Cuidando para que ninguém notasse seu sumiço, e que não havia ninguém no dormitório, Harry tirou a chave de prata e a usou na porta do dormitório, assim, quando ele voltasse poderia fingir ter acabado de chegar do salão comunal.
O que esperava por ele do outro lado da porta, por outro lado, não era o que ele esperava. Um homem estava sentado na cama dele, os longos cabelos negros cobriam o que Harry sabia serem olhos azuis, um sorriso suavizava a expressão no rosto dele. Harry teve que segurar o grito de susto ao ver um homem e não um cachorro ali.
-Olá, Harry. - disse o homem – não se assuste, mas eu sou Sirius Black, e nós dois precisamos ter uma... conversinha.
Harry quase gritou novamente, mas colocou a mão na boca para impedir que o grito fosse ouvido através da porta que ainda estava aberta. Com um baque, Harry fechou a porta, se preparando psicologicamente para enfrentar Black, seu padrinho, seu animal de estimação, para enfrentar Sirius.
Capítulo 10 Sirius Black
-O que você está fazendo aqui? - perguntou Harry fingindo surpresa e tentando descobrir o que dizer à Sirius – ou melhor, COMO você chegou aqui? E onde está Snuffles?
Sirius olhou para Harry impressionado. O garoto a frente dele lembrava muito a James, mas a forma como ele se portava tinha alguma coisa desafiadora e destemida que com certeza vinha de Lily. Principalmente porque, ao encarar os olhos verdes de Harry, Sirius via ali um brilho que ele vira muitas e muitas vezes nos olhos da ruiva quando ela olhava para James, antes de começar a gritar com ele.
-Eu... - começou Sirius – eu SOU Snuffles...
-Você... É Snuffles? - perguntou Harry – você... é um animago! Você... VOCÊ ME ENGANOU! FINGIU SER UM CACHORRO!
-É... - foi tudo o que Sirius conseguiu responder.
Um longo silencio se passou. Harry apenas olhava para Sirius, enquanto o animago pensava em como explicar tudo a Harry, fazer ele acreditar nas suas palavras, sem sequer se dar conta de que Harry em nenhum momento havia tirado a varinha do bolso, ou ameaçado fazer qualquer coisa que não escutá-lo e tentar a todo custo não começar a rir da cara de pânico de Sirius.
-Eu não vou machucar você, Harry! - tentou novamente Sirius – não foi por isso que eu fugi de Azkaban.
-E por que foi, então? - perguntou Harry, indo se sentar na cadeira em frente a escrivaninha, sempre encarando o padrinho.
-Pra te proteger. - respondeu sinceramente Sirius – te proteger de Peter Pettigrew.
-Pettigrew? Não é esse o nome do bruxo que você matou doze anos atrás? Junto com toda uma rua cheia de trouxas? - perguntou Harry curioso.
-Você ouviu sobre isso? Sobre o que aconteceu naquela noite? - perguntou Sirius frustrado – Harry, é mentira! É tudo mentira!
-Oh. - fez Harry – quer dizer então que é mentira? Que você não foi até a casa dos meus pais? Que não viu a casa destruída? Que não tentou ficar comigo? Que não emprestou sua moto para Hagrid? E que só depois de tentar fazer Hagrid me entregar pra você, você foi encontrar Pettigrew?
-Nã... quer dizer... FOI! Isso realmente aconteceu... como você sabe disso tudo?
-Hagrid me contou... quando ele me contou sobre... sobre os meus pais. Mas, se tudo isso é verdade, o que é mentira?
-Eu não matei Peter. - respondeu Sirius olhando no fundo dos olhos do afilhado – eu queria, e teria, mas... não consegui. Ele fugiu. E está em Hogwarts! Perto demais de você. Eu... eu tinha que tentar te proteger. Já que eu falhei em fazer isso doze anos atrás.
-Se Peter estivesse em Hogwarts, alguém já teria notado, não? - perguntou Harry cético.
-A maior parte das pessoas não presta a menor atenção aos ratos. - respondeu Sirius – e Peter é um em todos os sentidos da palavra.
-Você quer dizer que Peter Pettigrew é literalmente um rato? Com rabo, orelhas, pêlo e tudo mais?
-Eu era um cachorro, da ultima vez que você me viu, não era? - perguntou Sirius, e pra dar maior efeito às palavras, se transformou em Snuffles.
-Certo... - disse Harry enquanto Sirius voltava a forma humana – então Peter Pettigrew é um rato animago?
-Exatamente.
-E como você sabe que ele está aqui? - perguntou Harry – até onde eu sei, Azkaban não é exatamente um spa onde você descobre todas as fofocas mais recentes...
Sirius tirou de dentro das vestes um pedaço de papel amassado, que ele alisou e mostrou a Harry. Era a foto de Ron com a família, que aparecera no Profeta Diário no verão, e ali, no ombro e Ron, estava Perebas, o rato de Ron.
-Você está querendo me dizer que Perebas é Peter? - perguntou Harry tão incrédulo como se ele já não soubesse disso a anos – Perebas? O bichinho de estimação de Ron, o meu melhor amigo? Esse rato? Perebas, é Peter Pettigrew? Como você pode ter certeza disso? E melhor! Onde você arranjou esse jornal?
-Fudge – disse Sirius – quando ele foi inspecionar Azkaban, me cedeu o jornal que levava. E lá estava Peter, na primeira página... no ombro desse garoto... reconheci-o na mesma hora, quantas vezes o vi se transformar? E a legenda diz que ele ia voltar para Hogwarts, onde você estaria...
-Ainda assim... isso não faz o menor sentido! Como você tem certeza absoluta de que Perebas é Pettigrew? Ele não tem nenhuma marca, nada que indique que ele é Peter!
-A pata dianteira... - disse Sirius.
-O que tem a pata? - perguntou Harry, ouvir Sirius contar toda a história novamente era quase doloroso, principalmente porque o animago estava tentando de todas as formas convencer Harry de que não iria matá-lo no segundo seguinte.
-Tem um dedinho faltando. Ele o cortou pouco antes de se transformar e se esconder com os outros ratos... você já deve ter ouvido falar, Harry, que o maior pedaço que encontraram de Peter foi o dedo.
-Ta... supondo que eu acredite que Peter Pettigrew é realmente um rato animago, e que Perebas é esse rato. Ainda assim, alguém deveria saber disso tudo! E depois, Perebas dorme no mesmo dormitório que eu há mais de dois anos, e nunca me fez nada! Porque você iria me proteger dele?
-Harry... - disse Sirius em um suspiro – venha comigo.
E Sirius saiu do quarto. Harry ficou olhando para ele, tentando adivinhar para onde ele poderia estar indo, e então se levantou e o seguiu. Sirius esperava por ele em frente a porta da biblioteca.
-Na última noite que você dormiu aqui, você falou algo sobre estar evitando seus pais. Eu não entendi o que você queria dizer com isso, então entrei aqui – disse o animago abrindo a porta – e me encontrei com eles. - completou apontando para o quadro de onde Lily e James olhavam ansiosos para Harry – esse retrato foi feito um pouco depois de vocês se esconderem em Godric's Hollow, eles tem todas as memórias de James e Lily até aquele dia.
-E o que isso tem a ver com toda a história de que Pettigrew é um animago e que você fugiu de Azkaban pra vir atrás dele e não de mim? - perguntou Harry se esforçando para olhar para Sirius em vez do quadro.
-Harry. - chamou o retrato de James – Sirius foi acusado de ter nos traído. De ter dito a Voldemort onde nós estávamos escondidos. Ele nunca fez isso. Ele nunca nos traiu. Peter era o fiel do nosso segredo. Foi Peter quem nos entregou de bandeja para Voldemort.
Por um tempo indeterminado, Harry ficou parado ali, olhando do retrato para Sirius. Tudo o que estava sendo dito ali ele já sabia. E de certa forma, "descobrir" tudo isso antes ajudava o plano de Harry de entregar Peter e limpar o nome de Sirius. Mas ainda assim, COMO fazer tudo isso sem dar a entender que ele já sabia o que deveria acontecer? Como orquestrar tudo isso de formas que ninguém desconfiasse do conhecimento dele?
-E... como ninguém mais sabe disso? - perguntou Harry – eu conheci Remus Lupin – disse Harry para o retrato dos pais – ele é o meu novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e ele parece certo de que você, Black, está querendo me matar.
-Er.. - fez Sirius embaraçado – nós... não dissemos à Remus sobre isso...
-Eu achei que vocês fossem amigos? - disse Harry.
-Eramos. - respondeu Sirius – mas... por causa... de algumas coisinhas... nós...
-Nós sabíamos que existia um traidor entre nós, Harry – respondeu o retrato de James – e Remus... se encaixava no perfil...
-Foi um erro terrível! E ninguém se arrepende mais te ter pensado mal sobre ele do que eu, mas... naqueles dias... - disse Sirius.
-O que vocês esperam que eu faça agora? - perguntou Harry – mesmo que eu acredite nisso tudo, eu não posso simplesmente sequestrar o rato do Ron e tentar pedir pra ele voltar a ser gente!
-Você acha que consegue trazer Remus até aqui? Aliás, onde estamos, exatamente? - perguntou Sirius – eu tentei sair daqui, como cachorro... mas não consegui!
-Er... - dessa vez era Harry que não sabia o que responder – eu acho que estamos em algum lugar na Grécia...
-GRÉCIA! - exclamaram Sirius, Lily e James.
-Como nós viemos para na Grécia? - perguntou Lily.
-Eu sei que parece loucura... - começou Harry – mas eu recebi essa chave de presente de aniversário... e... na carta dizia que ela funciona em qualquer fechadura... então eu tentei e... e eu cheguei nesse lugar! Eu primeiro achei que era só um quarto... mas ai eu descobri que na verdade é uma casa inteira! Com cozinha, sala de jogos, sala de treino, biblioteca! Tem de tudo aqui! Tudo o que eu poderia precisar!
-Você simplesmente confiou em uma carta? - brigou Lily – você pelo menos sabe quem mandou?
-Er... Éris e Afrodite? - respondeu Harry sem ter certeza das reações tanto daqueles que estavam com ele ali quanto das deusas.
Para o espanto de Harry, Sirius começou a rir, sendo seguido por James, enquanto Lily apenas olhava para os três com cara de poucos amigos.
-Qual é a graça? - perguntou Harry sem entender nada.
-A deusa do Caos e a deusa do Amor te deram uma casa de presente? - perguntou Sirius entre as risadas – qualé, Harry! Nós somos os reis das brincadeiras! Você não vai conseguir nos pegar com uma tão... impossível!
-Será que podemos voltar aos assuntos sérios? - perguntou Lily – você acha que consegue fazer Remus vir até aqui? Com ele do nosso lado, não deve ser difícil achar algum jeito de pegar o traidor.
-Eu... acho que consigo... - respondeu Harry – o professor Lupin ficou de me ajudar a aprender como me defender dos dementadores...
-Professor Moony! - exclamou alegremente James – eu sabia que ele ia acabar em uma posição de poder!
-Moony? - perguntou Harry – de onde veio isso?
-Nós não te contamos? - perguntou Sirius já completamente à vontade perto de Harry – nós todos nós tínhamos apelidos quando estávamos na escola. Eu sou Padfoot, por me transformar em cachorro... Peter era Wormtail... e se transforma em um rato – ele praticamente cuspiu a palavra rato – James era Prongs, um cervo, e Remus é Moony!
-E no que Moony se transforma? - perguntou Harry com curiosidade fingida.
-Er... - fez Sirius – ele...
-Remus é um lobisomem, Harry. - disse Lily – mas isso não significa nada! Ele sempre foi o mais sensato, gentil e amável dos Marotos.
-Oh.. - foi tudo a reação de Harry para a revelação – Marotos é o nome que vocês se deram, imagino?
-Oh? - perguntou Sirius – você acabou de descobrir que um dos seus professores é um lobisomem e só tem a dizer Oh?
-Bom... depois de ter um professor que realmente tentou me matar, e que tinha Voldemort saindo da cabeça dele, e um outro que era uma completa fraude e que tentou apagar a minha memória... acho que um lobisomem não é assim tão mal, certo? Pelo menos dessa vez ele foi contratado pra me proteger, não me matar.
-COMO É QUE É? - perguntou Lily indignada.
-Pelo jeito, seus dois primeiros anos em Hogwarts foram bem mais agitados do que os nossos. - disse Sirius sorrindo para o afilhado – você vai ter que nos contar tudo! Com detalhes!
-Eu conto, numa outra hora... já está tarde, é melhor eu voltar... - disse Harry – você vai ficar bem aqui, certo Sirius? - perguntou Harry – e eu volto quando puder... e vou tentar trazer o professor Lupin aqui.
-É claro que eu vou ficar bem, Harry. - disse Sirius com um sorriso – tem um monte de coisas pra se fazer por aqui, e estou em ótima companhia! E sua cozinha continua a se encher de comida.
-Bom. - disse Harry sorrindo – eu volto o mais cedo que puder.
-Tente aproveitar o seu ano, Harry. Não se preocupe com Peter por enquanto. Só não esqueça de falar com Remus. E não esqueça da gente, volte pra conversar. Você tem muito o que nos contar. - disse o retrato de James.
-Eu prometo. - falou Harry – até logo.
Harry saiu da biblioteca, seguido por Sirius.
-Você aceitou tudo muito mais rápido do que eu pensei que aceitaria. - disse Sirius.
-Talvez... eu já desconfiasse que você não era só um cachorro... - respondeu Harry olhando nos olhos azuis de Sirius – você não sabe se comportar como um. Anda com pompa demais, pra um cachorro vira-lata.
-E ainda assim me trouxe pra sua casa? - perguntou Sirius incrédulo.
-Eu só percebi isso depois que você já estava aqui... e ai... bom... você não tentou em nenhum momento me atacar, então... achei que em algum momento você fosse me contar quem era, só não esperava que fosse Sirius Black, o bruxo que todos acham que está louco pra me mandar pra debaixo da terra.
-Você é ainda mais louco do que o seu pai. - falou Sirius com um sorriso orgulhoso – mas é melhor você ir. Tente não dar muita bandeira para o rato... nós não queremos que ele fuja, não é mesmo?
-Não se preocupe, eu não vou deixar ele perceber nada. Até outra hora, Sirius. - se despediu Harry e abriu a porta para o dormitório já escuro do terceiro ano.
-Até outra hora, Pup. - disse Sirius vendo o afilhado voltar para Hogwarts.
N/a: Olá! Como vão todos? Eu recuperei a minha internet! Isso não é ótimo!
Aqui está o cap! Mesmo que com um dia de atraso... espero que tenham gostado! Agora Harry tem um aliado em Sirius! Falta recrutar de ver um outro... idéias sobre como os Marotos podem se vingar do traidor?
A forma como Sirius chamou o Harry, na ultima linha... Pup é filhote de cachorro em inglês, como muitos devem saber... e é um dos apelidos normalmente usados nas fics em inglês... e eu simplesmente não consegui não usar ele... me desculpem aqueles que tem alguma coisa contra... mas é possível que tanto Pup quanto Cub (filhote de lobo) apareçam nos outros capitulos da fic...
DEIXEM COMENTÁRIOS E FAÇAM UMA AUTORA FELIZ! Autora feliz escreve mais e mais rápido... até o próximo cap!
Capítulo 11 Remus Lupin
