Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem, e PseudoIncest, ou seja, o casal principal possui uma relação de pseudo (falso) parentesco. E ainda, indício de Lemon (sexo explicito entre os personagens) no começo deste capítulo. Se não gosta ou se sente ofendido, é muito simples: Não leia.
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Suas mãos deslizavam habilmente pelo corpo pequeno e macio que estremecia a cada toque. O silêncio do aposento era quebrado por leves gemidos ofegantes, que escapavam dos lábios rosados. E o olhar esmeralda, nublado de luxúria e silencioso desejo, implorava por mais: mais toques, mais beijos, mais carícias... mais...
- Tom, por favor...
- O que você quer, Harry?
- Você. Eu preciso de você, por favor.
Com um sorriso de satisfação, Tom deslizou os lábios pelo pescoço alvo do menor, deixando marcas possessivas e arrancando pequenos gemidos de seu irmão até chegar à boca rosada, úmida e convidativa, que estava claramente à sua espera. E a qual ele se pôs devorar febrilmente. Harry gemeu em seus lábios, as línguas irmãs numa dança sensual, seguindo o ritmo de seus próprios corpos. E sem conseguir se conter por mais tempo, sem desejar se conter, Tom posicionou as pernas finas e trêmulas de seu irmão menor ao redor da cintura e de uma única estocada viu-se deliciosamente engolido por aquele lugar quente e apertado.
Um gemido de puro êxtase escapou de seus lábios, no momento em que Tom abriu os olhos e, ofegante, viu-se na tranqüilidade de seu próprio quarto, em sua cama, com Harry dormindo ingenuamente ao seu lado.
- Um sonho... – murmurou, tentando normalizar a respiração –... Foi apenas um sonho.
Ao seu lado, Harry estremeceu em seus próprios sonhos e se aconchegou melhor contra o calor do corpo do irmão. Tom, por sua vez, engoliu em seco e se colocou a observar detalhadamente o pacífico semblante do menor: os olhos cerrados, os lábios entreabertos, ligeiramente úmidos, rosados e convidativos – tão parecidos aos lábios que havia saboreado apaixonadamente há alguns minutos em seu sonho – o peito subindo e descendo lentamente por baixo do pijama azul marinho com desenhos de pomos-de-ouro que o deixavam ainda mais adorável. Tão puro. Tão pequeno. Tão vulnerável... Como um filhote de coelho, pequeno e macio, e alheio à perigosa serpente que o espreitava.
Tom amaldiçoou a si mesmo em pensamentos, irritado e ao mesmo tempo confuso por pensar no próprio irmão desta forma, mas, contra a sua vontade, a imagem refletida pelo espelho de Ojesed voltou a assombrar sua mente:
Era um a cena terna e familiar a princípio.
Ele e Harry abraçados, sorrindo e acenando através do espelho.
Ele e Harry trocando um olhar afetuoso, uma carícia pequena e íntima.
Um beijo suave...
...Um beijo que se aprofundou, intenso e apaixonado. E quando os dois se separaram, um olhar de desejo brilhava nas belas esmeradas, olhar este que acompanhou um gemido pequeno e suave no momento em que Tom havia começado a lhe saborear o pescoço alvo.
- "Você é meu" – Tom murmurou na imagem refletida pelo espelho, sem sair som de seus lábios, abraçando possessivamente a estreita cintura de Harry, que sorriu, concordando com um leve aceno de cabeça.
- Droga! – De volta à realidade, Tom suspirou irritado, balançando a cabeça para se desfazer da imagem. E então, as palavras de Dumbledore voltaram para assombrá-lo:
- "- Ah, o espelho de Ojesed – o maldito diretor ainda havia sorriso enigmaticamente para lhe responder: – Ele nos mostra nada mais nada menos que o desejo mais íntimo, mais desesperado de nossos corações".
Não pode ser!
Ele não poderia desejar Harry, seu próprio irmão, dessa forma!
...Poderia?
E como resposta, as imagens de seu sonho perturbador voltaram a inundar sua mente. Sonho este que o perseguia desde que havia voltado para casa e assim, voltado a compartilhar sua cama com Harry.
Enquanto isso, completamente alheio ao dilema e sofrimento do irmão, Harry sonhava com sua última partida de Quadribol, perseguindo o pomo-de-ouro em sua Nimbus 2000 e assim, deslizando inconscientemente o corpo para cima do irmão, a coxa roçando em sua virilha sem notar o estremecimento do órgão endurecido.
Tom arregalou os olhos.
E um gemido rouco acabou escapando de seus lábios.
- "Merda! Merda! Merda!" – gritou mentalmente, seu pobre corpo de quinze anos estava pegando fogo com a quantidade insana de hormônios em agitação.
Acalme-se.
Acalme-se.
Acalme-se...
Respirando fundo, Tom se afastou com cuidado do irmão e deslizou o mais silenciosamente possível para fora da cama, seguindo para o banheiro, onde passaria os próximos vinte minutos, como nas últimas noites.
Com a ausência do aconchegante calor ao seu lado, Harry suspirou e abriu os olhos, vendo-se mais uma vez sozinho na escuridão do quarto que dividia com o irmão:
- Tom... – murmurou entristecido, perguntando-se em silêncio o que havia acontecido para deixar o maior tão estranho e distante ultimamente.
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Na manhã anterior ao retorno à Hogwarts, James e Lily levaram seus filhos ao Beco Diagonal para que pudessem comprar os materiais necessários para um novo ano letivo na famosa escola de magia. Geralmente, quando saiam às compras, Tom abraçava protetoramente o menor para circular pelas ruelas abarrotadas de magos e bruxas, mas agora ele apenas segurava a mão de Harry, seus corpos afastados a uma distância prudente, enquanto permanecia perdido em pensamentos. Ao seu lado, Harry laçava preocupados olhares de relance para o irmão.
- Perfeito, agora faltam apenas os livros – anunciou Lily, e assim como James, ela se encontrava alheia à tensão entre seus filhos.
Entrando na Floreio e Borrões, Tom murmurou algo sobre buscar alguns livros de Poções e desapareceu no andar de cima.
- Por que este lugar está tão lotado? – perguntou James, mas antes que sua esposa pudesse responder, uma voz solene anunciou no meio da loja:
- Senhoras e senhores, Gilderoy Lockhart! – e dezenas de suspiros e gritinhos femininos foram ouvidos.
James apenas arqueou uma sobrancelha quando Lily sorriu animada e arrastou seu pobre filho caçula para a fila de mulheres escandalosas. Ela provavelmente sequer o ouviu dizer algo sobre vasculhar as novidades na sessão de Quadribol.
- Venha, Harry! Com licença... Desculpe... Com licença – em poucos minutos ela já estava no começo da fila – Enfim poderemos vê-lo!
- Er... Que ótimo, mamãe.
- Lily, querida!
- Molly! Há quanto tempo! – sorriu, abraçando uma senhora baixinha de meia idade e cabelos ruivos – Como tem passado?
Enquanto sua mãe se colocava a conversar com a sorridente mulher, Harry sentiu um doloroso cutucão em suas costas e reconheceu Rony Weasley e uma menina menor, também de cabelos ruivos, que parecia ser sua irmã caçula. Ótimo. Pelo visto, o seu dia não poderia ficar melhor.
- O que você está fazendo aqui, Potter?
- Não é da sua conta, Weasley.
- Onde está o seu irmão psicopata? – sorriu friamente – Sua babá deixou você andar sozinho por aí?
- Não. Ele está aqui por perto. Talvez você queira dar um olá para ele.
- Idiota – grunhiu, mas se afastou rapidamente, lançando olhares preocupados ao redor. Seguindo o irmão para fora da livraria, a pequena menina ruiva acenou para Harry, mas este a ignorou. Voltando a atenção para sua mãe, Harry percebeu que esta e a outra mulher haviam parado de conversar e agora olhavam ansiosamente para frente, momento em que ele reconheceu um homem sentado numa mesa cercada de cartazes com o próprio rosto, todos piscando e exibindo os dentes ofuscantes de tão brancos.
O verdadeiro Lockhart estava usando vestes azul-turquesa que combinavam à perfeição com seus olhos; o chapéu cônico de bruxo se encaixava num ângulo charmoso sobre os cabelos ondulados loiros. Enquanto autografava os livros de suas fãs, um homenzinho irritadiço dançava à sua volta, tirando fotos com uma máquina enorme que soltava baforadas de fumaça púrpura a cada flash brilhante.
- Ele é lindo – suspirou Lily.
Gilderoy a ouviu. Ergueu os olhos, lançando um sorriso charmoso à bela ruiva de olhos esmeraldas que encabeçava a fila. Em seguida, seus olhos pousaram em Harry. Encarou-o, notando imediatamente a famosa cicatriz. Então se levantou de um salto e decididamente gritou:
- Não pode ser! Harry Potter!
A multidão se dividiu, murmurando agitada, procurando o menino que ficara famoso por ser o único a sobreviver à maldição assassina há doze anos. Lockhart, por sua vez, adiantou-se, agarrou o braço de Harry e o puxou para frente. A multidão prorrompeu em aplausos e Lily, radiante, conjurou sua própria máquina fotográfica para registrar aquele belo momento de seu filho. Particularmente, a bela ruiva não gostava da fama imposta a seu filho, mas, naquele momento, ela não poderia se importar menos e se preocupava apenas em capturar os melhores ângulos de seu adorável Harry: ou seja, todos.
Harry, no entanto, estava com as bochechas queimando de vergonha quando Lockhart apertou sua mão para o fotógrafo, que batia fotos feito louco, como se estivesse competindo com sua mãe.
- Dê um belo sorriso, Harry – disse Lockhart por entre os dentes faiscantes – Juntos, você e eu valemos uma primeira página.
Quando ele finalmente soltou sua mão, Harry mal conseguia sentir os dedos. E tentou se esgueirar para o lado de sua mãe, mas Lockhart passou um braço pelos seus ombros e segurou-o com firmeza ao seu lado:
- Que momento extraordinário este! – disse em voz alta para a multidão – O momento perfeito para anunciar uma novidade que estou guardando só para mim há algum tempo!
Harry desejava apenas que uma cratera se abrisse sob seus pés e o engolisse.
Ou que Tom aparecesse para amaldiçoar o irritante homem que o segurava.
-... Quando o jovem Harry Potter entrou na Floreio e Borrões hoje, ele queria apenas comprar minha autobiografia, com a qual eu terei o prazer de presenteá-lo agora – a multidão aplaudiu. Lily até se abanava de emoção – Ele não fazia idéia que em breve estaria recebendo muito, muito mais do que o meu livro O meu eu mágico. Ele e seus colegas irão receber o meu eu mágico em carne e osso. Sim, senhoras e senhores, tenho o grande prazer de anunciar que amanhã mesmo irei assumir a recém criada função de professor do Clube de Duelos de Hogwarts!
A multidão deu vivas e bateu palmas, e Harry se viu presenteado com as obras completas de Gilderoy Lockhart. Mas finalmente, cambaleando sob o peso dos livros, ele conseguiu fugir das luzes e se juntar à sua mãe:
- Dê-me os livros, querido, vou conseguir os autógrafos – disse animada – agora vá procurar seu pai e seu irmão para que possamos voltar para casa daqui a pouco.
- Ok – suspirou, seguindo rapidamente para o fundo do salão, mas antes que pudesse subir as escadas uma mão firme apertou dolorosamente seu braço, trazendo-o para um corpo muito maior.
Era Tom.
E ele não parecia feliz. Nem um pouco.
- O que foi isso?
- E-Eu não sei, de repente ele...
- Eu deixo você sozinho por cinco minutos e você já permite que um velho pervertido o agarre! – interrompeu, irritado – Como você espera que eu possa ficar tranqüilo?!
- Tom, você está me machucando – murmurou baixinho. E na mesma hora, o maior largou seu braço, parecendo ligeiramente envergonhado.
- Desculpe.
- Está tudo bem.
- Venha, vamos sair daqui.
Imediatamente, Harry segurou a mão que lhe fora estendida e os dois saíram da livraria para esperar seus pais do lado de fora, longe da multidão – e de Lockhart –, onde permaneceram sem trocar uma única palavra. E sem que soubessem, os irmãos se perguntavam a mesma coisa:
- "O que está acontecendo afinal?".
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Na manhã do retorno à Hogwarts, Harry e Tom se despediram de seus pais e logo ingressaram no Expresso Hogwarts, que às onze horas deu a partida. Enquanto procuravam por uma cabine vazia, os irmãos se depararam com Draco, Pansy e Hermione, que caminhavam na direção contrária discutindo alguma coisa a respeito da idéia de Dumbledore criar um Clube de Duelos. Mas quando Draco avisou seu amigo, um enorme sorriso se desenhou em seus lábios.
- Harry! – abraçando a cintura fina, Draco logo se colocou a bagunçar os cabelos escuros do menor – Você não respondeu minha última carta, eu fiquei preocupado!
- Desculpe Dray, eu esqueci.
- Urgh! Eu odeio esse apelido, você sabe disso!
- Sim, eu sei – rindo, o menino de olhos verdes piscou para o amigo, mas seus olhos se arregalaram de terror quando este foi arrancado de seu lado e arremessado violentamente para o teto do vagão por um poderoso feitiço, caindo dolorosamente no chão em seguida.
- Draco! – Harry e as duas meninas gritaram, ignorando as cabeças curiosas que se assomaram pelas portas e janelas das cabines, e correram para ajudar o loiro ensangüentado. Mas Draco, caído no chão, apenas agarrava o pescoço com os olhos arregalados, como se algo o estivesse impedindo de respirar.
Imediatamente, Harry voltou-se ao irmão, e como esperava, lá estava Tom encarando-os sombriamente com a varinha ainda apontada para Draco.
- Guarde suas mãos imundas para si mesmo, Malfoy, e fique longe do meu irmão.
Mas Draco estava desesperado demais para ouvi-lo.
O rosto de belos traços aristocráticos ficando mais roxo a cada segundo.
- Tom, pare com isso!
-...
- Tom, por favor! Suspenda a maldição!
-...
- Tom!
-...
- QUAL É O SEU PROBLEMA?
Surpreendido pelo furioso grito do menor, Tom suspendeu a maldição e na mesma hora, Draco abocanhou uma imensa quantidade de ar. E com as belas esmeraldas cheias de mágoa e fúria contidas, Harry continuou:
- Hein? Qual é o seu problema, afinal? Você me ignora as férias inteiras e agora age como um bastardo arrogante! Por que, Tom?!
Mas o aludido permaneceu em silêncio.
- Bem, você pode viajar sozinho hoje. Eu vou ficar com os meus amigos!
Sem olhar para trás, Harry ingressou em uma cabine, sendo seguido por Pansy e Hermione, que ajudavam o loiro a andar. Na cabine, três Hufflepuffs do quarto ano engoliram em seco ao olhar para Harry e, desculpando-se rapidamente, deixaram este e seus amigos sozinhos. Os curiosos de plantão logo voltaram para suas próprias cabines ao notarem a aura assassina de Tom, que seguiu pelo corredor em silêncio, sem que ninguém se atrevesse a cruzar seu caminho.
Naquela noite, chegando à Hogwarts, o Salão Principal os recepcionara com um imenso banquete de boas-vindas, que teve início após a seleção dos novos alunos. Mas Tom não estava com fome. Ele estava nervoso e preocupado com seu irmão. Granger estava na mesa Gryffindor comendo silenciosamente e Parkinson e Malfoy, na mesa das serpentes – e a uma distância segura de seu lugar – mal conversavam ou tocavam na comida. Com uma mórbida satisfação, Tom observou que o olho de Malfoy estava inchado e roxo e o rosto contorcido numa careta indicava no mínimo duas costelas quebradas. Mas Harry não estava entre eles. Harry não estava em lugar algum do salão, e sem conseguir se conter por mais tempo, Tom se levantou e abandonou o local antes mesmo que o discurso de Dumbledore começasse.
- Sr. Potter! – McGonagall havia se levantado para repreendê-lo, mas o alegre diretor a interrompeu:
- Não se preocupe Minerva, o Sr. Potter precisa se desculpar com alguém importante agora.
Enquanto isso, sentindo o vento frio do anoitecer acariciando sua face enrubescida, Harry se encontrava sentado às margens do Lago Negro, o olhar perdido num ponto qualquer das águas calmas e obscuras. À suas costas, erguia-se o majestoso castelo, precariamente iluminado, no qual, provavelmente, todos estariam apreciando o delicioso jantar de início do ano letivo. Mas Harry não estava com fome, pelo menos não depois de sua briga com Tom no Expresso Hogwarts. Depois disso, o que ele sentia era apenas uma desagradável mistura de tristeza e solidão.
O que estava acontecendo?
Por que seu irmão estava agindo tão estranho ultimamente?
Por que o havia ignorado durante a maior parte das férias para então passar a agir como um bastardo violento ao vê-lo com seus amigos?
Harry deixou um pequeno suspiro melancólico escapar de seus lábios, quando, de repente, o barulho de um graveto se rompendo sob os pés de alguém interrompeu seus pensamentos. E ele sequer precisou se virar para saber quem estava parado à suas costas:
- Como você me achou aqui, Tom?
Em resposta, o maior apenas lhe estendeu o Mapa do Maroto, sentando-se ao seu lado.
- Eu sinto muito.
- Pelo quê? – perguntou duramente, o olhar esmeralda ainda fixado no Lago Negro.
- Por tudo.
- Tudo o quê? Dê nome aos hipogrifos(1), Tom, ou você sente muito por ter me passado varíola de dragão quando tinha cinco anos?
Com uma pequena risada, Tom se corrigiu:
- Eu sinto muito por ferir seu amigo.
- Não, você não sente.
- Tudo bem, por mim ele estaria morto agora – suspirou – mas eu realmente me arrependo por deixá-lo triste, Harry, e me desculpo por isso.
- Hn.
- E também peço desculpas por ter agido como um idiota ultimamente – pela primeira vez naquela noite, as belas esmeraldas encontraram o seu olhar –, ando muito preocupado com os N.O.M's que farei este ano e acabei descontando em você toda pressão que sinto para conseguir uma boa carreira e ser alguém de que nossos pais possam se orgulhar...
Era mentira, é claro.
Mas Harry não precisava saber de suas verdadeiras preocupações, ou dos embaraçosos sonhos que o mantinham acordado todas as noites.
- Você não deveria se preocupar com isso – o menor finalmente murmurou – ninguém poderia tirar melhores notas do que você.
- Obrigado, pequeno.
- Hn.
-... E me desculpe, por favor – com extrema suavidade, Tom puxou o menor para o seu colo e na mesma hora, Harry escondeu o rosto na curva do pescoço do irmão, deixando as lágrimas cair livremente e pequenos soluços escaparem de seus lábios.
Aquilo foi demais para Tom.
Era como se uma adaga de prata perfurasse seu coração.
- Não chore, pequeno. Por favor, não chore, eu sinto muito mesmo por magoar você.
- A-Apenas não aja mais c-como um i-imbecil – soluçou.
- Eu prometo.
- E n-não me ignore... Não me a-abandone.
- Oh, Harry, eu prometo. Eu prometo, meu pequeno, isso nunca mais vai acontecer.
Assentindo, Harry abraçou o pescoço do irmão para se aconchegar naquele conhecido calor, e uniu seus lábios num beijo casto e doce que selava aquela promessa. Mas, naquele momento, um calor diferente se instalou no peito de Tom. Um calor sem qualquer castidade ou doçura, mas repleto de paixão e desejo. E assim, sem conseguir frear seus impulsos, as mãos fortes abraçaram possessivamente a estreita cintura, acabando com a pouca distância entre seus corpos e aprofundando o beijo contra os lábios pequenos e rosados.
Mas antes que Tom pudesse usar sua língua para explorar aquela doce cavidade, uma voz sibilante os interrompeu:
- Eu não acredito que esses humanos vão acasalar aqui!
E Harry, afastando-se do beijo, olhou ao redor com curiosidade. Em sua mente, as ações recentes de Tom eram apenas uma forma de se desculpar. Harry gostou disso. Ele sabia que esta era a forma que os adultos usavam para reparar seus erros junto às pessoas que amavam. E agora ele entendia porque sua mãe sempre perdoava seu pai quando este a beijava deste modo.
- Acasalando no meu território! Ora, que afronta! Eu irei mordê-los...!
- Quem está aí?
Imediatamente, a irritada serpente se deteve, suas venenosas presas a poucos centímetros do tornozelo de Tom. Era uma serpente deslumbrante, media uns dois metros de cumprimento, a pele verde-escura com manchas marrons e os olhos dourados, que agora estavam fixos em Harry.
Ela havia entendido o que o pequeno humano de olhos verdes perguntara!
- Um falante... – murmurou –... Nunca achei que fosse encontrar algum.
- Olá! – Harry sorriu, observando finalmente o réptil ao seu lado – Desculpe, nós estamos no seu território?
Ele não havia se dado conta de que já não falava em inglês.
- Por favor, não nos morda. Nós já estamos de saída.
E também não percebera o quão peculiar era aquela situação.
- Não se preocupe jovem humano, eu jamais machucaria um falante.
- Falante?
- Sim, falante de Parsel, a língua das cobras – explicou solenemente – Você deve ser descendente do grande senhor Slytherin.
- Você quer dizer, Salazar Slytherin?
- Exato. Minha ta-ta-ta-ta-taravó foi sua guardiã – afirmou orgulhosa – e nos contou que apenas os descentes de Slytherin poderiam nos entender.
Tom, que até então observava o intercâmbio com perplexidade, segurando a varinha sob a manga da túnica para matar a serpente caso esta avançasse em Harry, finalmente voltou-se ao irmão:
- Harry, você está conversando com uma cobra?
Ele também não havia notado que usara outro idioma.
- Hey! Eu tenho nome! É Nagini! Na-gi-ni! – sibilou irritada – Você é um falante muito mal educado!
- Ele não fez por mal, Nagini – o menor sorriu, tentando apaziguar sua nova amiga – Seu nome é Tom e o meu é Harry, prazer em conhecê-la.
- Hn.
Ela apenas balançou a cabeça triangular em assentimento, observando criticamente os dois irmãos, e então, pareceu se decidir:
- Muito bem, eu serei a guardiã de vocês, jovens herdeiros, agora me alimentem.
- O que? – Tom engasgou.
- Ora, vocês interromperam a minha caçada e eu estou com fome, então me alimentem!
- Nós não somos herdeiros de Slytherin e não podemos levá-la ao castelo!
- Por que não? – Harry perguntou fazendo um gracioso beicinho.
- Harry!
- Eu conheço um herdeiro quando vejo um – respondeu Nagini, arrogantemente. E Tom, de repente, lembrou-se das palavras do Chapéu Seletor quando este o colocou em Slytherin: "Sim, sim, o herdeiro deverá permanecer em seu legado".
Será...?
Não, era impossível.
Ele havia estudado o surgimento da família Potter para um trabalho de História da Magia. Somente Godric Gryffindor se destacava nos primórdios de sua árvore genealógica, não Salazar Slytherin.
- Harry, vamos voltar ao... – mas suas palavras foram interrompidas ao notar que o menor já se dirigia ao castelo, a enorme serpente rodeando preguiçosamente seu pequeno corpo.
- Harry!
- Ela está com fome, Tom. Não seja mau, por favor.
- Ela pode atacar alguém!
- Não vou atacar ninguém, humanos têm um gosto horrível.
- Harry!
Rindo, o menor continuou a caminhar pela trilha de pedra em direção ao castelo. E Tom, seguindo-o de perto, acabou deixando um pequeno sorriso adornar sua face, pois as coisas pareciam ter voltado ao normal.
Mesmo que agora eles tivessem uma serpente de estimação.
Seu pai com certeza teria um ataque.
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Nas próximas semanas era comum ver a maioria dos Gryffindors deixando o salão comunal de seu dormitório com os rostos pálidos de medo, pois acabavam de ver o jovem Harry Potter conversando animadamente com sua nova amiga serpente. E até mesmo Rony Weasley não se atrevera a provocá-lo pela aquisição definitivamente Slytherin ao notar os ameaçadores olhos dourados do réptil enfocá-lo perigosamente. Hermione, por sua vez, encontrava-se fascinada pelo novo idioma que apenas Harry e Tom conseguiam falar e logo havia buscado na biblioteca do castelo todos os livros existentes sobre Parsel. Draco e Pansy, como bons Slytherins, ficaram encantados com o imponente animal que representava sua casa, mas ainda sim mantinham sábia distância, apenas observando Harry e Tom se comunicarem com Nagini.
Contudo, no mesmo dia em que um sorridente Harry Potter aparecera acompanhado da serpente, Minerva McGonagall havia quase enfartado. De imediato, portanto, a diretora da casa Gryffindor solicitou a seu aluno que se livrasse do perigoso animal. Mas Harry, apelando para os olhinhos de filhotinho abandonado que sempre funcionavam com Tom, conseguiu permissão de Dumbledore para manter sua guardiã desde que esta não ferisse ninguém mortalmente.
Cabe apontar, é claro, que a professora de Transfiguração não havia ficado nem um pouco satisfeita com este acordo. E ela não era a única:
- Por que essa cara, Severus? – sorrindo alegremente, o diretor tomou mais um gole de chá, olhando de soslaio para o Prof. de Poções.
Naquele momento, todos se encontravam no Salão Principal desfrutando de um delicioso café da manhã preparado com esmero pelos elfos da escola. Contudo, na mesa dos professores, Severus Snape não conseguia tirar os olhos dos irmãos Potter que, na mesa Slytherin, discutiam alguma coisa com a serpente preguiçosamente enrolada no corpo de Harry.
- Não sei como você pode deixá-los carregar um animal desses pela escola.
- Ora, ora, é o animal que representa sua própria casa, meu querido menino.
- Mesmo assim.
- Mas não é apenas isto que o perturba, estou certo? – sorriu, os olhos brilhando por detrás dos óculos em formato de meia lua.
- Talvez.
- Imaginei.
- Vai me dizer que você também não está se perguntando a mesma coisa?
- Na verdade, eu tenho uma pequena teoria – cantarolou, um sorriso enigmático se desenhando no rosto envelhecido.
- E que teoria é essa?
- Bem, como você sabe, nós não conhecemos as origens de Tom...
- Sim – de fato, apenas Dumbledore, Severus, Remus e Sirius sabiam que Tom não era fruto da união de James e Lily.
-... Por esse motivo, ele pode muito bem ser descendente de um mago falante de Parsel.
- Salazar Slytherin.
- Sim, talvez mesmo do próprio Slytherin.
- Mas como Harry poderia...?
- Veja bem, meu caro Severus – interrompeu, encarando o pupilo por cima dos óculos –, na noite em que Peter Pettigrew atacou Harry, o menino ficou famoso por ricochetear a maldição assassina, mas, quando Peter foi atingido pelo feitiço ricocheteado, pude constatar que ele já estava morto. Isto porque, em seu desespero, o jovem Tom realizou magia acidental para salvar o irmão.
- Você quer dizer...?
- Sim, aos três anos de idade Tom usou a maldição assassina para salvar o irmão e, naquele momento, uma parte de sua alma foi transferida para Harry. Foi o amor de Tom que fez Harry capaz de ricochetear a maldição de Pettigrew, criando um escudo protetor com uma parte de sua própria alma ao redor do irmão, escudo este que depois se materializou na famosa cicatriz em forma de raio que conhecemos hoje.
Snape estava em choque.
Ele sabia que o diretor havia vasculhado a mente dos dois meninos naquela noite com minúcia muito maior que a dos próprios Aurores designados ao caso. Tais palavras, então, tinham total fundamento. E isto era ainda mais assustador.
- Minha teoria é que, na noite do ataque, ao transferir uma parte de sua alma e criar um escudo para proteger o irmão, Tom também transferiu uma parte de seus poderes para ele.
- A habilidade de falar Parsel.
- Exato.
- Mas como um garoto poderia ter dividido a própria alma aos três anos de idade? – murmurou atordoado.
- Ora Severus, o que acontece quando alguém usa esta maldição para ceifar a vida de outra pessoa?
- Sua alma se divide.
- Isso mesmo, mas o pedaço da alma mesmo estando maculado ainda pode continuar dentro da pessoa. No entanto, naquela fatídica noite, em seu desespero para proteger o irmão, Tom acabou matando Pettigrew e usando este fragmento de si mesmo, de sua própria vida, para proteger Harry. Tudo inconscientemente, é claro.
O Prof. de Poções estava sem fala.
Seus olhos negros apenas observavam fixamente os dois meninos em questão. Os quais, por enquanto, permaneciam alheios aos mistérios resultantes daquela noite.
- Mas isso é apenas uma teoria de um velho tolo – Dumbledore sorriu, mas o brilho em seus olhos azuis desmentia estas últimas palavras.
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Naquela tarde, aproveitando o período sem aulas, Harry havia conseguido fugir de Draco e Hermione, que insistiam em fazer a lição de Poções, e agora passeava com uma entediada Nagini pelo castelo. De repente, porém, os dois acabaram na entrada do banheiro feminino do segundo andar e um imenso dilema os abateu:
- Você vai entrar aí? – perguntou a serpente.
- Sim, parece que alguém está chorando...
- Mas é um local reservado para fêmeas. E mesmo que você seja pequeno e bonito, você não cheira como uma fêmea, Harry, e acredito que também não ponha ovos.
- Nagini! É claro que eu não sou uma menina! – replicou indignado – Mas ainda sim, tem alguém chorando aí dentro, se estiver em apuros... – e depois de um resignado suspiro, Harry finalmente ingressou no local.
Minutos depois, Nagini afirmou:
- Não tem ninguém aqui.
- Talvez tenha sido um dos fantasmas então, mas parece que ele já foi embora.
- Harry – a serpente o chamou, enrolada no topo da pia circular que se encontrava no centro do banheiro – veja isso.
Parecia uma torneira comum, mas ao observar de perto, Harry notou o desenho em auto-relevo de uma cobra pequena. Algo que estranhamente o lembrou de uma fechadura.
- Que estranho.
- Parece a entrada de alguma câmara secreta! Minha ta-ta-ta-ta-taravó sempre falava sobre a existência de um local assim no castelo.
- Uma câmara secreta?
- Diga alguma coisa – insistiu Nagini, pelo visto mais curiosa do que o próprio menino – Diga em Parsel.
- Abra... – murmurou Harry, o assobio característico fluindo de seus lábios, e na mesma hora a torneira brilhou uma luz branca e começou a girar. No segundo seguinte, a pia começou a se deslocar para baixo, deixando exposto apenas um cano largo o suficiente para três homens adultos escorregarem dentro dele ao mesmo tempo.
- Sim! Parece o acesso a um tipo de câmara subterrânea!
No entanto, Harry sequer ouviu a serpente, pois ele já havia sacado o Espelho de Dois Sentidos do bolso da túnica para chamar o irmão:
- Tom, depressa! – sorria animado – Você precisa ver isso!
O que ele não sabia é que havia acordado um perigoso e faminto mostro que habitava as profundezas do castelo. Um monstro que fora colocado em sono profundo com as seguintes instruções de seu antigo mestre: ao despertar, não hesite e ataque os malditos sangues-ruins que infestam esta nobre escola, a qual ajudei pessoalmente a fundar.
Um monstro que, no exato momento, abria um par de olhos dourados letais.
Continua...
Próximo Capítulo: - Petrificado?
- Exatamente.
- Mas como isso pôde acontecer? – murmurou o menino, olhando apreensivamente para sua guardiã.
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NOTA: (1) - Quem conhece a expressão "dar nome aos bois" provavelmente entendeu o que o Harry quis dizer. Foi apenas uma adaptação de uma expressão muggle ao mundo bruxo.
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N/A: Olá, meus queridos leitores. Como vocês estão? Ganharam muitos ovos deliciosos nessa páscoa? Espero que sim!
Primeiramente, eu gostaria de me desculpar pela demora. Há mais de um mês eu não consigo postar um capítulo e há quase dois meses estou sem atualizar especificamente essa história. Todavia, meus amados e compreensivos leitores, existe um bom motivo para isso: estou escrevendo minha Monografia. Sim... Há tanto trabalho acumulado neste último ano de uma das faculdades... Preciso escrever no mínimo cem páginas para entregar até o final do ano... Desejem-me sorte! E não se preocupem, pois mesmo que às vezes eu possa demorar "um pouquinho" – ok, talvez bastante – eu nunca abandonarei qualquer uma das minhas histórias e continuarei a postar novos capítulos! Prometo sempre me esforçar ao máximo para, este ano pelo menos, conseguir postar ao menos um capítulo por mês! Mas não se preocupe, continuarei firme e forte... Hehe...
Quanto ao capítulo de hoje, o que vocês acharam?
Finalmente vocês puderam ver qual foi a imagem refletida pelo Espelho de Ojesed que tanto perturbou Tom, o qual, aos quinze anos de idade – hormônios fazendo a festa – não consegue parar de se lembrar de tais imagens e fantasiar com seu doce e inocente irmão...
Nossa amada Nagini também deu o ar de sua graça! E agora, a partir dos próximos capítulos, poderemos conferir quais serão os resultados da descoberta da "câmara oculta" no banheiro feminino... Como Harry e Tom poderão resolver este problema? E como a relação deles se desenvolverá a partir de agora? Tom poderá voltar a encarar o irmão como antes? – não que antes tenha sido normal... Hehe... – E Harry, começará a corresponder aos sentimentos de Tom? Em breve, não percam as respostas para estas e muitas outras perguntas! – ao maior estilo propaganda de novela das oito! xD
Por favor, deixem suas REVIEWS!
E por falar nisso, gostaria de agradecer com todo o meu coração a:
SarahPrinceSnape... Boarcas... Pandora Beaumont... vile 15... Marcya... Kimberly Anne Potter... TaiSouza... PrisD... Nando Rowling... vrriacho... Sandra Longbottom... Elaine... Dyeniffer Mariane... musme... Imperatriz... Srta Laila... Meel Jacques... lunynha... E BabiSnapePotter!
Deixo aqui um grande beijo e o meu Feliz Páscoa com muito chocolate para vocês!
E até a próxima atualização de O Charme da Insanidade!
