Parte Da Família
Harry acordou na manhã seguinte num saco de dormir que eles haviam colocado sobre a recente camada de poeira, que se renovara após a saída da Ordem. Quando colocou os óculos e olhou em volta, viu Ron e Hermione, suas sombras formando um encaixe perfeito. Aquilo o fez sentir – se solitário, e num impulso olhou para o lado, buscando Sarah. Mas ela não estava lá.
Assustado, o garoto levantou – se subitamente, olhando para os lados. Na noite anterior, Kretcher insistira para que ela ocupasse um dos quartos da casa, mas ela se recusou indo dormir com os outros na sala. Confuso, Harry começou a subir as escadas, procurando por ela. No último andar, ele percebeu que ela não estava, mas se distraiu ao ver três portas.
Sorrindo, ele se dirigiu à primeira porta, onde estava escrito simplesmente "Sirius". A porta rangeu levemente quando foi aberta, e Harry se surpreendeu com a explosão grifinória que o recebeu. Sirius tinha superado as expectativas em deixar claro que nada tinha a ver com o resto da família sonserina, e cobrira todo o antigo cinzento das paredes com cartazes e flâmulas grifinórias, assim como fotos de mulheres trouxas de biquíni (ele admirou a coragem). No meio da parede, uma pequena foto dos quatro marotos chamou sua atenção. Harry sentiu um sorriso surgir em seu rosto ao ver seu pai sorridente, os braços em volta dos ombros de Sirius e Remus.
Mas havia algo de errado ali. O quarto, além de sujo e empoeirado, havia sido claramente revistado. Objetos estavam tortos, e o conteúdo das gavetas estava completamente espalhado pelo chão. Harry agachou – se próximo de uma pilha de papéis, e achou uma carta de Lily.
XXX
Sarah se encontrava na última porta daquele mesmo andar. Acordara no meio da noite por causa de um pesadelo, e fora até Kretcher para conversar. O elfo levou – a até o último andar, e mostrara aquele lugar. Era uma espécie de sótão, pouco usado até mesmo na época em que a casa estivera ocupada. Estava cheio de coisas antigas, desde roupas até certidões antigas e livros. Além disso, havia uma única janela, emperrada pela falta de uso, mas que servia para o luar e estrelas entrarem no quartinho com sua luz.
A garota estivera completamente perdida em pensamentos, olhando o quadro mofado de uma mulher família Black particularmente parecida com ela. De certa forma, aquela era uma companhia, e fez o estranho sentimento de solidão que tomara Sarah naquela madrugada diminuir um pouco, embora ela ainda sentisse um aperto no peito. Bufou. Era o excesso da presença da alegre e unida família Weasley mostrando seu efeito patológico nos solitários.
Ela mal pensava na hora, quando ouviu um barulho de fora da porta. Seu primeiro impulso foi sair do cômodo, mas deu de ombros. No mínimo era Harry, bisbilhotando, e Sarah estava relaxada o suficiente para não mandar ele se preocupar com o próprio nariz. Só se moveu quando os gritos da Sra. Black ( ainda não se acostumara a pensar nela como sua avó) ecoando pela casa, o que indicou que talvez eles estivessem a sua procura. Resmungando, ela levantou – se, deu uma última olhada para o quadro, e saiu.
XXX
Quando o recente silêncio do corredor chegou a seus ouvidos, Sarah desceu até o primeiro andar, e pode entreouvir Harry.
- Conte – me tudo que sabe sobre Regulus...
Franzindo o cenho, a garota foi até a cavernosa cozinha e abriu a porta. A cena que se desenrolava parou, e Harry olhou para ela, surpreso:
- Onde você estava? Bom, que seja, descobrimos quem é R.A.B!
- Quem?
- Seu tio Regulus. Ele tinha o medalhão verdadeiro, Sarah.
Intrigada, a garota sentou – se e equilibrou – se nas pernas traseiras da cadeira para escutar. A narrativa que se seguiu foi assustadora e dolorosa. Ela sabia como era. O desespero de querer sair, a tristeza de perceber que não tem volta, e a única maneira de sobreviver é fugir, e ainda assim a vida não é uma certeza... Quando Kretcher começou a se punir, Harry tentou acalmá – lo. Sarah levantou – se num pulo.
- Kretcher, fique quieto.
O elfo calou – se como se tivesse sido enfeitiçado para isso, limitando – se a mostrar o desespero nos olhos grandes, encarando – os assustado.
- Hum, obrigado, Sarah. – Harry começou – Kretcher, eu quero que você, por favor, encontre Mundungus Fletcher. Precisamos descobrir onde o medalhão, o medalhão do Senhor Regulus, está. É realmente importante. Queremos terminar a tarefa que o seu senhor Regulus começou, queremos... hã... garantir que ele não tenha morrido em vão.
Ficou decidido, e Kretcher se foi.
