Reviews Reviews Reviews

CAPÍTULO X

Hermione quase podia ver seu pai se remexendo no caixão. Por mais criativo que fosse, nunca John Granger poderia ter imaginado que um dia uma filha sua iria estar se preparando para um encontro com um homem como Harry Potter... muito menos sendo esse encontro na casa de um advogado. Ele não iria ver nada de positivo em tal comportamento, muito pelo contrario, iria ver inúmeros finais desagradáveis e pontos negativos.

Ela própria tinha receios, mas eram em grande parte pela profundidade de seu envolvimento com o bilionário. Sexo era uma coisa, por mais prazeroso que fosse, mas se envolver emocionalmente era algo completamente diferente. Em algum momento desse envolvimento, ela havia deixado de dar prioridade aos seus próprios interesses e começado a se envolver com ele, ao ponto de sair para conhecer os amigos dele num jantar como... uma namorada? Uma amante?

O coração dela começou a acelerar, Hermione vasculhava o closet.

- O que diabos eu devo vestir?

Ela conseguiu ouvir uma risada ao longe e a voz de Harry seguiu:

- Qualquer coisa. Ei, está passando o filme do Godzilla. Você gosta de filmes como este, não é? – Sem esperar uma resposta, ele continuou. – Ele está salvando a cidade do Godzilla mecânico. – ele falou alegremente.

Pegando um vestido degrade amarelo e vermelho, ela voltou para o quarto:

- Eu gosto, mas apenas quando o Godzilla é mau. – ela respondeu mostrando a peça de roupa para o moreno. – O que acha desse?

Ele tirou os olhos da tela e se virou do sofá para vê-la.

- Está bom, mas...

- Mas... – ela encarou-o, arqueando uma sobrancelha.

- Hm... Não irá mostrar os arranhões e o corte em suas costas?

"Droga."

Com o antiséptico que o médico passou, seus cortes pararam de doer e a fizeram esquecer-se completamente deles.

- O que você vai vestir?

O que já estou vestindo. – ele falou se levantando e dando uma voltinha, para provocá-la.

Ele vestia uma calça jeans e uma camisa de botão de mangas compridas preta. A calça abraçava as pernas dele da forma certa e realçava seu maravilhoso bumbum e a camisa contrastava com a pele branca dele e davam um tom diferente aos olhos verde-esmeralda dele.

Ela deu meia volta e entrou novamente no closet. Após alguns minutos ouviu a voz de Harry se aproximando:

- Achou algo?

- Volte para o sofá e conte-me o que está acontecendo com o Godzilla. – ela falou sorrindo ao encontrar um vestido. – Sairei em alguns instantes. E ai você me dirá o que acha.

- Algo verde seria legal. Em homenagem ao Godzilla.

- Para o sofá, moço!

- Okay. Okay.

Ela quase pode vê-lo levantar as mãos em rendição e sorriu. Se arrependendo logo em seguida e se recriminou. Ela não podia estar tão conectada a ele e ao mesmo tempo tão feliz. Isso tudo ria acabar, se tiver sorte, em breve.

Essa nova vida era tão estranha – e tão tentadora. Ela sacudiu-se, e colocou um vestido rosa claro. Ela precisava parar de se distrair com os pequenos prazeres dessa vida com Harry Potter. Na sua vida profissional, essa afabilidade equivalia-se a prisão - ou morte. Ela precisava entender o que estava ocorrendo.

Ela ainda tinha duvidas quanto ao Weasley. Ele podia estar mais envolvido nisso do que Harry imaginava, tanto quanto Dante Partino. Os policiais tinha recolhido algumas caixas e papeis do escritório do último na mansão. Hermione achou que para um homem tão certinho, ele mantinha um escritório muito bagunçado, mas não comentou nada. E para falar a verdade, ela pretendia dar uma olhada mais tarde quando chegassem. Se não encontrasse nada, talvez devesse fazer uma visita na casa onde Partino morava.

Como Harry estava assumindo a investigação sobre as outras duas pedras, ela precisava fazer algo. Ficar parada iria levá-la à loucura e ela não podia esquecer que alguém a queria morta.

- Okay. E como estou? – ela perguntou um tanto nervosa. Ela se adaptaria hoje a noite, porque isso era o que ela sabia fazer.

Se não fosse pela habilidade irritante do moreno de decifrar o que ela estava sentindo e pensando, hoje a noite ela iria tentar ao menos decifrar se o advogado estava envolvido ou não. Será fácil, ela decidiu.

- Adorável. – ele levantou-se sorrindo ao vê-la.

- Ótimo. Agora só falta o cabelo e a maquiagem. – ela falou voltando ao closet e sentou-se na penteadeira que lá tinha.

- Você não precisa de mais nada. Está linda do jeito que está. – ele apareceu à porta e se encostou, observando-a.

- Boa resposta, mas não estou procurando elogios. Eu quer... ficar bem. Sabe, parecer uma pessoa normal. Eu sei que Harvard não é, mas acho que a senhora Weasley seja, não?

- Luna? Normal? – ele gargalhou, inclinando-se.

- O que foi? Ela não é? – Hermione se virou para ele com um olhar inquisidor.

- Nada não. Ela é adorável. – ele após algum tempo. – E você desperta o lado ruim do Ron, já que ele pensa que há muita gente tentando se aproveitar de mim. Ele é na verdade muito normal, apesar da minha experiência com pessoas normais ser bastante limitada.

- Temos isso em comum. – ela o olhou pelo espelho. – Hm... Posso te fazer uma pergunta?

- Claro.

- Ninguém se aproveita de você, não é? Nunca!

- Não. – ele respondeu simplesmente.

- Com exceção de seu amigo Colin.

Ele apertou os maxilares e respirou fundo antes de responder:

- Toda regra tem uma exceção, suponho.

- Só uma? – ela insistiu.

- Tá falando do Dante?

Ela estava pensando em Weasley, mas assentiu mesmo assim.

- Você confiava nele.

Ele pensou durante um tempo, antes de responder.

Sim. Eu confiava nele, mas não é a mesma coisa. Eu o conheço há algum tempo, mas não devo colocá-lo na mesma categoria que Colin. Por causa de Colin eu escolho meus amigos cuidadosamente agora, Mione. Eu me decepcionei uma vez, mas não irá acontecer novamente, acredite.

Ainda olhando-o através do espelho, ela perguntou:

- E em que categoria eu me encaixo?

Os olhos verdes do moreno pareceram escurecer um pouco.

- Uma categoria bem diferente e nova. – pela primeira vez em sua vida ela sentiu um calor percorrer por todo seu corpo em função de um olhar apenas. – Uma bem interessante.

Ele se aproximou dela por trás da cadeira em que estava sentada e inclinou-se beijando-a no pescoço.

- Outra pergunta?

Ela respirou fundo, seus olhos haviam se fechado em algum momento e sua concentração havia evaporado.

- Você está me distraindo assim, Inglês. – ele ignorou e continuou com seus beijos. – Você estava se portando bem instantes atrás e agora está aqui provocando?

- Você quer saber por que não estamos nus, enroscados na cama, buscando um prazer inesquecível?

"Oh meu Deus!" – era a única coisa que conseguia pensar, quando aqueles lábios e aquelas palavras tomavam conta de seu raciocínio, mas forçando-se a pensar algo coerente. – Sim. Quero saber isso mesmo.

- Porque temos que sair em breve e quero mostrá-la o que nos espera quando chegarmos em casa mais tarde.

Ele levou seus lábios junto ao ouvido dela e sussurrou:

- E depois de ouvir sobre O'Hannon, eu fiquei preocupado com sua segurança e pretendo estender e aproveitar ao máximo desse seu corpinho sexy.

Ela se arrepiou. Por Deus, ele fazia ela se sentir tão... fraca.

- Não vai durar. Você sabe, não é? – ela disse tentando colocar uma distancia mental entre eles.

Ele ficou ereto novamente, olhando através do espelho.

- O que não vai durar? – enrugando suas sobrancelhas.

- Isso. – ela gesticulou. – Você e eu. Vamos encarar a realidade. Somos novidade um para o outro, mas estamos próximos de descobrir toda essa bagunça. Assim que estiver com a pedra, essa historia vai acabar. Eu não terei razoes para ficar e você, com certeza, tem melhores coisas para fazer do que transar comigo.

A raiva estava evidente em suas feições e seus movimentos. Os olhos verdes antes intensos de desejo, agora atingiram uma tonalidade perigosa.

- Certo. Eu vou pegar uma cerveja. Me encontre lá embaixo seis e meia.

- Certo.

Antes de chegar a porta do quarto para sair, ele se voltou e olhou-a seriamente antes de dizer:

- Muitas pessoas pensaram que já me conheciam bem, que já me entendiam... – ele falou um pouco mais alto que um sussurro. – E muitas pessoas se arrependeram de me subestimar.

- Harry, eu apenas expus um fato. Eu não estou...

- Você já me deu, o que eu suponho ser, sua opinião a meu respeito diversas vezes. Eu apreciaria que você esperasse até eu oferecer a minha antes de decidir em meu lugar.

E com isso ele se foi, fechando a porta gentilmente. Ela preferiria que ele batesse e/ou gritasse. "Droga!" Ninguém era tão difícil de entender quanto ele. Ela era boa em interpretar o caráter das pessoas em segundos. Sua vida, frequentemente, dependia dessa habilidade. Potter parecia genuinamente preocupado com ela e genuinamente chateado quando ela não considerava a possibilidade de um relacionamento sério entre eles.

"Resolva tudo isso e vá embora!"

Essa era a solução. Ela veio até ele em seus próprios termos e por suas próprias razoes. E quando fosse embora seria porque ela queria ir, não porque ele decidira que era a hora dela sumir. Ainda sentada na cadeira onde estava sentada à penteadeira, ela viu na TV do quarto o Godzilla mecânico cair.

"Ha. Pelo menos algumas coisas ocorrem da forma que deveriam."

Ela voltou-se para o espelho e continuou a se arrumar. Ela colocou a maquiagem e ajeitou o cabelo umas cinco vezes antes de ficar satisfeita. Ela, deliberadamente, esperou que o relógio da parede mostrasse vinte para as sete antes de descer. Harry Potter poderia ditar o quanto quisesse, mas ela iria lembrá-lo sempre de que ela não era dependente dele e validava sua independência.

Ela esperava encontrá-lo com raiva e andando de um lado para o outro pela sala, esperando por ela. Mas ela teve que procurá-lo, pois não estava em lugar algum. Não na sala de estar, no escritório, nem na biblioteca. Quando finalmente o encontrou, ele estava sentado numa espreguiçadeira, na área da piscina, bebendo algo que parecia uísque.

- Pronto? – ela não conseguiu esconder a incredulidade em sua voz.

- Já está na hora? – ele se levantou.

Ela quase o recriminou, mas se o fizesse ele saberia que irritou-a. Em vez disso, ela apenas assentiu e virou-se seguindo para o pátio onde o carro os esperava.

O Bentley estava parado na frente da casa. Apesar da briga, ela não conseguiu conter a alegria. Ela iria andar em Bentley!

- Aqui. – ele arremessou-lhe as chaves.

Hermione quase iria lembrá-lo de que ela não tem uma carteira de motorista válida, mas, felizmente, ela desistiu pois isso nunca a impedira antes.

- Mama mia, here I go again… - ela cantou, sentando-se atrás do volante, enquanto Ben, o motorista, abria-lhe a porta.

- Quanto esse bebê custa? – ela perguntou, girando a chave na ignição , ligando o motor.

- Muito. Tente não nos matar.

Sem conter o sorriso, Hermione apertou o acelerador, fazendo o motor gritar sua potencia. Depois de repetir isso umas três vezes, ela acelerou e o carro saiu, cantando pneu, pela entrada até o portão da frente da mansão. Os policiais saíram da frente apressados, ao ver o carro acelerando em sua direção e deram espaço bem a tempo de ver os dois saírem.

- Dê as coordenadas, co-piloto!

- Continue em frente até o próximo sinal e lá vire à direita. Quando chegar lá explico o resto. – ele apertou o cinto de segurança, mas não pareceu preocupado com os danos que ela poderia causar.

Quando passaram por uma ponte, chegaram em um bairro residencial. Ela teve de diminuir a velocidade, por se tratar de um bairro conservador. Nessa parte da cidade as crianças andando de bicicletas, patins na cidade e pedestres tinham prioridade e poderiam aparecer de repente. As casas pareciam tão... ignorantes a maldade do mundo. Ela não se lembrava se algum dia fora tão inocente. Um pensamento horrivelmente assustador passou-lhe a cabeça.

- Eles não tem filhos, tem?

- Vire a direita. – ele falou, ajustando o vento do ar-condicionado em sua direção.

- Por Deus, Harry! Você não me disse que eles tinham crianças.

- Você já foi uma, algum tempo atrás. – ele falou, diversão aprofundando-lhe a voz. – Tenho certeza que não irá ser difícil.

- Eu nunca fui criança. Quantos anos eles tem?

- Chris tem dezenove, mas não estará em casa. Ele começou o semestre em Yale.

- Yale é longe. Por enquanto tudo bem. Mas agora me dê as más noticias.

Ele riu: - Mike tem catorze e Olivia tem nove.

- Isso é uma emboscada. – ela lamentou-se

- Não, não é. Eles são excelentes crianças e Luna é uma excelente cozinheira. É a terceira casa à esquerda.

As casas eram austeras, com grandes muros e portões para a privacidade. Mas a casa dos Weasley's não tinha portão, mas tinha uma cerca branca baixinha que seguiam pela lateral e frente da casa, apenas por aparências.

Harry observava Hermione atentamente, enquanto ela estacionava o carro na entrada. Ele trapaceou não dando todas os detalhes, mas ela o deixou com raiva. Olho por olho.

Pela sua reação, essa era a primeira vez que ela vinha ao subúrbio. A casa dela que a polícia encontrara, ficava no próximo a saída da cidade, mas ele duvidava que ela socializava com os vizinhos. De acordo com os relatórios da polícia nenhum deles sabiam nada mais que era a calma e tímida sobrinha de Juanita Fuentes.

Ela parou o carro, mas não desligou o motor. Em vez disso, ela ficou lá parada observando como se ela não tivesse como escapatória de um desastre natural que vinha em sua direção.

- Vamos. Respire fundo e vamos.

Ela lhe lançou um olhar ameaçador, ela desligou o carro e abriu a porta. Entao, congelou novamente e se voltou para o milionário.

- Merda! Deveríamos trazer presentes ou algo assim?

Ele imaginou se Jane tinha tido tanto trabalho assim com Tarzan ao trazê-lo no primeiro jantar com amigos. Seria divertido guiá-la para adentrar na civilização.

- Eu cuidei disso. Abra o porta-malas.

- Você acha isso muito divertido, não é?! – ela acusou o moreno.

Decidindo não discutir com ela nesse momento, ele abriu a porta traseira do carro e pegou presentes.

- Quer levá-los ou prefere que eu o faça? – ele falou fechando o porta-malas.

- Não. Eu poderia derrubá-los. – ela respondeu rispidamente e seguiu os passos dele até a porta de entrada da casa. – Não, me dê um deles. Me dará algo para fazer com as mãos.

Ele parou analisando qual dos presentes era menos quebrável e entregou a ela. Ele tocou a campainha e inclinou-se na direção dela e sussurrou:

- Você está linda!

Após alguns segundos, ela disse:

- Ótimo. Não estão em casa. – ela já ia virando-se. – Vamos.

- Covarde!

Isso chamou a atenção dela, como ele sabia que faria. As costas dela ficaram rígidas e seus lábios e olhos se apertaram.

- Eu enfrentei uma granada hoje. Ou melhor, duas.

- Então isso será fácil. – ele murmurou, enquanto a porta se abria.

Ele sempre gostou da casa dos Weasley's. Era... calorosa, intima e convidativa, de um jeito que nenhuma outra poderia ser. Essa era um lar onde pessoas viviam e não aquelas casas de aparência, como a sua, que ele não passava mais de dois meses ao ano.

- Luna ainda está na cozinha. – Ron disse, fechando a porta atrás deles. Ele tentou disfarçar, mas Harry viu o olhar admirado dele para Hermione.

A morena apertou a mão de Ron, dando-lhes um sorriso, não mostrando nenhum sinal das desavenças entre eles.

- Adorei sua casa.

- Obrigada. Nós, praticamente, destruímos a outra casa para construir essa. Ainda há o que se ajeitar, mas isso faz parte da diversão, suponho. – Ron respondeu, com orgulho evidente em sua voz. – Gostariam de alguma bebida? Nós acendemos colocamos algumas velas no pátio.

- Cerveja para mim. – Harry disse, ainda observando Hermione.

- Uma cerveja seria legal. – ela concordou.

Ela olhava ao redor na sala de estar com genuíno interesse. Mesmo quando ela estava nervosa, ela conseguia disfarçar e parecer calma. Deveria ser um instinto de sobrevivência, ele concluiu – mas ela havia deixado que ele visse seu nervosismo. Isso significava que ela confiava um pouco nele? Ou ela queria apenas que ele pensasse isto?

Passos foram ouvidos, descendo a escada:

- Tio Harry!

Ele se virou enquanto Olivia corria em sua direção, lançando seus braços ao redor de sua cintura. Sorrindo, Harry abraçou-a de volta e deu-lhe um beijo na testa.

- Como está minha pequena bonequinha? Você está tão grande. Você cresceu o quê? Uns dez centímetros?

- Apenas cinco. – a ruivinha respondeu, sorrindo para ele. Com seus olhos azuis, ela será um arraso com os meninos quando estiver mais velha. – O que trouxe para mim?

- Primeiro, quero que conheça uma amiga. Mione, essa é Olivia. Liv, essa é Hermione.

Olivia ofereceu a pequena mão e Mione a apertou de leve.

- Prazer em conhecê-la, Olivia. – a morena olhou para Harry. – Agora pare de torturá-la e entregue o presente.

Ele entregou o presente a ruivinha e disse:

- Bom, você disse vermelha e japonesa, então se não for essa a culpa é inteiramente sua.

- Oh, eu sei que é essa, - ela disse, seus olhos brilhando enquanto abria o embrulho e retirava uma caixinha. Com todo cuidado que suas mãozinhas poderiam, ela retirou da caixa uma boneca de porcelana com um kimono tradicional vermelho com orquídeas brancas. Ela gritou.

- É exatamente como eu vi no livro! – ela exclamou, abraçando-o novamente com a mão livre. – O nome dela é Oko. Ela é tão bonita. Obrigada, tio Harry.

- De nada, pequena.

Ron sorrindo também disse: - Vá mostrar a sua mãe, Liv.

- Mãe! Olhe o que o tio Harry achou para mim! – ela gritou e apressou-se para a parte de trás da casa.

- Ela coleciona bonecas de porcelana do mundo a fora. – Weasley explicou, olhando para Hermione antes de se virar para Harry. – E você pagou uma fortuna por ela, aposto.

O moreno deu de ombros. – Você viu o rosto dela? Ela adora aquelas bonecas.

- Sim, ela adorou. – Hermione sorriu de leve. – Ela o chamou de tio.

- Eu a conheço desde o dia que nasceu. – ele retornou, ainda tentando identificar o que se passava na cabeça dela.

- Harry, você se superou. – uma voz feminina e suave veio da porta atrás dela, e Harry sorriu olhando em sua direção.

- Luna, - ele disse, caminhando para frente e dando um beijo na bochecha da loira de olhos azuis que adentrava o cômodo.

- Como soube que estávamos procurando por essa boneca exatamente? – ela perguntou, limpando a marca de batom que ficou no maxilar do moreno. – Nós não conseguimos encontrar em lugar algum. E acredite, nós procuramos muito.

- Na verdade, Olivia me enviou um email com a imagem e me pediu para ficar atento. E você me conhece. Adoro um desafio.

- Uh-huh. – os olhos azuis se dirigiram do moreno para Hermione, ainda segurando o outro presente e parecendo mais confortável do que ele achou possível. Ainda bem que ele chegou ao ponto de conhecê-la e saber que era uma fachada. – Você deve ser Hermione. Ouvi dizer que jogou meu marido na piscina. Bom pra você. Ele deve ter merecido.

- Muito bem, obrigada. – ele grunhiu.

- Olá. – Hermione disse, com um sorriso quase tímido. – Você tem uma casa maravilhosa. Adorei os móveis de pinheiro.

- Foi ideia do Ron. Quando eu disse que queria uma casa maior, ele deu um jeitinho e conseguiu se superar e construir isso.

- Então eu o subestimei.

- Você cozinha?

- Sanduiches e pipoca. – Hermione respondeu, sua expressão era ainda mais desarmante. – Nada próximo do que você é capaz, pelo que ouvi dizer.

- Ah, adoro trabalhar sob pressão. – Luna sorriu novamente. – Eu preciso cortar umas azeitonas, mas não queria insultá-la com tarefas menores.

- Eu sou uma fantástica cortadora de verduras. – Hermione disse com uma mistura de sorriso e grunhido. Ela entregou o outro presente para Harry e seguiu com a loira e a ruivinha.

- Onde está Mike? – Harry perguntou colocando o outro presente na mesa.

- Treino de basquete. Ele deve chegar em vinte, trinta minutos. – Ron seguiu a caminho do pátio. – O que diabos aconteceu com a Granger?

- Como assim?

- Ah, vamos lá, Harry, de tarde ela queria arrancar minha cabeça do pescoço e agora estar toda Miss Simpatia.

Harry respirou fundo, ele esperava ser o único a notar isso, mas Ron não iria deixar passar batido.

- Ela está se adaptando.

- Adaptando?

- É o que ela faz, creio. – já que ele trouxe uma ladra para casa do ruivo, ele devia-lhe uma explicação. – Ela se encaixa. Ela sobrevive fazendo isso. Adaptando-se.

E com qual adaptação você dorme? – ruivo perguntou enquanto tirava duas cervejas da geladeira do bar.

- Todas. – encantamento e dissimulação – eram tão parecidos, mas ele tinha visto suas preocupações, seus receios e sua paixão. Essa era a verdadeira Hermione. Tinha que ser. – Mudemos de assunto, sim.

- Okay. Vi que deixou-a dirigir o Bentley. Interessante.

- Por que?

- Você não me deixa dirigir o Bentley. – o advogado lhe entregou uma das garrafas.

- Ron, eu não estou tentando impressioná-lo.

- Você está tentando impressiona a ela. Achei que fosse o oposto.

- Não sei mais quem estar tentando impressionar quem. – Harry se encostou no bar. – O quanto Luna sabe de tudo isso?

- Apenas o que você contou nos jornais. Que ela é uma consultora de arte e segurança e que estão saindo. Oh, e adicionei que ela está ajudando com o caso do roubo e que me derrubou na piscina.

- Ótimo. Obrigada.

- Não me agradeça ainda. Você sabe o quanto perceptiva Luna é. Ela eventualmente irá descobrir.

- Eu sei. Mas pelo menos ela terá a chance de conhecer Hermione decidir a seu respeito, por si só.

- Oh, Hermione não irá conseguir enganá-la muito bem. É assustador esse dom que minha esposa tem. – Ron observava o moreno atentamente. – Você realmente gosta dela, não é?

- É o que parece. – ele não estava afim de discutir a profundidade de seus sentimentos ainda. – Eu a deixei dirigir o Bentley, não?!

- Meu ponto, exatamente.

- Alguma novidade de Dante?

- Certo. Mudemos de assunto. Eu ainda estava na delegacia quando você ligou e falou do O'Hannon. Eles contaram a Partino, mas considerando que isso não afeta em nada no caso do Finch-Fletchley, ele não parecia muito feliz.

- Não? E como ele parecia?

Ron olhou ao redor, a procura de algum de seus filhos ou esposa e disse:

- Ele parecia que ia se cagar nas calças. Eu achei um advogado para ele.

- Quem?

- Steve Tannberg

Harry concordou com a cabeça.

- Estou feliz que não seja da sua firma.

- Sim. Não queria arriscar conflito de interesses. Eu fiquei um tanto quanto irritado quando Tannberg saiu da sala de interrogações sem ele. Pelo que Steve disse, Dante preferiu ficar na prisão. Disse que era uma forma de protestar pelo que estamos fazendo com ele, mas...

- Mas você acha que ele está assustado e com medo de cair duro nas ruas.

- Algo assim.

- Continua sem falar nada?

Ron fez uma careta.

- Eu não deveria saber disso, mas parece que ele está querendo confessar sobre a pedra. Mas se ele fizer isso, estará envolvido também com as filmagens.

- O que implica seu envolvimento com as granadas no quarto de Hermione.

- Eu estava pensando mais na linha do envolvimento com o roubo e a morte de Samuel, mas isso também.

- Desculpe-me. – Harry deu um longo gole da cerveja. – Eu não consigo tirá-la da cabeça.

- Bem, depois de vê-la hoje a noite, eu não posso culpá-lo por isso. Wow.

- Eu sei. – o moreno sorriu.

- Pai? – Olivia apareceu no pátio. – Mamãe disse que você está encrencado por não trazer o Martini dela e a cerveja de Mione.

- Droga. Estou indo.

Em vez de ir com o pai, Olivia sentou-se no banco perto de Harry.

- Você está namorando a Mione? – ela perguntou segurando a mão livre do moreno.

- Sim, estou.

- Por que?

- Porque ela é inteligente e eu gosto dela.

- Ela sabia que minha nova boneca foi feita a mão em 1922, e que usaram cabelos de verdade nela. E nós brincamos com algumas azeitonas, quando mamãe não estava vendo. Colocamos na ponta dos dedos.

- É. Ela é bem legal. – Harry concordo.

- 'Legal' – ela sorriu. – Você é tão velho, tio Harry.

Olivia saiu correndo de volta a cozinha sorrindo e Ron gargalhou também, voltando ao pátio para encontrar o amigo.

- Você é tão velho. – o ruivo disse, enquanto Harry arqueava as sobrancelhas.

- Oi, sou mais novo que você.

- Por quatro longos meses. – Ron falou com ironia explicita em sua voz e entregou outra garrafa de cerveja ao amigo. – Vamos antes que eu fique mais encrencado com minha mulher.

Os dois seguiram para a cozinha – Harry parou. Luna vestira um avental de cozinheira em Hermione, que estava de pé no balcão com uma faca e um aipo em cada uma de suas mãos. Os músculos de seu abdômen se contraíram de pura excitação. Quem diria que uma Hermione fantasiada de domestica iria excitá-lo tanto?

Ela sorriu ao vê-lo.

- Eu recebi uma promoção. De azeitona para aipo.

Luna sorriu e desligou o fogão, onde uma pasta fervia e exalava um aroma delicioso.

- Até o fim da noite, irei promovê-la para misturar os ingredientes.

Hermione sorriu em obvio bom humor.

- Olhe para isso. Quem sabe um dia poderei cozinhar algo.

Sem conseguir resistir, Harry aproximou-se e colocou a outra cerveja na frente dela e inclinou-se dando-lhe um selinho.

- Tenho certeza que sim. – ele sussurrou.

- Babão. – ela sorriu genuinamente para ele.