Soou o gongo para o início da luta e eles pararam imediatamente com a conversa. Aioria nunca se sentiu tão ansioso.
O discípulo do cavaleiro de câncer se chamava Pedro, era bem maior que ela e aparentemente bem mais forte. Foi ele quem começou golpeando, mas ela se esquivou.
Ele a golpeava de fora incessante e ela se mantinha concentrada tentando se esquivar, não podia deixá-lo acertar. Poderia não agüentar, ele parecia ser muito forte.
- Vou acabar com você garotinha! - Ele repetia no intuito de irritá-la e quebrar sua concentração.
Nashira sequer parecia escutar o que ele dizia, e mantinha-se fiel a sua estratégia, deixava o oponente golpear o ar varias vezes com intenção de conhecer seus golpes.
Mas ela não contava com um golpe muito rápido desferido em sua perna, não conseguiu enxergar o chute, apenas sentiu a dor lacerante quando sentiu o osso se partir.
Seus olhos escureceram de dor, segurou o grito para que o oponente não percebesse quão grave era o ferimento, não podia desistir! Aquela luta era por sua armadura.
Ela abriu os olhos e tentou se concentrar, tentando ignorar a todo o custo a dor lacerante que sentia.
Sabia que se conseguisse concentrar toda sua força naquele golpe conseguiria derrubá-lo, mas não poderia errar e não agüentaria prosseguir naquele ritmo estando ferida.
Seu oponente tinha força de ataque, não lhe pareceu muito preparado para defender-se, teria que usar isso a seu favor.
Ela irradiou seu cosmo com fúria, uma fúria que sequer pensava possuir, da arquibancada seu mestre olhava espantado o poder que emanava dela, um poder que até ele desconhecia até então...
Desferiu apenas um golpe e o oponente estava nocauteado, ela não conseguia sair do lugar, estava esgotada e ferida, sentia todo o corpo dormente pelo esforço, jamais imaginou ter de concentrar tanta energia em um golpe. Jamais imaginou que seria golpeada e sairia tão machucada.
Os presentes deliravam na arquibancada, enquanto ela permanecia imóvel na arena.
Ela procurou Aioria e olhou para ele, ele sorria e acenava e ela fez sinal para ele se aproximasse da arena. Ele caminhou sem entender porque ela não saia do lugar para encontrá-lo.
- Não vai me dar um abraço pela vitória? Ela perguntou sorrindo, mas tinha algo estranho em seu olhar, algo que ele não sabia o que era.
Ele foi até ela e ao abraçá-la ela sussurrou em seu ouvido
- Minha perna está quebrada, não fale nada, só me ajude a sair daqui sem ninguém perceber.
Ele forçou um sorriso e deu o braço à aprendiz a saíram caminhando lentamente da arena, triunfantes – segundo todos pensavam.
Ao se afastarem dos olhares ele olhou com desespero, esperando ver um sorriso ou um sinal de brincadeira em seu rosto, mas ela estava impassível, nem uma lagrima, nem uma gota de suor, nada.
- Por favor, me ajude. Tem jeito de consertar minha perna, não tem? Ela disse entre dentes – estava com muita dor.
Ele olhou para os lados e quando viu que estavam a sós pegou-a no colo e a levou para casa o mais rápido que pode.
O ferimento era extenso e precisaria de muito cosmo de cura, achou melhor chamar mu para auxiliá-lo. Com o cosmo dos dois ela se recuperaria mais depressa.
Acomodou-a no sofá da sala e desceu correndo até a primeira casa.
Em poucos minutos o amigo estava lá olhando o ferimento:
- Está bem mal, não sei como você conseguiu desferir aquele golpe com a perna neste estado.
- Nem eu – ela disse simplesmente - mas você sabe que não podia perder! Era minha primeira luta.
Aioria e um trabalharam por um tempo emanando cosmo curativo no intuito de acelerar a recuperação da fratura. Ela precisava estar bem para a próxima luta, Aioria pensava enquanto a observava.
Ela trincava os dentes no intuito de não soltar nenhum ruído, mas a verdade é que a dor era lacerante.
Finalmente terminaram, estaria bem no dia seguinte, concluíram analisando o ferimento e a quantidade de cosmo curativo que dispenderam.
Aioria agradeceu ao amigo que se retirou, enquanto ele o acompanhava até a porta ela abriu os olhos, as lagrimas de dor que haviam se alojado durante o procedimento rolaram por sua face, mas ela as enxugou o mais rápido que pode, não queria que ninguém a visse nesse estado.
Aioria apenas a observava da porta enquanto ela secava as lagrimas – ela é mesmo muito forte! – ele pensava com pesar.
Voltou-se para ela e perguntou como se sentia.
- sonolenta. Ela respondeu.
- Bem então durma um pouco, vou ficar aqui se você precisar de algo.
Ela assentiu com a cabeça e ele se sentou com ela no sofá colocando as pernas dela em seu colo para que ela dormisse mais confortavelmente.
Ela adormeceu e ele ficou ali sentado olhando para aquela figura frágil e pequenina repousando com as pernas enfaixadas sobre as suas. Lembrou-se do grande cosmo que ela emanou, não sabia que ela tinha tamanho poder, realmente era digna de uma armadura de ouro, pensava.
A noite foi chegando e Aioria acabou adormecendo do jeito que estava, ela deitada com as pernas apoiadas sobre as suas e ele sentado olhando pra ela, velando seu sono.
Durante a noite, despertou muito sonolento e se ajeitou no sofá para dormir melhor, esquecendo-se de onde estava e porque, acabou deitando-se de lado, deixando as pernas dela sobre as suas e apoiando sua cabeça no ombro dela, que dormia profundamente e sequer percebeu a companhia.
No dia seguinte ela acordou sentindo um peso no peito, ao abrir os olhos viu Aioria dormindo tranquilamente sobre seu corpo deitado com ela no sofá, ela se ajeitou e ficou mexendo nos cabelos do rapaz que provavelmente havia cuidado do curativo de sua perna durante toda a noite.
Ela sentiu as pernas e viu que a dor tinha passado, eles estavam certos, a perna estaria mesmo boa no dia seguinte, ficou com medo que tivessem dito aquilo apenas para acalmá-la.
Aioria se mexeu devagar, acordando e quando abriu os olhos e percebeu a posição em que estava sentiu o rosto corar violentamente. Não podia simplesmente levantar-se porque sabia que ela ainda estaria dormindo e que iria acordá-la com um susto, ao mesmo tempo não podia deixar de adorar a forma como seus corpos estavam próximos e como aquele cheiro suave do corpo dela embalava seus pensamentos e intensificava aquele momento. Abriu os olhos devagar delineando aquele colo delicado onde sua cabeça repousava.
De repente ele sentiu uma mão lhe afagando os cabelos, olhou e viu que ela já tinha acordado
- Bom dia, dorminhoco! - ela disse sorrindo.
Ele levantou-se sem jeito e ela se sentou no sofá onde ambos haviam dormido.
- Você está bem, não está com dor nas costas de dormir todo empenado aqui comigo? - ela perguntou preocupada.
- Não, eu estou bem. Eu te machuquei? - Ele perguntou meio sem jeito.
- Só percebi agora de manhã. Ela disse levantando-se devagar.
- Ei, você está de repouso.
- Já me sinto bem melhor. Ela disse ficando de pé e andando lentamente pela sala.
- Mesmo assim só vai voltar a treinar amanhã. Temos que ter certeza que está bem mesmo. Aioria disse sério.
Ela apenas concordou.
- Vou tomar um banho e me trocar antes do café. Ela disse se retirando.
Aioria achou melhor fazer o mesmo, embora provavelmente seu dia fosse bem tranqüilo, já que iriam treinar, levantou-se seguindo para o seu quarto.
Ele permaneceu sentado em sua cama sem vontade de entrar no chuveiro que já estava ligado há algum tempo, sentia o cheiro dela em seu corpo e não queria perdê-lo no banho, se lamentava.
Acabou entrando na água, mas não conseguia parar de pensar no calor e suavidade do corpo dela, lembrou-se de quando a carregou em seus braços na praia, e de como foi bom adormecer com ela no sofá, começou a imaginar como seria se pudessem ficar juntos.
Ela voltou do banho com um vestido curto e florido, e calçando uma sandália delicada, os cabelos molhados e soltos escorriam pelo pescoço e ombros.
- Vamos passear hoje? Preciso me distrair um pouco já que estou de molho e não posso treinar.
Ele a estava observando, a curva e seu pescoço, o decote do vestido, as pernas claras, ficou encabulado de repente com a situação mas assentiu ao passeio com a cabeça.
- Como eu sempre escolho os passeios hoje fica por sua conta, tá! Ela sorriu sentando-se para o café.
Onde posso levá-la, ele pensou, sua mente respondeu de pronto "para o quarto" mas ele ignorou o pensamento.
Havia um templo muito bonito que quase não era visitado ele perguntou se ela gostaria de conhecê-lo. Terminaram a refeição e foram caminhando lentamente para lá. Seria um passeio agradável e uma forma de observar se a perna dela já estaria mesmo completamente recuperada.
Enquanto passeavam pelo jardim interno ele divagava observando sua acompanhante, não conseguia esconder a alegria de ver sua recuperação nem o orgulho da forma pela qual vencera seu primeiro combate.
Caminhavam distraídos pelo jardim quando ela se virou para lhe mostrar um pássaro que se escondia sob a fonte, ele vinha distraído andando logo atrás dela, perto o suficiente para acompanhar o cheiro suave que ela emanava, e não se apercebeu do seu movimento, foi quando eles trombaram.
Ele a segurou, firmando seu corpo junto ao seu, estavam tão próximos que podia ouvir sua respiração, nenhum dos dois se moveu, as mãos dela estavam sobre os braços dele que enlaçavam sua cintura e a mantinham bem perto, ele olhava fixamente para sua boca e foi se aproximando quase sem perceber...
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Olá!
Mil desculpas pela demora, tive vários problemas, mas retomo a fic e a postagem semanal.
Parece que finalmente vamos sair do zero a zero, hein!?!
Espero que estejam gostando e muito obrigada pelas reviews!!!
Bjus,
