Maus Costumes:

Capítulo 10.

Sempre dar o braço a torcer

No atelier da Sra. Smith: a costureira. Em meio ao enorme salão em que a mulher trabalhava, Penélope jazia de braços abertos, vestindo somente uma combinação, a fim de que a outra lhe tirasse as medidas.

— Sua cintura está, à cada prova, mais fina, Sra. Beckett!

— Está? — Penélope riu — Isso é bom, não?

— Não! — a mulher bradou — Se me permite dizer; isto significa que um filho está bem longe de vir.

— Eu sempre tive estas medidas, Sra. Smith — a mais jovem retrucou secamente. — E ande logo, meu esposo me deu apenas duas horas.

— Isso é que é amor, hein?!

Madeleine Smith era uma mulher tradicional, e também a mais cara das costureiras de Port Royal. Prezava pelos valores patriarcais, pelo seu atelier e pela imagem que possuía a fim de tentar, a todo custo, colocar um pouco do que ela chamava de juízo na cabeça dos jovens modernos que a cercavam.

Porem, os modos da costureira não intimidavam nem um pouco Penélope:

— Eu vivo numa prisão, senhora!

— Não diga isso e - -

A mulher planejava continuar àquela conversa, mas, para a sorte da Sra. Beckett, alguém lhe bateu à porta.

- -

— Terá de esperar aqui fora, Sr. Teague — Anna lhe disse ainda à calçada. — Quase sempre só há mulheres aqui, então, o senhor não poderá entrar.

— Tudo bem — Jack concordou, desconfiado, se escondendo por trás do chapéu — Eu esperarei por aqui. Vou dar uma olhada pelas outras lojas... Ainda preciso mandar o meu recado, lembra?

— Oh! Sim, sim — a jovem sorriu pouco antes da porta, às suas fuças, se escancarar.

— Anna! — a costureira exclamou — Er - - Bom dia, senhor — ela voltou-se ao capitão do Pérola.

Jack não pôde lhe responder, pois num solavanco a mulher puxou a sua companhia para dentro, fechando a porta na sua cara.

— Estes comerciantes, quanto mais ricos ficam - - — ele disse a si mesmo — Menos educados são.

--

Anna foi arrastada para dentro. Madeleine Smith a encarava assustada como se a outra corresse perigo.

— Você é muito nova (e pobre) pra ter um namorado tão velho, Anna — a outra lhe disse antes de qualquer outro cumprimento.

— Ele não é o meu namorado, Sra. Smith.

— Ahn... Não?

A situação piorara

— Ele é cliente da hospedaria e veio apenas me acompanhar. Há um pirata perigoso à solta, a senhora não sabia?

— Bobagem, menina! — Penélope tomou a palavra.

— Não é bobagem não, Sra Beckett! — a jovem insistiu — Foi por isso que o meu amigo me trouxe em segurança até aqui.

— OK, OK — a mais velha as interrompeu — Onde está a encomenda?

— Aqui — a garota lhe entregou

— Que demora!

A Sra. Smith correu até um armário e, de dentro de um pote, catou alguns xelins.

— Me desculpe — Anna falou guardando o dinheiro que lhe foi pago. — É que eu fiquei algum tempo conversando com o meu amigo e perdi a hora.

A costureira riu

— Juízo, menina!

— Deixe a menina, Sra. Smith. — Penélope as acompanhou — Todos merecem ser felizes.

Menos eu.

— Vocês estão enganadas senhoras. — Anna gaguejava — Eu e o Sr. Teague... Quero dizer, ele chegou ontem à cidade e - -

Que confusão!

— Calma! — Penny riu — De onde saiu esse seu amigo?

— Ahn — a garota pensou— Veio da Inglaterra eu acho... Ou será que era da Grécia? — divagou

— Grécia... Inglaterra... — Smith repetiu — Decida-se, Anna!

— Ele tem trejeitos gregos, sabe? — a moça seguiu atraindo a atenção das outras — Anda estranho, pinta os olhos e tem a voz mansa...

Penélope lembrou-se de um certo capitão.

— Por alguém assim, vale a pena perder à hora — A Sra. beckett pensou alto.

— Er - - — a garota continuou — Ele tem um amigo com um nome estranho, mas que se disse britânico.

— Nome estranho? — uma das outras quis saber — Como ele se chama?

— Joshamilliam — As três riram — Lane, Joshamilliam Lane. — Anna completou fazendo Penélope estancar o riso.

— Como disse? — ela desceu do pequeno pedestal avançando sobre a garota — O sobrenome? É Lane?

— Sim. Lane.

- -

Era uma maluca de combinação.

Penélope esqueceu-se da Sra. Smith e da assustada Anna.

— Um Lane em Port Royal?! — Não, aquilo parecia impossível. Só podia ser um sinal.

A Sra. Beckett rompeu porta à fora, esperando se deparar com o tal que possuía os trejeitos gregos, mas não havia ninguém ali ou à calçada. Num raio de vinte metros não havia nenhum forasteiro esperando por Anna.

— Está ficando louca, Sra. Beckett?! — a costureira gritava — Venha para dentro!

Penélope não a ouvia e, sem hesitar, se pôs fora daquele estabelecimento principiando uma busca frenética pelo tal homem. Ele tinha que estar por ali, e, ela tinha quase certeza de quem ele pudesse vir a ser.

A ex- Srta. Lane correu por entre as vielas e lojas do centro. Estava desesperando apesar de não ligar para os olhares de censura e espanto que lhe seguiam.

Entregando as roupas de Penélope à Anna, a costureira fechou as portas de seu atelier. Tamanha era a vergonha alheia que sentia.

Alheia? Alheia estava Penélope esvaecida dando voltas pelos quarteirões à procura do tal homem.

— Sra. Beckett — a garota veio ao seu encontro — É melhor a senhora entrar, e - -

Sentada à calçada, Penélope a interrompeu nervosa:

— Onde ele está?

— Eu não sei, ele estava à porta, mas parece que foi embora.

— Vá pra sua casa, menina — ela disse, mas Anna hesitou — Não tem nada o que temer, e não há um pirata sequer nessa maldita cidade.

— Mas- -

— Vá pra casa! — e ela foi.

Alguns minutos se fizeram até que Penélope desse por si sentada numa rua deserta, com a roupa que deveria estar vestindo repousando dobrada em seu colo. Desesperou-se novamente. Como voltaria pra casa?

— Em Tortuga as senhoritas têm mais vergonha!— alguém exclamou às suas costas em meio à escuridão de uma viela.

— Para o seu governo, senhor — ela se levantou voltando-se ao dono daquela voz — Eu não sou senhorita, sou - -

— Então deve ser muito mal casada. — ele a interrompeu.

— Ó messa! — ela bradou — Venha para luz e lhe mostrarei quem é mal casada.

— Não precisa me mostrar anda. — ele riu — Estou vendo muito bem daqui.

O tal saiu da penumbra revelando uma surpresa à Penélope.

— Jack? — Penny arriscou, obtendo a resposta logo em seguida:

— Será que não se pode nem mais se esconder da milícia?

A Sra. Beckett correu ao encontro do pirata, largando o vestido e os bons modos para trás. Pendurada em seu pescoço, ela o apertou forte contra si. Um cheiro forte de mar lhe invadiu as narinas. De certa forma, era ele, o seu Capitão.

De certa forma? Sim, pois a decepção veio logo em seguida: Não havia calor no abraço de Sparrow. Fato que fez Penélope, envergonhada, soltá-lo rapidamente.

— Covarde. — ele sussurrou

— Covarde? — Penélope se engasgou com tamanha injustiça.

— Ontem você me deixou, sozinho, entregue aos seus amigos da marinha, não foi?

— Jack, eu não pude fazer nada! — ela tentou dizer, mas a decepção fluía dos olhos magoados de Sparrow. — Sr. Capitão — disse antes de fazer menção de lhe tocar a face.

A mão de Sparrow a deteu.

— Como veio parar aqui?

— Como assim?! — ela estranhou — Eu moro aqui. O que você veio fazer em Port Royal?

Afinal, não era Jack que queria, a todo custo, lhe enviar um sinal de vida? Porque, então, na presença dela ele se esquivou de todo aquele propósito?

— Nunca pensei que se casaria com Beckett.

— Nunca pensei que voltaria para me buscar. — Penny rebateu

Jack deu um riso forçado. A quem eles queriam enganar?

— Eu não vim lhe buscar

— Não? — ela repetiu com ironia — Então vai me dizer que não veio aqui para me salvar das garras do seu pior inimigo?

Foi a sua vez de sorrir.

— O que está dizendo? — ele bradou — Que estou com ciúmes?

— Pode ser! — ela respondeu, se afastando, a fim de catar o vestido ao chão.

— Eu não tenho ciúmes. — Jack seguiu a observando, displicentemente, se trocar — Apaixonados sentem ciumes, e é você é quem tem ciumes.

— Eu não me apaixonei por você! — ela deixou-se gritar, antes de recobrar a calma — Você é quem está aqui. É um pirata perdido numa cidade tomada pela marinha!

— Oras, era você quem estava de roupa de baixo perambulando por aí à minha procura!

— Cale-se! — ela insistiu — Porque veio atrás de mim?

— Porque não desejo a desgraça que te ronda a ninguém.

— Jack Sparrow — Penélope divagou já perfeitamente vestida, dando-lhe as costas — Você vem até a mim e me chama de covarde. Mas, quem foi que esperou dois anos pra vir salvar a donzela da torre?

O capitão era só riso.

— Donzela?!

— Olhe como fala! — Ela voltou-se com o dedo em riste — E guarde estes dentes de ouro dentro da boca.

— Hum — ele a obedeceu sentindo saudades das discussões que travaram durante a permanência dela na tripulação — Não se cansa?

Jack tomou aquele gesto dela no ar.

— De quê? — Penélope ainda franzia o cenho

— De mentir para si própria — ele seguiu tomando uma de suas mãos — De nunca dar o braço a torcer e de se casar com homens que não ama.

— Sr. Sparrow — ela ponderou, sendo puxada por ele — Se afaste, alguém pode aparecer e eu sou uma mulher casada.

— Lady Penélope B- - — Jack hesitou fazendo cara de nojo — Beckett - - !

— Sim.

Por fim, o pirata enlaçou a sua cintura fazendo-a tremer em seus braços e temer por algum flagra.

— Eu estava com saudades — ele confessou aproximando-se dela até que, em sua boca, ela respondesse:

— Que interessante.

— Interessante?! — ele bradou magoado — Me dê uma resposta decente. Ou até indecente se preferir, mas - -

— Também senti saudades — disse — Mas agora eu tenho que ir - -

Sparrow passou uma das mãos pelo seu pescoço em seguida, finalmente, lhe calando com um ardente beijo. Ele estava sóbrio: fato que admirou bastante Penélope. Não havia um pingo de álcool em seu gosto, apenas o calor de seus lábios, a gostosa confusão da língua quente e áspera do capitão do Pérola contra a sua, aquele prezado bigode roçando contra a sua pele e as mãos ágeis dele lhe abraçando.

— O que é isso?! — ela exclamou ofegante.

As duas saudosas pérolas negras fixaram-se em si, e o habitual sorriso dourado voltou a brilhar.

— O beijo de despedida que nos faltou.


N/A

Vou confessar uma coisa; de princípio esse capítulo não era pra ser tão curto, mas, se eu começasse a misturar os fatos (que se seguirão nos próximos capítulos) ia ficar tudo misturado e tal... Me desculpe, OK? =/ Prometo tentar postar o próximo antes da sexta feira.

Obrigada às reviews: Tati C. Hopkins, JodiVise e Taah Almeida

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