar para fora de minha boca junto com seu líquido branco e quente, enquanto eu mesmo tentava me recuperar.

Heero não me deixou na mão. Mesmo estando ainda ofegante com seu próprio orgasmo, estava me masturbando, drenando meu sêmen com estocadas firmes, sua mão bem apertada em minha ereção. Quando ele me engoliu até a base, gritei em choque com a sensação de atingir suas amídalas, e gozei tão forte como nunca na vida.

Nenhum de nós tinha força para fazer mais nada depois disso. Puxei o cobertor por cima dos corpos suados e nos esparramamos. Heero estava completamente mole e respirando calmamente, adormecido; enquanto eu me aninhava em suas costas e jogava um braço sobre ele. Esfreguei o rosto em seus ombros e o mordisquei, um tipo de vingança ou uma indignação tardia da nossa luta na lama. Ou talvez uma punição por toda a minha confusão. Ainda estava confuso. Minha mente queria descobrir o que aconteceria quando acordasse com a certeza de que esse ato, que parecera tão natural e maravilhosamente perfeito, não pareceria tão perfeito assim quando estivéssemos descansados e com nossas cabeças no lugar.

Toquei os cabelos bagunçados de Heero e os afastei de seu belo rosto. Meu coração doía. Minha libido cheirava sexo e queria mais. Meu cérebro girava. Amargurado, esgotado, excitado, queria procurar pela mentira, engano, a razão que isso explodiria em na minha cara depois.

O japonês suspirou e murmurou, uma parte dele ainda ciente de mim. "Duo." Soou com desejo e... amor.

A Esperança apareceu de fininho, tentando me convencer desse carinho.

Mordi Heero outra vez, mais forte. Ele grunhiu e franziu o cenho, dormindo. Dane-se a Esperança. Dane-se amanhã. Dane-se pensar que aquilo fora mais que apenas sexo e loucura temporária. Era mais seguro assim. Não poderia me desapontar se pensasse assim.

Beijei a mordida e encostei minha bochecha sobre ela, todo meu pensamento despencando em uma pilha mental. Não conseguia. Não poderia fingir que o que acabara de acontecer não significou nada. Havia sido algo, o mundo girando, o começo de uma mudança... alguma coisa... Tudo o que esperava era Heero sentir o mesmo e eu não ter apenas perdido a cabeça.

Continua...


Resposta aos comentários:

'Deiisoca, obrigada por comentar! Espero que continue curtindo a fic ^_~ Abraços!

Olá Asuka Maxwell! Obrigada pelo comentário! Fico feliz que esteja acompanhando essa fic. Ela é bem calma e gostosa de ler. Acho que esse capítulo resolve suas suspeitas do Heero estar é se aproveitando da missão para ficar mais tempo com o Duo XD Vamos ver se o cabeça-oca de cabelos compridos vai saber aproveitar isso ou não... *abraços*

DW03 *_* Acho que já te respondi, mas seguinte: estou revisando todos os capítulos e, acredite, eles precisam de revisão . Não estou mudando nada de essencial para a história, mas tinha muitos detalhes que precisavam ser reescritos. Quando eu chegar no capítulo 15, capítulos novos serão postados, não se preocupe. O 16 e o 17 já estão traduzidos. Abraços!