CAPÍTULO DEZ

Hinata abriu os olhos, em seguida moveu o braço com muita cautela. Nenhuma dor!

— Que bom que você acordou. Mandarei alguém informar Itachi. Ele está muito preocupado e já está gastando meu tapete novo de tanto andar para lá e para cá à porta dos aposentos femininos.

Itachi muito preocupado com ela! Hinata virou a cabeça para o outro lado para que a esposa do soberano não visse sua expressão.

— Nosso bom médico está consternado por você ter saído do hospital sem sua autorização. Ele quis que retornasse, mas Itachi preferiu mantê-la aqui.

Para que não pudesse fugir, concluiu Hinata.

— Você não deve estar sentindo nenhuma dor, com o analgésico receitado pelo médico, mas, se estiver, avise, pois Itachi chamará o médico.

— Não estou com nenhuma dor — informou Hinata, sem querer ser simpática. — Não era verdade. A dor que sentia agora não poderia ser curada com remédios, e permaneceria com ela para sempre.

— Meu marido está muito feliz por Itachi ter finalmente encontrado a mulher certa! Uma mulher que o ama e ao mesmo tempo compreende a complexidade de sua ascendência mista — anunciou a rainha.

Tarde demais, Hinata lembrou-se do comentário da rainha na saída de sua visita ao hospital, sobre ela ser uma mulher apaixonada. Munindo-se de coragem, tentou se proteger.

— Creio que está havendo um erro — começou ela, com firmeza.

Mas logo a rainha a interrompeu, dizendo, suave:

— Meu marido, nosso amado soberano, não comete erros. Ele ama sua família e sabe o que é melhor para ela. E Itachi tem um lugar especial em seu coração. Além de ser seu meio-irmão, foi a mãe de Itachi quem educou meu marido, quando ele perdeu a mãe. Há muito tempo o preocupava o fato de Itachi não ter uma esposa. Mas agora não precisa mais se preocupar com isso!

— Isso tudo está muito bem, mas e quanto aos meus sentimentos? — Hinata teve de protestar.

A rainha franziu levemente o cenho ao fitá-la.

— Mas você ama Itachi, Você me implorou para pedir ao meu marido que tivesse misericórdia!

— Isso foi antes de saber quem ele era! Itachi mentiu para mim — disse Karina, amarga. — Deixou que eu pensasse que era um... ladrão e um...

— Ele não tinha opção! Era seu dever colocar a segurança de meu marido em primeiro lugar — continuou a rainha. — Você deveria se orgulhar dele, por sua lealdade ao irmão e a Zuran, Além do mais, depois de saber o que aconteceu no oásis, meu marido decretou que o seu casamento precisava ser legalizado. Como você é uma moça sozinha em nosso país, meu marido considera que está sob sua proteção. Naturalmente, ele se preocupa em proteger a sua reputação e quer fazer o que é melhor para você. Ele não poderia permitir que Itachi a abandonasse, depois do que aconteceu. Você viveu com ele como sua esposa!

— Itachi me garantiu que a cerimônia não tinha nenhum valor! — disse Hinata, desesperada. Mas era óbvio que era inútil discutir. Aos olhos da rainha, seria absurdo eles não serem legalmente casados, e via-se que ela estava aliviada e feliz. Mas Hinata só via um futuro de dor e tristeza!

— Itachi ficará feliz de saber que você está melhor. Ele quer viajar esta noite com você para as montanhas, de forma que não peguem o calor durante a viagem. Instruí uma de minhas criadas a fazer as suas malas. Espero que as roupas que mandei para o hospital a tenham agradado. Itachi certamente abrirá contas para você com os costureiros de sua preferência, quando voltarem para Zuran. Faz parte dos nossos costumes que os recém-casados passem um mês a sós, para se conhecerem melhor, e tenho certeza de que você se encantará com a vila nas montanhas que Itachi herdou do pai. Ela foi construída para sua mãe.

Hinata queria protestar, dizer que só queria ir para sua casa, na Inglaterra, mas sabia que não adiantaria.

Cansada, ela fechou os olhos, querendo que um tapete mágico a levasse da vida indesejada e insuportável que tinha pela frente.

— Tem certeza de que está bem para viajar?

— Segundo o médico, sim — respondeu Hinata.

Eles estavam no pátio aberto para onde ela fora levada para encontrá-lo, juntamente com a rainha e seu marido, o soberano de Zuran.

A demonstração de carinho do soberano para com Hinata a pegara de surpresa, como se ele de fato estivesse satisfeito de recebê-la na família.

Ao observá-los, ele disse a Itachi, com alegria:

— Agora que ela é sua esposa, Itachi, pode beijá-la. Na verdade, sugiro que o faça. A pobre moça parece estar precisando de conforto.

— Você a está envergonhando, meu amor — comentou a rainha, juntando-se à conversa, dando-lhe o braço e sorrindo para ele, pois ali, protocolo e formalidade eram dispensados. — Hinata é uma noiva muito recente, e provavelmente não quer partilhar a intimidade do beijo de Itachi com nenhum observador.

— Quer meu beijo? — perguntou Itachi, rapidamente. A rainha deu uma risada.

— Ora, Itachi, você não está sendo nada romântico! É claro que ela quer, mas não vai dizer!

— Pois então ela vai ter que esperar pelos meus beijos até dizer — anunciou Itachi, friamente. A rainha ainda tinha o sorriso nos lábios, mas Hinata tinha vontade de chorar. Seu rosto queimava de raiva e de humilhação. Embora detestasse admitir até para si mesma, seria maravilhosamente reconfortante e tranqüilizador se Itachi a abraçasse com ternura e sussurrasse ao seu ouvido que a amava e a queria.

Que tolice era essa? Ele jamais faria isso! E Hinata desconfiava que ele só concordara em passar um mês com ela para não precisar fingir para os outros que era o marido apaixonado!

Itachi podia agir com ela com frieza e sem nenhuma ternura ou demonstração de amor, mas definitivamente não era assim que se comportava com a família. Um por um, os filhos do soberano se apresentaram para um abraço carinhoso de "adeus" do tio. Embora ele não beijasse a rainha, o abraço carinhoso e fraterno que trocou com o meio-irmão fez Hinata invejar a intimidade da família. Ninguém que os observasse poderia negar a força do amor e o respeito que tinham um pelo outro. Mesmo assim, apesar do amor do rei por Itachi, ele o obrigara a um casamento indesejado.

— Faço votos que o casamento de vocês seja feliz e lhes dê muitos filhos — disse a rainha para Hinata, ao abraçá-la carinhosamente.

Com os olhos ardendo das lágrimas não derramadas, Hinata tentou sorrir em resposta.

Quando a rainha a soltou, Hinata percebeu que Itachi a esperava. Sem dizer nada, atravessou o pátio a seu lado. Dois criados uniformizados abriram os portões, e Hinata ficou sem ar ao ver o que os esperava no enorme pátio aberto. Não era um carro, como imaginara, mas um helicóptero.

— Nós vamos viajar naquilo? — perguntou ela a Itachi, hesitante.

— A vila fica nas montanhas, a mais de 12 horas de carro daqui. Você estará perfeitamente segura. Minha licença de piloto tem mais de dez anos, e ainda não tive nenhum acidente!

— Você vai pilotar? — Hinata não conseguia controlar sua surpresa.

— Prefiro pilotar eu mesmo, quando posso.

Hinata digeriu os comentários de Itachi em silêncio. Havia tanta coisa que não sabia a seu respeito!

Itachi já se dirigia para o helicóptero, obviamente ansioso para pilotá-lo — sem dúvida muito mais ansioso do que para se encarcerar nas montanhas com ela, refletiu Hinata ao se apressar para alcançá-lo.

Hinata sabia da existência da cordilheira de montanhas no interior e ao Norte da cidade, mas nunca imaginara que as visitaria, muito menos nessas circunstâncias.

O que a fez lembrar...

— Meus colegas...

— O escritório central foi informado da sua segurança e do nosso casamento. — O semblante de Itachi endureceu. — Seus companheiros voltaram para a Inglaterra poucas horas depois do seu seqüestro.

— Você os obrigou a voltar antes de terminarem o projeto? — perguntou Hinata, furiosa.

— Eu? Eu estava no deserto com você, lembra-se? Segundo me informaram, obedecendo a um pedido urgente de Orochimaru. Sob a alegação de que a equipe queria deixar o país, ele afirmou não achar seguro eles permanecerem ali depois do seu seqüestro.

Hinata digeriu a informação em silêncio. Embora não gostasse de Orochimaru, ficou chocada de saber que ele e os outros tinham deixado o país sem se preocuparem com ela.

Eles viajavam na escuridão da noite, tendo como iluminação apenas as estrelas e o fino arco da lua nova. Subitamente, Hinata avistou a escarpa iluminada do que parecia ser uma fortaleza moura, com as torres e as janelas erodidas formando um relevo mágico pela iluminação muito bem planejada.

— O que é aquilo? — perguntou, incapaz de conter seu assombro.

— É para lá que vamos, é a vila — respondeu Itachi, tranqüilo.

A vila? Hinata não se conteve e se virou para encará-lo.

— Aquilo não é uma vila, é...

— É a casca de uma fortaleza sarracena. Minha mãe se apaixonou pela ruína, e meu pai mandou construir a vila no interior das paredes externas originais, para lhe fazer uma surpresa e presenteá-la. Eles vinham para cá sempre que podiam. Era a casa preferida deles.

O helicóptero começava a perder altitude, Itachi habilmente passou por cima da escarpa, e levou Hinata a ficar sem ar quando eles passaram por cima do muro alto, e, depois, ao aterrissar na pista de helicópteros, no pátio antigo.

Tão logo as hélices pararam, criados que pareciam surgir do nada acorreram para retirar a bagagem. Mas foi o próprio Itachi quem ajudou Hinata a descer do helicóptero. Ao sentir as mãos fortes em seu corpo, ela foi tomada de um misto de sofrimento e de excitação, ao se lembrar do prazer que aquela proximidade já lhe proporcionara.

Rapidamente Hinata se soltou, sem querer se torturar.

Itachi a observava, sério, percebendo que Hinata desviara o rosto e se recolhera para evitá-lo.

Ele não fora capaz de persuadir o meio-irmão a não insistir neste casamento, principalmente porque sua cunhada afirmara estar convencida de que Hinata o amava. Isso pesara muito na decisão, além de tudo mais. Mas na verdade Hinata não o amava, ao contrário, o que sentia era ódio, como já lhe confessara. E isso o fazia sofrer. Quando começou a amá-la? Naquela tarde no souk,em que a beijara? Certamente, quando Gaara propôs comprá-la, Itachi já sabia que nenhum poder sobre a terra o faria desistir de Hinata. Procurara se convencer de que o sentimento que o dominava não era amor, assim como fizera de tudo para acreditar que seu sofrimento se devia ao orgulho ferido por não ser correspondido. Estaria ele se iludindo na esperança de que, da compaixão que Hinata demonstrara sentir ao implorar por seu perdão, pudesse surgir o amor?

Quer Hinata viesse a amá-lo quer não, como seu irmão bem lembrara, Itachi tinha certas responsabilidades para com ela.

Ao acompanhar Itachi do pátio externo em direção ao pátio interno da vila, Hinata ficou maravilhada diante do que via. No interior da casca do prédio antigo, fora construída uma vila de uma beleza mágica; só de olhar, Hinata sentia um nó na garganta.

Dentro dos muros antigos, havia um jardim florido, cujo perfume enchia o ar da noite. A iluminação discreta também revelava canais, fontes, caminhos, recantos de sombra, tudo de muito bom gosto.

— É lindo — murmurou Hinata, emocionada.

— Meus pais projetaram a vila juntos. Minha mãe queria que fosse uma combinação perfeita de Oriente e Ocidente.

Itachi falava secamente, como se conversar com ela sobre os pais de algum modo pudesse contaminá-los.

Ele a odiava mesmo tanto assim?

Por que não odiaria, se fora obrigado a se casar contra a vontade?

— A vila não segue o estilo tradicional zuranês — informou Itachi, incitando Hinata a andar com a mão na parte inferior de suas costas. — Aqui não há aposentos separados para homens e mulheres.

Seu toque provocou em Hinata uma vibração de prazer e uma sensação de desejo, e sua vontade foi olhar para ele e implorar que a abraçasse e a beijasse, e que a pegasse no colo e a carregasse para a cama. Certamente devia ser o jardim que a afetava assim. Não havia nenhum motivo lógico para o querer, e centenas para não o querer! Mas o amor não é lógico. Amor? Ela amava Itachi? Amava-o de verdade? Hinata tremia violentamente, como se experimentasse um choque horrível — ou enfrentasse uma verdade intolerável!

— O que foi? Algum problema com o braço? — perguntou Itachi, estranhando vê-la tremer, mas felizmente sem perceber que era uma reação a ele. — Sente alguma dor?

— Não, eu só estou... cansada.

— Pedirei a Míriam, a governanta da vila, para levá-la diretamente para o seu quarto. O dr. Al Hajab deu-me uns analgésicos para você usar.

Já se encontravam dentro da vila, num corredor quadrado de paredes pintadas com uma leve camada de azul e mobiliado com elegante simplicidade, numa agradável mescla de mobílias do Oriente Médio e do Ocidente.

Hinata sentia o aroma das rosas no ar, e tudo no ambiente emanava tranqüilidade e harmonia. Inexplicavelmente, teve a impressão de que alguém a acariciava com ternura, serenando-a, acalmando seus nervos e suas emoções, transmitindo a nítida sensação de que um peso estava sendo tirado de suas costas.

— Ah, cá está Míriam! — anunciou Itachi, quando uma mulher baixa e muito gorducha se aproximou, apressada e agitada, e o saudou com um abraço. Ela se dirigia a ele com muita afeição, numa enxurrada de palavras em zuranês, faladas tão rápido que Hinata precisou se esforçar muito para entender.

— Miriam, esta é Hinata, minha esposa.

Os olhos escuros, pequenos, mas muito sagazes, examinaram Hinata.

— Acho que sua mãe gostaria dela.

— Por favor, conduza-a para o quarto. Ela está cansada, portanto só amanhã você poderá mostrar o resto da vila.

— Acabou de casar e está cansada? — exclamou Mi riam, sendo bem direta, fazendo Hinata enrubescer.

— Ela foi ferida — informou Itachi, que então se virou para Hinata. — Eu a deixarei nas mãos de Miriam. Preciso tomar algumas providências, mas se quiser alguma coisa, avise a Miriam, e ela providenciará.

Antes que Hinata pudesse falar, Itachi cruzou o chão de cerâmica e desapareceu num corredor.

— Por favor, siga-me — instruiu Miriam, e Hinata a seguiu pela ampla escadaria de mármore, e depois atravessando uma plataforma, até chegarem a uma porta dupla, que ela abriu num movimento quase teatral, sinalizando para que Hinata entrasse antes dela.

De fato, quando entrou, Hinata entendeu o porquê do gesto teatral, pois era um quarto de uma beleza inacreditável. Como a galeria, as paredes eram levemente pintadas, mas desta vez num tom entre o cinza e o verde suave, relaxante. Tapetes de seda aqueciam o chão de mármore cor de creme, mas o que a fez suspirar, enlevada, foi a bela mobília gustaviana, simples, mas muito elegante. A madeira era num tom pouco mais escuro que as paredes, e os lençóis da cama eram branco "sujo". A sensação anterior de paz e harmonia voltou mais intensa, e Hinata teve a impressão de receber um aconchego amoroso que não era propriamente uma presença, mas que parecia muito real.

— Este era o quarto da mãe de Itachi? — perguntou ela a Miriam.

A governanta respondeu que sim com um aceno de cabeça.

— A rainha escolheu pessoalmente tudo para esta vila. Era o seu recanto predileto, onde podia ter o rei só para si. Sente a presença dela?

— Sim — reconheceu Hinata. Miriam abriu um amplo sorriso.

— Eu sabia! No instante em que a vi, achei que era a pessoa certa para Itachi. Eu era empregada da rainha, e soube que estava grávida antes do sheik. Ela não conseguiu esconder de mim! E quando entrou em trabalho de parto, quis a minha companhia... A rainha estava muito feliz e orgulhosa por dar um filho ao nosso soberano. Amava tanto o bebê! Mas logo ficou doente. Embora quisesse desesperadamente viver, não era isso que o destino lhe guardava! Pobre senhora. Deve estar feliz por Itachi ter se casado com você. Tem o sangue dela, e o ama como ela amou o pai dele.

Era uma constatação, e não uma pergunta. Hinata não se deu ao trabalho de questionar.

— As suas roupas já estão no armário. Eu lhe mostrarei o quarto de vestir e o banheiro, e então a deixarei a sós para que possa dormir.

Obediente, Hinata a seguiu até o quarto de vestir, e depois até o banheiro, cuja beleza lhe suscitou um suspiro de prazer. A louça era branca, e a mobília tinha o mesmo estilo gustaviano que os quartos de dormir e de vestir. Havia uma enorme banheira circular, cuja metade era apoiada no chão; atrás dela, janelas de vidro que iam do chão ao teto abriam para um terraço, como Miriam demonstrou. Mais adiante, segundo sua explicação, ficava o pequeno jardim privado que era o refúgio pessoal da mãe de Itachi.

— Vou deixá-la agora. Quer alguma coisa para comer... ou beber?

Hinata sacudiu a cabeça, cansada. Só queria tomar um banho de chuveiro para tirar da pele a poeira da viagem e se aconchegar naquela cama tão maravilhosa.

Itachi abriu a porta do quarto e não tirou os olhos da cama, paralisado. A luz que entrava pelas janelas do pátio interno revelava a figura de Hinata dormindo, o rosto virado para ele, o cabelo espalhado sobre o travesseiro. Passando por ela silenciosamente, atravessou o quarto de vestir e chegou ao banheiro, onde se despiu e abriu a torneira do chuveiro.

Não deveria ter deixado seu irmão obrigá-lo a se casar com Hinata. Sua cunhada estava erroneamente convencida de que Hinata o amava. Ela não o amava, pelo menos como ele queria e precisava, de coração, alma e corpo. Fisicamente, Hinta se entregara, mas isso não era nenhuma evidência de amor.

Mesmo debaixo do chuveiro, seu corpo reagiu imediatamente à lembrança invocada por seus pensamentos. Itachi procurou se controlar, ligando a água fria e recebendo a carga gelada, até a excitação arrefecer.

Ao sair do chuveiro, ele pegou uma toalha e se secou, e depois se dirigiu para o quarto, parando apenas para olhar com tristeza o rosto de Hinata. Os cílios formavam leques escuros contra a pele alva, e ela dormia tão profundamente que nem se mexeu, mesmo quando ele afastou as cobertas para entrar na cama.

O luar acariciava a curva exposta do braço desnudo e a pele suave da garganta de Hinata. Itachi queria muito traçar o caminho prateado com seu toque, mas, se cedesse à tentação, não conseguiria evitar de tomá-la nos braços e beijar cada centímetro de seu corpo. Assim como na primeira vez que a vira no souk.

A verdade de saber que Hinata não o amava o dilacerava como um golpe de adaga. Resoluto, Itachi virou-se para o outro lado e ficou o mais distante possível.