QUANDO NOS TOCAMOS
BY DAMA 9
FIC DE PRESENTE PARA ARTHEMISYS.
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, pertencem a Masami Kuramada e a Toei Animation.
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Importante!
Dama 9 e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Boa Leitura!
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Capitulo 9: Voltando pra casa.
Nós passamos por todos os bons e maus tempos
Você me faz sentir bem quando eu caio...
.I.
Apoiou a mochila sobre o ombro esquerdo, enquanto subia os últimos lances da escada a porta se abriu.
-Shun-sama. Ohayo! – Yume falou sorrindo.
-Ohayo, Yume-chan; ele respondeu com um sorriso sincero, fazendo a jovem corar. –Como estão as coisas por aqui?
-Por mais estranho que possa parecer, estão normais; ela respondeu, estendendo a mão para pegar sua mochila, mas ele apenas negou com um aceno, segurando a alça sobre o ombro.
-Pode deixar, eu mesmo levo;
-Mas...;
-Esta tudo bem, Yume; ele respondeu tranqüilamente. –Agora me conte, onde estão todos, para tudo estar tão silencioso e normal por aqui?
-Saori-san foi até a empresa para uma reunião. Seiya, Thouma e June estão na faculdade e...;
-Espera; Shun a deteve. –O que disse, acho que não entendi; ele falou confuso.
-Seiya,Thouma e June estão na faculdade; ela repetiu como se não entendesse a confusão dele.
-Uhn? – ele acenou, para que ela continuasse.
-Ano passado eles ingressaram num programa da fundação para estudarem; Yume continuou, animada.
-Entendo, mas e June? – Shun perguntou hesitante.
Fazia um ano que não via a amazona e não estava muito certo sobre o que sentir quando a visse novamente.
-A senhorita June veio da Grécia com Saori, mas uma outra moça. Como os rapazes decidiram entrar no programa da fundação, Saori conseguiu convencê-la a fazer o mesmo. Desde então, ela tem vivido aqui;
-Certo; ele murmurou, pensativo.
Respirou fundo, enquanto subiam as escadas, como Mú dissera, fugir dos problemas não os faria, se resolverem sozinhos, pelo contrario, eles iriam se multiplicar.
-Gostaria de tomar um lanche agora ou prefere descansar e esperar o jantar? – Yume perguntou, abrindo a porta do quarto.
-Vou tomar um banho, depois eu desço, não se preocupe; ele respondeu.
-Como quiser; a jovem falou, antes de dar-lhe passagem para dentro do cômodo e logo em seguida, despedir-se, deixando-o sozinho.
Olhou distraidamente o quarto, tudo estava como deixara quando a guerra contra Hades começara. Jogou a mochila sobre a cama e aproximou-se da mesinha redonda, que estava próxima as portas da sacada.
Prendeu a respiração ao ver que sobre ele, ainda estava o porta-retratos que guardara praticamente durante toda sua vida. Segurou o objeto com mãos tremulas e notou que o vidro fora trocado. Provavelmente Ikki deveria ter visto os cacos no chão e mandado substituir por um novo.
Ainda sentia arrepios ao lembrar-se das visões que tivera com Pandora nos dias que antecederam a Guerra Santa. Jamais ousou imaginar o quão profundamente entrelaçados estavam suas visões com a jovem.
Mas agora isso era parte do passado; ele completou em pensamentos, deixando o porta-retratos sobre a mesa novamente, quando ouviu um toque na porta.
-Entre! – ele respondeu, vendo a porta abrir-se cautelosamente, enquanto por trás dela, surgia a cabeça da jovem de melenas loiras.
-June; Shun murmurou, engolindo em seco, recuando um passo instintivamente, pensou que estava preparado para falar com a amazona quando a encontrasse depois de todo aquele tempo, mas agora sabia que não.
Não queria magoar June, mas sabia que qualquer coisa que dissesse, traria arrependimento e amargura para ambos.
-Oi; ela falou timidamente.
-Oi; Shun respondeu hesitante.
-Yume disse que você tinha chegado, como foi de viagem? – ela indagou, terminando de abrir a porta e dando um passo cauteloso para dentro.
-Foi bem, para quem nunca tinha andado de trem antes; ele brincou, tentando quebrar a tensão que ameaçava lhe sufocar.
-Que bom; June respondeu animada. –O que pretende fazer agora que chegou?
-Ahn! June...; ele hesitou, ficando serio, lembrando-se do real motivo por não conseguir encarar a amazona como antes. –Desculpe ter partido sem me despedir;
-Tudo bem... Saori me explicou que você precisava ir; June respondeu, desviando o olhar.
Mesmo depois daquele tempo todo, a Deusa não quisera lhe contar o real motivo de Shun ter ido treinar com Mú em Jamiel, em vez de ter permanecido treinando na Grécia com Shaka.
-E eu ainda não sei o que vou fazer, acabei de chegar e não pensei nisso ainda; ele respondeu dando-lhe uma indireta, para não insistir no assunto.
-Desculpe, devia ter imaginado; ela falou corando. –Ahn! Vou deixar você descansar então;
-...; ele assentiu, esperando-a deixar o quarto e quem sabe, levar consigo aquela pressão esmagadora que sentia.
-Até o jantar;
-Até; Shun conseguiu responder, vendo aliviado a porta se fechar.
Respirou fundo, deixando-se cair na cama. Instintivamente levou uma mão a garganta, sentindo-se sufocado. O coração começou a bater mais rápido e pequenos pontos brilhantes surgiram diante de seus olhos.
Sentia seu cosmo oscilando. Droga, depois de um ano aprendendo a controlá-lo, como justamente agora ele perdia a estabilidade; ele pensou exasperado.
Levantou-se bruscamente, abrindo as portas balcão. Sentiu o vento gelado do fim de tarde chocar-se contra si e imediatamente seu corpo esfriou e a pressão sufocante que sentia na garganta, foi aliviando.
Respirou seguidas vezes, tentando se acalmar. Mú havia dito que coisas assim iriam acontecer se seu cosmo ficasse descontrolado. Quando o consciente se descontrolasse o subconsciente iria dar um jeito de lhe deter, com isso, iria usar de seus reflexos, para deter as funções básicas do corpo. Por isso deveria se exercitar, para evitar esse tipo de reação.
Mais calmo, apoiou os braços no alpendre da sacada, foi quando viu um carro se aproximando. Provavelmente com Saori; ele pensou, mas estancou com a mão no ar ao quando quem saiu do carro não foi ela e sim, aquela adorável jovem de melenas negras que conhecera antes de deixar o santuário.
-Cora!
Embora sua voz não houvesse soado mais do que um sussurro a seus ouvidos, viu a jovem deter-se no primeiro degrau da escada e erguer a cabeça para cima. Quando seus olhares se encontraram, sentiu uma descarga elétrica percorrer seu corpo dos pés a cabeça e por um instante, mesmo que ínfimo, sentiu o tempo parar.
.II.
Arqueou levemente a sobrancelha, enquanto via o cavaleiro correndo pelo campinho de futebol, ensinando as crianças a jogarem.
-Você parece um pouco inquieto; uma voz delicada chamou-lhe a atenção.
Virou-se prontamente, encontrando uma das monitoras do orfanato lhe observando.
-Como vai, Eiri? – Hyoga perguntou, em meio a uma mesura cordial.
-Bem, e você? – ela perguntou, tímida.
-Bem, na medida do possível; ele respondeu, voltando a fitar Seiya e as crianças.
-Mino falou que as coisas estão um pouco tensas na mansão; Eiri comentou.
-Shun esta chegando hoje de Jamiel; Hyoga respondeu. – Querendo ou não, todos estão preocupados com isso... Bem, todos menos esse ai; ele completou apontando o cavaleiro que agora rolava no chão com os meninos.
-Acredito que ele também esteja preocupado com Shun, Hyoga. Mas cada um tem um jeito de externar isso; Eiri falou, pousando a mão sobre o braço dele, em tom conciliador. –Vocês tiveram que começar a lutar muito cedo, amadurecendo e se tornando homens, enquanto as outras crianças brincavam, despreocupadas. Acredito que Seiya aja assim, não porque não se importe, mas é a forma que ele encontrou de lidar com a situação;
-Talvez; Hyoga respondeu num muxoxo contrariado.
-Mas não é só isso que lhe preocupa, não é? – ela falou, incentivando-o a falar.
-Ikki também esta agitado por causa de June. Ele acha que ela pode acabar "se aproveitando" da sensibilidade de Shun e usar isso para fazê-lo retornar a Ilha de Andrômeda como ela quer; ele respondeu.
-Não sei, parece um pouco exagero pensar que ela iria manipular alguém assim; Eiri comentou.
-Não seria a primeira vez; ele falou com pesar. – De qualquer forma, não é algo que iremos conseguir resolver. Infelizmente tudo depende de Shun agora;
-Então, você só tem que confiar; ela falou sorrindo.
-Uhn?
-Você o conhece à muito tempo, sabe como ele age. Então, confie que no fim, ele tomara a melhor decisão.
-Tem razão; ele concordou, embora não tivesse a mesma confiança que ela.
.III.
Não sabia quanto tempo havia ficado ali, apenas encarando o cavaleiro, apenas corou furiosamente quando se deu conta de que Yume havia aberto a porta e esperava que entrasse.
-Ohayo, Cora-san; a jovem a cumprimentou.
-Oi; ela respondeu hesitante.
Embora houvesse passado um ano vivendo no Japão, estranhava a colocação daqueles sufixos no nome cada vez que ia falar. San, Sama, Chan, Kun, Dono e Dana. Por sorte no orfanato não tinha que usar todas essas classificações ou do contrario, provavelmente cometeria alguma gafe; ela pensou.
-Yume, por favor, Saori já chegou? – ela perguntou.
-Saori-san precisou ir até a empresa para uma reunião, mas acredito que estará de volta para o jantar;
-Assim que ela chegar, poderia pedir a ela que fosse me ver, por favor? – Cora pediu.
-Tudo bem; ela respondeu dando passagem a jovem.
Cora despediu-se e dirigiu-se para as escadas que levavam aos quartos.
-"Ele voltou"; ela pensou instintivamente levando uma mão em direção ao coração.
Respirou fundo, ouvindo-o bater mais rápido a cada passo. Depois de um ano ele estava de volta, era difícil de acreditar, alias se não tivesse visto, duvidaria, ainda mais agora que pretendia partir.
Imersa em pensamentos, mal notou uma porta abrir-se no longo corredor, apenas quando foi puxada para dentro de um dos quartos que reagiu assustada. Debateu-se por puro instinto, mas quando seus olhos encontraram com os do cavaleiro, sentiu-se engolfada por uma onda arrasadora de emoções.
-Senti sua falta; ele sussurrou, fechando a porta atrás dela, de forma que ela não pudesse sair, tampouco recuar.
-Shun; Cora balbuciou, sentindo a madeira fria a suas costas e o calor abrasador do cavaleiro a envolvê-la.
Uma aura poderosa o rodeava, embora aparentemente seu cosmo estivesse em equilíbrio, à energia dominante dele a mantinha cativa no circulo de seus braços.
-Senti que séculos se passaram desde a última vez que te vi; ele sussurrou, tocando-lhe a face delicadamente com a ponta dos dedos, como se estivesse gravando em sua memória todos os seus traços.
-Como foi em Jamiel? – ela perguntou tremula, vendo-o baixar a cabeça deixando seus olhos na mesma altura, porém eram em seus lábios que as íris esmeralda se fixaram.
-Você não estava lá; Shun respondeu.
E com essa única afirmação resumiu o último ano, as palavras ecoaram em sua mente de maneira perturbadora, mas como uma toalha arrancada da mesa, cuja prataria fosse lançada para longe, elas também foram bruscamente jogadas para um canto em sua mente, quando sentiu os lábios dele sobre os seus.
Intensos e sedentos, como os de alguém perdido num deserto escaldante até encontrar a salvação em um oásis.
.IV.
Apoiou melhor o laptop sobre o joelho enquanto segurava com a outra mão um livro antigo, cujas folhas por muito pouco não estavam se desfazendo entre seus dedos. Suspirou cansado, embora sempre houvesse gostado de estudar sobre tudo, apreender a lidar com aqueles aparelhos modernos estava lhe deixando com o com alguns fios de cabelo branco e a inquietação de seu amigo do outro lado da sala de nada ajudava.
Lançou um olhar para o livro antes de voltar-se para o laptop e conferir as informações, mas o som dos passos de Aioros sobre o tapete, de um lado para outro começou a lhe irritar.
-Chega! –ele exasperou.
-Algum problema Saga? – Aioros perguntou dando um pulo de susto quando o cavaleiro fechou o livro com força, erguendo em volta de si uma nuvem de poeira que o fez engasgar.
-Acho que deveria ser eu a perguntar; Saga respondeu.
-Uhn?
-Você esta andando de um lado para outro da sala à suas horas;
-Serio? Não tinha percebido; ele respondeu confuso, antes de sentar-se numa cadeira, colocando o livro sobre ela, em seu colo.
-Aioros, o que esta acontecendo? – ele insistiu.
-Nada;
-Você é uma das pessoas mais calmas que conheço, e agora esta quase me deixando maluco andando desse jeito; Saga continuou.
-Eu, bem...; Aioros balbuciou.
-O que?
-Você acha que Saori esta bem... Digo, Athena? – ele apressou-se em corrigiu-se.
-Acredito que sim, do contrario já estaríamos sabendo; o geminiano respondeu, começando a desconfiar dos motivos que o deixavam tão inquieto.
-Talvez; ele murmurou incerto.
-Alem do mais, ela esta com os cavaleiros de bronze, é pouco provável que alguém tente alguma coisa contra ela com eles junto; Saga respondeu, vendo-o dar um pesado suspiro. -Alem do mais, já faz um ano que Saori voltou para o Japão, se ela temesse por alguma coisa teria contado em uma das ligações que ela nos faz nos finais de semana;
-Ligações? – ele perguntou confuso.
-Claro, ela sempre liga para saber das coisas... Aioros, você esta com a cabeça aonde? – Saga perguntou vendo que ele olhava vagamente para a parede e parecia não ouvi-lo mais. –Aioros... AIOROS!
-Uhn!
-Porque não vai ao Japão; Saga sugeriu de repente, surpreendendo a si mesmo com essa reação.
-O que? – Aioros sobressaltou-se.
-Isso, as coisas estão tranqüilas por aqui, você poderia muito bem viajar por alguns dias;
-Verdade?
-...; ele assentiu.
-Leve Milo com você, assim quem sabe, ele não da um pouco de sossego para as amazonas daqui, ouvi dizer que Shina esta bastante aborrecida com isso; ele comentou.
-Vou falar com ele, talvez seja uma boa idéia ir; ele respondeu levantando-se.
-Faça isso... Afinal, umas férias de vez em quando não matam ninguém; ele respondeu, vendo-o se despedir e deixar a sala. –Como é complicado; Saga suspirou em seguida.
-Faz um ano que ele esta assim; uma voz conhecida soou a suas costas.
Virou-se, encontrando o ariano de melenas lilases emergir das sombras entre as prateleiras.
-Normalmente Aioros não é tão impaciente assim; Saga respondeu, fitando-o intrigado. Há quanto tempo o cavaleiro estava ali e não sentira sua presença? – ele pensou.
-Se ao menos ele fosse um pouco mais sincero consigo mesmo; Mú comentou, indo sentar-se no mesmo local ocupado pelo sagitariano.
-Como? – o geminiano indagou.
-Estava apenas pensando alto, não de importância; ele resmungou, dando de ombros, antes de estender-lhe uma pequena e fina caixinha de acrílico.
-O que é isso? – Saga perguntou, notando que dentro dela havia um disco laminado.
-O relatório sobre o desenvolvimento de Shun no último ano;
-Mas...;
-Achei desnecessário escrever num pergaminho agora que você esta digitalizando tudo; Mú respondeu antes que ele contestasse.
-Entendo... Tem lógica; ele assentiu concordando. –E então, como foi?
-Ele se saiu bem, agora já tem noção do que precisa melhor por conta própria. Não acredito que ele terá problemas com isso;
-Fico pensando se os outros não terão de receber algum acompanhamento também; Saga comentou.
-Como assim?
-Durante todas as batalhas eles foram obrigados a evoluir o cosmo muito rápido, atingindo o sétimo sentido. Embora Shun tenha recebido a influência de Hades, o aumento do cosmo dos outros, causou uma evolução brusca das armaduras para Kamuis, acredito que agora, com os tempos mais calmos, eles possam passar pelo mesmo que Shun;
-Talvez, mas ainda não tivemos mostras disso; Mú concordou. – Alem do mais, todos eles se recuperaram bem durante o tempo que ficaram na fonte. Só saberemos se eles sofreram com isso, em algum momento que seus cosmos se descontrolem, por enquanto não temos como prever;
-Tem razão; Saga concordou.
-Por via das duvidas, mande Shaka ficar de olho nisso, se ele pode sentir as variações de cosmo à distância, pode ficar atento aos cavaleiros de bronze, mesmo daqui; Mú explicou. Diante da perversa idéia de atribuir mais funções ao virginiano apenas para atormentá-lo e obviamente, fazê-lo fazer algo mais do que ficar sentado o dia todo ocioso, apenas meditando.
-Ahn! E você? – o geminiano perguntou curioso.
-O que?
-Não pretende se inteirar sobre isso? – Saga indagou com cautela, vendo-o se levantar.
-Não, não estarei no santuário nos próximos meses; Mú respondeu sem dar margem a especulação. –Mas qualquer coisa, você sabe como me contatar;
-...; ele assentiu, vendo o ariano despedir-se e desaparecer. –Uhn! Curioso, muito curioso...;
.V.
Pés descalços tocaram o chão de mármore, inconscientemente seguindo pelos corredores gelados. Uma noite de estrelas erguia-se na abobada celeste. A brisa suave esvoaçou os longos cabelos negros, enquanto os opacos orbes violeta fitavam o solário de colunas gregas.
O salão aberto dava-lhe uma vista privilegiada das estrelas, um arrepio correu suas costas e o coração disparou. Por alguns segundos, tão ínfimos para que algum mortal comum notasse. Seus olhos mudaram de cor e com eles a visão das estrelas foi substituída por outra, bem mais perturbadora.
-O que você viu? – uma voz grave soou a suas costas.
Instintivamente virou-se tensa, pronta para enfrentar qualquer um que lhe ameaçasse, mas tranqüilizou-se ao ver a figura imponente de cabelos vermelhos se aproximar. Os orbes azuis como laminas de gelo pareceram aquecer-se ao recair sobre si e a tensão de seu corpo esvaiu-se.
-Padrinho; ela sussurrou, enquanto a divindade aproximava-se a passos calmos de si, quase flutuando sobre o piso de mármore.
-Você só busca o Santuário de Delfos quando precisa de respostas; Apolo falou tocando a face alva com carinho, vendo-a assentir.
-Não sei ao certo o que esta me incomodando; Ariel respondeu.
-Tem algo a ver com o que viu? – Apolo indagou.
-O padrinho sabe que prefiro não falar sobre elas; a jovem respondeu desviando o olhar.
-Sei o quanto elas podem ser dolorosas, minhas criança; a divindade falou, envolvendo os ombros delicados em seus braços, puxando-a de encontro a seu peito. –Sei também que você prefere lutar suas batalhas sozinhas, mesmo depois de tantos séculos, mas precisa se lembrar que você não esta mais sozinha;
-Mú me diz isso o tempo todo; ela respondeu com um fraco sorriso.
-Você tem um bom cão de guarda; ele falou.
-Mú não...;
-Xiiii, eu sei; ele murmurou, afagando-lhe os cabelos ao senti-la ficar tensa. –Vocês são amigos, eu sei... Embora esse conceito me seja inconcebível. Homens e mulheres existem para um propósito e confesso que essa história de "amizade" não esta na minha lista; ele completou.
-O senhor melhor do que ninguém deveria saber da capacidade dos mortais em cometer pequenos milagres; ela respondeu serenamente.
-Sim, tem razão; ele concordou. –Mas ainda me é difícil aceitar a idéia de que ele não tenha se sentido "tentado" pelo menos uma vez por seus encantos; ele completou como se isso fosse o que mais lhe ofendesse.
-Padrinho! Padrinho; ela falou rindo, enquanto balançava a cabeça levemente para os lados. –Certas coisas jamais irão mudar;
-Ótimo, pois detesto mudanças... Agora não mude de assunto e me conte o que esta lhe incomodando; ele insistiu.
-O senhor não irá desistir, não é?
-Não!
-Minha visão era sobre a Imperatriz; Ariel comentou, enrolando distraidamente uma mecha de melenas vermelhas em seus dedos.
-Perséfone? –ele perguntou, vendo-a assentir. –Soube que ela esta na Terra vivendo com Athena, mas o que dizia sua visão?
-Eu a vi, não na Terra, mas nos Elíseos; a jovem falou pausadamente, como se colocar aquelas imagens em palavras lhe fosse difícil. –Ela estava grávida e Hades estava junto com ela;
-Minha criança, tem certeza? – Apolo perguntou tentando aparentar tranqüilidade, quando as palavras dela haviam lhe preocupado.
-Sim, por um momento pensei que fosse Shun, alias, minha lógica insistia que era ele a seu lado, já que Hades está morto, mas...; ela suspirou. –Não era, tenho certeza, era Hades;
-Mas Hades não podia ter filhos; Apolo falou, vendo-a dar de ombros.
-De qualquer forma, foi o que vi;
-Entendo; ele murmurou, afagando-lhe os cabelos. –O que pensa fazer sobre isso?
-Nada, por que? –ela perguntou, voltando-se para ele.
-Mas...;
-O fato de saber o que vai acontecer não me da o direito de interferir; Ariel respondeu. –Mesmo porque, não é algo que eu possa resolver. Infelizmente a situação já é delicada o suficiente para mais alguém se envolver... Só espero que Shun tenha força para fazer a coisa certa no fim;
-Realmente, jamais vou entender os mortais; Apolo falou, dando um pesado suspiro vendo que ela não pretendia lhe explicar o porque daquela afirmação. Mas algo lhe dizia que Laura havia visto muito mais do que o retorno de Hades e como dissera antes, decidira não contar.
Embora detestasse admitir sua garotinha havia crescido à muito tempo e talvez, não precisasse de sua proteção; ele pensou franzindo o cenho. Entretanto, não era obrigado a gostar disso. Mais tarde provavelmente iria chamar aquele cavaleiro para uma conversa. Se não pudesse proteger Laura de perto sem chamar a atenção "dela", sabia que ele conseguiria; Apolo pensou.
Continua...
