One Piece não me pertence... Eu estou cansada dessa maldita frase!

Don't cry, I'm here.


O beijo era ardente. Nami sabia que devia parar, mas não estava se importando. Pensaria em tudo depois, primeiro iria aproveitar o momento. Porém, sentir Law passeando pelas suas costas com as mãos não ajudava ninguém a pensar. Law estava certo quando pensara que a ruiva tinha gosto de laranja, e apreciou muito poder sentir com seus próprios lábios. Infelizmente, a jovem se separou dele.

- Law... – Bastou Traffy olhar para os belos olhos castanhos para entender.

- Nami-ya, sei que está confusa com tudo isso, e não quero te forçar a nada. – A beijou na testa – Eu estou aqui e só sairei quando você olhar diretamente para mim de dizer que não me quer mais ao seu lado. Confie em mim.

- Eu confio, por isso mesmo que... – Corou – Que eu estou aqui com você. Law, só peço que deixe minha confusão passar, sim?

- Ei, ei, esperei dois anos para finalmente ter uma conversa aceitável e ainda tive que levar uma bolada na barriga, esperar mais algum tempo não vai me matar. – "Espero...", comentou em pensamentos.

- Ei, sua vez de escolher o filme. – Nami disse se aconchegando nos braços fortes.

O0o0o0o No dia seguinte (Também conhecido como Domingo) o0o0o0O

Law acordou e observou o relógio que marcava dez horas da manhã, um recorde para ele, já que estava acostumado a acordar cedo. Tudo por causa da ruiva que descansava pacificamente ao seu lado no sofá, usando sua curva do pescoço como travesseiro.

- Chopper-ya, bom dia. – Murmurou para o labrador que fingia dormir aos seus pés – Sua dona está dormindo como criança, está até babando.

- Eu não babo. – Uma voz feminina, sonolenta e irritada comentou.

- Sei. – E, novamente, parou outro ataque com a almofada da ruiva – Você tem que parar de fazer isso.

- Desculpa, na próxima eu uso um rolo de macarrão. – Devolvei com sarcasmo, sentou-se, ergueu os braços e se espreguiçou, deixando a guarda aberta o suficiente para Traffy começar a torturá-la com cócegas.

- Eu prefiro a almofada. – Ele respondeu, continuando a fazer cócegas nela, que gargalhava gostosamente e se contorcia.

- E... Eu me rendo! – Mais uma onda de risadas altas – Por... Por favor, Law! Eu faço qualquer coisa!

- Qualquer coisa?

- Qualquer coisa!

- Vem cá. – Puxou-a para seu colo e a envolveu como uma mãe envolve um bebê – Prometa que nunca mais vai chorar.

-... Não sei se posso prometer isso. – Nami tentou ignorar o calor em seu rosto, prova de que havia corado – Posso tentar.

- Então me prometa que se tiver vontade de chorar, lembre-se que eu estou aqui.

- "Não chore, Nami-ya, eu estou aqui", foi o que você disse. E está mesmo. – A ruiva se remexeu um pouco e fez menção de dizer mais alguma coisa, porém Chopper pulou em seu colo – Você também gosta do Traffy, Chopper? – O cachorro latiu – Vou levar como um sim.

- Por mim... – Law demonstrou-se indiferente à opinião do cão, queria mais era saber da dona do animal. "Você também gosta do Law?". Então ela gostava dele? No entanto, o momento calmo se dissipou ao toque do celular de Nami, "O Sakê de Binks". A jovem o pegou e atendeu.

- Alô? Oi, Bonney, o que houve? – Alguns minutos de silêncio – O QUÊ?

- Que foi, Nami-ya?

- HANCOCK LEVOU UM TIRO?! Okay, okay, eu parei de berrar, mas como assim levou um tiro? Do nada? Espera, você não acha que...? – Mais alguns minutos de silêncio – Bonney, calma, se for mesmo ele... Ei, nós ainda não sabemos, mas se for ele, não podemos fazer nada. Você sabe, e muito bem, como ele é. Onde a Hancock tá? – Mais alguns minutos de angústia – Não, eu nem imaginava que ela poderia ir para o Hospital de Drum, o maior e único que tem no bairro. – Revirou os olhos – E onde você está? No corredor do hospital? Muito bem, Bonney, ouça sua amiga aqui. Vá para casa, tome um banho bem demorado, compre uma pizza e chame Eustass, Ace, Vivi e sei lá mais quem você quiser. Estarei aí logo. – Law não sabia o que estava acontecendo, porém para a moça apresentar tanto desespero, devia ser algo importante – Claro que eu vou! B, faça o que estou dizendo e... Eu sei, faz tempo que parei de pedir isso, mas confie em mim. Até.

- O que aconteceu com Boa-ya?

- Um tiro. Levou um tiro enquanto estava em Sabaody Park. Kuro ligou para Bonney que, como eu era a única mais próxima, ligou para mim. – Levantou-se e foi em direção às escadas – Melhor você ir, Law.

- Sim, eu vou. – Levantou-se também – Vou com você.

- Você não entende? É algo que me pune vindo do passado! Passado que eu lutei para esquecer, mas Arlong não quis morrer. Oh, não, ele tem prazer em nos ver rastejar.

- Nami-ya, não faço a mínima ideia do que você está falando, entretanto, jurei que estaria ao seu lado e é isso que farei. Não precisa me contar seu passado se não quiser, apenas deixe-me ajuda-la no presente.

- Não consigo ir contra o passado e alguma hora eu terei de te contar, porém preciso de alguém ao meu lado. – Suspirou – Vou pegar minha bolsa e nós já saímos.

O0o0o0o No Hospital de Drum o0o0o0O

- Olá, sou uma amiga de Boa Hancock. – Nami informou à recepcionista – E ele é meu namorado. – Apontou para Law, fazendo a mulher atrás do balcão fechar a cara – Onde posso encontra-la?

- Segundo andar, terceira porta à direita. – A outra informou, lançando para a ruiva um olhar de desprezo, sendo ignorada com uma frieza digna de um urso polar.

O0o0o0o No elevador o0o0o0O

- Namorado?

- Cale a boca. Eu apenas não gostei do modo como ela te olhava, e também queria ver a cara de decepção daquela perua.

- Ciumenta.

- Vá pro inferno.

O0o0o0o No quarto de Boa o0o0o0O

- Hancock? – Nami perguntou receosa, entrando no quarto com cautela e se deparando com uma Boa Hancock sentada na cama branca e com medo no olhar. Ele pediu a Law para espera-la no corredor, Boa não se sentiria muito bem conversando daqueles momentos com outra pessoa presente.

- O que você quer? Já não basta o que eu passei ontem?

- Foi ele, não foi?

- Foi. E você não estava lá, nem Bonney, nem Robin, nem Nojiko, nem Bellemere-san!

- Hancock, você escolheu seu caminho, eu escolhi o meu. – Chegou mais perto e sentou-se ao lado da morena – Onde a bala te acertou?

- No ombro. Tony-sensei disse que passou apenas de raspão e em dois ou três dias eu já poderei movê-lo perfeitamente.

- Hancock... – A abraçou – Nós duas sofremos tanto, mas justo você, a mais forte de nós, se rendeu? Por quê? Qual o motivo?

- Eu queria vingança.

- De quem?

- De todos aqueles que fizeram algum tipo de mal à Bellemere-san e ao seu orfanato. – Finalmente retribuiu o abraço – E descobri que vingança não é uma boa escolha da pior maneira.

- Perdoe-me. Eu fugi. – Algumas lágrimas rolaram do rosto da ruiva e a morena as secou.

- Não, você salvou o Orfanato One Piece e toda Skypea. Nami, você foi embora para que... Você-Sabe-Quem-É-O-Maldito não nos matasse.

- E eu descobri que não chamar as coisas ruins pelos seus verdadeiros nomes, não as torna menos assombrosas. Às vezes, até piora a situação.

- É, tem razão. – As duas ficaram em silêncio por algum tempo, até Boa falar novamente – Nami, me perdoe.

- Eu e o Luffy já nos resolvemos.

- Vocês...?

- Não, não voltamos. Talvez um dia ele encontre alguém melhor para ele.

- E você e Law?

- Por favor, não vamos tocar no assunto dele ser muito sexy, sim? – As duas riram – Nem da voz dele me dar calafrios.

- Nem do corpo perfeito.

- Nem dos olhos cinza e profundos.

- Nem dele ter te abraçado.

- Nem dele ter me beijado.

- Epa, essa eu não sabia!

- Ai, best, foi, tipo, muuuito bom. – Nami disse fingindo mascar um chiclete.

- Nossa, best, agora eu quero saber tudo! Tipo, tintim por tintim, né? – Hancock fez o mesmo. E as duas riram com gosto. De repente, não existiam duas adolescentes rivais, e sim duas crianças matreiras e muito amigas.

- Fico feliz que tenha se animado, Boa-san. – Tony, o médico, entrou com uma prancheta nas mãos. Ele era alto, magro, pele morena e cabelo castanho (Dou um Tone Dial com a "Sakê de Binks", dos piratas Rumba, pra quem entender.), trajando sempre um jaleco, camisa branca e calça negra.

- Tony-sensei! – Boa exclamou.

- Ai, best, dá uma olhada da calça dele. – Nami comentou, nem notando que Law entrara junto com o médico.

- Na calça? Dá uma olhada no jaleco!

- No jaleco? Dá uma olhada no sapato social!

- Eu não, dá uma olhada você.

- Não, dá uma olhada você.

- Nem vem. Dá uma olhada logo.

- Nenhuma de nós vai der uma olhada, mas, wow, que sapato feio. (Eu ando assistindo muito Sunny entre estrelas).

- Okay, vocês estão bem animadas, mas Nami-san tem que ir embora.

- Já?

- Eu preciso ir, Hancock. Bonney precisa saber disso.

- E Nojiko e Robin?

- Se ele está aqui, é porque elas já sabem, vá por mim. Se existe alguma coisa em que minha irmã é perita, é em acumular informações e usá-las a seu bel-prazer. – Deu mais um abraço rápido na amiga e foi em direção à Trafalgar, finalmente se lembrando de sua presença ali no quarto – Até, Hancock.

-... Nami. – A ruiva se virou – Eu nunca fui a mais forte de nós. É você a mais forte, resistente, destemida. Mas também a mais compreensiva e com um grande coração. Eu me orgulho de ser sua irmã, ainda que de roubos. – A jovem de cabelo laranja se aproximou novamente e ergueu o punho fechado.

- Pegue o que puder. – Boa observou e se recordou. Recordou dos dias felizes que tivera com todas, com o modo como aquela ruivinha atrevida sempre as animava, de como era impossível não acreditar nela. E a morena desejou, com bastante intensidade, que aqueles dias voltassem. Porém, dias felizes acabam para que péssimos dias venham, e vice-versa, já ela queria ficar apenas com os dias bons.

- Sem nada devolver. – Bateu seu punho contra o da amiga.

O0o0o0o Na casa de Nami o0o0o0O

- Nami-ya, Jewerly-ya vai morrer de tanto te ligar. – Law exclamou da sala.

- Já estou indo! Só porque você consegue ir à sua casa, tomar um banho e trocar de roupa em menos de meia hora, não quer dizer que eu também consiga. – Nami discutiu, desceu as escadas e se deparou com um Law muito, muito lindo. Ele estava sem seu chapéu, uma camiseta negra, uma calça jeans rasgado nos joelhos e um tênis também preto. Simples e lindo.

- Nami-ya, para onde vai assim tão bonita? – Traffy indagou divertido, embora devesse concordar que aquela ruiva esbanjava sensualidade. Um short branco curto até o meio das pernas, uma regata verde com um decote não tão generoso como o uniforme da escola, mas mesmo assim chamativo, e uma sandália branca. E se com isso ela o deixava louco, sem nada... Ele achou melhor não pensar nisso, ou seria difícil esconder o sangramento nasal.