"Não adianta querer amar quem seu coração não escolheu".

Sakura Haruno –Capítulo 10.

– Veja, aquele é meu tio Itachi. –Daisuke contou apontando para a direção oposta e acompanhando o gesto com o olhar, Sakura pôde vê-lo.

Estava ao lado de Saya, lhe observando. Parecia o mesmo de anos atrás, ficou feliz por ele ter conseguido o que tanto almejava para sua vida. Quando deu por si, notou que a distância entre os dois estava ficando cada vez mais curta, pois Daisuke praticamente a arrastava pela mão até o Uchiha.

– Olha tio, uma mulher de cabelo rosa. Essa é a –foi interrompido.

– Sakura. –sibilou com um leve sorriso e a rosada sentiu um pouco de seu desconforto desaparecer.

– Há quanto tempo, Itachi.

– Vocês se conhecem? –Saya interveio confusa.

– Sim, vivi no feudo da família de Itachi durante muitos anos. –a rosada respondeu.

– Daisuke por que não mostra á mademoiselle Saya os quadros que te mostrei outro dia? –o moreno se voltou ao menino e a loira pareceu entender que ele pretendia ter uma conversa á sós com Sakura.

– Está bem, vamos? –chamou-a.

– Claro. –pegou a mão que lhe estendia e o acompanhou.

Quando se viram á sós, pôde observá-la melhor: o mesmo cabelo comprido, os olhos verdes e a estatura também não haviam mudado.

– Fico feliz que tenha realizado seu sonho Itachi, se consagrou monge há pouco? –questionou mantendo a conversa o mais natural que pôde.

Merci. Fazem oito anos, porém vim para capital há alguns dias. E quanto á você? Vive por aqui?

– Moro em uma pequena aldeia não muito distante.

– Vejo que já conheceu meu sobrinho, Daisuke é fácil de se aproximar.

– É mesmo uma criança encantadora, seu irmão e esposa são abençoados por tê-lo. –elogiou sincera e mesmo que internamente, não pôde deixar de lembrar-se de sua criança perdida. Será que seria tão esperto e carismático quanto Daisuke era?

– Na verdade Daisuke não tem mãe. Lyn morreu no parto e a educação ficou mais por conta de minha maman. –contou com seu jeito sutil.

– Ah entendo... Meus sentimentos.

Merci. –ficou um tempo em silêncio antes de continuar. – Sabe Sakura, devemos perdoar nossos irmãos, pois todos somos iguais perante o Senhor. Não tenho mágoa alguma por ti, na verdade ainda acredito que deverias ficar junto de meu irmão. –disse-lhe como se revelasse um desejo á algum tipo de gênio mágico que o concederia. – Pardon, não tenho o direito de influir nada na vida dos dois. –corrigiu-se.

– Não, está tudo bem. Ainda recordo muito os momentos que passamos juntos, mas receio que o que foi no passado jamais poderá voltar á ser o que era, ele ficou muito magoado e com razão, temo que sua confiança jamais será a mesma, apesar da minha inocência. –foi franca, claro que imaginava como as coisas seriam se tivessem de fato ficados juntos, teriam uma família e quem sabe... A felicidade pela qual Hiruzen a perguntou na noite anterior.

Mas não podia se lamentar pelo passado e pensar no que poderia ter sido, tinha mais era que viver o presente e cuidar de seu futuro.

– Compreendo. –assentiu dando-se por vencido.

– Ei Sakura podemos voltar? –Tenten a cutucou aproximando-se.

– Ah... Sim, Saya vem logo ali. –concordou vendo a loira se aproximando enquanto, com toda a certeza, sorria de alguma coisa que o pequeno havia feito ou dito. – Foi um prazer revê-lo Itachi, espero que o encontre sempre por aqui. –por fim pediu sua benção.

– Digo o mesmo Sakura.

– Sakura já vai embora? –Daisuke parecia triste.

– Preciso ir, mas adorei conhecê-lo Daisuke. –abaixou-se para ficar á sua altura então lhe beijou o rosto.

O menino lhe olhou satisfeito depois se despediu mais formalmente das outras duas moças. Itachi convenceu-se ainda mais de que a rosada era a mulher certa para Sasuke só de ver seu carinho com Daisuke, parecia haver uma conexão entre os dois.

Após partirem, Sakura logo foi interrogada, porém respondeu apenas o necessário: que tanto o monge quanto seu irmão foram grandes amigos seus em sua infância.

Na saída do templo, Sakura avistou uma mulher trajada em um elegante vestido violeta e no momento em que seus olhos se encontraram, não teve dúvidas: Mikoto Uchiha jamais perderia sua pose, mesmo agora com as linhas de expressão visíveis em sua pele clara e os fios grisalhos quebrando a negritude de antes. Foi um contato rápido, apenas de relance enquanto passavam pelo mesmo caminho, ainda assim sentiu que a morena também havia a reconhecido, pois seu olhar não demonstrava nada muito amistoso. Também pudera, afinal a rosada havia supostamente "traído" seu filho. Entretanto não se deixou abalar e logo já estavam á passos de distância da madame Uchiha.

Mikoto terminou de subir as escadarias em passos duros e avistou o filho, puxou-o pelo braço discretamente apenas para afastá-lo do neto e perguntou preocupada:

– O que aquela serva de cabelos róseos fazia aqui?

– Sakura? Ela não é mais sua serva maman. Veio orar, como todos aqui, aliás. –respondeu estranhando o nervosismo dela diante daquele simples fato.

– E ela conversou contigo? Disse algo sobre seu irmão á ela?

– Conversamos sim, ela e Daisuke se conheceram. Posso saber por que está tão preocupada com isso?

– Não percebe o quanto seu irmão mudou? E tudo isso depois que aquela garota o traiu, estou apenas querendo garantir que ela ficará longe de meu neto e principalmente do meu filho. Já não basta ter me livrado dela no passado, agora me aparece novamente. –disse com desprezo cada palavra.

– Se livrar? Pelo que sei Sasuke a pegou com outro, por que então a senhora teve de se livrar de Sakura? –perguntou desconfiado.

– O quê? Livrar-me? Não eu não disse isso Itachi, não ponha palavras na minha boca. Aquela garota só iria arruinar a vida de seu irmão e por sorte ele abriu os olhos á tempo. –ela estava nervosa e conhecendo a mãe como conhecia, Itachi sabia que tinha algo muito errado nessa história. – Daisuke está tarde, vamos embora. –mudou o rumo da conversa chamando pelo neto.

Quando retornaram, Daisuke percebeu o quanto a avó parecia nervosa. Disse á criada que não iria comer e subiu para seu quarto sem nem ao menos lhe dar o beijo de boa noite como sempre fazia. Porém o menino não se abalou muito com isso, se sentia feliz ainda, embora não compreendesse muito os sentimentos.

Foi quando se virou e surpreendeu-se ao ver o pai sentado na sala de entrada, ele nunca ficava em outro lugar á não ser em seu escritório ou quarto, além das raras refeições que fazia junto da família na sala de jantar. Sasuke observava o filho quando o viu se aproximando todo sorridente:

– Hoje vovó me levou á igreja onde tio Itachi fica, é bem grande lá. –contou-lhe. As expressões no rosto de Sasuke não mudaram, mas com o seu silêncio, o menino resolveu continuar contando de seu dia: – Lá conheci uma moça muito bonita papa, o senhor tinha de vê-la: seu cabelo rosa é tão lindo e cheiroso e seus olhões verdes são bem assim. –gesticulou com as mãozinhas todo entusiasmado com a descrição.

Quais eram as chances de aquela mulher de quem Daisuke falava com tanta intensidade ser Sakura? Sasuke não havia conhecido nenhuma outra Sakura ainda mais com os cabelos naquele tom tão peculiar.

– Sakura é? Ela conversou contigo filho? – segurou-os pelos ombros levemente, olhou bem em seus orbes que assim como os dele eram negros.

– Sim, disse que eu era muito as... Ast... –tentou lembrar-se da palavra.

– Astuto. –completou.

– Isso mesmo papa. –exclamou. – Tio Itachi a conhecia. –acrescentou ainda.

Sasuke deixou que um dos cantos de sua boca se elevasse levemente e com uma das mãos bagunçou ainda mais os cabelos do pequeno, que sorriu pelo carinho.

...

De volta á aldeia, Sakura se encontrou com Naruto na copa da mesma árvore onde a amizade deles havia de fato começado, e contou ao seu fiel confidente tudo o que havia acontecido, desde o encontro por acaso com Daisuke, que ela descobrira ser filho daquele que era sua paixão na adolescência, até a conversa com Itachi.

O loiro escutou tudo com muita atenção, não interferiu e parecia até mais sério enquanto ouvia. Depois pronunciou levemente:

– Sakura.

– Sim?

– Como constatou, o tal Sasuke seguiu sua vida de um jeito ou de outro. Não acha que deveria seguir a sua também?

– Do que está falando Naruto? Eu segui minha vida, não vivo presa àquele passado, essas foram às primeiras coisas em oito anos que soube da família Uchiha. –argumentou sem entendê-lo.

– Diga a verdade: ainda o ama? –foi direto, os olhos azuis brilhando tão intensamente que ela não pôde encará-los.

– Não Naruto. Não o amo, era um sentimento muito forte no passado, mas que não superou as perdas e o tempo. Além disso, eu era uma menina, não conhecia nada sobre sentimentos ainda, quanto menos sobre amor. –confessou dizendo mais incerta do que pretendia.

– Pois se é assim como diz, por que não segue á diante? Por que então... Não entrega seu coração á quem queira amá-la de verdade? –indagou se aproximando cada vez mais dela, de forma que a Haruno teve de se inclinar levemente para esquivar de seu avanço.

Ainda constrangida, Sakura ergueu-se para manter uma distância segura entre os dois e respondeu confusa:

– Porque não sei se seria capaz de corresponder á altura. –dito isto se afastou.

...