Capitulo 9
Pedido
Pingos de chuva, agora amenos, caiam superficialmente na floresta enegrecida pelas nuvens ainda carregadas. Não havia nada de anormal nisto, somente o cheiro a menta que me fazia avançar descalça pela relva aguada, sem um destino específico em mente. Foi então que o vi encostado ao tronco de uma árvore, de cabeça erguida para o céu pardo e de olhos fechados. Seu peito desnudo estava rígido – pequenas gotas escorriam-lhe pelo corpo aprumado. Inalou arrastadamente o ar, com prudência, e sentiu o meu cheiro perto. Exibiu suas azeviches inexpressivas sobre mim, sorrindo tão abertamente, que senti minhas pernas falsearem. Esticou então a mão, como se pedisse para eu continuar a mover-me até ele. Correspondi, ao elevar um canto de meus lábios, e arrastei meus cabelos encharcados para trás dos ombros, aproximando-me para aceitar sua mão
Jake me acolheu em seus calorosos braços, apertando ao de leve o pano de seda macia de minha camisa de dormir. Seus longos dedos enterraram-se nos meus cabelos ao mesmo tempo que incidia seus olhos fixos nos meus.
-Renesmee... – soprou meu nome tão suavemente que tremi, com as sensações que afloravam em minha pele a pularem de ânsia.
Tão lentamente quanto pôde, aproximou seu rosto do meu, tanto que tive vontade de atacar seus lábios de ímpeto. Minhas bochechas formigavam a exigir mais de seu toque. Quando estava a milímetros de distância da minha boca, senti-me perdida no vazio que a minha própria mente criou, numa tentativa vaga de não pensar em mais nada a não ser naquele momento. Por fim, seus lábios suavemente encostaram nos meus. Quentes como o proprietário de tal audácia almejada. Fechei os olhos e senti as emoções quebrando minhas barreiras. Contudo, a respiração de Jake foi cortada por uma golfada de ar urgente. Arrisquei a abrir uma fenda para ver o que se passava.
Suas íris estavam alargadas. Sua respiração pesada e ruidosa. Sem aviso prévio, ele tombou de joelhos no chão ensopado e um grito aturdido ressoou em minha garganta ao ser arrastada junto. Foi então que ao ampará-lo, depositei a mão em algo húmido e espesso nas suas costas. O cheiro a sangue chegou-me às narinas. Voltei a cabeça para trás, até seu dorso, e visualizei um enorme corte exposto em suas costas, chegando quase ao osso.
-Fuja... – gemeu num suspiro quase inaudível. Neguei sem abrir a boca. – Saia daqui.
-Jake! – Tentei erguê-lo, porém seu corpo quase desfalecido fazia peso contra o meu. – O que aconteceu?
Um rosnado profundo ecoou por entre a floresta. Um som que eu podia descrever como ameaçador e intimidador, zuniu em meus tímpanos, fazendo oscilar toda a minha coluna vertebral. Algo que não me soou familiar. Em desespero, tentei erguer Jake de novo, que fazia força para eu me afastar dele e assim fugir dali o mais depressa possível. Um movimento atrás de uns arbustos, desnorteou-me. Inspirei aos solavancos, mas não senti nenhum cheiro fora do normal. Todos os peculiares odores daquela floresta estavam tão ativos devido à chuva, que abafavam os outros ao meu redor, menos o de Jake. Foi então que a figura ganhou contornos escurecidos, devido à negritude proporcionada pelo arvoredo. Um homem cujas feições eu não consegui apreciar, aproximou-se num passo lento e sedutor.
-Afaste-se, ele é perigoso. – Continuei imóvel, petrificada pelo meu próprio medo; o medo de não conseguir salvar Jacob das garras daquela criatura.
Com todo o empenho que adquiriu naquele instante de repouso, miraculosamente Jake ergueu-se ao se apoiar na árvore e colocou seu corpo arquejante à frente do meu, curvando-se. Estava pronto para atacar o seu adversário, e seu sorriso presunçoso denunciava isso.
-Ela é minha – a voz do homem suava grossa e limpa, porém suas feições continuavam ocultas.
-Deixe-a – silvou entre dentes, tão alto, que eu me encolhi nos meus próprios braços, pensando onde ele tinha adquirido e ressuscitado aquela força e determinação.
-Ela é minha – voltou a proferir.
Jacob vibrou incontrolavelmente perante a ameaça que se fazia presente, e nos segundos seguintes um lobo arruivado surgiu à minha frente. Ainda não conseguia me mover, embora fizesse um esforço para tal. Quis me colocar à frente de Jake, impedir que ele fizesse alguma loucura, mas não obtive força suficiente para induzir meu corpo. Na altura em que o sujeito avançou, mais o lobo correu em sua direção, atacando-o.
-Não... Jacob, nãooooo.
-Nessie!
Uma mão abanou suavemente o meu ombro!
Abri os olhos e ergui o tronco de rompante, ainda com a respiração ofegante e a testa a suar tenuemente. Foquei-me para saber onde estava, colocando a minha mente para funcionar devidamente numa questão de segundos. Continuava no meu quarto. A mesma cor indistinta proporcionada pelas nuvens lá fora, tingia as paredes amarelo pastel. Não havia rosnados, respirações ofegantes – além da minha - , muito menos um Jake a desvairar em sangre. Suspirei fundo para me acalmar.
Senti então o colchão mover-se e um peito quente e robusto colar-se de imediato às minhas costas. De seguida seus braços rodearam-me a cintura, a termos de me confortar. Eu o fitei de soslaio, aliviando a linha tensa que meus lábios formavam e o cenho carregado.
-Pequena, foi só um pesadelo. – Com carinho, limpou o suor que escorria da minha testa, aparando cada pingo com o polegar. – Foi com os Volturi?
-Não! Desta vez não. Foi mais intenso. Algo relacionado com aquele maldito vulto…
-Se eu pudesse entrar na sua cabecinha. – Fez um trejeito atencioso ao tocar no meu nariz, acompanhando uma expressão terna. – Salvaria você de todos esses pesadelos.
-Mas você me salvou. – E não no sentido figurado, quis adicionar, porém explicar-lhe o conteúdo do pesadelo, estava fora de questão. Ele exibiu um sorriso congelador. – Você dormiu?
-Sim, acordei agora com seu berro. – Oh maldição, tinha berrado o nome dele. – Eu diria que é bom despertar com você chamando por mim, se não fosse pelo seu pesadelo. – Seu tom de escárnio levou-me a baixar a cabeça, ao sentir minhas bochechas arderem de vergonha, enquanto ele ria descaradamente.
-Alguém já deu notícias? – tentei mudar radicalmente de assunto, antes que enterrasse meu rosto na almofada de tanto embaraço.
-Eu liguei para Edward, mal você adormeceu. Até há bem pouco tempo não acharam nenhuma porcaria de pista para sossegar Bells. E a reação dela não melhorou depois de saber o que aconteceu aqui…
-Você contou? – intervi alarmada, interrompendo-o de súbito. Ele enrugou o cenho, ambíguo e anuiu. – Ohh céus, pobre Alice.
-Falar nela, antes de me substituir na vigília à casa, sua tia vidente deixou aí algo para você comer.
Um pequeno e desprevenido grunhido escapou-me do estômago ao lembrar-me do maravilhoso empadão de carne de Esme. O riso gutural de Jake me levou a rir também. Levemente, ele pousou a ponta de seus dedos na minha barriga e massageou-a, causando-me arrepios frios na nuca. Com um sussurro, perguntou-me se ainda queria comer, contudo o aconchego daqueles braços firmes não me permitiu afirmar, negando com a cabeça. Segundos depois, foquei-me em algo que ele dissera. Alice estava fazendo a ronda? Sozinha? Com um ser inclassificável á solta?
-Você deixou ela ir sozinha?
-Esme está com ela. E isso é o menos importante agora. Tente dormir novamente, ainda é cedo.
Jake voltou a depositar suas costas no fofo colchão e deslocou-me juntamente com ele. Deixei-me levar. Aconcheguei-me de novo em seus braços quentes, aninhando-me contra seu peito. Uma mão passeou nos meus cabelos de modo afectuoso.
-Lamento não saber cantar canções de ninar como Edward, para afastar seus pesadelos. – Afastou uma mecha de cabelo da frente do rosto. - Isto é o melhor que posso fazer.
Podia sentir a respiração melódica dele descer e ascender de modo regular, e confortável, contra o topo de minha cabeça. Levei a palma da mão ao encontro do lado esquerdo do seu tórax e espalmei-a sobre o sítio onde seu coração palpitava, murmurando num tom franco:
-Esta é a melhor melodia de todas. – A outra mão veio ao encontro do dorso da minha, entrelaçando nossos dedos.
-Então eu continuarei tocando ela para você, minha Nessie.
Um sorriso irrefletido escapou-me dos lábios e voltei a cerrar os olhos. O silêncio recaiu sobre nós enquanto ele trilhava em meu braço um caminho agradável, indo até ao vão da clavícula, retomando seu percurso vezes sem conta, espantando por fim todos os meus pesadelos. Deixei finalmente as pálpebras cerrarem para me concentrar naquele som palpitante que de segundo a segundo me embalava numa forma aprazível.
O som de passos levianos e suaves misturavam-se com burburinhos apreensivos, levaram-me a despertar novamente de meu sono, isto se eu não tivesse voltado a sonhar. Todavia as vozes começavam a ficar cada vez mais nítidas, à medida que três pares de pernas avançavam rumo ao meu quarto. Isso era demasiado real para ser um sonho.
-O raio da vossa aptidão vampírica não vos permite falar mais baixo? – Alguém me tapou um ouvido. – Vão acabar por acordá-la.
-Não podia ter dormido no chão rafeiro? – a inconfundível voz irritada de Rose saía sussurrada: – Edward, faça alguma coisa! Enxote esse saco de pulgas andante para fora da cama da sua filha ou eu mesmo faço.
-Sabe, se você fosse humana, eu diria que isso tudo é TPM – desdenhou Jake; senti seu corpo vibrar sob o meu ao passo que ele tentava controlar sua vontade de rir.
-Como ela está? – Senti Bella afundar na beirada ao meu lado, acariciando minha perna com carinho.
-Esteve agitada toda a noite, mal dormiu direito por causa dos pesadelos que teve. Não ia deixá-la sem amparo, já que cada vez que acordava era aos berros. – Jacob remexeu-se um pouco. – Ela pediu para não ficar longe dela, e assim o fiz.
-Que grande sacrifício o seu, parabéns – o sarcasmo de Rose foi sublinhada pela sua salva de palmas.
-Nessie está despertando – anunciou Edward, em algum lugar no fundo do meu quarto.
Abri os olhos de forma lenta, vendo parcialmente desfocada a claridade que reinava agora no meu quarto, devido à película de névoa que me toldava a visão. Esfreguei as pálpebras para afastar o restante sono e focalizei-os nos meus pais e em Rose. Esta, estava sentada confortavelmente na cadeira da escrivaninha, com pernas cruzadas e o tronco inclinado para a frente, incidindo um olhar cerrado para a cama.
-Será que algum dia, vocês vão deixa de implicar um com o outro? – A voz embargada pelo sono suava-me rouca. Pigarreei para a aclarear. – E pai, antes de mais, a culpa não é de Alice.
-Não se preocupe, meu anjo. Já está tudo resolvido. – Edward deu duas passadas curtas, detendo-se perto de minha mãe para lhe pousar as mãos sobre os ombros e observou-me.
Suas feições pétreas pintavam uma pontada de desagrado por estar quase toda encolhida sobre o peito de Jake, tal como Rose. Num piscar de olhos, ele alisou sua expressão com a menção àquela meditação e abanou despercebidamente a cabeça em negação, como resposta. Como se eu fosse acreditar. A única com um rosto suave, embora insondável, era Bella, que acabou por indagar com ponderação:
-Como você se sente?
-Sinceramente, não sei como vocês não são capazes de sentir sono ou se cansar, sobretudo depois de uma noite agitada como esta. Minhas pálpebras gritam desesperadamente para se fecharem. – Sorri e dei ombros. Não lhe queria contar o temor que tive para não a preocupar mais, muito menos a conclusão que tinha chegado ontem à noite.
Edward me fitava agora sisudo, como se tentasse sacar algo mais do que eu estava pensando, porém não contestou meus pensamentos, o que lhe agradeci. Estava certa que ele não queria preocupar mais Bella, que escancarava um meio sorriso atenuado para mim.
-Eu vou preparar seu pequeno almoço, meu doce – murmurou num tom angelical. Rose ergueu-se da cadeira para se dirigir à porta.
-Pode trazer para mim também. E por favor, use menor quantidade de veneno desta vez. Da última vez, meus intestinos quase me saíram pelo umbigo de tanto se contorcerem. – desdenhou Jake num tom indiferente. Rose bufou e encarou-o com olhos de assassina, a latejarem de ira.
-Pena que você não usou eles para se enforcar. – E saiu.
Com toda a delicadeza possível, Jacob desviou meu corpo do aconchego do seu, retirando seus braços ao redor dos meus ombros e levantou-se preguiçosamente da cama. Nesse instante, pude visualizar pelo canto dos olhos, Edward fuzilar um Jake sem camisa, com uma expressão de: " depois teremos uma pequena conversa sobre isso." Contudo ele pareceu não se importar com tal, proferindo:
-Presumo que não acharam nada.
-Houve um momento em que Carlisle e Jasper sentiram um cheiro estranho perto da fronteira entre Forks e La Push, porém ele acabou por se perder no primeiro raiar da aurora. Tal como aconteceu com você – foi Bella quem respondeu, sem tirar os olhos observadores e carinhosos de mim.
-Esse malandro é muito esperto. – Jake pegou sua camisa esfarrapada do chão e vestiu-a, sacudindo os músculos peitorais e abdominais em cada movimento. – Mas nós havemos de lhe dar a volta.
Mordi o lábio inferior, magnetizada pelo quadro que apreciava. Suas cores quentes excediam a vontade de querer mergulhar naquela maré de tinta natural. Estremeci, recatada. Ontem devia estar mesmo cansada para não ter reparado na beleza bem esculpida que tivera diante de meus olhos; debaixo de minhas mãos e corpo. Edward pigarreou ao empinar a sobrancelha de sobreaviso. Rubor tomou conta de minhas bochechas.
-Minha querida, volto mais tarde. Vou só em casa descansar o velho Billy, antes que ele instale um turbo super sónico na sua cadeira e venha voando até aqui. – Engoli em seco para colocar meu cérebro novamente a processar direito e retruquei:
-Nada de fazer pequenos desvios, sr. Black. – Ele desenhou um sorriso travesso nos lábios e piscou o olho, saindo de seguida pela janela que despontava o recente amanhecer.
Fitei meus pais, que permaneciam a observar-me como duas estátuas de pedra bem entalhada e bufei, imaginando o sermão que eles haviam ensaiado.
-Podem começar por me dizer: quanto tempo vou ficar aqui enclausurada? – Eles entreolharam-se confusos e por fim abriram um sorriso cúmplice.
-Ninguém te aprisionará, meu anjo. Sua vida correrá naturalmente. - Edward fez uma breve pausa, como se houvesse um "mas" a ser acrescentado nesse seu discurso afinado. Ele rodou seus dourados e concluiu: - Mas haverá sempre alguém a supervisioná-la – ia contestar, mas ele foi mais rápido: - Não podemos correr o risco de te deixar sozinha, enquanto esse visitante não for informado das nossas condições.
-E isso deixar-me-ia muito mais descansada.
Ótimo! Magnifico! Vou ter direito a uma babá por vinte e quatro horas seguidas. Onde estavam os direitos de poder reivindicar as decisões das quais eu não participei? Não consegui conter um suspiro frustrado. O único lado positivo, era saber que não precisava abdicar das minhas restritas saídas e ficar enclausurada sobre quatro paredes, à espera que alguém caçasse esse vampiro – se realmente fosse um. Encarei diretamente Edward e espremi os olhos numa fenda. "Melhor apanharem esse vampiro em menos de dois dias, caso contrário, eu mesma reencarno o papel de Buffy e vou atrás dele." Ele abanou a cabeça com um sorriso irresistível e flexível.
-Muito bem – afirmei em voz rouca, derrotada – Mas peço que me dispensem esses guarda costas, enquanto estiver em La Push
-É justo! A reserva sempre é mais segura com a alcatéia por perto – ponderou seriamente Bella, mordiscando o dedo, á medida que elevava seu olhar de encontro aos topázio de meu pai. – O que você acha?
-Se você estiver de acordo… – Ele deu ombros, porém seu semblante demonstrava sua falta de convicção.
Num pulo quase imperceptível, ela levantou-se da cama e me olhou de forma pensativa, acabando por aceitar minha proposta. Rosalie invadiu o quarto logo de seguida, transportando uma pequena bandeja com três sandes de fiambre e queijo e um copo de leite morno. Todos sabiam que não era muito adepta de comida humana, mas aquela merenda ocasional fez minha boca se encher de água. Com uma ligeira ansiedade, comi para satisfazer a fome que socava o meu estômago desde ontem.
Ao terminar aquele manjar, reparei que Rose já havia preparado a roupa para eu vestir – uns jeans escuros e gastos, com uma túnica clara de folhinhos e o casaco que Sue me oferecera, que a encimaria. Ao finalizar a vestimenta com uns botins rasos, apressei-me até à casa vítrea dos Cullen acompanhada por meus novos guarda costas.
Já que Carlisle estava fazendo o turno da manhã no hospital, foi Esme quem o substituiu na aula, desenvolvendo algumas matérias atrasadas, que eu não concluíra devido aos últimos acontecimentos. Biologia e Cálculos eram uma delas. Depois disso, veio a minha aula favorita: piano.
Todavia, hoje parecia particularmente difícil permanecer sozinha com Edward naquela sala oca, sem deixar que minha mente articulasse pensamentos e teorias sobre o sucedido de ontem. Isso me desconcentrava em cada nota que tocava. Muitas foram as vezes que ele pegou em minhas mãos, conduzindo os dedos nas teclas exatas para desenvolver a melodia perfeita. Contudo, o desconforto voltava a desafinar a bela entoação que ele criara com tanto gosto. Droga, eu não o queria preocupar. Foi então que ele parou abruptamente de tocar, rodopiou no banco e encarou-me com traços de desapontamento em seu semblante – algo que eu odiava ver no seu belo rosto. Isso levou-me a estremecer involuntariamente.
-Posso saber o porquê desse seu mal-estar à minha presença? Logo comigo, que sou seu pai? Não confia plenamente em mim para me contar sobre o que a atormenta? Acha que não sou merecedor de sua confiança, já que faz tanto sacrifício em lacrar sua mente para mim? – A voz aveludada era substituída por um tom desgostoso. – Isso tem a ver com Jake?
-Não julgue que vou falar de "Jake" com alguém que resolveu tomar certas atitudes e precaução sobre o assunto. – Cruzei os braços, absorta, tentando dar a volta à situação - Agora sou eu que pergunto: você não tem a mínima confia em mim para pôr de lado essas atitudes e precauções ao invés de invadir minha mente de cinco em cinco segundos? – Ele encurvou a sobrancelha num arco perfeito e abriu a boca vezes sem conta, à procura de uma resposta coerente - Pensei que aquela conversa entre nós tinha esclarecido tudo.
-Bella lhe contou. - A entoação ressoava agora meiga, misturada com um tom gracioso; cruzou os braços. – Sim, nesse aspecto sou culpado, confesso. Não me censure por minhas atitudes paternais.
-Desde que você desista de tentar colocá-las em prática novamente, tudo bem. Não é muito confortável ter alguém bisbilhotando e controlando tudo o que faço com Jake. É no mínimo embaraçoso.
-Vou fazer um esforço, mas não prometo nada. – Mostrou a língua num trejeito complacente. – Contudo, não sendo esse o motivo para me bloquear seus pensamentos, eu levo a crer que isso tem a ver com os seus receios quando ao vampiro. – Baixei o rosto, desalentada. – Vejo que estou certo.
-Pai, eu só estou fazendo um ínfimo esforço para manter a minha mente sã o suficiente para não entrar em pânico com isto. – Expeli todo ar pela fissura de meus dentes. – Ainda mais, depois das conclusões que cheguei ontem – sussurrei para mim, esquecendo completamente que o vampiro à minha frente tinha a mesma audição apurada com Jake.
Ele colocou carinhosamente uma mão no ombro, ao mesmo tempo que o dedo indicador da outra inclinava meu queixo para cima, obrigando-me a encará-lo.
-De ser você, o alvo dele? – concluiu; eu apenas anui, quase sem mexer meu pescoço – Meu anjo... – Seus olhos eram ternos, como se dois caramelos estivessem prontos a derreter. – Não tenha medo de compartilhar seus receios e incertezas. Isso não fará você menos forte do que é! E em todo o caso, nós estaremos aqui para te proteger. – Passou sua mão gelada pelos meus cachos mal amoldados.
-É disso que eu não gosto. De estar dependente de todos os que me rodeiam para me manter em segurança. Isso deixa-me impotente. Sobretudo ao ver vocês arriscarem a vossa imortalidade ao ficarem à mercê desse ser. – Suspirei alterada, como se tivesse algo entalado no fundo da garganta, para não soltar a torrente de lágrimas que prendia em meus olhos. – Isso corrói-me por dentro.
-Não tema por antecipação Renesmee, não nos vai acontecer nada.
Ele me levou de imediato ao encontro de seu amparado abraço. Encostei a cabeça no seu peito duro, enquanto Edward embalava-me em seus braços marmóreos e aconchegantes, como se eu fosse um pequeno bebé carente. Aquele era meu porto seguro, além de Jake.
Ao piscar finalmente os olhos, deixei uma fina fila de gotas escorregarem pelas minhas bochechas, desabafando silenciosamente tudo o que alojava dentro de mim. Sem dúvida que quando o medo e a insanidade davam as mãos, o raciocínio lógico embargava numa viagem sem fim, sem prazo limitado de regresso. Estava cansada de depender dos outros, porém não tinha mais forças para manter aquela máscara de menina resistente perante os olhos de todos. Deixei minha mente derivar cada sentimento, cada reflexão desde ontem à tarde até aquele momento para Edward. Pedi então perdão mentalmente por lhe ter passado a impressão de não confiar nele.
-Só não se tranque nessas paredes impenetráveis. – Com carinho apontou para a minha cabeça. – Confie em mim sempre que se sentir atormentada com algo. – Depositou um beijo demorado no cimo da testa. – Eu estarei sempre pronto a te escutar.
-Obrigada. – Seu polegar limpou as lágrimas insistentes que varriam meu ânimo.
( N/A:Para quem quiser acompanhar a música que Edward toca para Nessie, é só acrescentar este pedaço de link ao site do youtube: watch?v=VBgGBzWfB0k )
Permaneci em seus braços, quando ele os estendeu sobre o piano. As pontas dos dedos afundaram de modo casual e suave nas teclas brancas, produzindo uma melodia melancólica e sensível a quem a escutasse. Fitei-o de soslaio, apreciando sua expressão tranquila, provida de um sentimento paternal que eu nunca vira, à medida que suas pálpebras fechadas tremiam em cada acorde fino e grave. Sua elegância no piano era majestosa, sobretudo quando ele corria cada tecla sem ser preciso abrir os olhos para verificar se realmente carregava na tecla pretendida. Era como se ele tivesse uma partitura gravada em sua mente e simplesmente a soprasse através dos dedos.
E, uma particularidade interessante é, que aquela bela composição, arrepiava-me de tal maneira que me fazia sentir insignificante, perdida na imensidão das notas que suavam com uma maestria invejável.
Os últimos acordes alastraram-se pela grandiosa sala de estar, num modo mais deleitoso. E quando ele finalizou-a, uma paz devorou os meus pensamentos mais nublados. Ele abriu os olhos lentamente, e logo aflorou um sorriso afável pelo canto da boca.
-Ela é tão linda – balbuciei ainda rendida pelas sensações que emanavam em minha pele encrespada. – Saiu naturalmente?
-Não, já há muito tempo que a compus em minha mente. – Seus olhos brilhavam de emoção. - Alguém pequenino me inspirou, quando ainda estava dentro da barriga de Bella.
-Wow, então isso quer dizer que…
-Esta é a sua melodia, meu anjo. Só nunca soube como finalizá-la com as notas certas, até hoje.
-Ficou maravilhosa. Obrigada. – beijei-lhe demoradamente a face fria. – Vou exigir que ma cante, na altura em que meus pesadelos me atormentarem.
-Renesmee – a voz de mel de Bella foi ouvida no lance de escadas, à medida que descia elegantemente, como uma modelo bem adestrada. – O que me diz de irmos visitar Renée? Ela está ansiosa para te ver novamente.
-Eu adoraria, mas ela está hospedada …
-Na casa de Charlie – completou Edward, cortando o meu raciocínio acerca de como seria entrar num hotel e cruzar-me com humanos desconhecidos. – Esse é outro ponto que você terá de enfrentar, meu bem.
-Prefiro me preparar com antecedência para esse feito ao invés de arriscar. – Voltei a atenção para Bella, que agora se detinha perto do piano de braços cruzados. – Se ela está em casa de Charlie, não vejo problemas. Mas antes podemos ir caçar? Com a confusão de ontem, eu nem cheguei a saciar minha sede.
Depois da nossa breve caçada, marcada pela embargada chuva miudinha que tingia a floresta num verde intenso – e pela atenção redobrada de meus pais quanto ao tal vampiro – dirigimo-nos para a inconfundível casa branca de Charlie. Já á nossa espera, encostado ao umbral da porta, estava um Seth estancado. Este recebeu-nos com um sorriso encantador e um inspirador e elevado "Bom dia!", para logo me alcançar e me afundar em seus braços confortáveis. Sem me dar tempo para inspirar, ele arrastou-me para casa, á medida que meus pais nos acompanhavam, rindo.
Lá dentro, deparei-me com o panorama comum de humanos, que levavam o seu quotidiano da forma mais descontraído possível – algo que eu só acompanhava nas séries de TV com tio Emmett. Renée estava com Sue na cozinha – pelo que me pareceu, Sue estava ensinando a ela a receita nova de um bolo Quileute. Charlie e Phil assistiam um jogo importantíssimo de Basebol na sala, na anterior companhia de Seth.
Pude perceber pelo cheiro, que Leah não estava hoje na companhia da mãe, embora a morena não morasse naquela casa. Leah tinha optado por morar sozinha na sua antiga casa na reserva, sem querer se distanciar de La Push nem do bando. Já Seth morava temporariamente com sua irmã, pelo menos enquanto Renée e Phil estivessem hospedados na casa de Charlie e Sue.
Na altura em que Bella atravessou o hall da entrada no seu passo claramente humano e regular, Renée apressou-se sobre ela, de modo a lhe desejar os parabéns numa afinada entoação. Mal ela sabia que sua única filha já não comemorava mais o seu aniversário desde o meu nascimento. Mesmo assim, Bella sorriu em agradecimento e abraçou a mãe. Seth ria discretamente da situação, mesmo sobre o olhar desafiador de Edward, que também curvou sua linha fina, num sorriso condescendente.
Com uma familiaridade incrível, Renée impeliu a mim e a Bella para a cozinha para nos juntarmos a Sue. Os homens ficaram na sala, compenetrados na tv, como se idolatrassem uma espécie de Deus raro – de vez em quando ouvia-se os urros irritados de Charlie, que resmungava com Phil sobre alguma falta cometida pela equipa adversária.
A tarde voou juntamente com os ponteiros do relógio. Ainda assim, para mim tudo decorreu lentamente por conta de Renée, que me abrangeu de perguntas sobre minha vida. Não foi muito difícil responder-lhe, embora algumas respostas não fossem tão honestas e sinceras como gostaria que fossem. Charlie apenas abanava a cabeça, contestando com comentários de escárnio: "O polícia aqui sou eu e é você quem faz o interrogatório todo?" ou "Nesse andar você vai ficar sem assunto com sua neta nos próximos 10 anos."
Renée ria graciosamente do sarcasmo de Charlie, contudo quando ele saia da cozinha guarnecido de mais umas latas de cerveja, ela perguntava baixinho em termos de só nós as duas ouvirmos:
-Estou sendo muito chata, não é? Me perdoe pelo meu jeito estouvado, mas é que eu achei tão maravilhoso ganhar uma neta tão especial, que minha língua chega a coçar de curiosidade sobre você.
-O avô Charlie é um exagerado – retruquei com um sorriso ao vê-lo conversar com Phil e meus pais na sala. – E eu gosto de falar com você, já que são raras as vezes que nos vemos.
-Eu prometo vir mais vezes à Forks para te visitar. – E seu sorriso expandiu quase de orelha a orelha. – Mas quero que me prometa que também me irá visitar a Jacksonville. – fez beicinho, tal como uma criança.
-Fica combinado. – E pisquei-lhe o olho.
Bella nos interrompeu, anunciando que deveríamos regressar a casa. Olhei para a janela e pude observar que o crepúsculo já abraçava a linha fina e escura do horizonte; sinal que mais um dia havia se completado, e outro novo começado para os vampiros. Renée ainda fez questão que nós jantássemos lá, contudo Edward desculpou-se ao afirmar que infelizmente já tinham um compromisso para essa noite em La Push.
Despedi-me de todos, deixando Charlie e Renée para últimos. Os meus avós humanos se despediram de mim com um apertado abraço e um beijo na bochecha – o cheiro doce dela dançou nas minhas narinas por breves instantes, contudo eu consegui ignorar completamente. Por fim entrei no Volvo já pronto a arrancar. Da janela acenei para a minha família humana que permanecia no alpendre da casa, retribuindo o gesto. O Volvo arrancou suavemente pela estrada trilhada e eu recostei-me no encosto do banco, ainda com um sorriso irreflectido no rosto.
Eram nestes momentos, que me sentia totalmente humana, tanto nos instintos, como na pessoa que sou. A aberração simplesmente deixava de existir, deixando a parcela humana actuar a cem por cento nas minhas atitudes e decisões. E também no meu sangue. Os medos, as fraquezas, o amor e a racionalidade ganhavam mais força, porém isso não me incomodava, sobretudo quando estava perto de pessoas comuns que abrangiam do mesmo que eu sentia neste momento.
Ao virar na curva que nos levava a casa, meu raciocínio afrouxou ao visualizar a moto de Jake parada perto do pórtico da casa vítrea. Pelo retrovisor, pude ver o rosto de Edward se contorcer num esgar de desaprovação antes mesmo de estacionar o carro. Teria Jake notícias do tal vampiro? Meu coração acelerou.
-Sossegue seu coraçãozinho, não é nada de mais – anunciou Edward, ao abrir-me a porta do carro.
"Então, porque raios estava ele com aquela expressão?" Observei meu pai com atenção, procurando sinais que denunciassem o que ocorria. Não consegui captar nada. Até Bella parecia ambígua. Suspirei e acabei por aceitar a mão estendida dele para sair do Volvo. Ouvi o barulho de risos maldosos lançados por Rose e o suspirar constante de Alice, que tamborilava os dedos na madeira das escadas.
Ia acabar de vez com aquele mistério irritante.
Em passadas largas e a uma velocidade desumana, apressei-me até ao alpendre da casa. Do vidro translúcido da sala, reparei que tudo lá dentro estava normal; agora a luz dos candeeiros clareava a sala que era cingida pela escuridão da noite. Ao abrir a porta fui recebida por uma hesitante fileira de dentes alvos.
Por incrível que pareça, Jake não se moveu para me dar as boas vindas; era como se ele estivesse preso em fios invisíveis que o obrigavam a permanecer quieto. Alice, que estava deitada nas escadas, mais precisamente nas pernas de Jasper, saltou de ímpeto, como se tivesse apanhado algum tipo de choque eléctrico. Lentamente aproximou-se da parte de trás do encosto do sofá, perto de Jake, e apoiou as mãos sobre esta. Já Rose estava sentada com Emmett na mesa de xadrez, e supus que aquele sorriso presunçoso em nada tinha a ver com a partida que decorria entre os dois.
Quando Edward entrou, os implorantes olhares de Jake e Alice automaticamente se prenderam aos dele, enquanto ele fitava o rosto de cada um, aleatoriamente.
-Edward…
-Nem pensar, isso está fora de questão – retrucou meu pai, sem dar tempo de Alice fazer a sua pequena introdução dramática da situação.
-Porque não? Vai ser divertido para ela. Vá lá Edward, deixe de ser casmurro.
-O que se passa? – Eu fechei a boca ao ver a minha deixa ser roubada por Bella
-O que se passa, é que amanhã os jovens Quileutes vão organizar um acampamento na First Beach, e o cabeça dura de seu marido não quer deixar Nessie ir. – Alice cruzou os braços, empinando o pequeno nariz. – E eu já tinha comprado alguns acessórios e equipamentos para ela levar.
O acampamento! Deus, tinha me esquecido completamente. Voltei minha atenção para Edward, que parecia não querer mudar uma vírgula na sua decisão. A única inexpressiva era Bella, como se ponderasse no assunto. Alice deambulou até ele, com as mãos sobrepostas junto ao queixo. A pequena fada estava mais animada para esse acampamento que todos os Quileutes juntos.
-Por favor Edward, deixe-a ir.
-Eu não quero minha filha longe de meus olhos, logo agora com este vampiro á solta.
-Ela estará protegida em La Push. – Jake sorveu uma pouco de ar, gesticulando as mãos suavemente. – E eu prometo não tirar os olhos dela.
-Essa tarefa não será muito difícil para você, não é mesmo? Sobretudo quando você irá passar uma noite inteira com ela numa tenda – comentou Emmett sem tirar os olhos do tabuleiro, derrubando a rainha de Rose – Cheque mate, minha cara.
-Não meta lenha na fogueira, Emm. – Jasper riu sorrateiro, e ambos trocaram um olhar cúmplice. – Não é assim que vai ganhar a apostar. - Ótimo, estes dois e as apostas mirabolantes.
-Lamento cachorro, mas Edward ainda tem o bom senso de não deixar a filha se misturar com companhias que fedem – interrompeu a loira; sua expressão era tingida com traços vitoriosos, mesmo que tivesse perdido o jogo de xadrez para Emmett.
A linha do maxilar de Jake estava retesada, à medida que passeava sua mão esquerda pelos cabelos, numa tentativa de ignorar a loira. Parecendo vencido, ele ergueu-se do sofá e eu aproximei-me dele, segurando-lhe o pulso para permanecer no mesmo lugar. Fitei meu pai. Raras são as vezes que eu lhe peço algo. Por isso mesmo, eu lhe imploro que me deixe ir. Confie em mim, e eu não o decepcionarei, prometo. E acima de tudo, confie em Jacob como sempre confiou, tal como o irmão que o considera. Ele me protegerá e me respeitará, se é esse o seu maior receio.
-Por favor – completei em alta voz.
-Rachel está ansiosíssima para tê-la lá.
-E você ainda mais.
-Emmett, você não está ajudando. – Alice fez beicinho, fazendo o irmão rir com uma sonoridade contagiante.
Bella enlaçou o pescoço de Edward e sussurrou-lhe suavemente na orelha, como uma artimanha bem articulada para fazer meu pai ficar mais brando quanto a decisão.
-Bella… - soprou num sussurro musical ao conhecer o poder persuasivo que a sua mulher tinha perante ele.
-Deixe a pequena ir, meu amor. Ela precisa sair deste ambiente enclausurado ao qual nós a submetemos por causa dos últimos acontecimentos.
-É perigoso demais, recuso-me a aceitar.
-O bando protegerá ela, não se preocupe. Assim até podemos aproveitar o dia para procurar novas pistas. – Ele fechou os olhos e um fez uma pausa longa. Por fim suspirou:
-Está bem. – Meu peito encheu-se de alegria e exaltação. – Espero bem que você tome conta de minha filha como se ela fosse um diamante bruto. – Jacob assentiu com um sorriso grandioso e Edward suspirou – Faça com que eu não me arrependa da decisão que tomei. E acima de tudo, faça por merecer viver. – Senti Jake engolir em seco perante a sentença de Edward, acabando por lançar um sorriso amarelo.
-Eu sabia que você ia deixar. - Uma pequena vampira saltitou de entusiasmo e saiu do nosso campo de visão, como um trovão em pleno céu nublado.
-Pode deixar Edward. A vida dela é a minha.
-E não é que além de feder, ele é poético.
-Falando em poesia, grandalhão, me dê o que deve. – Ouvi Jasper reclamar.
-Isso não vale, Alice já te tinha contado a decisão dele. – Emmett fez um muxoxo engraçado com os lábios em bico.
-Você não é grandinho de mais para fazer birra? – Bella entrou na brincadeira. – Se quiser, eu vou buscar o seu aviãozinho para você não chorar.
De repente um tabuleiro de xadrez voou diretamente para Jake, que se desviou a tempo. O tabuleiro desfez-se em pedacinhos minúsculos contra a parede. Todos olharam em silêncio para uma Rose irritada. Esta, dirigiu-se até Jake, estacando à sua frente. Apontou o dedo indicador para o peito dele e rosnou:
-Não se atreva a tocar num fio de cabelo da minha sobrinha enquanto estiverem sozinhos naquela maldita tenda, ou eu mesmo te desfaço-o em nada como fiz com aquele mísero tabuleiro. – Um rubor tomou conta de minha face já rosada com a directa de Rose.
-Nessie, me lembre de ter medo de vampiro com TPM, quando estivemos acampando.
-Se essa menina for como a mãe, ela vai se divertir muito no acampamento, principalmente se a temperatura tiver muito fria fora da tenda. – Rose e Bella lançaram um olhar mortal e faiscante para Emmett, que gesticulou as mãos à frente do peito em modo de defesa. – Paz minhas irmãs, paz! Sou só um orador dos tempos modernos, e com tal, eu só tenho um olhar inovador para a juventude de hoje em dia.
-Não é assim que você vai fazer Edward mudar de ideias. – Jasper assobiava melodiosamente.
Edward rodou os olhos, porém riu-se abertamente ao mergulhar o nariz no ombro de minha mãe e dar-lhe um terno beijo no colo. Emmett continuou com o beicinho e chocalhou com a cabeça ao mover-se até a mim. Num ar dramático, colocou a mão sobre meu ombro e murmurou:
-Só espero que você se divirta Nessie, já que seu tio acabou de perder o novo iate que comprou.
-De certo que você compra um melhor, tio - tentei reconfortá-lo enquanto Jake ria.
-De preferência um que afunde a loira de vez.
Alice entrou novamente na sala, com um grandioso saco nas costas. Com um sorriso glorioso, pousou o saco no chão – não sei como este não estremeceu com o peso do saco.
-Está aqui o saco. Preparei tudo. Quatro mudas de roupa de todas as seções, desde meias até casacos, um par de chinelos, algo para você dormir confortavelmente. – Ela fitava o teto concentrada enquanto enumerava pelos dedos os objetos que tinha colocado naquela grande mochila. - …e sua tenda vai separada, junto do saco cama.
-Alice, eu só vou acampar durante um dia, não vou viajar até à Europa. – Ela deu ombros.
-Meu doce, pequenos percalços sempre acontecem, por isso você já vai prevenida. – Sim, Alice quando queria era impossível, mas no fundo ela tinha razão.
-Então… - pigarreou Jake, voltando seus olhos cintilante nos meus. – Amanhã de manhã venho te buscar. – eu anui com um sorriso jubiloso raiado em meus lábios.
Por fim procurei timidamente os topázios de Edward, que de imediato se encontrou com os meus chocolates. Com o mesmo sorriso irrefletido preso nos lábios, murmurei mentalmente um: obrigada! Ele apenas fez uma mesura de cabeça, mexendo os lábios sem pronunciar algum som, onde pude ler um: eu confio em você, meu anjo.
N/A:
Olá minhas queridas!
Aqui está um capítulo, sem muitas revelações, ou muito movimento, porém acreditem, ando com uma vaga de falta de imaginação terrível, embora tenha finalmente achado tempo para escrever.
Eu prometo que o próximo capitulo será menos monótono que este, até porque já escrevi um pouco dele. E me desculpem novamente por este bloqueio que me está a dar. Espero que ele seja temporário.
Vou dedicar pelo menos dois capítulos e meio ao acampamento, para depois começar a entrar na acção da história. E finalmente puderam saber mais sobre esse ser que anda atormentando Renesmee e Jake.
Quero também agradecer a quem ainda acompanha esta fic e deixa os comentários de apoio, além dos novos leitores: Dupla Marota; Anna R Black; ChunLi Weasley Malfoy; Xana Black; mari gimenes; Karine Q; Nessi Black; Srª Black; Thais; Deh Noss; ValerieLR. Meninas, vocês são a força que me faz olhar para a página branca do Word e conseguir escrever alguns trechinhos. O meu obrigada, do fundo do coração.
Beijocas grandees***
Taty Black
