CAPÍTULO 9
1945
Ele lhe entregara dois pedaços de sua alma;
Dormia em seus braços, sem receios;
Sempre carinhoso;
Sempre cuidadoso.
Acariciou o rosto dele, delicadamente, sentindo seus olhos arderem.
Todos diziam que Tom nunca foi e nunca seria capaz de amar algo que não fosse ele mesmo e o poder, no entanto... O que mais seria aquilo que possuíam?
Passou a mão nos cabelos negros e, contornando as linhas finas do rosto dele, parou em seus lábios. A outra mão, trêmula, segurava o punhal embaixo do travesseiro. Mordeu os lábios e as lágrimas caíram. A hora havia chegado. Apertou o punhal com mais força e Tom abriu os olhos. Franziu o cenho, intrigado.
"Ginny, o que houve? Por que está chorando?", questionou varrendo as lágrimas do rosto dela e beijando-lhe a testa.
Ela sorriu, balançando a cabeça, largando o punhal escondido embaixo do travesseiro e o abraçou.
"Só um momento de loucura", murmurou. "Não sei o que faria se perdesse você".
Tom deitou-se e fez com que deitasse também, tocou-lhe a face e beijou-a suavemente:
"Você não vai me perder nunca", e beijou-a novamente. "Jamais deve se preocupar com isso".
E, novamente, as mãos dele percorriam o corpo dela e se beijavam lentamente, apreciando cada segundo, cada carícia. Tom deixou seus lábios, beijando seu pescoço. Ginny fechou os olhos e sorriu.
"Abra os olhos, Ginny", ele falou suavemente. "Quero ver a luz da sua vida desaparecer deles".
E o punhal derramou o sangue daquela que buscou justiça e desistiu.
Ele a beijou uma última vez, sem fechar os olhos, encarando os dela: cheios de lágrimas, surpresa e dor.
"Eu confiei em você".
Foram as últimas palavras que ele disse, antes de se levantar e sair do quarto, fechando a porta atrás de si. Ginny olhou para o lado e viu o falso Tom, ajoelhado do seu lado da cama.
"Você sabia...", sussurrou, sentindo gosto de sangue na boca. Ele fez que sim. "Por quê?"
"A Ginny Weasley tocada por Tom Riddle está quebrada para sempre. Eu tentei, mas sua alma já estava partida há muito tempo..."
"E o futuro?"
"Dumbledore destruiu as Horcruxes já feitas e, todas as outras que virão, ele e Harry vão destruir".
"Mas isso já tinha sido feito. Harry era a última, se Tom ainda existe então tudo será igual..."
"Minha intenção nunca foi consertar o mundo, Ginny", ele acariciou os cabelos dela. "Minha missão era consertar você".
"Eu vou morrer?"
"Vai".
"E Ginny no futuro? O que vai acontecer com... Ela?"
"Ginny Weasley jamais conhecerá Tom Riddle. O diário já não existe mais. Ela não será quebrada".
"Isso é bom", sorriu, tossindo e cuspindo mais sangue.
Os lençóis estavam maculados, pintados de vermelho, tal qual era seus cabelos.
"Ela será feliz?", questionou, entre lágrimas.
"Isso dependerá das escolhas dela e não cabe a mim desenhar destinos".
"Quem é você?"
"Acho que no fundo você já sabe..."
"O tempo é o mais sábio dos conselheiros", disse com um sorriso. E completou: "Plutarco".
E essas foram suas últimas palavras.
