Título: AFTER ALL – BECAUSE YOU LIVE
Autora: Samantha Tiger Blackthorn
Casal: Harry e Draco
Classificação: NC-17, Romance, Angst, Violência Física e Psicológica.
Resumo: Harry o trouxe de volta, com o seu Amor. Descobriram que o Amor é a maior dádiva que recebemos, ele é a dor da alma e é ele também o portador da suprema felicidade.
Aviso 1: Essa estória é Slash, ou seja, mostra o amor entre dois homens. SE NÃO GOSTA, NÃO LEIA.
Beta: Lady Anúbis
Disclaimer: Essa história é baseada nos personagens e situações criadas e pertencentes a J.K. Rowling, várias editoras e Warner Bross. Não há nenhum lucro, nem violação de direitos autorais ou marca registrada.
Dedicatória: Essa fic é a continuação de After All e também foi escrita para Meu Amor, Felton Blackthorn. Meu anjo, sempre que eu puder realizarei os seus desejos. Tomara que você goste...
Aviso 2: Neste mês eu e o Felton comemoramos um ano de casados no dia 28 de Novembro. Por isso Amor:
FELIZ ANIVERSÁRIOOOO!!!
Dedicatória Especial
Este capítulo é dedicado à uma Amiga muito Especial, sem a qual eu não teria chegado até aqui. Ela tem sido incansável no seu apoio, incentivo e carinho. À minha querida beta Lady Anúbis, grávida de cinco meses e mesmo com todas as implicações decorrentes disso me deu a maior força. Adoro você, querida.
AFTER ALL – BECAUSE YOU LIVE
Capítulo 10 – Pontaria Certeira
- Para mim também Draco. Eu sempre desejei você, fazê-lo meu. – Passou a mão pelo rosto de Draco, toda a ternura nesse gesto. O seu olhar sério, fixado nos olhos dele. – Mas eu tenho que lhe falar a verdade... Por mais difícil que seja. Estou doente. Tenho tido esses surtos de mal estar faz tempo, quase que desde que chegamos aqui. Eu escondi por que... Não queria que você ficasse preocupado, não queria que se estressasse. O médico disse que se passasse por outro estresse poderia ativar as piores lembranças. E eu sabia de tudo, eu... Eu vi... Na memória de Nott... Desculpe, Eu não podia contar. Eu tinha medo que você se lembrasse, medo do que aconteceria se isso acontecesse. Principalmente por que... Eu acho... Acho que estou morrendo. – Os olhos verdes se encheram de lágrimas. – Quero dizer que... Mesmo que isso aconteça, eu amo você com toda minha alma.
- Shhhhh! Calma, não quero que você se agite. – Draco estava preocupado, tinha que lhe contar... – Eu sei, sei de tudo isso, se acalme. Nós estamos juntos, isso é o mais importante. E seja lá o que for que tivermos que passar, nós o faremos juntos. Mas eu também tenho algo para contar e nós temos algo para decidir. Ainda temos alguns dias...
- Vocês descobriram o que eu tenho... – Apertou as mãos, ansioso. – O que é?
- Você acha que está doente, eu sei. É perigoso somente se não tomarmos os devidos cuidados, pode chegar a matá-lo.
- Você diz que é perigoso, é grave? Diga o que eu tenho!
- Harry, fique calmo, vou tentar explicar do modo que eu entendi. – Draco falava de modo a tranqüilizá-lo. – É grave por que faz com que sua pressão suba de modo alarmante, isso pode afetar o coração, os rins, até o cérebro, por isso você precisa de cuidados constantes. Sem falar na anemia aguda. Se não tivessem chamado a Dryade você teria morrido.
- Fiquei muito tempo inconsciente, não é?
- Demoraram a descobrir o que você tinha. Os sintomas da doença camuflavam o diagnóstico correto. A sua magia invalidava os resultados dos exames mágicos e os resultados dos exames clínicos eram tão elevados que se você fosse trouxa certamente não sobreviveria...
- Entendo... Quanto tempo eu tenho de vida...?
- Você não entendeu. – Segurou as mãos do moreno entre as suas. – Merlin! Não sei como contar isso... – E o pior é que a culpa é minha...
- A culpa não é sua. Você não fez nada, eu fiquei doente, só isso... Se eu morrer...
- Pára! Você não está morrendo! Ao contrário... Está criando a vida...
- O quê...? – Os olhos de Harry foram se arregalando conforme as palavras iam fazendo sentido. – Você disse...? Eu entendi... Bem?
- Eu... Eu... Você está grávido! E a culpa é toda minha...
- Mas... Como pode ser possível? Os sintomas... – Harry estava assombrado, de boca aberta.
- É possível. Somos bruxos, lembra?
- Um filho!? Tem certeza??
- Claro que tenho! Eu vi! Na verdade... São dois. Isso é raro, um milagre...
- Grávido...! De dois...? – Pousou a mão protetoramente no abdômen, começando a se conscientizar do significado das palavras de Draco. – Um maravilhoso milagre...
- Por isso você ficou doente, seu corpo não estava dando conta... Você tem pré-eclâmpsia. Se a sua magia não fosse tão forte, você não teria agüentado até agora. Ela protegeu você e as crianças. Mas ainda não está tudo bem...
- Como não...? A doutora disse...
- Disse que você estava estável! Não que estava fora de perigo. Você está muito debilitado! A pressão alta faz o coração acelerar, provoca prostração, cansaço, tontura, enjôos, dores de cabeça e consequentemente falta de apetite. Você não conseguia comer e isso fez com que você ficasse com anemia. Seu corpo teria que manter você e o bebê saudáveis. Nesse caso você e dois bebês. Todos os problemas pelos quais passamos fez com que o quadro se agravasse. Você chegou ao estágio mais grave da Eclâmpsia, teve convulsões e quase morreu.
- Mas não morri... Ainda estou aqui e eles também.
- É maravilhoso... Mas isso pode acontecer de novo e se acontecer, ou você vai morrer ou talvez tenhamos que sacrificar os bebês...
- Não! Isso não! De jeito nenhum!
- Eu também não quero isso, mas não vou agüentar perder as crianças e ainda ficar sem você. Não vou suportar! Se decidirmos levar isso adiante, o caminho não vai ser fácil...
- Eu faço qualquer coisa...
- Eu sabia que você diria isso... Tinha certeza. – Sorriu. – Concordo com você. Por isso até o nascimento dos bebês, a nossa rotina vai ser a mantida até agora: Muito repouso, dieta rigorosa, e todos aqueles cuidados irritantes. Prometo estar com você o tempo todo.
- Vou tentar ser bonzinho e não dar muito trabalho. – Os olhos verdes se desviaram do abdômen liso e se fixaram no rosto à sua frente. – Você ainda não me disse...
- O que? – Draco não entendeu a colocação do moreno.
- Como se sente... – Observou atentamente o rosto do loiro, perdido em confusão. – Os bebês, Draco.
- Não sei... Não pensei... Não esperava... – Só agora o loiro parecia cair em si. Lembrou-se da hora em que Severus pronunciou o feitiço: Revelare Veritas! – Tive tanto medo... Estava... Assustado! A surpresa... Foi tão grande... Depois o alívio... A emoção... – Sentiu o coração bater mais forte e mordeu o lábio inferior, os olhos brilhantes, úmidos. – Só agora... Eu acho... Feliz...!
- Estou feliz também... – Um sorriso enorme adornou seu rosto. – E a culpa disso é sua, só sua. – Sentiu os braços do loiro o envolvendo e os lábios cobrirem os seus...
oOo
Prince's House, 22/03/2006
Maldito merlin! Hoje não foi meu dia. Nunca pensei que chegasse o tempo em que os papéis pudessem ser trocados, que eu fosse responsável e cuidadoso, e Harry tão voluntarioso e cismado... Isso por que faz uma semana que ele me prometeu que não ia dar trabalho... A COMIDA ESTAVA SEM SAL!!! E o que ele esperava? Como se eu tivesse culpa disso. Ele que reclamasse com os elfos, afinal eu não cozinho, a comida vem toda de Hogwarts. Dryade foi quem deu as ordens a cerca da dieta dele... Com a pressão muito alta, sal é um ingrediente fora de questão. Céus! Pelas contas da Dry, ontem ele completou três meses de gestação, ainda faltam seis! Não sei se vou sobreviver a isso...
Prince's House, 02/04/2007.
Ah, hoje fomos dar uma caminhada no bosque. O clima pela manhã estava ótimo, nem frio, nem muito quente, finalmente sem neve. Estava tão bonito, as flores desabrochando, as folhas brotando, tudo se renovando. Essa primavera marca para nós uma nova oportunidade, uma nova vida. Estamos juntos e desta vez não há mais segredos e mentiras entre nós. E eu que pensava que minha linhagem e a dele terminariam conosco... Agora teremos uma família de verdade...
Prince's House, 14/04/2007.
Aaaarrrrggghhhh! EU VOU ARRANCAR A CABEÇA DE ALGUÈM!!! Calma Draco, calma. É preciso conservar o juízo intacto... Aqueles dois... AMIGOS dele vieram aqui hoje. Eu tive ganas de assassino! Ele já estava impossível sem ajuda deles, agora está insuportável! Eles fizeram tudo para mimá-lo! Aquele Pobretão trouxe roupinhas para os meus filhos... VERMELHAS E COM O ESCUDO DA GRIFINÓRIA!!! Meus filhos não vão usar aquilo. O pior foi não poder falar nada e ter que sorrir como se tivesse adorado, para não contrariar Harry. E aquela sang... Outch! Aquela grifinória sabe-tudo trouxe os biscoitos preferidos dele, de chocolate recheados com creme de baunilha. Vários pacotes! BISCOITOS TROUXAS! Nada demais...! Oh, nãããão! Ele adora, é claro! Mas essas porcarias têm sal no conservante, um veneno no caso dele... Agora vou ter que restringir ainda mais a sua dieta por alguns dias, e é claro que ele vai reclamar da minha crueldade... Respira Draco, toda calma nessa hora, estamos quase completando quatro meses...
Prince's House, 05/05/2007.
Aw!!! Hoje foi um dia tão lindo! Estávamos lá fora, sentados no jardim, tomando o sol da manhã. Coloquei uma das espreguiçadeiras entre os canteiros floridos, no gramado. Do jeito que ele gosta. Eu estava sentado e apoiado no encosto, com Harry encostado em mim e as pernas estendidas para frente, apoiadas numa almofada. Estávamos conversando, com as mãos acariciando a barriga dele e então... A pele sob as nossas mãos vibrou! Nós ficamos surpresos, foi a primeira vez que os bebês se mexeram... Harry ficou tão emocionado... E eu... DROGA, eu fiquei todo derretido, são meus filhos! Foi como se falassem conosco, como se dissessem: Estamos aqui!
Prince's House, 23/05/2007.
Nossa! Como estou cansado. O susto foi muito grande, tanto para Harry quanto para mim. Ele escorregou no banheiro, depois do banho esta noite, bateu as costas com toda força na parede. Está todo dolorido pelo esforço de se equilibrar e não se deixar cair no chão sentado. Aos cinco meses de uma gravidez complicada seria muito perigoso... A Dryade o colocou em repouso absoluto por três dias, em observação ostensiva... Ela está aqui com ele, me mandou descansar, mas não consigo relaxar e dormir. Parece que ainda estou com a adrenalina circulando no sangue. Deu um sedativo leve para ele, por precaução. Não queremos que o problema da pressão se agrave de novo. Estamos de volta aos benditos monitores e apetrechos hospitalares... Pelo menos por três dias.
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Draco e Dryade tinham acabado de tomar um lauto café da manhã, a mesa posta na suíte, depois de muita insistência da doutora. Não que Draco tivesse muito apetite, mas ela fez questão que ele se alimentasse de acordo, sob a supervisão dela.
- Dryade vai descansar. Já está amanhecendo, eu posso cuidar dele sozinho.
- Mas você não dormiu nada esta noite, nem a noite passada...
- E não vou conseguir enquanto ele não melhorar. Da outra vez que ele passou mal, o achei no banheiro desmaiado. Fiquei três dias sem conseguir dormir direito, com medo que ele piorasse e eu não percebesse...
- Mas ele está bem, os bebês estão a salvo, foi só um susto. Ele deve acordar hoje... – Percebeu que o loiro estava irredutível. – Deve manter a dieta e ele não pode sair da cama. Qualquer coisa que precisar me chame.
- Fique tranqüila, eu dou conta. – Sentou-se à beirada da cama. – Pode ir sossegada. – Viu-a sair e fechar a porta.
Suspirou profundamente. Nessas horas não sabia o que fazer. Sentia-se perdido diante dessa situação. Sentou-se na cabeceira com seu livro nas mãos e ajeitou o seu travesseiro as suas costas. Só restava deixar o tempo passar até que acordasse... Ao fim de duas horas, sentiu a mão dele pousando leve sobre sua perna.
- Como você está? – Deixou o livro de lado, entrelaçando os dedos na mão dele, observando os olhos se abrirem e o fitarem.
- Como estão as crianças... – O olhar era aflito.
- Elas estão muito bem, e você?
- Dolorido... Parece que tomei uma surra.
- É normal, o impacto somado à tensão muscular deixaram seu corpo assim. Mas a Dry falou que está tudo bem, você só precisa ficar de repouso absoluto hoje e amanhã. Ela também disse que você deveria se alimentar bem... – Sorriu divertido ao ver a careta do moreno.
Ele tentou se apoiar e sentar, mas não conseguiu... A dor nas costas era muita para esse esforço.
- Não faça isso, deixa que eu ajude. – Deu a volta na cama e colocou o braço em torno do tórax, por baixo das axilas, levantou-o e arrumou os travesseiros. Puxou o corpo e encostou-o neles, deixando bem confortável. – Que tal um suco para começar? – Foi até a mesa e encheu um copo grande com suco de laranja.
- Tudo bem... Estou com sede. – Estava tão esgotado que até levantar o braço para segurar o copo era doloroso, tendo de ser auxiliado pelo loiro. – Deixa o copo aí ao lado, fica aqui comigo. – Draco sentou-se ao lado dele. – Você está abatido, com olheiras...
- Acha que eu ia conseguir dormir depois do susto que nós levamos? – Abraçou-o pelos ombros. – De agora em diante não o deixo mais sozinho... Pra nada, entendeu?
- Calma Draco, não seja super protetor, foi um acidente. – Beijou-o na bochecha. – Você não pode ficar de olho em mim vinte e quatro horas por dia... E tem certas coisas que não dá pra fazer com você junto... – O loiro corou ao ouvir aquilo.
- Mas pode ter certeza de que vou estar por perto... – Uma batida na porta os interrompe. – Entre...! – A porta se abre e Dryade entra.
- Que bom que acordou Harry. – Examina o moreno com atenção. – Fiz com que repousasse por mais de vinte e quatro horas, para que você relaxasse por completo e o seu corpo não se ressentisse tanto. Está sentindo muita dor?
- Acabei de comentar com Draco que parece que levei uma surra, me sinto exausto e dolorido.
- Mas é claro que vai ficar dolorido... O impacto foi forte, você está pesado para sua estrutura. De resto está tudo bem, não precisam se preocupar. Só continuar tomando os cuidados de costume. – Ela puxou uma cadeira e sentou. – Eu vim ver se você estava acordado e disposto para receber visitas hoje.
- Visitas de quem? – Pergunta o loiro alarmado. – Granger e Weasley?
- Não... Severus e o Senhor Lupin... Ele está ansioso para vê-lo, disse que faz mais de três meses...
- Severus e Remus! Claro que eu estou disposto, adoro receber os amigos.
- Eles virão para o chá, à tarde. Depois do almoço eu volto para checar seu estado.
- Não quer almoçar conosco? Sei que tenho sido um paciente difícil...
- Paciente difícil? Uma amiga minha costumava dizer que mulheres grávidas são bichos esquisitos... Você não imagina o que é uma mulher grávida! Você é um caso raro Harry, raro e complicado. Gravidez gemelar em um homem! Gostaria de ficar para almoçar com vocês, mas já combinei com Madame Pomfrey de almoçar no castelo. – Foi se encaminhando para a porta. – Alimente-se bem, viu? – E sorrindo divertida acrescentou... – Draco, faça-o comer.
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Era quase hora do chá quando eles chegaram, era mais ou menos quatro e meia. Como Harry estava impossibilitado de sair da cama, eles foram recebidos na suíte mesmo. Draco já tinha providenciado para que o chá fosse servido lá. O loiro estava na cama sentado ao lado de Harry, conversando, quando bateram na porta.
- Entre! – Os dois disseram juntos.
- Harry! – Dryade abriu a porta e Severus e Remus entraram por ela, este último muito ansioso. – Como você está? Severus me contou que você caiu... – Severus rolou os olhos. – Avançou pelo quarto e sentou na beirada da cama, pegando as mãos de Harry. – Dryade e Severus entenderam-se no olhar e se retiraram para o laboratório.
- Oi Remus. – Harry sorriu. – Está tudo bem, foi só um susto...
- Um susto muito grande, não é? – Draco opinou ainda estressado. – Quase caiu... Mas eu já disse que de agora em diante vou ficar de marcação cerrada.
- Isso mesmo Draco, olho nele... – Harry fez bico diante da provocação de Lupin.
- Viu? Até ele acha que eu tenho razão
- Oh, obrigado Remus! – Cruzou os braços impaciente. – Agora sim é que ele vai ficar no meu pé. Já não basta ele me entupir de comida e líquidos o dia todo, quase me carregar pra qualquer lado que eu vá dentro de casa; depois do que você disse até no banheiro ele vai querer me seguir!
Remus caiu na risada ouvindo as provocações de um para o outro, constatando o quanto estavam felizes. Conversaram por alguns minutos animadamente, até Draco achar educado se afastar para que eles conversassem sozinhos, enquanto ele ia à cozinha buscar o chá. Assim que ele saiu os dois se sentiram a vontade para conversar com mais intimidade.
- É incrível o que essa notícia fez por vocês. Principalmente por ele, nota-se que está mais equilibrado, mais calmo... – Observou o rosto do moreno se abrir num sorriso doce. – Mas continua exagerado.
- E está super protetor também, não me deixa fazer nada, se preocupa o tempo todo comigo. Tenta satisfazer todos os meus desejos e faz um esforço danado para não perder a paciência com as minhas manhas.
- Você é uma pessoa de hábitos e gostos muito simples e essenciais, não deve ser difícil.
- Posso ser bem caprichoso, sabe? É essa imobilidade forçada que me dá nos nervos. Tem uma lista enorme do que eu não posso fazer, do que eu não posso comer, tenho horário pra tudo... E Draco é exigente e maníaco com regras.
- Ah, entendi. Esse é o cerne do problema, não é? Os Potter costumam ser insubordinados ao extremo... Seu pai era assim também.
- E daqui pra frente vai ficar ainda pior, meu corpo e meu peso vão restringir ainda mais minha mobilidade, o que eu posso ou não... Ainda por cima nem tenho mais posição pra dormir!
- Entendo...
- Não entende! De bruços não dá... Por motivos óbvios. De barriga pra cima sinto falta de ar, preciso dormir recostado; se eu levanto o tronco, os pés incham, aí tenho que colocar almofadas nos tornozelos para melhorar a circulação... De lado é o melhor modo, mas só dá pra dormir virado pra beirada da cama, do outro me sinto sufocado. É impressão, eu sei, mas não consigo fazer de outro modo. – Harry bufou impaciente.– E toda noite... Ele encosta atrás de mim e passa o braço na minha cintura, e aí... – Corou como um adolescente. – Só sei que estou cada dia mais irritadiço... E mesmo assim ele está sendo muito compreensivo.
- É impressão minha ou você fica pior quando ele se encosta e abraça você pra dormir? – Remus riu ao vê-lo ficar vermelho e desconcertado.
- É... É isso mesmo. Fica difícil dormir por que... Algumas coisas no meu corpo mudaram, mas o modo como me sinto com ele não. Quando ele me toca eu... Eu...
- Pega fogo! Tenho certeza que ele também se sente assim Harry. É só uma questão de adaptação e de paciência também. Você acha que ele está insatisfeito?
- Não! Não sei... Acho que não... Ele tem sido tão carinhoso, mas me sinto muito frustrado por não conseguir fazer mais...
- Da última vez que nos vimos você estava tão deprimido... É tudo coisa da sua cabeça. É visível a felicidade dele e você também está radiante. Isso é o mais importante.
- Você pode ter razão. – Harry relaxou contra os travesseiros. – Mudando de assunto... Da última vez que nos vimos até agora aconteceram tantas coisas, quase me esqueci de perguntar: você disse que estava quase certo do livro que continha a maldição de Lúcius, você o achou?
- Achei. Mandei para Severus...
Draco entrou pela porta, acompanhado de Dryade e Severus. Escutou o final da conversa e gelou lembrando que não tinha falado nada sobre esse assunto com Harry.
- Estranho, eu não soube de nada... – Fixou o olhar em Draco que colocava o chá e os acompanhamentos na mesa, impassível.
- Desculpe não ter lhe dito Harry, foi nos dias que você estava mal na ala hospitalar. – Sorriu suavemente como se o assunto não fosse importante. – Nem me lembrei mais disso. Depois conversamos a respeito, agora o chá está sendo servido. – Dirigiu-se aos outros educadamente. – Vocês podem se acomodar aqui, eu sirvo Harry e me sento lá na cama ao lado dele.
Foram horas tranqüilas, de conversa agradável. Dryade contando as artes dos alunos da sua época, Remus falando das peças dos marotos, Harry e Draco narrando as suas brigas e peças pregadas um no outro, todos eles provocando os protestos do professor de poções, testemunha viva de todos os acontecimentos... Mas o incrível é que apesar dos protestos ele estava de excelente humor e ria também, apesar de muitas vezes ter sido uma das vítimas.
oOo
Já era noite, depois de terem jantado em companhia dos amigos, restava apenas Draco, Harry e Severus no quarto. A doutora tinha saído para acompanhar Remus.
- Bem Draco, vamos falar sobre o assunto pelo qual esperei até agora. Pensei que não houvesse mais segredos entre nós. Por que não me contou dobre o livro da maldição?
- Já disse, foi um dos dias mais críticos que você passou no isolamento. Fiquei tão impressionado que deletei da memória qualquer coisa que não fosse sobre a sua saúde...
- Acho melhor eu me retirar para que vocês possam ter mais privacidade.
- Não Severus, você pode ficar. Não é uma discussão... Por enquanto. Você sabia sobre o que eu estava fazendo e do meu empenho no caso. – Harry desviou os olhos de seu ex-professor e fixou-os em Draco. – E se não me falou nada sobre o assunto é por que teve um bom motivo para isso. – A voz tornou-se macia. – Não é Draco?
- Oh, está bem. Eu vi o livro, com todas as palavras e instruções da maldição e o modo de quebrá-la. E era tudo tão absurdo, tão impensável, que eu disse a Severus que não queria que você fosse perturbado com esse assunto.
- E onde está o livro agora? Quero vê-lo e acho que você não pode me negar isso.
- Harry, quando esse livro chegou, você estava em estado perigoso, eu o li e achei ser impossível de quebrar o feitiço, e mesmo que eu pudesse criar as condições para que fosse feito eu nunca o faria, nem meu pai o permitiria se pudesse opinar. Ele mesmo preferiria ficar preso nas trevas.
- Acho que eu poderia julgar isso por mim mesmo. Eu gostaria de vê-lo, por favor.
- Como você é teimoso! – Draco estava irritado. – Ela exige o sacrifício de sangue do meu herdeiro! Você sacrificaria a vida do nosso filho pra salvar a alma do meu pai?
- Não! Cla-claro que não! – Harry vacilou, sentindo o coração disparar. – Mas é disso que se trata?
- É Harry, mas eu posso mostrar pra você se você fizer questão. – O loiro notou a respiração dele se tornar mais ofegante. – Eu só não queria aborrecê-lo, tenho evitado isso a todo custo, justamente por que eu soube o tanto que você se empenhou nessa busca.
- Desculpe, estou interrompendo algo? – Dryade pára na soleira da porta e nota a leve palidez do moreno e a respiração alterada.
- Não Dry. Entre por favor. – O loiro se alivia com a presença dela. – Harry está um pouco chateado, só isso. Tudo por causa de uma maldição que foi lançada em meu pai quando morreu. Encontramos o livro que fala dela. Harry estava muito empenhado para encontrá-la e eu não contei a ele justamente para evitar que ele se aborrecesse.
- E onde está o livro? Deixe que ele o veja, por que já está alterado com esse assunto.
- Na verdade está aqui. – Todos se voltaram para Severus. – Eu o trouxe e deixei na estante atrás da escrivaninha, lá na sala.
- Então vá buscá-lo Severus, por favor. – Dryade aproximou-se e verificou a pressão de Harry, conferindo o pulso no monitor.
Ele se levantou e foi até o cômodo contíguo buscá-lo. Foi e voltou em poucos minutos, entregando o livro ao moreno ansioso. A página estava marcada, o livro praticamente se abriu sozinho. Harry leu atentamente, seu semblante ficando tristonho, por perceber que Draco não poderia salvar a alma do pai.
- Você tinha toda razão meu amor. Compreendo seus motivos. – Harry fechou o livro desolado e Draco sorriu solidário com os sentimentos dele.
- Não fique chateado, querido. Meu pai ficaria feliz para sempre nas trevas, só de saber o quanto nós fomos agraciados. Ele ficaria orgulhoso de saber dos netos e não iria querer que nada de mal acontecesse a eles.
- Eu posso ver? – Dryade não conseguiu evitar perguntar, percebendo logo a gafe que cometera. – Desculpe a indiscrição, vocês devem estar achando que sou uma grande atrevida.
- Não tem problema, se achássemos que seria indiscreto, não falaríamos do assunto na sua frente. Pode ver. – O loiro passou-lhe o livro.
Ela leu atentamente. Prestando atenção a cada sílaba, cada vírgula, cada ponto. Leu três vezes e fitou os olhos verdes intensamente.
- Aqui não fala de sacrifício, não menciona essa palavra nem uma vez.
- Como não? Fala do sangue de um herdeiro recém nascido. Significa que é preciso um sacrifício de sangue, isso é essencial pra quebrar a maldição. Por isso aquele monstro gostava tanto dela, nenhum patriarca puro-sangue sacrificaria seu herdeiro primogênito, por isso dizia ser impossível quebrá-la.
- Deixe-me ver. – Severus estende as mãos, recebendo o livro das mãos da doutora. – Leu novamente ainda com mais atenção. – Realmente, a doutora tem razão. Não menciona a palavra sacrifício. Mas eu não vejo outra forma...
- Acho que eu tenho a solução. Podem começar a preparar tudo para realizar a contra-maldição. Estude bem Draco, você tem que estar muito seguro quando realizar o feitiço. Escolha os bruxos que vão auxiliá-lo, por que vai ser perigoso, você sabe. E é você quem vai ter que realizar todo o ritual...
oOo
Já era tarde quando eles ficaram sozinhos. Tomaram banho juntos, já que a partir dessa noite Draco não deixaria mais o moreno se banhar sozinho para evitar futuros acidentes. E se dormir colados um ao outro era difícil, pois a chama do desejo estava sempre acesa quando se tocavam, juntos sob o chuveiro foi ainda pior.
- Onde você vai com isso? – Harry espantou-se ao ver o loiro entrando no banheiro logo atrás dele com uma cadeira na mão.
- Vamos tomar banho juntos, e a cadeira é para dar mais conforto a você. Afinal, você escorregou na hora de lavar os pés. Mas não se preocupe, eu vou ajudar... Você a se lavar... Inteirinho. – O sorriso malicioso se instalou nos lábios rosados.
- Ahn... Não há necessidade...
- Mas é claro que há, amor. Eu faço questão. – Enlaçou a cintura e beijou-o, entrando no box junto e colocando a cadeira dentro encostada à parede. Abriu o registro, deixando a água cair sobre aquele beijo.
- Draco, estou ficando sem ar... – Falou com a boca sobre a dele.
- Vire-se meu anjo. – Falou com a boca encostada na orelha escondida sob os cabelos negros.
O loiro pegou o shampoo, colocou um pouco na palma e esfregou os cabelos, massageando o couro cabeludo, relaxando-o das tensões, depois entrando novamente sob a água morna enxaguando as mechas rebeldes. Então foi a vez do sabonete, fazendo espuma nas mãos e espalhando pelos ombros, nas costas, no bumbum e nas pernas, das coxas até os tornozelos, pressionando os músculos cansados e doloridos de tanto ficar na cama.
- Vo-você precisa mesmo fazer isso?
- Por quê? Não está gostando? – Riu baixinho afastando os cabelos do pescoço, encostando o corpo nas costas dele e apoiando o queixo no ombro. – Um passarinho me contou que você fica perturbado quando eu abraço sua cintura na hora de dormir...
- Pertur-bado? – Mal conseguia falar, tão entrecortada estava sua respiração. – Não... Eu fico pior, em brasa, duro, como sempre fico quando você me toca. – As mãos longas continuavam ensaboando, agora as laterais do corpo, a barriga distendida, em movimentos firmes e circulares, subindo pelo estômago e chegando ao peito sensível. – Draco, eu já estou pegando fogo...
- Mas a gente só está tomando banho... – Desceu as mãos até o sexo, plenamente excitado, esfregando, lavando com cuidado, deixando o moreno de pernas bambas...
- CÉUS...! As-sim não consigo me manter em pé... – Arrepiou-se ao ouvir a risada baixa ao pé do ouvido, enquanto era levado para baixo d'água para enxaguar a espuma.
- Viu como foi bom eu trazer a cadeira? – Colocou-o sentado. – Sua vez, quer me ajudar? – Estendeu o sabonete para ele, ajoelhando-se à sua frente, a água caindo-lhe nas costas. Deixando que o moreno repetisse nele os mesmos movimentos, o olhar preso no homem lindo a sua frente, sentindo o corpo esquentar pelo desejo que sempre o dominava quando o olhava. Fechou os olhos em deleite ao sentir as mãos ensaboando seu peito. – Hummmm... Adoro quando você passa a mão em mim...
- Só estamos tomando banho... – Foi a vez de o moreno retrucar com ironia. – Levanta amor... – Passou mais sabonete nas palmas, lavando as pernas e os glúteos, quase o abraçando pelo quadril, ensaboando minuciosamente, do mesmo jeito que o loiro havia feito, tocando-o lascivamente, arrancando suspiros profundos dos seus lábios.
- Ahh, Harry, você está fazendo de propósito... – Afastou-se para enxaguar-se, sem deixar de fitar os olhos verdes.
- Foi você quem começou... – Recostou-se na cadeira avançando o quadril... – Olha como eu estou!
- Está exatamente do jeito que eu gosto. – Abaixou-se à frente do moreno e o lambeu todinho, fechando e deslizando os lábios sobre ele até o fim.
Harry quase gritou, tamanha a surpresa e prazer que correram pelo seu corpo. As mãos firmaram-se na beirada da cadeira enquanto o loiro o sugava com sofreguidão. A intensidade era tal, que tudo à sua volta se dissolveu na irrealidade de um borrão, os músculos mais tensos a cada minuto, a respiração aos arrancos até o gozo o arrebatar de vez. Enchendo a boca do loiro que se deliciou com o seu prazer. Sentiu-se abraçado, a cabeça loira pousada em seu ventre com ternura.
- Você... É doido... – Puxou-o para cima para beijar-lhe a boca. – Levanta que eu quero provar você também... – Trouxe-o ao alcance dos lábios, lambendo e chupando lentamente, como sabia que o loiro gostava, ouvindo seus gemidos baixos e contidos, as mãos acariciando o quadril e as coxas, sentindo as pernas dele trêmulas conforme o orgasmo se aproximava, não parando de deslizar e apertar os lábios até que bebesse tudo e Draco relaxasse em seus braços.
Ficou em pé, amparado pelo loiro. Enlaçou-lhe o pescoço, desajeitado, sentindo os braços dele em sua cintura, a boca dele em seu ombro, em beijos leves e satisfeitos... As mãos macias subindo e descendo pelo seu corpo, carinhosas.
- Fiquei mais de dois anos longe, foi difícil suportar, não sei como não enlouqueci, mas sobrevivi. – Sussurrou abraçado ao moreno, suspirando de contentamento. – Adoro fazer amor com você...
Entraram os dois sob o chuveiro, deixando que a água morna limpasse os últimos vestígios do prazer, beijando-se sob a água, assim como começaram. Secaram um ao outro e se vestiram, caminhando leves e relaxados até a cama. Encaixaram-se um no outro, Draco encostado às costas de Harry acariciando-lhe a barriga.
- Então você me ouviu conversando com Remus, não é?
- Desculpe amor, não foi de propósito. Eu fui à cozinha, avisei Severus e a Dry, e quando voltei... – Beijou-lhe a nuca. – É que eu não quis interromper seu desabafo... E era uma coisa que eu queria muito saber, como você se sentia, e não sabia como perguntar.
- Eu sei que ando num humor intragável e que não estou muito atraente...
- Ouça bem... Você tem todos os motivos para estar assim... – Falou rente à sua orelha. – Física e emocionalmente... Instável e não intragável, eu compreendo que não consiga evitar. Mas não pense que eu não o quero desesperadamente todo o tempo. – Colou-se ainda mais ao corpo do moreno. – Meu desejo por você está ainda mais forte, eu também pego fogo quando nos tocamos mesmo que para dormir. Não estou insatisfeito, ouviu bem? Acabamos de fazer amor, foi delicioso e isso é a prova do quanto sou feliz e...
- Tem certeza que você é o meu Draco? – Harry virou o rosto para fitar os olhos prateados. Um sorriso bobo e incrédulo na face. – É impressionante...
- Não se impressione muito, ainda posso ser bem egocêntrico, obstinado e arrogante. Ainda sou eu aqui... O sonserino insuportável, preconceituoso, egoísta. – O sorriso divertido contrastava com o olhar sério e grave. – Eu não mudei, as minhas prioridades mudaram. A minha vida mudou por sua causa. Depois que você foi para a enfermaria fiquei aqui sozinho por alguns dias, como eu achava que desejava. Foi horrível! Eu me senti vazio, sem rumo. Uma raiva inexplicável de tudo e ao mesmo tempo uma apatia total. Então Severus veio aqui, falou comigo, abriu meus olhos mostrando a minha loucura. Ele disse que eu precisava pensar no que realmente importava pra mim. Naquela mesma noite fui chamado na enfermaria pela Dry e antes que qualquer coisa fosse dita, Sev pediu pra falar uns minutos a sós comigo. Abriu a porta do isolamento, entramos, e quando eu vi você naquela cama eu soube que tudo que era importante para mim estava na minha frente.
- Eu não imaginei...
- Shhhh... Deixe-me terminar. – Colocou o dedo nos lábios de Harry. –No dia que você ia voltar pra casa, eu vim na frente com Severus, para arrumar as acomodações de acordo com as instruções da Dry. Achei um objeto nas suas coisas, uma caixa com vários botões. Severus me disse que era um rádio e mostrou como funcionava... Tocava música, ouvi por algum tempo, enquanto tomava as providências. Uma música em especial me chamou a atenção e definiu exatamente como me sinto. Os versos diziam: Está tudo certo. Eu sobrevivi. Estou vivo novamente. Por sua causa, eu superei cada tempestade. O que é a vida? Qual é o sentido de tudo? Se você está matando tempo. Estou muito feliz, pois achei um anjo. Alguém...Que estava lá quando não tinha mais esperanças. – Os dedos finos enxugaram uma lágrima que deslizou dos olhos verdes. – Feche os olhos amor, é tarde, precisa descansar. Você esteve comigo todo o tempo e eu vou estar sempre aqui do seu lado.
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Prince's House, 28/05/2007.
Tivemos uma reunião hoje. Precisava de dois bruxos poderosos e experientes para me auxiliarem na contra-maldição. Pensei imediatamente em Severus e Harry me aconselhou a chamar Lupin. Juntos nós quatro estudamos bem o feitiço. A preparação é complexa e exige três círculos de proteção antes que possa ser executado. Tenho que ter todas as palavras na ponta da língua, a invocação de cada círculo. Eu só conhecia um dos círculos, o primeiro... Estou preocupado, Harry também, mas a Dry garantiu que seguindo todos os procedimentos a risca, é seguro para o bebê.
Prince's House, 15/06/2007.
A madrugada passada foi a mais esquisita desde que Harry ficou grávido. Ele me acordou no meio da noite, dizendo que estava com sede e queria água de coco. Sonhou que estava numa praia tropical comigo, e que estava calor, e que eu trazia para nós dois cocos... Não consigo imaginar de onde ele tirou isso, nunca foi à praia, ainda mais uma tropical... Mas levantei mesmo assim, dormindo em pé, troquei de roupa. Como ele nunca tem desejos esquisitos, eu não poderia reclamar, não é? O pior foi que Severus acordou quando fui até seus aposentos... Estranhou e me perguntou o que tinha acontecido. Quando contei ele riu!!! Riu da minha cara! Falou que a minha sorte era que tinha água de coco em caixinhas. Era só ir a uma loja de conveniência em Londres... Como se eu fosse sair pelo portão principal e me encontrar numa rua da cidade! Se ofereceu para ir comigo e eu aceitei é claro. Não sei lidar direito com moeda ou lojas trouxas. O pior foi quando voltamos! Tivemos que ir a quatro lojas de conveniência para achar a tal água de coco de caixinha e quando chegamos Harry ficou desapontado... Queria a água in natura! RAIOS! Tive que usar uma chave de portal para ir até Waikiki no Havaí para comprar os tais cocos. Sim, COCOS, no plural! Não me arriscaria a ter que voltar se ele quisesse mais... Trouxe logo uma dúzia! Foi providencial, de cara ele tomou uns três... Fez com que eu tomasse um também. Não é ruim, mas eu em sã consciência jamais atravessaria o Atlântico, o continente americano e parte do Pacífico por causa de uma tolice dessas. Aiai... Seis meses, estou começando a achar que vou conseguir sobreviver.
Prince's House, 07/07/2007.
Depois de mais de trinta dias passando e repassando todo o ritual da contra-maldição junto com Harry, julgamos que já estou pronto. Já sei todas as palavras sílaba por sílaba, todas as vírgulas, pontos e acentos. Por isso hoje, sob o olhar de Harry e Dryade, simulamos o ritual completo. Desde o começo passando por cada círculo de proteção, cada invocação, até a contra-maldição. Harry considerou perfeito. Dryade nos disse enfim como poderíamos cumprir a exigência principal para execução do feitiço. Sinceramente não pensei que pudesse ser tão simples. Começo a achar que a medicina trouxa tem seu valor afinal. Só faltava uma coisa: Uma urna que mantivesse a vida suspensa no espaço e no tempo. Achei que seria impossível um objeto desses existir, mas parece que me enganei quanto a isso... Quando Severus falava em sua primeira aula sobre arrolhar a morte, ele não estava de brincadeira. Ele olhou para Dry, levantou a sobrancelha muito surpreso de que ela quisesse um objeto como esse. Espantosamente ele foi aos seus aposentos e voltou com uma urna do tamanho de um porta-jóias. Quando perguntei como ele tinha uma coisa dessas e por que motivo teria sido feita, ele olhou para mim e disse que era melhor que eu não soubesse, bastava que existisse e pudesse servir ao nosso propósito...
Prince's House, 22/07/2007.
Se tem uma coisa que eu detesto são agulhas. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que tenho pavor de agulhas. Por isso fiz um enooooorrrrrme esforço para me manter ao lado de Harry hoje quando a Dry apareceu com uma novidade, um novo remédio para ele tomar... Parece artefato de tortura! Colocar o tal remédio diretamente na nossa carne através de uma agulha! Isso deve doer! E sou absolutamente contra dor. Não que eu seja um medroso, posso não ser um exemplo de coragem, mas não sou covarde. Daí a ser picado deliberadamente é outra história. O pior é que ela disse que tem mais quatro doses pra ele tomar, uma por dia e ele aceitou sem reclamar quando soube que era pela segurança dos bebês. Perguntei se era dolorido e ele disse que dolorido ou não, suportaria qualquer coisa pelos nossos filhos.
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Harry acordou suando, sentindo as costas doloridas. Estava tudo calmo, o silêncio só era quebrado pelo leve ressonar de Draco ao seu lado e sua paz perturbada por aquela incomoda dor nas costas e o calor. Um calor que subia pelo seu corpo a ponto de deixá-lo angustiado, até o leve lençol que usavam para protegê-los da friagem da noite era demais sobre sua pele. Seu couro cabeludo estava completamente molhado, e aquela dorzinha incômoda estava começando a latejar, deixando-o irriquieto. Mas não queria se mexer, não queria acordar Draco. Tinham passado um dia maravilhoso na véspera. Tinha acordado bem cedo e chamado o loiro, que mesmo com preguiça se levantara. Tinham tomado café na sala de jantar, coisa que eles faziam muito raramente agora por causa do mal estar matinal de Harry. Há tempos não se sentia tão bem humorado, tão bem disposto. Tinham saído no jardim para tomar sol, depois tinham feito uma caminhada, apesar do inchaço nos tornozelos, tinham almoçado ao ar livre sob o salgueiro, foi muito bom. À tarde, depois de um check up geral, Dryade tinha até autorizado um passeio no Beco Diagonal...
Tinham aproveitado para comprar algumas roupinhas e utensílios para os bebês. Fôra um dia cheio e alegre e tinham ido deitar-se cedo por que ele não podia abusar. Estavam cansados e felizes... Ficaram namorando abraçadinhos na cama um bom tempo... E agora isso. Pegou o relógio de pulso sobre a mesinha de cabeceira que marcava meia noite e meia. Era melhor fazer o relaxamento que a Dry tinha lhe ensinado. Respirou profundamente, segurou por três segundos e soltou o ar pela boca lentamente. Fez isso uma, duas, três vezes. Sentiu o abdômen se retesar repentinamente como estava se tornando comum há alguns dias. Não era nada demais, a doutora já tinha lhe avisado que isso era normal e que de agora em diante isso ia ser cada vez mais freqüente. Continuou tentando relaxar, mas era difícil por que aquela dorzinha chata não parava de latejar. Quando amanhecesse ia falar com Dryade, devia ser um problema qualquer nos rins...
Isso estava realmente incomodando. Já tinha olhado no relógio uma infinidade de vezes, parecia que aquela situação estava piorando, tinha a impressão que tinha passado metade da noite em claro, mas só se passaram pouco mais de duas horas. Aquela dorzinha chata? Continuava chata, mas agora parecia um pouco mais forte. Ele se remexeu tanto na cama que Draco acordou.
- Harry, está tudo bem? – perguntou com a voz engrolada de sono. – Você não para de se mexer...
- Mais ou menos... Desculpe, não queria que acordasse, mas estou com uma dor nas costas que está me incomodando, e com uma vontade doida de ir ao banheiro.
- Então venha, eu ajudo a levantar. – Acompanhou-o ao banheiro e esperou na porta, mesmo dormindo em pé. Depois ajudou-o a voltar para cama.
Assim que ele se sentou, uma pontada horrorosa de dor atravessou a região dos rins. Fez com que paralisasse subitamente e arquejasse, quase sem ar. Foi tão forte que perdeu a voz. Não conseguia acreditar que os acontecimentos iam se antecipar tanto assim. Será possível que pelo menos uma vez a vida não ficasse de brincadeira com ele e os fatos transcorressem de forma aparentemente normal mesmo diante de um milagre da natureza? Mais uma vez os fatos iam se atropelar e levar tudo que estivesse no caminho junto com eles. Draco sentiu que algo estava errado no momento que a mão dele apertou forte e convulsivamente seu braço. Apanhou a varinha dele na mesinha ao seu lado.
- Lumus! – As tochas se acenderam mostrando a extrema palidez de seu rosto. – Que foi, diga! – Mas a voz não saía, não enquanto aquela dor lancinante não passasse um pouco. – Harry, que foi? Estou ficando assustado...
- Chame... – A dor passou repentinamente e ele amoleceu nos braços do loiro. Puxou o ar com sofreguidão em grandes bocados. – Chame Dryade... Depressa!
O loiro estendeu a mão e apertou a campainha ao lado da cama. Descansou o dedo lá até que a doutora entrou pelo quarto, esbaforida.
- Que aconteceu? – Perguntou notando o pânico no rosto dos dois.
- Não sei, acordei com ele incomodado, reclamando de uma dor nas costas. – enquanto falava ajudou-o a se deitar. – Ajudei a levantar e ir ao banheiro. Quando se sentou agora pouco, ficou paralisado, pálido, sem ar, quase não pôde falar. Pediu que a chamasse e foi o que fiz...
Ela avançou e examinou-o, conferiu os batimentos cardíacos e passou a varinha por ele.
- Vá à lareira e chame Madame Pomfrey, diga-lhe para preparar tudo que já estamos indo. Depois chame Severus e peça a ele para trazer Lupin.
- Você acha que... – Os olhos imensamente arregalados de medo.
- Vai Draco, não há tempo! – Ouviu os passos apressados se afastando. – Eles serão afobados como os pais... – Ela tentou brincar. – Você tem roupinhas limpas para eles?
- Ali, deixei algumas separadas naquela sacola. – Dryade avançou até a cômoda e alcançou a sacola colorida que descansava em cima dela.
- Venha Harry. – Ela tentava ajudá-lo a levantar-se quando Draco entrou no quarto, desnorteado.
- Deixe Dry, eu agüento com ele. – sustentou-o junto de si, segurando-o pela cintura e apoiando o braço dele em seu ombro.
Assim que saíram da lareira foram direto para a sala contígua à enfermaria, a do isolamento, onde tinham tudo preparado. A cama hospitalar, berços aquecidos, uma poção anestésica e outra anti-hemorrágica, monitores cardíacos e aparelho de pressão, além da urna. Draco o colocou na cama, ajudou Dry a cobri-lo e preparava-se para sair, quando foi seguro pelo pulso, com força. Virou o rosto e encontrou os olhos verdes, num misto de ansiedade e medo.
- Dry, posso ficar aqui com ele? – Olhos nos olhos... – Prometo que fico quietinho sentado aqui na cadeira.
- Certo, eu concordo. – Ela disse ao perceber o nervosismo de Harry. Não era pra menos, homens não eram moldados para enfrentar esse tipo de ocorrência. Considerando a situação eles a estavam enfrentando de modo satisfatório, com muita valentia. – Mas tome cuidado para não passar mal ou desmaiar, por que não vou poder socorrer você.
Draco puxou uma cadeira e sentou-se ao lado da cabeceira, a mão dele na sua. Tudo pronto, a instrumentação ao lado, elas checaram o coração, levemente acelerado, a pressão no limite permitido... Ministraram a poção anestésica, que o deixou levemente sonolento, mais calmo, diminuindo a freqüência cardíaca e a pressão. Aguardaram por mais alguns minutos para que o moreno se sentisse confortável e seguro com Draco ao seu lado.
- Mantenha-se tranqüilo, certo? Vamos começar. – Dryade nota o cuidado com que Draco o enlaça pelo ombro, as mãos entrelaçadas.
- A partir de agora se concentre em mim, ok? Vai dar tudo certo.
Dry dá início aos procedimentos clínicos, que mesmo com as poções deixam sensações desconfortáveis no moreno que não desgruda os olhos do rosto à sua frente. O tempo passa lentamente, e a ansiedade provocada pelas sensações de cada etapa da intervenção cirúrgica que se completa é transformada em apertos nos dedos entrelaçados. A emoção ao ouvir o primeiro chorinho é cristalizada nas lágrimas nos olhos de ambos presos um no outro, levando ao leve roçar dos lábios...
- Uma menina, perfeita. Às três horas e quarenta minutos. – Entrega a criança nos braços de Madame Pomfrey que a ampara, limpa e enrola numa manta, levando-a aos braços do moreno que se sente desajeitado... Cinco minutos depois mais um chorinho. – Um menino lindo... Às três horas e quarenta e cinco minutos. – Novamente Madame Pomfrey recebe o bebê das mãos da doutora, limpando-o, envolvendo na manta e ninando. Levando aos braços do loiro, embevecido e perdido nos olhos verdes que já não conseguem segurar as emoções e nem as lágrimas de alegria.
oOo
Quando estava quase amanhecendo, Harry, Draco, os gêmeos e a doutora voltaram para Prince's House. O dia foi tão idílico... Estavam os dois tão maravilhados com as crianças, tão pequenas, prematuras em tamanho, peso e tempo... Mas apesar disso, saudáveis e fortes. A menininha loirinha, olhos esverdeados, o menininho de cabelos escuros e olhos azulados. Os traços delicados dos Malfoys em ambas as crianças. Dryade orientou os pais como segurar (eles eram desajeitados ainda), alimentar (Harry não poderia amamentar então seria na base da mamadeira), limpar (sem banho até cair o umbigo), e a higiene dos utensílios dos bebês. Ao final da tarde chegaram Severus e Remus para buscarem Draco. A hora havia chegado.
- Vou procurar estar de volta o mais brevemente possível. – Inclinou-se sobre o moreno, depositando um beijo carinhoso em seus lábios, beijando as testas dos bebezinhos.
- Vai sim, estarei aqui, esperando sua volta, mas meu pensamento e meu coração estarão com você. Vai dar tudo certo. – Envolveu-o com seus braços num abraço apertado, transmitindo toda sua força.
Draco levantou-se e seguiu com os amigos para cumprir sua missão. Aparataram em frente aos portões da mansão que se abriram silenciosamente. Rony e Hermione já os aguardavam. Eles seriam o grupo de apoio. Era final da tarde e teriam alguns minutos antes de iniciarem o ritual que deveria ser ao pôr-do-sol. Dirigiram-se todos para o grande carvalho, próximo ao mausoléu. Colocaram todo o material que seria usado no ritual aos pés da grande pedra sob a árvore, as extremidades marcando o Norte e o Sul. Severus foi até as portas do Mausoléu e as abriu. Afastou a tampa do túmulo de mármore negro, visualizando a urna de carvalho que descansava em seu interior. Levitou-a para fora do mausoléu até a grande pedra, a cabeceira da urna voltada para o norte. Abriu-a descansando a tampa ao lado da mesa de pedra. Draco colocou-se em seu lugar à cabeceira da urna fúnebre, com Remus e Severus aos pés desta, um de cada lado, de frente para ele, suas posições formando um triângulo perfeito. Rony e Hermione tomaram suas posições, um pouco mais afastados do local. Rony ao Leste e Hermione ao Oeste. Draco colocou a sua frente a urna mágica com seu conteúdo precioso.
Tomou em suas mãos a ânfora cheia de essência de alfazema com pétalas de papoula vermelha. Fez o primeiro círculo de proteção, em sentido horário, despejando a essência e as pétalas em volta da mesa de pedra e dos outros dois bruxos, chegando novamente ao seu lugar. Remus fez a primeira invocação.
- Eu, filho do vento, das estrelas e da lua cheia, invoco:
Pequeninos guardiões
Seres de luz infinita
De dia me tragam a paz
De noite os dons da magia
Invisíveis guardiões
Protejam os quatro cantos da minha alma
Os quatro cantos do meu coração.
Tomou em suas mãos mais duas ânforas, uma com água e outra com terra e fez o segundo círculo dentro do primeiro, um rente ao outro, fazendo toda a volta e chegando novamente ao início. Severus fez a segunda invocação.
- Poderes da água e do fogo
Poderes da terra e do ar
Protejam nossa magia
Invisível serei
Das trevas não temerei.
Tomou em suas mãos a última ânfora, com sal grosso, fazendo o último círculo por dentro e rente ao outro. Concentrou-se para fazer a ultima invocação.
Voltou-se para o norte.
- Invoco o poder da continuidade para que haja proteção da alma do herdeiro.
Voltou-se então para o sul.
- Invoco o poder da luz para que haja proteção contra as trevas.
Voltou-se para o leste.
- Invoco o poder da sabedoria para que haja proteção contra as palavras do inimigo.
Por último voltou-se para oeste.
- Invoco o poder do amor para que haja proteção de nossas almas.
Abriu a urna mágica, tomou o cordão umbilical de seu filho na mão esquerda e a varinha na direita. Estendeu a mão para o alto, apontou a varinha para o cordão fechado em sua mão, que desceu para a coleira em movimentos espirais, bradando:
- Que se abram os Portais da Luz! - A coleira retiniu e brilhou, da mesma forma que naquela noite a tanto tempo atrás. Pousou a varinha ao lado da urna e desceu a mão com o cordão, colocando-a acima dos nós que atavam a coleira enegrecidos pelo tempo. As gotas preciosas começaram a cair sobre eles enquanto a voz suave entoava as palavras de libertação que desfariam cada um dos nós da prisão.
- Com a essência deste inocente resgato sua alma – Está desfeito o primeiro nó...
- Com a essência deste inocente desamarro sua alma – Meu coração começou a acelerar...
- Com a essência deste inocente livro sua alma – Sabendo que finalmente vou poder me sentir remido...
- Com a essência deste inocente purifico sua alma – Talvez me livrar de toda sujeira que sinto impregnada em mim...
- Com a essência deste inocente liberto sua alma – Livrar-me da culpa que me oprime a alma...
- Com a essência deste inocente recupero sua alma. – Ser merecedor do amor pleno e absoluto que Harry me dedica, merecedor do milagre da vida dos meus filhos...
- Com a essência deste inocente abençôo sua alma. – Digno do seu perdão, meu pai.
O último nó se desfez. Os três bruxos apontaram suas varinhas para os restos mortais de Lucius e terminam a invocação:
- Através da vida deste inocente nós te libertamos das trevas!
A pele enegrecida se partiu e a coleira se abriu. E da mesma forma que naquela noite, tempos atrás, uma brisa gélida passou por ali. Um ponto luminoso emergiu de dentro do caixão, flutuando até estar ao seu lado, se tornando maior e maior, tomando forma, até a imagem de Lucius se apresentar diante dele. Seu rosto sorria...
- Pai...? – Seus olhos se recusavam a acreditar que estivesse tendo tal visão... Ficaram embaçados, desobedecendo ao seu férreo controle.
- Filho... Nada tenho a perdoar, apenas a lhe agradecer. Você merece toda a felicidade, todo o amor que o cerca. A benção recebida através da vida de seus filhos é a prova disso. – Sentiu outra presença ao seu lado, a imagem de sua mãe se aproximando e abraçando seu pai.
- Por sua causa Draco, por não desistir, estamos juntos de novo. – Lágrimas de alegria corriam pelo rosto de Draco sem palavras de tanta emoção. – Nós amamos você filho e abençoamos a sua união, a sua família. Sejam felizes.
Lentamente as imagens se desvaneceram, as forças de Draco se exauriram e ele se apoiou na pedra. Não podia fraquejar. Tinha que fechar os círculos, fazendo as voltas em sentido contrário, relembrando em sua mente cada proteção invocada.
Isso feito sentou-se no chão, inteiramente consumido. Rony e Hermione se aproximaram deles. As poções revitalizantes nas mãos dela, levando a eles o necessário para recuperar a energia. Rony fechou o caixão, levando-o de volta ao seu descanso merecido, fechando definitivamente as portas do mausoléu. Voltou para junto de Hermione. Draco levantou-se, chegando perto das quatro pessoas ali presentes.
- Weasley, Granger, agradeço de coração pelo que fizeram hoje. Por terem atendido meu pedido tão prontamente. Sei que nem sempre sou muito gentil...
- Quase nunca, você quer dizer... Ai! – Rony levou a mão ao braço, onde uma grande mancha vermelha marcava o local de um beliscão, provocando um sorriso divertido nos lábios do loiro.
- Você sabe que pode contar com nossa ajuda sempre que precisar, Draco. –Hermione falou sinceramente. - Parabéns pelos bebês. Diga a Harry que estamos felizes por vocês. São meninos ou meninas?
- Uma menina e um menino e vocês podem dizer isso pessoalmente a Harry. – Colocou as mãos nos ombros de Rony e Hermione. – Serão bem vindos em nossa casa. Venham nos visitar e conhecê-los.
Acercou-se de seu ex-professor e de seu padrinho. Abraçou-os, ainda emocionado com tudo que viveu naqueles momentos.
- Professor, obrigado por tudo. Eu soube o quanto se dedicou...
- Remus, por favor. Eu é que agradeço. Harry está feliz e vocês são uma família agora.
Virou-se para Severus, leu nos olhos negros a profunda emoção que os animava... Entendeu o apelo mudo...
- Nem vem... – Severus gracejou disfarçando. – Está parecendo um Lufa-lufa...
- Hei! Não precisa ofender, ainda sou um sonserino legítimo. – O loiro protestou. – Mas mesmo assim obrigado padrinho. Você sabe o quanto significou para mim. Avise Harry que logo estarei em casa.
Afastou-se deles, andando pelo gramado a esmo, apenas apreciando o jardim da mansão como não fazia a anos, lembrando-se de como era bonito e bem cuidado quando sua mãe estava ali. Não viu quando eles se foram, deixando-o sozinho. Apenas olhou para trás e não estavam mais lá. Andou por alguns minutos, seus olhos presos ao chão, seus pensamentos vagando pelas lembranças, seus passos o guiando até parar na varanda da mansão. Tocou na porta que se abriu para ele. Entrou, os olhos se acostumando com a penumbra. Já era noite, os cômodos estavam iluminados pela luz da enorme lua cheia. Entrou na grande sala de visitas, olhando os móveis, a poltrona onde Ele se sentara, cada detalhe daquele cômodo que evocava tantas lembranças. E surpreendentemente não sentiu nada agitar seu espírito, nenhuma dor afligiu seu coração. Voltou ao hall, acendendo as tochas ali, já estava completamente escuro, já era noite.
Olhou demoradamente para a porta que dava acesso às masmorras, andou até ela e pousou a mão na maçaneta, girou-a e a porta se abriu sem ruído algum. Seus pés atravessaram a soleira e desceu pelos íngremes degraus de pedra, o ambiente ficando cada vez mais escuro e frio. Com a varinha acendeu as tochas do lugar e imediatamente toda a câmara principal se iluminou. Desceu o último degrau e caminhou até o centro do aposento. Sentia apenas tristeza, por tudo que tinham passado ali. Olhava à sua volta, as imagens daquela noite, do seu sofrimento e de sua mãe, da morte do seu pai, passavam a sua frente... Seus fantasmas indo embora, deixando-o em paz. Não havia mais medo, nem culpa, nem angústia, somente paz.
Saiu dali e atravessou pelo hall alcançando a escada, seus passos ecoando no silêncio da casa e pelo corredor do andar de cima. Sua mão pousou na maçaneta do seu quarto de criança. Abriu a porta e entrou, parando alguns passos depois. Tirou a varinha do bolso interno da capa e acendeu as tochas. Deu uma volta completa no meio do quarto, os olhos vagando pelos objetos dispostos como se ainda tivesse uma criança que brincasse ali, notando que o antigo coelhinho amarelo ainda estava encostado no canto do berço. Sorriu, pensando que a menina gostaria de ficar com ele, fora o primeiro presente que sua mãe lhe dera e ele nunca desgrudava dele. Pegou-o do berço. Seu nome era Butter e Draco só deixou de dormir agarrado a ele quando partiu para Hogwarts.
Olhou em torno, pensando que devia levar algo para o menino também, que fosse da sua infância. Viu o pequeno dragãozinho de balanço que fora o brinquedo favorito de seu pai quando criança, Draco gostava de brincar com ele e se imaginava voando quando se balançava. Lembrava-se do pai lhe falando do quanto brincara com Dragon quando era pequeno, ele sempre contava essas estórias e Draco adorava ouvir. Apagou a tocha e saiu do quarto fechando a porta atrás de si. Desceu a escadaria e chegando ao pé dela pegou no bolso a chave de portal que providenciara para si. Assim que chegou à Hogwarts foi para casa via flu. Saindo da lareira, uma gritaria chegou aos seus ouvidos. O choro duplo era de deixar qualquer um surdo! Avançou a passos largos para o quarto, parando na porta ao ver Harry na cama aos prantos, Severus com um bebê e Dryade com outro, desnorteados, como se segurassem uma batata quente nos braços. Se não fosse a choradeira a plenos pulmões, o quadro até seria engraçado. Mas ao olhar para os olhos verdes desesperançados, sem saber o que fazer, percebeu que a situação era séria.
- Oh, céus! Vamos ver, não sei como ajudar... Dryade, me diga o que fazer.
- Já olhei tudo, fiz um exame completo neles, faz quase duas horas que estão chorando e simplesmente não sei o que é... Acho que é fome, mas tentamos dar as mamadeiras e eles recusam.
- E você se preocupando com os pulmões no caso de nascerem prematuros... – Severus fuzilava a doutora. – Olha a situação em que me encontro! Com uma trouxinha berrante nos braços, a ponto de ensurdecer!
- Ok, Sev. Dê a menina para mim. – Draco sorriu e se aproximou, tomando o embrulhinho cor-de-rosa nos braços. Estreitou-a contra si, junto ao coração e baixou a cabeça para perto do rostinho vermelho, sussurrando baixinho para ela.
- O que você fez? Enfeitiçou o bebê?
- Não... – O loiro olhava a garotinha carinhosamente, sorrindo para ela. – Só disse que cheguei, que o outro papai dela estava triste por que ela chorava, para ela ficar quietinha que eu ia dar o leitinho... – Levou a menina para os braços de Harry, com a mamadeira. – Nada demais.
O garotinho ainda chorava, mas não desesperadoramente como antes. Draco tirou-o do colo da doutora e com o menino não foi muito diferente. Passou os dedos pelo rostinho banhado de lágrimas e falou com ele serenamente para acalmá-lo.
- Olá meu bem... – Incrivelmente Draco falava com toda paciência. – Por que tanto choro, hum...? – Acariciava gentilmente o rostinho congestionado de tanto chorar. – Eu estou aqui e vou dar o seu leite gostoso, você quer? – O menino soluçava profundamente, ainda ranhetava lamentoso, baixinho, até o choro parar e ficarem somente os soluços. Roçou a boquinha entreaberta com o bico da mamadeira que foi agarrado com a avidez de um pequeno glutão. – O loiro olhava fascinado para o rostinho delicado que mamava furiosamente, sendo observado pelos três pares de olhos espantados.
- Eu custo a acreditar que bastou ele chegar para esses dois se acalmarem. – Dryade sentou-se na cadeira ao lado de Severus. – Estou me controlando para não sair correndo e me jogar na cama... De pura exaustão. – Olhou para a porta ansiosamente. – Acho que é melhor fazer isso já... Enquanto estão quietinhos...
- Se eu não visse, não acreditaria... – Severus permanecia jogado na cadeira, impressionado com o jeito que o afilhado tinha com crianças. – Deve ser um dom natural... Ou o instinto paternal... Mas continua sendo espantoso. – E você vem me falar de cansaço? – Sorriu zombeteiro. – Bem, vou aproveitar a calmaria do olho do furacão e vou me retirar. Draco, se precisar pode me chamar. Mas só em último caso, sim? Eu tenho dezenas de pestinhas para aturar amanhã... De novo. E você só tem dois. Boa noite e boa sorte.
- Sev... Dry... – Draco olha para Harry consultando com o olhar e recebendo a aprovação num assentimento quase imperceptível. – Harry e eu conversamos hoje mais cedo... Pensamos no nome das crianças... Queríamos aproveitar que estamos só nós quatro aqui e... Bem... Será...
- Não enrola Draco, fale de uma vez. – Severus não via a hora de escapulir para sua masmorra tranqüila e silenciosa. – Já vi que aí tem coisa.
- Sim, claro... Nós... – Draco engoliu em seco, pensando na resposta de Severus, já que ele era imprevisível. – Nós gostaríamos de saber se concordariam em serem os padrinhos de Isabelle e Felipe.
- Euuuu?? – Dryade estava quase estourando de orgulho... – Madrinha de uma dessas coisinhas fofas? Aw! Eles são tão lindinhos, não são Sev... Ahn, Professor Snape? É claro que eu aceito! – Já Severus...
- Tem certeza? – Quase foi levado pela emoção, mas se controlou a tempo. Mesmo assim Draco não se deixou enganar, conhecendo-o desde que se entendia por gente. – Você já me dá bastante trabalho como afilhado...
- Claro que temos certeza. – Falava suavemente e baixo para não perturbar o bebê. – Eu escolhi os nomes das crianças, mas a escolha dos padrinhos foi de Harry, e foi tão perfeita que só restou-me apoiá-lo e felicitá-lo pela idéia. Eu mesmo não teria feito melhor... – Notou a surpresa nos olhos negros ao saber deste detalhe. – Papai e mamãe teriam ficado orgulhosos se você aceitasse...
- Por Merlin! Vejo que não tenho opção senão aceitar... – Disse tentando parecer irritado, sem sucesso. Encarou-o profundamente. – Mencionar Lucius e Narcisa foi golpe baixo...
- Eu sou Sonserino, ora... E um Malfoy. Quem sabe assim você não me acusa mais de agir como Lufa-lufa...
- Você se queimou por isso não? – Levantou a sobrancelha gracejando. – E quem eu vou apadrinhar?
- Eu escolhi você para padrinho da Belle, e a Dryade para madrinha do Fell. – Harry disse timidamente no meio do duelo dos dois sonserinos.
- Ahhh! Então eu vou ser a madrinha do garotinho cute-cute? – Chega perto de Draco que ainda tinha o menino mamando e quase dormindo nos braços. – Ele é tão fofinho!!! – Chega mais perto e abaixa a voz... – Oi lindinho da titia...
- Sim, são um verdadeiro encanto, enquanto estão no colinho dos papais e de boquinha fechada... – Severus disse em meio ao risinho discreto. – Já que estamos de acordo... – Aproximou-se de Harry que tinha Belle no colo. – Preciso ir. Como já disse, amanhã dezenas de pirralhos fofinhos me esperam. Boa noite rapazes.
- Preciso me recolher também. – Dryade aproveitou o momento e foi se despedindo. – Amanhã devo me ausentar por algum tempo, mas não devo me demorar mais que duas horas. Desejo boa sorte, que eles durmam a noite toda... – A porta se fechou e eles se viram sozinhos com os pequerruchos.
Draco chegou junto à cama, sentando-se à beirada do colchão. Os dois se olhavam e para as crianças também. Colocou Lipe na cama bem junto de Harry. Foi até a sala, de onde voltou levitando duas poltronas. Colocou-as juntas, uma de frente para outra, dobrou um edredom até deixá-lo do tamanho certo para forrá-las. Cobriu tudo com um lençol limpo e acomodou os bebês nelas.
- Será que não é perigoso eles caírem daí? – Harry estava inseguro.
- Os braços das poltronas são altos e é só por hoje. Amanhã providencio os bercinhos, carrinhos e a tralha toda. – Não conseguiu deixar de troçar com Harry... – E eles são recém-nascidos, não vão descer daqui e correr por aí...
- Estou sendo super protetor, não é? – Sorriu ao ver Draco rindo dele e concordando. – Viu? Isso pega!!! É a convivência com você.
- Eu não sou super protetor! – Protestou, deitando-se no colo de Harry. Estavam muito cansados, o dia fora cheio.
- É sim! Super protetor, ciumento, possessivo e... – Cutucava o peito dele com o dedo, marcando cada palavra. – Adorável! E meu. – Abaixou a cabeça para beijá-lo. Passou a mão ao longo do corpo desejado e sentiu que tinha objetos estranhos em seu bolso. – O que é isso?
- Ah, quase esqueci... Trouxe para as crianças. Foram meus... – Tirou do bolso os brinquedos e fez com que voltassem ao seu tamanho original. – Esse é para Belle... – Mostrou o coelhinho de plush amarelo de orelhas caídas e enormes olhos vermelhos. – O nome dele é Butter. Foi o primeiro presente que ganhei da mamãe, escolhido pessoalmente por ela. Eu ficava com ele o tempo todo, até dormia com ele. Deixei dele quando tinha... Ahm... Muito tempo depois... – Olhou para o rosto de Harry que o fitava de olhos arregalados. – Que foi?
- Você tem um coelho amarelo que chama Butter e dormia agarrado com ele toda noite??
- O que é que tem? Eu era criança ora. E Butter era o nome ideal para ele.
- Draco Malfoy, o príncipe da sonserina, dormia abraçado a um coelhinho que se chama Butter? – Harry achava aquilo engraçado e meio inverossímel. Quem conhecera Draco na escola não iria conseguir ter uma imagem mental como esta. – Por que Butter?
- Ué... Não está claro? Ele é amarelo, molinho e macio, como manteiga. "Butter" entendeu?
- Mas que meigo! Não vejo relação nenhuma... Quem entende a lógica das crianças...? Mas se fazia sentido pra você, quem sou eu pra discordar, não é? E para o Fell, trouxe o que?
- Para o "Lipe" eu trouxe esse dragãozinho de balanço. Foi o brinquedo preferido do papai antes de ser meu. Ele se chama Dragon. Quando eu balançava nele fechava os olhos e me imaginava voando...
- Então vamos dormir? – Sorriu travesso. – Vai colocar o Butter junto das crianças ou vai dormir com ele?
- Esse é da Belle. Eu já tenho o meu bichinho pra dormir agarradinho... – Levou uma travesseirada na cara. – Ei, olha a violência. Você me provocou...
Prepararam-se para dormir, precisavam aproveitar enquanto eles estavam quietos. Deitaram-se abraçados e tiveram um sono leve, mas reparador. Levantaram durante a madrugada só para conferir se os gêmeos estavam bem. Coisa de pais de primeira viagem.
oOo
Prince's House, 09/08/2007.
Não precisei providenciar o berço afinal. Nem um monte de coisas. A Dry apareceu aqui no dia seguinte com Severus. Vieram carregados. Dois berços, um carrinho duplo próprio para gêmeos e muito mais coisas. Algumas que eu nem sabia que existiam. Tenho que admitir que os trouxas até que são inteligentes. Tem muita invenção deles útil. Para crianças então, são ótimas. Mas, notei um clima entre Severus e Dryade... O jeito que ela olhava para ele era muito suspeito e quando ele percebia que ela estava olhando, corava e desviava o olhar!
Prince's House, 02/09/2007.
Hoje as crianças fizeram um mês de vida... Foi uma festa! Weasley e Granger finalmente vieram conhecer os bebês. Oh, meus sais... Harry fica sapeando o que estou escrevendo por cima do meu ombro... Eita mania besta. E fica dando palpite! Tá bem, tá bem... Vou tentar chamá-los pelo primeiro nome: Rony e Hermione, ok? – ¬¬ O que não se faz pelo amor da sua vida... – Como eu estava dizento, RONY E HERMIONE finalmente vieram conhecer nossos filhos... – Quem sabe o RONY se anima e resolve casar e ter uma penca de ruivinhos??? – A Hermi ficou toda derretida com nossos pimpolhos. Também não era para menos, eles são lindos, perfeitos, carismáticos, como todo Malfoy... – Tsc, eu sei Harry, eu sei que não nasceram de chocadeira (nem sei o que é isso...), Que não são Malfoys Puros, são meio Potter também... Táááá!!! Eu acrescento os seus adjetivos... – Também são espertos, ágeis e inteligentes como todo Potter! A cara do Rony era impagável vendo a Hermi com os bebês. Ficou todo vermelho, de olhos brilhantes, imagino no que ele estava pensando... Dryade e Severus também vieram, trouxeram mais coisas para as crianças. E ele que dizia que meus pais me mimavam demais... A Dry conseguiu se equiparar com facilidade, os mima o quanto pode. Ela já voltou para o trabalho no St. Mungus, mas vem aqui no mínimo duas vezes por semana, nem que for só pra dar um beijinho nas crianças. Severus a acompanha quase sempre. Fico imaginando se ela vem mesmo só por causa dos bebês... Soube que pediu para que ele continuasse mantendo a nossa lareira com comunicação só com a ala hospitalar e os aposentos dele. Pra mim, isso é desculpa para encontrar com ele. Esses dois... Nada me tira da cabeça que eles têm alguma coisa.
- Você não vem deitar? – Harry diz no ouvido de Draco provocando um sobressalto no loiro que estava concentrado no diário. – Quero aproveitar que as crianças estão dormindo e continuar as comemorações do dia... – Só aí Draco se vira e o vê, de roupão negro e o cabelo úmido, a visão da tentação.
- Só por isso não vou reclamar do susto que você me deu. Comemorações na cama são sempre bem vindas. – Se deixou ser puxado até a cama.
- Estou morto de saudade de você. Foi um sacrifício aguardar um mês para poder realizar os meus desejos. – Envolveu o loiro num abraço apertado, oferecendo os lábios para um beijo, no que foi prontamente atendido.
Draco o beijava com cuidado, ternura, as mãos acarinhando sem pressa, sem a fúria e lascívia com que costumava atacá-lo. Sentia que o moreno estremecia nos seus braços, enquanto sentia seus toques delicados, quase respeitosos... Harry correspondia aos beijos e às carícias do loiro que acompanhava seu ritmo que ficava cada vez mais exigente. Precisava dele desesperadamente. Desceu as mãos até o cinto do roupão, abrindo-o com urgência, despindo o loiro que não usava nada por baixo, segurando sua cintura com firmeza. Separou os lábios, ofegante, empurrando-o para cima da cama, tirando o próprio roupão e subindo por cima dele, afoito.
- Desculpe o jeito amor, mas não agüento mais de desejo...
Atacou o pescoço alvo com todo desejo reprimido durante os últimos meses. Aspirando aquele perfume que o deixava ardente, noite após noite, mordendo-lhe o lóbulo da orelha, arrancando um arquejo dolorido de protesto. Mas não ia dar para controlar... Não ia dar pra parar... Ele inteiro ardia, e sentir Draco se contorcendo de prazer sob seu corpo o incendiava mais ainda. Passava as unhas pelo corpo abaixo de si, pela cintura, pelo peito, pelos braços que colocou para cima deixando-o mais exposto e cravava os dentes na pele branca sem conseguir evitar, passando a língua para amenizar a ferocidade da carícia. Esfregava-se nele sabendo que estava deixando-o tão insano quanto ele mesmo estava. Desceu os dentes pelo meio do peito puxando os bicos ora de um lado, ora do outro, até deixá-los doloridos, supersensíveis, tanto que até a sua respiração sobre eles era quase insuportável... Então passou a língua, fazendo com que ele gritasse; êxtase puro saindo de sua garganta... Chupou-os longamente, escutando os gemidos agoniados que seus lábios, aliados com a língua, provocavam. Soltou-lhe os braços, descendo as mãos e pousando-as nos biquinhos, provocando neles choques deliciosos ao mais leve toque. Apenas relava a pele deles contrastando com as carícias quase brutas dos seus lábios. Que desceram pelo ventre, dando atenção especial à região do umbigo, chegando ao pênis. Lambeu-o várias e várias vezes, deixando o loiro no limiar da loucura, sem parar de relar os dedos e as unhas com leveza nos biquinhos tesos e por toda a pele na região à volta deles, a pele pálida arrepiando-se toda, de tanto prazer.
- Har-Harry... – Era difícil coordenar a respiração e quase não conseguia articular as palavras. – Pare de brincar... Comigo... – O tom súplice não deixava dúvidas que compartilhava da mesma urgência do moreno. – Não... Quero esperar... Mais... – Abriu os joelhos acomodando o quadril do moreno entrelaçando as pernas nele, convidando-o.
Harry alcançou o vidro de óleo perfumado que trouxera do banheiro, pingando-o diretamente sobre o membro de Draco, deixando que escorresse até embaixo, massageando e espalhando com a mão. Ergueu o tronco enquanto preparava-se para unir-se a ele, fitando o rosto expressivo, a boca abrindo-se em um gemido mudo, os olhos fechando-se, a cabeça pendendo para trás com as carícias dos seus dedos dentro dele, que o faziam delirar. Retirou os dedos e encaixou-se, apoiando o corpo no cotovelo, a outra mão acariciando-lhe o rosto, entremeando-se nos cabelos. Beijou-o, enquanto o penetrava, gemendo junto com ele, ambos sabendo o que provocavam um no outro, ignorando tudo mais a não ser o prazer crescente que os dominava. E tantas outras coisas ficavam tão pequenas diante de tudo que sentiam, muito mais que um pouco de dor, muito mais que todo prazer, entregar-se a todo amor que tinham era o mais importante. Colaram-se um ao outro, os movimentos que faziam juntos, mais rápido, mais forte, levando-os cada vez mais perto do orgasmo. E quando Draco sentiu que estava pleno de prazer, agarrou-se a Harry envolvendo-o em seus braços, em seu beijo, seus espasmos de prazer levando-o junto consigo, gozando juntos. Moveram-se até que não restassem mais forças, até aquietarem-se saciados um no outro.
- Não era para atacá-lo assim... – Ofegando. Encostando a testa uma na outra. – Mas não pude evitar...
- Se for para me matar de prazer assim, pode vir e me atacar todos os dias... – Respondeu ofegante, rindo da cara surpresa de Harry ao ouvirem primeiro um e logo depois o outro, chorarem no quarto ao lado, cheios de fome... Caiu na risada. – Acabou a diversão... Hora do dever! Vem Harry, os famintos nos esperam.
Prince's House, 07/11/2007.
Já estamos no outono, a paisagem está toda em cores quentes. Depois de tudo que nos aconteceu, de tudo que vivemos estamos tão felizes... Hoje foi um dia especial, a cerimônia que fez de Severus e Dryade os padrinhos das crianças. Apenas nós, os padrinhos e os amigos mais chegados... Ou seja, Hermi, Rony e a penca toda dos Weasleys. Pela primeira vez a magia se manifestou nas crianças, acho que queriam o que estávamos tomando, pois o copo de Harry de repente flutuou, e virou no colo dele... Severus fez um comentário impagável, que essa travessura vinha a provar definitivamente que os pirralhinhos adoráveis eram filhos de Harry Potter! Ahuahuahuahuahua! Dessa vez fui eu quem riu demais!!! As coisas sempre acontecem comigo... Como por exemplo, uma das vezes que dei banho no Lipe, quando o levantei da banheira ele fez xixi em mim! Ou depois de dar a mamadeira para Belle, enquanto dava tapinhas nas costas dela, em vez de arrotar ela regurgitou em mim! E tantas outras pérolas como essa que fizeram Harry se divertir às minhas custas... Mas isso é ser feliz. Não poderia querer outra vida, nossos dias são perfeitos, com todas as pérolas e correrias... E as noites, essas maravilhosas noites, no espaço de tempo que temos sozinhos, entre as sonecas dos nossos filhos, nesse tempo que ele é meu e me faz ser dele, tudo isso junto, é que faz nossa vida incrivelmente feliz...
- DRAAACCOOOO!!! – O grito de Harry somado ao choro escandaloso em uníssono, tirou o loiro dos registros do diário. – Corre aqui, não dou conta sozinho! Ooohhh, Merlin!
- JÁ VOUUU!!! – Gritou de volta, largando a pena e o diário esquecidos sobre a escrivaninha, correndo para o quarto no andar de cima. – Que será que eles aprontaram agora... – Ofegante pela pressa nos degraus. – Lógico que ele não dá conta! É dose dupla, não é? Eu e minha pontaria certeira...
FIM
N.A. 1 – Bem, queridos leitores, este é o fim de Because You Live. Tenham a certeza que foi maravilhoso escrever. Desde as pesquisas, passando pela ajuda às cegas de duas colaboradoras: Dryade Delacour e Isabelle Delacour que me deram a mão em vários momentos dessa fic, passando pelos apelos manhosos do Felton querendo ler, e chegando até aqui.
Meus agradecimentos especiais à minha grande Amiga e Beta Lady Anúbis, que me ajudou, me ouviu, me aturou mesmo, em todos os momentos desde às pesquisas, passando pela criação e pela finalização dessa fic. Por isso dediquei esse capítulo especialmente à ela. Que está GRÁVIDA de cinco meses! Meus parabéns Amada, Eu não chegria até aqui sem seu incentivo e seu apoio.
Finalmente meu muito obrigado ao Meu Tigre Lindo. O Meu Amor Felton Blackthorn que é a minha maior inspiração. Um beijo bem grande nessa sua boca linda Meu Anjo. Sem você essa fic não seria escrita.
N.A. 2 – O Harry tinha pré-eclâmpsia e anemia aguda. A PRÉ-ECLÂMPSIA é uma doença grave caracterizada principalmente pela pressão alta. A pressão alta provoca dor de cabeça forte, cansaço, fraqueza, batimento cardíaco acelerado, tonturas, vômitos, náuseas, e outros sintomas detectados por exames clínicos e laboratoriais. A forma mais grave da doença é a ECLÂMPSIA, caracterizado por convulsões e coma. As razões para apresentar pré-eclâmpsia numa gravidez são: A mulher ser muito jovem ou no limite da idade para engravidar, ser a primeira gravidez, gravidez de gêmeos e outras. A ANEMIA é causada por deficiência de ferro, a nececidade de ferro aumenta por que é preciso maior quantidade de sangue para nutrir e levar oxigênio para o bebê. Esse problema é acentuado quando a gravidez é gemelar. Os principais sintomas de anemia são: cansaço, palidez, fraqueza no corpo todo, dores de cabeça, falta de apetite, irritação. Tudo isso mascarou o diagnóstico da gravidez. Por que muitos dos sintomas são os mesmos das doenças citadas acima, tais como: Náuseas, vômitos, desmaios, fraqueza, cansaço, tonturas, pressão baixa, fome ou falta de apetite, sono, repulsa a certos odores e sabores, e muitos outros. Isso pode ser controlado com um bom pré-natal. Então mulheres: Não façam como o Hary... Hahahahahaha Procurem um médico quando tiverem esses sintomas acima. Mesmo que não estejam grávidas, Pressão Alta e Anemia são doenças graves.
Muito obrigada a todos que além de ler, deixaram reviews: Sheila Potter Malfoy (Eu não sou má, e a essas alturas você já sabe o que ele tem. Hahahaha O Draco é sempre incrível, ele tem uma capacidade enorme de crescer como personagem, pena que a autora chata não soube aproveitar os personagens que criou. Eu amei escrever a entrega total dos dois, eu esperei mais que vocês, já que estava planejado desde eu escrevi After All.); Juliana Guerreiro (Que bom, adorei escrever também. Pena que esse é o fim.); Juzinha Malfoy (Lindinha, já expliquei a você por e-mail, eu passei o ultimo mês comendo, bebendo, sonhando com a fic. Sem chance de ficar no MSN ou no YM que eu mais gosto.); j. (Que bom que você sabe, eu tive duas, mas não tive pré-eclâmpsia e nem anemia, e quando fiquei grávida ainda não tinha a pressão alta.); ?); Nanda W. Malfoy (Não seja assim, amore. Não sou má. Antes de revelar a verdade, o Draco tinha que se acertar com o Harry e este tinha que querer acabar com todos os mistérios e abrir o coração com o loiro. Draco autoritário é ótimo, ainda mais quando ele exagera, ou seja, sempre. Hahaha Vou lhe contar um segredo: Um dos motivos para eu só revelar a gravidez no final. Eu não queria escrever uma m-preg, não queria prolongar a gravidez ao longo da fic. Queria abordar o tema de forma mais leve e humorada. E obrigada pelo título, apesar de achar que eu não o mereça.); Katarina MP (Nossa! Atravessei o atlântico? Você é de Portugal, né? Puxa nunca fui tão elogiada numa review... Muito obrigada, fico imensamente feliz que você goste das minhas fics. Respondendo à sua pergunta, não, o Felton e eu não somos casados na vida real. Nós nos conhecemos pessoalmente e somos amigos, mas o casamento é só uma brincadeira do PSF – Potter Slash Fics, o Grupo HP que eu participo. Reflexos da Alma não está terminada. Pretendo escrever o restante da fic no começo do ano. Agora estou com o compromisso de duas fics para os Amigos Secretos do PSF e de Weiss Kreuz que é o grupo de anime.); Isabelle Delacour (É, chega uma hora que todo mundo tem que amadurecer, são raras as exceções que a pessoa continua infantil a vida toda. É difícil pedir perdão quando erramos, mas quando nos encontramos cara a cara com a morte de quem amamos, o resto se torna tão pequeno, pedir perdão é de menos e dizermos que amamos fica muito fácil. É a Dry arrumou uma baita revolução em Prince's House... A ponto do Harry dar o título de carrasca. Hahahaha E a cena de amor, adorei escrever, foi o resgate do Draco. E agora você chegou onde queria. Acabou...); Dryade Delacour (Gostou querida? Você entrou de sola na fic... Quer dizer, o seu personagem né? Como eu disse a Dry provocou uma revolução em Prince's House, uma enxurrada de tecnologia e artigos hospitalares, remédios, tudo trouxa, na vida de alguém que é absolutamente contra qualquer coisa trouxa como o Draco. A participação dela acrescentou humor na estória. Foi muito providencial a sua sugestão, aliás, como sempre. Beijos amada.); Hanano Kase (Não falei por causa dos motivos que já disse acima, e por que suspense sempre é um bom ingrediente na estória, né? Mas agora você já sabe. Hahahahaha A panela e a tampa! Hahahahaha Tosca mas certa. Amei! Nossa, esse balde ta virando moda entre os meus leitores, por que será???); jhulhana (Adoro provocar intensas emoções. Chorou em que parte? #curiosa#); Tatah Malfoy (Ahhh! Juntar a Dry com o Sev... Esse é o maior sonho dela. Será que daria certo? Bom pelo menos ela tem dois requisitos que encantam o Severus: Inteligência e Competência. O Draco é exagerado? Onde??? Hahahahaha Mas se não fosse não seria tão fofo! E agora tudo que você queria saber foi revelado. Espero que tenha gostado.)
Meus agradecimentos também a todos os que leram e por qualquer motivo não deixaram review, espero que tenham gostado da estória. Amanhã... Não tem mais. Infelizmente ACABOU.
Beijos da Samie.
