Steve sobe as escadas em um nível de irritação palpável, já no corredor dos quartos pára em frente ao quarto de Daniel, pensa uns segundos se entra ou não. Decide seguir para o quarto, tomar um bom banho e depois resolver este assunto.

Entra no quarto, tira a camisa, só então olha para o relógio... ele já estava em casa há quase uma hora. Não pensa duas vezes, veste a camisa e sai rumo ao quarto de Daniel. Não tinha percebido o tempo voar.

Dá uma batida na porta, não espera resposta, entra. Encontra Daniel de pé no meio do quarto.

Daniel estava atento a qualquer barulho. Quando a porta do quarto do pai abriu, ele já ficou de sobreaviso.

Steve olha para ele, nota que o menino chorou, provavelmente várias vezes durante a tarde... e ele não tinha ajudado em nada prorrogando a espera. Endurece o coração, não podia fraquejar.

- Boa noite, filho.

- Por que o senhor demorou tanto?

Steve respira fundo, passa a mão no rosto... sem dúvida nenhuma, este não era seu melhor dia.

- Não me force a perder o fio de calma que ainda tenho, Daniel. Eu não tive um bom dia.

- E o meu foi ótimo né? Eu passei um dia de cão!

- Se a conversa vai seguir este ritmo, quer saber, eu dispenso. Estou cansado, sem humor... e queira você acredite ou não, eu não gosto de bater em nenhum de vocês. Nem em você, que tanto pede. Vai, tira a calça e apoia as mãos na cama.

Steve leva as mãos a fivela do cinto, Daniel arregala os olhos – Não! Espera pai... por favor

- Esperar oque? Você me tirar de vez de prumo?

- Não! Claro que não. É que...poxa, o senhor me deixou o dia inteiro de castigo... aí chegou e me deixou esperando mais. Não tinha como socializar depois?

- Você não quer reformular? Porque se a intenção foi me deixar mais calmo... funcionou ao contrário.

Daniel passa as mãos nos cabelos, anda pelo quarto – Não vai adiantar eu falar nada, não é? O senhor nem tá ouvindo!

- Tô ouvindo sim, a pergunta é: Você está ouvindo oque você está falando? Eu acho que não. Você aprontou feio hoje Daniel...

Daniel perde a linha, joga a cabeça pra cima - Ah não... de novo o mesmo sermão? Quem aguenta? Atira de uma vez e acaba com meu sofrimento!

Ele mal termina de falar, o pai já está na frente dele e está espumando.

- Você vai ver oque é sofrimento agora mesmo!

Steve coloca um pé sobre a cama e empurra Daniel sobre a perna dele.

- Não! Eu não sou mais criança!

Daniel empurra o corpo pra trás, mas Steve é mais rápido, segura-o no meio do percurso e já manda uma palmada, não uma qualquer, uma utilizando praticamente toda sua força.

- AAAAAAAIIIIIIIIiiiiiii! (O grito é totalmente genuíno. Só este tapa já fazia toda a dor da surra de vara voltar)

Outra palmada com a mesma força, outro grito. Daniel começa espernear, quer sair dali a qualquer custo - ME LARGA! ME LARGAAAAA! O SENHOR NÃO PODE...

- Não posso? Quer ver eu te provar o contrário?

Mais duas palmadas fortes, agora nas pernas. Daniel apoia uma mão na cama pra não cair e a outra ele leva pra trás para se cobrir. Steve pausa - Tira a mão ou vai ser pior!

- NÃO TEM COMO SER PIOR! NÃO TEM! (Daniel está em pura agonia, a dor está forte, os olhos já estão marejados)

Steve puxa Daniel para fora da perna dele, colocando-o de pé. Daniel cobre a bunda, dá um passo pra trás, Steve segura-o pelo cós da bermuda e já abre o botão, Daniel segura, leva um tapa na mão, larga e logo se vê só de cueca.

Steve começa desafivelar o cinto, enquanto fala em um tom baixo, mas carregado de autoridade - Eu vou te mostrar como sempre tem como ser pior!

Daniel vai andando pra trás até bater as costas na parede - Não pai, eu não aguento uma surra de cinto...

- Pensasse antes! Mãos sobre a cama e pelo amor de Deus, não me faz ir te pegar aí.

- Não! Eu vou ouvir pai... não me faz apoiar na cama, nem deitar, nem nada... eu não quero apanhar mais...

Steve balança a cabeça - Você é inacreditável, sabia? Me diz, você inda não está cansado de apanhar por me desobedecer, Daniel? Porque eu estou ficando cansado de ter que te bater pela mesma coisa.

Daniel baixa os olhospara se controlar e não dar uma resposta atravessada. Respira fundo e faz o orgulho descer goela abaixo, pela centésima vez no dia.

– Então não me bate pai... fala comigo... eu vou ouvir... (Usa o tom mais humilde possível. A verdade era que ele falaria qualquer coisa para escapar do cinto. Até ouvir outra "palestra")

Steve mantem a postura firme, fala mais ríspido - Falar oque? Você tem razão, este assunto já foi mais que discutido. Eu sei porque vou te castigar e você sabe porque vai apanhar. O papo acabou! Ultima chance, antes de você perder a cueca! Coloque as mãos sobre a cama agora! (A ultima parte sai em um tom mais grave)

Daniel se encolhe, os olhos enchem de lágrimas, sabe que acabaram as negociações... chegou o final da linha. Era obedecer ou obedecer. Vai até a cama, apoia as mãos. Não tem coragem de olhar pra trás, não quer ver o cinto na mão do pai.

Steve espera ele se ajeitar, vai até ele, chuta de leve o pé de Daniel na parte de dentro, para ele abrir mais as pernas.

- Mantenha a posição até o final. Se você se mexer ou tentar se cobrir, oque acontece Daniel?

Daniel passa o rosto no ombro, provavelmente para enxugar as lágrimas. – Por favor pai... eu não sei se vou aguentar ficar parado...

- Quais são as regras?

- Porque isso pai? Eu já sei que fiz cagada... eu tô onde o senhor mandou...

- Quais são as regras!?

- Se eu sair da posição ou me cobrir o senhor acrescenta 5 cintadas por cada parada.

- Ou seja, as regras são conhecidas?

- Sim... senhor...

Steve dá um passo pra trás e dá a primeira cintada.

- ARGHH (Daniel solta um grunhido, bate o pé no chão, mas não tira as mãos da cama, nem grita)

A próxima desce mais forte. – URRFFFF (Daniel encosta a boca no braço, abafa um grito, volta a olhar para frente).

Steve não pretende dar muitas, mas quer que todas sejam muito bem sentidas, para que o filho não repita o mesmo erro por um bom tempo. Ergue o braço acima do ombro e dá três seguidas.

- AAAAAUUUAAAAAAAIIIIAAAAIIII! (Daniel sobe na ponta dos pés, respira fundo várias vezes, falta pouco para ele estar chorando de soluçar)

Mais três, agora com um pouco mais de força. Daniel não segura – AAAAAAAAIIIIIIIIII CHEGAAA! CHEGAAAA!

Steve não dá tempo dele assimilar aquelas, desce uma sequência mais longa. Daniel perde de vez a compostura, bate os pés, soca a cama, grita, chora, tudo ao mesmo tempo. As únicas palavras compreensíveis eram pai e pára o resto era uma mistura de choro, soluços e palavras indecifráveis.

Steve vai para o lado dele, coloca a mão em suas costas, Daniel despera, sabe que quando o pai faz isso é porque ele vai dar pra doer com "D" maiúsculo.

- NÃOOOOOOOOOOO! POR FAVOR PAI! ME PERDOA! EU PROMETO QUE VOU SER UM ALUNO EXEMPLAR! EU JURO, EU JURO! EU OBEDEÇO! NÃO ME BATE MAIS FORTE! POR FAVOR, CHEGA!

- Mais 3 e terminamos Daniel. Quero que você lembre por um bom tempo desta surra, para que eu não precise repeti-la... pelo menos não tão cedo.

Dá um tempinho para Daniel assimilar antes de alertá-lo - Não saia da posição e logo isso termina.

- E-eu... não... vo-vou conseguir pai...

Steve olha mais atentamente para o filho. O rosto banhado em lagrimas, o corpo todo tremulo...Ele tinha razão não havia jeito dele aguentar as cintadas finais sem se mexer... e ele teria que cumprir o prometido e acrescentar mais cintadas.

- Vai conseguir sim. (Encosta a lateral de seu corpo em Daniel e passa o braço em volta dele) – Fique firme!

Daniel balança a cabeça que sim, as lágrimas correndo pelo rosto. Logo duas cintadas acertam em cheio sua bunda e a ultima pega nas coxas .

Chega de malcriações! - AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIII

Chega de desobediência! - MEUDEUS AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUU

Chega de falta de respeito! - PAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!

Steve joga o cinto sobre a cama, continua com o braço em volta de Daniel enquanto com a outra mão faz carinho em suas costas. Por uns bons minutos Daniel fica chorando, soluçando. Depois começa erguer o corpo devagar, Steve tenta ajudar, ele vira o rosto para o lado, levanta um pouco a cabeça para olhar para o pai antes de puxar o corpo.

Steve respira fundo e se afasta um pouco deixa-o se virar sozinho. Espera ele estar de pé, mesmo que apoiando na cama, para falar com ele.

- O jantar está pronto. Você 15 minutos depois desça para jantarmos, OK?

Daniel não olha pra ele, balança a cabeça concordando.

Steve sai do quarto fechando a porta atrás dele. Encosta na parede do lado de fora, abraça a cabeça, não era fácil castigar nenhum dos filhos, mas Daniel era o pior... sempre o deixava em frangalhos.

Balança a cabeça como quem precisa despertar e segue para o seu quarto. Nem se quer senta para tirar as botas, arremessa-as para o canto e já vai entrando no banheiro arrancando a roupa. Liga a ducha no máximo, apoia os cotovelos na parede, fecha os olhos e deixa a água massagear os ombros, o pescoço... precisava relaxar.

Fica ali uns 5 minutos só deixando a água fazer seu trabalho. Desocupa a cabeça, não quer pensar em nada, só quer ouvir a água batendo no seu corpo. A vontade era ficar ali para sempre, mas o estomago começa fazer barulho, rebelando-se. Estava na hora de tomar banho de verdade e sair.

Sai do boxe, enrola uma toalha na cintura e caminha para o quarto ainda batendo a mão no cabelo para tirar o excesso de água. Quando entra, dá de cara com Daniel de pé no meio do quarto. O choro já havia cessado, mas os soluços ainda não.

- ... e-eu... preciso saber... se... o senhor... me desculpou...

Steve não fala nada, anda até o filho e abraça-o bem forte . Daniel se larga nos braços do pai, começa chorar novamente, a pedir desculpas.

- Shiiiiii calma... acabou filho...claro que eu desculpei.

- E-eu vou fazer só oque o senhor mandar pai. Eu juro. Nunca mais eu...

- Sem promessas difíceis de cumprir... nunca mais é um tempo enorme. Mas se você controlar esse gênio e essa boca... acho que a gente prorroga este tipo de papo por alguns meses ou semanas...

Daniel levanta um pouco a cabeça para olhar pro pai – Eu vou ser um anjo daqui pra frente... o senhor vai ver.

Steve aperta ele no peito, dá uma gargalhada, que provavelmente a casa ouve.

Fim