Capítulo IX: O Sinal
Convencer Harry de se acalmar e esperar a Ordem se organizar e tomar uma atitude em relação ao seqüestro da menina, supostamente filha de Snape foi difícil, mas felizmente possível.
Sirius e Remus foram até a casa dos Weasley procurar por Harry, mas Molly conseguiu preservar a privacidade do menino que ainda estava muito perturbado em relação ao assunto. Ela não disse nada que eles não soubessem ou que já tinham discutido antes e tanto Sirius como Remus perceberam que seria em vão estarem ali.
Remus queria perguntar sobre Tonks, mas ele estava com algo que não sabia identificar. Estava lutando contra ele mesmo para não sentir vergonha do ocorrido naquela manhã, mas sabia que primeiramente era necessário, pois Tonks ainda era muito inocente para entender, e segundo que seria mais seguro para ela.
- Ela ficou assustada ao ver a minha cicatriz, mas a chamou de tatuagem. Ela falou coisas trouxas, ela tinha medo – Harry suspirou – Ela não é um perigo para nós. Ela diz que ele não vem, que ela não sabe porque, mas ele não vai socorrer ela e ela parecia triste com isso.
- Harry, acredito que eu tenha entendido o motivo dela não reclamar. – Hermione falou pensativa – Acho que ela queria esperar que ele viesse.
- Hermione, acho que você está exagerando – Ron falou franzindo a testa
- Pensem meninos, ser filha do Snape não deve ser fácil, ela deve ter uma grande história para que o pai pagasse o aluguel dela dizendo que ela era sobrinha dele e saber que mesmo em uma situação de perigo ele jamais iria se arriscar por ela.
- Por que Sirius ou Remus não pensam assim?
- Porque eles estão cegos. Querem vingança, eles se sentem derrotados por Snape e ao invés de superar isso eles querem mostrar que ele não é tão forte assim. Ambos tem histórias complicadas com guerras, com suas vidas pessoais, eles não tem força para passar por isso. Por mais uma queda de esperança.
Harry ouviu tudo aquilo com uma dor no peito por saber que ela não dizia nenhuma mentira sobre seu padrinho e seu professor favorito.
- Eu pensei no que eu vou fazer – Hermione falou – Será muito mais eficiente do que a Ordem
Os dois olharam para ela querendo saber qual era o plano
- Mas eu não posso dizer até fazer. – Hermione falou – Mesmo porque vocês não deixariam
- O que você vai fazer? – Ron deu risada – Avisar o Snape que estamos com a filha dele?
Houve um sorriso por parte de Hermione e um grande olhar de pavor nos olhos dos dois.
- Ele tem alguma coisa com ela, mesmo que um contato, e com certeza Voldemort não sabe, pois jamais perdoaria Snape por manter uma filha no mundo trouxa e fora do batalhão deles.
- Hermione, ele pode já saber do que está acontecendo e te usar como moeda de troca ou pior, fazer exatamente o que eles estão fazendo com ela. – Harry falou rapidamente
- Precisamos fazer alguns sacrifícios.
- Este não – Ron falou rapidamente – Ainda temos uma guerra. Oi, uma guerra! Não qualquer jogo de quadribol que você não dá atenção.
- Ron, entenda – Hermione suspirou – Snape não fará nada comigo. Se ele fizer, ele sabe que irão fazer com a menina.
- E se ela estiver certa de que ele não se importa? – Harry a questionou – Pois se importa, ele já deve estar ciente do que esta acontecendo.
- Mas não consegue fazer nada, pois se fazer Voldemort pode matar ela. – Hermione respondeu rapidamente - Acho que ele é bem inteligente para pensar nisso e bem conhecedor da Ordem para pensar que nós não estaríamos fazendo nada demais. Além do mais, não vou a qualquer lugar ver ele, eu vou atrás dele em Hogwarts, nesta noite ele deve estar lá.
- Por que ele deveria estar? – Ron perguntou – Hermione, Hogwarts está com milhares de comensais, dementadores, você não é qualquer bruxa.
- Minerva me deu o segredo para eu aparatar lá. Eu preciso me testar e eu preciso fazer isso.
- Vamos com você – Harry falou
- Não, você precisa ficar. Você tem outras coisas para se importar neste momento.
- Hermione – Ron falou calmamente – Isso é uma loucura. Ele vai capturar você. Deixe a Ordem fazer isso. Vamos nos limitar a procurar as horcruxes.
- Quem sabe ajudando Snape – Hermione ficou pensativa – Ele também nos ajuda.
- Você esta exagerando. Esqueceu quem ele é? – Harry falou para a amiga.
- Bom, só foi uma idéia – Hermione desconversou para que não houvesse nenhum tipo de discussão sobre aquilo. E de qualquer forma, nada mudaria sua opinião, ela queria ver o seu antigo mestre de poções e Defesa Contra Arte das Trevas.
Severo Snape não conseguia sair do seu escritório, que ele sabia que não era dele, era de Dumbledore. Sempre iria pertencer a ele e não aquele homem de vestes prestas que estava sentando, não na cadeira de diretor, mas na da visitante no lado oposto da mesa. Era ali que eles planejavam tudo, conversavam, pensavam e até ficavam em silêncio.
Desde a Primeira Guerra Bruxa, Snape não tinha amigos, apenas Dumbledore e agora ele não tinha mais ninguém para dividir as suas dores ou pensamentos.
Já era tarde da noite, enquanto Snape observava os quadros e a estante de livros. Hemione tinha dito que dormiria mais cedo, assim como todos na casa dos Weasley. Era domingo, quase de madrugada, os corredores de Hogwarts estavam vazios e ela estava ali, sem medo, querendo enfrentar o desconhecido.
O verdadeiro motivo de Hermione ir atrás de Snape não era colocar Remus e Sirius em problemas e sim fazer negócios. Se ele tinha algo escondido de Voldemort é porque ele também não era tão ruim assim e isso poderia ajudá-los a achar as horcruxes. Parecia uma troca boa e muito arriscada, mas ela tinha que tentar, antes que ele atacasse toda a Ordem sem aviso prévio.
Os quadros na sala de Snape começaram a se movimentar e a conversar baixinho entre eles. Quando Snape olhou para eles parecia que eles estavam querendo lhe contar alguma coisa, mas estavam com medo.
- Me digam de uma vez por todas o que está acontecendo – Severo falou com sua voz forte e rígida – Ou me deixem em paz de uma vez, antes que eu tire vocês daqui.
Snape observou que Dumbledore estava aparentemente acordado em seu quadro. Eles trocaram um grande e sábio olhar, o que Snape achava um tanto lunático da sua parte, já que Alvo estava morto e aquilo só era uma pintura mágica
- O senhor tem visitas – Um dos fantasmas do quadro disse – Tem uma aluna da Grifinoria aqui
Severo franziu a testa de leve, balançando a cabeça.
- Quem? Como ela entrou aqui?
- Hermione Granger. Não sabemos, mas entrou como os professores entram.
Snape ficou em silencio. O nome daquela garota tinha o assustado. Era impossível que ela estaria naquele lugar, a não ser que fosse para dar algum recado da Ordem para Minerva ou o imbecil do Hagrid. Snape se levantou pegando sua varinha em cima da mesa. Ele não queria matá-la, mas sabia que precisava fazer alguma coisa, afinal ele era um comensal da morte.
Olhou para a sua cicatriz e pensou em chamar Voldemort para resolver este problema ou Bellatrix. Os dois resolveriam o problema com a amiga meia bruxa de Harry Potter e seria um ótimo inicio de guerra e Snape teria mais pontos com Voldemort.
- Ela esta vindo para cá – Um dos fantasmas falou tirando todos os pensamentos da cabeça de Snape
- O que é essa petulante está fazendo? – Severo pensou alto e saiu da sala segurando a varinha firmemente querendo dar um final naquela história de vez.
"Eu mato Dumbledore, na frente do Potter, faço culparem Potter pela morte de Alvo e ela ainda quer vir aqui tomar um chá? Onde essa menina pensa que está com a cabeça? Ela precisa ajudar os dois imbecis, não criar ainda mais problema?"
Severo estava perdido com aquela situação. Esperava que algum membro da Ordem fosse procurá-lo desde que ele foi anunciado como diretor, pensou até que eles iriam tentar matá-lo. Até mesmo Minerva, mas mandar a pequena Hermione que tinha uma parte fundamental na guerra era testar os bons modos de um sonserino.
Quando Hermione viu Snape saindo da sala ela parou se assustando. Ele estava já com a varinha armada e supostamente a procurando para matá-la naquele exato momento. Suas pernas tremeram e o seu corpo em um ato de defesa parou naquele corredor.
- Veio acertar alguma conta por aqui Granger? – Severo falou – Acho que nas aulas que eu dei no ano passado eu não te ensinei, mas com certeza no final do ano você percebeu que a força de um comensal é muito grande e que vocês são inofensivos.
Hermione se arrependeu de ter ido lá. Encara Snape sabendo que ele tinha matado Dumbledore era uma sensação tenebrosa e por um momento ela entendeu o que se passava na cabeça de Remus e Sirius. Mas eles não podiam fazer isso com alguém inocente.
- Eu vim pra conversar sobre a Kate – Hermione falou dando um passo para traz
Severo mudou sua expressão de uma hora para outra. Foi nítido que naquele momento ele não conseguia fazer suas expressões de sempre, não conseguia fingir ou se quer dizer alguma coisa. Hermione nunca tinha visto aquele olhar perdido e intenso do professor.
Quando Dumbledore estava naquela torre, Snape se aproximou de Harry para o pretejá-lo. Fez um sinal para ele se silenciar e Harry confiou no professor, que nunca tinha dado se quer um voto de confiança para o menino, apenas pontos a menos para a Grifinoria e naquele momento sabendo ou não se Hermione estava blefando ele fez o mesmo sinal.
Hermione se sentiu mais relaxada e o seu corpo mais acostumado com aquela situação. Snape se aproximou dela abaixando a varinha e pegando na sua mão de um jeito um pouco bruto demais. Os dois aparataram.
Quando Hermione deu por conta onde estava não conseguia entender o motivo dele ter levado ela lá a não ser para matá-la e jogá-la daquela montanha. Eles estavam no topo de uma montanha alta que tinha em volta um pequeno vilarejo. Mesmo com o verão, o clima ali era um pouco frio e batia um vento desagradável nos braços dela.
- Eu não sei porque você me trouxe aqui, mas eu não vim fazer nada eu só vim conversar.
- Você não conversa. Você me irrita – Severo falou tentando ler a mente dela, mas que estava extremamente fechada – Mas pelo menos aprendeu alguma coisa relacionado a fechar mente.
Severo segurou o braço dela fortemente com seus neurônios agora nervosos. Além dela ter falado o nome de quem jamais deveria ser citada, ele não estava conseguindo ler a sua mente
- Quem é Kate? – Severo perguntou querendo saber
- Você sabe quem é se não, você não teria me tirado de Hogwarts. Eu sei que ele não sabe dela também e que ela é um segredo seu, mas eu vim te avisar que ela não é mais um segredo seu e que – Hermione fez um pausa – Você está bem?
Quando Severo ouviu a menina dizer que ela não era um segredo dele parecia que tudo tinha ficado escuro na visão dele. Ele sabia muito bem que se isso acontecesse seria o fracasso total, como se todos os anos que ele viveu em vida dupla tivessem sido em vão e acima de tudo aquela garota iria sofrer tudo o que ele fez.
Severo se lembrou de que Dumbledore na noite antes de sair com Harry de Hogwarts pediu para que Snape ficasse com o livro que ele sempre pediu para o próprio diretor guardar e lembrou que colocou na gaveta da sua mesa.
Severo olhou para ela ainda mais assustado. Eles tinham descoberto ela por algo dele.
- Vocês pegaram o livro – Severo falou olhando ferozmente para ela
- Calma – Hermione deu um passo para traz – Se eu estou aqui é para te ajudar
- Ajudar, Granger? Você só veio dizer que descobriram alguém do meu sangue perdido por ai e que vocês querem me chantagear por isso. O que vocês querem? Que eu corte a minha própria cabeça? – Severo tirou a varinha novamente das vestes – Então eu vou mandar um recadinho para seus amigos.
- ELES NÃO SABEM QUE EU ESTOU AQUI – Hermione gritou com medo e querendo fazer Snape entender
- Eu não tenho nada haver com aquela menina.
- Seu rosto não disse isso.
- Fiquei assustado de como posso ser associado com uma trouxa daquelas.- Snape falou com desdém – Pessoas como você Granger. Querendo ou não ser uma pessoa boa, você apenas veio de encontro a sua morte. Aquela menina, que você acha que esta fazendo um bem, não é absolutamente nada pra mim, a não ser uma isca para eu pegar gente inocente como você.
- Eu achei que ela estava errada quando disse que você iria atrás dela – Hermione parecia desolada com as palavras de Snape – Mas eu devia ter escutado a razão e não sei lá o que. Por um minuto eu achei que isso te tocaria, e se você, por ter segredos de Voldemort, não seria tão cruel.
- Falando?
Este era o momento em que Hermione tinha que decidir entre dizer o que estava acontecendo sem colocar o nome de Sirius e Remus ou fazer com que a Ordem arcasse com toda aquela loucura.
- Estou aqui porque ela esta sofrendo. A Ordem descobriu ela e você matou Dumbledore e eles resolveram – Hermione deu uma pausa, lembrou do que Harry contou sobre o que tinha acontecido mais cedo – Sequestrar ela, ela esta trancada em um quarto a dias. Eles querem que você vai atrás dela. Eu não estou aqui por você, estou por ela, ela parece que... está sozinha e pouco se importando com aquilo e eles acham que ela tem alguma coisa com você.
Severo respirou profundamente.
- Volte para a sua casa e suma com os seus pais. Não basta apagar a memória deles, é necessário sumir com eles do mapa. Não jogar eles no pais vizinho, estou falando em sumir – Severo falou aquilo de uma forma tranqüila – Se possível amanhã mesmo e se eu fosse Harry Potter eu estaria bem longe da Ordem. Eles sabem que ele está lá
Hermione fez um sinal com a cabeça. Ela entendeu que aquilo que ele estava falando era uma forma de agradecimento. Ele ainda estava passando informações então ela realmente estava certa. Snape estava surpreso com a coragem de Granger ir procurar ele e apostar todas as fichas, inclusive a sua vida, em que ele influenciaria com aquela situação, e ela estava certa.
Snape estava frustrado em saber que a menina estava sob a Ordem e que não podia fazer nada por causa de Voldemort. Naquele momento ele desejou, pela primeira vez em 17 anos, que tudo fosse diferente.
- Vá pra casa – Snape falou para Hermione e sumiu
N/A: Reviews SEMPRE são muito bem vindas e ajuda a escritora a se animar para atualizar a fic. :)
Não estou exagerando nas minhas atitudes nesta fic rs. Snape tem seu lado muito humano que eu quero explorar aos poucos para não ficar meloso demais.
E eu estou adorando as reviews. Adoro saber a opinião de vocês. No final de semana eu respondo todas elas. Continuem escrevendo! Beijos
