Cap 10- Um sono bem merecido.

-Espera- disse-então vocês são os gêmeos de Ares? Os que desapareceram?

-Bem...- disse Joseph- estamos aqui a bastante tempo, então acho que podemos nos considerar desaparecidos...

-Oh puxa!- disse, invadida pela felicidade de ter cumprido meu objetivo- fui enviada para achá-los!

Os gêmeos se olharam como se estivessem dizendo "grande coisa!".

-Bom, você nos achou- disse Mario- mas como vai voltar? Está presa, como nós.

Era uma boa pergunta, olhei para os lados e vi que a sala onde estávamos não tinha nem porta. Não tinha sequer uma entrada de ar, como aqueles gêmeos conseguiram ficar aqui sem sufocarem?

Dei um longo suspiro.

-Nisso eu vou ter que pensar- disse

-Estamos aqui a tempo o bastante para já termos pensado em tudo- disse Joseph- só há uma saída, aquela pequena portinha lá em cima, da qual a harpia te trouxe.

-E não dá pra fazer uma corda de lençóis ou algo assim?- disse- essa sala é tipo uma cama gigante, deve ter muitos lençóis...

-E tem.-disse Mario- mas mesmo que consigamos alcançar a portinha, ela só abre por fora.

Cruzei os braços enquanto pensava.

-Isso quer dizer que precisamos de um plano...-disse

-Hunf, boa sorte com isso-disse Mario enquanto se levantava e ia para outra parte da sala.

Eu fiquei olhando confusa ele ir embora, Joseph sorriu e se sentou ao meu lado.

-Não liga para ele- disse ele- meu irmão está irritado, nós estamos presos aqui a tanto tempo...

-Ah... certo.

-Não consegue pensar em nada, não é?

-Minha cabeça está vazia...

-É lógico, deve estar exausta- disse Joseph, e, agora que ele mencionou, estava mesmo-Olhe, quer um conselho? Durma um pouco.

-Dormir? Mas...

-Você esta cansada, não esta? E assim poderá pensar melhor quando acordar- disse ele- e os sonhos muitas vezes guardam muitas surpresas. Principalmente para meio-sangues

-Só que...- eu ainda não estava convencida- e se algum monstro...

-Ah! Com isso não precisa se preocupar- disse Joseph- nós estamos aqui a mais de uma semana e ainda não fomos comidos! Não sei o porque, mas de certa forma vamos ficar bem.

Eu me calei, mas duvidava que eu conseguiria dormir naquela situação, principalmente se formos pelo fato de que Daven poderia estar em perigo!

-Não, eu não vou...

Fui interrompida por uma almofada que voou na minha cara.

-Você é muito teimosa sabia?-disse Joseph rindo

-Sabia- respondi

-Aproveite que já esta com um travesseiro na mão- disse ele- e vá para os braços de Morpheu!

Ainda rindo Joseph foi embora para o lado de seu irmão carrancudo. É engraçado eles serem tão iguais e ainda sim tão diferentes, acho que isso acontece com todos os gêmeos... enfim, acabei cedendo a ele e resolvi tentar dormir nem que fosse um pouco.

Lembram do que eu disse lá em cima? Que eu não ia conseguir dormir? Logo descobri estar redondamente enganada.

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No meu sonho, estava em um barco no meio de uma tempestade e em um mar em fúria.

Mas apesar do sonho ser meu, eu não estava lá. Estava vendo tudo de fora, como se fosse um filme. O barco era meio grande, mas nada luxuoso, os marinheiros trabalhavam duramente para enfrentar a tempestade, a força do mar balançava o barco perigosamente enquanto as ondas alagavam o través.

Definitivamente, não era um lugar que eu gostaria de estar.

Do convés do barco, tentando se proteger, saiu um garoto de aparentemente a minha idade que usava roupas surradas. Nada de anormal, exceto, claro, o fato dele ter cabelos brancos, mesmo sendo um adolescente.

O cabelo dele me intrigou, nunca tinha visto alguém jovem de cabelo branco, será que ele era albino?

Ele se segurava nas caixas de mercadorias da embarcação, tentando não cair com o balançar do barco. Porém uma onda enorme os atingiu e a água invadiu toda a embarcação, e a força do impacto fez o garoto cair na água.

Foi nessa parte que meu sonho foi interrompido

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Senti minha cabeça girar, ainda zonza por causa do sonho anterior. Olhei em volta e vi que não estava na minha prisão.

Estava em um algum lugar escuro, parecia ser uma floresta. Do ponto onde eu estava, saiam três trilhas, três caminhos diferentes. Uma encruzilhada? Pensei

-Ah! Você chegou, Selena.

Olhei para o lado, e vi uma mulher olhando para mim.

Ela estava sentada em uma pedra e ao seu redor havia uma grande matilha, usava um vestido que acho que saiu da Idade Média, era preto na parte que ia do busto à saia, e o resto do vestido era vermelho, com mangas estufadas que a faziam parecer com uma princesa, também tinha um cabelo vermelho que ia até a cintura e olhos bem verdes.

A mulher olhou pra mim, e sorriu.

-Desculpe tirá-la do outro sonho tão bruscamente- disse ela- apesar de que não era um dos melhores, não?

-Eu...- disse- ainda estou sonhando?

-Ah, está sim.- disse ela enquanto tirava um pouco de cabelo dos olhos

-Você...- disse- quem é você?

Ela riu como se a minha pergunta fosse a coisa mais engraçada do mundo.

-Tem certeza que não sabe?

Prendi a respiração por uns instantes antes de respondê-la.

- Hécate.

Ela sorriu enquanto concordava com a cabeça.

-Aproxime-se- disse Hécate enquanto estendia a mão.

Quando comecei a andar na direção dela, a matilha a sua volta se agitou e os cães começaram a sair de seus lugares para abrir um caminho até a minha mãe. Me senti meio desconfortável ao ver tantos olhos caninos me encarando mas eu tentei ignorar o máximo que pude, o cachorro que estava deitado aos pés de Hécate levantou-se para me cumprimentar.

"É muito bom vê-la de novo, querida"

-Hécuba!- disse ao reconhecê-la

"Oh! Fico feliz que lembre-se de mim"

-Ah, já conheceu minha companheira!- disse Hécate- cães não são companheiros maravilhosos? Não sei o que seria de mim sem os meus...

-Ahn... por que me chamou aqui... mãe?

Ou melhor dizendo, por que me abandonou em um orfanato qualquer e agora de repente quer falar comigo?

-Ah certo- disse ela- tenho coisas importantes para falar com você, querida, mas uma coisa de cada vez. Primeiramente, quer sentar-se?

Incomodou-me um pouco ela me chamar de "querida", mas decidi ignorar.

-Eu estou bem assim.

-Bom, se assim preferir...- disse Hécate

Ela deu um longo suspiro antes de ajeitar sua madeixas ruivas.

-Bem, essa sua missão deve ter lhe mostrado que andam acontecendo uns... problemas. No mundo todo, pessoas estão desaparecendo...

-Sim- respondi- e também há o covil de monstros em que eu estou presa.

-Exato- disse ela- os monstros estão se reunindo, Selena, e isso é preocupante. Monstros só trabalham juntos se alguém os reúne. E até mesmo os que estão presos no Tártaro estão se agitando.

Há 60 anos, algo parecido aconteceu...

-A Segunda Guerra dos Titãs- disse

-Sim, a Guerra dos Titãs- disse Hécate- na época, aquele que reunia os monstros era Cronos. Os deuses perceberam o que estava acontecendo muito tarde, e isso quase custou o Olimpo. Sabe como o Olimpo foi salvo da última vez?

-Pelos... semideuses?

-Semideuses. Vocês não são chamados de "heróis" por nada, sabia? Do mesmo jeito que causam problemas vocês também os resolvem, por que acha que os deuses iriam construir um acampamento só para vocês? Por mais que Zeus ou qualquer outro dos deuses chatos neguem, precisamos de vocês.

-E... onde eu entro nisso?

-Em tudo!- disse Hécate- na última Grande Batalha, eu lutei contra o Olimpo, pois o mesmo nunca se deu o direito de respeitar! Graças a Percy, hoje sou mais respeitada, então vou lutar com o Olimpo dessa vez, mas...

-Mas o que?- perguntei

-Antigas desavenças não são facilmente esquecidas- disse ela- eles vão desconfiar de mim, e quem sabe até neguem minha ajuda, preciso provar a eles que estamos do mesmo lado e é aí aonde você entra.

-Mas o que eu posso fazer?

-Você será minha campeã- disse Hécate- eu sou a deusa do destino, então, quando você nasceu soube na hora que você teria um grande papel no futuro. Apesar de que eu não precisava ser a deusa do destino para saber disso, seu talento excepcional já levanta suspeitas de sua importância.

-Destino? A senhora vê o futuro?- perguntei sem nem pensar.

-Destino e futuro estão ligados, mas não são a mesma coisa- disse ela- o futuro eu deixo para as Moiras e para Apolo e seu oráculo, o destino, além de poder ser alterado, é mais subjetivo. Mas não é esse o nosso assunto, a questão é que eu precisarei de você quando o próxima guerra acontecer – e ela acontecerá, não duvide disso – mas para isso você vai precisar ser mais do que é hoje.

-Está dizendo que eu não sou boa o bastante?- disse me ofendendo.

-Ainda não és uma grande feiticeira- disse Hécate, ainda sem tirar o sorriso gentil do rosto- mas isso pode ser mudado.

Suspirei cansada agora desejando ter aceitado um lugar para me sentar, e agora, o que ainda vou ter que fazer? Pensei

-Você foi poupada pelos monstros por ser uma feiticeira, fizeram isso pois feiticeiras são valiosas, sabe o por que?

Pensei um pouco, mas depois de um tempo vi que não tinha resposta. Quando disse que não sabia, Hécate assentiu.

-Natural- disse ela- pois você ainda não tem as habilidades que fazem uma feiticeira ser valiosa.

-Mas... eu sou boa em magia, falo a Língua Antiga quase fluentemente e...- eu protestei, mas ela levantou a mão e eu parei de falar.

-Eu sei de tudo isso, mas...- Hécate não terminou a frase, ela pareceu pensar antes de de continuar- vou fazê-la entender o que eu quero dizer, que tipo de feitiços você usa?

-Bem, uma vez usei plantas para prender uns caras do chalé de Ares...

-Coisa que qualquer Sátiro, um filho de Démeter ou de Perséfone e até uma dríade faria- disse ela, depois fez um sinal para que eu continuasse.

-Eu já levitei eu e Daven para sairmos de um porão- disse

-Coisa facilmente feita por um filho de Éolo, ou de Zeus.- disse Hécate

-E há pouco tempo atrás usei pedra para fazer uma prisão- "Não deu certo" pensei "mas era essa a intenção" , eu já adivinhava o que ela diria.

-Coisa facilmente feita por um filho de Hades- disse ela- entende o que estou tentando lhe dizer? O feitiços que você usa podem ser facilmente feitos por outros. Controle de água? Um filho de Poseidon seria bem melhor que você, plantas? um filho de Démeter, terra? um filho de Hades, ar? um filho de Zeus. Acha mesmo que são por essas habilidades que as feiticeiras são tão procuradas?

-Não- respondi, era triste, mas ela tinha razão.

Hécate se levantou da pedra na qual estava sentada, e começou a andar por entre seus cães, ela fez um sinal com a mão para que eu a acompanhasse. E foi o que fiz. Foi estranho. Os cães dela nos reverenciavam por onde passávamos, mas Hécate parecia bem confortável.

-Agora vamos pensar nas grandes feiticeiras, você as conhece?- recomeçou ela

-Algumas...

-Ótimo. E que tipo de feitiço ela realizavam?

-Bem, Circe transformava os homens em porcos, não é?

-Sim, mas hoje ela gosta mais de porquinhos-da-índia -comentou Hécate

-Também tem uma tal Medeia, lembro que ela dá a Jasão uma armadura que o protege de...- eu não lembrada do que.

-Não foi uma armadura, foi um bálsamo, e ele o protegia do fogo e do ferro- disse Hécate- e ela também era ardilosa, e não media esforços para conseguir o que queria. Medeia queria ficar com Jasão, e enganou, manipulou e matou quantos foram necessários para que conseguisse ficar com ele. Mas não apenas Medeia como também Jasão foram castigados por esses crimes, e Jasão não a perdoou por isso...- Então ela balançou a cabeça como se dissesse "isso não é importante"- quanto a magia, ela era bem singular, usava a magia que fosse precisa para que ela conseguisse o que queria, mas a que Medeia era melhor era na arte de enfeitiçar objetos.

Então Hécate parou de andar, e olhou diretamente para mim.

-É por esse tipo de magia que as feiticeiras são essenciais, principalmente em uma guerra, e isso para ambos os lados. Na última guerra, eu fui a primeira dos deuses menores que Cronos buscou.

-Mas...- protestei

-Qual é o problema?- perguntou ela

-Tanto Circe quanto Medeia foram conhecidas por serem más! E a senhora quer que eu me espelhe nelas?- disse- a senhora não queria que eu aliviasse sua barra com o Olimpo? E agora quer que eu use a mesma magia que...

Hécate suspirou.

-Não culpe o tipo de magia, Selena, o poder não tem nada a ver com o caminho que elas escolheram tomar. Não é a magia, e sim o modo que ela é usada- disse ela olhando bem dentro dos meus olhos- as grandes feiticeiras não foram sempre más, mas foram as que fizeram coisas ruins que ficaram conhecidas, coisa que, mais tarde, gerou o preconceito com bruxas- nessa hora, Hécate olhou para o céu recordando do passado- os EUA era um horror nessa época, visito sempre aqui no Mundo Inferior minhas seguidoras que foram mortas injustamente! Enfim, o caso é, a magia que você usa, a com palavras na Língua Antiga, querida, é o básico do básico.

-O que a senhora quer que eu faça?- perguntei esquecendo de que estava falando com uma deusa- que eu vá até Circe e seja aluna dela?

-Oh, não! Isso seria uma tragédia!- disse Hécate- não vai ser ensinada por Circe, meu bem, e sim por mim.

-Pela senhora?

Ela riu com a minha surpresa

-Aprenda agora isso, Selena, eu nunca faço as coisas como os outros deuses fazem, por isso eles não me compreendem... sabia que sou conhecida como A Incompreendida?- disse Hécate- não há ninguém vivo que possa lhe ensinar isso de forma que você use o conhecimento de uma forma melhor que suas irmãs, então eu mesma o farei.

Só percebi que estava de boca aberta quando Hécate estendeu a mão para fechá-la. Mas é que tava difícil absorver a informação.

-Primeiro, vou lhe ensinar um pouco de cada, depois escolherei algo para que você se especialize...-continuou ela ignorando minha expressão incrédula- antes de mais nada, preciso que você, por favor, pare de usar a Língua Antiga.

-E como quer que eu faça magia? Com a força do meu pensamento?- disse, puxa, eu a estou desafiando muito ultimamente.

Ela nem ligou de eu a estar desafiando, na verdade pareceu até satisfeita.

-Exatamente, pelo pensamento, é assim que as grandes feiticeiras fazem magia.

Minha incredulidade aumentou

-E como é que se faz isso?

Hécate me olhou por um segundo, depois disse

-Se eu lhe perguntasse como levantar um braço, saberia me responder?

A pergunta me pegou de surpresa, como se levanta o braço?

-Não se pode responder essa pergunta- disse ela depois que eu fiquei um tempo calada- na teoria, são os músculos que se contraem para levantar o braço, mas na prática, é algo instintivo, então não se pode explicar, e assim é com a magia por pensamento. É algo instintivo, porém só aparece quando a feiticeira tem consciência do que quer. Meus meio-sangues nunca tiveram professores de magia, por isso nunca tiveram consciência de que basta querer.

"Basta querer" dizia para mim mesma "Basta querer"

-Mas esta ainda não é a minha primeira lição- disse Hécate

Quando dei por mim tínhamos voltado até o ponto de onde começamos, e a deusa sentou-se outra vez em sua pedra.

"O que vai ensinar a ela, Lady?" perguntou Hécuba

-Já vai ver- disse ela- preste atenção Selena, é uma das magias básicas, mas muito importante para feitiços mentais mais complicados. É simples. Colocando magia na voz, pode fazer com que qualquer um faça o que você quer.

-Magia na voz?

-Acumule a energia de Alastor em sua garganta, e sua voz sairá cheia de mágica, convencerá até o Presidente dos EUA a fazer o que você quer- disse ela- alguns filhos de Afrodite podem fazer isso sem magia, e os mesmos são imunes ao feitiço. Mas, desta vez, as feiticeiras são mais poderosas.

Havia tanto mais que eu queria perguntar, como ela iria me ensinar magia? Como eu iria praticar? Quantos tipos de magia existia? Quais são todos os poderes de Alastor?

Mas, antes que eu pudesse perguntar, todo o lugar a nossa volta tremeluziu, como uma TV ficando sem sinal.

-Parece que alguém está lhe acordando...- disse Hécate

-Não, espera! Uma última coisa!

-O que?- o sonho tremeluziu de novo

-Quando eu recebi Alastor, a senhora me mandou o endereço do senhor Alexander, ele nos ajudou muito, mas por que a senhora quis que eu o visse?

-Ah... bem, eu achei que você gostaria de conhecer o seu pai- agora a "imagem" do sonho estava uma confusão de cores- tenho que ir. Boa sorte.

Esse saiu BEM MAIS RÁPIDO não é? Bem, estou de férias, então estou com TEMPO.

Talvez o tempo acabe, talvez não, dependendo de como vai ser a minha viagem...

Enfim...

BOAS FÉRIAS PARA TODOS!

E reviews né? Não se esqueçam! Elas me inspiram, me fazem feliz e os dedinhos não caem!

Kiss