Fazendo um esforço doloroso tentou erguer as pálpebras, mas a exaustão já tinha dominado seu corpo tornando um simples piscar uma tarefa extremamente difícil. Estava gelada, e tão fria que tinha a impressão de que jamais poderia voltar a movimentar-se, de que ficaria ali deitada e congelaria, e que o frio de seu corpo se transformaria aos poucos no sono da morte. Parecia que aos poucos todos os seus sentidos estavam esvaindo-se de seu corpo, não conseguia nem ao menos fazer um simples movimento em seus dedos. Será que já estava morta? Doce ilusão.

- Sakura!

Ouviu ao longe seu nome ser chamado, mas não passava de um leve sussurro que tocava seu ouvido. Seus sentidos aos poucos estavam deixando seu corpo juntamente com a dor que sentia. Naquele momento não se importou.

- Sakura!

Novamente a voz se fez presente em seus ouvidos, mas dessa vez ela pode ouvir claramente o que estava a dizer. Erguendo um pouco as pálpebras, pode ver grossas correntes presas aos pulsos do homem. Seus braços estavam abertos como se estivesse sido pregado a uma cruz invisível. Mas logo sua visão foi coberta por um vermelho vivo. Seu sangue que escorria pela sua face.

- Sakura... Acorda pelo amor de Deus.

Deitada no chão em um canto da pequena sala onde estavam. A promotora mantinha-se encolhida, a roupa que estava usando estava rasgada nas costas deixando à mostra as marcas da tortura que havia sofrido na mão de Kakuzu. Naquela noite haviam lhe açoitado como repreensão pela prisão de Sasori e por se mostrar um obstáculo para a máfia que aterrorizava a cidade de Konoha.

Ao ouvir mais uma vez a voz de Sasuke, ela fez um movimento doloroso e fitou o Uchiha mais uma vez. O profissional estava em pé, preso com correntes aos seus braços. Sem camisa, ele estava com marcas de socos que havia recebido no abdômen. Seu rosto estava manchado de sangue, que escorria do ferimento em sua têmpora, lábios e nariz.

- Sasuke...

Ao ver que ela o havia reconhecido, o Uchiha suspirou aliviado, mas ainda não era hora para comemorar. Imaginou que há essa hora os Akatsuki estivessem reunidos para decidir qual a melhor forma de matá-los. E sentiu-se completamente impotente... Não podia fazer nada para defender Sakura. Estavam à mercê da Akatsuki, mas ainda sim tentou passar um pouco de esperança a Haruno ao ouvi-la gemer de dor.

- Logo sairemos daqui Sakura.

Dissera aquilo somente para acalmá-la... Pois a única forma de saírem daquele local seria dentro de um caixão.

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Não havia tempo para maiores explicações o tempo estava correndo contra eles. Os quatro anos que esteve em frente a policia de Konoha, fez com que conhecesse bem os métodos de agir da máfia. E tinha certeza que se demorasse um pouco mais, seus amigos poderiam não sobreviver. Colocando as duas armas que estavam na gaveta, no coldre Naruto apenas ordenou que dois agentes o acompanhasse. Suigetsu o esperava do lado de fora da delegacia. Ele iria guiá-los para o possível esconderijo da Akatsuki.

- Vamos, Vamos!

Entrando em seus carros seguiram em alta velocidade pelas ruas de Konoha. Enquanto seguia as instruções de Suigetsu sobre o possível esconderijo de Pein, Naruto também pedia reforços. Planejava para que eles chegassem um pouco depois. Temia que um grande número de carros atraísse a atenção dos mafiosos, que encurralados poderiam sentir-se pressionados a se livrarem de Sasuke e Sakura. Mas o que estava fazendo também era muito arriscado, estava colocando não só a vida de seus amigos em risco, como a de seus agentes e a sua própria vida. Mas não tinha alternativas... Precisava arriscar.

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Silencioso, Itachi adentrou no pequeno ambiente onde estava o irmão. Havia se livrado com dificuldade de Deidara e Hidan, responsáveis pela vigilância dos prisioneiros. Ao avistar Sasuke preso com os braços estendidos, ele rapidamente pegou as chaves que havia roubado e o libertou das correntes. Uchiha Sasuke parecia que estava a um passo de desmaiar, mas ainda sim ficava murmurando o nome de Sakura. Não estava preocupado com o que pudesse acontecer consigo mesmo, mas sim com a promotora. Não queria perdê-la uma segunda vez.

- Ajude-a.

Concordando, Itachi recostou o irmão na parede fria do galpão onde estavam e foi verificar a pulsação da promotora. Apesar da grave tortura que havia recebido, ela parecia resistir bravamente. Havia presenciado pessoas que não resistiram às torturas de Kakuzu. Pegando-a no colo, ele disse baixo em seu ouvido que iria tirá-los dali e logo se virou em direção ao irmão e indagou:

- Consegue andar Sasuke?

- Sim. – disse com a mão direita sobre a costela fraturada.

- Então vamos de uma vez, antes que o idiota do Deidara retorne.

Esgueirando-se pelos corredores escuros do esconderijo Akatsuki, Itachi tentou guiá-los para fora da casa, mas vozes soando próximo. Fizera com que empurrasse uma das portas do corredor para se esconderem. A porta dava para um cômodo quase vazio, se não fosse por um velho colchonete jogado no chão. As paredes enegrecidas, cheias de estrias de antigas goteiras entre elas Entre uma aranha tecera dois triângulos de teias já rompidas, pendendo como farrapos.

Colocando Sakura sobre o colchão, Itachi aproximou-se da porta para tentar ouvir se havia alguém ainda no corredor, mas o que ouviu o deixou alerta. Já haviam dado conta da falta dos prisioneiros.

-Por que está nos ajudando Itachi?

- Seu tolo! Você é meu irmão, apesar de tudo que aconteceu no passado, eu não quero vê-lo morto.

Sasuke sorriu brevemente, mas logo o mesmo sorriso sumiu de seus lábios ao ver a promotora respirar com dificuldade. Aproximando-se dela, ele abaixou e verificou sua pulsão. Fraca demais.

- Nem pense nisso Sakura. – Disse ao vê-la fechar os olhos.

Sacudindo-a para que não dormisse, Sasuke não retirava uma mão de seu pulso. Não queria pensar na possibilidade perdê-la, não agora que havia a reencontrado.

- Temos que sair agora, Itachi!

O profissional pressentia que algo de ruim poderia acontecer se ficassem ali esperando por um momento certo para escapar. Sakura precisava de cuidados médicos urgentemente.

- Não tem como, eles devem estar vasculhando cada área agora. O máximo que podemos fazer e esperar.

Esperar, essa era a palavra que Uchiha Sasuke não queria ouvir nesse momento. Fitando o rosto delicado de Sakura, ele abaixou a cabeça para beijá-la suavemente nos lábios. Sabia o que tinha que fazer, mas lamentava não poder ter a chance de ver o filho uma última vez.

Erguendo-se com dificuldade, o profissional levou à mão a costela fraturada e soltou um leve gemido de dor. Seu irmão parecia ter pressentido o que ele planejava, e começou a dizer que não permitiria o interrompendo Sasuke disse:

- É a única chance. Eu não conseguirei carregar a Sakura.

Apesar de não aceitar o que Sasuke estava propondo, Itachi teve que concordar. Sabia bem que nada faria Sasuke mudar de idéia. Pegando a arma que trazia consigo, ele desferiu dois tiros contra o cadeado que preso a janela. A janela rangeu quando Itachi a empurrou de par a par, para logo em seguida abaixar e pegar Sakura no colo. Lançando um último olhar ao irmão, ele lançou a arma para ele e seguiu para fora com a promotora em seus braços.

- Cuide do nosso filho Sakura. – Murmurou para o vento, enquanto ouvia os passos pelo corredor. Sabia bem que o som do tiro iria chamar a atenção dos homens a sua procura, e percebeu que alguém havia parado em frente à porta.

E o assassino de aluguel Uchiha Sasuke estava a sua espera...

Finalmente mais um capitulo postado ^_^

A todos muito obrigada pelos comentários e por estarem acompanhando a história. Muito, muito, muito obrigada mesmo seus fofonildos *--*

bjuus