Logo que retornamos de Nova Iorque, no domingo a noite, passamos a madrugada inteira trabalhando com os depoimentos colhidos pelos clientes de Laurent que foram presos. Toda operação estava sendo muito silenciosa, sem alarde na mídia, porque não queríamos jogar gasolina no incêndio e muito menos fazê-lo sair correndo, apenas irritá-lo ao ponto de reagir e assim podermos pegá-lo. E é claro que por conta disso, Edward e eu entramos em uma briga muito feia, no qual cada um dos membros da nossa equipe desistiu de se meter e saíram de fininho da sala, porque ele não queria que eu saísse para as audiências, tanto do QG quanto do escritório. Duas semanas depois, ainda não chegamos a um acordo, pouco estamos nos falando. Quando ele está com Jamie, eu me afasto e ele faz o mesmo. Não posso tolerar um homem mandando em mim, ele poderia ter conversado comigo e eu obviamente entenderia seus motivos.
Por outro lado, ele alega que falo com ele sobre o trabalho como se fosse sua chefe e não gosta do meu tom quando determino o que ele tem que fazer. Tanto Ângela quanto Lauren dizem que nós dois somos dominantes demais para abaixar a crista um para o outro, já Rosalie acredita que isso pode ser muito positivo se aprendermos a sermos parceiros um do outro, porque bem ou mal, nós dois somos chefes agora. Eu posso ter uma porcentagem a mais no escritório, mas isso me faz sócia e não dona. Não vou pedir desculpas, porque não fiz nada de errado, então, fingir que ele não existe é minha tarefa diária, mesmo que me exija muito ignorar sua presença na mesma sala. Jamie parece bem alheio a tudo, não quero que ele se envolva nos meus problemas com seu pai. Meu filho também anda ocupado. Suas aulas de judô voltaram e ele está praticando natação. Ainda assim, está me pedindo para aprender a falar Alemão. Ele quer traduzir o manual da guitarra elétrica – maldito presente barulhento dos infernos – que Edward deu a ele.
Toda vez que a minha pequena estrela do rock decide praticar, tenho vontade de fazer Edward engolir algo muito desagradável. Não sei no futuro, mas agora, meu filho não tem nenhum senso de ritmo. Edward acha maravilhoso, porque ele sabe que está me irritando.
- Vigésimo quinto depoimento chegando. – Jéssica disse digitando algo em seu computador. – E é enorme. Paul está mandando já editado. Eu amo o Sr. Músculos. – disse e ouvi Leah deixar cair um copo. Sei que os dois andaram flertando, mas ela deve saber que Jéssica tem apelido para todo mundo e ama Mike. Lauren riu e voltou a digitar também.
Senti a presença de Edward mesmo sem olhar. Rosalie me deu um olhar, quase que dizendo "não briguem, por favor," e eu me dei conta que nossas brigas também afetam diretamente o ritmo de trabalho deles. Tanya parecia muito mais feliz agora que não estava nos flagrando juntos e eu franzi o cenho, no meu subconsciente. Ela quer ser mais que uma assistente. Os dois saíram da sala e eu observei o quanto ela foi rebolando sensualmente naquela saia apertada, até o meu escritório com o pai do meu filho. Rose mordeu a ponta da caneta, desafiando-me a tomar uma atitude. Ela é amiga de Tanya, mas não é burra e obviamente sabe que há algo entre mim e Edward. Não consegui responder suas perguntas durante a nossa malhação matinal porque eu não sei o que é que temos.
Percebo que a nossa amizade tem crescido muito, estamos há um mês vivendo na mesma casa, tentando capturar um homem que coloca a nossa segurança em risco. Em Nova Iorque, os seguranças ficaram tensos, mas eu não podia abrir mão do aniversário do meu filho, principalmente esse ano, o primeiro no qual ele passou sem Aro e Renata. Antes de dormir, ele chorou de saudade e eu, que já estava muito fragilizada, chorei quase a noite inteira. Edward ficou do meu lado. Ele foi muito gentil naquele dia, em vários momentos, não sei por que agora estamos dessa forma. Ao mesmo tempo em que quero resolver nossos problemas, não quero ser aquela a levantar a bandeira branca da paz.
Continuei olhando para a escada e nada de Tanya descer. Rosalie estava rindo tanto que Ângela, minha amiga sempre tão discreta e de poucas palavras, estava rindo também. As duas sabiam que eu estava me roendo por dentro. Bufei, irritada, soltei minha caneta e subi a escada.
- Isso é tudo, Sr. Cullen? – Tanya perguntou com um tom de voz rouco. Está ficando muito abusada. Antes ela só gaguejava. Edward balançou a cabeça, sem olhar na sua direção. – Tenho reparado que o senhor anda muito tenso, tem certeza que não posso ajudar em algo mais?
Que porra é essa? Abri a porta com tanta força que ela bateu na parede, fazendo a garota saltar assustada. Edward riu, provavelmente sabendo que a minha reação foi porque ouvi a pergunta muito ousada dela. Muita cara de pau dele não lhe dar nenhuma reprimenda. Tanya pegou algumas folhas, pediu licença e saiu. Vaca. Sentei na minha cadeira, ficando propositalmente de costas para ele, com meu sangue fervendo até que Edward começou a assobiar. Filho da mãe! Ele sabe por que estou puta. Fingi que nada estava acontecendo, mesmo sentindo todo meu corpo tão quente quanto uma pira flamejante.
Levantei devagar e saí da sala, descendo a escada, passando pela lateral da cozinha, andando até chegar à piscina aquecida. Não tinha ninguém ali dentro e eu pensei que era uma boa tomar banho e esfriar minha cabeça, nadar me faria colocar um esforço no que é realmente necessário e não nas imagens mentais de esfaquear a assistente dele porque estou me corroendo por dentro de ciúmes. Parece que entornaram ácido nas minhas entranhas e eu quero gritar. Fui até o banheiro que tinha umas cubas de armário e peguei o biquíni que já deixei ali na outra vez que vim nadar com Jamie, dias atrás. Tirei a minha roupa e vesti o biquíni, saindo e pulando na água.
Nadei de um lado ao outro, brigando comigo mesma, por ser tão boba e tão irritável. Ela não pode saber que me atinge. Muito menos pode ter atenção dele para esse tipo de coisa. Fiz um calculo mental de mantê-la tão ocupada ao ponto de não poder sair da sua mesa por todo o dia nas próximas vidas. No meio da minha quinta volta, senti um tremor na água, o que significava que alguém tinha entrado na piscina, achando ser Jamie, eu ergui minha cabeça e me deparei com Edward vindo na minha direção. Parei no meio do caminho.
- O que foi agora, irritadinha? – perguntou chegando cada vez mais perto. – Duas semanas de puro silêncio e bastou minha assistente mostrar parte das suas asinhas que você mostra a que veio? – perguntou e eu tentei dar as costas, mas ele me pegou antes. – Vem aqui, Isabella. Cansei desse joguinho de mudo.
- Eu não vou pedir desculpas. – disse e me apoiei nos seus ombros, enrolando minhas pernas ao redor da sua cintura.
- Não pedi isso. – sorriu segurando a minha bunda com mais pressão. – Você não é minha chefe e ponto final.
- Não quis ser sua chefe, estou acostumada a separar as tarefas. Você quem foi um babaca gritando comigo.
- Laurent quer te pegar, porra. – disse bruscamente e senti seu humor mudar tão rápido quanto um estalo. – Acha que te quero na rua com esse lunático solto?
- Eu sei que não, não é a sua intenção, mas o modo como falou. – disse ciente que precisava trazê-lo de volta. Beijei seus lábios. Duas semanas sem sua boca na minha foi um tempo muito longo. – Tenho sido cuidadosa.
- Eu sei que sim. – disse e ele sabia mesmo, porque estava indo em todas as audiências comigo. E armado. Não sei o que pensar e sentir quanto a isso. Senti os azulejos frios nas minhas costas e ele beijou meu pescoço. – Mas ele não está brincando de pique-esconde conosco.
- Você está ciente que a sua assistente se ofereceu para aliviar suas tensões? – perguntei puxando seus cabelos com força, o obrigando a olhar pra mim.
- O que ela disse pode ser interpretado dessa forma também. – disse muito ocupado tentando descobrir como remover a parte de cima do meu biquíni preto com todas as tiras de sustentação. – Ou apenas uma preocupação ingênua da minha doce assistente.
- Você aceitaria a primeira interpretação? – perguntei como quem não quer nada, mas ele sabia que eu queria a sua resposta completa.
- Se eu quisesse qualquer coisa com Tanya, ela não se estaria oferecendo. – respondeu me dando uma leve mordida. – Duas semanas fingindo que não existo e preocupada se quero a minha assistente? Acho que já deu pra perceber que não sou esse tipo de homem, irritadinha.
- Como é a sua vida sexual? – perguntei curiosamente.
- No momento? Com minhas mãos, por quê? Acho que deve resolver esse probleminha causado por você.
- Por mim? O que eu tenho a ver com isso?
- Não se faça de boba, você sabe muito bem o quanto meu pau fica duro no meio das nossas discussões. – rebateu com uma risada e meu ego estava subindo cada vez mais. – Não que isso seja normal. – murmurou e eu ri dessa vez. – E tem essa coisa louca que nossas mãos não ficam longe um do outro, então tenho sentido a necessidade de tocar punhetas como adolescente.
- Por que você não procura alguém?
- Porque eu quero foder você e não outra pessoa. – rebateu duramente. Revirei os olhos.
- E antes de chegar aqui, com quem você estava? – perguntei me sentindo muito masoquista.
- Com ninguém especificamente. – disse meio pensativo e começamos a boiar pela piscina. Estava quentinho e muito agradável relaxar bem juntinhos. Fiquei em silêncio esperando que continuasse. – O que deu em você? Ataque de curiosidade?
- Quero te conhecer e te entender melhor. – respondi sinceramente.
- Acompanhantes de luxo. Há uma empresa que fornece garotas, maiores de idade, bonitas, que fazem o serviço completo...
- Mas você é bonito, por que usar esse tipo de serviço?
- Não sou bom com as mulheres. Sou meio grosseiro e a maioria me acha muito distante, o que sei que é verdade. Não tenho paciência para ficar cortejando ninguém se eu só queira sexo, então, eu resolvia o problema pagando por aquilo que eu queria. Uma foda depravada e tchau. – disse e sua admissão me levou a dois lugares confusos, um com medo de que ele queira só aquilo comigo e outro muito excitado porque ele queria aquilo comigo.
Sou insana.
- Algumas mulheres deram em cima de você em Nova Iorque, Tanya dá em cima de você e ontem a mulher na audiência te deu várias piscadinhas. – sorri deitando minha cabeça no seu ombro.
- É o máximo que elas fazem, todas tremem e gaguejam quando ganham a minha atenção. Tenho certeza que se eu mostrar a minha verdadeira face sexual para Tanya, ela vai perder esse fetiche e sair correndo. – sorriu e eu beijei seus lábios. Eles são macios e gostosos de beijar. Edward é intimidante. Ele olha de um jeito opressor, que te faz sentir pequeno, azar o dele que esse olhar não me deixa nenhum pouco incomodada, pelo contrário, me dá gás de irritá-lo ainda mais.
- Sempre foi assim?
- Não. – disse e não deu abertura. Ele não fala sobre Carmen, não importa o quanto eu sonde. Rosalie também não sabe muito, apenas que Emmett diz que gostaria de matá-la, se ele pudesse. – E você? Como está a sua vida sexual no momento e como era antes de mim?
- Posso contar meus parceiros sexuais depois que me tornei mãe com três dedos. Você e o meu primeiro namorado somam cinco homens que eu fiz sexo em mais de dez anos, esporadicamente, isso me torna quase virgem. – brinquei e ele riu, não acreditando. – É sério. É difícil ser mãe e ter uma vida sexual. Jamie sempre foi a minha prioridade. Tentei com Jacob, mas foi um fracasso. Senti muita dor depois no meu primeiro encontro pós-Jamie, quatro anos depois do seu nascimento. E por fim, eu tive um parceiro sexual, não havia sentimentos, nada. Era bem vazio.
- Era o Sam, certo? – perguntou cuidadosamente.
- Sim. Sinto falta dele, mas não dessa forma. Ele era bom para equipe, para mim de forma fraternal, a gente só bagunçou tudo colocando uma necessidade física no meio, mas também não era fixo e muito menos constante. – respondi com um suspiro.
- Continuo sem entender, Bella.
- Eu não sei explicar, minha vida é consumida por estar com Jamie e alguns caras não gostam de mulheres que tem filhos.
- E todos aqueles idiotas babando atrás de você nas audiências? Aquele babaca do Senador Weller? O idiota do Procurador Geral? E não me lembre do filha da puta daquele merdinha drogado do seu Deputado de estimação.
- Não custa nada ser bajulada o tempo todo. Eu gosto de ter a atenção deles. – sorri e ele soltou um grunhido. - Agora quem é o irritadinho? – provoquei e ele apertou minhas costelas, me fazendo rir e saltar. O movimento mostrou que ele estava muito animado. – Vamos para o quarto. Jamie está na aula, só vai vir atrás de nós em uma hora.
Edward me pegou de surpresa ao afundar e dar um beijinho entre minhas pernas, por cima do biquíni. Eu ri e soltei um gritinho, mas um movimento na porta me chamou atenção e eu pude ver Tanya sair da área da piscina. Perguntei-me quanto tempo ela estava ali e o que ouviu da nossa conversa. Decidi não falar com Edward agora, ele iria explodir e eu iria resolver essas pequenas questões, sozinha... Seria bem interessante. Nós subimos pela estreita escada de funcionários na parte de trás e chegamos no quarto, ficando lá, reconectando a nossa conexão, entre beijos e mãos bobas, totalmente sem roupa. Nós ainda não fizemos sexo, apenas outras coisas. Eu não serei aquela a implorar, além do mais, não quero nenhum tipo de rapidinha silenciosa, não a primeira depois de tudo. E como ele ainda não foi mais a frente, sei que deseja a mesma coisa. A questão é que não ficaremos sozinhos... Tipo nunca.
Tomei banho para tirar o cloro da piscina e desci, vestida com outra roupa, sem nem disfarçar absolutamente nada. Cheguei na sala principal dez minutos depois que Lauren me mandou uma mensagem informando que o último depoimento foi transcrito e estava pronto para ser assistido. Edward desceu ao meu lado, banhado, muito cheiroso e nem parecia que acabou de gozar na minha boca durante nosso banho compartilhado. Minha mente não estava presa nisso, mas sim no fato que ele abriu meu roupão, tirou meu biquíni e na claridade do quarto, beijou a minha cicatriz. Rosalie nos deu uma olhada apreciativa. Tanya estava concentrada, fingindo digitar tão rápido que era provável que tinha muitas palavras erradas no caminho.
Ângela franziu o nariz, segurando sua risadinha insolente. Emmett bateu no ombro de Edward, com uma expressão bem dura, entregando a ele uma folha. Edward começou a ler e eu resisti à vontade de espiar, esperando o vídeo de o depoimento carregar até que ele me puxou do seu jeito meio bruto, para fora da sala.
- Esse próximo depoimento é meio pesado. – disse olhando-me atentamente, do jeito que fazia parecer que ele estava desnudando a minha alma. – Emmett me entregou a transcrição. Ele vai perguntar se as meninas querem sair da sala, há imagens fortes.
- Eu aguento, Edward. Já vi coisas muito ruins. – disse quase voltando para sala.
- Tem a ver com o que você passou no parto de Jamie. – retrucou e parei, olhando-o e voltei para onde estava. – O depoimento da mulher que sobreviveu também está incluso com a do homem que a comprou. Era ele quem queria comprar Bree, está na sua confissão.
- Então é difícil para você também.
- Sim, mas sei que não vai ser fácil para você e enfim, Emmett achou melhor avisar antes.
Edward estava tentando ser gentil, provavelmente porque o irmão dele sinalizou. Acho que não chegaria à conclusão de que eu poderia ficar fragilizada, sozinho, não é do seu feitio pensar dessa forma, mas esse é o meu trabalho também e não vou me esconder sempre que um depoimento for meramente parecido com a violência que sofri, tanto nas mãos daquele médico infeliz quanto do maldito do Laurent. Balancei a cabeça para mostrar que estava bem e voltamos à sala, ele na frente, ereto, impassível, dono do ambiente. Puxou uma cadeira pra mim e eu sentei, esperando. Todos estavam em silêncio. Paul está nos mandando o depoimento de cada nome da lista e das poucas mulheres que conseguiram resgatar da escravidão sexual até agora.
Emmett fechou a porta. Nós tomamos muito cuidado para Jamie não ouvir nossas conversas ou participar de alguma reunião. Ele é muito curioso e está sempre se escondendo para ouvir o que não deve, então, quando não está com Jane, ele tem que estar com Leah ou Embry. Não pode ser deixado fora da vista e muito menos sozinho. Ontem o peguei subindo a cortina com sua fantasia do homem aranha que ganhou do seu avô Carlisle em seu aniversário. Edward apenas me olhou como se perguntasse "onde podemos desligá-lo?".
O vídeo do depoimento me deu vontade de vomitar. O asqueroso homem, atualmente com 60 anos, comprou duas garotas, em tempos diferentes. A primeira, ele matou... Embalsamada. Fez dela uma boneca na sua sala de jantar. A segunda engravidou antes que ele pudesse fazer o mesmo e o relato dela, sobre seus partos, a dor, as cesáreas que ele mesmo fez em casa, deixou-me muito nervosa, muito triste e muito transtornada. Foi impossível não chorar com aquela mulher que já não lembra mais quem é de tanta droga que lhe foi injetada. Disse que nunca segurou seus filhos, não sabe quem são, mas crianças foram encontradas na casa, todas com menos de quinze anos. Total de cinco. Ainda não sabemos se todas são filhos dela.
Entendi porque Emmett se preocupou com meus sentimentos, as imagens das cicatrizes dela somando com os relatos, eram apavorantes. Quando tudo terminou, silenciosamente saí da sala, precisando ficar sozinha e pensar. Eu tinha que colocar minha cabeça em ordem. Jamie estava terminando sua aula no exato momento que cheguei ao andar da sala que ele estudava, e ele veio correndo me abraçar. Era tão gostoso poder agarrar meu filho a hora que bem entendo que cheguei a ajoelhar só para senti-lo mais firme. Ele começou a falar do que aprendeu com Jane e disse que estava faminto. Desci, segurando sua mão e fui para cozinha. Não ia pensar no trabalho agora, as frases marcantes da mulher, repetindo que nunca segurou o seu garotinho, estava martelando na minha cabeça.
Leah me deu espaço para preparar um lanche para Jamie. Fiz um sanduiche de manteiga de amendoim, geleia de damasco – coisa horrível que ele adora. Cortei o pão no meio e servi um copo de suco de pêssego.
- Como foi seu dia de trabalho? – Jamie perguntou antes de morder seu sanduiche. – Deveríamos ir ao shopping hoje. Cinema.
- Aí estão vocês. – Edward entrou na cozinha. – Rosalie já começou a fazer a parte dela. Eles vão encerrar o trabalho mais cedo hoje. – disse e balancei a cabeça. – Como foi a sua aula hoje? – perguntou a Jamie e eu lambi a colher da geleia, ouvindo meu filho repetir tudo o que aprendeu. – Quero levar vocês a um lugar hoje.
- Tipo o cinema? – Jamie perguntou.
- Pode ser que lá tenha um cinema. – disse misteriosamente.
- Estou curioso, pai. Para onde iremos? – Jamie estava excitado e o coitado não sai de casa há duas semanas.
- Acho que devemos embalar umas coisas para passar a noite fora. – Edward estava animado, o que era algo bem raro. Ele raramente mostra que está feliz, a não ser quando está com Jamie. – Vai para o seu quarto e separa o que quer levar.
Jamie pegou a metade do sanduiche e saiu, cantarolando.
- Aonde pensa que vai com meu filho? – perguntei tentando não soar uma bruxa rabugenta, mas ele poderia ter falado comigo antes de animar a criança. – Você era o único cheio de merda que não podemos sair de casa. Agora quer sair sozinho com meu filho?
- Nosso filho. – corrigiu e eu revirei os olhos. – Você vem também, irritadinha. Vá separar uma roupa para voltar amanhã cedo.
- Para onde nós vamos? – perguntei sem conter minha curiosidade.
- É uma surpresa. Passaremos a noite fora, nós três. Roupas para essa madrugada são totalmente desnecessárias. Jamie dormirá em um cômodo diferente do nosso.
- Ah, eu vou dormir com você? – perguntei com a excitação explodindo por todo lado.
- Passar a noite. Dormir é totalmente questionável. – respondeu e esticou a mão. – Vem comigo. – era um convite firme. Aceitar era um caminho sem volta e eu aceitei.
Edward entrelaçou nossos dedos e mais uma vez me senti bem pequena ao seu lado. Subimos a escada e auxiliamos Jamie com uma muda de roupa para dormir, uma blusa extra, cueca também e outra roupa para voltar amanhã. No meu quarto, separei um conjunto de lingerie bem sexy que comprei e sempre tive vontade de vestir para alguém além de mim. Coloquei um robe de seda longo, uma calça de tecido azul marinho, uma blusa branca e usaria os mesmos sapatos que estou agora. Ele mencionou que era preciso levar produtos de higiene e embalei algumas coisas para banho... Também algumas velas que viram óleo de massagem.
Mandei uma mensagem a Lauren informando que passaria a noite fora, para que ela pedisse que todos descansassem depois da bomba que foi o depoimento de hoje. Uma batida na minha porta e era Rosalie, com um sorriso cheio de merda. Emmett a pediu em casamento no final de semana que fomos a Nova Iorque, mas eles só anunciaram depois que retornamos, porque não queriam tirar a atenção de Jamie. Achei tão fofo o cuidado que mais uma vez foi provado que meu filho tinha uma família paterna incrível.
- Acabei de falar com meu cunhado e ele está assobiando.
- Ele tem essa mania irritante quando está tripudiando de alguém. – respondi rindo. – O que foi?
- Edward me disse que irão passar a noite fora em um lugar especial.
- Ele te disse onde?
- Sim, mas não vou te contar. Sei que vai gostar. – sorriu brilhante e me deu um olhar preocupado. – Você ficou bem depois do vídeo?
- Estou evitando pensar naquilo, sinto uma raiva e um novo borbulhando no meu peito. É surreal acreditar que aquela mulher passou por tudo aquilo na mão daquele doente. Espero que ele tenha a pior condenação de todas, mas que não seja condenado a morte, porque não sofrerá metade do que ela passou. – suspirei fechando minha pequena bolsa de mão. – Temos que fazer alguma coisa para devolver a paz à família dessas mulheres, só não seio que ainda, vou pensar em algo.
- Também pensarei e faremos isso, juntas. – disse e eu me senti grata por ter alguém como Rosalie trabalhando comigo agora. – Se divirta.
Assim que Rosalie saiu, Jamie veio todo calminho com sua mochila nas costas. Seus óculos estavam embaçados, tirei-os do seu rosto, limpei e coloquei de volta, apertando seu nariz. Ele me deu um sorriso, parecido com o do pai e analisei todo seu rosto perfeito. Lembro-me de quando ele era pequeno e me acordava, com os grandes olhos verdes me analisando de perto e depois sorria como se eu fosse a pessoa mais importante do seu mundo. Ele me deu esse sorriso antes do pai dele bater na porta, dando uma expressão de pura admiração para seu pai. Edward sorriu e meu coração saltou no peito, com a incrível e linda conexão que eles possuem.
- Está tudo pronto? – perguntou-me e assenti. Edward me deu um olhar quente e desviei. Jamie é mais esperto que a maioria das crianças. Em Nova Iorque ele não se deu conta que eu e o pai dele dividimos o mesmo quarto, acreditando que Edward dormiu no sofá. Aqui, temos quartos separados, mas nessas semanas nós não nos falamos direito. Amanhã era sábado, então, era relativamente um dia tranquilo, exceto se o céu explodisse em nossas cabeças como nos últimos dois finais de semana.
Tivemos oito pistas falsas sobre Laurent e eu realmente estou ao ponto de explodir, não aguentando mais a maneira que ele consegue brincar conosco, indo de um lado ao outro, sem ser visto e ainda conseguindo ajuda de muita gente no mundo do crime, mesmo depois que a maioria foi exposta com os atos impensados dele. Edward acredita que estamos perto. Sei que ele ficou sem dormir os últimos dias, seguindo uma pista que Mike conseguiu pegar nas câmeras de vigilância das ruas. Ele e Félix estão muito positivos e será um sonho pegar Laurent antes que ele faça algo ruim, porque sei que é esse o seu plano. Edward me distraiu dos meus pensamentos e percebi que não respondi sua pergunta. Ele pegou minha bolsa, saindo com Jamie, que me puxava, dizendo que eu estava muito distraída.
Edward iria dirigindo. Félix e Jared nos seguiriam de moto. Embry e o restante ficariam na casa. Quando ele entrou no carro, vi sua arma presa na cintura. Não gosto que ele ande armado perto de Jamie, eu sei que ele tem porte e sabe atirar, porque foi treinado para tal, mas me sinto nervosa que Jamie se interesse e queira mexer. Ele sabe o que é e que não deve tocar, porém, antes, não era o pai dele que tinha um "brinquedo" suspostamente muito legal como nos filmes. Coloquei o cinto e reprimi o sorriso quando Edward chamou atenção de Jamie por não ter colocado o cinto. Ele o chamou de James, como eu faço. É bom que ele vai saber muito bem o momento que estamos chamando sua atenção. O cara de pau do meu filho simplesmente riu e prendeu o cinto. Edward esticou o braço para ter certeza que ele estava bem preso.
- Se continuar assim, vou comprar aquelas cadeirinhas de bebê. – me intrometi na conversa deles.
- Você gosta de castrar o garoto. – Edward murmurou revirando os olhos. Ele acha que Jamie é muito dominado por mulheres.
- Eu sei que você diz que serei para sempre seu bebê, mãe, mas já sou um homenzinho. Tenho nove anos agora e já posso ir na montanha russa.
- Você não tem altura. – cortei seu barato. Edward suspirou. – É verdade.
- Papai vai comprar uma montanha russa para você. – Edward disse e bati na sua perna. Ele ficava cheio de merda. – Com você e aquela baixinha ruiva, esse garoto nunca se tornará um homem firme. Vocês controlam a respiração dele.
Victória era naturalmente autoritária e eu sou a mãe dele. Não posso discordar que a presença de Edward é bem gratificante, mas eu sou capaz de ensinar meu filho a ser tão macho quanto eu sou uma mulher. Não há essa de que ele tem que ser dominante apenas por ser um homem. Sei que sou uma força da natureza e não preciso de um pênis para isso.
- Não venha com esse discurso feminista. – Edward disse quando já estávamos no trânsito. Paramos em um breve engarrafamento. Félix parou a moto do nosso lado. – Apenas acho que o garoto tem que ter direito a sua própria voz.
- Ele tem, acredite em mim.
- É verdade. – Edward riu. Jamie não tem problema em falar. Deus sabe que não. – Ontem ele me pediu para te convencer a dar-lhe um sapo. – contou e colocou a mão descansando na minha perna. Esfreguei meu polegar nos nós dos seus dedos. – Ele viu um vídeo no youtube de como dissecar um sapo.
- Deus me livre de ter aquele bicho gosmento na minha casa, pelo amor de Deus, você disse que não. – rebati a Edward e ouvi um suspiro atrás de mim.
- Era pra você falar com jeitinho, pai. – Jamie disse em tom de reprimenda. Edward me deu um olhar rápido, rindo. – Mãe, pensa comigo. Por favor, acompanhe a minha linha de pensamento. – pediu e soltei um resmungo. – Estou na fase que preciso determinar minha profissão. – anunciou e virei no banco. Edward e eu olhamos para ele, soltei uma gargalhada. – Tenho que aproveitar a minha juventude para saber se quero ser biólogo, médico, engenheiro e até mesmo advogado. – encolheu os ombros e ele estava falando muito sério.
- Ainda bem que você não colocou músico na sua lista, porque você é péssimo. – brinquei e ele soltou um grito. – Estou brincando. Vou comprar aquelas revistas de testes vocacionais, se em alguma delas der que você tem inclinação à biologia, deixarei seu pai comprar um sapo.
- Eba!
- Eu não quero ver ou sentir o cheiro dessa coisa perto de mim. – avisei sabendo que Edward compraria o maldito sapo apenas para Jamie dissecar. – Tem como encontrar um sapo já morto?
- Eles vendem para dissecação em escolas, mandei comprar um desses. – Edward disse baixinho e eu quase gritei "eu sabia!". Ele já mandou comprar. – Eu fiz essa experiência na escola, foi divertido, vou fazer com ele.
- Me avise para não chegar perto, eu odeio sapos.
- Acho que deveríamos ter um bicho de estimação. – Jamie disse e eu bati minha cabeça no vidro. – Mãe... Você sempre disse que não tínhamos um bicho porque morávamos em apartamento e o nosso prédio não permitia animais, agora moramos em uma casa enorme, podemos ter um cachorro. Pai, você gosta de cachorro?
- Sim. Eu tive um da sua idade até meus vinte e quatro anos. Seus avós têm dois cachorros em casa, em Chicago. – Edward respondeu e eu grunhi. Misericórdia. Ele vai dar um cachorro a Jamie. – Você gosta de qual raça? Grandes ou pequenos?
- Gosto de todos. Eu queria adotar um, não comprar. A sobrinha da Tia Ângela adotou um numa feira que teve no shopping.
Olhei para Edward, que apenas encolheu os ombros.
- Não. Nada de cachorro.
- Eu sabia. – Jamie suspirou, fazendo-me parecer a bruxa do ano. – Por quê? Agora que somos uma família, só falta um cachorro.
Edward apertou a minha coxa, de forma involuntária quando ouviu o que Jamie disse. Esfreguei meu polegar nos nós dos seus dedos.
- É isso que nós somos, não é? – Jamie perguntou e senti que ele estava balançando as pernas, um hábito que assume quando está muito ansioso. Edward me olhou quando o sinal fechou, esperando a minha resposta e eu vi que o olhar dele era igual ao do meu filho quando espera ouvir algo e está com medo.
- Sim, filho. Nós somos uma família. – disse olhando diretamente para Edward. – Eu, você e seu pai.
- Viu só? Só falta o cachorro.
Eu me preocupei se Jamie acredita que o pai dele está morando conosco de forma permanente. Nunca sentei para explicar que era temporário, apenas enquanto trabalhamos em um grande caso e talvez deva fazer isso o quanto antes. Não quero que ele nutra esperanças que sempre será assim, nós três na mesma casa, porque não será. Assim que Laurent desaparecer de nossas vidas, Edward irá para sua casa assim como todos os outros. Estamos juntos para nossa segurança e porque é mais fácil viver no trabalho quando temos que fazer cerão durante a noite e revezar nos plantões.
Talvez esse arranjo esteja confundindo a cabecinha de Jamie, porém, o fato de morarmos em casas separadas não quer dizer que não sejamos a família dela, o seu suporte e as duas pessoas que mais o amará na vida. Eu quero que ele se sinta seguro e amado tanto comigo quanto com seu pai, que a cada dia prova o quanto está disposto a dar a vida que ele nem precisa, mas aprecio a sua tentativa em participar da educação dele, sempre conversando com Jane sobre as aulas, lendo os cadernos de Jamie e preocupado se ele comeu, dormiu bem ou está bem agasalhado durante a noite.
Senti a mão dele me apertando de novo e olhei, ele estava me perguntando com o olhar o que estava acontecendo. E eu não saberia responder. Está tudo fora do lugar. Ainda não me sinto em casa onde estamos vivendo, não consigo me adaptar ao quarto, sinto falta do meu apartamento, quero ter a minha liberdade de ir e vir e a certeza que estamos seguros, mas até isso acontecer, tenho que trabalhar e por essa noite, vou deixar todos esses questionamentos de lado. Edward seguiu para uma área residencial bem cara da cidade e parou em frente a grandes portões de ferro, digitou uma senha no painel e os portões se abriram, revelando uma linda casa, branca, com portas e janelas de vidro, do chão ao teto. A frente era de tirar o fôlego.
- Onde estamos? – Jamie perguntou quando ele parou o carro na frente das portas duplas.
- Eu queria que vocês fossem os primeiros a conhecer a minha casa. Ela ficou totalmente pronta para moradia hoje.
Saímos do carro e ele abriu as portas. Por dentro era tão lindo e novo que parecia um cenário dos grandes estúdios. Bem moderna e diferente da casa de Aro, que apesar de reformada, é muito antiga e tem uma decoração mais rustica. Edward contratou Alice, eu sei, porque Rosalie comentou, mas eu não dediquei muito meus pensamentos a minha ex-amiga, ela foi embora e escolheu sair da minha vida, então não merece muito a minha atenção, porém devo reconhecer que fez um trabalho incrível.
Entrei na sala de sofás pretos grandes e detalhes em branco, observando os quadros. Não tinha uma televisão, apenas um aparelho de som muito moderno e várias fotografias de Jamie espalhadas. Também havia fotos minhas e de Edward, algumas com Jamie e outras sem. Eu não tinha, ele tirou do seu celular no final de semana que passamos em Nova Iorque e gostei de todas. E mais ainda, gostei de estar presente na sua sala. Qualquer mulher que aparecer nessa casa vai ficar intimidada com a minha presença.
Meu me pergunto o que Alice pensou ao colocar fotos minhas com Edward pela casa. Ela sabe que Jamie é filho dele, pela confusão da época, mas não ficou para o nascimento do meu filho e não deve ter ideia do que se desenrolou depois. Conhecendo-a, sei que está morrendo de curiosidade. Também sei que Edward não falou nada, porque ele não é de divulgar informações facilmente. Muito pelo contrário, arrancar qualquer coisa dele exige esforço. Jamie soltava gritos e comentários conforme explorava os outros cômodos, mas Edward estava no hall de entrada, com mãos no bolso e trocando o peso do pé. Ele quer que eu goste daqui. Seu comportamento é como Jamie, que fica inseguro, avaliando minha reação.
Andei para sala de jantar, a mesa era de vidro, as cadeiras eram pretas, eu não podia deixar Jamie perto delas, ele iria derrubar tudo. Passei para cozinha ampla, cheia de panelas penduradas, um balcão de deixar qualquer Chef com inveja, forno, fogão e outros utensílios necessários. Félix abriu a porta dos fundos e entrou com um monte de coisa, sacos de mercado e Jared com bebidas. Dei meia volta, seguindo para escada. Jamie já estava abrindo as portas do segundo andar, decidi subir, porque ele já está se sentindo a vontade na casa do pai, mexendo em tudo. Não quero que quebre nada e muito menos se machuque. Sei que no primeiro andar ficou faltando olhar a biblioteca, mas pelo relatório do meu filho sobre cada cômodo, era grande e vazio. Devia estar sem livros ainda.
- Tem outro pavimento? – perguntei a Edward observando uma escada maior.
- Quartos. – disse simplesmente.
- Seu escritório é grandão. – Jamie disse começando a rodopiar na cadeira. – Quero uma dessas, dá pra brincar de escorregar. – subiu até o topo e escorregou, caindo no chão. – Irado.
- Quando você crescer terá uma dessas. Não faça isso. – retruquei com medo que ele batesse com o queixo em algum lugar da mesa. – É bem claro aqui, faz o meu escritório parecer uma caverna. Sinto falta do meu escritório do apartamento.
Passei por Edward, seguindo Jamie para outra escada.
- Espero que goste do seu quarto. – Edward abriu uma porta e revelou um lindo quarto todo temático para os quadrinhos que Jamie tanto ama. Meu filho parecia no céu, deixou a mochila cair no canto e começou a mexer em tudo. – Quando você vier dormir comigo, quero que se sinta a vontade no seu quarto.
Percebi o quanto Jamie ficou ereto com a frase do seu pai. Ele continuou mexendo nos bonecos como se não tivesse ouvido.
- Então eu terei dois quartos? Um com a mamãe e um com você? – perguntou casualmente. Eu me recusei a olhar para Edward, não queria ver a sua expressão, seja lá o que tivesse pensando.
- Sim. Você morará com a mamãe, mas também passará noites durante a semana com seu pai. Vamos revezar os finais de semana... Moramos perto, Jamie. Quando quiser ir e vir é só falar. – disse calmamente e ele não demonstrou que tinha ouvido. Essa reação é quando não quer aceitar a realidade. Meu coração apertou.
- Quando você vem ficar aqui, pai?
- Enquanto ainda estivermos trabalhando no mesmo projeto, ficarei com você e sua mãe. – Edward respondeu tranquilamente, o que me deixou aliviada. – Que tal aproveitar para tomar banho e colocar seu pijama? Eu ainda tenho uma surpresa para você, mas tem que estar de pijama.
Jamie não parecia muito animado, mas agarrou a oportunidade de fingir que estava tudo bem. Ele pegou sua mochila ouvindo Edward instruir que tinha tolhas limpas no banheiro e que embalou o sabonete liquido dele. Nós dois percebemos que Jamie estava se recusando a olhar em nossa direção, entrando no banheiro e fechando a porta com um pouco de força, não o suficiente para ser chamado a sua atenção, mas forte o bastante para mostrar que seu temperamento estava à flor da pele. Sendo meu filho e agora conhecendo melhor a Edward, posso entender porque ele fica tão profundamente irritado quando é contrariado. Fui negligente em não conversar sobre o arranjo temporário e agora sofrerei as consequências disso. Espero que não fique violento como no período que namorei Jacob. Não posso suportar aqueles acessos de birra com socos e chutes novamente.
- O que ele tem? – Edward perguntou preocupado, - Será que não gostou do quarto? Posso mandar fazer outro amanhã mesmo.
- Não é o quarto. – respondi andando na sua direção e deslizei minhas mãos pelo seu peito. – É o fato que ele tem dois quartos. Jamie não vai lidar muito bem quando ficarmos em casa separadas e preciso da sua ajuda nisso. Estou reconhecendo os sinais, ele é muito agitado e brincalhão a maior parte do tempo, mas quando é contrariado, ele age como um pequeno monstrinho.
- Você vai ter que me orientar, Bella. Ainda não o conheço totalmente.
- Meio a meio, baby. – sorri satisfeita que ele não estava rosnando que roubei o conhecimento sobre seu filho. Ele sorriu e me puxou, mostrando que as três portas no caminho até uma pequena escada de cinco degraus era quarto de hospedes, então, subimos uma escadinha e suspirei quando ele abriu a porta. O quarto era imenso, bem masculino em tons azuis e branco, mas a vista para o lago era simplesmente maravilhosa.
- Eu vou ter você, bem aqui, nessa cama, essa noite. – disse beijando meu pescoço. – Deixe sua bolsa aqui, vá tomar banho e colocar um pijama. Tenho que resolver umas coisas na cozinha e subirei para trocar de roupa também.
Ainda muito surpresa com a vista do lugar, tirei a minha roupa e entrei no chuveiro quente com meus produtos de higiene, que deixei no banheiro mesmo. Coloquei meu conjunto de lingerie sexy por baixo da calça pijama confortável, um blusão longo e deixei meus cabelos presos em um coque firme no alto da minha cabeça. Saí do quarto e encontrei Jamie socando suas roupas usadas dentro da mochila, ele me deu um olhar mal humorado e sentei na sua cama.
- Vem aqui, filho. – pedi suavemente e ele veio, com os olhos enchendo de água.
- Vocês disseram que somos uma família. – acusou chorando. – Que tipo de família é essa que não moramos juntos?
- Uma família cujos pais não são casados ou namorados, mas que amam muito seu filho. – respondi segurando seus ombros. – Eu e seu pai não estamos juntos, estamos construindo uma amizade, para o nosso bem e principalmente o seu bem.
- Vocês podiam namorar, mãe. – disse bem sério. – Um dia vocês ficaram juntos e me tiveram, mas agora, estão juntos de novo e podem namorar.
- Não é tão simples assim, James. Seu pai está aqui por você e ele comprou essa casa linda para que ele pudesse ficar com você, não o deixe triste achando que não gostou, porque não é sua escolha determinar se vamos morar juntos ou não, entendeu?
- Então não somos uma família. – disse sombriamente e eu sabia que era apenas o começo.
- Sim, nós somos. – insisti sabendo que enquanto ele não me encarava era porque não estava me ouvindo. – James Alexander Swan. – disse bem baixo e entredentes. – Não começa com seu comportamento deplorável ou eu vou pedir para que seu pai nos leve de volta e passará a noite de castigo.
- Talvez seja melhor assim. – bateu o pé e eu quis bater nele. – Eu não quero ficar com você!
- O que está acontecendo? – Edward perguntou com um tom de voz duro. – Está gritando com a sua mãe? – continuou e Jamie abaixou a cabeça. O lábio dele projetou para fora e começou a chorar de um jeito que só comprovou o quanto ele estava magoado. – Fale comigo, James.
- Nós não somos uma família. Meu pedido veio incompleto. Eu pedi uma família! – gritou e eu segurei a cama, me contendo para não chorar junto. Ele pensou que o pai dele voltaria e nós ficaríamos juntos? Edward e eu queremos fazer sexo e não ter um relacionamento. Edward ajoelhou na frente dele, abraçando-o.
- Sempre seremos uma família, Jamie. Eu, você e sua mãe. – disse e Jamie escondeu o rosto no pescoço dele. – Vocês dois são os primeiros a estar aqui, porque eu queria que fossem os primeiros.
- Morar em casas diferentes não nos faz uma família diferente ou menos importante. – disse suavemente e ele se jogou pra mim. – Está tudo bem, filho. É tudo muito novo para nós, vamos conseguir nos ajustar, basta dar tempo.
- Sinto muito por gritar, mamãe. Eu te amo. – disse baixinho e beijei sua bochecha.
Olhei para Edward e estiquei minha mão, para ele entrar no abraço também. Jamie sempre foi a minha família, desde o dia que descobri a sua existência no meu ventre, mas eu nunca me dei conta do quanto o pai dele também seria parte disso apenas pela sua felicidade. Beijei a bochecha dos dois, ganhando sorrisos iguais, então Edward levantou e disse que precisaria vendar os olhos de Jamie para poder levá-lo aonde ele tinha a sua surpresa. Ele envolveu um pano no rosto do nosso menininho sorridente, que apesar de ter parado de chorar, a crise não foi abortada. E só Deus sabe o que pode vir acontecer quando ele explodir novamente.
