Apenas um acordo?

Que bom que Saori sabia que suas fantasias eram efêmeras, porque no momento em que adentraram a suíte Regency, a realidade a atingiu como um soco.

Além dos pais de Seiya e Hanna kido, encontravam-se lá Netsu e Jabu, que olhavam, acusadores, para Seiya e Saori.

Shunrey, ainda com a bolsa, como se também tivesse acabado de entrar, virou-se com a chegada deles. Estava pálida, parecendo agoniada.

- Sinto muito – murmurou. – Oh, Seiya, desculpe-me! Tentei detê-lo, mas era tarde demais quando cheguei lá.

- Olá, Shunrey – Seiya a cumprimentou. – Jabu, o que o trás aqui?

- Um artigo interessante no jornal de hoje. – Jabu se levantou.

Ninguém mais deu uma palavra, entretanto, Saori soube que, de alguma maneira, eles tinham sido descobertos.

- Mesmo? – Seiya o encarou com frieza. – E de que se trata, primo?

- O anuncio de seu noivado.

- Anuncio de noivado?- interveio Saori. – Não era para haver nenhum anúncio público!

- Bem, mas há. – Jabu abriu o jornal que segurava debaixo do braço. – Completo, com a data do casamento, que, de forma muito conveniente, será no dia seguinte à reunião geral. Devo salientar, para quem ainda não entendeu, que graças a seu noivado, Seiya, os votos dados na referida reunião serão contrários a tornar a companhia de capital aberto.

Saori ia responder, mas Seiya apertou-lhe a mão, impedindo-a.

- E daí? Alguma objeção? Tive a impressão de que você também queria que a empresa permanecesse sob o controle da família. Se mudou de idéia, é uma lastima que não vá conseguir votos em tão poucos dias. Talvez no próximo ano seja capaz de maneja as coisas, Jabu. Mas não agora.

- Sim, é uma pena mesmo. Sobretudo para minha irmã.

- Irmã? – O sr. Ogawara arqueou uma sobrancelha. – O que ela tem a ver com tudo isso? Bem, ninguém mais a viu desde que era adolescente. Nem mesmo sua mãe, pelo que sei.

Saori fitou Seiya, cujo olhar mantinha-se fixo no primo.

Era obvio que Jabu não tivera tempo de apresentar Shunrey de maneira apropriada.

- Mas, uma vez que seu avô conta com minhas ações, Seiya, em adição às de minha mãe e minha irmã, imagino que ele vá se pronunciar a favor do capital aberto no conglomerado Ogawara, agora que seu falso compromisso foi desmascarado.

- O que o faz pensar que é falso?

Jabu deu alguns passos, aproximando-se de Seiya.

- Isso significa que é verdadeiro?

- Algum problema em relação a isso?

- Evidente que sim. Se você pretende seguir com isso, está deliberadamente tentando cortar minha irmã, e não vou admitir.

- Jabu, por favor – disse Shunrey. – Esqueça isso.

- Srta. Yanama, não é seu lugar, como funcionária, estar presente a esta reunião de família – Netsu a admoestou. – Qualquer que seja o tipo de relação que tenha com Jabu, não lhe dá o direito de intervir nos negócios Ogawara. Sugiro que se retire.

- Ela vai ficar, vovô. - Seiya passou o braço pelos ombros da prima.

- Eu lhe falei, Seiya!- gritou Netsu, levantando-se com a ajuda da bengala. – Avisei que esses dois estavam conspirando! Se o que esse rapaz nos disse é verdade, só pode culpar a si mesmo se a família perder o controle da companhia!

O sr. Ogawara, com docilidade, colocou-o sentado de volta na poltrona.

- Acalme-se, papai. Dê uma chance a Seiya de explicar. Por que devemos aceitar a palavra de Jabu contra a dele?

Jabu ignorou a todos e se aproximou ainda mais de Seiya, encarando-o sem pestanejar.

- Não contava que eu visse esse artigo não é? Mas vi. E prefiro revelar os fatos e ver seu avô tirar a empresa de você do que assistir às esperanças e sonhos de minha irmã serem destruídos.

Saori tomou o jornal de Jabu e olhou a foto tirada na festa que ela e Seiya haviam comparecido. Os dois se entreolhavam, distraídos de tudo e de todos ao redor. A manchete dizia:

Herdeiro do Império Ogawara vai se casar com a filha do último embaixador.

Logo embaixo, um breve artigo começava:

Hanna Kido, mãe da futura noiva, disse que está felicíssima...

Saori não continuou a leitura, mas atirou o jornal longe, lançando um olhar acusador para a mãe.

- Mãe! Como você pôde?

Jabu deu um passo atrás e sorriu de modo grosseiro.

- Por que ela não deveria? Faz sentido, considerando que a família inteira estará aqui para a reunião. Isso os poupará de fazer uma outra viagem para vir a seu casamento.

- Seiya, está planejando ou não se casar com Saori?

- É lógico que sim, mamãe... – e conduziu Saori e Shunrey até o sofá vago. – Quer um drinque, querida? E você, Shunrey? Todos os outros aqui parecem estar servidos.

Sem esperar resposta, foi par o bar, onde serviu um uísque e duas taças de vinho branco. Retornando, entregou um para Saori e outro para Shunrey. Então, acomodou-se entre as duas, imperturbável.

- Parece que temos um problema aqui – murmurou, cruzando um cotovelo sobre o joelho nu, equilibrando o copo na coxa. – Um distúrbio de comunicação. Por favor, vamos conversar sobre isso.

- Saori deveria estar bebendo vinho, Seiya? – Netsu perguntou. – Considerando que você espera engravidá-la sem demora...

Hanna se voltou para ele:

- Não é necessário se preocupar com isso, certo, Saori querida? E seu noivo, já sabe?

Saori olhou para a mãe então, tremendo, colocou a taça na mesa de centro e se levantou:

- Não. Nunca achei necessário contar a Seiya que sou incapaz de gerar. Como vocês todos já forma informados, o noivado foi uma farsa.

- Saori, eu... – Seiya também se ergueu.

- Não. –interrompeu-o. – Esqueça, Seiya. Não vê que é tarde demais para fingir? O jogo acabou.

Ela gesticulou para a face chocada dos mais velhos.

- Jabu contou-lhes a verdade. Nós tentamos, mas fracassamos. Sinto muito, Shunrey.

Ainda sentada Shunrey segurou a mão de Saori, dando-lhe coragem para continuar.

- Na realidade, quero me desculpar com todos vocês. O que fizemos foi repreensível. Embora tenhamos agido com as melhores intenções, isso não suaviza o fato de termos mentido.

- Mas por quê? – Netsu quis saber? – Qual era o propósito de vocês?

Antes que Saori pudesse falar, Shunrey adiantou-se:

- Para impedir você de votar e abrir o capital da empresa.

- Ah, então vocês fracassaram, com toda a certeza. – Apoiando-se na bengala, Netsu ficou de pé e encarou o neto. – E pensar que você, de meu próprio sangue, iria conspirar com esse... cafajeste...

Netsu apontou para Jabu.

- E com essa mulher, que me causa náuseas. A companhia terá capital aberto no dia seguinte à reunião geral. É meu direito e meu dever, como presidente, fazer com que isso aconteça, uma vez que não há um Ogawara para comandar o leme. Você, Seiya, está despedido.

- Não, vovô! Não será assim! Prometi a Shiryu! E o estatuto da empresa não diz que tem que ser um homem Ogawara. Apenas cita Ogawara e...

- Espere, Seiya – Jabu interferiu, mais calmo agora. – Se você não pretende tirar minha irmã do jogo, talvez possamos conversar melhor. Pode ser que eu estivesse errado. Se pretende mesmo se casar com Saori, é possível que não seja tão desastroso quanto julguei e...

- Tem toda razão. Quero mesmo me casar com Saori. – Seiya desviou o olhar para ela. – Aqui, agora, na frente de todos, Saori, estou lhe dizendo que quero que nosso noivado seja tão real quanto é nosso amor. Sei que você me ama, e eu te amo, também. Quer se casar comigo?

De súbito, as lagrimas se acumularam nos olhos dela.

- Não, Seiya. Você passou as últimas semanas me cortejando, fazendo amor comigo, cuidando para que eu me apaixonasse, mas não vou mais ser usada. Só está me pedindo em casamento porque acha que isso resolve tudo. É uma pena se sua família acabar perdendo o controle dos negócios, mas não serei mais parte de nenhum tipo de esquema para ajudá-los a mantê-la!

- Mas e quanto a minha irmã? – Jabu quis saber.

Saori se voltou para ele.

- Acho que ela é capaz de falar por si mesma. E já não é sem tempo. Sua irmã é a que tem mais em jogo aqui, embora tenham sido você e Seiya a armar o plano inicial. Quer saber? Vocês dois são tão ruins quanto os conservadores Ogawara.

- Conservadores Ogawara? Está me incluindo nisso, mocinha?

- Sim, estou sr. Ogawara. E a você também, Netsu. Sobretudo você, embora eu o admire desde o momento em que nos conhecemos. Naquele dia embarquei nessa farsa na tentativa de pôr Seiya no lugar dele. Achei que era presunçoso e precisava levar uma lição.

Fez uma pausa e notou que Seiya a estava estudando com atenção.

- Aquele dia, quando você me pediu para chamá-lo de vovô, fiquei emocionada. E recusei-me pela exata razão que lhe dei: não me sentia no direito, porque isso sempre foi uma mentira. – Olhou para Seiya. – Pelo pouco tempo que o conheço, penso o mesmo de você. Lamento ter de dizer isso, mas vocês dois têm um ponto cego na empresa. Só para superar os efeitos desse ponto o noivado entre mim e Seiya foi inventado. Peço-lhes desculpas.

- Saori, não. Você não precisa explicar. Não está realmente envolvida.

- Oh, sim, estou. Nunca deveria ter me envolvido, mas aconteceu, claro, porque concordei em ajudar um homem aflito e uma mulher a quem tem sido negado o direito a algo que ela faz muito bem. – Saori olhou para os quatro homens presentes. – A verdade é que todos estão sofrendo de um preconceito machista. E você, Seiya, não é diferente. Usou-me no começo porque eu era uma voz feminina conveniente ao telefone. E agora, me pediu em casamento só porque viu seu plano indo por água abaixo.

- Saori, eu...

- Netsu, sr. Ogawara, vocês precisam saber que há mulheres com dons de comando. Shunrey tem sido a verdadeira diretora de sua companhia desde que o irmão de Seiya morreu. Ela é inteligente, qualificada em administração de empresas, e apenas porque é mulher vocês lhe negam o tipo de progresso que merece e conquistou.

- Isso não é verdade! – gritou Netsu. – Essa garota progrediu mais rápido do que qualquer outra mulher na companhia, e tudo porque Shiryu e Seiya a levaram com eles. O sucesso ela deve a meus netos. E já subiu lá dentro até o patamar possível.

- Errado vovô. O sucesso que tenho, devo a ela. E Shunrey não subiu tudo o que deveria, pois merece o cargo de diretora-geral.

- Só um Ogawara tem direito a isso!

Shunrey se ergueu.

- Sou uma ogawara, Netsu. De nascimento. Meu nome é Shunrey Tsuki Yanama Ogawara.

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Nossa, faz muito tempo mesmo né?

Me desculpem, mas tive muitos problemas. Estava sem computador, e muito ocupada estudando. Agora, as coisas melhoraram e estão mais calmas.

O último capítulo ainda vem essa semana.

Espero que tenham gostado. O mistério da Saori finalmente foi revelado. E o da Shunrey também. Vamos ver se os velhos ogawara vão aceitar. Ou se Seiya e Saori vão se acertar.

Bjos...

Obrigada!!