Capítulo 10

Hermione fez o caminho até seu quarto sem encontrar ninguém, aliviada por conseguir, respirou profundamente e se jogou na cama, olhou o relógio e viu que ainda tinha uma hora para o café da manhã, resolveu usar esse tempo para tomar um banho e se preparar para o dia, pois hoje, fora combinado que os habitantes do castelo iriam procurar nos registros de alunos dos anos de 1968, 1969, 1970 e 1971, pessoas com as quais os nomes casassem com as iniciais RAB.

Hermione não tinha tido tempo de pensar como faria seus amigos acharem o nome do irmão mais novo de Sirius, ela achava que, possivelmente, deveriam ter vários alunos desse período com nomes nas quais as iniciais casassem, ela precisava dar um jeito para eles se deterem no nome certo sem precisar contar-lhes qual, para não ter que explicar como obtivera a informação. Ela precisava também, falar a sós com Dumbledore e dar-lhe ciência dos novos fatos que Severo lhe contou. A jovem tinha esperança que o velho diretor pudesse ajudá-la dando alguma idéia de como ludibriar seus companheiros e levá-los às pistas certas.

Passada a uma hora, desceu para o grande salão, sorridente, cumprimentou a todos e tomou seu lugar na mesa junto a Harry e Rony, começou a comer perdida em seus pensamentos, precisava encontrar uma maneira de convencê-lo de que Régulos fora o ladrão do medalhão, ela foi tirada de suas divagações pela voz altiva de Minerva:

- meus caros amigos, ontem Hagrid e eu separamos, a noite, as caixas com as fichas, nós as colocamos em uma sala vazia, são muitas não se assustem quando virem teremos trabalho para o dia todo. – Hermione ouviu e pensou "quanta perda de tempo, pena que eu não posso falar nada" e com um sorriso no rosto a jovem disse – então vamos acabar logo com essa refeição e começar o trabalho – todos concordaram e após mais algum tempo foram se levantando e tomando o rumo indicado pela Diretora que os guiava na frente. Hermione se aproximou dela e pediu – Professora! Será que eu poderia conversar um pouco com o professor Dumbledore na sua sala antes de começar a trabalhar, eu sonhei com ele essa noite e o sonho me assustou, era um pesadelo e por isso gostaria de poder vê-lo só um pouco – ela achou a desculpa que criou a mais fajuta possível, mas lembrou-se que sua avó sempre dizia: "para que complicar o que pode ser simples, planos muito elaborados, normalmente falham pateticamente" era mais fácil se passar por tola que responder a um inquérito da diretora sobre os motivos da conversa em uma hora tão inapropriada. Como Hermione previu Minerva a olhou de forma complacente, como uma mãe a uma criança inocente, e disse – Pode ir minha querida, se vai se sentir melhor depois de vê-lo, vá, nós a esperaremos na sala, a senha da gárgula é pomo de ouro – Hermione agradeceu e seguiu o mais rápido que a compostura lhe permitia até a sala do diretor.

Passou pela pesada porta de madeira e olho para o quadro, esse se adiantou e falou:

– Srta. Granger, Bom dia, imagino que você tenha algo a me contar. Alguma informação nova? – Hermione fechou a porta atrás de si e se aproximou do quadro dizendo – Bom dia professor, como o senhor previu Severo sabia quem era RAB, ele me contou que era o irmão mais novo do Siriu, o Régulus. – Dumbledore sorriu surpreso e satisfeito e a bruxa continuou - Severo também me disse que ele tinha uma namorada, o nome dela era... Digo era, porque ele falou que ela já morreu e bem antes do Régulus, pelo que ele sabe, seu nome era Ariana e ela vivia em uma ilha protegida por um fiel do segredo, Severo acha que a horcruxe possa estar lá, pois ela deixou a ilha para o Régulus quando morreu e ele dizia a todos os amigos que se esconderia lá se precisasse, por que o lugar era muito seguro. A lástima é que Severo não sabe quem é o fiel e nem onde fica a ilha. – Dumbledore passou a mão na barba e disse – eu devo realmente estar velho de mais, como não me lembrei do Régulus, ele entrou aqui na escola no ano seguinte ao Sirius e se tornou um comensal quando se formou. Claro! Só poderia ser ele. E quanto a Ariana, eu não fazia a menor idéia, não sabia que ele teve uma namorada, se Snape acha que ele esconderia a horcruxe nessa ilha precisamos saber onde fica esse lugar, pena que Severo não sabe nada a respeito, tem alguma idéia de onde irá procurar? – Hermione assentiu e falou – Severo acha que RAB pode ter guardado um papel escrito pelo fiel do segredo em algum lugar da mansão Black, pois ele afirmava usar um, para revelar a ilha, acho que devemos procurar lá, ele também ficou de conversar com os outros comensais para saber se algum tem alguma informação que possa nos levar a ilha – Dumbledore concordou e disse - Bem, vamos aguardar então. Severo, é muito astuto, se houver alguma coisa ele encontrará, por hoje o mais importante é fazer com que achem o nome de Régulus, depois vamos investigar algo sobre a ilha. – o velho bruxo passou lentamente a mão magra pela barba e disse - Sua ficha deve constar na caixa de sonserinos do ano de 1970, se não me engano – Hermione balançou a cabeça afirmativamente e falou – professor o nome dele está lá, ele se encaixa nas iniciais, assim como muitos outros devem se encaixar, eu, sinceramente, não sei como mostrar a eles o nome certo sem me entregar e ter que revelar a fonte – Dumbledore olhou para frente como se buscasse uma idéia perdida entre milhões de outras idéias que sua cabeça continha e após um pequeno instante falou – Srta., acho que sei como fazer com que encontrem o nome dele, e apenas o dele, nessa busca. Escute com atenção...

Hermione saiu da sala do diretor se sentindo feliz, agora ela sabia o que fazer. Ao chegar a sala todos já trabalhavam, o ambiente estava amontoado de fichas em uma desordem total. Olhou satisfeita e fez cara de brava, torceu o nariz olhando a bagunça, andou até o meio da sala e disse – Ei! Vocês não sabem fazer feitiços para por papéis em ordem alfabética? – Minerva a fustigou com o olhar, a jovem se divertiu com a cara surpresa de todos perante sua impertinência, era exatamente a reação que ela queria. Reno soltou um sorriso maroto e disse em tom teatral ao ver a professora Minerva franzir a testa contrariada por ter seus conhecimentos postos em duvida:

– "Tens cuidado, Hermione, sê cautelosa.

Há! Não queira que Minerva castigar-te,

De despeito, por teres, certamente,

Muito mais que Minerva, engenho e arte." 1

Harry não agüentou e começou a rir, Rony ficou com o rosto tão vermelho quanto seu cabelo e seu rubor piorou, principalmente, ao ver os olhos de Minerva quase saltarem por sobre os aros dos óculos. E essa falou – Guarde sua lírica para você, Reno, muito propícia sua colocação. – esse engoliu uma risada tentando esconder o prazer que sentia ao ver que sua blague causará o efeito desejado, deixando a antiga professora muito nervosa. E Minerva falou agora se dirigindo a Hermione – é claro, minha jovem, que nós sabemos fazer feitiços organizatórios, apenas não tivemos tempo para tal, - e colocando uma mão na cintura e com a outra a apontando para as caixas, prosseguiu - esses arquivos estão uma bagunça há anos - olhou com nojo para as fichas empoeiradas - eu muitas vezes disse a Alvo que devíamos organizá-los, mas ele sempre tinha uma desculpa para não o fazer – A velha percebendo que estava se perdendo do assunto, ergueu as sobrancelhas com um olhar de desdenho, lembrando-se que o motivo da conversa tinha sido a afronta de Hermione e falou a sua aluna - já que está tão incomodada com a bagunça, faça você o feitiço e arrume esses papéis para que nós possamos voltar a trabalhar e não ouse errar e nos dar mais trabalho para consertar alguma magia de principiante - Hermione apressou-se a responder, se sentindo mal por ter magoado a professora, mas feliz que o plano do ex-diretor estava indo de vento em popa – Desculpe professora, eu estava só brincando, não queria lhe ofender, vou por isso em ordem rapidinho – levantou a varinha e disse um feitiço organizador em voz bem alta, mas, o que ninguém na sala pode ouvir, foi o feitiço não verbal que Dumbledore de lhe ensinara momentos antes na sala da diretora.

Mais cedo uma admirada Hermione escutou o velho bruxo dizer que os arquivos de Hogwarts estavam uma bagunça e que eles precisariam ser postos em ordem para a execução da tarefa de procurar RAB e ela deveria se aproveitar disso para se propor a fazê-lo com um feitiço organizador comum e no ensejo, lançar o outro feitiço em silêncio, esse, faria com que de todas as caixas e em suas inúmeras fichas de alunos, apenas o nome de Régulus coubesse nas iniciais de RAB, mais nenhum aluno teria seus nomes com elas.

Antes de sair da sala da diretora, Dumbledore falou para ela – não gosto de alterar as fichas dos alunos, mas é por uma boa causa. Acha que consegue fazer o feitiço? – Hermione respondeu que sim e agora esperava estar certa e que somente um nome fosse encontrado.

Ela se alegrou ao ver os papéis em perfeita ordem, pegou a caixa de 1970 da sonserina e entregou na mão de Tonks, era melhor que não fosse ela própria a achar o nome, a auror, seria mais apropriada para ter a descoberta. Pegou para si uma caixa de 1969 da Grifinoria e deixou que os outros se servissem. Olhou de relance para Minerva e essa continuava com cara de brava. Hermione não podia acreditar que Dumbledore, de dentro de um quadro, pudesse prever todos os acontecimentos do castelo para por em prática seus planos, mas por incrível que pareça, todos agiram exatamente como o velho bruxo disse que agiriam: A professora contrariada, para testá-la passaria a ela a incumbência de fazer o feitiço, ele disse que Minerva não suportava ser julgada incompetente e ficaria possessa, descarregado a raiva tentando mostrar que, a aluna, apesar de arrogante, não sabia fazer um bom feitiço, pondo-a a prova. E que todos se espantariam com sua audácia de mexer com os brios deles e aturdidos não perceberiam o segundo feitiço. Ele errou somente no tocante aos versos de Lupin, esses nem Dumbledore podia esperar, já que o lobisomem não era afeito a piadinhas, no entanto, veio a calhar, por que distraiu mais a todos.

As horas pareciam intermináveis entre papéis e mais papéis, com os mais diversos nomes e pelo que Hermione pode constatar pela cara de desânimo de todos, nenhum nome se encaixava. E a ela cabia esperar que tonks achasse o que se encaixaria.

A auror de cabelos coloridos se levantou com uma ficha na mão, deu uns pulinhos e mostrou para Lupin que estava a seu lado, esse olhou para a ficha e falou, - achamos um nome, e esse é dos bons porque ele se tornou um comensal – Todos, levantaram os olhos ao mesmo tempo e a moça falou – Régulos Arcturus Black, "RAB", o irmão de Sirus Black – Hermione sentiu o coração disparar, o plano estava seguindo seu curso. Harry perguntou a Lupin – você acha que é ele? Acha que devemos parar de procurar nas caixas? – Lupin soltou a respiração com ar cansado e respondeu – Acho Harry, só pode ser, pois ele sumiu há vários anos e sabe-se que seu sumiço é possivelmente, sua morte tenham se dado porque ele quis deixar de ser um comensal, coisa que é punida severamente pelo Você-Sabe-Quem, nada mais natural do que ele buscar um jeito de se defender, o que ele encontrou, foi buscar as horcruxes, pelo que vejo. – todos foram unânimes em assentir com o fim da busca e, diga-se de passagem, com um sentimento de muito alívio por se verem livres daquele monte de papel. A discussão agora tomava outro rumo, a onde o Régulus teria escondido a horcruxe. Hermione sugeriu que ele poderia ter escondido na casa dos Black, atual sede da ordem. Harry lembrou que quando Sirius voltou para lá, mandou Mostro fazer uma limpeza e jogar tudo fora, - Não há mais nada dele lá – disse desiludido. – Hermione discordou – Harry, existem muitas coisas lá, como os livros da biblioteca e um monte de móveis, eles podem esconder alguma coisa, sei lá um fundo falso talvez, essa é a única pista que temos, não podemos desperdiçá-la, além do mais, o que temos a perder. – depois de muito falatório acabaram se convencendo que deveriam ir, planejaram partir após o almoço para a sede da ordem e usar o resto da manhã, para descansar as cabeças do trabalho entediante ao qual se submeteram.

Após o almoço os membros da ordem, menos Minerva, se reuniram nos portões de Hogwarts e aparataram para a sede da ordem. Ao desaparatarem, caminharam até o ponto certo da rua e Lupin ficando em pé em frente ao local entre os número 11 e 13 disse:

- Grimmald Place número 12 – e a antiga mansão Black apareceu a sua frente e eles entraram.

Rapidamente, cada um foi incumbido de revistar algum cômodo da casa, Hermione quis a biblioteca, afinal ela adorava livros e se sentia bem entre eles, Reno e o Rony ficaram com os quartos, Tonks com a sala e Harry com a cozinha.

Lupin revirava todos os móveis em busca de um possível fundo falso ou nicho enfeitiçado era uma tarefa nojenta já que os móveis estavam sujos e mofados, Rony espirrava o tempo todo por causa da poeira e foi preciso receber um feitiço do antigo professor para continuar as buscas. Tonks fazia o mesmo na sala, espirrava e procurava. No entanto, eles não estavam achando nada que pudessem dar algum crédito como pista.

Hermione por sua vez estava enterrada nos livros antigos da biblioteca, ela tinha que se policiar o tempo todo para não largar a busca e se perder em alguma leitura, os livros eram muito interessantes, ela se prometeu que voltaria depois para poder lê-los com calma. Ela tinha que se manter concentrada em encontrar alguma referência a localização da ilha de Ariana, qualquer informação seria boa, mas achar o papel escrito com o endereço pelo fiel do segredo seria perfeito. Livros e mais livros foram folheados, páginas e mais páginas em um sem fim de movimentos sem nenhum resultado. Ela havia começado nos primeiros livros da primeira prateleira e já estava quase no final da biblioteca, horas já haviam se passado, ninguém veio vê-la, o que significava que tal qual ela, nenhum dos seus amigos tinha achado nada. Seu estômago já pedia por comida e seus olhos já estavam cansados de ver títulos e verbetes de livros, ela começava a achar que Harry estava certo e que buscar na antiga casa dos Black tinha sido uma total inutilidade. De repente ela se viu olhando para cima na ultima estante, quatro depois da que ela estava esmiuçando, viu um grosso volume de capa de couro tingido de vermelho, o titulo antes escrito em letras douradas, agora já era invisível pela ação do tempo. Ela não sabia se por instinto ou intuição resolveu olhá-lo de uma vez, subindo pelas beiradas das prateleiras, se segurando com dificuldade, puxou o livro, era tão pesado, que ela com uma mão só, não conseguiu segurar e deixou cair ao chão levantando a poeira do assoalho envelhecido.

Hermione desceu sua escada improvisada e tomou o volume, indo sentar-se no sofá para folheá-lo. Era um compendio sobre mitologia grega, muito completo e ilustrado, passando as folhas, percebeu que no meio havia um papel, Pegou-o, era uma carta, quis saber que folha do livro ela marcava, era a história de Odisseu e seu regresso à ilha de Ítaca. Olhou novamente para a carta, estava endereçada a Régulus, procurou o remetente e em uma letra muito mimosa estava o nome de Ariana, quase perdeu o fôlego, finalmente achara alguma coisa.

Abriu o envelope e começou a ler, era uma carta de despedida.

Régulus,

Espero que tu estejas bem ao receber essa carta, sei de tudo que tens passado, o nosso Tirésias me mantém informada, sei também, através dele, o motivo por que tu me abandonaste, saiba que sofri imensamente sua falta, nossa ilha é um refúgio triste sem sua presença. Sabes... Chorei durante dias quando me disseste que não queria mais me ver. Tentei achar desesperadamente um motivo para nossa separação. Até que certa manhã parecendo ter adivinhando meu sofrimento, Tirésias veio até mim e me consolou, contou-me a verdade, que eu obviamente relutei em aceitar, mas com palavras sábias como sempre, ele me fez ver que tu não tiveste escolha e que era melhor eu respeitar tua decisão, pois tu, só buscavas manter minha segurança, contudo quero que saibas que podes, sempre, contar com meu amor, se desistires da sua busca, se quiseres voltar para mim e viver em nossa ilha de sonhos, estarei a tua espera.

Tirésias, nosso guardião, reiterar sua promessa de que sempre me protegerá e cuidará de mim, mesmo que tenha que o fazer de mim mesma.

Despeço-me de ti, não por minha vontade, sabes que por ti enfrentaria qualquer adversidade, mas porque me pediste e não sei negar-te nada. Apesar de saber que a ti estarei sempre ligada.

Com todo amor que te tenho, da para sempre tua,

Ariana.

Hermione leu e releu a carta, "quem será esse Tirésias" pensou. Ariana o chamou de guardião, será que ele seria o fiel do segredo, se fosse, onde estaria? Resolveu guardar a carta e mostrá-la primeiro a Dumbledore e Severo, ver o que eles achavam e estudar, junto a eles, uma maneira de levar seus amigos a conhecer o segredo da ilha e a namorada de Régulus. Saiu da biblioteca para ir buscar os outros membros da ordem, ver se tinham achado algo e com sorte, voltar logo ao castelo e encontrar o diretor.

Já estava de madrugada quando uma pequena forma encapuzada andava sorrateiramente pelos corredores escuros de Hogwarts, caminhava com cuidado para não acordar ninguém. Hermione tinha que chegar a sala do diretor e mostrar a carta de Ariana para Dumbledore.

Passou pela gárgula subiu as escadas e entrando na sala olhou para o retrato, o velho diretor dormia tranquilamente, ela se aproximou e chamou – Professor, acorde, desculpe incomodá-lo mais é urgente. – o velho no retrato abriu os olhos e a encarou sonolento, ajeitou os oculinhos no rosto e falou – srta. Granger, o que a traz aqui há essa hora? – Hermione retirou a carta de dentro das roupas e falou – hoje na casa dos Black eu achei essa carta, ela estava em um livro de mitologia grega, ela foi escrita por Ariana para Régulus – Dumbledore olhou surpreso e perguntou – o que ela diz minha jovem. – Hermione começou a ler cuidadosamente, depois de ouvir Dumbledore falou – muito triste minha querida, realmente triste, uma pena que um amor assim não pode florescer, achou algo interessante no que leu? – Hermione soltou um sorriso sagas e respondeu – acho que esse homem a quem ela chama de Tirésias tem grande chances de ser o fiel do segredo – Dumbledore sorriu, não era apenas disso que ele falava, mas isso ela só saberia mais tarde, e o retrato falou – exatamente o que imaginei, agora temos que saber quem ele é, e se ainda esta vivo – Hermione disse preocupada – como faremos todos saberem dessa história, eles estão completamente por fora disso todo, eles tem que saber para podermos continuar o plano – Dumbledore meneou a cabeça e falou – deixe isso comigo, amanhã depois do jantar, quando vocês vierem me contar da busca na casa dos Black eu darei um jeito de informar tudo a eles, vou dizer que me lembrei – Hermione sentiu um grande alivio de não ter que ser ela a tentar contar. E o velho do retrato continuou – agora procure Severo o quanto antes e veja se ele achou alguma coisa, se ele descobriu, tente falar comigo antes da reunião, assim terei tempo de pensar sobre o assunto e contar a todos os fatos o mais completos possível. – Hermione assentiu e voltou para seu quarto, pensou em buscar Severo ainda a noite, mas achou que umas horas de sono lhe faria bem, ela não tinha dormido direito há muitos dias, pela manhã com certeza seria mais seguro procurá-lo e possivelmente o acharia mais facilmente.

Amanheceu preguiçosamente em Bristol, deitado em sua cama sem camisa e de causas de pijama Severo, se sentia um inútil, há dias estava tentando achar alguma informação e não descobriu nada que já não soubesse, nenhum comensal tinha ido com Régulus a ilha, a maioria para quem ele perguntava nem sabia da existência, embebedou alguns usou de legimência com vários e nem assim descobriu nada, pensou bocejando "que belo espião eu estou me saindo, acho que estou velho de mais para isso". Já ia se levantar para ir ao banheiro quando sentiu uma pontada na cabeça, era Hermione tentando estabelecer o Elo, ele ficou mais frustrado ainda, pois não tinha nada para lhe contar e não gostava de parecer pouco eficiente, mas permitiu que ela fizesse, abaixou as proteções e esperou que ela aparecesse no meio de seu quarto.

Não demorou muito para Hermione desaparatar, ela olhou pelo quarto e não viu Severo em lugar nenhum achou estranho até que ouviu um barulho no banheiro, sorriu aliviada dizendo – chequei amor, estou morta de saudade e tenho novidades – Severo que lavava a mão na pia se sentiu pior, ela tinha novidades, e ele não tinha nada, sentiu seu mau humor crescer furiosamente, quase arrancou a pia com encanamento e tudo, mas se controlou, não ia maltratar Hermione por causa de sua incompetência, mas não podia garantir que seria companhia agradável nesse estado, saiu do banheiro tentando manter a frustração atrás da máscara de indiferença e falou – olá, eu estava no banheiro, vejo que você e seus amigos foram eficientes e descobriram alguma coisa, ótimo, mostre-me o que acharam – Hermione teve vontade de socá-lo, conhecia aquele jeito dele falar, com ar de debocho e sarcasmo. A bruxa sorriu tinhosa e falou – primeiro... Não vai nem me dar um beijinho – disse só para provocar, sabia que se ele estava de mau humor, ficaria furioso e soltaria o motivo da ranzinzisse no estouro de seu temperamento e ai, depois do bate boca, as coisas costumavam melhorar e eles poderiam se entender e trabalhar produtivamente.

O efeito causado foi bem diferente do esperado pela mulher, ao invés de ranger os dentes e esbravejar ele apenas se sentou na cama e falou – desculpe, e que eu não tenho nada de novo para lhe contar e estou chateado – nem Severo acreditou em sua reação, ele até achou que poderia ser o efeito colateral de uma dose exagerada de poção para dor de cabeça que havia tomado na noite anterior, certamente, ele devia estar anestesiado para falar daquele jeito ao invés de quebrar tudo envolta.

Hermione ficou pasma, será que o Severo estava ficando civilizado de repente, pensou e resolveu não reclamar, sentou-se do lado dele e o abraçou, dando-lhe um profundo beijo cheio de saudade, ele correspondeu e sentiu um arrepio quando ela passou as mãos por suas costas nuas, ela percebendo afastou seus lábios dos dele e resolveu provocar dando uns beijinhos no ombro próximo ao pescoço, inebriada falou – ai, como você tem um cheiro bom, eu poderia ficar cheirando sua pele o dia todo – Severo sorriu e a abraçou, dizendo – quando a guerra acabar eu prometo que deixo você fazer isso – a palavra "guerra" fez com que Hermione se lembrasse do motivo que a trouxe aquele lugar e ela se soltou dele – Severo sentiu a perda do contato, percebeu que falou de mais e quis arrancar a própria língua para não poder falar mais besteiras e disse – acho que antes de namorarmos você deve me contar as novidades. – Hermione concordou, retirou a carta da bolsa e entregou na mão dele perguntando – se você tiver alguma idéia sobre isso vai ajudar muito – Severo leu a carta e parou no nome Tirésias, tentou lembrar onde já tinha o visto antes, lembrou-se do ultimo ano em que estudou em uma escola trouxa e de um professor que contou uma história chamada A Odisséia, de um poeta grego chamado Homero, nessa história havia um homem que previa o futuro com esse nome e ainda pensando, falou alto sem sentir – o homem cego que prevê o futuro para Odisseu – Hermione se sobressaltou, a carta estava exatamente marcando a página da história de Odisseu, ela nunca havia lido a história por isso não deu importância, achou que era só um lugar no meio do livro, ela falou – Essa carta, quando a achei, ela estava marcando a página dessa história em um livro, o que tem isso a ver com os dois e como assim, prevê o futuro? – Severo não esperava a pergunta, pois não percebeu que falou alto seu pensamento, mas respondeu – Tirésias foi cegado pela deusa Hera, a mulher de Zeus, por se meter em uma discussão deles e dar razão ao deus e não a ela, por isso Zeus, mais tarde, ficou com pena e deu a ele o dom de prever o futuro. Odisseu, a certa altura da história, vai até ele para saber como faria para voltar à ilha de Ítaca. – Hermione bateu palmas e disse - ele só pode ser o fiel do segredo, encaixa certinho com a história. Sobre ser ele, Dumbledore e eu já desconfiávamos, no entanto, apenas pelo que está escrito na carta, eu desconhecia a história mitológica. Régulus, possivelmente, tinha que se encontrar com ele para ir à ilha encantada. – Severo concordou e disse – Agora... O melhor é que eu acho que sei quem é o Tirésias deles, pela forma que ela o descreve eu imagino que só pode ser uma pessoa, mas eu não sei como encontra-lo, no entanto, Dumbledore deve saber.

Hermione ficou muito confusa – mas eu já li a carta para Dumbledore e ele disse não saber de nada a respeito – Severo sorriu e disse – ele sabe, mas não ligou o nome a pessoa por que não tem ciência que Ariana tinha um enorme desejo de aprender adivinhação – Severo fez uma careta contrafeita e continuou - seja lá o que move alguém a querer aprender isso, ela queria, e procurou um professor particular, um mestre adivinho.

Hermione perguntou rindo do comentário dele, pois também ela havia detestado as aulas de adivinhação – ela tinha algum "dom" como diz a Sibila? – Severo coçou a cabeça e respondeu – tanto quanto a própria, mas não importa, ela tomou como mestre um homem chamado Horácio Bloon, ele foi professor em Hogwarts, pouco antes de eu entrar na escola – a jovem falou – então faz muito tempo – Severo não gostou da afirmação, ela estava literalmente lhe chamando de velho, ele a olhou com raiva e disse rascante – nem tanto tempo assim a ponto de Dumbledore ter esquecido dele, o homem foi professor da escola por um curto espaço de tempo, acho que uma semana no maximo e o motivo de sua destituição do quadro de docentes foi porque ele tinha o dom de prever o futuro, mas não tinha o mesmo, quando se diz respeito a manter a boca calada, ele falava para as pessoas seu destino sem dó ou piedade, mesmo que elas não houvessem perguntado e muitas vezes o futuro previsto não batia com o desejado, e ele, dessa forma, arrumou muitos inimigos. Além do que, o apelido é perfeito por que Tirésias era cego e ele também.

Hermione estava satisfeita, ela agora saberia onde estava o fiel do segredo e ainda teria mais algumas horas com Severo para matar a saudade.

– Severo, eu disse a Minerva que vinha a Londres, comprar umas coisinhas de mulher – Snape fez uma cara terrível, ele odiava esse tipo de assunto e ela percebendo olhou para o teto com ar de "ai meu Deus" e continuou – só lhe contei isso para você saber que eu tenho pelo menos umas três horas para passar com você, isso, se eu não me atrasar fazendo compres e ficar com você até depois do almoço. – Severo achou ótimo, mas ficou preocupado e resolveu contar a Hermione algo que ele ainda não havia dito – Esse lugar não é mais tão seguro quanto antes, ontem dois comensais me seguiram até aqui e eu tive que deixá-los entrar, agora eles já sabem onde eu estou escondido. – Hermione sentiu um frio na barriga e disse – eles podem aparecer aqui a qualquer hora? – Severo estava se sentindo péssimo por ter se deixado seguir, ele não viu os dois e quando notou já era tarde de mais. Engolindo o orgulho ele falou – podem, mas é pouco provável que apareçam de dia, eu, por precaução reforcei os feitiços de proteção e coloquei um alarme mágico na escada que avisa, com um tremor nas proteções quando alguém com a marca negra passa por ele, - Hermione ficou mais calma, se acontecesse daria tempo dela fugir ou se esconder, sorrindo para ele, ela disse – eu confio em você como bruxo, sei que se você fez as proteções elas são poderosas e eu estou segura aqui com você – Severo apenas sorriu e pensou, ninguém está seguro, seja lá onde for enquanto o Lorde estiver vivo, e mudando de assunto falou – eu ainda não tomei café da manhã e antes que meu estômago faça aquele barulho que tanto a divertiu da ultima vez, vamos sair para comer algo? – Hermione ficou muito contente com o convite, ela também não tinha comido nada e nunca, mesmo estando com Severo há tanto tempo, tinha passeado ou saído para comer com ele. Eles se encontravam sempre no castelo e apesar de estarem em outro lugar agora, nunca tinha posto juntos o pé fora de casa, ela realmente estava adorando a oportunidade de fazer um programa típico de namorados.

Severo foi até o armário e pegou uma calça jeans preta, Hermione quando viu, deu uma exclamação de surpresa e ele lançou a ela um olhar frio e respondeu – no meio de trouxas, seja como um deles, eu não me sinto bem com essas roupas, mas, pelo menos ninguém me olha duas vezes – Hermione estava ansiosa para ver a camisa que ele irá por com a calça, sua curiosidade foi satisfeita ao vê-lo vestir uma camiseta preta de mangas curtas, Severo também prendeu os cabelos com um elástico e cauçou suas botas de sempre. Hermione ficou admirando e achou que ele estava muito charmoso com aquelas roupas trouxas o ar despojado do jeans faziam-no parecer, mas jovem e não resistiu a dizer – você fica uma graça vestido assim, acho que vou até desistir do passeio – ao vê-lo olhá-la com as sobrancelhas levantadas completou – eu estou brincando, na verdade, estou louca para sair com você na rua pela primeira vez e dar uma de namoradinhos.

Severo não tinha pensado nisso, apenas pensou em ir comer, mas essa era, realmente, a primeira vez que saiam juntos, ele sorriu internamente e falou com cara de sério:

– Vamos minha namoradinha, eu estou com fome. - Hermione sorriu lindamente ao ser chamada assim, e Snape completou - acho melhor aparatarmos do que descer pela portaria, aquele idiota do senhorio não viu você subir e poderia fazer perguntas – passando a mão forte pela cintura dela a levou direto para um beco escuro próximo ao apartamento.

Foram caminhado sobre o sol velado da manhã, era como viver em outra realidade, como se a guerra, as mortes ou o sofrimento estivesse em uma dimensão distante e inexorável.

Naquele momento, eram apenas mais um casal que passeava despreocupado pelas ruas de uma Bristol que amanhecia. Severo segurava firmemente a mão de Hermione e vez ou outra olhava para ela e recebia de volta um sorriso sincero e apaixonado.

Era esta a primeira chance que estavam tendo de viver livres um amor que sempre foi vivido escondido, de serem um casal, mesmo que fosse só por uma manhã. Eles queriam aproveitar a companhia um do outro, queriam desfrutar esse instante, pois sabiam que ele, por muito tempo talvez, não se repetisse.

Severo parou em frente a uma lanchonete próxima ao rio, era um lugar razoável, ele tinha comido lá algumas vezes, abriu a porta para Hermione entrar e a levou para uma mesa no canto próxima a uma janela que tinha uma vista do rio Avon, uma garçonete veio atendê-los e logo eles estavam comendo e conversando, trocando olhares e rizinhos.

Mais tarde a beira do rio, um casal era visto trocando um beijo apaixonado e muito mais tarde, em um quarto no quarto andar de um prédio velho e mau cuidado, eles se despediram, tendo que acordar do sonho e voltar a dura realidade, que naquele mundo ainda não havia lugar para eles, mas o amor que os unia era a força e a certeza de que um dia teriam mais momentos como aqueles.

0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000

1. Os versos são um fragmento pertencentes ao poema A Dama, A Respeito de Um Bordado do poeta Garrick, o texto foi alterado inserindo o nome de Hermione no lugar do de Cloé, o poema e referente a lenda na qual a deusa Minerva, por despeito do talento para o bordado de Cloé a transforma numa aranha. Texto original:

"Tens cuidado, Cloé, sê cautelosa.

Há! Não queira que Minerva castigar-te,

De despeito, por teres, certamente,

Muito mais que Minerva, engenho e arte."

PS: espero que gostem do capítulo.

Um beijão

Leyla