Capitulo 10: Jogos dos Mil Erros.
Quanto tempo havia se passado? Eles não sabiam, pareceu uma eternidade curta, em que ele ainda a abrasava e ela ainda correspondia, ambos incerto do porque de suas atitudes ultimamente e ambos sem ligar muito, Aang abaixou o rosto para olha para Azula de frente e ela o olhou de volta e o inevitável aconteceu quando ela segurou a cabeça do jovem e o beijou.
Se era certo ou errado, pela primeira vez na vida do Avatar, aquela capacidade de julgamento o faltou quando ele enlaçou os dedos nos cabelos, agora curtos, dela e aprofundou mais o beijo, sem pensar em mais nada, o mundo dele se resumia as bocas de ambos, a ação entre as duas e, talvez, uma outra sensação inconsciente levada a ele pelas suas mãos que viajavam livremente pelo cabelo e costas dela.
Azula, por sua vez nunca havia sentido aquilo antes, nos poucos beijos que ela havia trocado em suas duas décadas de vida nada se comparava com aquilo, todas a batalhas contra ele nada se comparava a luta entre suas línguas agora, e a luta se desenvolvia tão animada que ela cravou suas unhas nas costas dele e o puxou mais perto, até não haver nenhum espaço livre entre os dois corpos, foi quando ela começou a passar as mãos pelas costas dele, sentindo cada músculo, cada curva cada cicatriz... Eventualmente a magia foi quebrada quando Azula tocou uma massa de pele e carne queimada bem no meio das costas dele.
Ao se separarem, de forma tão abrupta e inesperada como ocorreu o beijo em si, eles se olharam como dois estranhos.
Aang, agora, com sua consciência novamente funcionando, a imagem imediata de Katara o fez se sentir um monstro, mas ao contrario do que se esperaria, ele não se sentia culpado por beijar alguém que ele considerava sua inimiga até... Bem pouco tempo atrás na verdade, mesmo se sentindo culpado por trair Katara.
Azula, pela primeira vez em sua vida, experimentava culpa imediatamente depois de seu erro, ela não sabia exatamente por qual razão, se era por beijar um homem compromissado, se era por ter ferido seriamente o mesmo homem anos atrás ou se era pelo fato de estar beijando o provável assassino de seu pai, mas antes que pudesse chegar a uma conclusão sobre isso ela se virou e foi para qualquer outro lugar do templo onde pudesse ficar só.
Aang não a seguiu, ele sabia que precisava pensar também... Ele precisava ficar só com sua culpa...
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"Impressionante não é verdade? A tempestade parou de uma hora para outra..." Comentou Sokka casualmente.
Ty Lee, Zuko, Katara, Sokka e Toph estavam a bordo de um dirigível, atravessando o, agora calmo, mar do norte. Toph estava sentada em um canto com os braços cruzados, Katara estava no controle da direção, Zuko alimentava as chamas, e Sokka e Ty Lee estavam ambos olhando para fora.
A verdade era que Sokka só havia ido falar com Ty Lee porque ela era a única que parecia que não daria um soco nele por fazer comentários casuais naquela situação.
"É..." Ty Lee passou a mão no queixo pensativa... "Estranho, geralmente tempestades não somem assim, elas levam pelo menos um tempo para se dissipar e o mar não se acalma tão rápido..."
"Já viu muitas tempestades Ty Lee?" O jovem guerreiro perguntou, curioso...
"... Na verdade não," Ela sorriu. "mas eu Teo falamos no assunto quando ele comentou sobre boas condições de vôo algum tempo atrás."
"Gosta dele não é?" Sokka sorriu..
"Muito... Ele é uma gracinha..."
"Hey, eu era uma gracinha..." Protestou Sokka de brincadeira.
"Você É uma gracinha," Ty Lee diminuiu o volume de sua voz e disse rindo "mas eu tenho medo da Toph então..."
"É BOM MESMO!" Gritou Toph de repente, e os três começaram a rir.
Katara e Zuko não podiam acreditar em seus ouvidos, mas só Katara verbalizou isso.
"EU NÃO ACREDITO EM VOCÊS!! Se esqueceram porque estamos aqui?"
Ty Lee e Sokka olharam para Katara meio assustados. Ambos se arrependeram no mesmo momento de estarem brincando e tendo conversas casuais em um momento como aqueles, mas Toph pareceu não se abalar...
"Katara, acalme-se, é do Aang que estamos falando, se a Azula é mesmo uma ameaça, provavelmente o ele já acabou com ela... E alem do mais o que você espera? Que todo mundo fique neorotico e nervoso pra chegar e se desconcentrar se perenizarmos atacar?"
"'SE'? Não quer dizer 'QUANDO'?"
"Chegamos a ilha," Zuko cortou antes que a briga ficasse mais séria. "a partir daqui é melhor viajarmos por terra até o templo."
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Azula pressionou a testa contra os joelhos e os dedos contra os próprios lábios, tentando por os pensamentos em ordem. Ah, o beijo, que beijo Agni, que beijo... Ela nunca havia se sentido daquela forma e ela não sabia como lidar com isso, ela nem sequer sabia como lidar com a culpa de seu ato e a raiva causada por não saber lidar com nada daquilo.
Antes que pudesse continuar com sua confusão Azula sentiu o chão abaixo dela vibrando de uma forma estranha, e por isso instivamente, ela se ergueu, puxando a espada e assumindo uma posição de luta, esperando, mantendo a calma enquanto sentia a vibração almentar, quando ela percebeu que seja lá o que fosse se aproximava dela por debaixo da terra!
Azula antecipou o que aconteceria de deu um mortal para trás antes que Toph, Sokka, Zuko, Ty Lee e Katara, literalmente brotassem da terra.
Momentos tensos se passaram enquanto todos armavam suas posições, o rosto de Azula estava concentrada, ela observou seus inimigos, da esquerda para a direita estavam, Ty Lee, pronta para imobilizá-la, Toph apenas em posição de luta, sem dobrar nada por enquanto, Katara estava no centro com uma grande massa de água sobre seus ombros e uma grande área de plantas mortas a sua volta, a posição de Zuko era mais defensiva e Sokka estava em uma posição de espada similar a dela. De todos eles Katara parecia a única pronta e disposta a atacar, mas se segurou...
"Onde está Aang?" Perguntou Katara.
Nesse momento, Azula sentiu algo fervendo no peito dela, mais uma sensação que ela não entendia, mas essa se manifestou externamente antes que Azula pudesse se segurar.
"O que há, dobradora? Não sabe onde está o seu próprio noivo?" Azula disse sem pensar ou se arrepender.
Os olhos de Katara brilharam de raiva e ela atacou Azula com tudo o que tinha, a princesa conseguiu desviar do ataque, dando um salto em que foi parar atrás da dobradora, já no chão teve que defender um ataque da espada de Sokka e desviou bem há tempo de um ataque de Ty Lee, saltando mais uma vez, agora ela aterrizou na frente de Zuko, desviando de uma série de ataques rápidos de dobra de fogo que Azula defendia com a espada cujo metal ficava cada vez mais fraco, tão fraco que uma cruzada com a espada de Sokka cortou parte da lamina da espada da princesa.
Azula caiu para trás, mas a jovem ainda tentou atacar com o pedaço da espada que restava, mas Toph impediu que o metal da espada ferisse Sokka, mas o susto deu tempo para Azula fugir, mas o chão se moveu rapidamente a volta dela e formando paredes de terra a volta dela, mas isso não seguraria Azula, ela saltou de parede em parede até a borda do lugar, de onde conseguiu sair, nesse momento Zuko parou de lutar e olhou para Azula por alguns minutos... Ela não usava sua dobra, ela não tinha sua dobra para usar, Iroh, estava certo...
Zuko parou bem de frente para sua irmã e começou a lutar com ela sem usar dobra, ambos tinham todos os seu ataques defendidos pelo outro, Sentindo que era algo entre os dois, todos em volta pararam para ver, mesmo assim, ainda prontos para atacar se necessário. Era como um Agni Kai sem fogo, mas eventualmente Zuko viu a queimadura no corpo dela...
Era enorme, maior que a dele, pegava a parte acima do seio esquerdo e seguia pelo pescoço até o limite do rosto com uma última linha fina subindo até o lábio inferior dela, antes que ele pudesse ter qualquer sentimento em relação a cicatriz ele sentiu um golpe certeiro dela em sua barriga que tirou todo o ar dos pulmões dele e o fez cair de joelhos na frente da irmã.
Nesse momento Toph tentou prender Azula em uma dobra de terra, mas Azula pulou antes que a terra pudesse pega-la, atrás da dobradora de terra, então começou uma batalha de saltos e dobras, Toda a vez que Azula aterrizava uma dobra de terra tentava prende-a, mas ela sempre escapava, até o momento que Azula calculou mal o salto e levou uma porrada no braço e nas costelas que a fez cair no chão se contorcendo, mas conseguiu se erguer novamente com esforço, mas ela sentia uma dor tremenda.
Finalmente Katara se caçou de tudo aquilo.
"DIGA ONDE ESTÁ AANG!!" Ela gritou, mas a resposta de Azula foi só um sorriso sínico e para Katara, aquela foi a gota d'água. Movida pela raiva a dobradora de água tirou cada gota de liqüido da grama a sua volta e se preparou para atingir a Princesa com uma única e mortal lamina de água.
O tempo pareceu se mover devagar, enquanto a lamina se movia em direção a Azula, a jovem esperava o corte a qualquer momento, mas antes que a lamina a alcançasse, Aang surgiu na frente da Jovem e fez a dobra de água voltar diretamente para Katara em forma de uma única gigante massa de água.
A dobradora de Água voou alguns centímetros no ar, caindo desmaiada sobre a grama da qual ela mesma havia havia retirado a água, o único movimento depois disso foi o de Ty Lee bloquear o Chi de Azula, mas logo depois, tudo parou, todos ficaram em silêncio, sem acreditar no que haviam visto...
Ninguém podia crer, nem entender por que Aang havia atacado Katara, para proteger Azula.
Nem ele mesmo...
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"Lord e Lady Fa Li e seu filho Tom-Tom."
Mai cumprimentou seus pais formalmente, mas Tom Tom não parecia levar muito as regras da realeza a sério e não hesitou em abraçar a irmã pela cintura. Mai foi pega de surpresa, mas a atitude dele não era tão inesperada, ela apenas dispensou o servo que anunciou seus pais e acariciou os cabelos do irmão.
Ursa, ainda sustentando um sorriso pela atitude pelo mais jovem dos Fa Li, se aproximou dos pais de Mai.
"Huo, Hika, bem vindos."
"Obrigada Ursa, sentimos muito pelo atraso, chegar aqui faltando apenas uma semana para o casamento..."
"Não se preocupe mãe, provavelmente o casamento será adiado," Mai disse, pegando o irmão mais novo no colo. "Zuko pode ter alguns problemas de estado para resolver antes."
"Seria uma pena." Disse Hika em um tom sincero.
"Bem, vocês devem estar cansados..." Disse Mai pondo Tom Tom no chão. "Vou mandar os servos arranjarem um quarto para os senhores."
"Não será necessário querida, ficaremos na nossa própria casa, afinal, ela fica bem de frente para o palácio." Replicou Huo, sorrindo para a filha, "mas realmente, estamos um pouco cansados, e temos algumas coisas para organizar na casa então."
"Nós entendemos." Ursa falou.
Os pais de Mai partiram e ela e Ursa ficaram sós na sala...
"Mai, sabe onde aqueles jovens embaixadores do reino da terra estão?"
"Lady Rei e Capitão Yan? Eles partiram para as províncias do sul, as nossas maiores produtoras de aço e carvão ficam lá, o reino da Terra esta fazendo as negociações finais de preço com eles, já que Zuko não controla mais os preços de produção das províncias, desde que eles os concedeu autonomia sobre a própria produção... É até bom eles não estarem aqui agora..."
"Eu sei, com toda essa situação da Azula, é melhor manter tudo em segredo enquanto ela não representar uma ameaça para os nossas agora, Nações Amigas..." Ursa disse com um tom pesado.
"Sim, como sempre, Azula só serve para trazer problemas a Zuko..." Mai murmurou amargamente
"Mai, como se sente em relação a Azula?" Ursa sempre havia tido curiosidade sobre como Mai e Ty Lee se sentiam em relação a sua filha.
"Eu a odeio..." Mai disse sinceramente. "Ela quase me fez sacrificar meu próprio irmão, ela me manipulou, usou e feriu a mim e ao homem que eu amo. Eu a odeio..."
"Acha que poderia perdoá-la?" Ursa perguntou, sem expressão alguma em seu rosto.
"Duvido que ela me pedisse perdão... Você a perdoaria?"
"Ela nunca me fez nenhum mal." A atual rainha disse isso como se tivesse acabado de perceber aquilo. "Sim, é verdade, ela nunca me fez mal, ela teve a oportunidade de me matar, mas não fez isso." Terminou, mas a em algum lugar no fundo de sua mente, sua consciência disse; 'Eu é que deveria pedir perdão a ela...'
"Você é a mãe dela..." Mai constatou.
"É, eu sou..." Mas no fundo Ursa realmente nunca soube o que exatamente aquilo significava, pelo menos não em relação a Azula.
"Sabe," continuou Ursa "quando eu era jovem e eu imaginava ter filhos, eu sempre imaginei tudo em relação a ter um filho exatamente como foi com Zuko, eu falava, ele me ouvia, não necessariamente concordava, afinal, não deveria ser assim, mas ele sempre me ouvia...
Aqui ela fez uma longa pausa
"Azula nunca me ouviu, nunca. Parece que de tudo o que eu disse a ela, a única coisa que ela gravou foi de eu a ter chamado de monstro..."
"Ela é um monstro, sempre foi, nunca mostrou ser algo diferente disso." Mai deu um riso de escarninho quando lembrou das palavras da própria Azula em Ember Iland 'È verdade, é claro, mas ainda dói...', o sorriso dela sumiu. 'ainda dói...'
Passaram segundos de silencio até Mai falar inconscientemente:
"Ainda dói!"
"Que disse Mai?" Perguntou Ursa que, perdida em seus próprios pensamentos, não ouviu direito...
"Mentiras e nada mais..." Responder Mai. "Onde está o General Iroh?"
Ursa franziu a sobrancelha, como se só agora ela mesma tivesse percebido a falta de seu cunhado... "Não sei!"
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"Amigo, se importa se eu não for com você dessa fez?" Aang perguntou a Appa passando a mão pela cabeça do bisão...
Aang teve o bom senso de manter Appa separado de Azula todo o tempo em que ambos estiveram no templo, o animal ainda guardava más lembranças de Azula... Só mais um ser vivo na lista de pessoas que tinham algo contra Azula, alem do mais, o fato que a cabine do dirigível estaria cheia de pessoas que tinham algo contra Azula, fez com que o Avatar viajasse junto deles.
"Você vem comigo Momo?"
Mas o pequeno lêmure sabia que era melhor não andar em um local fechado cheio de humanos tensos e por isso subiu na sela do bisão sinalizando que ficaria por ali mesmo...
Aang sorriu brevemente antes de entrar no dirigível...
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Aang não era um assassino, ele e nunca havia sido, ele nunca seria e mesmo quando matar seu inimigo era dito necessário ele não pode fazer.
O caminho era longo e intrincado e tinha em sua rota mais guardas que qualquer outro lugar na Nação do Fogo, aquele era o homem mais bem guardado da Nação do Fogo e o mais incrível era que nenhum dos guardas sabiam quem ele era, mas quem poderia culpá-lo? Somente cinco pessoas sabiam que ele estava vivo, somente três sabiam onde, e até o momento, só uma ia visitá-lo.
Ozai estava sentado em seu sofá quando sentiu suas mãos serem paralisadas e ouviu a primeira das cinco portas que envolviam sua cela se abrir para fechar em seguida e todas fazerem o mesmo, abrindo em fechando antes da seguinte ser aberta. Ele não olhou quando a quinta porta se abriu, apenas sorriu e disse sem olhar para quem entrava...
"Pensei que não viria mais Ursa, já fazem cinco dias..." A voz dele transbordava de ironia e amargura.
"Se eu fosse você, não esperaria que ela viesse mais."
Ozai ergueu o rosto para ver que era Iroh quem estava lá.
"Ora, ora, se não é meu irmão?" Ergueu a sobrancelha, "O que faz aqui Iroh?"
"Vim te ver." Disse Iroh "Ursa não vai vir mais, você precisa de alguém pra te trazer noticias do mundo..."
"Depois que Azula se provou um fracasso tão grande quanto Zuko, eu não quero saber de mais nada que aconteça do lado de fora dessa cela!"
"Não acho que você esteja em posição de julgar ninguém como um fracasso, não acha?"
"Tem razão." Ozai maneou a cabeça em confirmação. "Mas eu realmente esperava que Azula fosse capaz de levar o meu legado em frente..."
"É uma pena não ter filhos para levar seu legado em frente..."
"Eu sei que você se sente assim, afinal roubou um dos meus filhos pra levar o seu em frente."
Nesse momento Iroh se ergueu e se dirigiu a porta...
"Não tirei nada de você que você não tenha se provado indigno de ter..."
Quando a ultima porta se abriu, Ozai pode mover as mãos novamente, e coçou a barba...
Iroh estava mentindo, havia algo mais no fato de ele ter ido até lá...
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"Zuko, isso é mesmo necessário?" Perguntou Aang preocupado.
O dirigível já havia partido, eles estavam agora começando a sair da costa do Templo do Ar do Oeste e Azula, ainda paralisada, estava sendo preza por Toph em algumas vigas de aço.
"Você acha que não seja?" Perguntou Zuko.
Toph terminou seu serviço e sem uma palavra para prisioneira foi ficar ao lado de Sokka.
"Sim, eu acho! Agni diz que ela pode mudar e eu acredito nisso. Eu acho que ela não deve ser tratada dessa forma..."
"Aang, sabe o que Azula vai encarar quando voltar-mos para a Nação do Fogo?" Zuko nunca estivera tão sério "Existem duas opções; ela ser julgada por crimes de guerra ou vai acabar como nosso prisioneiro especial."
"Quer dizer que não importa se ela mudou ou quer mudar?" Aang tinha uma certa nota de irritação em sua voz.
"Aang, nós não podemos confiar nela." Zuko disse logicamente.
"Você se esquece Zuko, que uma vez, 'nós' éramos só eu, Toph, Katara e Sokka e que não podíamos confiar em você..."
Zuko suspirou, e sem querer discutir mais com o amigo, chamou atenção para outro fato importante naquele momento.
"Azula não deveria ser a sua maior preocupação agora." Disse Zuko, indicando Katara com a cabeça...
Aang sentiu seu coração afundar dez centímetros em seu seu peito ao ver Katara curando o próprio pulso esquerdo e mais vinte centímetros por lembrar do que ele e Azula haviam feito. Ele então andou até a sua noiva e se sentou ao lado dela.
"Como está o seu pulso." A voz dele era tímida, como a de uma criança que sabia que havia feito alguma besteira...
Katara deu uma risada triste e respondeu "Vai curar mais rápido que a outra ferida..."
"Me desculpe, mas eu tinha que fazer aquilo... Ela foi mandada a mim Katara e esta sem poderes, meu dever era protegê-la." Aquela era a verdade, mas ainda assim, Aang sentia que não era tudo.
"Você é meu noivo Aang, deveria proteger a mim..."
"Desculpe Katara, eu realmente sinto muito, agi sem pensar e te feri, mas eu tinha um dever para cumprir..."
"Eu entendo! Não foi tanto a sua culpa, eu realmente passei dos limites, estava disposta a matar ela, eu ataquei para isso, foi bom você ter me impedido..." ela disse, compreensiva "Você sempre me salva e sempre cumpre seu dever, não é?" – Ela sorriu...
"Eu tento..." Ele sorriu de volta envergonhado e um pouco culpado.
"Eu sei, eu confio em você e é por isso que eu te amo." E então Katara o beijou.
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Azula ainda estava imobilizada, quando viu Katara beijando Aang, ela sentiu novamente o fogo em seu peito queimar, mas agora, ela finalmente entendia o que ele significava...
"Olá..." A voz de Ty Lee, soando pouco natural e sem emoções, a tirou de seus pensamentos.
Ty Lee? Porque Ty Lee estava falando com ela?
"Olá..." A voz de Azula também soava pouco natural, e a princesa se perguntou, ironicamente, se aquilo se aplicaria a todas as amigas que haviam brigado por traição e não se viam há mais de seis anos.
"Como você está?" Continuou Ty Lee, ainda soando pouco natural.
"Você quer dizer fora o fato de estar envolvida em vigas de aço?" Perguntou Azula ironicamente...
"Sim, fora isso." Foi a resposta de Ty Lee, sem nem sequer um sorriso.
"Na verdade não estou nada bem..."
"Eu imagino... Você está sem sua dobra não é?" Era uma pergunta para a qual Ty Lee sabia a resposta, e Azula sabia disso...
"Creio que isso seja bem óbvio a essa altura do campeonato..." Respondeu Azula irônica...
"O que aconteceu?" Ty Lee estava realmente curiosa para saber a resposta para aquela pergunta.
Azula suspirou "Agni tirou minha dobra, aparentemente, eu não sou merecedora dela..."
Ty Lee examinou a aura de sua "ex-amiga" por alguns segundos. Desde quando Ty Lee se lembrava a aura de Azula havia sido de um vermelho sangue bem definido, indicando a paixão dela pelas conquista, dominação e sede de poder, mas agora, a aura dela estava tão confusa, quase como um arco-íris.
A acrobata encostou a cabeça na parede de aço atrás dela e suspirou antes de falar, olhando para o teto...
"Sabe, quando eu soube que você estava viva eu estava pronta pra lutar."
"Nossa, eu fiz tanto mal assim a você Ty Lee?"
"Tanto?" A mulher de rosa parou para pensar sériamente sobre o significado de 'tanto'. "Eu não sei, sempre considerei você minha amiga..."
"Então, porque me traiu?"
Estranhamente, Ty Lee sorriu; "Sabe que você nunca me perguntou isso antes? Sabe que ninguém nunca me perguntou isso antes? Nem mesmo Mai, acho que no fundo todos tinham medo da resposta..."
"Qual a resposta?" Se a curiosidade de Azula era verdadeira ou falsa ou se no fundo ela sabia a resposta, isso era um mistério para ambas...
"Eu não queria que vocês machucassem uma a outra e você estava mais perto..." Ty Lee respondeu simplesmente...
"Não, não é só isso..." É, no fundo Azula sabia a resposta. "Você também sabia que eu mataria Mai ali."
"Você nunca matou ninguém..." Ty Lee deu de ombros
"Nunca hesitei em tentar, e só parava quando tentava fazer isso a sangue frio..."
"Era raro você não agir com sangue frio..."
"Não tanto, eu já perdi o controle... Algumas vezes... Muitas vezes, próximo ao fim da guerra, na verdade." Azula olhou para o teto "Quase matei minha mãe..."
"Se sente culpada por isso?"
"Como vai a sua vida? Voltou pro circo não é?" Azula mudou de assunto, não queria falar sobre sua mãe, sabia que provavelmente a encontraria em algumas horas...
"Voltei! Como você sabe?"
"Eu, Lin e Long vimos você se apresentar em Hu..." Azula deu de ombros, como se fosse uma resposta óbivia...
"Lin e Long?" Ty Lee ergueu a sobrancelha.
"Dois irmãos. meus..." Azula estancou quando percebeu qual seria a palavra certa para descreve-los, e deixando ela escapar de seus lábios "...amigos..."
Ty Lee olhou para Azula, olhando a expressão do rosto dela.
"Porque não me conta como sobreviveu a luta contra Zuko e chegou ao templo?" pediu a acrobata...
Depois de alguns minutos de consideração sobre contar ou não, Azula começou a falar...
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Katara tocou os lábios, ainda surpresa. 'O que foi aquilo?' a mente dela perguntava, havia algo de errado no beijo de Aang, quase como... Não, não poderia ser... Mas era inegável, era como quando ela e Zuko se beijaram... Foi um ótimo beijo, ela nunca admitiria aquilo, mas Zuko beijava bem, mas ainda assim, o beijo entre eles teve o mesmo gosto de culpa que esse beijo de Aang havia tido... Será que ele e...
Katara olhou para Azula, presa por vigas de aço, falando com Ty Lee, nenhuma delas particularmente feliz, mas ainda assim se falando, mas Katara não ligava tanto para a interação entre as 'ex-amigas', a jovem dobradora estava mais preocupada com a idéia louca que se formava em sua cabeça...
Azula e Aang? Nunca, quanto tempo os dois passaram sós naquele templo, uma semana? Menos? Eles não se apaixonariam tão rápido, e além do mais, como poderia Aang se apaixonar por ela? Afinal, nada mudaria o fato de ela ser Azula, ela havia ferido, atacado e tentado mata-lo muitas vezes.
A dobradora de água balançou a cabeça e chamando a si mesma de louca, afastou aqueles pensamentos de sua cabeça...
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Aang encostou a cabeça contra o aço frio da cabine do dirigível, se sentindo o pior dos seres vivos, beijar Azula, trair Katara e ainda por cima ataca-la, e pior ainda, gostar do beijo... Gostar muito do beijo. Ele se sentiu estranho beijando Azula, mas mesmo assim, foi tão bom, ele sentiu uma espécie de fogo que nunca havia tomado ele antes. Ele sentia no fundo de seu peito que ainda amava Katara, isso era inegável, ele amava Katara, isso nunca iria mudar, pensar em Katara, alem da recente culpa, ainda fazia ele sentir inteiro e feliz, mas agora seu coração parecia abrir espaço para pessoa mais inesperada o possivel.
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O mais da metade da viagem havia transcorrido sem maiores problemas, Ty Lee permaneceu sentada ao lado de Azula o tempo todo, mesmo depois de a jovem ter terminado de sua narrativa. Toph estava ao lado de Sokka, que era quem pilotava o caminho de volta apenas sentindo a forma como a cabeça do jovem por vezes se voltava para a princesa.
Katara estava encostada no ombro de Aang, meio possessiva, e por vezes olhava para Azula de rabo de olho, tanto Aang quanto Zuko não olharam para Azula nem uma vez durante toda a viajem, Aang por saber que ver o rosto dela só faria de tudo pior e Zuko por realmente não querer pensar sobre a irmã naquele momento...
Azula percebeu tudo isso, mas ela mesma não queria falar sobre nada, ela se sentia calma agora, apesar da situação;;;
Todos estavam no mais profundo silencio até Sokka finalmente perguntar;
"Onde pousamos Zuko?" O jovem preferia o silêncio, ele parecia calmante para todos ali, mas a pergunta era pratica e precisava ser respondida...
"Na parte de trás do palácio, o mesmo lugar de onde partimos..." Disse Zuko, parecendo contrariado por ter que falar...
"Ótimo, e dai...?"
Zuko pegou um papel e escreveu algo prendendo a mensagem a um falcão mensageiro e soltou o bicho pela janela.
"Tio Iroh, vai estar nos aguardando quando chegarmos..."
O silêncio reinou pelo resto da viagem.
Quando o dirigível pousou, Zuko foi o primeiro a sair e se viu aguardado por Teo, Iroh, Ursa e Mai. Um a um, os tripulantes foram descendo... Zuko, Ty Lee, Sokka, Aang, Katara e finalmente, Toph, acompanhando Azula.
Para Ursa levaram alguns segundos para ela perceber que aquela jovem era sua filha, a mulher escaneou com seu olhar as roupas velhas, as ataduras, o cabelo curto, o corpo magro e fraco em comprassão ao que era antes, as vigas de aço ainda a envolvendo e principalmente, a cabeça abaixada... Mesmo depois de toda a lógica ter dito a ela que aquela jovem só poderia ser Azula, ela só pode acreditar quando a jovem ergueu a cabeça seus olhos finalmente encontraram com os dela.
Sim, aquela era Azula, mesmo sem a mesma raiva nos olhos da ultima vez que ela e Ursa haviam se encontrado, aquela era Azula. E Ursa sentiu seu coração se espremer em seu peito. Sua filha estava viva mesmo, e ela não sabia como se sentir em relação a isso.
Continua...
