Músicas do capítulo: The Roof, da Mariah Carey (para a parte do Baile) e Teenage Dream, que é da Kate Perry, mas aqui pense na versão do elenco de Glee (para a parte depois do baile)

Links: The Roof - ht*tp*:/www*.youtube*.com/watch*?v=*36BOI*GRMhv8 / Teenage Dream - ht*tp:*/www*.youtube*.com/*watch?*v=E46B*hMIRujI

Obs.: The Roof é uma das músicas mais bacanas da Mariah, então recomendo ver a letra completa! E a versão de Teenage Dream do vídeo falta o comecinho, mas é a edição do seriado. Mas pela net se encontra a versão completa também! Enfim, vamos ao que interessa!


Capítulo X – Nunca fui beijado

O Baile dos Namorados seria no próprio dia quatorze, que cairia em um sábado. O que significava que ainda faltava quase uma semana para aquela palhaçada. Porque para Jensen aquilo tudo era uma palhaçada. Aliás, depois do primeiro dia de aulas, o loiro não estava achando graça em mais nada. Nunca estivera tão irritadiço em toda sua vida. Era mesmo bom que Jared não estar mexendo com ele aqueles dias... Não se responsabilizava pelo que pudesse acontecer se perdesse o pouco controle de si mesmo.

Tudo por causa dele. Por que diabos ele tinha que aceitar o convite da oferecida da "Vicky"? Ah, claro, porque eles eram namoradinhos... Por mais que Alona dissesse que não, que Victoria ainda estava tentando conquistar Misha, essa certeza não saía da cabeça de Jensen. E isso fazia seu sangue ferver toda vez que via a morena das mechas rosa-chiclete desfilando pela escola naquela saia um tanto curta. Ou agarrada ao braço do moreno dos olhos azuis. Ou simplesmente falando com ele. Nunca imaginara que sentiria tanto ciúme em sua vida...

- Jensen, por favor, acalme-se! – Alona pediu, depois que ele fechou a porta do escaninho com tanta força que ela empenou um pouco.

- Eu não estou nervoso, Al. – ele respondeu, tentando não dar uma má resposta na amiga. Ela só queria ajudar. – Ainda não... – acrescentou, porém, como um aviso.

A loira suspirou e ficou calada. As coisas para ela não também não estavam muito boas. Alona simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo. As coisas não deveriam ser daquela maneira. Quando Misha retornasse, ele e Jensen deveriam se entender e serem felizes. Ela trataria de consolar Victoria e arrumar um outro pretendente para a amiga... Ao invés disso, Jensen estava uma pilha de nervos, Misha mais estranho que nunca e Victoria... Bom, Victoria tinha se afastado quase que completamente dela. O que mais doía para a loira de olhos amendoados. Antes das férias tudo estava bem entre elas e agora simplesmente Victoria era outra pessoa. Havia algo errado, muito errado...

Enquanto andavam, cada um perdido em seus próprios pensamentos, o casal de loiros cruzou com três garotas que andavam juntas. Mas não juntas simplesmente. As três líderes de torcida atraíam toda a atenção disponível em qualquer ambiente. Todas as cabeças do corredor se viravam para elas enquanto passavam e, se fosse um filme, estariam andando em câmera lenta. No entanto, nem Jensen nem Alona estavam realmente prestando atenção nelas... Por isso trombaram em cheio nas três garotas, que obviamente esperavam que eles se desviassem.

- Ei, porque não olham por onde... – Jensen começou a falar, zangado, quando viu em quem tinha trombado. Nem seu mau humor podia resistir a mais alta das três garotas, de cabelos ruivo-escuros.

- Você é quem precisa prestar atenção, docinho. – a garota disse, mas deu um sorriso um tanto malicioso. – Embora... trombar com você não seja uma coisa ruim. – ela passou um dedo por seu rosto, descendo lentamente até o queixo. – Só ande em melhores companhias, tudo bem? – acrescentou, olhando de soslaio para Alona, que encarava a morena em quem tinha trombado com raiva.

- Certamente não será na sua. – Jensen respondeu. A arrogância da ruiva o tirara do transe momentâneo causado por sua beleza. Ele não deixaria que ela ofendesse Alona daquele jeito.

- Hm... gostei da... atitude. – ela respondeu, sorrindo ainda mais. – Combina com seu tipo...

A ruiva deu uma risada. Mas não qualquer risada. Era um som extremamente agradável de ouvir. Qualquer um ficaria encantado somente com aquele som, mas ele era aliado a um sorriso perfeito, emoldurado pelos lábios provocantes da garota.

Jensen poderia jurar que, se em seu coração e em sua mente não houvesse mais espaço algum por causa de Misha, ele se apaixonaria por ela – isto é, se ela tivesse um ego menor, porque era visível que o dela era enorme.

- Bom, vamos, garotas. – ela disse, satisfeita em ver que o seu sorriso surtira efeito. – Temos mais o que fazer.

Àquela ordem, as duas outras meninas, duas morenas um pouco mais baixas que a ruiva, seguiram-na, enquanto ela passava por Jensen e Alona, em seu impecável andar de câmera lenta, a saia do uniforme de líder de torcida movendo-se graciosamente junto com ela.

- Era só o que me faltava... – Alona suspirou, enquanto ao redor as pessoas, que tinham parado de se mexer para ver o que aconteceria, voltaram às suas atividades. – Uma trombada com a Tríade.

- Com quem? – Jensen perguntou, ainda impressionado com a arrogância da ruiva.

- Vai me dizer que nunca ouviu falar delas? – Alona perguntou, incrédula, diante da pergunta do loiro.

- Hmmm, não... – o garoto deu de ombros. – Não que eu me lembre...

- Danneel Harris, a ruiva; Genevieve Cortese, a morena em quem eu trombei; e Sandra McCoy, a outra morena. – ela enumerou. – As três principais líderes de torcida da escola. E as garotas mais convencidas também. Só porque são superpopulares e bem de vida. Juntas elas formam a "Tríade". Não acredito que você nunca ouviu falar delas, Jen!

- Bom, eu não sou fã do time de futebol, nunca fui a nenhum jogo... – o loiro justificou. - E eu não ligo muito pra essas coisas de popularidade e grupinhos. Já devo ter ouvido falar, já devo ter visto, mas não ficou na memória.

- Bem... Mas parece que a Danneel ficou interessada em você. – a loira comentou.

- Pois ela está perdendo o tempo dela. – Jensen não hesitou em dizer. – Ela é muito bonita, mas... Mesmo... mesmo que eu... que eu não gostasse de outra pessoa, meu gênio não foi com o dela.

Alona abafou um risinho.

- Jen, você não existe! Noventa por cento dos garotos dessa escola morreriam por um simples olhar dela...

Jensen deu de ombros. O único olhar que ele queria não era seu. Pelo olhar de Misha Collins sim, ele seria capaz de qualquer coisa, por aquele olhar ele morreria.

J & M

- Victoria, pára de falar nesse baile, por favor. – Misha pediu, com o máximo de educação que conseguiu. O moreno já não agüentava mais a garota planejando com que roupa iria, onde eles se encontrariam, dizendo que ia ser muito legal, que iam se divertir... Pelo amor de Deus, onde estava a Victoria que ele deixara em Dallas antes das férias?

- Ah... certo, Mi. – ela disse, o a expressão murchando. – Eu achei que você estivesse feliz em ir.

- Não é isso... – o moreno tentou se explicar.

Mas teria que mentir. Porque ele não estava feliz. Ainda não sabia porque tinha aceitado ir naquela porcaria de baile. A explicação que tinha era ter ficado tão nervoso e surpreso com o convite repentino de Victoria, que disse sim, sem pensar direito. E agora estava sem graça de dizer que não tinha a mínima vontade de ir.

- É o quê? – Victoria quis saber.

A morena estava tão confusa e perdida quanto Misha. Passara as férias tentando definir o que ela sentia pelo garoto. No começo era uma espécie de fascínio. Que garota não ficaria fascinada por aqueles olhos azuis? Depois, quando Alona os aproximara com aquela idéia louca do trabalho do Sr. Morgan, ela descobrira nele aspectos muito mais atraentes que sua beleza: seu gosto pelos estudos, seu bom humor contagiante, sua timidez engraçada, sua personalidade reservada para os estranhos e extrovertida para os mais próximos... Tudo nele era encantador.

Mas, por mais que eles se dessem muito bem, parecia que ele não gostava dela tanto quanto ela gostava dele. O que ela estava fazendo de errado? Ela suspeitava daquela amizade toda com Jensen... Mas não, não poderia ser verdade. Preferia acreditar que ela precisava apenas mudar sua atitude, talvez. É, alguns garotos precisavam de uma abordagem mais "agressiva". E era o que ela estava tentando fazer. Quem sabe se ela fosse com uma das garotas da Tríade ele não prestaria atenção nela?

- É que eu não gosto muito de bailes, essas coisas. – Misha desconversou. Não era uma inverdade.

- Ah, mas vai ser legal! – Victoria tentou animá-lo.

- Eu sei. – ele respondeu, sem convicção. Precisava mudar logo de assunto. – Escuta, tem chance de o seu pai me dar uma carona hoje? Eu preciso, er, ajudar meu pai com algumas coisas e quanto mais cedo eu chegar, melhor.

Outra mentira. A verdade é que não queria voltar no mesmo ônibus do novo casal vinte da escola. Ver Jensen e Alona juntos fazia suas entranhas se revirarem e queimarem. Ciúmes. O sentimento que tivera ao vê-los de mãos dadas naquela tarde tão distante, na biblioteca, não era nada se comparado ao que experimentava agora.

E junto a ele uma dor que nunca tinha sentido com tanta força: a rejeição. Ele tentava agir normalmente, mostrar a Jensen que ele ainda queria ser seu amigo, mas simplesmente não conseguia, por causa daquela dor. Porque ele queria ser mais do que amigo. E porque ele não suportava vê-lo rendido às carícias de Alona.

Por isso ele agora passava a maior parte do seu tempo com Victoria, enquanto o loiro ficava com Alona. Na sala de aula, mal se cumprimentavam, pouco se olhavam. Aquilo era simplesmente enlouquecedor. O moreno chegou a cogitar a possibilidade de largar tudo e voltar para Boston. Mas lembrou-se de Sasha, do irmão lhe encorajando. Ele seria forte. Ele superaria aquela distância de Jensen e aquela dor e seria o bom amigo que tinha sido. Mas por ora... Ele tinha que descobrir como lidar com aquela nova Victoria...

J & M

- Misha, eu preciso falar com você! – Alona disse, abordando o moreno assim que ele desceu do ônibus.

Naquela manhã, Jensen tinha pegado carona com o pai. Faltavam poucos dias para o baile, e o loiro e Misha continuavam naquela situação de mal se falarem. Alona sentia-se terrivelmente mal, pelo amigo, por Misha e também por Victoria, que estava no meio daquilo tudo. Tentara encontrar uma solução, mas não lhe ocorria nenhuma das suas idéias brilhantes. Estava sem opções. Precisava arriscar uma abordagem ao vértice principal daquele triângulo: Misha.

- Ah... tudo bem. – o rapaz respondeu, reticente.

- Certo... – a loira disse, tomando fôlego. Precisava ser bem cuidadosa para dar o seu recado sem expor Jensen. O loiro pedira segredo, não poderia traí-lo, e ela também não sabia com certeza o que Misha sentia. – É sobre... sobre a Vicky. Ela tem... andado estranha ultimamente.

- Eu reparei. – Misha respondeu.

- Bom, Misha... Você sabe o que está acontecendo, não sabe? – Alona questionara.

- Como... como assim? – Misha disse, esquivo.

- Misha, ela está fazendo isso por você! – a garota disse, o tom de voz se elevando um pouquinho. – E... Sinceramente, eu acho que você tem que se posicionar. Diga a ela o que você realmente quer. Mesmo que isso a magoe. É melhor do que você dar falsas esperanças.

- Alona, você deve estar entendendo errado... – o moreno continuou se esquivando. – Eu não estou dando falsas esperanças a ninguém. Eu nunca... Nunca disse a ela que queria ser mais que amigo.

- Nem nunca disse que não queria. – a loira pontuou, firme.

Misha se encolheu diante do argumento da loira. Estava vermelho, os olhos se movendo de um lado para o outro.

- Olha, Al... eu... eu realmente estou confuso com essa mudança da Vicky, mas, sinceramente, não quero falar do que sinto ou não com você. – retrucou, se irritando.

Não tinha gostado nada de ser acuado assim. Muito embora o raciocínio de Alona estivesse certo, ela também sabia de outras coisas. Ela tinha visto o que tinha acontecido no campo de beisebol. A lembrança de que fora ela que interrompera o momento fez o sangue correr mais rápido por suas veias. Na verdade, ela era o motivo por trás de tudo. Quem sabe Jensen não se aproximaria se ela não estivesse o tempo todo ao redor dele.

- Quer saber, por que você não volta pro Jensen? – explodiu, a raiva e o ciúme pedindo para serem despejados em cima dela. – Ele sim, parece gostar da sua companhia e do seu falatório.

- Misha, você... – Alona começou, mas parou com a boca aberta. De repente ela teve a certeza: Misha gostava de Jensen. Ele estava com ciúmes dela. Deveria estar pensando que ela e o loiro... Claro! Só podia ser. – Misha, me escuta! – acrescentou, puxando o moreno pelo braço, pois ele já ia apressando o passo.

Era agora ou nunca. Misha precisava saber que Jensen só estava daquele jeito porque estava magoado com a distância dele, pensando que o moreno o odiava, que estava saindo com Victoria. A loira estava certa de que aquela confusão se desfaria se ele soubesse de tudo. Jensen entenderia... Teria que entender.

- Misha... – ela começou, tentando encontrar as palavras rapidamente, pois o rapaz fez menção de ir embora. – Misha, tudo isso é um grande mal-entendido... Jensen está... Ele gosta...

- De você, não é? – uma voz um pouco mais grave que a de Alona completou a frase.

- Vicky... não... – Alona balbuciou. A amiga surgira de algum lugar. A encarava com olhos de fúria. Por um segundo a loira perdeu o rumo do que estava dizendo e, no momento seguinte, Misha e Victoria já estavam se afastando. – Vicky! Misha!

Nenhum dos dois olhou. Alona, contrariando sua boa educação, soltou um palavrão. Provavelmente Misha tinha tomado seu silêncio atônito como uma confirmação da acusação de Victoria. Desconsolada, a loira caminhou para a o prédio de tijolos vermelhos, pensando que apenas tinha piorado as coisas...

J & M

Na sexta feira antes do baile, o clima da escola estava realmente insuportável. Jensen estava pensando seriamente em fingir estar passando mal para poder ir embora. Já não agüentava mais a decoração de corações, os cartazes, as conversinhas e risinhos das pessoas planejando como iriam, com quem iriam, o que fariam lá... Ele queria que o mundo explodisse no Dia dos Namorados.

- Alona, esquece, eu já disse que não vou! – repetiu, pela décima vez para a amiga, na hora do almoço.

- Jensen, você sabe quantos convites eu dispensei para ir com você? – a loira disse, com um sorriso presunçoso.

- Boba que você foi. – Jensen disse, de mau humor. – Você sabia que eu não iria. Como eu posso ir a esse baile ver o Misha se agarrando com a Vicky?

Alona suspirou. Lembrou-se da tentativa desesperada do dia anterior. Victoria não olhara para ela desde então. Misha tampouco tinha se aproximado dela ou de Jensen. Mas ainda havia esperança. Naquele baile o loiro e o moreno se acertariam ou ela não se chamava Alona Tal. E depois ela precisaria se entender com a amiga. Agora estava claro que a morena a via como alguém que estava se colocando entre ela e Misha.

- Jen, por favor, confie em mim! – ela ainda insistiu.

O loiro ergueu as sobrancelhas. Mesmo sem ter prestado muita atenção na amiga por boa parte do semestre anterior, ele sabia que Alona era capaz de aprontar.

- Al, o que você está armando? – perguntou, cauteloso.

- Por enquanto nada... – ela respondeu, misteriosa. – Mas vamos ao baile comigo!

- Ai, Alona... Tá bom! – o loiro se deu por vencido. Iria dar um voto de confiança à amiga. – Mas vou avisando que não vai beijar ninguém se estiver dependendo de mim...

Alona riu, acompanhada pelo amigo. Pelo jeito, ele parecia estar mais confortável com aquela coisa de gostar de um garoto. Pelo menos isso era uma coisa boa no meio daquela confusão toda.

- Até parece que você não me conhece um pouco, não é Jenny? – a loira brincou, piscando.

Jensen riu mais um pouco ainda, antes do sinal tocar e ele se lembrar de que passaria mais duas horas ao lado de um Misha que o ignorava completamente.

J & M

And my heart was pounding

(E o meu coração estava martelando)

My inner voice resounding

(Minha voz interior ressoando)

Begging me to turn away

(Me implorando para ir embora)

Jensen estava se sentindo ridículo por ter de ir ao baile de carona com o pai. Tirar sua licença de motorista seria a primeira coisa que faria depois daquele baile estúpido.

- Que horas você quer que eu te busque? – Roger Ackles perguntou, quando saíam da garagem.

- Ah, dez? – arriscou o loiro.

- Jen, o baile começa às nove, você só quer ficar uma hora? – o homem estranhou.

- Estou brincando. – Jensen disse, mas não parecia muito uma brincadeira. – A hora que o senhor quiser me (buscar)está bom.

Roger ergueu as sobrancelhas. Seu filho era mesmo um adolescente de dezessete anos indo para uma festa?

- Bem, me ligue quando quiser voltar, tudo bem? – disse por fim. – Desde que não seja muito depois de uma da manhã.

- Okdok. – o rapaz respondeu. Por ele, nem estaria indo.

Quando chegaram à casa dos Tal, o loiro desceu do carro e tocou a campainha. Não demorou muito e Alona abriu a porta. Estava magnífica: o cabelo louro arrumando em um penteado leve, preso apenas no alto da cabeça com pequenas presilhas vermelhas em forma de borboleta, de modo que as pontas lhe caíam sobre os ombros. Ombros que estavam nus, pois ela usava uma blusa tomara que caia branca, de tecido leve, combinando com a saia rosa bebê pouco acima dos joelhos. Já os sapatos eram cor de prata, mas tinham o salto vermelho.

- Ei... – disse Jensen, admirado com a produção da amiga. – Você está linda.

- Obrigada! – ela respondeu, radiante.

- Vai ficar com vergonha de mim, tão simples...

- Você está ótimo! – ela disse, aceitando o braço que o loiro oferecia. – Está um gatinho!

O loiro sorriu, mas ainda assim estava sem graça. Tentou se arrumar bem para o tal baile, mesmo sem ter vontade. Era obrigatório usar alguma coisa vermelha, "a cor da paixão", diziam os panfletos anunciando o baile. Portanto, Jensen vestia uma camiseta vermelha, estampada com um dragão dourado nas costas. Quase não usava aquela camisa, era um tanto justa, ele ficava parecendo um daqueles mauricinhos exibidos. Pegou sua jeans menos surrada, um tênis branco e arrumou bem os cabelos. Era o melhor que conseguia fazer.

- Você está lindo, é sério. – disse Alona.

- Ah, Al, não estou preocupado com isso. – ele disse, antes de entrarem no carro. Ele não devia estar indoàquela porcaria de baile. – Você sabe com o que eu...

- Confie em mim, Jen. – a loira interrompeu, com um sorriso misterioso. – Confie em mim.

But I just had to see your face

(Mas eu precisava ver o seu rosto)

To feel alive

(Para me sentir vivo)

No banco do carona da Cherokee, Misha estava apreensivo. O que contrastava visivelmente com a alegria de seu pai, enquanto ele fazia o trajeto até a casa dos Vantoch. O moreno percebera que ele estava bem contente naquelas semanas. Algo lhe dizia que isso estava ligado ao seu afastamento de Jensen. De novo seu coração deu um solavanco e seu estômago despencou ao pensar naquele nome. Não sabia se o loiro ia ou não ao baile. Mas também não fazia muita diferença... Ele certamente estaria com Alona.

- Filho, vá buscar a moça! – Arthur disse, indicando a porta. Já deviam estar parados ali há algum tempo para ele estar lhe chamando a atenção.

Balançando a cabeça, o rapaz desceu do carro e caminhou devagar até a soleira da porta. Trazia nas mãos um pequeno ramalhete de rosas ("é educado e elegante!", seu pai dissera) no mesmo tom vermelho de sua gravata, que contrastava com sua camisa social branca – colocada de modo bem esportivo, mangas um pouco dobradas, colarinho aberto. O branco por sua vez fazia contraste com o preto da calça e dos sapatênis.

- Misha! – Victoria exclamou assim que viu o rapaz, seus olhos brilhando.

- Ei, Vicky. – o moreno respondeu, tentando demonstrar entusiasmo. – Você está bonita. – comentou.

E ela estava mesmo. Diferente do habitual, mas bonita, em um vestido de seda de frente única e um tanto curto, vermelho vivo, do mesmo tom do batom. Os cabelos estavam presos em um coque elegante, as mechas rosa-chiclete nas pontas cobrindo sua nuca, enroladas em cachos definidos. Ela estava um pouco mais alta graças aos saltos agulha de suas sandálias cor de palha.

- Você também. – ela disse, cheia de admiração.

- Bom, para você... – Misha disse, entregando o ramalhete, ao que Victoria abriu um sorriso enorme.

Devagar, os dois entraram no carro, sem trocarem palavra. Misha sentia um aperto cada vez maior no coração, as palavras de Alona voltando-lhe à mente a cada segundo. Por mais que estivesse com raiva dela, a loira estava certa. Ele não podia continuar dando esperanças à Victoria. Ele gostava dela como amiga, mas seu coração pertencia à outra pessoa. Jensen. Mesmo que o loiro não o quisesse, aquela era a verdade.

E de repente a vontade de ver o loiro era grande demais... Uma parte dele queria desesperadamente pedir, implorar que seu pai desse meia volta e fosse para a casa dos Ackles. Mas a outra dizia que seria perda de tempo e que simplesmente não era possível. Ele estava preso ali, ao lado de Victoria, indo para o baile...

And then you casually walked in the room

(E você casualmente entrou no salão)

And I was twisted in the web of my desire for you

(E eu estava preso na rede do meu desejo por você)

My apprehension blew away

(Minha apreensão foi embora)

A quadra coberta da Kennedy High estava completamente diferente. A comissão de organização do baile tinha caprichado na decoração, com todos aqueles cupidos e corações pendurados, as mesas forradas de vermelho e as luzes de boate. Aqui e ali haviam espaços mais despojados, com pufes coloridos jogados. Em um dos cantos havia uma enorme mesa com frios, salgados, refrigerantes e ponche – evidentemente sem álcool, mas nada que alguns alunos não pudessem burlar, levando suas próprias bebidas. Mais ou menos no centro as pessoas se concentravam em uma pista de dança, animada por um DJ contratado.

- Jensen, tente se divertir um pouco... – Alona tentava distrair o amigo, que estava sentado e com cara de emburrado.

- Eu não vou nem responder, Al. – o loiro disse, sem olhar a amiga. – Você pode ir dançar, se quiser, não vou ficar te atrapalhando com meu mau humor.

- Não vou ir dançar coisa nenhuma! – a garota disse, abraçando-o. – Ainda não...

Jensen nem quis questionar o que aquele ar misterioso queria dizer. Ela com certeza só responderia "confie em mim", como pouco antes. A verdade era que o loiro queria ir embora. Mas ao mesmo tempo queria ficar. Seus olhos corriam a multidão, tentando identificar apenas uma pessoa naquela meia luz. Queria ao menos ver como ele estaria...

E então ele o viu. Entrando pelo túnel de balões vermelhos e brancos instalado na quadra. Sentiu o coração acelerar e aquela sensação de borboletas no estômago. Pouco importava que Victoria estivesse ao seu lado... Ele estava ali.

- Ah... eu vou buscar umas bebidas... – Alona disse, olhando na direção da entrada também. – Não demoro.

Jensen mal ouviu o que ela tinha dito, apenas concordou com a cabeça. Seu corpo estava paralisado, preso entre os comandos contraditórios de seu cérebro: permanecer ali ou ir até o moreno e dizer logo que o amava, sem se importar com as conseqüências.

I only wanted you

(Eu só queria que você)

To taste my sadness as you kiss me in the dark

(Provasse minha tristeza enquanto me beijava no escuro)

"Onde é que Alona tinha se metido?", Jensen pensava. Estava pensando seriamente em procurar por alguém que tivesse uma cerveja ou alguma vodka, para aliviar sua tensão. Seus olhos não perdiam de vista Misha e Victoria, do outro lado da quadra.

Mas de repente sua visão foi bloqueada. Em um vestido vermelho sangue, que ia pouco acima dos joelhos, mas generoso no decote, a silhueta de modelo marcada por um cinto largo preto, vinha Danneel Harris. Não estava acompanhada de suas seguidoras fiéis, Genevieve e Sandra. Sem cerimônias, sentou-se no colo do loiro.

- Da... Danneel, o quê...? – Jensen tentou perguntar, espantado com a ousadia da ruiva.

- Estou trabalhando, docinho. – ela disse. Segurava nas mãos um pedaço de papel cor de rosa, e passou de leve pela face do loiro. – Correio elegante. – completou, explicando o que era.

Em um gesto mais ousado ainda, enfiou a mão pelo bolso do jeans do rapaz, deixando-a lá por um tempo maior do que o necessário para depositar o papel. O sorriso que deu ao ver o rosto de Jensen ficar tão vermelho quanto seu vestido foi escandaloso.

- Estou vendo que esse trabalhinho que o Beaver me obrigou a fazer tem suas compensações. – ela disse, a voz zombeteira. Tão rápido quanto veio, deu um leve beijo na testa do garoto e foi embora, afastando-se em seu andar de câmera lenta.

Passado o atordoamento, Jensen enfiou a mão no bolso e pegou o papel, enfeitado com corações. Que palhaçada era aquela? Quase amassou-o sem nem ler. Por fim, com um suspiro, abriu-o.

"Me encontre perto do placar do campo de futebol. Preciso falar com você. Misha"

Do outro lado da quadra, Misha acabara de receber das mãos de Genevieve Cortese um papel rosa muito semelhante, só que assinado por Jensen.

- O que é? – perguntou Victoria, a voz deixando transparecer certo ciúme.

- Na... nada. – a voz de Misha tremeu. – Ah, vem, você queria dançar. – chamou, praticamente arrastando a garota para a pista.

Ele precisava fazer algum movimento. Jensen chamando por ele? Deveria ir ou não? Aquilo provavelmente era uma brincadeira de mal gosto de Jared ou algum dos idiotas do time de futebol. Mas ele não conseguia evitar o sentimento de esperança que brotava em seu coração. Jensen poderia estar realmente querendo falar com ele. E ele diria que não se importava que ele estivesse com Alona, que ele queria ficar ao seu lado, como o bom amigo que fora.

O moreno estava tão empolgado com aquele pensamento que nem percebeu que a música tinha mudado para uma batida mais lenta e que Victoria passava os braços por seu pescoço, puxando-o mais para perto.

- Misha... – a voz da morena sussurrou, perto demais, chamando sua atenção.

Só então ele reparou no que estava prestes a acontecer. Não, ele não poderia fazer aquilo. Primeiro porque não gostava de Victoria e, como Alona pontuara, não tinha aquele direito. Segundo porque... Se alguém tinha direito ao seu primeiro beijo, aquele alguém era Jensen Ackles.

- Victoria... eu... eu sinto muito. – disse, soltando-se dos braços dela e se afastando, sumindo na multidão, deixando a garota no meio da quadra, de olhos atônitos.

Não muito longe, Alona sorriu ao ver o moreno passar por ela sem nem a notar. O sorriso da loira diminuiu, porém, quando viu sua amiga ainda parada no mesmo lugar, se esforçando para conter as lágrimas que brotavam nos olhos maquiados. Sua missão aquela noite ainda não estava terminada...

J & M

You think I'm pretty without any makeup on

(Você me acha bonita sem qualquer maquiagem)

You think I'm funny when I tell the punchline wrong

(Você me acha engraçada quando eu conto a piada errado)

I know you get me so I let my walls come down, down

(Eu sei que você me entende, então eu abaixo minhas defesas, abaixo)

Before you met me I was alright but

(Antes de você me conhecer eu estava bem, mas)

Things were kinda heavy, you brought me to life

(As coisas estavam meio difíceis, você me trouxe para a vida)

Now every February you'll be my valentine, valentine

(Agora todo Fevereiro você será meu namorado, namorado)

Junto ao placar, mal iluminado pelos postes ao redor do campo de futebol, Jensen andava de um lado para o outro, torcendo as mãos, ansioso. Estava com medo de passar mal, tão rápido que seu coração batia, o suor frio escorrendo pela testa. Não hesitara um segundo ao ler o bilhete, mas agora, sozinho no campo de futebol, começava a imaginar se aquilo tudo não era alguma armação, uma brincadeira de mau gosto.

Estava tão ansioso que nem percebeu a mudança da música mais agitada para uma música lenta, lá dentro da quadra. Menos ainda o som abafado dos passos de alguém que vinha apressado. Estacou de repente ao ver ali, diante de seus olhos arregalados a figura de Misha Collins, tão estático quanto ele.

Durante longos minutos, que pareceram horas, eles se olharam, sem nenhum movimento a não ser o do peito subindo e descendo com a respiração descontrolada de ambos. Jensen imaginara tantas vezes aquele momento, pensara em tantas coisas para dizer, mas simplesmente não conseguia formular nenhum pensamento coerente. Misha tentava raciocinar, mas seu cérebro estava em choque, aparentemente preocupado apenas em fazer seu coração bater rápido demais.

Então, ao mesmo tempo, eles deram um passo, encurtando um pouco a distância.

- Mi... Misha. – Jensen quebrou o silêncio, embora sua voz tivesse saído tão baixo que foi parcialmente abafada pela música alta vinda da quadra.

- Jensen... – o moreno respondeu.

Mais um longo silêncio. Jensen começava a suar mais ainda, sentindo-se extremamente ridículo. Caramba, porque ele não conseguia falar nada? Tudo o que ele precisava era dizer que gostava muito de Misha, mesmo que o sentimento dele não fosse recíproco, que o moreno era importante por demais em sua vida... Misha relembrava as palavras de Sasha, mas agora elas pareciam distantes demais, e ele sentia-se mais covarde que nunca, sem coragem de dizer ao loiro o que sentia.

- Misha, eu... – o rapaz dos olhos verdes finalmente disse, mas ao mesmo tempo o dos olhos azuis disse seu nome. – Caramba, Misha, eu preciso acabar com isso! – falou, quando um outro silêncio incômodo se iniciou.

Aproximou-se mais, ignorando o formigamento que começou a se espalhar pelo seu corpo.

- Puxa... Mi... eu só queria te dizer que... – ele parou. Como iria falar? – Escuta... eu vou entender, tentar entender, se você não quiser mais olhar na minha cara, mas... Eu gostaria muito que ainda pudéssemos ser amigos. Eu sinto muito pelo que aconteceu no campo de beisebol. Sinto porque eu sei que por causa disso provavelmente você me odeia agora. Mas ao mesmo tempo, não posso ignorar o que aquilo provocou em mim... Misha... Agora eu sei que... eu... eu te amo!

O loiro parou para puxar ar. Falara tudo de uma vez só, com medo de não conseguir dizer nada. E aquela sensação de aperto no peito ainda piorava tudo.

- Nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo. Não consigo entender ainda, queria que você pudesse me ajudar... Mi, você mudou minha vida... – continuou, deixando seu coração ditar as palavras. - Eu vi que algumas pessoas merecem ver o Jensen de verdade, que eu não preciso sempre me esconder... E, por mais que você esteja com a Victoria, eu não queria que ficássemos assim. Eu juro que vou tentar ser apenas o seu amigo...

Droga, por que ele tinha que chorar? O que Misha iria pensar?

- Jen... eu...

O moreno estava mais atordoado que antes. Jensen não podia estar dizendo aquelas palavras. Ele... o amava? Pensava que ele, Misha, estava com Victoria? Estava chorando? Aquilo não estava acontecendo, não parecia real. Seria possível que estivera enganado aquele tempo todo?

- Jensen... eu e Victoria... não estamos... Você e Alona sim...

- Alona é apenas uma boa amiga, Mi. – Jensen respondeu à afirmação incompleta. – Ela esteve ao meu lado desde aquela tarde no campo de beisebol. Ela diz que você também gosta de mim... – acrescentou, dando um sorriso amargo. – Claro que não é verdade... Você está com a Vicky...

Misha não acreditava que tinha sido tão bobo. Seu pensamento voltou para a conversa estranha que tivera com a loira dois dias antes, conversa que fora interrompida por Victoria. A loira estivera prestes a dizer que Jensen gostava dele?

- Victoria e eu não... estamos juntos. – o moreno negou mais uma vez, quase automaticamente, sua mente atordoada tentando juntar as peças do quebra-cabeça.

Let's go all the way tonight, no regrets, just love

(Vamos até o fim essa noite, sem arrependimentos, só amor)

Como um raio atingindo o solo, a compreensão atingiu seu cérebro, aquela sensação de choque se espalhando rapidamente para cada parte de seu corpo. No entanto, antes que aquilo pudesse fazer algum sentido, se viu novamente próximo demais do loiro. Não saberia dizer se fora ele quem se aproximara, pois estivera atordoado demais.

Seu coração batia descontroladamente, sua respiração era inconstante, pois cada vez que inspirava o ar carregado com o cheiro de Jensen ele perdia o sentido das coisas. Em sua cabeça tudo rodava, os sons da festa se misturavam ao martelar do coração em seu peito. Os olhos azuis se perdiam nos verdes cada vez mais próximos, a respiração do loiro cada vez mais misturada à sua, o calor de seu corpo aquecendo-o...

Então aconteceu. Tudo silenciou no momento em que os lábios macios de Jensen tocaram os seus. Nada mais importava no mundo. Sua vida, sua existência estava naqueles lábios, começava ali e terminava ali.

You make me feel like I'm livin' a teenage dream

(Você me faz sentir como se eu estivesse vivendo um sonho adolescente)

The way you turn me on, I can't sleep

(O jeito que você me excita, eu não consigo dormir)

Let's run away and don't ever look back, don't ever look back

(Vamos fugir e não olhar pra trás nunca mais, não olhar pra trás nunca mais)

My heart stops when you look at me

(Meu coração pára quando você me olha)

Just one touch now baby I believe this is real

(Só um toque, baby, agora eu acredito que isso é real)

So take a chance and don't ever look back, don't ever look back

(Então arrisque-se e não olhe mais pra trás, não olhe mais pra trás)

Jensen não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Quando entendeu que Misha e Victoria não estavam juntos ele sabia que aquela era sua chance, que precisava arriscar. Na verdade seu corpo entendeu mais do que a sua cabeça, pois ele se aproximou sem ao menos perceber. E então seus lábios estavam junto aos do moreno. No toque mais suave que ele já tinha sentido, no gosto mais doce que já havia experimentado.

Por mais que ele quisesse ficar preso àquela boca por toda a eternidade, em um momento eles se separaram. O loiro abriu os olhos para encarar os de Misha. Achou que seria a última coisa que veria, tão rápido seu coração batia, tão quente ele estava, tão acelerada estava sua respiração.

Mas no segundo seguinte ele sentiu novamente a pressão dos lábios do moreno nos seus, só que dessa vez mais urgente, mais desesperada. A boca de Misha se movimentava, obrigando a sua abrir-se para receber a língua quente e molhada do moreno. Nenhum dos dois sabia bem como fazer aquilo, mas era instintivo. Logo sua própria língua dançava junto com a dele, em movimentos apressados, os dois ávidos para explorar cada espaço possível...

E era bom, muito bom. Misha tinha um gosto bom, o toque de sua língua fazia arrepios descerem por suas costas, e partes do seu corpo reagirem imediatamente. Tomado de desejo, o loiro puxou o corpo do moreno mais para perto. Precisava senti-lo, precisava saber que aquilo não era um sonho.

Ao sentir o loiro apertando-o contra si, Misha deixou escapar um gemido. Passou suas mãos pelo pescoço do outro, acariciando os cabelos cor de trigo, e sentiu as mãos do loiro descendo por suas costas, indo e voltando, fazendo cada terminação nervosa entrar em curto-circuito.

Por fim, tiveram de parar para respirar. Olharam-se mais uma vez, mas dessa vez não havia medo, não havia incerteza. O brilho em suas íris era da mais pura felicidade. Estavam ofegantes, com o rosto afogueado e com um sorriso enorme.

- Misha...

- Jensen...

- Eu te amo. – disseram juntos.

Era verdade. Nenhum dos dois tinha experimentado o que era o amor, mas não poderia ser outra coisa. Não poderia haver outra explicação para aquilo que agora lhes preenchia o peito, que lhes fazia sentirem-se vivos como nunca tinham estado. Ficaram se olhando por um bom tempo, os olhos buscando cada detalhe no rosto do outro, como se só agora pudessem ver de verdade a beleza que havia neles.

- Então... – Misha disse, por fim. – Nosso primeiro beijo...

- O primeiro. – Jensen disse, sorrindo. – O primeiro de muitos... – acrescentou, pegando a mão de Misha e levando-o para trás do placar. – Ainda temos uma noite toda...

Misha não conseguiu pensar numa resposta. Mas não era necessário responder. E, mesmo que fosse, Jensen estava novamente juntando seus lábios, e, naquele beijo, não havia espaço para nenhum pensamento. Apenas para a certeza de que se amavam.

I finally found you

(Eu finalmente te encontrei)

My missing puzzle piece

(A peça que faltava no meu quebra-cabeça)

I'm complete

(Estou completa)

J & M

Ele só fora àquela porcaria de baile porque o resto do time ia, e, como quarterback e capitão ele não poderia faltar. Mas, como previra, tudo estava muito chato. A começar por aquela Genevieve. Podia ser muito bonita, uma tremenda gostosa, mas não era capaz de falar uma coisa interessante sequer. Bom, pelo menos ele dera uns amassos com ela...

Mas estava muito entediado. Aquela escola o entediava. As pessoas o entediavam. A começar por seus pais, passando pelos professores e chegando ao resto do mundo. Às vezes ele mesmo não se entendia. Sempre lhe diziam que ele reclamava demais, que sua vida era muito boa, que ele tinha tudo... Mas o que ele tinha, de verdade? Sabia que tinha uma posição importante no time, que as pessoas tinham medo dele, mas isso não era suficiente. Ele queria que alguém o entendesse e que o ajudasse a se entender. Porque havia coisas nele que não tinha coragem de encarar.

Esses eram os pensamentos de Jared Padalecki, enquanto andava em volta do campo de futebol, cansado de ficar no tumulto dentro da quadra. Mas foram interrompidos quando avistou duas figuras não muito longe, perto do placar. Por instinto, escondeu-se nas sombras debaixo de uma das arquibancadas, forçando a visão para ver quem era.

- Ora, ora... Ackles e Collins de bate-papo de novo? – disse consigo mesmo, identificando os dois garotos. – Mas... o que...

O rapaz não acreditava no que seus olhos viam. Jensen e Misha não estavam apenas conversando. Ele reconheceria aqueles movimentos mesmo que estivesse mais escuro. Os dois garotos que mais o irritavam naquela escola estavam se beijando... Ele apenas gostava de aborrecê-los com suas piadinhas, mas tudo era verdade...

Estava, de certo modo, chocado. Mas ao mesmo tempo... também estava excitado. Porque diabos seu pau estava duro vendo aquela cena?

- Pare com isso, Jared! – disse a si mesmo, embora uma de suas mãos já estivesse sobre seu membro, massageando-o por cima da calça jeans. – Pare e tente pensar num modo de usar isso a seu favor... Aquele arrogante do Ackles agora está em minhas mãos... E de quebra o cdf do Collins... Cara... Parece que esse baile afinal valeu de alguma coisa...

Jared sorriu, mas dentro dele alguma coisa não estava bem. Como sempre, ele tratou de afastar aquela sensação ruim e, já que estava ali, aproveitar aquela cena...


Nota da Beta: AAAAAAHHHHHHH! *sai gritando e correndo pela casa* Nem acredito que esse beijo finalmente aconteceu! *¬* Tenho sonhado com ele desde o dia em que lancei o desafio dessa fic para meu CassBoy querido. *pega o lencinho* Cara... Será que vocês surtaram também? Eu quero muitos, muito, muitos reviews pra esse capítulo, que foi o mais especial de todos! o/ Mas, ei! O Girafão, o Pada-Besta, tinha que presenciar a cena? o_O Algo me diz que isso vai dar merda. #tenso

Nota do Autor: AAAAAAHHHHHHH!² Estou tão feliz por finalmente ter acontecido! Esse era o desafio original que a Anarco me deu: o primeiro beijo. Mas a estória cresceu, cresceu e ele demorou tanto pra acontecer que eu já estava até perdendo as esperanças, rsrsrs! Mas eis que aconteceu! Mais uma vez obrigado a todos que me incentivam tanto a fazer essa fic! Todos mesmo! Ah, e Vi Ramos, não me odeie! Não foi culpa minha eles serem tão cabeça-duras, rsrrsrs! Enfim, acho que eu vou ali respirar um pouco depois da emoção desse beijo!

PS.: Só queria pôr o link dessa fanart que me inspirou um pouco pra esse capítulo. É só imaginar a camisa do Dean/Jensen e a gravata do Cas/Misha vermelhas XD ht*tp:/*lh6.*ggpht.*com/_9PT*dIIslt*XA/TRpx*xGwHcAI/AAAAA*AAAAHo/AJiZvPK*7BO0/Groped_by_an_Angel_by_nursethalia*.jpg