Hey! Quem faz aniversário sou eu, mas quem ganhar o presente são vocês! *fraseclichê*
Mais um capítulo... Mais emoções!
Só não esqueçam de deixar aquela review básica que me deixa feliz!
Ah! Link da roupa da Bella e da música no meu perfil.
Just enjoy! ;)
CAPÍTULO 7
Sentimentos
"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito."
(William Shakespeare)
BELLA POV
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Eu estava bastante apreensiva com tudo o que tinha acontecido. Rolei na cama e olhei para o celular. Ele registrava seis horas da manhã. Cedo demais para me levantar e tarde demais para eu tentar dormir de novo.
Havia várias ligações perdidas, a maioria sendo de Ângela. Eu imaginava que ela estaria preocupada, mas depois de tudo o que aconteceu, eu precisava de um tempo para colocar os pensamentos em ordem. Ou para tentar.
Ainda havia duas ligações de Jasper. Tinha certo tempo que eu não falava com ele.
Era cedo demais, mas resolvi arriscar.
- Swan? – A sua voz estava grogue, provavelmente eu o acordara. – Você não tem vida, não?
- Bom dia pra você também, Whitlock. – Ouvi sua risada pelo telefone e o meu coração encheu-se de mais saudade. – Você ligou pra mim?
- Liguei. – A sua voz ficou mais firme de repente. – Era pra falar sobre ela.
- Só um instante. – Levantei-me e fui até a porta para ver se ela estava trancada. – Pode falar agora.
- Onde você está? – Eu não respondi, então ele continuou. – O estado dela se agravou. Tiveram que induzi-la ao coma novamente.
- Meu Deus... – Passei a mão no rosto, cansada com aquela situação. – E o que mais?
- Eles pediram mais dinheiro... – Jasper estava com a voz trêmula. -... O que eu dei não era suficiente.
- Tudo bem, vou arranjar mais. – Suspirei, soltando o ar que prendera involuntariamente. – Só me dê mais um tempo.
- Você ainda... Você ainda não se apresentou à sua família? – Jasper estava indignado. – Bella, essa situação não envolve só você e...
- Eu sei, Jasper! Eu sei... – Afundei-me mais na cama. – Mas as coisas não são tão simples quanto parecem ser!
- Eu sei, Bells... Só me ouve, está bem? Se eu pudesse, eu a ajudaria, de verdade. Mas eu não posso e não tem ninguém com quem você possa contar. – As suas palavras foram duras, mas eu sabia que eram verdadeiras.
- Não precisa me lembrar o que eu não esqueço todos os dias... – Falei rispidamente. – Desculpe se estou dando algum trabalho a você.
- Isabella, você sabe que não é nada disso! – Ele estava irritado. – Eu estou dizendo que você não está cometendo nenhum crime! Você está apenas indo atrás do que é seu por direito!
- Tudo bem, Jasper. – Eu desisti finalmente de discutir com ele. Eu não queria contar o que tinha acontecido e deixá-lo ainda mais preocupado. – Eu vou resolver essa situação e logo mandarei algum dinheiro pra você.
- Não se preocupe. Eu ainda tenho mais guardado. – Ele finalmente relaxara. – Só quero que saiba que esse empréstimo virá com juros e correção monetária.
- Idiota. – Eu ri.
- Eu te amo também, Swan. – Eu revirei os olhos. – Se cuide.
- Seu bobo! – Ele riu. – Obrigada por tudo... De verdade.
Desliguei o telefone e ainda permaneci na cama, pensando em tudo que Jasper me dissera. Eu precisava resolver logo a minha situação. Agora não era só por mim, outra pessoa também necessitava muito mais do que eu.
E talvez ela não tivesse tanto tempo para esperar.
Abracei minhas pernas e coloquei o queixo em meu joelho, meditando em tudo que eu precisaria fazer. E eu estremeci com a possibilidade de revelar aos meus irmãos quem eu era.
Edward.
Eu nem poderia imaginar a sua decepção quando ele finalmente soubesse a verdade.
E pensar que naquela noite no apartamento da Angie nós poderíamos...
Balancei a cabeça afastando tal pensamento, porque ele não me ajudaria em nada.
Só de imaginar o seu desapontamento estampado em seus olhos verdes tristes, era demais para mim. Era sufocante e angustiante pensar em como ele ficaria quando soubesse de tudo. Quando souber que eu sou sua meia-irmã, filha da mulher que ajudou a destruir a sua família.
Por que tinha que ser assim? Por que tínhamos que nos magoar, por que Edward tinha que tentar me beijar? Ele poderia ter me ignorado, fingido que eu não existia... Mas agora eu ainda sentia a maciez dos seus lábios nos meus e por mais que quisesse esquecer, eu não esquecia. Todas aquelas sensações que ele fez meu corpo sentir, despertando-o para algo que eu nem sabia que existia, ainda estavam gravadas em mim. E eu achava impossível que algum dia eu o esqueceria.
- Merda! – Joguei a cabeça para trás, batendo-a na cabeceira da cama.
Fiquei mais um tempo sentada, até que resolvi levantar. Eu queria comer algo e era bom manter-me distraída para não pensar em nada e nem em ninguém.
Fui até a cozinha, preparei um suco de laranja, fiz uns waffles e lavei algumas frutas.
Samuel ainda não tinha acordado e eu imaginava que não fosse acordar tão cedo pela hora que foi dormir na noite anterior.
Então resolvi dar um jeito na casa. Quando morava em Forks, eu ajudava Renee na maioria das tarefas domesticas. Mas eu gostava mesmo era de cozinhar.
Varri, espanei a poeira dos móveis e coloquei algumas roupas minhas que estavam sujas na máquina.
Subi até o segundo andar para arrumar o meu quarto e ouvi um gemido. Não estava vindo do quarto de Samuel, que era em frente ao meu, mas sim de um quarto que ficava ao fim do corredor.
Acho que era o quarto do pai dele, Frank.
Eu não sabia se ele estava sozinho ou se enfermeira estava com ele, mas o gemido de dor era cada vez mais alto e mais perturbador. Talvez o senhor precisasse de ajuda.
Coloquei a mão na maçaneta para girá-la.
- Está perdida por aqui? – Samuel estava de pijama atrás de mim. – Aconteceu alguma coisa?
- Ah meu Deus! – Gritei, assustando-me com a aparição repentina dele. – E- Eu acho que está acontecendo alguma coisa. – Gaguejei nervosa.
- Me deixa dar uma olhada. – Quando fiz a menção de entrar no quarto também, ele me parou. – Não acho bom você entrar, ele fica nervoso na presença de pessoas estranhas.
- Ah... Tudo bem. – Respondi visivelmente sem graça. – Eu espero você lá embaixo.
Samuel esperou eu sair da frente do quarto para entrar. Segundos depois, o barulho havia cessado.
Desci rapidamente as escadas e fui para cozinha para ver se o café estava pronto.
- Desculpe-me se fui grosso, Bella. – Samuel estava chegando à cozinha. – Mas ele realmente fica nervoso na presença de outras pessoas, que não sejam a mim e a enfermeira.
- Tudo bem, eu que fui intrometida. – Fingi não estar constrangida. – Café ou suco?
- Suco. – Ele sorriu, sentando-se a mesa. – Você preparou isso tudo? Acordou que horas?
- Bem cedo a tempo de preparar esse maravilhoso café da manhã pra gente. – Coloquei as frutas em cima da mesa, ao lado dos waffles e do mel. – Também dei um jeitinho na casa, se não se importar.
- Bella... – Samuel sorriu timidamente. -... Você não precisa fazer isso.
- Mas eu quero. – Enfatizei, olhando em seus olhos. – Eu preciso manter a minha cabeça ocupada.
- Então por que você não senta comigo e começa a contar sua história? – Samuel se debruçou sobre a mesa. – Está muito cedo para irmos trabalhar.
Sentei e entre um copo de café e outro, contei sobre quase tudo. A revelação da minha mãe e até o quanto o seu passado era um mistério pra mim; algumas histórias que ela contou sobre os irmãos Cullens e o quanto ela demonstrava certo carinho por eles... O medo que ela tinha quando citava o nome de Carlisle Cullen e que, em nenhum momento, ela demonstrou interesse em manter contato com ele.
- Certo... – Samuel estava tomando um gole do suco. -... Parece que ela mandou uma carta assim que você nasceu.
- E por que ela faria isso, já que fugiu dele? – Eu não estava entendendo algumas partes dessa história. – Isso é incoerente, não acha?
- E se seu pai quisesse que sua mãe informasse a Carlisle que o bebê nascera? – Samuel estava com a mão no queixo, divagando. – Ele parecia ser uma pessoa capaz de uma atitude honesta como essa.
- Pode ser... – Eu poderia até imaginar o meu pai pedindo a Renee que ela mandasse uma carta, informando-o sobre tudo... Meu pai detestava mentiras e segredos. -... Renee faria isso se ele tivesse pedido.
- Ele deve ter pedido. – Samuel afirmou. – Carlisle me falou sobre essa carta dias antes de viajar a França.
- Falou? – Ele assentiu. – Ele demorou demais para ter alguma atitude correta, não acha? – Perguntei irônica.
- Demorou. – Samuel olhou para mim de forma condolente. – Mas ele me incumbiu de uma tarefa e eu tenho que cumpri-la.
- Claro. – Eu me lembrei do incidente que acontecera uma hora atrás. – Seu pai está melhor?
- Está sim. – Ele respondeu tristemente. – Só fica nervoso, às vezes, por isso precisa tomar os medicamentos na hora certa.
- Você o sedou? – Percebi que havia sido indelicada, mas era tarde demais para voltar atrás. – Oh, me desculpe, mas é que...
- Tudo bem. – Ele fez um carinho em minha mão. – Não, eu não o sedei. Ele toma tranqüilizantes.
- Minha mãe também esteve bastante doente... – Tentei reconfortá-lo.
- A sua mãe faleceu há muito tempo? – Samuel perguntou.
- Faleceu. – Engoli o nó que estava formando-se em minha garganta.
- Não precisamos falar disso se não quiser... – Ele espetou um pedaço de waffle. – Como ela era?
- Oh, ela era linda... E adorável. – Sorri forçadamente.
- A minha também era assim... – Samuel ficou pensativo.
Ficamos em silêncio, cada um lembrando-se de sua genitora. Talvez eu e Samuel fôssemos mais parecidos do que supúnhamos.
Respeitávamos a inação de cada um, porque estávamos refletindo sobre tudo o que conversáramos. Eram muitas verdades a serem reveladas, muitas vidas envolvidas... Tínhamos que tomar cada passo de uma vez.
Fomos ao escritório e lá, conversamos ainda mais sobre a família Cullen.
Samuel achou que não seria mais adequado eu trabalhar com ele; que isso poderia levantar suposições erradas por parte dos meus irmãos.
E eu concordei, assentindo que seria desconfortável trabalhar com alguém que estava responsável pela questão da herança de Carlisle Cullen.
- Eu farei de tudo para que arrume um bom emprego... – Samuel e eu estávamos sentados, vendo as fotos que eu trouxera de Seattle. – Tenho certeza que Edward irá ajudá-la com isso. O que você estava fazendo em Seattle?
- Eu estudava Literaturas na UW e trabalhava na biblioteca pública. – Eu ainda estava estremecida em pensar em como Edward lidaria com tudo isso. – Mas eu recuso a ajuda dele.
- Por quê? – Samuel franziu o cenho. – Mesmo que não queira, não tem problema. Ser uma Cullen abrirá muitas portas para você.
Levantei visivelmente desconfortável e fui até a janela, fitando a Chicago movimentada do alto.
- O que foi, Bella? – Samuel estava atrás de mim, uma mão em meu ombro. – Eu disse algo que a desagradou?
- Não Samuel, é que... – Suspirei, procurando as palavras certas. – Eu não pretendo ficar aqui depois que a herança for liberada. – Virei-me para olhá-lo
- Por que não? – Ele sorriu para mim e eu sorri de volta. – Chicago é a cidade das oportunidades! Você poderá ser muito feliz aqui... E além do mais, você não tem ninguém ou tem?
- Não, não tenho... – Menti. – Mas eu só sinto que aqui não é o meu lugar.
- E se eu fizer que seja? – Seus olhos castanhos penetraram nos meus e eu senti um conforto momentâneo. – Quer dizer, e se eu...
-Eu entendi, Samuel. – Coloquei um dedo em seus lábios. Ele estava visivelmente envergonhado, suas bochechas estavam coradas. – Só quero que tenha paciência.
- E eu terei... – Ele sussurrou. – Esperarei o tempo que quiser, Bella.
Eu deixei que ele me abraçasse, eu estava tão confusa. Ao mesmo tempo em que queria ir embora e nunca mais voltar àquela maldita cidade, eu precisava ficar.
Precisava lutar pelo o que era meu por direito, fazer tudo o que passei até agora valer a pena.
Deitei a cabeça em seu peito e senti suas mãos em meu cabelo. Inspirei seu cheiro; não era agressivo como de Edward, era mais doce... Era mais... Samuel. Era algo parecido com calma, tranqüilidade e paz... Paz que eu tanto ansiava e desejava ardentemente.
- Isso tudo não estaria acontecendo se Carlisle não tivesse caído naquele iate... – Levantei a cabeça e olhei para Samuel. – Ele reconheceria a paternidade e eu iria embora.
- Bella, tem uma coisa que eu quero falar com você... – Samuel me puxou até a cadeira mais próxima. – Não creio que ele tenha caído, acho que foi empurrado.
- Empurrado? – Franzi o cenho. – Então ele foi...
- Assassinado. – Samuel meneou com a cabeça. – Alguém o queria ver morto. Mas deve me prometer que não contará nada a ninguém. Estou investigando isso.
- Pode confiar em mim. – Prometi.
[...]
Juntamos todas as poucas informações que eu tinha e as próprias informações de Samuel. Para comprovar a paternidade, precisaríamos fazer um exame de DNA e, para isso, deveríamos exumar o corpo de Carlisle. E isso só era feito com a permissão da família.
Por isso Samuel queria contar toda a história a Alice, Mike, Emmett e Edward.
Edward.
O que ele faria depois que soubesse a verdade?
- Bella? – Eu estava sentada na cama, tínhamos acabado de chegar depois de um dia exaustivo. – Hoje à noite nós iremos a Rose Hill.
- Hoje? – Estremeci com a proposta. – Você acha que será melhor assim?
- Acho. – Ele entrou no meu quarto com as mãos nos bolsos. – Devemos logo resolver essa situação.
- Tudo bem. – Respirei fundo, sentindo uma angústia crescendo em meu peito. – Eu confio em você.
- Vai dar tudo certo. – Ele levantou o meu rosto delicadamente. – Eu estarei lá com você. Eles não ousarão fazer alguma coisa.
Eu estava mais preocupada com a reação de uma única pessoa. Fitar seus olhos tristes, achando que eu o enganei... Lembrar daquela noite no apartamento e saber que cometemos um pecado, incesto... Eu ainda estremecia quando ouvia o seu nome ou quando me lembrava dos seus beijos.
Para mim o mais difícil seria lidar com a reação de Edward. Com todo o resto, eu poderia lidar.
Mas não com o meu menininho de olhos tristes.
Eu sabia que Emmett não iria aprovar, assim como o tal de Mike. Minha única esperança era Alice, eu não sabia explicar o porquê. Eu só esperava que ela fosse mais flexível, assim como aparentava ser.
- Eu marquei um jantar às oito horas. – Ele já estava na soleira da porta.
Descansei e depois de algum tempo, resolvi me arrumar.
Eu estava muito nervosa, pois meu guarda-roupa estava precário. Eu não tinha Angie para me ajudar e muito menos alguém para me emprestar algo.
E eu precisava estar bem vestida, pelo menos.
Coloquei um vestido florido que minha mãe havia me dado no meu aniversário de dezenove anos. Nos pés, uma sandália plataforma que eu havia economizado meses para comprar.
Coloquei um bracelete que havia sido da minha mãe. De alguma forma, eu queria que ela estivesse comigo.
Deixei meu cabelo solto em ondas pelas costas. Passei um batom rosa e com alguma dificuldade, passei um rímel também. Eu não parava de tremer.
- Oi, meu nome é Isabella Swan... Eu sou filha de Renee... Sou a meia-irmã de vocês. – Fiquei repetindo como um mantra, tentando reformular as respostas e manter a calma.
Meu coração estava acelerado e eu suava constantemente pelas palmas das mãos. Eu só esperava não me desfazer quando chegasse a Rose Hill.
E quando encontrasse com Edward.
- Está pronta? – Samuel estava na porta. – Meu Deus, você está linda.
- Obrigada. – Agradeci timidamente. – Vamos?
Fui todo o trajeto até Rose Hill em silêncio. Eu sabia que Samuel estava falando sobre alguma coisa, mas eu não conseguia parar de pensar sobre o que me aguardava. Sobre o que pensariam de mim.
Sobre suas reações e suposições.
Descemos do carro e fomos recepcionados pelo mordomo. Entramos na casa e ficamos aguardando na sala.
- Ei , Samuel! – Emmett estava descendo as escadas. – Trouxe o meu dinheiro?
- Bem, nós...
- Só estou brincando. – Ele riu sinistramente. – Rose, desça logo!
Emmett veio até a nós e apertou as nossas mãos.
Eu sentia algo estranho com relação a ele... Como se ele gritasse "perigo".
- Olá Samuel! – Alice entrou graciosamente pela sala. Ela estava tão bem vestida que eu me encolhi no meu próprio vestido. – É Bella, não é?
- Isso, Bella. – Sorri e ela me abraçou, me assustando.
Meu coração palpitava tão alto que eu não me surpreenderia se todos o ouvissem.
- Samuel. – Entrou um rapaz que aparentava ter a minha idade. – Que bom que você veio. Eu não pude estar na última reunião.
- Eu sei, Mike. – Samuel apertou a mão dele. – Soube que está sendo o cirurgião plástico mais requisitado de Chicago... Meus parabéns. – Ele pegou em minha cintura. – Essa é Bella.
- Encantado. – Ele sentou-se. – Obrigado pelo elogio, mas devo todo o meu sucesso ao meu pai. Sem ele, eu não estaria onde estou.
- Claro. – Samuel sorriu. – E Edward?
- Parece que ele não descerá. – Alice aproximou-se, dando um copo com uísque a Samuel. – Não está se sentindo bem.
- O que ele tem? – Perguntei, fazendo com que Samuel me olhasse de soslaio. – Quer dizer, espero que ele fique bem.
- Ele ficará. – Alice sorriu amigavelmente pra mim. Eu tinha me simpatizado com ela desde o primeiro instante que a vi.
O mordomo anunciou o jantar e nós fomos à outra sala. Eu não consegui relaxar e mal toquei na comida. Olhava para todos os lados e de minuto em minuto, olhava para a porta para ver se Edward aparecia.
O que não aconteceu.
- Tudo indica que foi mesmo um acidente. – Samuel estava explicando sobre as investigações para Mike. – O iate do seu pai foi apanhado por uma terrível tempestade ao largo da costa de Córsega. Segundo depoimento de Dmitri Kaminsky, o segurança dele, seu pai estava de pé numa varanda junto do camarote, o vento soprou alguns papéis em sua mão. Ele tentou alcançá-los, perdeu o equilíbrio e caiu no mar... Já era tarde demais quando encontraram o corpo.
- Uma maneira horrível de morrer... – Alice murmurou, estremecendo.
- Falou com esse Kaminsky? – Mike perguntou.
- Não, quando eu fui à Córsega ele já tinha ido embora. – Samuel estava tomando um gole de vinho. – Mas de qualquer forma, a polícia entende que foi imprudência do seu pai, já que o comandante do iate o aconselhara a se manter longe da tempestade. – Samuel olhou para mim. Ele não estava contando tudo. – Mas por algum motivo ele tinha pressa em voltar. Já tinha contratado um helicóptero para pegá-lo em Córsega. Parece que havia algum problema urgente.
- Talvez ele quisesse incluir a nossa meia- irmã no testamento... – Alice interveio.
- Pode ser... – Samuel olhou para mim. – De qualquer forma, ele queria que eu o encontrasse aqui.
- Tudo isso é muito interessante, mas não passa de história antiga, não é mesmo? – Emmett falou, deixando todos estarrecidos na mesa. – Vamos falar sobre o testamento.
- Claro. – Samuel assentiu, constrangido. – Vamos à biblioteca.
Foram todos, enquanto eu e Samuel permanecíamos na sala.
- Pode deixar, eu vou falar com eles... – Samuel estava sussurrando. – Espere até que eu solicite a sua presença.
- Está certo. – Inspirei nervosa. – Boa sorte.
- Boa sorte para nós. – Ele colocou a mão em meu rosto e afagou-me. – Me espere aqui.
Fui para a sala de estar. Eu estava tão impaciente que não consegui me manter sentada por muito tempo.
- A senhorita deseja uma xícara de café? – O mordomo perguntou.
- Se tiver um suco de maracujá... – Sussurrei. – Eu aceito.
- Cuidado para não fazer um buraco no chão... – Ouvi a voz que eu reconheceria a quilômetros de distância. – Tenho certeza que você não teria dinheiro para pagar o piso de madeira importada.
- Eu só estou nervosa. – Respondi, sem me virar para olhá-lo. – Você está bem?
- Estou. – Sua voz estava ainda mais próxima. – E você? Além de estar nervosa?
- Estou... Bem. – Menti.
E foi quando eu me virei para encará-lo.
Ele estava com uma calça de flanela e uma regata branca. Seu cabelo estava lindamente desarrumado, enquanto ele passava os dedos por ele. A calça estava baixa demais mostrando a barra da cueca boxer preta que ele estava usando.
Ele suspirou e levantou o rosto, enquanto eu analisava cada centímetro do seu corpo. Seus braços estavam cruzados em frente ao tórax, mostrando os músculos definidos dos bíceps.
- Perdeu alguma coisa, Bella? – Ele arqueou a sobrancelha, olhando para mim. – Para alguém que me escorraçou do seu apartamento, até que está bem interessada... Em mim.
- O que você está falando? – Eu franzi o cenho para ele. – Você me beijou a força! – Disfarcei.
- E você gostou... – Ele veio se aproximando lentamente. -... Pode falar que até hoje você está perturbada. Será o nosso segredinho. – Ele sussurrou com a voz rouca.
- Eu- eu - Eu não estava conseguindo pronunciar as palavras. – Você é um idiota arrogante!
- E você é uma garotinha mimada. – Ele sorriu debochado. – Aproveite que hoje estou solidário e não vou escorraçá-la da minha casa, como fez comigo.
- Eu vim com Samuel. – Respondi, colocando os braços protetoramente em volta do corpo.
- Claro! – Ele deu um sorriso torto para mim. – Esqueci que você só anda com seu animalzinho de estimação. – Seu tom foi completamente rude.
- Olhe Edward... – Eu suspirei cansada. – Eu sinto muito por aquela noite. Sinto por tê-lo expulsado do apartamento... Mas o que nós fizemos foi errado... Sujo. – Concluí embaraçada.
- Sujo? – Ele riu debochadamente. – Eu tenho outro nome para o que nós íamos fazer se você não surtasse...
- Pára com isso! – Gritei impaciente. – Você não sabe o que está dizendo!
- Sei sim... – Ele se aproximou e quando eu vi, eu estava presa entre a parede e ele. – Eu sei muito bem o que eu digo e o que eu faço... E o que eu quero. – Seus olhos passearam lentamente pelo meu corpo.
- Edward... – Senti minhas pernas hesitarem. Meu coração estava completamente audível. – Você não entende...
- Então me diga, Bella! – Ele colocou as mãos ao lado do meu corpo, me prendendo ainda mais contra a parede. – Me diga, porque senão ficarei louco. – Sua respiração estava alterada, enquanto ele aproximava o seu rosto do meu.
Ficamos a milímetros de distância e quando tentei sair, ele me prendeu mais firmemente. Seus olhos estavam fitando os meus e por mais que eu quisesse, ele não interrompia o contato visual. Era como se estivesse me examinando, querendo saber o que eu pensava.
- Eu não consigo entender você... – Ele sussurrou mais uma vez, seu hálito provocando sensações em meu rosto. – Eu juro que não consigo.
Ele abaixou a cabeça e encostou a testa em meu ombro nu. Ficou por um tempo ali, como se estivesse descansando, até que moveu os lábios em direção a minha clavícula, depositando beijos suaves por toda a extensão da minha pele. Onde ele tocava, eu sentia como se uma chama tivesse queimado deliciosamente o local.
- Não se mexa... – Ele falou e parecia estar rindo contra a minha pele. -... Eu só quero sentir o seu cheiro... – Ele concluiu, a voz rouca ecoando em meus ouvidos.
Sua boca continuou traçando um caminho tortuoso até a minha mandíbula; seria questão de segundos até ele me beijar.
E eu queria. Queria muito.
- Edward, eu não posso... – Choraminguei. – Nós somos irmãos. Pare!
Ele parou de me beijar e ergueu o rosto.
- O que você disse? – Seus olhos queimavam os meus. – Que porra de brincadeira é essa?
Eu sentia como se o ar me faltasse, como se tivessem aberto um buraco embaixo dos meus pés. Edward me mantinha presa em frente a ele, seu aperto não afrouxara. Eu queria correr, queria sumir, queria estar em qualquer lugar, menos olhar em seus olhos naquele momento.
A sua dor era a minha dor. A sua dúvida era a minha dúvida.
A sua angústia era a minha angústia.
Eu queria que tudo fosse uma piada de mau gosto. Eu queria que as coisas não tivessem acontecido assim. Eu queria nunca tê-lo conhecido.
Eu também queria que ele continuasse me beijando, para ver até onde daria. Eu queria conhecê-lo mais, saber seus gostos e preferências. Queria que ele soubesse quem era Isabella Swan.
Eu estava confusa e perdida... Completamente.
- Que merda de brincadeira é essa, Bella? – Seu rosto havia se transformado. – Fala logo, abre a porra da boca!
- Eu sou sua irmã! – Comecei a chorar. – Eu sou filha da Renee.
- Não é possível! – Ele foi andando cambaleante para trás. – Você está mentindo!
- É verdade, Edward. – Alice tinha aparecido. – Ela é a nossa meia-irmã. – Alice me fitou tenramente.
- Isso mesmo. – Passei a mão nas lágrimas que insistiam em cair. – Eu sou Isabella.
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EDWARD POV
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Eu estava no meu pior pesadelo. Eu estava no pior castigo.
Nem nos meus sonhos mais penosos ou desagradáveis, eu estaria vivenciando isso.
Isabella... Minha irmã.
Agora tudo estava se encaixando. A forma como ela me olhava, a vontade que eu tinha de protegê-la, sua fisionomia tão familiar... A sua reação quando eu a beijei, como se fosse algo doentio e proibido. O que não deixava de ser, de certa forma. Nós éramos irmãos.
Irmãos.
Essa palavra ressoava como um sino em minha cabeça.
A paz que eu sentia quando estava em sua presença, dissipou-se em instantes. Eu estava tão perturbado que eu seria capaz de quebrar tudo, de esmurrar alguém.
Por que ela não me contara? Por que Samuel não falara nada? Eu estava me sentindo traído pelo meu amigo de infância... E por Bella. Embora eu soubesse que ela não me devia nada porque nós mal nos conhecíamos.
Eu estava me sentindo um completo idiota, um estúpido enganado por dois amadores oportunistas.
- Quem é você? – Eu tinha me afastado o suficiente para não fazer nenhuma besteira. – Quem é você realmente?
- Eu... Minha mãe era Renee Higginbotham. Carlisle Cullen era o meu pai. – Bella sussurrou, mal me olhando nos olhos.
- Eu não acredito... – Rosalie estava tão estarrecida quando os outros.
- Tem alguma prova disso? – Emmett estava na sala, o braço cruzado em frente ao corpo. – Por que você tem que ter algo!
- Acho que não tenho nenhuma prova concreta. – Ela afirmou. – Tenho algumas fotos e...
- Bella, fotos não são provas. – Meu irmão Mike interveio. – Creio que será necessário um teste de DNA.
- Ela vai fazer um teste? – Eu ri ironicamente. – Isso é uma palhaçada!
- Edward, não é! - Samuel estava ao lado dela, o braço protegendo-a. – Isabella é mesma filha de Carlisle.
- Cala a boca, seu filho da puta! – Fui a sua direção, mas Emmett me segurou. – Como ousa dizer alguma coisa depois de tudo o que fez? – Eu estava puto.
- Tudo o que fiz? – Samuel ainda estava abraçado a ela. – Eu estou tão surpreso quanto você!
- Então me diga que vocês se conheceram por acaso? – Tirei as mãos de Emmett de cima de mim. – Que ela apareceu nas nossas vidas como obra do destino? – Esmurrei a mesa de madeira.
- Eu só sei que ela está aqui e se for provado que ela é filha de Carlisle, a herança é tanto dela quanto de vocês. – Samuel olhou para todos nós. – Um exame resolverá isso.
- Eu não vou permitir esse exame! – Eu bradei. Estava puto com todos e comigo. – Sem a minha autorização, ninguém fará nada!
Continuei bufando e olhando para Samuel. Ele me encarava como se quisesse que eu fizesse alguma coisa, que eu fosse para cima dele. Aí ele teria alguma desculpa para me bater também.
Almofadinha de merda... Filho da puta do caralho.
- Minha mãe me contou que houve um dia que ela foi levá-los ao pedalinho... – Bella veio se aproximando de nós, interrompendo o silêncio. – Um de vocês quase caiu na água.
- Foi Edward. – Alice sentenciou.
Eu a olhei com mais raiva por participar disto.
E todos continuaram em silêncio para ouvir o que a filha pródiga tinha a contar.
- Ela também disse que os levava para fazer compras... Um de vocês se perdeu e todos ficaram em pânico.
- Foi Alice. – Emmett sorriu.
- Houve um Natal em que mamãe levou Edward para patinar. – Eu congelei quando a ouvi falar em meu nome. – Ele levou um tombo e quebrou um dente. Quando tinha sete anos, caiu de uma árvore e teve de dar vários pontos na cabeça.
Eu ainda estava de costas, apoiando as mãos na mesa que estava a minha frente. Se eu fizesse um pouco mais de força, talvez fosse capaz de entortá-la ou até de quebrá-la. Eu sentia tanta raiva de mim mesmo que eu queria que alguém me esmurrasse e me fizesse desacordar por alguns dias.
Bella começou a contar várias histórias e, em cada uma delas, meus irmãos falavam quem era a criança comentada. Eu ainda estava perturbado pela revelação e mal conseguia me virar para encará-la.
Até que fiz.
Ela era parecida com Renee, por isso eu a achara tão familiar. Seus olhos eram profundos como os de Carlisle, mas não eram frios e superficiais. Eram quentes, convidativos... Ela era um pouco parecida com Alice, se olhasse melhor.
Seus olhos encontraram os meus... Mas eu não consegui mantê-los.
- Eu... Não sei mais o que lhes contar... – E de repente ela se lembrou de uma coisa. – Tenho uma foto na bolsa.
Bella abriu a bolsa, tirou a foto e estendeu para Alice. Todos se agruparam para olhar, exceto eu, que não queria compactuar com aquele teatro.
- Renee me deu isso. – Bella olhou para mim.
- Ela lhe deixou mais alguma coisa? – Mike indagou. – Onde ela está agora?
- Ela morreu. – Bella abaixou o rosto.
- Sentimos muito... – Alice foi até ela, abraçando-a.
Ficamos novamente em silêncio, cada um com seu pensamento. Eu não sabia o que pensar, em quem pensar e muito menos o que fazer nessa situação.
Passei a mão no rosto, atordoado.
- Bella, seu súbito aparecimento foi um choque e tanto para nós... – Mike resolveu quebrar o silêncio. – Afinal, alguém surgir do nada e alegar que é da família... Pode perceber o nosso problema? – Ela assentiu. – Acho que precisamos de um pouco de tempo para conversar a respeito.
- Tudo bem. – Ela concordou.
- Onde está hospedada, minha querida? – Alice perguntou.
- Estou na casa de Samuel. – Bella respondeu diretamente.
Levantei a cabeça e olhei para os dois, que estavam lado a lado. Nada mais conveniente Bella hospedar-se na casa do advogado responsável pela nossa herança.
Eu não acreditava nos dois e nem nessa história fajuta de irmã. Para mim, Bella era uma manipuladora barata e Samuel, um advogadozinho de merda.
E eles estavam juntos nessa farsa.
- Eu preciso sair daqui... – Eu os encarei. – Pra mim, a palhaçada termina agora.
- Edward, não precisa sair. – Samuel pegou Bella pela mão e a guiou até a porta. – Depois conversaremos.
Alice foi atrás dos dois, e depois de algumas palavras trocadas, eles foram embora.
- Parece que temos uma irmã. – Alice murmurou.
- Ainda não acredito... – Emmett insistiu.
- Isso não vai nos levar a conclusão nenhuma. – Mike interveio. – O que vocês acham dela?
- O que vocês acham dela? – Eu esbravejei. – Ela é uma fraude, vocês não viram? – Todos ficaram espantados com a minha reação. – Ela e Samuel são cúmplices!
- Edward, você não está raciocinando! – Alice veio se aproximando, mas eu me afastei dela. – Samuel nos conhece desde que éramos crianças...
- Ele é um filho da puta! – Eu gritei, fazendo com que ela fosse para trás. – Eu não vou participar desse showzinho que eles armaram!
- Como ela saberia de todos os detalhes da infância de vocês? – Rosalie intrometeu-se
- Isso qualquer empregado saberia... – Mike interveio novamente. – Muitos trabalharam aqui e poderiam contar histórias a ela. E a foto, qualquer um poderia ter dado.
- Até que o Mike não é tão imbecil. – Emmett sentou-se no sofá, com um copo de uísque. – Só sei que ela vai querer o nosso dinheiro.
- Eu estou enojado de vocês... – Falei antes de sair para o meu quarto. – Eu não vou passar a noite aqui discutindo se uma pistoleirazinha de quinta tem o meu sangue ou não.
- Edward, e a herança? – Rosalie perguntou.
- Foda-se ela e todos vocês. – Respondi indo em direção as escadas.
Música: Nothingman (Pearl Jam)
Quando cheguei ao quarto, esmurrei a parede várias vezes até os nós dos meus dedos sangrarem. Eu queria ser penalizado, eu queria sentir dor... Eu queria ser punido.
Eu apostava que Carlisle fizera tudo de propósito para foder com a minha vida pela última vez... Ele devia estar rindo do lugar que ele estava, que provavelmente era o inferno. Até de lá ele controlava as nossas vidas.
Eu passei a mão no cabelo, aturdido pelas informações que eu acabara de absorver...
Isabella, minha irmã.
Irmã
Irmã
Irmã
As imagens do seu corpo embaixo do meu, serpenteando, enquanto eu tocava a sua pele, vinham como flashes. Eu sentia o pecado do incesto na minha boca e eu rezava para que tudo não passasse de um mal entendido.
A única mulher que mexeu comigo depois dela era a minha irmã. Eu podia imaginar Deus, Todo Poderoso, em seu trono, julgando-me impiedosamente. Eu estava sofrendo por pecar, mais uma vez.
Fui até a janela, me sentindo preso demais. Apoiei as minhas mãos no parapeito e inspirei o ar, deixando que ele entrasse em meus pulmões. Eu não sabia o que fazer.
Mas algo precisava ser feito... E logo.
Adormeci depois de algum tempo e acordei péssimo. Levantei-me e tomei um banho, esperando melhorar com um pouco de água fria em minha pele.
Eu estava enganado.
Quando cheguei à mesa, todos estavam sentados. Em silêncio e com a aparência tão cansada quanto a minha.
- Parece que ninguém dormiu bem essa noite... – Emmett pegou um croissant. -... Aquela tal de Bella fodeu com a nossa vida!
- Emmett, por favor! – Mike pediu. – Nós precisamos tomar uma atitude.
- O que você acha que devemos fazer, Mike? – Alice perguntou.
- Acho que ela deve estar de conluio com alguém... – Finalmente alguém estava falando o que eu pensava. – Não vamos esquecer que há muito dinheiro envolvido.
- Mas ela não disse que queria dinheiro. – Rose lembrou.
- Tá bom, acredito! – Emmett riu irônico. – Mas como podemos provar que é uma impostora? Não há condição...
- Há uma maneira. – Mike o interrompeu, pensativo.
- Como? – Alice perguntou.
- Terei a resposta para vocês mais tarde... – Mike levantou-se da mesa. – Bom dia a todos.
Os outros se levantaram e eu fiquei sozinho em casa. Eu ainda estava aturdido pelas revelações da noite anterior e ainda não tinha tomado uma decisão quanto à situação. Eu estava pouco me importando para o que Mike fosse fazer ou não.
Eu só queria que tudo acabasse rapidamente.
Fui até a sala de boxe e coloquei meu calção preto da Everlast. Havia um par de luvas vermelhas que eu havia deixado aqui. Elas me serviriam.
Comecei a golpear o saco de areia lentamente.
De repente, meus golpes foram ficando mais rápidos e mais fortes.
Bella.
Tanya.
Minha mãe.
Carlisle.
Eu sentia tanta coisa por eles... Tanta raiva, tanto ódio... Saudade. Eu queria que a voz na minha cabeça cessasse, que parasse de dizer que eu estava com medo de Bella ser a minha meia-irmã bastarda. Que eu havia cometido um pecado. Que eu estava fadado ao sofrimento.
Que eu estava fodido... Novamente.
Eu comecei a socar mais e mais forte; eu queria que todas as minhas forças esvaíssem. Que eu não tivesse mais nada, que eu pudesse deitar e dormir por longos dias, sem pensar em Bella, Tanya ou Elizabeth. Sem pensar em ninguém.
Depois de muitos minutos, eu parei o saco de areia que meneava de um lado para o outro. Eu estava completamente suado e um pouco exausto, mas ainda tinha forças para continuar boxeando.
Voltei a socá-lo com mais prática, mas eu ainda precisava voltar a fazer boxe.
- Edward? – Eu ouvi a voz que eu reconheceria a quilômetros de distância.
Bella.
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BELLA POV
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Eu não sabia que me causaria tanta dor falar a verdade a Edward. Eu não sabia que eu sofreria tanto.
Samuel voltou para casa falando sobre alguma coisa, mas eu não ouvi nada.
Eu só pensava o quanto tinha decepcionado o meu menininho dos olhos verdes.
Quando chegamos em casa, eu fui diretamente para o quarto, alegando uma dor de cabeça. Samuel, como perfeito cavalheiro que era, respeitou a minha decisão sem dizer nada.
Joguei-me embaixo do chuveiro e deixei que a água me limpasse e me acalmasse.
Coloquei uma blusa antiga de Jasper e fui dormir.
Como eu precisava do seu ombro amigo.
Depois de alguns pesadelos, onde os Cullens me humilhavam em público, especialmente Edward, eu consegui dormir um pouco.
- Você dormiu bem? – Samuel perguntou, enquanto eu me sentava à mesa.
- Não dormi quase nada. – Reprimi um bocejo. Eu estava cansada.
- Olha, Bella, o que aconteceu ontem... – Samuel me deu uma caneca de café.
- Era o esperado? – Eu tomei um gole do café. – Eu sabia que a reação deles seria aquela.
- Eu sei, mas sabe quem mais me surpreendeu? – Samuel sentou-se à minha frente. – Edward. Ele sempre foi indiferente quanto a esse assunto, mas ontem ele estava irreconhecível.
Eu abaixei o rosto, incapaz de mentir para Samuel e dizer que não sabia o motivo da atitude de Edward. Quem eu estava querendo enganar? Tanto eu quanto ele pensávamos naquele beijo e no que aconteceu no apartamento. Tanto eu quanto ele pensávamos no que poderia ter acontecido se eu não tivesse parado.
- Bella? – Samuel estava estalando os dedos à frente do meu rosto. – Você está bem?
- Estou. – Disfarcei. – Quer dizer, vou ficar. Você pode me falar um pouco mais sobre a herança?
- Tudo bem... – Samuel fingiu acreditar. – Eu disse ontem aos seus irmãos que todos terão partes iguais no espólio. E você também está incluída.
- Estou? – Senti meu coração bater mais rápido. – E o que eles disseram quanto a isso?
- Mike e Alice pareceram conformados... Quem vai dar mais trabalho será Emmett, e principalmente Edward... – Samuel ficou pensativo. – Preciso conversar com ele, há alguma coisa errada para ele ter agido daquele jeito.
- Deve ser... – Fingi mais uma vez.
Eu e Samuel conversamos mais um pouco, até que ele saiu para trabalhar. Logo ele teria que encontrar uma outra secretária.
Subi e troquei de roupa. Eu precisava ir a um lugar antes que me arrependesse.
Peguei um táxi e segui até Rose Hill.
O mordomo me atendeu.
- Senhorita Swan? – Ele estava surpreso. – A senhora Renaud não se encontra.
- Oh, não. – Sorri envergonhada por estar procurando por outra pessoa. – Eu vim falar com Edward.
- Venha comigo. – O mordomo saiu à minha frente.
Seguimos por um jardim até chegarmos à outra ala de Rose Hill. Do lado de fora dava para ouvir a violência dos golpes... Edward estava treinando?
- O Juiz Masen costuma treinar nessa sala... – Ele indicou a porta que me levaria onde ele estava. – Devo anunciá-la?
- Não, muito obrigada Clark. – Lembrei-me do seu nome.
Fui andando lentamente, enquanto Edward golpeava algo. Pela força dos golpes, ele estava descontando toda a sua raiva.
A porta estava entreaberta, então eu a empurrei um pouco mais para ver onde ele estava.
Então eu o vi.
Suado, sem blusa e com um calção preto de boxeador.
Meu coração começou a palpitar e eu fechei os olhos, tentado controlar a respiração.
Desejava que ele não estivesse vestido daquele jeito.
Mas estava.
Olhei para o seu cabelo grudado na testa, enquanto o suor passava pelo seu rosto perfeito, que estava enrubescido pelo esforço que fazia.
Seu olhar estava tão concentrado que eu poderia passar horas ali e ele não notaria a minha presença.
Acompanhei o trajeto que uma gota de suor fez ao cair do seu pescoço para o seu peitoral, indo em direção ao abdômen, sumindo pela trilha de pêlos que acabava na barra do calção.
Edward exalava masculinidade, ele estava completamente suado.
Ele parecia um deus da guerra, um Adônis em campo de batalha. Ele era tão imponente que sua presença fazia até a mulher mais rude hesitar sob as pernas. Eu não conseguia mover-me um passo para frente ou para trás.
Fiquei simplesmente parada na soleira da porta.
Ele socava com vigor, enquanto eu imaginava o quanto ele estaria com raiva, sentindo-se traído. Meu coração apertou só em imaginar a raiva que ele estaria sentindo de mim.
Esse era um pensamento que eu não podia tolerar.
Fui me aproximando lentamente para não assustá-lo.
Minha boca estava seca; eu necessitava urgentemente de água.
- Edward? – Ele deu o último soco e parou.
Ele continuou parado, será que ele sabia quem era?
- O que você está fazendo aqui? – Ele se manteve de costas para mim. Seus músculos subiam e desciam pela sua respiração entrecortada.
- Eu... Eu vim conversar com você. Por favor. – Pedi sinceramente.
Ele se virou e eu não pude evitar em ficar desconfortável pela visão que estava a minha frente.
Edward passou pela corda que estava no ringue e desceu, indo a minha direção.
- Eu pensei que tudo tivesse sido falado ontem. – Ele falou rudemente. – Cadê seu cãozinho de estimação?
- Você sabe que Samuel é um bom amigo pra você, sempre foi. – Falei pacientemente.
- Sei? – Ele franziu o cenho. – Eu sei é que vocês mentiram pra mim... Pra todos nós.
- Eu menti, tire Samuel disso. – Revelei. – Ele não sabia de nada e ficou tão surpreso quanto você.
- Isso não faz diferença agora. – Ele foi até uma cadeira e pegou uma toalha. – Acho que já tivemos a nossa conversa. Você terá a sua herança.
- Eu sinto muito, Edward. – Falei sinceramente. – Sinto por nós termos nos conhecido assim... Por você saber da verdade desse jeito.
- Como eu disse, não faz diferença agora. – Ele secou o cabelo, deixando ainda mais bagunçado. – Se você for mesmo a nossa meia-irmã, você ganhará o que é seu por direito.
- Mas eu sou! – Eu estava cansada de repetir a mesma coisa. – O que é preciso fazer para que você acredite em mim?
- Um exame de DNA esclarecerá tudo. – Ele tomou um gole de água. – E você deverá morar aqui.
- Aqui? – Franzi o cenho. – Isso é um absurdo!
- Absurdo? – Ele sorriu debochadamente. – Se você não ouviu Samuel falar sobre as cláusulas do testamento, eu conto a você: Uma é que os herdeiros fiquem em Rose Hill... – Ele colocou a toalha em volta do pescoço. – Somos os descendentes naturais, devemos ficar juntos.
- Mas... – Eu estava sem resposta. E se ele estivesse certo? Por que Samuel não me falara nada? -... E os outros? Eles concordaram com isso?
- Eu farei questão que essa cláusula seja cumprida... – Ele ignorou a minha pergunta. - E se você for filha do meu pai como diz ser, acho bom vir morar logo aqui. Prove que não é uma farsa. – Ele disse bem perto da minha boca, seu hálito confundindo-me. – Prove que não quer só saber do dinheiro, que deseja mesmo conhecer a todos nós.
Ele olhou intensamente em meus olhos, como se quisesse ver algum resquício de mentira, fraude ou covardia.
Mas eu não era mentirosa.
Nem uma fraude.
E muito menos covarde.
- Tudo bem, Edward. – Saí em direção à porta. – Peça para prepararem um quarto. Virei morar em Rose Hill.
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Nossa! Bella vai morar em Rose Hill... E como ficará a situação deles?
Eu como autora da fic nem saberia o que fazer se me apaixonasse pelo meu meio-irmão... E olha que tenho dois! rs
E aí, gostaram? Deixem suas impressões, ok?
Beijos fofos para gabisousaa, Ellen, gby00, gabymatos que comentaram... Obrigada meninas!
Mas eu sei que tem gente lendo na moita... Não se reprima! rs
E Happy B-Day for me!
:D
