N/T: Geeeeente, você não tem noção de como demora para traduzir um capítulo de 19mil e poucas palavras. Meus dedinhos estão com calos! Hahah! Mas vale a pena:) Aproveitem esse capítulo, que é lindo! E quero reviews, hein! São mais de 16 mil hits e tão poucos reviews chora Brincadeirinha! Obrigado por lerem a fic, eu traduzo com carinho! Beijão :

Capítulo 10

Well, how can I forget you, girl?

(Como eu posso esquecê-la, garota?)

When there is always something there to remind me?

(Quando há sempre algo para me lembrar?)

-- Always Something There to Remind Me by Naked Eyes


Draco esperou até não poder ouvir mais suas vozes antes de guardar seus livros e pergaminhos na mochila. Não queria fazer nenhum barulho e arriscar Potter o ouvir mexendo-se na sala de estudos, mas tinha certeza que os batimentos em seu peito o entregariam da mesma forma. Um minuto ele estava no céu e no próximo, estava de volta ao inferno. Sentir Hermione movendo-se embaixo dele, a deliciosa fricção que o corpo dela fazia contra o dele, pele suave e quente sob seus dedos... E então Potter tinha que estragar tudo. Como sempre. Maldito Potter!

O agitado sonserino agarrou sua mochila ao lado do sofá e jogou a capa por cima dos ombros antes de ir para a biblioteca e depois para o corredor vazio. Apressou-se pelos corredores, caminhando rápido em direção às masmorras da Sonserina, agradecido por não encontrar ninguém ao longo do caminho. Sabia que iria ser um escândalo. Ofegava, como se tivesse acabado de fazer 300 manobras de quadribol; seu rosto estava vermelho e seu cabelo bagunçado. Qualquer mentira que ele estivesse contando a si mesmo de que Hermione Granger não tinha mais efeitos sobre ele eram absurdas; a pequena sessão de 'estudo' provou isso. Com alguns segundos de beijo, ele ficara notavelmente excitado e todos os toques gentis e gemidos suaves dela só aumentavam a sensação. E ele nunca sentira algo como quando ela beijava-o no pescoço. A intromissão de Potter não diminui a condição de Draco. Havia apenas uma coisa a fazer.

Finalmente, ele viu a entrada para as masmorras e latiu a senha. A limpa parede de pedra abriu-se e ele correu para dentro, esperando caminhar até seu quarto sem ser notado, mas, claro, havia uma pessoa acordada ainda, revisando seu trabalho de Transfiguração.

Lissane tirou os olhos do livro para ver um flash de roupas pretas e cabelos louro platinados passar pelo cômodo, fazendo seus pergaminhos voarem, enquanto ele corria até o dormitório.

Ela gritou:

- Draco, onde você... - mas ele já estava fora de vista antes que ela terminasse a sentença.

Poucos minutos depois, emergiu do quarto, uma toalha numa das mãos, e produtos de higiene pessoal na outra. Ele olhou estranhamente para ela, mas não disse nada. Ela gritou para ele mais uma vez enquanto ele encaminhava-se para os banheiros masculinos.

- Draco, onde você está indo agora?

Ele respondeu, mas mais parecia que estava falando consigo mesmo do que com ela:

- Banho. Gelado.

Ela balançou a cabeça com pesar e murmurou para si mesma:

- O coitado está ficando louco. Espero que não fique assim a cada teste que tiver.

Olhou para a porta fechada por alguns segundos, então voltou para a lição de Transfiguração.


Na vontade de juntar suas coisas da sala de estudos da biblioteca com rapidez, Hermione apenas enfiara todos os seus pertences dentro de sua já surrada mochila. Enquanto ela corria pelos corredores, tentando alcançar um obviamente irritado Harry que andava estranhamente quase correndo, sua mochila rasgou-se e tudo caiu no chão. Com um suspiro exasperado, ela murmurou 'Droga!' e parou para juntar suas coisas. Harry continuou andando.

Ela abriu a boca para chamá-lo, mas antes que as palavras pudessem sair, ele virou-se, os olhos brilhando.

- O que - Harry pausou, obviamente tentando controlar seu temperamento - diabos você acha que está fazendo??

Abaixada no chão, Hermione encontrou sua varinha, apontou para a mochila e murmurou:

- Reparo - o rasgou costurou-se imediatamente e ela começou a colocar as coisas para dentro. Com óbvio incomodo, ela disse - Estou recolhendo meus livros e penas, que estão neste momento atirados no corredor de Feitiços, sem ajuda sua, devo acrescentar. Você poderia pelo menos me dar uma mão em vez de ficar parado aí, gritando comigo por razão alguma.

Ele andou e parou na frente dela, mas sem ajudá-la.

- Eu não estou falando de agora. Eu quero dizer mais cedo, na biblioteca. - a voz dele encheu-se de raiva.

Ela olhou para ele, sem conseguir mascarar sua surpresa. Ele vira alguma coisa? Não poderia. Estava do lado de fora. Ele sabe? Harry olhou para baixo, seus olhos de esmeralda rasgando a máscara de confusão dela. Precisava olhar para longe. Seus olhos sempre buscavam a verdade; ela não conseguia mentir para ele quando ele olhava para ela daquela forma. Veritaserum era ridículo, só de olhar para o rosto dele fazia qualquer um cantar como um canário. Ela ocupou-se com alguns pergaminhos no chão, evitando seu olhar. Era a única chance de manter-se calada.

- Do que você está falando? Eu estava estudando Aritmancia para o teste. Você sabe disso.

Ela pode ouvir o som de passos perto dela, então o rosto dele estava na frente do dela; ele havia se abaixado à sua frente, seus olhos penetrantes encarando-a.

- Engraçado, eu não lembro de você, ou de ninguém mais, ter me dito que Aritmancia é uma matéria que demanda esforço físico. Quando você abriu a porta, você estava respirando tão rápido e suas roupas estavam tão amarrotadas que eu pensei que você estivera lutando com um trasgo - ele pausou, vendo milhares de emoções passarem pelo rosto dela - E eu ouvi barulhos também. Na verdade, eram gemidos.

O rosto de Hermione tornou-se tão vermelho quanto as roupas de quadribol de Harry. Ela ficou de pé para pegar uma pena que caíra do outro lado do corredor. Qualquer coisa para ficar longe daqueles olhos.

- Gemidos? Que absurdo - ela riu, mas foi uma risada cheia de nervosismo. Sua mão tremeu quando ela esticou-a para pegar a pena.

Mas Harry fora mais rápido. Ele não havia sido denominado o mais novo Apanhador em 100 anos por nada. Ele pulou através do corredor e pegou a pena do chão, então levantou-se abruptamente na frente da melhor amiga. A garota que ele pensara conhecer melhor que qualquer outra. A garota que nunca mentira para ele.

- Eu vi a mochila dele, Hermione. Eu sei que Malfoy estava lá com você.

As vezes, Hermione realmente odiava o quão direto Harry era. Ele não fazia jogos, ele não cobria a questão; Harry falava o que pensava, o que era normalmente uma arma excelente. A maioria das pessoas não esperava ser acertada com a verdade de cara, então quando ele o fazia, elas não tinha tempo para reagir, não tinham como escapar. Felizmente, Hermione nunca fora alvo da arma de Harry; até agora. Ela estava sem palavras.

Ela tentou esquivar-se dele, mas ele agarrou-a pela mão e arrastou-a até uma sala de Feitiços vazia, para ter privacidade. Ele balançou a varinha e disse 'Lumos' um pouco mais severamente do que necessário.

- Eu vi a mochila dele com o símbolo da Sonserina e um casaco com o distintivo de Monitor no sofá. O único Monitor da Sonserina é o Malfoy, então você vai me dizer o que ele estava fazendo lá ou devo ir até as masmorras para perguntá-lo eu mesmo?

Ela abriu a boca para dá-lo uma explicação racional, mas infelizmente não conseguiu pensar em uma. Sua cabeça estava girando muito por tudo o que acontecera nos últimos trinta minutos. Não conseguia pensar em uma desculpa e, o mais importante, não queria. Não podia mentir para o melhor amigo mais -- não era certo, e precisava de alguém com quem conversar. Tudo estava muito confuso em sua cabeça e em seu coração, criando confusão e ansiedade. De um jeito estranho, ela estava feliz que Harry vira a mochila de Draco.

Hermione jogou-se em uma cadeira e apoiou a cabeça em cima da mesa à sua frente. Grunhiu.

- Harry, nem eu consigo entender. Como vou poder explicar para você?

Ele não ficara tocado com o óbvio estresse dela. Cruzou os braços na frente do peito e disse:

- Eu não sei, mas é melhor começar a falar. Nesse momento tem tanta coisa na minha mente que cada possibilidade do porque você estar com Malfoy quando você disse que estaria estudando é lucro.

Ainda com a cabeça na mesa, ela disse:

- Mas nós estávamos estudando. Pelo menos foi assim que começou.

Uma imagem horrível piscou na mente de Harry e toda a raiva se dissipou enquanto ele movia-se rapidamente até o lugar onde Hermione estava sentada.

- Deus, Hermione, o Malfoy te machucou? Ele fez alguma coisa?

Ela olhou para cima instantaneamente, uma expressão surpresa nos olhos.

- O que? Não. Não foi nada disso.

Harry obrigou-se a acalmar-se.

- Então me diga o que está acontecendo. Eu sei que alguma coisa aconteceu enquanto você estava em Beauxbatons, você não é a mesma desde que voltou. Primeiro eu achei que você só estava tentando ajustar-se em Hogwarts novamente, mas você já está aqui faz seis semanas, e ainda parece distante. Você passa todo o tempo estudando, e quando passa algum tempo com a gente, você fica com esse olhar distante nos olhos. Nós todos pensamos que você estava apenas nervosa com esse teste de Aritmancia e estivera estudando como uma louca, mas então eu vejo as coisas de Malfoy na sua sala privada. O que você acha que eu devo pensar?

Hermione levantou-se e começou a andar nervosamente pela sala. As emoções de Harry mudavam de preocupação para raiva rapidamente, por causa do estranho comportamento de Hermione. Ela estava testando sua paciência.

- Comece a falar, Hermione, ou eu vou achar Malfoy nas masmorras, porém antes eu vou ir pegar Rony para ambos ouvirmos a história diretamente dele.

Ela levantou a mão, frustrada.

- Tudo bem, tudo bem. Eu falo. Mas você deve me prometer que vai me ouvir antes de falar qualquer coisa.

Harry imediatamente ficou com uma expressão preocupada no rosto.

- Por que será que eu tenho uma sensação ruim sobre isso?

Ela sorriu fraquinho, e então começou a contá-lo tudo, da viagem de trem até o acontecimento na biblioteca. Do primeiro ato de chantagem da parte dela até o último pedido de ajuda de Draco. Do primeiro sorriso charmoso de Phillippe até seus dois olhos roxos, cortesia de Draco; ela apenas o privou das descrições detalhadas de seus momentos mais íntimos com o loiro em questão. Ela sabia que era difícil Harry ouvi-la falar tanto quanto era para ela contá-lo sobre si e Draco.

Demorou um tempo até contar tudo a Harry e, quando ela terminou, Hermione sentiu um rápido alívio. Harry havia ficado em silêncio na maior parte da história, interrompendo apenas para esclarecer sobre a noite do Baile Bon Voyage e de como Draco descobrira o esquema de Phillippe. Era bom conversas com alguém sobre tudo o que acontecera e não ter que esconder mais. Com a voz rouca de tanto falar, Hermione terminou e sentou-se, respirando fundo. Ela sabia que a parte fácil acabara. Esperando pela reação de Harry, imaginou o que ele diria, e isso a encheu de nervosismo e apreensão. Ela esperou que ele tentasse ficar calmo e que não explodisse como uma bomba; contudo, uma pequena parte dela temia que era informação demais para processar, e ele explodiria como Rony faria.

Harry olhou para ela por algum tempo em silêncio, sua mente repetindo a história que ela acabara de contar. Quando ele finalmente falou, o tom era sério.

- Me desculpe, Hermione, mas eu não consigo acreditar que Malfoy poderia mudar tanto em oito semanas. Não faz sentindo. Olha quem o pai dele é, olha o tipo de gente com quem ele anda. Eles estão todos no círculo íntimo de Voldemort - ele viu que ela já estava abrindo a boca para responder, então adicionou - E eu sei que você é inteligente demais para acreditar em todo aquele lixo que Lucio vem mostrando ao Ministério no último ano sobre com ele é um homem limpo. Eu o vi lá com Voldemort na noite em que Cedrico morreu. Lucio Malfoy ainda é um Comensal, não importa o quanto ele, ou seu filho, negue.

Harry engasgou-se com a lembrança daquela noite horrível. Hermione sabia que ainda o assombrava. Rony havia dito a Harry que ele acordava algumas vezes durante a noite, chamando o nome de Cedrico.

- Eu não discordo de você sobre o pai de Draco. O que eu quero dizer é que Draco não precisa se tornar exatamente o que ele é - Harry arqueou as sobrancelhas surpreso, então ela explicou - Olha, ambos os meus pais são dentistas, e mesmo que eu nunca soubesse que eu era uma bruxa, eu ainda assim não teria me tornado uma dentista. Eu morro de medo daquelas brocas e das injeções de Novocaína.

Ela teve um calafrio ao pensar naquilo e Harry sorriu um pouco. Ela continuou, mais cautelosa:

- E olhe para você. Seu tio e tia são as pessoas mais cabeça fechada, chatas e frias no planeta, e você não é nada como eles. Você é uma das pessoas mais doces e legais que eu conheço. Então onde diz que Draco deve seguir os passos de Lucio?

Harry ainda não estava convencido.

- Você não vê? Ele está agindo como o pai agora - Hermione olhou para ele, curiosa - Você vem mentindo para seus amigos por semanas, por que Malfoy a pediu. Ele a manipulou e criou um esquema para fazer você o ajudar, essencialmente cortando seu contato com os amigos.

Hermione sacudiu a cabeça em negação.

- Não foi assim. Ele realmente precisava da minha ajuda para Aritmancia, e até hoje, nós realmente passamos todo o tempo que passamos juntos estudando. E eu o ofereci ajuda; ele não pediu. Eu faria a mesma coisa por qualquer um que precisasse. Além do mais, tecnicamente, eu não menti para vocês. Eu estava estudando Aritmancia todas as noites que disse que estaria.

Harry rolou os olhos para ela.

- Você estava mentindo por omissão. Toda a noite que você ia estudar, você convenientemente esquecia de adicionar que era com Malfoy. Este é um grande detalhe a ser deixado de fora.

Ela suspirou profundamente.

- Parecia mais fácil deste jeito. Nós vínhamos evitando qualquer coisa por semanas. Eu acho que era inevitável que alguma coisa fosse acontecer. Entre todo o stress do teste, manter tudo em segredo e tudo o que aconteceu na França, você não acha que ia acontecer algo?

Ela precisava ouvir alguém dizer que estava tudo bem, que ela não estava ficando louca. Que havia uma explicação racional para o jeito que ela estava se sentindo.

Harry inclinou-se na cadeira.

- Acho que sim. Eu sabia que você tinha algo em mente, e coisas ruins acontecem quando você esconde-as. Então eu acho que a próxima pergunta é; quando você planeja contar a Rony? - ele correu os dedos pelo já bagunçado cabelo.

Hermione ficou pálida ao pensar em contar ao amigo ruivo e esquentado. Harry conseguia ouvir a razão quando necessário, mas Rony era notoriamente conhecido pelo jargão 'faça antes, pense depois'. Ela não tinha certeza se conseguiria suportar a queda que seria contá-lo. Pensou sobre aquilo um momento e argumentou:

- Por que eu devo contar tudo a Rony? Pelo menos não agora - ela sorriu - Vem dizer que vocês garotos me contaram sobre todas as garotas que vocês beijaram.

Hermione sabia que o tinha na mão nesse ponto, pois sabia de fato que Rony beijara uma garota enquanto visitava Carlinhos na Romênia, e só sabia pois Gina a contara. Rony não dissera uma única palavra.

- Eu ainda estou esperando Rony me contar sobre o caso dele com aquela bruxa da Romênia.

- Eu não acho que foi tecnicamente um 'caso'. Estava mais para mãos dadas e uns beijinhos - ele riu à custa do amigo - Fred e Jorge abusaram e provocaram dele sem misericórdia.

Ela riu um pouco também.

- Eu sei. Gina me contou. Mas vê o que eu quero dizer? Eu soube disso tudo pela Gina. Nem você, nem Rony viram a necessidade de me contar, então não vejo a necessidade de Rony saber sobre eu e Draco.

Harry tremia com o contínuo uso do primeiro nome de Malfoy. Era tão estranho para ele ouvi-la falar da pedra em seu caminho com tanta familiaridade. Ele arqueou as sobrancelhas, imaginando.

- Você quer dizer que existe um 'você e Draco' para se falar?

- Não - ela respondeu rapidamente. Vendo a curiosa reação no rosto de Harry, ela explicou - Quero dizer, eu não vejo ponto nenhum em contar a Rony quando não há nada para contar. Você sabe como ele fica. E imagina quando descobrir que eu beijei um Malfoy!

Harry balançou a cabeça, concordando.

- Tem razão. Rony mal consegue ficar na mesma escola que Malfoy, e se ele soubesse que você e Malfoy... bem, eu acho que a reação dele poria a Grifinória na zona vermelha de pontos - ambos riram um pouco. Mas Harry continuou, um tom mais sério - Hermione, você não está planejando começar nada com Malfoy, está?

Ela respirou fundo.

- Eu não pensei sobre isso.

Mas pela expressão nos olhos dela, Harry sabia que aquilo não era verdade. Ele sentia que ela pensava mais sobre aquilo do que qualquer coisa, mesmo que admitisse para si mesma ou não.

- Então me deixe dizer, e, por favor, me ouça - ele colocou uma mão no ombro dela e apertou, confortando-a - Eu não tenho certeza que consigo acreditar neste novo e melhorado Malfoy que você conhece. Está muito além do reino das possibilidades para eu engolir. Mas eu consigo ver que você acredita, e você é a pessoa mais inteligente que eu conheço depois de Dumbledore, então eu confio que você não será enganada pelos poderes de persuasão de Malfoy.

Hermione corou pelos elogios de Harry e a confiança que ele depositava nela.

- Você tem que admitir, ele tem sido muito mais educado com os grifinórios este ano - Hermione ofereceu como prova - As brigas foram normalmente instigadas pelos meus dois super protetores guarda-costas ou pelos dele - ela sorriu - Draco segurou a língua muito mais do que no passado. Isso deve contar para alguma coisa, não?

- Talvez - Harry admitiu a contragosto, mas adicionou com uma voz mais grossa - Contudo, isso não significa que eu confio nele. Nem de longe. E eu acho que você vai apenas se machucas continuando com ele. Mesmo que ele recebera um transplante de personalidade, a família dele ainda é a mesma. E eles machucariam você, Hermione. A primeira chance que ele tiver, Lucio Malfoy vai machucar você. Não se engane sobre isso.

Ele falava com tanta preocupação, que Hermione ficou chocada com a força de sua convicção. Ela esquecera como era bom conversar aberta e honestamente com Harry. Ele a conhecia; de um jeito que só um melhor amigo podia.

- É fácil fazer promessas a alguém quando você está em outro país ou longe de Hogwarts, mas Draco conseguirá manter as promessas quando ele estiver cara-a-cara com os colegas e os pais? Relacionamentos entre sonserinos e grifinórios são notoriamente conhecidos por acabarem mal, e vocês dois não são qualquer alunos.

Hermione abriu os olhos com surpresa e riu.

- Nossa, Harry, você soa como se tivéssemos declarado o amor eterno um pelo o outro ou algo assim. Draco não me prometeu nada, e eu não o prometi nada também - ao olhar de alívio de Harry, ela adicionou - Foram só alguns beijos, e cada um deles foi uma total surpresa, tanto que nem falávamos sobre eles depois.

- Então você não está em um relacionamento com ele?

- Se 'relacionamento' quer dizer namorar, dar as mãos e dar longas caminhadas românticas juntos, então não.

Harry respirou fundo.

- E você quer ter um relacionamento com ele?

Ela olhou-o nervosamente, sentindo os olhos de esmeralda puxar a verdade de dentro dela.

- Se ele reverter para o antigo Malfoy, então não, claro que não - ela cobriu a mão dele em seu braço com a própria mão - Eu sei que parece estranho, mas eu não acho que conhecia o verdadeiro Draco Malfoy até Beauxbatons. Eu acho que o garoto com quem nós brigamos durante cinco anos não é o verdadeiro bruxo.

- Você merece algo melhor do que alguém que não pode ser o mesmo em público e na intimidade - ele falou com convicção, os olhos implorando que ela não agisse com impulsividade.

- Eu sei, por isso não estou contando com algo sério acontecendo entre nós. Você me conhece, Harry. Eu sou mais lógica impossível. E envolver-se com um Malfoy é provavelmente a coisa mais ilógica que uma bruxa nascida trouxa pode fazer.

Ele sorriu, feliz em ouvir as palavras dela.

- Então você não o ama?

Ela riu abertamente.

- Amar Draco? Harry, ao contrário do que as minhas colegas de quarto Lilá e Parvati dizem, uma garota normal não se apaixona por um garoto diferente a cada semana.

As bochechas de Harry queimaram de vergonha. Do jeito que as garotas no salão comunal falavam, parecia que sempre conversavam sobre estar apaixonada por um garoto ou outro.

- Bem, então tá. Pelo menos isso está claro.

Ela levantou da cadeira, confiante de que a 'conversinha' estava finalmente concluída. O humor na sala estava consideravelmente mais light do que quando ele agarrou-a pelo braço a arrastou-a até lá. Mas então um pensamento chocou-se contra Harry enquanto eles andavam até a porta. Ele parou de andar e virou-se, coçando a cabeça e a estudando.

- Hermione, você acha que está se apaixonando por Malfoy?

Se ele esperava por uma negação firme, ficou desapontado. Ela mordeu o lábio inferior e respondeu:

- Eu não sei. Eu apenas não sei.

Harry argumentou:

- Então eu acho que é melhor você evitar qualquer contato olho-a-olho com ele, antes que as coisas comecem a progredir e...

- Eu não posso dar as costas para ele, Harry. Não agora. Por oito semanas ele ficou essencialmente isolado de todas as influências negativas da Sonserina e toda a propaganda de ódio aos sangue-ruins. Enquanto meus amigos e família me mandavam montes de cartas e pacotes, Draco recebeu apenas um punhado delas. As poucas cartas que o pai dele conseguiu mandá-lo não pareciam muito amigáveis. Eu acho que ficar separado de tudo deu ambos a chance de ver como o outro vive. A vida dele não é tão bonita e encantada como ele diz que é, e eu acho que ele reconheceu que as coisas não são apenas pretas e brancas como foi ensinado. Eu não vou jogar isso fora só porque você tem medo do que podemos fazer se ficarmos sozinhos.

- Tudo bem. Eu só estou dizendo que ele ainda é muito imprevisível e pode tentar usa sua - ele pausou, tentando encontrar uma palavra que não o fizesse vomitar, finalmente encontrando-a - proximidade com você para esquematizar e manipular e ser o rei da Sonserina novamente - ele pausou novamente, um pouco mais desconfortável - E se ele tentar alguma coisa novamente? Você realmente quer ser a garota com quem ele se agarra atrás de portas fechadas, mas mal pode agir de modo civilizado na frente de outras pessoas?

Hermione ponderou, já que Harry realmente tinha um ponto de vista.

- O que você sugere, então? Se ele ainda for querer minha ajuda em Aritmancia, eu não quero dizer 'não', pois isso só vai atiçar na mente dele as idéias do pai sobre sangue-ruins.

Harry mexeu-se desconfortavelmente.

- Você poderia ter um acompanhante - os olhos de Hermione alargaram-se de choque - Alguém que já sabe da sua situação com ele. Alguém que faria com que Malfoy mantivesse sua mente em Aritmancia e as mãos longe de você. Alguém como eu.

Harry pensou que nunca se acostumaria com a idéia de que Draco Malfoy - a pedra em seu caminho, o mais extraordinário dos idiotas, o mais insolente de todos os bastardos do universo - era o garoto que evocava aqueles gemidos prazerosos de Hermione. Era inacreditável e certamente surreal. Contudo ele também sabia que Hermione era muito teimosa e independente, puxá-la para longe de Malfoy falando mal continuamente do mesmo iria apenas empurrá-la nos braços abertos dele; e, na opinião de Harry, não tinha pior lugar para uma bruxa nascida trouxa estar do que nos braços de um Malfoy.

Naquela sala, Harry prometeu manter Draco Malfoy sob seus cuidados mais do que nunca.


Draco esperou ansiosamente Hermione entrar no Salão Principal para o café na manhã seguinte. De alguma forma, achou que poderia ler pela expressão dela o que havia acontecido depois que ela e Potter deixaram a biblioteca na noite anterior, mas ela não apareceu. Disse a si mesmo que ela provavelmente apenas queria estudar um pouco mais antes do teste de Aritmancia, mas uma sensação engraçada o dizia que aquele não era o verdadeiro motivo de sua ausência. Cada vez que ele olhava para a mesa da Grifinória, facas verdes bastante pontudas estavam encarando de volta. Harry Potter estava observando Draco com mais ferocidade do que antes.

Depois do café, ele correu até a sala da Prof. Vector, esperando trocar algumas palavras com Hermione antes do teste, mas ela também não estava lá. Por alguma razão além de sua compreensão, ele precisava vê-la antes do teste. Sua presença podia acalmá-lo. Finalmente, ela chegou, um pouco antes da sineta tocar anunciando o começo das aulas. Ela apressou-se até sua mesa e sentou-se ao lado de Dino Thomas, um colega da Grifinória, sem nem ao menos olhar para o lado sonserino da sala. Prof. Vector passou os exames, e Draco começou a virar as páginas. Tudo parecia familiar. Estava realmente preparado. Ele podia sentir os olhos dela nele, então olhou para o outro lado da sala. Ela sorriu e murmurou um 'Boa sorte'. E com um último suspiro, ele começou.

Depois que Draco entregara seu teste, juntou seus livros para ir embora. Sentia-se vagamente confiante de que fora bem; melhor do que ele teria ido sem a ajuda de Hermione. Entendera as perguntas e foi capaz de solucionar os problemas. Sabia que era incapaz de conseguir falar com Hermione depois do teste de Aritmancia; todos se juntavam em volta dela, como se ela fosse um livro de respostas vivo. De acordo com a maioria dos colegas, as respostas de Hermione eram sempre as corretas, então havia sempre muita comparação. 'Hermione, o que você achou na 15? E quanto a 20B?' Era sempre assim depois de todos os testes.

No dia seguinte, cada vez que ele vira Hermione, ela estava com um dos amigos grifinórios. Potter, em particular, parecia especialmente grudado em sua cintura. Ela parecia mais alegre e menos estressada do que nas últimas semanas. Ria e sorria, lembrando à Draco dos dias divertidos que tiveram na França; as sessões de estudo até tarde, a viagem para Paris. Fazia seu estômago revirar de ver seus olhos brilharem novamente, mas o deixava irritado saber que os sorrisos dela não eram para ele. Podia dizer que algo mudara entre ela e Potter, algo que acontecera depois que ele a pegara na biblioteca, e Draco estava ficando louco de curiosidade.

Uma nuvem estranha e proibida de ciúmes escureceu sua mente enquanto ele via Hermione com Weasley e Potter no café da manhã de Sexta. Estavam todos rindo e conversando naturalmente, incomodando Hermione com alguns pedaços de bacon feios e tomando suco de laranja. Olhou em volta para a sua própria mesa, muito menos feliz e muito menos agradável que a mesa da Grifinória. Por que ela olharia para ele, se ela tinha os amigos para mantê-la ocupada? Achou que deveria ter cruzado algumas linhas aquela noite na biblioteca. Aquilo deveria ter sido o necessário para ela esquecê-lo, ele pensou silenciosamente. Alguns beijos a mais para tirá-lo de seu sistema. Então por que não funcionou para ele? Por que ela ainda estava em seus pensamentos?

Finalmente, algo aconteceu para mostrar as rachaduras na armadura de Hermione. O correio-coruja. Como toda a manhã, as corujas vieram voando para o Salão Principal para entregar cartas e pacotes. Dois pássaros em particular chamaram a atenção de Draco, pois eles traziam o símbolo de Beauxbatons estampados nos grandes pacotes que carregavam. Um voou até Hermione e entregou um pacote idêntico ao que caiu na frente de Draco. Ele reconheceu a caligrafia fina e feminina de Isabel imediatamente.

Lissane estava sentada ao lado dele. Ela olhou para o pacote com curiosidade.

- Mmmm. De uma admiradora secreta, Draco? Cartas de amor de bruxas bobinhas que esperam que você vire seu namorado?

Ele riu enquanto abria o pacote. Isabel aparentemente usara um rolo inteiro de fita para ter certeza de que a caixa não abriria durante o vôo.

- Muito engraçado, Liss. É de Isabel Dupris. Você lembra, a garota da qual eu falei para você. Ela é filha no Ministro da Magia francês.

Finalmente ele conseguiu abrir um dos lados da caixa e escorregou os objetos para fora. Tinha uma nota em cima.

'Queridíssimo Draco,'

- Aha! É uma carta de amor - Lissane exclamou, olhando por cima do ombro de Draco para ler a carta.

Ele virou-se para que ela não pudesse ler.

- Você se importa? Isso é privado.

Ele e Isabel trocaram muitas cartas nas últimas semanas, e ela sempre mencionava Hermione. Mesmo que nunca mencionasse a bonita grifinória em suas respostas, Isabel ainda assim perguntava como estava Hermione. Não achava que seria prudente Lissane ou qualquer outro sonserino ler qualquer coisa sobre Hermione em sua correspondência. Achando-se relativamente seguro dos olhos inquisidores de Lissane, ele continuou a ler novamente.

'Queridíssimo Draco,

Eu espero que tudo vá bem em Hogwarts. Está mortalmente chato aqui sem você para esquentar as coisas. Phillippe ainda está se comportando incrivelmente bem desde que você o deixou acabado, então não tenho nem mesmo as palhaçadas dele para me entreter.

Eu estou mandando para você algumas fotos que foram tiradas durante sua visita aqui. Algumas delas vão estar no nosso anuário quando o ano acabar, mas não pude esperar para vocês vê-las. Considere um presente de Natal tardio, eu acho que você vai gostar.

Tudo de bom,

Isabel

Obs.: Eu mandei cópias para Hermione também. Mesmo na foto, vocês estão lindos dançando juntos.'

Draco releu a observação novamente. Olhou nervosamente para a mesa da Grifinória e viu o rosto ansioso de Hermione olhando-o de volta enquanto ela também desfazia seu pacote antes de voltar os olhos para o conteúdo. Acomodado entre um material esponjoso e leve material, Draco pescou seu presente. Era um álbum de fotos com o símbolo de Beauxbatons e seu nome gravado na capa. Continha fotos de alguns de seus passeios de campo e também de diferentes aulas. Havia também um porta-retrato, decorado de fitas prateadas e douradas. Draco engasgou-se quando viu o que o porta-retrato segurava; era a foto do Baile Bon Voyage que o estudante fotógrafo de Beauxbatons tirara enquanto Draco e Hermione dançavam. Sua boca abriu-se enquanto o Draco e a Hermione da foto dançavam juntinhos, olhando graciosamente um para os olhos do outro. Isabel estava certa; eles ficavam lindos juntos. Por um instante, ele foi tragado de volta para aquela noite, Hermione em seus braços, o cheiro de seus cabelos, o jeito com que suas vestes pareciam fazê-la brilhar e o jeito que se beijaram no terraço.

Um agudo grito ao seu lado direito trouxe Draco de volta à realidade. Lissane conseguira dar uma olhada na foto, e seus olhos de chocolate normalmente convidativos o encaravam incrédulos. Rapidamente, ela arrancou o porta-retrato de suas mãos e guardou-o cuidadosamente na caixa, para não chamar mais atenção do que seria necessário. Ela levantou-se da cadeira, juntando os livros.

- Draco, eu esqueci meu livro de Feitiços nas masmorras. Você viria comigo para pegar?

Ela agarrou a manga do casaco de Draco, então ele juntou seus livros e o pacote e seguiu-a sem mais palavras.


Hermione observou Draco sair com Lissane. Ela sentira os olhos dele a seguindo desde a manhã anterior, esperando por uma chance de falar com ela sozinha, mas Hermione havia sido cuidadosa para não dá-lo essa oportunidade. Depois de sua conversa com Harry, passara a maior parte da noite ponderando os conselhos do melhor amigo. Se estava se apaixonando por Draco (e uma vozinha em sua cabeça disse que aquilo era uma certeza), então Hermione precisava afastar-se. Duvidava que Draco fosse reconhecer publicamente qualquer tipo de relacionamento romântico que poderia existir entre eles. Por trás de portas fechadas, ele podia estar morrendo de vontade de colocar o passado para trás e continuar fazendo seja lá o que era que estavam fazendo. Mas ele arriscaria sujar o sobrenome associando-se com uma sangue-ruim? Ele teria a coragem de enfrentar seu pai e os sonserinos? Ela não tinha certeza.

Hermione estava acostumada a enfrentar pessoas e brigar por aquilo que ela queria. Mesmo quando todos disseram que o F.A.L.E. era uma causa perdida, ela ficou firme em suas convicções de que os elfos domésticos mereciam mais direitos do que lhes era dado. Seus pais a ensinaram a falar o que estava pensando e lutar as batalhas que precisavam ser batalhadas. Contudo, Hermione sabia que Draco havia sido criado em um ambiente totalmente diferente. Na Mansão Malfoy, conformidade era servida todos os dias, com velhos valores bruxos como acompanhamento. No mundo Malfoy, sangue-puros não se misturavam com sangue-ruins; a menos que quisessem encrenca. E Hermione sabia que Draco não iria querer causar mais encrenca para o nome de sua família; por isso ele trabalhara tanto durante o programa de intercâmbio, para restaurar o orgulho de sua família na sociedade bruxa.

Então o presente de Isabel, apesar de generoso e interessante, não poderia ter vindo numa pior hora. Hermione não precisava de nenhum lembrete sobre o quão irresistível Draco ficara em suas vestes de gala ou como ela tremera quando seus braços envolveram-na enquanto dançavam. Até mesmo a Hermione da foto parecia que iria derreter-se sob o olhar cinzento profundo dele.

Demorou alguns minutos para Hermione perceber o que segurava nas mãos. Podia sentir o sangue jorrar para seu rosto enquanto as memórias do Baile Bon Voyage tomavam conta dela. Ela afundou o porta-retrato rapidamente contra seu peito, e olhou furtivamente a mesa para checar se alguém mais vira. Felizmente, a maioria de seus amigos eram homens, e estavam mais interessados em emitir ooohhs e aaahss ao verem as fotos de Isabel no álbum do que notar o que tinha no porta-retrato. Hermione trouxera poucas fotos com ela para Hogwarts, e não havia muitas com Isabel já que ela e Hermione não foram muito amigáveis uma com a outra durante a primeira parte da viagem. A maior parte das fotos do álbum era da última noite lá, no baile.

- Garotos - Gina reclamou, do lado direito de Hermione. Rolou os olhos com desgosto - Você juraria que eles nunca viram uma garota antes.

- Hmm? - Hermione murmurou distraidamente. Olhou quando Gina apontou os garotos animados - Ah, sim. Garotos.

Gina gesticulou para o porta-retrato que Hermione ainda segurava contra o peito e falou:

- Aquele é o vestido que você comprou em Paris? Ele fica lindo em você - ela observou o rosto de Hermione ficar rosa de vergonha, mas continuou mesmo assim - Se a foto é indicação, eu diria que Malfoy também acha.

Hermione olhou para a amiga e abriu a boca como se fosse falar alguma coisa; contudo, pensou melhor e fechou-a rapidamente. Enquanto colocava o porta-retrato na caixa, com a parte da frente para baixo para que ninguém visse o casal, finalmente respondeu:

- Sim, aquele é o meu vestido Valeri. Isabel recomendou a loja para mim. Você me conhece, Gin, não sei diferenciar um designer do outro, mas ela disse...

Gina travou o blá-blá-blá de Hermione colocando uma mão gentil no braço trêmulo da garota mais velha. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, e o velho conselho estava com certeza correto nesse caso. Era de se imaginar porque Hermione andara tão distraída, e eu não a culpo nem um pouco, pensou Gina. Se um garoto olhasse para ela daquela forma, ficaria completamente aluada também. O fato de ser Draco Malfoy apenas fazia a situação um pouco mais difícil. Mas Hermione não era a primeira bruxa grifinória a se sentir atraída por um bruxo da Sonserina. Aliás, Gina conhecia muitas garotas da casa que tinham quedas óbvias pelo mal-humorado, mas incontestavelmente bonito Monitor da Sonserina. Ele era o antagonista; dinheiro, poder, atitude e cabelos maravilhosos.

E Gina sabia o quão sedutor e atraente o 'lado negro' pode ser. Sua experiência com o diário de Tom Riddle deixara essa impressão nela. Mesmo quando sentira que algo estava errado, ela continuava a buscar por mais. E Hermione nunca julgara Gina por nada daquilo; nunca fizera Gina sentir-se envergonhada de suas ações. Agora Gina iria retribuir o favor. Se Hermione estava envolvida com Malfoy, Gina estaria lá para ela.

Gina apertou a mão de Hermione e ofereceu:

- Hermione, se você precisar conversar sobre qualquer coisa...

Hermione sorriu fracamente para Gina.

- Eu estou bem. Verdade. Não há nada para conversar - explicou - Mas eu realmente quero colocar esse pacote no meu quarto antes de Poções, então vou subir.

- Quer companhia? - a ruiva ofereceu.

- Não - Hermione respondeu rapidamente. Não estava pronta para outra discussão, mesmo que soubesse que Gina estava genuinamente tentando ajudar. Contudo, ela só queria ficar sozinha por alguns minutos, antes de encarar Draco em Poções.

Eles tinham duas aulas de Poções naquela manhã, e ela não poderia o evitar lá. Prof. Snape havia os colocado juntos quase todas as aulas desde que voltaram a Hogwarts. Até mesmo para Snape, pensou que aquele método particular de tortura estava passando dos limites. Rony insistira que Snape estava punindo os grifinórios, pois não gostava deles e o melhor jeito de fazê-lo era preveni-la de ajudar os amigos durante a aula. Os sonserinos estavam começando a reclamar, pois Draco era o melhor aluno de Poções na casa, e se ele estivesse em dupla com Hermione, eles não podiam pedir ajuda tão facilmente também. Hermione apenas esperava que um pequeno fio de dignidade encontrasse o caminho até o professor de Poções naquela manhã, deixando-a longe de Draco por algum tempo. Eles iriam começar uma nova poção aquela manhã, e Snape geralmente mudava as duplas quando começavam matéria nova.

Finalmente, resgatou o álbum do grupo de garotos admirados e fez seu caminho para a Torre da Grifinória. Teria que correr para ter certeza que chegaria nas masmorras antes do sinal bater, mas tudo bem. Precisava de uma corrida, de qualquer jeito. Enquanto caminhava até as escadas, ouviu vozes altas vindo de uma salinha do hall principal. A curiosidade venceu e ela diminuiu a velocidade dos passos para tentar reconhecer as vozes, mas então Snape saiu do Salão Principal, batendo a porta atrás dele, a distraindo de sua curiosidade.

- Está sem senso de direção esta manhã, Srta. Granger? - ele perguntou - A menos que você e seus amigos bagunceiros tenham movido as masmorras, você deveria estar descendo e não subindo para a sua primeira aula.

O olhar frio e calculado dele a congelou em seu lugar nas escadas.

- Sim, professor - ela respondeu - Eu apenas preciso largar uma coisa no meu quarto antes da aula - ela mostrou o grande pacote para que Snape pudesse ver, as mãos tremendo sob seu olhar gelado.

- Então por que você está parada aí, garota? Ande logo. O sinal vai tocar em breve e eu não vou tolerar atrasos de você. Monitora ou não, você ainda pode perder pontos - sem esperar por uma resposta, ele virou-se e desceu silenciosamente o corredor, o movimento das vestes era a única indicação de que ele estava se mexendo.

Carregando seu pacote, Hermione correu pelas escadas, esquecendo completamente as vozes altas na salinha do hall.


Eles andaram pouco antes de Lissane virar em um pequeno corredor e empurrar Draco para dentro de uma pequena sala no hall de entrada. Ela largou suas coisas no chão e começou a andar; Draco observou-a curiosamente.

Sem esperar, Lissane virou-se para ele e exclamou:

- Você está louco? Hermione Granger? Você vem se agarrando com a maldita da Hermione Granger?

Draco largou as coisas em uma mesa próxima.

- Ei, ei, ei. Do que você está falando? Acho que você é a louca aqui - ele tentou mentir, mas tinha uma sensação de que era uma causa perdida. Lissane não era burra. Uma boa olhada para a foto e qualquer um podia dizer que o casal dançando estava perdidamente apaixonado.

Ela recomeçou a andar pela sala, mas nunca tirou os olhos dele.

- E todo esse tempo eu pensei que você estava se agarrando com Harry Potter.

- O que?? - Draco gritou com horror, seu rosto ficando ainda mais pálido - Por que você pensou que estaria... - ele procurou por palavras - que eu estaria fazendo qualquer coisa com aquele santo cara-de-cicatriz idiota? Muito menos estar me agarrando com ele! Honestamente, Liss, eu acho que você precisa ir para a Ala Hospitalar. Você deve ter perdido um parafuso.

- Era a única explicação lógica para o porquê de você observar a mesa da Grifinória dia sim, dia não com tanta intensidade, e eu sei que ruivos não são seu tipo. Eu pensei que você estivesse tendo um caso secreto com Harry ou que pelo menos quisesse ter. Não que eu o culpe. Ele tem aquele ar sou-sexy-sem-nem-ao-menos-tentar, e aquele cabelo grita para que você corra seus dedos por ele, e aqueles olhos verdes penetrantes - seus olhos brilharam de malícia - Eu aposto que ele consegue fazer coisas incríveis com a vassoura - ela comentou, lambendo os lábios.

- Você quer que eu a deixe sozinha? Tenho coisas melhores a fazer do que ver o nascimento de mais um membro do Fã Clube de Harry Potter - ele falou sarcasticamente - Ele seria sortudo se alguém como eu olhasse para ele!

Com um tom escandalizado, ele adicionou:

- E por que você está pensando nessas coisas? Você só tem quinze anos! Não deveria estar pensando em mim fazendo qualquer coisa do gênero com outro cara, ou com qualquer um.

Ela rolou os olhos para ele e abanou distraidamente.

- Cresça, Draco. Eu provavelmente tenho mais experiência do que você - ele pareceu amedrontado com a sugestão - Durmstrang fica no norte da Bulgária, onde é úmido e frio 3/4 do ano. Como você acha que nos mantínhamos quentes? - ela sorriu sugestivamente - E não é como se tivesse alguma coisa para fazer lá. Nosso castelo é muito menor do que o de Hogwarts, e tínhamos bem menos terra para andar e nada de Floresta Proibida para atiçar nossa curiosidade. Sexo era a atividade extra-curricular mais popular. Eu aprendi a prestar atenção à linguagem corporal. E, pelo jeito que você vem agindo, eu diria que você desenvolveu um gosto por grifinórios - ela balançou a cabeça, incrédula - Mas eu nunca imaginaria que você estava gastando todos aqueles olhares com aquela sangue-ruim.

- Olha como fala, Lissane - ele disse automaticamente, em defesa.

Ela parou de andar e cruzou os braços. Podia ter apenas 1m55cm, mas Lissane Sheldon tinha presença, o que atraía atenção quando ela queria.

- Agora você está defendendo a honra dela, também. Isto é muito decepcionante. E momentaneamente idiota - ela olhou para ele profundamente - Há quanto tempo você está apaixonado por ela? Começou em Beauxbatons ou já faz mais tempo que isso?

Ele levantou as mãos para tentar acalmá-la.

- Espere um minuto. Eu não estou apaixonado por ninguém. Não por Hermione Granger, nem por ruivos grifinórios e certamente não por Harry Potter. Então respire fundo, relaxe, e me diga da onde diabos tirou isso.

Ela sentou-se numa cadeira fofa perto da lareira.

- Desde que voltou da França, você está diferente do que eu lembro -- menos explosivo, mais contemplador. Eu o observei na sala comunal, mas nunca o vi realmente conversar com alguém, ou até mesmo mostrar interesse em alguém. Seus olhos meio que vagam pela sala, e seus pensamentos parecem estar a milhões de milhas de distância. Eu perguntei, e aparentemente você sempre fora assim com os colegas de casa. Mesmo quando namorara Pansy Parkinson -- que, aliás, foi um terrível lapso de julgamento da sua parte -- você sempre fora distante. Contudo, eu ainda sentia que algo estava errado. Sendo um ano mais nova, não tenho o luxo de observá-lo durante as aulas, então minhas únicas chances de observá-lo fora das masmorras eram durante as refeições. E foi quando eu vi. Seu rosto ficava vivo cada vez que você olhava para os grifinórios. Eu não digo vivo de felicidade ou alegria ou algo do gênero, mas você mostrava traços de alguma emoção. Eu estou aqui há pouco tempo, mas não me levou muito tempo para aprender sobre sua eterna batalha com o Menino-Que-Sobreviveu. Então eu pensei que você olhava para ele, algo do tipo amor e ódio. E você sabe o que dizem, ódio é só uma forma de amor. Quando eu vi aquela foto de você e aquela bruxa dançando, não pude acreditar nos meus olhos. O jeito que você estava olhando para ela, Draco. É melhor rezar que só eu vira e que não há cópias por aí. Eu podia entender você se envolver com Harry, mas Hermione Granger?? - Lissane levantou-se e recomeçou a andar - Está fora de questão. É suicídio social.

Ele sentou oposto a ela, balançando a cabeça, incrédulo.

- Me deixa ver se entendi. Você não vê problema algum se eu brincar de esconder a vassoura com o Garoto Maravilha, mesmo que ele não tenha feito nada a não ser me irritar desde a primeira viagem no Expresso de Hogwarts? - Lissane concordou, então ele continuou - Mesmo assim, a idéia de me ver com a bruxa mais inteligente que Hogwarts vira desde que McGonagal era uma aluna é pior do que o beijo de um Dementador?

Ela concordou novamente, sentando-se, cruzando as pernas e os braços.

- Sim, isso resume tudo.

Ele encostou-se nas costas do sofá, sem se importar com os modos.

- Se importa de explicar??

- É simples, Draco. Pelo menos estar com Potter o daria uma vantagem estratégica. O deixa próximo e íntimo com um inimigo seu e da sua família. Sim, vocês dois são bruxos, mas é isso que deixa mais perfeito.

Ele fez uma careta.

- Argh. Você não é uma daquelas garotas que fica excitada imaginando dois caras juntos, não é? O que te ensinaram naquela escola??

Ela riu.

- Não, não é isso. Se você estivesse com ele, teria a chance de segurá-lo e, caso precisasse, utilizar de uma chantagem emocional no caminho.

- Mas ele poderia facilmente virar a mesa contra mim - ele argumentou - Não é como se meu pai fosse aceitar facilmente o fato de que eu me agarrei com outro garoto.

- Se você fosse capaz de usar essa relação para pegar Harry, seu pai não iria se importar com quantas vezes você comeu Harry - ela o olhou pesadamente - Seu pai é mestre em explorar oportunidades, Draco. Ele veria as vantagens de você estar íntimo com Harry Potter. Claro, ele ficaria lívido primeiramente, mas então ele veria exatamente o que eu vejo -- aquele garoto já tem influência na comunidade bruxa, e só tem 16. Imagina o que ele será quando for um bruxo formado. O mundo será dele. E tirar vantagem de algo desse gênero poderia ser muito beneficente a sua família.

Ele rolou os olhos.

- Você quer chegar ao ponto logo, ou essa é só mais uma chance de expor as inúmeras virtudes de Potter? E eu espero que você não esteja tentando me convencer de me agarrar com Potter, pois isso nunca irá acontecer. Este é um partido do qual nunca me afiliarei.

Lissane riu.

- Eu vou chegar ao ponto se você parar de me interromper - ela sorriu para ele - Você sempre foi tão chato assim?

Ele bocejou.

- O que eu posso dizer, querida? Nasci malvado.

Ele piscou para ela, fazendo-a rir. Era bom ver um brilho do velho Draco atrás de seus longos cílios e crescente angústia adolescente. Todos aqueles olhares e frustrações mal-resolvidas estavam tornando Draco um chato melodramático.

O olhar dele ficou sério novamente.

- O que você estava dizendo?

Lissane tirou o cabelo do rosto e colocou para trás da orelha.

- Hermione é uma sangue-ruim. Qualquer associação com ela além das escolares não seria prudente para você, para o status da sua família - ela levantou a mão para segurar os protestos de Draco - Ela pode ser a melhor da escola, mas você sabe que o que conta para as antigas famílias bruxas, pelo menos aquelas com quais as nossas famílias se associam, é o fato dela ter dois pais trouxas. Ela tem sangue sujo, Draco. As melhoras notas e todos os prêmios escolares não vão mudar o que ela é. Eu não posso acreditar que você, de todas as pessoas, esqueceu algo tão crucial.

Ele riu, ríspido.

- Olha quem fala. Não era você falando semana passada sobre toda a diversão que você e suas amigas de Durmstrang faziam nos pubs trouxas, ficando com vários caras?

- Isso é diferente - Lissane explicou - Nenhuma de nós desenvolveu sentimentos pelos trouxas. Era mais um experimento para ver o quão longe conseguíamos chegar. Nós sabíamos que só estávamos lá para nos divertir - ela esticou a mão através da distância entre eles e descansou sua mão no joelho de Draco - Há uma linha entre nós e trouxas e sangue-ruins, e você cruzou-a.

Ele empurrou a mão dela para longe.

- Quer parar de dizer isso? - exclamou - Eu não fiz nada do que você está sugerindo!

Mas a vozinha no fundo de sua mente o disse que aquilo não era totalmente verdade. Se ele cruzara alguma 'linha', Lissane não tinha nada a ver com aquilo. Era hora de virar a mesa, hora de tomar controle da conversa.

- E quando foi que você se tornou essa arrogante elitista, aliás? Você ficou rosa pink quando Hermione apresentou-se a você quando eu e ela voltamos. Você agiu como se o Natal tivesse chegado mais cedo!

Lissane sorriu.

- Claro que Hermione Granger me interessa, ela era o que Viktor Krum sentira mais falta durante a segunda tarefa do Torneio Tribruxo. Ela é uma lenda em Durmstrang. Mesmo que ela não fosse a melhor da turma ou melhor amiga do Garoto Que Sobreviveu, sua relação com Krum ainda a faria interessante de se conhecer. Ela foi a primeira coisa que interessou mais a Krum do que sua Firebolt, e apenas isso é um milagre. Eu estava sobre ordens severas de reportar para todas as minhas amigas com detalhes como ela é em pessoa - ela tirou um pó de sua roupa e sentou-se ereta em seu lugar - E quanto ao seu comentário sobre eu ser 'arrogante elitista', é a mesma coisa que chamar o sol de amarelo, não é? Antes da Miss Perfeitinha dançar até seu coração, você era o maior arrogante e idiota pretensioso que eu já conheci e tenho certeza que não sou só eu com essa opinião sobre você.

- Eu sei, é um dom - ele expirou, pomposo. Confessou - Algumas das garotas da Sonserina dizem a mesma coisa sobre você. Sobre como você acha que é melhor que elas e que você conversa com alunos de outras casas, trocando os sonserinos por outros alunos.

Ela suspirou.

- Eu ainda não me acostumei com toda essa competição entre casas que tem aqui. Em Durmstrang, apenas sangue-puros eram aceitos, portanto não havia nada dessa mistura de sangue-ruins com o resto de nós. Os grupos eram determinados por quem era o melhor, o mais bonito, o mais rico, etc. O fato de estar em certo dormitório não trazia status - ela sentou-se orgulhosa em sua cadeira - Eu interajo com pessoas que podem fazer mais por mim e meu futuro. E eu não vou mudar só porque umas mimadas como a Pansy e Blaise acham que eu devo jogar pelas regras deles, pois isso não vai me levar muito longe além das paredes de Hogwarts.

- Uau - Draco disse - Você se tornou uma baita estrategista, não foi?

- Eu apenas aprendi a jogar o jogo, e pensei que você tinha aprendido também. O que eu quero dizer é que não sou eu quem mudou. Foi você - Lissane argumentou.

Cansado de conversar, Draco levantou graciosamente de seu lugar e movimentou-se para pegar sua mochila da mesa perto da mesa.

- O sinal já vai bater. Nós devemos ir para a aula.

- Eu não terminei de falar o que eu queria para você - Lissane apontou.

Draco abriu a porta e, sem olhar para trás, respondeu:

- Mas eu cansei de escutar.


Hermione praticamente correu da torre da Grifinória para as masmorras, o que fora positivo. Sentou-se no lugar que Harry guardara na mesa com Rony quando o sino tocou. Enquanto ela procurava pelo livro de Poções, uma pena e pergaminho das profundezas de sua mochila, Prof. Snape emergiu de seu escritório. Subconscientemente, seus olhos viajaram até onde Draco estava sentado entre Crabbe e Goyle. Ele estava escorado em sua cadeira, as pernas esticadas preguiçosamente à sua frente. De onde estava sentada, podia ver seu perfil, e era uma linda visão. A cabeça estava jogada para trás, descansando nas costas da cadeira de modo que encarava o teto, mas seus olhos estavam fechados em contemplação. Ela observou seus longos cílios vibrarem enquanto seus olhos mexiam-se por debaixo das pálpebras, o músculo de seu pescoço movendo-se cada vez que ele abria e fechava a boca, a pele suave e aveludada de sua bochecha enquanto lembrava o quão bom era passar os dedos por ela. Fechou os olhos, imaginando se podia sentir o cheiro de sua colônia entre os perfumes de todos os outros garotos e das poções. Inalou profundamente.

Prof. Snape bateu a porta de seu escritório com um barulho alto atrás de si, chamando a atenção de todos. Os olhos de Hermione abriram-se, no mesmo momento em que Draco sentava-se abruptamente, passando os dedos longos entre os cabelos, mesmo que não precisasse. Seu cabelo parecia ser encantado magicamente para ficar sempre no lugar.

Com as mãos fortemente apertadas atrás de si, Prof. Snape andou rapidamente até o fundo e fechou a porta da sala de aula antes de voltar à frente da sala. Com um floreio, ele virou o rosto para os alunos, os olhos amedrontados observando-o e esperando por instruções. Finalmente, ele pousou os olhos sobre Hermione, que se mexeu desconfortavelmente em seu assento. Parecia contemplar algo, mas sempre fora um homem impossível de se ler.

Finalmente falou com sua voz arrastada:

- Como sabem, começaremos os capítulos básicos sobre Poções de Primeiros-Socorros. A primeira da lista é a poção Ferimento-Se-Vá. Vocês farão estas poções individualmente, não em pares, então poderão ficar em seus próprios lugares se assim quiserem.

- Finalmente - Rony murmurou - Já era hora desse idiota deixar Hermione ficar com a gente.

Harry balançou a cabeça, concordando.

Snape olhou em volta enquanto traçava seu caminho até o centro da sala, seus saltos batendo a cada passo.

- Para aqueles que estudaram o suficiente para preparar-se para a lição de hoje, o que significa ninguém, lembrarão que o ingrediente chave para essa poção é...

Ele pausou, esperando por um aluno corajoso levantar a mão.

Vendo que ninguém estava fazendo-o, Hermione colocou sua mão no ar. Ele fez um gesto para que ela prosseguisse.

- Raíz fresca de quiabo.

- Correto, Srta. Granger - ele disse rispidamente - Cinco pontos para a Grifinória. Alguém pode me dizer por que é importante usar raízes frescas de quiabo em vez de raízes secas?

Ao som da voz de Hermione, a cabeça de Draco virou-se na direção dela e seus olhos encontraram-se por um momento antes que Rony a cumprimentasse no ombro por conseguir alguns pontos para a casa.

- Sr. Malfoy? - Snape chamou, levando a atenção de Draco para longe do jeito como os cabelos de Hermione caíam sobre seus ombros - Devo me sentar, Sr. Malfoy?

Goyle acotovelou Draco nas costelas. Antes de virar sua atenção de volta para o professor, Draco recebeu um olhar frígido, cortesia de Harry Potter. Se um olhar pudesse matar, Draco seria apenas pó.

- Ah, raíz de quiabo. Precisa ser fresca, pois se você misturar quiabo seco com as escamas de salamandra, a poção tornara os ferimentos em bolhas quando aplicada à pele.

- Excelente - disse Snape - Muito bem dito. Dez pontos para a Sonserina. E já que precisamos de raízes frescas de quiabo, Prof. Sprout graciosamente concordou em dar algumas de sua estufa para a nossa aula - ele olhou cuidadosamente pela sala, os olhos brilhando de malícia, e Hermione sentiu um puxão inexplicável no estômago - Sr. Malfoy, Srta. Granger, vão gentilmente à estufa pegar o quiabo com a Prof. Sprout.

O puxão tornou-se uma reviravolta. Harry e Rony olharam para Hermione, Harry mais nervosamente. Ele pulou de seu assento, assustando todos menos Snape, que apenas olhou para o jovem bruxo de cabelos rebeldes.

- Er, professor, eu irei até a estufa. Malfoy e Hermione podem ficar aqui, os dois.

- Sente-se, Potter - Snape o xingou - Eu não acho que esta tarefa requer os serviços do Grande e Poderoso Potter. Estou confiante de que o Sr. Malfoy e a Srta. Granger podem achar o caminho das estufas sem que nenhum evento catastrófico aconteça. Além do mais, eles são os únicos alunos nessa aula que sabem o que está acontecendo - enquanto ele xingava Harry, Snape aproximou-se dele para que Harry pudesse ver seus dentes amarelos quando ele sorriu - Julgando pelas suas notas neste ano, seria inteligente ficar de boca fechada e prestar atenção em vez de passar seu tempo precioso matando aula com seus amigos.

Harry ficou vermelho de raiva, mas sentou-se. Virou-se para Hermione e olhou-a ansiosamente. Ele era o único que sabia de sua situação com Malfoy.

- Você acha que vai ficar bem?

- Deus, Potter. Não é como se eu fosse enfeitiçá-la no minuto em que saíssemos pela porta - Draco disse.

Ele havia levantado de seu lugar e estava andando através das mesas para a saída do laboratório de Poções quando ouvira a pergunta de Harry para Hermione. O deixava enojado ver Harry ir automaticamente para o 'Modo Superprotetor'. Enfeitiçar Hermione não era um problema quando estavam sozinhos; eram os beijos e os toques que sempre ficavam em seu caminho.

Rony pulou.

- Claro que você não faria isso, Malfoy - disse - Pois você sabe que nós estaríamos lá para enfeitiçá-lo cinco vezes pior. Ou você esqueceu do seu pequeno incidente no Expresso de Hogwarts depois do quarto ano? - a lembrança de Malfoy e seus comparsas inconscientes no corredor do trem fez Rony sorrir, mas Draco ficou vermelho de raiva - Você é tão pretensioso, espere até estar sozinho, quando você acha que pode surpreende-la, mas Hermione é muito esperta para deixar que você a engane.

Draco sorriu sabendo que Weasley teria um enfarto se soubesse o que ele realmente queria fazer quando estava sozinho com Hermione.

- No seu lugar, Weasley - Snape ordenou - Se a Srta. Granger não precisa dos serviços de segurança de Potter, estou certo que os seus não são necessários. E cinco pontos da Grifinória.

- Por que?!

- Por ser incômodo e interromper minha aula com suas ameaças sem fundamentos.

Rony começou a protestar, mas Hermione virou-se para ele.

- Rony - ela assegurou - você acabou de perder os pontos que eu consegui. Não faça ficar pior. Nós vamos até a estufa, onde nós encontraremos a professora - ela olhou estranhamente para Malfoy - O que pode acontecer no meio tempo?

Draco afastou-se para que Hermione passasse à sua frente e Harry notou que ele segurara a porta enquanto ela passava, como se fosse a coisa mais natural no mundo. Um Malfoy voluntariamente segurando a porta para uma bruxa nascida trouxa; Harry não tinha certeza do que pensar. Então ele viu um olhar estranho passar entre os dois alunos antes de a porta fechar atrás deles. Não pode ponderar suas implicações por muito tempo, pois a voz de Snape cortou as conversas da sala,

- Sr. Potter, se você terminou de observar a porta, talvez você pudesse iluminar as similaridades entre as poções Ferimento-Se-Vá e Crescesqueleto.


Pararam no corredor vazio e gelado. Hermione olhou para os pés antes de finalmente falar:

- É melhor irmos. Prof. Sprout está nos esperando.

Ela virou para andar na direção da porta principal e eles andaram um pouco antes de Draco parar de repente. Ele esticou a mão e segurou o braço dela gentilmente. Hermione sentiu o rosto queimar com a proximidade. Era mais fácil encontrar forças para resistir a Draco quando ela estava com Harry ou Rony. Eles eram como âncoras da realidade.

- Espere. Nós não podemos sair ainda - ele disse, enquanto ela dava um passo para longe dele, mantendo uma distância segura entre eles.

- Por que não?!

- Hermione, estamos no meio de Dezembro. Morreremos congelados se formos até as estufas só com essas roupas - ele argumentou - Espere aqui - instruiu e virou-se antes que ela pudesse fazer alguma objeção.

Os minutos sozinha deram-na algum tempo para uma conversinha consigo mesmo. Não é grande coisa, ela pensou. Você ajuda os professores toda hora. Não há razão por que ficar nervosa e trêmula desta vez. Nós iremos até as estufas e voltaremos. Sem problemas. Apenas caminhe rápido e deixe sua mente longe de como foi a última vez que ficaram sozinhos juntos. E não olhe para ele! Olhe para frente e você não verá o jeito que os olhos dele brilham com a luz do sol, ou o jeito como ele move os lábios quando fala, ou o jeito... Pare! Olhe para frente toda hora!

Seus olhos estavam fechados enquanto ela conversava consigo mesmo, então não ouviu ele aproximar-se. Dois fatores que ela não considerara em seu mini-discurso fora seu perfume delicioso e o timbre baixo em sua voz quando ele falava, o que nunca falhava em mandar calafrios por todo seu corpo. Não olhar para ele não a protegia em nada contra estas duas armas igualmente efetivas dele.

Ela respirou sua colônia cara e ouviu-o falar enquanto seus olhos ainda estavam fechados, a cabeça ligeiramente curvada.

- Aqui, ponha isso - ele ofereceu, falando gentilmente com ela.

Ela sabia que ele estava parado muito próximo dela; sentiu sua respiração através do cabelo. Quando ela abriu os olhos, ele estava arrumando uma de suas capas pesadas em volta dos ombros dela. Cheirava exatamente como ele e, antes que ela pudesse se conter, inalou profundamente, afogando-se no perfume. Ele aproximou-se mais para tirar seu cabelo debaixo da capa, largando-o gentilmente por cima de seus ombros. Com um toque gentil, ele amarrou o laço para ela. Hermione ficou parada na frente dele, paralizada com o medo do que aconteceria se ele se inclinasse um pouco mais.

Draco repensou sobre sua conversa com Lissane, apenas quinze minutos atrás, mas nada daquilo importava para ele agora. A garota na frente dele não era uma suja patética que precisava ser eliminada do mundo bruxo; ela era uma criatura linda e inteligente e ele não queria mais nada a não ser senti-la novamente. Talvez pudesse a convencer de pegar um desvio durante o caminho. Percebeu que estava a encarando, então explicou:

- Isto vai manter você aquecida - seu próprio rosto esquentou quando falou com ela, esticando a mão para acariciar seu rosto.

- Obrigado - ela respondeu, antes de afastar-se e resumir seu andar rápido - Eu não quero perder muito da aula do Prof. Snape. Se nos apresarmos, voltaremos relativamente rápido, já que a Prof. Sprout já tem as raízes prontas para nós.

- Então, como você acha que foi no teste de Aritmancia? - ele perguntou, querendo ouvi-la falar. O acalmava.

- Bem, eu acho. Eu achei que poderiam ter tido mais questões sobre derivadas espaciais, já que passamos tanto tempo vendo-as nas aulas. Apesar disso, acho que foi justo.

Draco riu.

- Pessoalmente, estou feliz que só tiveram algumas questões sobre isso. Mas você parece quase desapontada.

- Não desapontada, exatamente. Apenas surpresa. É como se todo o tempo que passamos estudando foi uma grande perda de tempo.

Ele arriscou um olhar para ela. Seus olhos estavam fixados no chão à frente dela. Parecia hesitante em olhar para qualquer outro lugar a não ser seus pés.

- Nem tudo foi uma perda de tempo, ou foi?

- Não, nem tudo - ela admitiu, a voz trêmula.

As pernas de Draco eram mais longas que as dela, mas encontrou-se praticamente correndo para continuar ao lado dela. Rapidamente, Hermione estava quase no Hall. Era irônico. Nos últimos dois dias, ele estivera procurando por qualquer oportunidade de pegá-la sozinha, para conversar sobre o que acontecera antes da intromissão de Harry, mas agora que a tinha, Draco não tinha a mínima idéia de como começar. Não podia simplesmente botar para fora. Talvez, se tivessem mais privacidade, ele sentiria-se mais relaxado. Enquanto segurava a porta para ela, sugeriu:

- Por que não cortamos caminho pelo jardim de rosas? Eles mantêm o caminho livre de neve, então nossos pés não ficaram molhados e gosmentos, e a estufa é bem perto.

Hermione olhou-o, imaginando se suas intenções tinham qualquer coisa a ver com pés secos. O brilho em seus olhos a disseram que ela estava correta, porém não pode resistir em sorrir para ele. Draco realmente conseguia ser irresistível quando queria. Ela concordou.

- Okay, cortaremos por lá, mas apenas porque vai ser mais rápido e eu não quero perder muito da aula.

Ele sentiu-se excepcionalmente exultante. Todos os avisos de Lissane sumiram completamente de sua cabeça assim que ele e Hermione saíram para os jardins, onde estavam livres de olhos curiosos, livres para tocar-se, e o que ele mais queria era tocá-la novamente. Ela estava tão atraente em sua capa pesada com dragões enfeitando a gola. Era muito grande para ela, e praticamente arrastava no chão enquanto ela andava, mas ele não se importava. Ainda mais que eles estavam mantendo tudo em segredo; não era como se alguém precisasse saber. Não confirmara nada para Lissane sobre seu 'relacionamento' com Hermione. Lissane tinha apenas especulações e idéias sobre o que achava que era verdade. E Draco sabia que ela seria discreta; em despeito à sua reação, Draco sabia que ela não faria nada para machucá-lo. Era uma amiga, mas também uma aliada.

Hermione resumira seus passos rápidos novamente, como se realmente quisesse chegar às estufas o mais rápido possível. Quando entraram no jardim e caminhavam por um caminho livre de neve, Draco correu mais na frente e virou-se, andando de costas enquanto ela continuava a andar para frente.

- Por que você está com pressa? Nós podemos levar o tempo que quisermos. Prof. Snape gosta de mim. Mas você não levou as palavras do Weasley a sério, né? Você não está realmente com medo que eu vá te atacar enquanto estamos aqui sozinhos? - seus olhos cinzentos brilharam com a luz do sol enquanto ele parou tão rápido na frente dela, que ela chocou-se contra ele. Quando ele segurou em volta de sua cintura, murmurou - Eu posso pensar em muitas outras coisas que prefiro fazer.

Ela não resistiu quando ele inclinou-se para encontrar seus lábios com os dela. Em vez disso, fechou os olhos, segurou o fôlego, esperando com ansiedade pelo momento quando o sentiria mais uma vez. Quando finalmente chegou, sentiu toda a tensão ir embora de seu corpo, pois, quando estava envolvida nos braços de Draco daquele jeito, as coisas pareciam muito descomplicadas. Não havia confusão e tudo fazia sentido. Levantou a mão e envolveu o pescoço dele, seus cabelos fazendo cócegas em seus dedos. Era apenas uma garota beijando um garoto, que a beijava como nenhum outro o fez antes. Ela sentiu os beijos até mesmo na ponta dos pés.

Exceto que ele não era um garoto qualquer.

Nas profundidades de sua mente, as palavras de Harry vieram daquela noite de Quarta-Feira -- Você merece melhor do que alguém que não pode ser o mesmo com você em público da mesma forma que é na intimidade. Devagar, arrependida, moveu sua mão até o peito de Draco e gentilmente o empurrou para longe. Mordeu o lábio nervosamente.

- Gosto bom - ele a disse, lambendo os lábios, um sorriso brincando no canto de sua boca - Parece calda.

- Eu comi panquecas com calda de maçã esta manhã.

- Hmmmm. Calda de maçã. Minha favorita - ele inclinou-se para outro beijo, mas ela manteve sua mão firme no centro do peito, frustrando sua tentativa - O que foi? - perguntou, olhando em volta para o caminho deserto - Não há ninguém aqui, ninguém vai nos ver. Todo mundo está na aula.

Deixou o abraço carinhoso dele e afastou-se alguns passos, chateada que ele logo chegara a conclusão que ela o evitara por medo de ser pega.

- Não é isso - e quase como para si mesma, ela perguntou - Seria tão terrível se nos vissem?

Segurou o fôlego, esperando por um milagre que nunca veio. Sem hesitar, Draco respondeu:

- Claro que seria. Draco Malfoy beijando uma bruxa nascida trouxa? Meus colegas de casa caíram em cima de mim, considerando quem você é, e o meu pai - sua voz sumiu enquanto ele falava - Eu não quero nem pensar o que o meu pai faria comigo.

Irritada com a reação veemente e como ele estava tão preocupado com sua preciosa reputação, sua mente bagunçou-se e não conseguia dizer o que precisava. Finalmente, decidiu que uma aproximação direta era o melhor. Respirou fundo.

- Eu contei a Harry.

Ele deu alguns passos para trás também.

- Contou o que a Harry? - perguntou devagar, temendo já saber a resposta. Tentou uma piada - Contou que ele é um imbecil que se acha? Eu venho dizendo isso a Potter por anos, mas ele tem um caso sério de negação.

Ela estufou o peito para tentar parecer mais corajosa e olhou-o com teimosia.

- Sobre você e eu. Depois que ele me pegou na biblioteca na noite de Quarta, eu o contei.

- Você fez o que? Por que você faria isso? É por isso que ele vem me olhando nessas últimas semanas como se estivesse imaginando dolorosas e horríveis maneiras de eu morrer!

- Eu não tinha escolha. Ele viu sua mochila e seu casaco no sofá quando eu abri a porta, ele não é idiota, como você quer que todo mundo acredite. Ele é muito mais observador do que você acha. Ele estava pronto para ir buscar Rony e perguntar a você, a menos que eu o contasse o que você estava fazendo lá. Só de olhar para mim dava para ver que ele não interrompera nenhum estudo solidário. E a verdade é que eu precisava contá-lo.

- Então ele apenas perguntou e você respondeu?

- Sim.

- Ele não te ameaçou de morte?

- Não.

- Não te ameaçou com uma poção feita por Longbottom?

- Não.

- Não ameaçou esconder seus livros até o final do ano.

- Não.

- Ele apenas perguntou?

- Correto.

- Então agora eu imagino, onde está toda aquela força e coragem da Grifinória que eu sempre ouvi falar? Toda a lógica e inteligência de que tanto os professores e o diretor falam sobre? Você tem certeza que caiu na casa certa, Granger?!

Ele estava obviamente mortificado, surpreendendo Hermione. Ela não o ouvia a chamar pelo último nome fazia meses. Doía mais do que as críticas mordazes sobre ela. E o tom irônico em sua voz também não a ajudava a se sentir melhor.

- Você não estava lá, Draco. Eu gostaria de vê-lo olhar nos olhos de um de seus melhores amigos e contar uma mentira deslavada, se eles perguntassem sobre o que anda acontecendo entre nós.

- Um dos meus amigos me perguntou - ele disse, para assustar Hermione - Liss viu a foto que Isabel mandou para nós dois e me tirou do café esta manhã para perguntar o que estava acontecendo.

- O que você a disse? - Hermione engoliu em seco, lembrando sua primeira reação quando vira os dois dançando juntos.

- O que você devia ter dito. Nada. Eu admiti nada e neguei tudo. Merlin ajude o pobre coitado que terá você como guardiã de um segredo; você seria mais fácil de quebrar do que uma noz - ele riu cruelmente - A parte mais estranha é que, antes de ver a foto, Liss achava que eu estava ficando com o Potter.

Sob circunstâncias normais, Hermione provavelmente cairia de tanto rir, mas não estava sentindo-se muito alegre no momento.

- Por que você teve que dizer a verdade? Potter e Weasley já não me odeiam bastante? Você não sabe que a verdade pode trazer mais estragos do que benefícios?

- Eu não conseguia mais agüentar; eu estava confusa sobre tudo. Não é como se eu fosse por aí me agarrar com o inimigo qualquer dia da semana. Por cinco anos eu estava certa que sabia exatamente como você era: um idiota arrogante e pomposo que tinha prazer em me incomodar desde o dia que pisara em Hogwarts. Como eu podia conciliar isso com o bruxo inteligente, apaixonante que acordou partes de mim que eu mal sabia que existiam? Eu sou uma pessoa lógica, mas não conseguia achar sentido algum naquilo. Meu coração estava me levando a lugares que minha mente nunca iria. E não ter ninguém com quem conversar apenas aumentava tudo. Sem mencionar que mentir para os meus melhores amigos fora a pior coisa que eu fiz. Não conseguiria continuar com isso. E foi errado da minha parte começar a mentira.

- Ah, não, você não contou para o Weasley também, contou? - ele lamentou.

- Não, eu não contei para mais ninguém. Contei a Harry e estou feliz que o fiz. Foi bom tirar tudo aquilo do meu peito.

- Eu estou tão feliz que você se sinta tão alegre e aliviada por fazer da minha vida uma existência ainda mais infernal - baixinho, ele murmurou - Não acredito que isso está acontecendo.

- Nem tudo é sobre você, seu arrogante - ela não apreciava as tentativas dele de fazê-la sentir-se culpada. Fez a coisa certa ao falar com Harry. Melhor ouvir diretamente dela do que saber por boatos - Harry, Rony e eu contamos tudo uns aos outros, e nós ajudamos uns aos outros quando estamos em situações difíceis. Eu precisava falar com alguém sobre o que estava acontecendo entre nós, alguém que me ajudasse a entender, e Harry estava lá para ouvir.

- Desculpe-me por pensar que você concordava comigo que isso precisava manter-se em segredo. De onde eu poderia ter pego uma idéia tão ridícula quanto essa? - ele perguntou em exagero irônico - Ah, sim, de você! Foi você quem disse que deveríamos estudar em segredo e não deixar ninguém saber que estávamos trabalhando juntos em Aritmancia. Eu pensei que você entendia o quão importante era sermos discretos, mas longe de mim ficar no caminho do grande laço fraternal dos Três da Grifinória! Você não sobreviveria uma semana na Sonserina.

- Obrigado. Vou tomar isso como um elogio - ela disse sarcasticamente - Eu apenas sugeri que evitássemos confrontos e distrações desnecessárias. Eu não queria ter de explicar algo que nem eu mesmo entendo! - ela pausou - Mas eu nunca achei que precisássemos manter as coisas em segredos porque eu estava com vergonha. Julgando pela sua reação, eu diria que é por vergonha que você quer manter tudo em segredo.

- Isso não é justo, Hermione. Eu sou Monitor da Sonserina e um Malfoy. Mais puro-sangue impossível. - ele usou o argumentou dela - E não é como se eu saísse por aí me agarrando com bruxas nascidas trouxas, também. Você não pode ficar aí e me dizer que estava morrendo de vontade de anunciar para toda a sala comunal da Grifinória que você beijou o infame 'Menino Doninha'! Não é o tipo de coisa que uma boa menina da Grifinória anunciaria aos quatro ventos.

- Isso não é verdade e você sabe. Seria difícil por algum tempo quando todo mundo descobrisse, por causa da surpresa, mas não é como se eu fosse estranha a críticas. Eu nunca teria vergonha. Se eu acredito em algo o bastante, eu brigo por isso.

- Você está dizendo que você enfrentaria seus amigos por nós? Tentaria fazê-los ver que não é só um jogo?

- Acho que nunca saberemos - respondeu, sem conseguir esconder seu desapontamento com as reações dele - Eu posso lidar com a oposição, mas a expressão de horror no seu rosto quando eu disse que Harry sabia... Eu não quero ficar com alguém que tem vergonha de mim. Mereço melhor que isso.

- É isso o que Potter disse durante a sua conversinha?? - ele perguntou, tomado de ciúmes pela proximidade dela com Harry.

- Não, é o que eu disse.

Ela estava exausta da conversa e Draco não estava sentindo-se muito melhor. A caminhada até as estufas não fora nada como ele esperava. Em vez de alguns beijos roubados em um lugar discreto com a única garota que fazia seu coração pular com um simples sorriso, ele estava sentindo-se como inimigo novamente. Não podia deixar de sentir que algo incrível acabara antes mesmo de ter uma chance decente de começar. E ele sentiu-se mais vazio do que achou que fosse possível.

Andaram em silêncio por alguns momentos, ponderando sobre o quanto as coisas mudaram mais uma vez entre eles.

Hermione quebrou o silêncio.

- Nós ainda podemos estudar juntos se você quiser, pois ajuda ambos, mas não podemos ir além disso. Se você não quer que ninguém da Sonserina saiba que eu estou ajudando você, serei discreta como sempre, mas estudar é tudo o que faremos.

- Nós já tentamos. Lembra? Não funcionou muito bem. Se eu lembro corretamente, nossa última sessão de estudos acabou com você correndo as mãos pelas minhas costas e as minhas mãos...

Ele olhou para ela de um jeito provocativo, mordendo o lábio inferior de um jeito que fazia Hermione esquecer tudo a sua volta.

- Eu sei o que nós estávamos fazendo. Você não precisa dizer - quando ela fechou seus olhos, ainda podia sentir as mãos dele acariciando seu peito. Apenas pensar sobre aquilo já fazia o vento frio de Dezembro desaparecer - Mas talvez nós possamos convidar alguns alunos da nossa turma ou... - ela hesitou, imaginando se devia mencionar - ou Harry. Ele ofereceu-se para estudar com a gente.

Ele riu friamente.

- O que, como uma dama de companhia? Não, obrigado. Eu prefiro comer lesmas vivas - ela começou a andar novamente - Eu não entendo por que você fez isso. Por que você está fazendo as coisas mais difíceis que elas precisam ser. Eu achei que as coisas estavam finalmente se ajustando. Por que você teve que mudá-las?!

- Porque eu não conseguiria continuar daquele jeito. Você parece ser duas pessoas. Você ainda é o bruxo arrogante e antipático que gosta de incomodar meus amigos, mas quando estamos sozinhos, você é inteligente, esperto e gentil - a voz dela tremeu levemente - E eu estaria mentindo se dissesse que a minha mente pensava só em Aritmancia cada noite na biblioteca.

Ela esticou a mão ao seu lado e segurou a mão dele, parando a caminhada. Olhou para ele e confessou:

- Apenas estar com você já machuca mais do que qualquer feitiço machucaria. E eu não quero ser só uma garota que você se encontra nas sombras. Eu não sou esse tipo de garota e se eu fosse fingir ser, eu estaria armando minha própria queda.

Draco não sabia como responder, então não disse nada. Eles andaram em silêncio pelo resto do caminho.

De alguma forma, finalmente conseguiram chegar até a porta da estufa. Pararam do lado de fora, olhando um para o outro, então a porta abriu-se. Prof. Sprout os recebeu com animação.

- Olá, crianças! Estava me perguntando se viriam logo. Entrem, queridos. Está frio aí fora.

- Você não tem idéia - Draco murmurou baixinho antes de entrar na quente estufa.

A caminhada de volta foi muito mias rápida e silenciosa. Estavam tensos, mas não de um jeito malicioso. Estava mais para melancolia. Sprout enchera seus braços com muitas raízes de quiabo para as aulas do Prof. Snape, então eles tinham o bastante no que se concentrar apenas por tentar não deixar cair nenhuma raiz. Hermione tinha mais dificuldades, pois a capa que vestia era muito grande para ela.

Quando finalmente chegaram nas masmorras, Draco parou na porta, mas Hermione murmurou:

- Draco, espere - ela largou as raízes no chão. Desfez o laço da capa de Draco e escorregou ela pelos ombros. Esticou para ele - Obrigado por me emprestar sua capa.

- De nada - ele respondeu, mas não olhou para ela. Colocou suas raízes ao lado da dela - Espere aqui por mim enquanto eu guardo as capas. A última coisa que precisamos é que Pirraça as encontre e decida se divertir por aí.

- Tudo bem.

Ela observou-o enquanto ele virava-se e caminhava para longe. Parecia ter perdido um pouco de seu charme, caminhando silenciosamente, em vez de bater seus sapatos contra o chão de pedra. Enquanto esperava, percebeu que ainda podia sentir o cheiro de sua colônia, impregnada em suas roupas. Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Respirou fundo e secou os olhos com as costas das mãos enquanto ele aproximava-se mais uma vez.

Ele juntou as raízes e entregou para ela, então juntou suas próprias. Olhou para ela, os olhos escondendo qualquer coisa que estivesse sentindo.

- Pronta? - ele perguntou.

Ela concordou e ele abriu a porta para uma cena familiar para ambos. Rony estava em pé ao lado de sua mesa, o rosto vermelho, olhos arregalados. Snape estava rindo ironicamente para o grifinório, e disse:

- Sr. Weasley, o que você acabou de dizer é uma das coisas mais insanamente idiotas que eu já ouvi. Em nenhum ponto da sua incoerente resposta você chegou perto do que pode ser considerado um pensamento racional. Todos nesta sala estão mais burros por terem ouvido-o. Eu não vou lhe dar nenhum ponto, e que Deus tenha pena da sua alma. Sente-se.

Com os corações pesados, eles foram até a frente da sala e entregaram as raízes. Snape os olhou curiosamente, mas não disse nada além de mandá-los voltar aos seus lugares. Com um último olhar, eles voltaram aos seus amigos.

- Por que vocês demoraram tanto? - Rony murmurou - Ele estava me xingando a horas!

Harry rolou os olhos e disse:

- Estava mais para dois minutos. Snape esteve se divertindo perguntando sobre poções do nosso segundo ano.

Hermione riu baixinho.

- Desculpe ter perdido. Ele o perguntou algo?

- Você está brincando? Eu era o primeiro da lista - Harry riu.

A turma havia se ajeitado e algumas pessoas estavam indo até a frente da sala pegar suas raízes frescas de quiabo. Rony foi pegar os ingredientes para eles, deixando Harry sozinho com Hermione. Brincou com a pena. Arrumou os óculos no nariz, observando-a. Seus olhos de esmeralda eram sempre tão convidativos quando olhavam para ela; eram uma das razões por ela ter tido uma queda por ele no ano anterior. Hermione sabia que Harry nunca a machucaria; não era da sua natureza ser cruel. Mas depois de todos os acontecimentos dos últimos meses, percebera que o que sentia por Harry era apenas uma queda. Se apaixonar por ela era uma opção segura, mas ele nunca evocara as mesmas respostas como Draco evocava quando ela pensava nele. Harry finalmente trouxe à tona o desconfortável assunto:

- Você e Malfoy demoraram. Algo além do normal aconteceu?

Hermione tentou olhar seriamente para ele, mas não conseguiu manter o olhar por muito tempo. Tinha tanto orgulho de Harry. Sabia que ele estava morrendo de vontade de perguntar o que ela estivera fazendo com Draco, mas Harry segurou a língua. Balançou a cabeça.

- Tudo está bem - podia sentir as lágrimas voltando aos seus olhos, e respirou fundo, o que não fora uma boa idéia. Podia sentir o cheiro de Draco em suas roupas.

Harry sabia que ela não estava tão bem quanto queria que ele acreditasse.

- Hermione... - começou.

- Bem, talvez não esteja bem - ela cortou-o - Mas vai ficar. Nós meio que discutimos o que você e eu conversamos - ela hesitou por alguns segundos, então falou - E não foi como eu esperava. Então é o fim.

Ele descansou gentilmente sua mão por cima da dela, querendo a ajudar, mas no fundo, feliz por Draco tê-la desapontado.

- Você tem certeza que acabou?

Ela olhou para Draco, que conversava com Goyle enquanto tirava alguns pergaminhos da mochila.

- Acabou.


A próxima semana e metade da outra voou em tempo recorde. O tempo antes dos feriados geralmente voava. Compras de Natal de última hora em Hogsmead, provas, a partida de quadribol entre Grifinória e Sonserina e o Baile de Inverno. Havia muita coisa para manter a cabeça de Draco ocupada, mas percebeu que seus pensamentos estavam constantemente voltando-se para um certo par de olhos tristes cor-de-canela e a certeza de que ele que causara aquela dor. Depois que as palavras de Hermione tiveram tempo para serem mastigadas, Draco achou que ficaria bravo ou frustrado com ela por colocá-lo em uma situação como aquela, por querer que ele desse um passo tão grande; contudo, a raiva nunca veio. Ele estava estagnado, mais do que qualquer outra coisa. A maioria dos dias voavam em um piscar, e ele fez o máximo para ver Hermione muito pouco, sentando de costas para a mesa da Grifinória nas refeições, evitando a biblioteca a todo o custo, sentando-se nas primeiras classes em Poções, para que não tivesse a chance de vê-la durante as aulas. Parecia que ela tentava as mesmas táticas com ele.

Tentou não pensar muito sobre sua conversa com Hermione nos jardins, mas isso não significava que ele sempre conseguia. Foi mais fácil na semana antes da partida de quadribol. Quando Draco estivera estudando para o teste de Aritmancia, fora terrivelmente negligente com seus treinos. Agora ele passava muito tempo no campo para preparar-se para a grande partida do ano, e era uma distração bem vinda. Ele ficava tão exausto no final do dia que caía direto no sono. Salvava-o de ficar acordado por horas, pensando se Hermione também estava acordada pensando nele.

A partida de quadribol estava estranhamente tensa. Potter parecia mais inspirado do que nunca a jogar o corpo já ensangüentado de Draco pelo campo. E teve bastante tempo para isso, o Pomo não apareceu até depois de três horas e meia de partida. Felizmente para os sonserinos, seu time tinha excelentes e experientes artilheiros enquanto o time da Grifinória parecia estar ali apenas a passeio. Felizmente para os grifinórios, eles tinham Potter ao seu lado e ele estava voando com mais foco e determinação do que qualquer um podia lembrar. Os dois apanhadores voaram alto no campo na maior parte do jogo, mas ficavam sempre perto um do outro. Mesmo sem Omnioculares, a multidão lá embaixo podia ver que ambos os apanhadores tinham muito que dizer um para o outro, e estava bem claro que não estavam trocando receitas de bolo.

Foi uma partida acirrada, mas o time da Grifinória saiu vitorioso, ganhando com um placar de 380 x 310. Então, mesmo que fosse uma perda para a Sonserina, eles ainda tinham uma chance para ganhar a taça neste ano, já que vitória era ganha por pontos e não por vitórias. Podiam aumentar o placar sobre Lufa-Lufa e Corvinal e ganhar a taça. Enquanto os fãs da Grifinória enchiam o campo para parabenizar o time, Draco viu Hermione quase imediatamente, como se seu coração soubesse que a única coisa que o machucaria mais do que perder para Potter era ver Hermione pular sobre seu rival para dá-lo um abraço.

Ela parabenizou o herói da Grifinória, sorrindo abertamente para ele. Draco observou-a curiosamente por alguns momentos. Ela sorria para todos os seus companheiros de aula, mas parecia mais abatida que o resto deles, especialmente considerando que seu time acabara de ganhar. Ela olhou para ele, encarando-o pela primeira vez desde a caminhada pelos jardins. Ele olhou-a por mais tempo que deveria, mas era impossível olhar para longe. O mundo em volta deles pareceu dissolver. Não havia som, nem cores, tudo, exceto Hermione, era um borrão. Ela parecia que iria abrir a boca para sorrir ou falar, ele não tinha certeza. Então, Hermione pareceu pensar melhor e virou-se para Weasley, tocando-o no braço e levando-o para o castelo atrás da multidão de grifinórios alegres.

Quando ela o dissera que enfrentaria seus amigos se ele quisesse ficar com ela, disse a si mesmo que ela estava falando por falar, que ela não seria capaz de cumprir. Mas sabia que ela estava sendo sincera. Hermione Granger não fizera suas escolhas na vida esperando ganhar algum concurso de popularidade. Ela fizera o que achava certo, mesmo que ninguém mais acreditasse na mesma coisa. Draco era aquele que vivia atrás de aparências, não ela.

Desde que não estudava mais com ela, começou a passar mais tempo na sala comunal ou com os colegas de time praticando. Lissane o arrastara para Hogsmead para fazer compras, ativando seus poderes femininos para evitar que sua atenção caísse nos grifinórios, já que ela vira a fotografia. Draco ainda não contara ou admitira qualquer coisa para ela. Aliás, Lissane nunca mais mencionara a foto, mas ele sabia que ela ainda pensava nisso.

Finalmente, quando estava em uma livraria de Hogsmead, um dos atendentes aproximou-se dele.

- Sr. Malfoy, o conto-de-fadas trouxa que você pediu - A Coleção Completa dos Irmãos Grimm - finalmente chegou. Eu nunca pensei que você se interessaria por livros trouxas. As figuras nem mesmo se movem! Você gostaria que eu embrulhasse para você?

Draco esquecera completamente que havia pedido. Era para ser um presente bobo de Natal para Hermione. Uma pequena lembrança da viagem à Paris e do lanche com o Prof. Merriwether, mas agora só servia como uma facada no coração.

- Não. Não, tudo bem. Eu não vou precisar do livro, afinal.

A pequena conversa pareceu restaurar as suspeitas de Lissane de que Draco e Hermione tinham um caso secreto. Ela ainda observava-o, mas não como se estivesse o estudando, procurando pela verdade.

Draco esperava sair do castelo no feriado, mesmo que a maioria das pessoas do quarto ano para cima fosse ficar uns dias a mais para o Baile de Inverno; contudo, em vez de fazer o baile no dia de Natal, este ano seria feito dois dias antes para que os alunos pudessem passar as festas com as famílias. Sentiu que alguma distância o faria bem, algum tempo na casa de sua família, em seu próprio quarto. Nos lugares que o lembravam de seu lugar no mundo.

Enquanto fazia as malas para o feriado, Midas bateu o bico contra a janela de Draco, uma nota de Lúcio anexada à sua pata. Draco rolou os olhos, sabendo o que estaria escrito. 'Querido Draco, blá blá blá. Eu tenho um trabalho importante a ser feito, que precisa da minha atenção imediata. Não ligo para esses feriados sentimentalistas. Prefiro trabalhar a passar o tempo com a minha família. Blá blá blá. Seu pai.'

Draco geralmente recebia este tipo de carta algumas semanas antes do feriado de Natal, mas esperava que este ano fosse diferente, já que o feriados aproximava-se e nenhuma carta havia chegado, até agora. Era mais ou menos o que Draco havia esperado com algumas coisas novas. Seu pai iria viajar por alguns meses e não estaria alcançável por nenhum método convencional. 'Sua mãe será capaz de falar comigo se qualquer coisa emergencial acontecer', Lúcio escrevera. 'Mas precisa ser sério. Não me interrompa por qualquer coisa, coisas que você poderia resolver sozinho. Esta viagem é crucial. Explicarei tudo quando voltar'. Para melhorar, sua mãe estaria passando o Natal nas praias da Argentina, portanto não haveria ninguém na Mansão Malfoy.

Amassou a carta e atirou no fogo. Isso significava que Draco teria que ficar em Hogwarts o feriado inteiro, o que só colocava sal em suas feridas.

- Merda - murmurou alto para ninguém em particular - Agora eu tenho que ficar aqui o feriado inteiro!

Sabia que Harry passava todos os feriados no castelo, pois os trouxas com quem morava nunca o queriam de volta. Draco também sabia que geralmente que os amigos de Potter ficavam com ele para fazê-lo companhia.

- Este Natal vai ser terrível.


O Baile de Inverno já começara quando Hermione chegou com seus dois acompanhantes, Harry e Rony. Não exatamente acompanhantes, já que nenhum deles a convidara, mas os três entraram juntos no Grande Salão mesmo assim. Decidiram que não queria lidar com o stress de encontrar um par, então fazia sentido todos irem sozinhos, mas juntos.

Antes de entrarem no salão cheio, juntaram seus braços, com Hermione no meio, e Harry inclinou-se e murmurou no ouvido de Hermione:

- Você realmente está linda esta noite, Hermione. Tenha certeza de guardar uma dança para mim.

Seus olhos brilhavam atrás dos óculos redondos, e ele a lançou um charmoso sorriso que faria a maioria das bruxas caírem de joelhos.

Ela corou.

- Você está muito bonito também, Sr. Potter. Fará todas as garotas desmaiarem sem uma varinha.

Rony virou-se para olhar os dois amigos.

- Ei, e quanto a mim? Nem todo mundo é abençoado com a minha aparência - ele brincou, dando-a um sorriso malicioso.

Hermione riu enquanto Harry rolava os olhos.

- Rony, você sabe que é devastadoramente lindo - ela brincou, com uma voz exageradamente feminina - Esse cabelo vermelho brilhante, esses olhos azuis profundos, a pele suave...

Suas orelhas ficaram mais vermelhas que o cabelo.

- Você pode parar agora, obrigado. Eu sei que você está apenas tentando esconder seu profundo desejo por mim - Hermione riu abertamente e Harry quase se dobrou de tanto rir. Rony suspirou - Todas querem um pedaço de mim. É uma maldição, sabem.

De bom humor, eles entraram no salão, rindo tanto que Hermione precisou da ajuda dos dois bonitos acompanhantes para ficar em pé.

Draco já estava lá, com alguns garotos da Sonserina perto de uma das janelas, bebendo um suco de abóbora gelado. Vê-la tirou seu fôlego. Ela estava maravilhosa. Usava o vestido Valeri, o mesmo que usara no baile em Beauxbatons, o mesmo que ela usava na foto trancada em seu baú, a qual ele olhava toda a manhã antes de levantar e toda a noite, antes de ir dormir. Mas esta noite ela estava diferente. Seu cabelo estava liso e brilhante, em vez de encaracolado. E parecia brilhar mais sob as luzes natalinas do salão. Seu rosto estava cheio de felicidade enquanto ela ria nos braços de seus dois amigos. Ele não a vira tão feliz em muito tempo, e machucava saber que não era parte disso. Ela olhou para a janela, e ele pode vê-la engasgar-se quando seus olhares cruzaram-se, atraindo-a para longe das atenções de Potter e Weasley. Potter seguiu seu olhar e arrastou-a rapidamente até alguns amigos numa mesa próxima. Cercado de amigos, em um salão cheio de conversa e alunos alegres, Draco nunca se sentira tão sozinho em toda a sua vida.

Depois do jantar, as mesas foram retiradas para que as danças pudessem começar. Muitas garotas da Sonserina e algumas da Corvinal o pediram para dançar, mas ele negava todas as vezes, sabendo que dançar com qualquer outra garota que não fosse Hermione seria esquisito, pois apenas ela encaixava-se perfeitamente com ele. Ele aventurou-se a pensar na idéia de convidá-la, pensando o que ela diria. Lembranças de sua foto o assombravam enquanto ela dançava através da noite com seus companheiros da Grifinória, não parando um minuto.

Finalmente, Lissane andou até ele.

- Você vai ficar sentado ainda toda a noite ou vai me convidar para dançar?

Ela havia o convidado para o baile, e ele concordara antes de perceber que significaria passar a noite inteira vendo Hermione dançar com todos, menos ele. Não podia ir embora, pois Lissane nunca deixaria.

- Tudo bem. Uma dança - ele disse.

Sentiu como se a devesse, por agüentar seu mau-humor nas últimas semanas. Coçou a cabeça enquanto olhava para ela de sua cadeira. Ela estava crescendo como uma bela bruxa. Seu cabelo estava puxado para cima com grandes cachos, e ela colocara fitas de veludo vermelhas entre os cachos. As fitas combinavam com seu vestido, feito de um material aveludado, suave ao toque. Seus lábios combinavam com o vermelho do vestido e suas pálpebras brilhavam como glitter por cima de seus grossos cílios.

Ela sorriu feliz e bateu palmas, excitada. Ela observara garotas bonitas reunirem coragem noite afora e tentarem a chance pedindo ao Monitor loiro e sexy por uma dança na pista. O fato que ele rejeitara todas exceto ela era melhor que nada. Ela esticou sua mão para ele e ele segurou-a.

- Para você saber, espero pelo menos mais três danças além dessa - ela disse charmosamente - Uma vez que você sentar, eu tenho a sensação que não vou conseguir fazê-lo levantar novamente pelo resto da noite.

- Apenas três? - ele brincou - Pensei que você se recusaria a me deixar sentar novamente.

Lissane segurou a mão dele na dela enquanto o levava até um espaço aberto na pista, então a posicionou gentilmente em volta de sua cintura enquanto pegava a outra mão na dela. Fazia muitos anos desde que dançara com seu amigo de infância pela última vez, no casamento de um amigo. Ele era bem mais baixo naquela época e não tão bonito. Eles começaram a movimentar-se com a música, enquanto ele a guiava muito simploriamente durante a música trouxa popular de Natal, 'White Christmas'. Aparentemente, o diretor tinha um ponto fraco pelos clássicos trouxas.

- Viu, não é tão ruim - ela brincou - Eu prometo não pisar nos seus dedos desta vez.

Ele riu à lembrança, mas continuou quieto. Draco não precisava dizer, mas ela sabia que ele gostaria de ter outra garota em seus braços.

Ela sabia por toda a noite. Ele parecia positivamente miserável, e tinha uma sensação de que ele faria alguma coisa estúpida no calor do momento. Talvez seja melhor assim, ela pensou. Talvez ele finalmente percebera que haverão conseqüências pelas suas ações e que Hermione Granger nunca poderá fazer parte do nosso mundo. Mesmo que ele tenha que aprender do jeito mais difícil.

Enquanto isso, Hermione estava sentada em uma mesa, retomando o fôlego. Dançara quase todas as músicas e estava ficando cansada. Ficou feliz por Lilá ter colocado um feitiço em seu cabelo, para que ele não ficasse encrespado no meio da noite. Harry oferecera para pegar um suco de abóbora para ambos, então ela sentara-se para esperar. Ela habilidosamente evitara olhar para os outros alunos durante toda a noite. Era mais fácil fazê-lo enquanto dançava, pois a dava alguém para olhar, alguém em quem pudesse focar suas atenções. Contudo, nenhum de seus parceiros de dança daquela noite a fizera sentir-se como Draco fizera. Nenhum deles segurou-a tão próximo ou tão habilidosamente como ele. Mesmo que tenha se divertido com seus amigos, dançar com Draco fora uma experiência que ela nunca conseguiria esquecer; o jeito que ele a segurava firmemente contra ele, o jeito com que ele movimentava-se tão graciosamente como se a levasse sem esforços, o jeito como ele conduzira a dança com confiança e magnífica graça. Temia que, se parasse de se mover, sua mente voltaria à noite em que ela usara aquele vestido pela última vez, o último baile que ela comparecera, a última pessoa com quem dançou. Pensou que, se abraçasse o vestido, poderia sentir o cheiro de outono do terraço onde ela e Draco ficaram no castelo de Beauxbatons. Mas era impossível. Mandara lavar muito bem seu vestido para aquela noite. Talvez fosse só imaginação. Ou talvez fosse só seu desejo.

Um borrão de loiro platinado entre todas as cores na pista de dança chamou sua atenção. Ele estava dançando. Outra garota estava em seus braços. Uma garota que não era ela.

Um toque gentil em seu ombro tirou sua atenção da pista.

- Harry, de volta tão rápido - ela começou, virando-se para olhar o dono do toque gentil. Um par de olhos azuis e óculos de meia-lua olhavam para ela. Ela parou, envergonhada - Diretor, me desculpe. Pensei que fosse Harry com as bebidas.

- Sou eu que devo me desculpar, Srta. Granger. Não quis assustá-la - Prof. Dumbledore assegurou-a gentilmente - Ao contrário, eu estava esperando que você me desse a honra de uma dança antes que um de seus muitos pares a levasse para a pista novamente.

Seus olhos arregalaram-se de surpresa, e ela graciosamente aceitou.

- Certamente, Professor. Eu ficaria encantada - ela sorriu abertamente enquanto ele esticava seu braço para ela e a carregava para um espaço vazio na pista.

Hermione sentia-se muito honrada. O diretor geralmente dançava algumas músicas no Baile de Inverno, mas apenas com professoras ou convidados especiais. A única aluna com quem ele dançava era a Monitora Chefe. Todos presumiam que era para não dar mostras de favoritismo.

Como se lesse sua mente, Dumbledore falou quando eles começaram a dançar:

- Você parece estar se divertindo bastante no baile esta noite, Srta. Granger, mas não posso deixar de notar certa tristeza em seus olhos - ela desviou o olhar timidamente - Não fique constrangida. Você tem feito um ótimo trabalhado escondendo-a, mas sou mais observador que a maioria. Há qualquer coisa que gostaria de discutir? Alguma coisa em sua mente?

Mesmo que Hermione obviamente tivesse algo em sua mente, ela não discutiria sua vida amorosa, ou qualquer outra coisa, com o diretor da escola.

- Eu estou bem, professor, só um pouco cansada. Só isso. Sempre tem tanta coisa para fazer antes do feriado.

Ele suspirou, concordando.

- Isso é verdade. Mas você não pode esquecer que o Natal deve ser uma época feliz, e também de perdão e esperança - ele olhou por cima dela, os olhos escaneando o salão, mas procurando por algo que Hermione não tinha certeza do que era. Seus olhos brilharam misteriosamente.

As palavras do diretor ficaram em seus ouvidos enquanto dançavam através da multidão - uma época de perdão e esperança; contudo, ela estava tonta de seus devaneios, literalmente. Prof. Dumbledore a girara muito rápido, e contra outro casal.

- Ai! Cuidado, idiota! - uma voz fria exclamou - Estes sapatos custaram 200 galeões e... - a voz de Lissane sumiu quando ela olhou apropriadamente chocada enquanto Prof. Dumbledore sorria para Srta. Sheldon e seu parceiro de dança, um muito pálido Draco Malfoy.

- Minhas desculpas, Srta. Sheldon. Eu espero não ter estragado seus sapatos e nem seus pés - ele sorriu para os alunos. Lissane engasgou-se, envergonhada com seu comentário severo para o diretor da escola, mas ele a tranqüilizou - Acredito que me deixei levar pela música e pela minha encantadora parceira de dança.

Hermione ficou vermelha e olhou para qualquer lugar, menos para o garoto à sua frente. Sua cabeça estava imaginando milhões de formas de sair dessa terrivelmente estranha situação, mas sua boca não abria. Estava congelada. Então o diretor fez algo que deixou todos chocados.

- Srta. Sheldon, eu estava querendo encontrá-la para saber como você bem se adaptando à sua nova escola - ele sorriu - Agora parece uma boa oportunidade. Às vezes meu escritório pode parecer tão frio. O que acha de conversarmos enquanto dançamos? É muito mais amigável - ele olhou inocentemente para os alunos - Isto é, Srta. Granger, se você não se importar em terminar nossa dança tão rapidamente.

Tomando seu silêncio como concordância, ele gentilmente pegou a mão de Lissane na dele e começou a levá-la para longe de Draco e Hermione. Dumbledore virou-se e adicionou, seus olhos brilhando de alegria indiscutível.

- Sr. Malfoy, você se importaria de terminar minha dança com a Srta. Granger? Ela é uma dançarina maravilhosa.

Com um último sorriso e um olhar de choque de Lissane, ele girou-a suavemente pelo salão, falando animadamente, deixando Hermione e Draco juntos.

As palavras saíram de sua boca antes que ele pudesse pensar.

- Ele está certo. Você é uma dançarina maravilhosa.

Seu coração bateu mais forte enquanto observa-a brincar com a manga de seu vestido. Ela normalmente era tão confiante e direta. No passado, vê-la tão nervosa e desconsertada o deixaria imensamente feliz; contudo, agora ele só queria beijá-la. Ele teria que apertar a mão daquele velhote qualquer dia desses; graças aos dois pés esquerdos de Dumbledore, Draco tinha Hermione à sua frente, onde ele poderia dizê-la o que gostaria de ter dito nos jardins. Que ele era um idiota, que era infeliz sem ela, que pensava nela constantemente, que sentia sua falta, e não só dos beijos, de toda ela. Do jeito que ela não desistiria até encontrar a solução do problema, do jeito que ela sorria quando finalmente encontrava a resposta, do jeito que ela enrolava o cabelo quando estava concentrada, do jeito que ela olhava para ele e realmente o via como nenhuma pessoa via.

Ele deu um passo para frente vagarosamente, pegando uma mão na dele, segurando suas mãos juntas enquanto descansava sua outra mão na cintura dela. Os dedos de Hermione tremeram ao leve toque. Ela olhou em volta para os alunos, alguns dos quais já os lançavam olhares curiosos.

- Draco, você não precisa fazer isso só porque Dumbledore pediu.

- Eu quero - sua voz estava firme com convicção, e ela sabia que ele realmente queria.

A música natalina acabou e uma nova começou. Hermione reconheceu, mesmo que os músicos estivessem tocando-a mais lentamente do que a original trouxa. Era uma de suas favoritas.

Love I get so lost sometimes

(Amor, eu fico tão perdido às vezes)

Days pass and this emptiness fills my heart

(Os dias passam e esse vazio enche meu coração)

Draco olhou nos olhos dela enquanto segurava-a com mais firmeza, puxando-a para mais perto. Ela não resistiu. Enquanto moviam-se através da música, tudo em volta deles desapareceu, deixando apenas o som e seus corações pressionados juntos. Nenhum deles falou alto, deixando-se perderem-se na música.

When I want to run away

(Quando eu quero fugir)

I drive off in my car

(Vou embora no meu carro)

But whichever way I go

(Mas para onde quer que eu vá)

I come back to the place you are.

(Eu volto para onde você está)

Ela fechou os olhos, pensando sobre o jeito como ele segurava-a firmemente contra si. Estava certa que só via o verdadeiro Draco quando estava assim, tão próxima dele. Tão perto que podia ver através da frieza em seus olhos, ver o coração caloroso que ele mantinha escondido do resto do mundo. Sentindo-o observá-la, ela abriu seus olhos para vê-lo.

All my instincts, they return

(Todos os meus instintos voltam)

And the grand facade,

(E a grande máscara)

So soon will burn

(Logo vai queimar)

Without a noise,

(Sem nenhum barulho)

Without my pride

(Sem meu orgulho)

I reach out from the inside.

(Tento alcançar)

Enquanto ela o olhava com tanta emoção, tanto calor, todo o resto era irrelevante; sua família, seus colegas, seu pai. Ele passou tantos anos imaginando o que alguém poderia fazer se visse o verdadeiro Draco Malfoy. Hermione vira, e não fugiu. Em vez disso, ele evitou-a, mas não podia mais fazê-lo. Nem queria mais. Um sorriso curvou seus lábios.

In your eyes

(Em seus olhos)

The light the heat

(A luz, o calor)

In your eyes

(Em seus olhos)

I am complete

(Eu estou completo)

In your eyes

(Em seus olhos)

I see the doorway to a thousand churches

(Eu vejo a porta para mil igrejas)

In your eyes

(Em seus olhos)

The resolution of all the fruitless searches

(A solução para todas as buscas sem frutos)

Ela sorriu de volta, começando com os lábios, mas quase instantaneamente com os calorosos olhos de chocolate. Sem quebrar o contato visual, ele puxou a mão estendida para si, levantando a mão dela até a boca. Seus lábios roçaram suavemente sobre seus dedos, e ela olhou para ele, encantada.

Então, vagarosamente, ela moveu sua mão até o peito de Draco. Podia sentir seu coração batendo contra seus dedos através das roupas. Ela levantou a mão, descansando seus dedos ao lado do pescoço dele enquanto acariciava sua bochecha com o dedão.

In your eyes

(Em seus olhos)

I see the light and the heat

(Eu vejo a luz e o calor)

In your eyes

(Em seus olhos)

Oh, I want to be that complete

(Oh, eu quero ser completo)

I want to touch the light

(Eu quero tocar a luz)

The heat I see in your eyes.

(O calor que eu vi em seus olhos)

Os pés de Draco pararam de se mover, parando a dança. Os olhos dela brilhavam na frente dele, feliz e excitada, enquanto esperava com ansiedade. Ele inclinou-se e beijou sua testa, deixando seus lábios acariciá-la antes de mover sua cabeça para baixo, traçando beijos suaves em sua bochecha. Ele podia senti-la inalar e segurar o fôlego, e ela sentiu os lábios dele formarem um sorriso contra sua bochecha.

Love, I don't like to see so much pain

(Amor, eu não gosto de ver tanta dor)

So much wasted and this moment keeps slipping away

(Tanto foi desperdiçado e esse momento continua nos escapando)

I get so tired of working so hard for our survival

(Eu fico tão cansado de trabalhar tanto por nossa sobrevivência)

I look to the time with you to keep me awake and alive.

(Olho para o tempo com você para me manter acordado e vivo)

Ele afastou-se dela, correndo sua mão para cima e para baixo no suave tecido de seu vestido. Hermione podia ver a emoção em seus olhos: os vestígios finais de uma parede impenetrável demolida, o medo enquanto ele pulava para o desconhecido, então a calmaria, a serenidade.

- Eu senti sua falta - ela murmurou.

All my instincts, they return

(Todos os meus instintos voltam)

And the grand facade,

(E a grande máscara)

So soon will burn

(Logo vai queimar)

Without a noise,

(Sem nenhum barulho)

Without my pride

(Sem meu orgulho)

I reach out from the inside.

(Tento alcançar)

- Mas eu estou aqui com você agora - ele disse baixinho - E eu não vou a lugar nenhum.

Ele colocou sua mão debaixo do queixo de Hermione e inclinou seu rosto para ele. Com um rápido piscar, ele inclinou-se e beijou-a na boca. Eles ficaram daquele jeito por alguns momentos, agradecidos por finalmente entregarem-se àquilo que deram início em Paris. Fora uma longa e surpreendente jornada, o que fez o beijo muito mais doce. Hermione colocou suas mãos em volta da cintura dele, descansando suas mãos em suas costas enquanto ele abraçava-a mais forte. Ela abriu sua boca para ele, que aprofundou o beijo cada vez mais.

Quando finalmente separaram-se, ouviram vários gritinhos de surpresa. Pareceram lembrar que não estavam sozinhos, mas sim em um salão cheio de alunos e observadores chocados. Os últimos acordes da música foram tocados e o salão ficou em completo silêncio. Hermione respirou fundo, e abriu um enorme sorriso que não pode evitar. Sentiu os seus braços apertarem-se em volta dela e afundou seu rosto no peito dele.

O rosto de Draco ficou sério.

- Você ouviu isso?

Era impossível para Hermione ouvir qualquer coisa a não ser os batimentos do coração dele.

- Não, o que foi? - ela olhou em volta nervosamente, ficando cada vez mais preocupada com o silêncio contínuo.

- Parece que alguém está chorando - ele explicou solenemente - Não que eu posso culpá-la. O bruxo mais sexy a pisar nos corredores desta assombrada instituição está oficialmente fora do mercado.

Ele arqueou as sobrancelhas para ela, a dando o sorriso mais sexy que ela já vira, fazendo-a perder o fôlego. Aquele sorriso era para ela.

Ela rolou os olhos para ele.

- Como alguém pode ser tão arrogante?

- Talento. Puro talento - ele brincou. Colocou os braços em volta dos ombros dela e plantou um beijo em sua bochecha.

Hermione puxou os lábios dele contra os dela e o beijou-o profundamente novamente. Lidaria com todas as repercussões dessa miraculosa virada de acontecimentos depois. Agora só queria aproveitar o abraço de Draco o máximo que podia.

Fracos murmúrios começaram a passar pela multidão. Pessoas começaram a apontar para algo. Harry voltara para a mesa, pronto para desculpar-se com Hermione por deixar-se ser arrastado para mais uma conversa sobre quadribol com alguns lufa-lufas. Ela já deve ter morrido de sede, pensou, irritado consigo mesmo. Sabia que aquela noite não era fácil para ela, não importa o quão corajosa parecia se mostrar para os outros. Harry sabia por experiência própria como era ficar sem uma pessoa pela qual você tem sentimentos. E Hermione era muito especial para passar sua noite choramingando por um garoto que não valia nem para lamber seu caldeirão, muito menos para ter seu coração. E se Harry teria que passar a noite inteira divertindo-a, estava mais do que feliz de fazê-lo.

Quando se aproximou da mesa onde a deixara, notou uma grande multidão de alunos na pista.

- O que está acontecendo lá? - perguntou a Neville e Rony, que haviam sentado.

- Não sei - Rony respondeu - A banda parou de tocar e tudo ficou quieto. Eu vou dar uma olhada - levantou de sua cadeira e subiu em cima da mesa. Seus olhos arregalaram-se e ele abriu a boca para falar – HERMIONE?? - choramingou.

Harry rapidamente subiu em uma cadeira ao lado dele e viu a mesma coisa que Rony. Lá, no meio de um grupo chocado de observadores, Hermione Granger, sua melhor amiga desde os onze anos, estava beijando Draco Malfoy com mais paixão que Harry pensara ser possível. Seu estômago revirou.

Um flash de vermelho ao seu lado o alarmou. Rony havia pulado de sua cadeira e estava indo até a pista de dança. Harry correu atrás dele e cortou o caminho de Rony.

- Espere, Rony. Você precisa acalmar-se antes de ir lá.

- Você viu o que eu vi, Harry? Ela ficou louca! Ou isso, ou aquele idiota está usando Imperius nela!

Harry suspirou.

- Ele não está usando Imperius, Rony.

- Como você sabe?!

- Eu só sei, está bem? Acredite em mim.

Rony apertou os punhos ao seu lado.

- Você sabe de alguma coisa que eu não sei? Se souber, é melhor me contar agora mesmo! - sua voz estava aumentando rapidamente.

- Bem... - Harry começou.


Prof. Snape sentou-se na mesa principal, acabara de terminar de dar uma volta nos jardins para ter certeza que não havia alunos aproveitando a privacidade dos arbustos de rosas do lado de fora do castelo. Observou o diretor dançando com a nova garota da Sonserina, mas sua atenção logo se voltou para onde todos pareciam estar olhando. Os dois alunos no centro das atenções de todos eram muito reconhecíveis. Snape andou pela mesa, pegando um copo de chocolate quente para esquentar-se depois do frio da rua.

Prof. Vector comentou:

- Que virada interessante - ela balançou a cabeça para o par que se beijava.

Snape olhou casualmente, então se voltou para o chocolate quente.

- Eu tenho coisas mais importantes para fazer do que perder meu tempo analisando as atividades hormonais de dois alunos.

- Não é isso o que eu ouvi, Severo - Minerva comentou maliciosamente, fazendo Snape parar antes de colocar a o copo na boca - Tenho fontes confiáveis que disseram que você vem fazendo o papel de casamenteiro com o Sr. Malfoy e a Srta. Granger. Fazendo-os trabalharem juntos semana após semana, mandando-os buscarem seus ingredientes juntos. Não me diga que você não notou o romance entre seus alunos.

Os professores voltaram-se para ele, surpresos.

Ele limpou a garganta.

- Toda aquela angústia adolescente estava sendo uma distração na minha aula - ele argumentou - Eles passavam tanto tempo trocando olhares um para o outro. Era irritante. E eu não tolero distrações na minha aula - ele jogou o líquido quente garganta abaixo, esquecendo sua temperatura e teve um acesso de tosse quando queimou sua garganta.

Minerva levantou-se para começar a dispersar a multidão. Quando ela passou pelo Mestre de Poções, tocou o ombro dele levemente.

- Cuidado, Severo. Pegue um arco e uma flecha e as pessoas vão começar a chamá-lo de cupido.

Os outros professores riram enquanto o rosto de Snape queimou, vermelho.