Atenção: Essa fanfic contém cenas homossexuais e futuramente cenas de sexo gay e sádicas. Se você não gosta, não leia ou venha me encher o saco com comentários destrutivos. Mas se você gosta, espero que tenha uma ótima leitura e que se divirta muito.
10. Revelações
A grande abertura no telhado me deixa ver o aparecer do crepúsculo, com toda a sua maravilhosa gama de cores, mistura de claro com escuro, um único momento, em que luz e escuridão podem conviver, deixando a diferença de lado e se abraçando como amantes que regressam à cama depois de tanto tempo sem se ver.
Mas a vida não é uma metáfora, repreendo-me, quando a podridão do luar acerta em cheio as minhas narinas e me faz lembrar onde estou. A vida é cruel, amarga e sem finais felizes. Pelo menos não para alguém como eu. Alguém condenado a andar sempre em trevas, nunca à beira da glória.
Por onde estará Jared? Pelo menos ele devia estar seguro. Misha não podia fazer nada contra ele. Até segunda-feira. Mas quem sabe o garoto já teria entendido o que havia acontecido e ido para o mais longe possível, se salvando assim do demônio. Isso seria o melhor que eu poderia fazer. Deixá-lo seguir a sua vida, colocando a minha própria como escudo, e quem sabe, poder levar Misha comigo.
Era o que eu queria, mas não o que desejava. Podia parecer egoísta e tudo o mais, contudo, o que eu apenas queria era Jared aqui, do meu lado, dizendo que tudo ia ficar bem, como ele sempre fazia (levando em conta que havíamos nos conhecido a poucos dias). Ah Jared, por que você ainda não apareceu? Tô precisando tanto de você! Vem para mim, vem. Por favor...
Um som no térreo me chamou a atenção. Alguém havia acabado de entrar. Misha? Era o mais provável. Ele voltou para terminar o que começou. Ou ia drenar todo o meu sangue, ou furar meu coração com uma estaca, ou arrancar a minha cabeça, ou um dos meus muitos "ous" sobre as coisas malignas que ele poderia fazer.
De repente, percebi que eram dois. O primeiro só estava camuflando o segundo por causa do doce cheiro do seu sangue, sugerindo que era um humano, e também por todos os meus sentidos e forças estarem limitados por causa do bambu.
Ótimo. Então ele trouxe mais uma vítima para brincar de predador e presa. Só esperava que não me forçasse a tomar o sangue desse. Não que me importasse muito, mas era uma promessa feita ao Jared. E eu queria lembrar-me dele de todas as formas possíveis, até mesmo em suas recusas e rebeldias.
Subitamente houve uma parada. A pulsação do humano estava bastante acelerada com a sensual fragrância do medo. Algo normal, uma vez que encontraria a morte bastante rápido se estivesse na mão de Misha. O outro também acalentava receio. Estranho, do que o monstro teria medo? Mas também uma espécie de determinação. Talvez ele apenas estivesse reunindo forças para me matar. Eu fui um marco importante da vida dele. Rápido, cruel e triste, mas fui.
A sensação de o vento ser levantado pôde ser sentida quando ele segurou o humano e o ergueu até o segundo andar. Era melhor dar uma última olhada para o céu, sabendo que não haveria tempo para chorar. Era um destino miserável. Depois de tanto tempo vagando com minha escuridão e quando finalmente descobri a minha alma gêmea, devo partir.
Contudo, não foi a voz fria e sarcástica de Misha que eu ouvi.
- Jensen?
Foi a voz do sol, a voz dos anjos, aquela doce melodia voltava a ser cantada para mim. Eu já devia estar morto porque esse era o paraíso...
- Jensen!
Um borrão passou correndo até mim, parando em frente as grades de bambu. Era ele. Jared. E estava quase chorando. Isso não era justo. Por que haveria de se chorar? Tudo era só felicidade agora. Eu estava em paz novamente...
- Acho que ele está em choque, Jared. Deixe-me aproximar para dar uma olhada.
A outra voz foi bem mias irritante, todavia, serviu para me trazer de volta a realidade. Estávamos em um quarto fétido, quase totalmente arruinado e com uma parte do telhado caído. Jared e Stefan inexplicavelmente estavam ali e eu, com a boca aberta e os olhos desfocados, parecia um idiota.
- Não, não. Eu estou bem. Como vocês conseguiram chegar aqui?
- Stefan foi incrível, Jensen! – exclamou Jared, como uma criancinha que havia acabado de ver uma montanha-russa ou um daqueles brinquedos esquisitos. – Ele veio até aqui, onde fica a periferia da cidade, procurar por você, e acabou vendo esse casarão. Voltou correndo e...
- Acho que ele não está muito a fim de saber, Jared. – disse Stefan, que estava de olho em mim e provavelmente deve ter visto a carranca que eu fazia a medida que meu vampirinho se exaltava mais ao falar de quanto seu irmão insuportável foi bem-sucedido. – Sabe bem que nos odiamos mutuamente.
- Isso não é verdade! – disse Jared, ainda sem perceber o quanto o clima daquele quarto havia caído. – Jensen sempre...
- Acho que pode confiar nas palavras desse imbecil, Jared. Nunca o quis mais longe de mim como agora! – não poderia suportar essa situação. Jared aqui, me vendo fraco, tudo bem. Mas não ele. Esse idiota sempre quis acabar comigo. Com certeza devia estar adorando estar me vendo nessa condição. - Por que o trouxe?
- Jensen, você sabe que...
- Porque eu sou o irmão mais velho dele, seu idiota! – respondeu Stefan, interrompendo Jared em toda a sua fúria. – Uma das únicas pessoas a quem ele pode recorrer quando você resolve dar um de seus chiliques, desaparecer e deixar ele morto de preocupação!
- Caso não tenha percebido, não fui eu que me aprisionei nessa cela! – respondi, totalmente colérico. Como um inútil desses podia ser tão estúpido? Não estava vendo que eu havia sido seqüestrado?
- E o que importa? No final a única coisa que consegue fazer é nos dar problema! Como sempre fez desde quando pousou seus pés nessa cidade!
- Stefan, está perdendo a lógica... – começou outra vez Jared, agora mais preocupado, vendo a gravidade da discussão se alastrando, enquanto Misha poderia retornar a qualquer momento para o lugar onde nos encontrávamos e matar a todos. Eu queria concordar com ele e sair dali, mas a minha chama de raiva por querer acabar com Stefan era mais forte.
- Não Jared, deixe ele continuar. – falei, a voz mortalmente baixa e séria. Era incrível como o ódio me deixava calmo. Mas também, este sempre foi um dos meus melhores amigos durante todos os meus séculos de existência. – Vamos ouvir o que esse retardado pensa sobre mim. Está com ciúme por não ter mais Jared perto de você, menininha? Diga-me, você chora todas as noites no travesseiro por causa disso?
Agora foi a vez do meu amado me olhar duro, mas eu vi isso apenas com a menor parte da minha visão. A maior estava focada em Stefan e o que eu vi me surpreendeu. Isso tudo o que eu falei sobre ciúmes e choros em travesseiro foi apenas para provocá-lo, mas seu rosto em um instante se contorceu em uma careta de dor. Contudo, antes que eu pudesse identificar algo a mais, sua face se transformou em uma máscara, calma e fria como o mar mediterrâneo. Todavia, eu vi em seus olhos verde-carvalho a determinação de me ferir pelo que havia dito.
- Por que não morreu antes de chegarmos aqui? – cuspiu, se aproximando o bastante da cela para poder me encarar de cima, uma vez que eu estava sentado encostado em uma parede. – Quem sabe assim poderia ter se redimido por tudo o que fez ao Jared, lançando essa maldição sobre ele e arruinado a sua vida!
Com uma velocidade um pouco menor por causa dos bambus, me levantei e enfiei a minha mão por entre as barras, segurando o colarinho da camisa de Stefan e trazendo-o até mim, soltando um rosnado bestial no ato.
- Parem! – interferiu Jared, se entrepondo entre mim e seu irmãozinho infantil. – Parem com isso agora! Temos coisas mais importantes para fazermos!
- Como o quê? – inquiriu Stefan, em um esgar sarcástico. – Liberar esse desgraçado? Acho que isso terá que fazer sozinho, irmão.
- Tudo bem. – respondeu Jared, com um quê de irritação. Posicionou-se na frente da primeira barra e puxou com tudo para a cima, inutilmente. Aquilo parecia ter sido pregado em um cubo de ferro de mil toneladas. Jared tentou de novo. E de novo. E de novo.
- Não vai obter nenhum resultado. – falei quando ele fazia o mesmo movimento pela sétima vez. – O bambu limita as nossas capacidades vampirescas. Você deve ter pressentido isso quando se aproximou das barras.
- Sim, eu pressenti. – disse Jared, cruzando os braços em teimosia. – Mas eu achei que fosse por causa da energia negra que paira sobre a casa.
- Que energia? – perguntou Stefan, saindo de sua amuação. Ele ficava tão bem calado. Por que não cortávamos a língua dele?
- Bem... Eu não sei como posso ver isso. – disse Jared me olhando apreensivo. – É algo bom ou ruim?
- Bom. – respondi, sem hesitar. – Significa que você está evoluindo. O dom de ver a força elementar dos outros e das coisas é básico entre os vampiros, geralmente adquirido depois de alguns dias de existência.
- Então você também consegue ver a energia dos outros
- Sim, perfeitamente.
- E você viu essa energia que está sobre a casa?
- Não, e provavelmente não verei enquanto estiver com essas barras de bambu perto de mim.
- Jared também está perto das barras. – contrapôs Stefan.
- Sim, mas eu estou fraco.
- Que novidade...
- Então quer dizer que é por causa desses míseros pedaços de madeira que estamos com os nossos poderes reduzidos? – perguntou Jared, interrompendo o que o irmão estava prestes a dizer.
- Infelizmente. – respondi, voltando a me encostar na parede. – O bambu foi descoberto a muito tempo contra os vampiros na china, o único povo que acreditava com tanta veemência em nós. Diz a lenda que a descoberta foi feita quando o imperador (...) foi atacado por um vampiro que havia invadido o seu palácio. Quando o monstro atacou, (...) instintivamente colocou o bambu à sua frente, que por algum milagre conseguiu penetrar o intestino do vampiro. A criatura caiu no chão e ficou dócil, até os guardas os acharem. Compreendendo o que havia acontecido, o imperador mandou cortar quase todos os bambus do país. A partir daí, todos os vampiros foram embora do país, deixando a nação livre da praga. Pelo menos foi isso o que Misha me contou.
- E onde ele está, por falar nisso? – indagou Jared atento, olhando para um lado e para o outro, como se Misha a qualquer momento pudesse pular pelo meio de um dos escombros e gritar "buu!".
- Não sei. Não o vi desde que acordei. – tentei não deixar as minhas sobrancelhas franzidas de dor ao lembrar o estupro de ontem. – Mas isso não quer dizer que ele não possa voltar a qualquer momento. Seria bom se vocês me libertassem.
- Mas como? – disse Jared, exasperado. Parecia uma criancinha que não conseguia resolver um problema simples, passando a mão por seus cabelos longos e olhando para todos os lados, o suor escorrendo por sua testa. Muito fofo. – Não posso arrancar essas barras e nem você, então quem...
Sua boca se transformou em um perfeito "o" ao encarar Stefan. Ele já havia descoberto há muito tempo a chave para me tirar daqui. E não estava disposto a ceder, percebi com amargura.
- Stefan, você é humano! – exclamou Jared jogando a mão para os céus como se tivesse tirado um peso enorme das costas.
- Obrigado por notar. – disse Stefan, uma grande sombra de sarcasmo em seus lábios. – Descobriu isso por ver que eu não uso dentões?
- Deixa de implicar! – disse Jared. – Você pode libertar o Jensen! O bambu não lhe afeta!
- E por que eu o libertaria? – perguntou Stefan, se virando de costas para nós. – Se não fosse por ele a nossa vida não seria assim, Jared. Você continuaria bem em sua escola, freqüentaria uma boa faculdade, se formaria, teria uma ótima vida...
- Não vamos pensar em coisas que nunca vão acontecer. – disse Jared, colocando o braço por cima de seu ombro. – O mais importante agora e sairmos todos daqui, Stefan. Inclusive Jensen. Não vamos jogar fora todo o esforço que tivemos para encontrá-lo. Por favor. Por favor.
E dito isso, Jared envolveu o outro braço pelo peito dele e deu um abraço por trás bem apertado. Apertado demais para o meu gosto. Nunca poderia explicar o surto de animosidade que surgiu em meu interior ao ver os dois juntos daquela forma. "Calma", tentei me controlar, "Eles só são irmãos"
Mas o modo como Stefan suspirou quando Jared colocou a cabeça na base de seu pescoço não me convenceu nenhum pouco. Minhas teorias estavam confirmadas.
Stefan estava gostando de Jared.
Era um pensamento tão sujo e no entanto ali estava, se concretizando, aos olhares que Stefan lançava ao MEU amado, enquanto ele, inocentemente, fazia carinhos em seu peito. Ele não sabia nada sobre isso, era óbvio. Mas eu não ia deixar Stefan fazer alguma coisa indecente com ele. Estava certo que o que eu queria fazer com ele também não era muito melhor, mas pelo menos eu tinha a decência de não ser do mesmo sangue.
- E aí, como vai ficar? – perguntei, quando vi os lábios de Stefan se inclinar intencionalmente para mais perto de Jared. – Não gostaria de ficar segurando vela aqui, sabe?
- Nada a ver. – disse Jared, se afastando e voltando para mim, enquanto Stefan soltava um suspiro baixinho de frustração ao ser obrigado a desistir do ato. Que se fosse por mim, nunca aconteceria. – E então, mano? Vai ajudar o Jensen?
- Fazer o quê? – disse Stefan se aproximando irritado, perto da primeira barra. – Mas esse já é o segundo favor que lhe faço, chupa-cabra. É melhor não se esquecer.
- Não me esquecerei. – retruquei, me levantando. "Assim como não me esquecerei do que você está sentindo pelo Jared", acrescentei mentalmente. – Que tal começar logo o serviço.
Stefan deu de ombros e tirou a camisa, mostrando uma surpreendente miríade de músculos e bíceps. Nada tão bonito quanto os peitões musculosos de Jared, mas bonitos à sua maneira. Amarrou na cintura e começou a arrancar o primeiro bambu. A madeira cedeu como se fosse papel à sua mão, sendo logo descartada para um dos fundos da sala. E assim, foi a segunda, a terceira e assim por diante. Quando a última vara se estilhaçou contra a parede, eu consegui me sentir forte de novo. Não tanto por causa do sangue perdido, mas mesmo assim, a força maciça se esticando por meus braços era maravilhosa. Eu sentia vontade de voar, quebrar todinho aquele maldito lugar com apenas um soco. Mas eu tinha que guardar as minhas forças. Ainda mais por poder ver a energia negra que pairava sobre a casa. Algo maldito e agourento, como se a presença do próprio diabo pudesse ser sentida.
Infelizmente, não pude examinar mais do que isso durante alguns segundos, a força do corpo de Jared me jogando contra o chão em um abraço era suficientemente dolorosa para me fazer soltar um gemido.
- Ai!
- Desculpe. – disse ele no meu rosto, deixando eu sentir como o seu hálito era quente. – Só que eu estou muito feliz de lhe ver depois de tudo o que passamos.
- Eu também. – murmurei, colocando um braço por trás de sua costa e trazendo-o mais para perto. – Como você está?
- Muito melhor agora. – falou, aninhando-se em mim. Era como se tivéssemos sido feito um para o outro sob medida. Meu braço se estreitava com facilidade pelo seu corpo, meu peito parecia sempre disposto a sustentar o peso de sua cabeça, e nossas pernas se fundiam de um modo tão... sexy. Eu teria sido capaz de gozar ali mesmo, se não fosse pelo imprestável do irmão dele.
- Não é melhor irmos? – disse o maldito, chegando mais perto com toda a intenção de acabar com o nosso clima. E é claro que Jared tinha que dar atenção para ele.
- Sim. – disse, constrangido pelo nosso ato. Se levantou com as orelhas muito vermelhas e perguntou. - Essa energia não vai interferir em nada durante a nossa saída?
- Provavelmente vai. – respondi, pondo-me de pé também e voltando a examinar a feia distorção molecular causada por aquela força negra. – Percebe como ela se delata e contrai? – perguntei, ao que Jared fez um sinal positivo. Stefan olhava com uma cara de pateta, não entendendo nada. Os olhos humanos são tão limitados... – Isso quer dizer que ela está sendo controlada para não cair imediatamente em cima de nós. Alguns vampiros conseguem comandar o tempo em que ela vai ser ativada. É como se esperasse condições para isso.
- E como nós vamos saber quais são as condições que temos que evitar para que isso não despenque em nós?
- Conhecendo Misha como eu conheço, ele deve ter colocado uma que não se pode evitar nem contornar. – disse. Era tudo bem simples, mas que nos levava para a armadilha. Bem do estilo dele. – E acho que já sei qual é.
- Então, diga logo para podermos encontrar um jeito de quebrá-la. – disse Jared, ansioso. Voltei a olhar para Stefan. Ele, outra vez, voltou a entender as entrelinhas. Virou a cabeça para trás e começou a assoviar.
- A energia só vai nos atacar se eu sair com você.
Houve um silêncio total no quarto. As sobrancelhas de Jared se enrugaram quando ele compreendeu o que eu havia dito. Stefan apenas me sondava com um olhar inexpressivo. De repente, Jared foi até o vão da porta e se virou para nós, com um sorriso.
- Vocês não vêm? – perguntou, saindo da sala. Stefan e eu nos entreolhamos antes de segui-lo.
- Jared, você entendeu que... – começou Stefan, mas Jared não deu nenhuma chance de ele terminar.
- Sim, entendi. Todo o arsenal do mal vai estar apontados para nós se ajudarmos Jensen. E daí? Não vou deixá-lo na mão só por um capricho de Misha, Stefan. Não vou. Ele é meu amigo, ele é...
Suas orelhas voltaram a ficar vermelhas e ele se virou para a frente, disposto a não falar mais nada. Stefan me olhou carrancudo ao tentar interpretar o que ele iria dizer, e eu, como o grande safado que sou, apenas dei um sorriso cínico, apesar do enorme choque que estava sentindo por dentro. Será que aquelas reticências que Jared havia soltado no ar queriam dizer que o que eu sentia por ele era recíproco? Talvez ele só fosse dizer algo muito meloso que poderia ofender Stefan e havia resolvido se calar. Ou talvez ele fosse declarar impensadamente que também sentia uma atração por mim, mas havia se controlado no último segundo. Eram tantas hipóteses... E eu queria pensar como em verdadeira todas que envolviam algum tipo de romance entre mim e ele.
- Jensen, você pode ajudar Stefan a descer? – perguntou Jared, tirando-me de meus devaneios. Eu olho dele para o seu irmão várias vezes antes de conseguir processar o pedido. Era algo tão impossível que eu quase não acreditei quando entendi.
- Está falando sério? – indaguei, me arrependendo de imediato da quantidade de sarcasmo que transpareceu por entre as minhas palavras. – Não pode sinceramente esperar que eu vá levar esse cocozão!
Stefan não gostou muito do substantivo que eu arranjei para ele.
- Cocozão é o seu pê...
- Tá bem, deixa que eu te levo, Stefan. – disse Jared, me lançando um olhar irritado. Eu sabia que ele estava apenas tentando me aproximar com a merdinha do mano dele, mas eu nunca iria fazer isso. Ainda mais quando ele pensava coisas tão pecaminosas sobre o meu amado. Incestuoso. – Venha.
Foi só aí que eu notei que havia algo errado em Jared. Um de seus braços estava meio que em um ângulo fora do normal. Ele estava tentando parecer o melhor possível, mas cada vez que ele se movimentava, algumas rugas de dor apareciam em seu rosto.
- Jared, o que aconteceu com o seu braço? – perguntei, estando em um átimo perto dele. Puxei o seu membro para ver e nesse momento ele deu um grunhido de dor. – Calma, deixa eu examinar isso.
- Não é nada demais. – disse, tentando resistir, mas eu segurei o seu braço bem firme. Não foi preciso mais do que um pequeno toque para eu saber que havia uma fratura pela parte do cotovelo.
- Foi Misha quem fez isso? – perguntei ao pé do seu ouvido, satisfeito apesar de tudo por saber que ele se arrepiava à minha aproximação. – Conte-me a verdade.
- Lá em casa eu te falo. – disse, se esquivando. – Vamos Stefan deixa eu te carregar.
- O que você tem? – perguntou Stefan, que não havia estado absorto durante o nosso pequeno diálogo. Como ele não reparou no machucado de Jared. Seria tão cego assim?
- Ah... nada. – mentiu Jared, estendendo o braço bom para ele. – Venha.
- Nada disso. – falei, segurando Stefan pela cintura e o carregando como se fosse uma criança de cinco anos. Eu não deixaria ele se aproveitar de Jared mais do que ele já deve ter feito. – Eu levo o cocozão aqui.
- Eu já disse que cocozão é o seu pê...
Mas Stefan não pode insultar o meu pau. Antes que ele terminasse a frase eu, o deixei cair, sem querer. Jared prendeu a respiração por um momento, mas eu tinha a pontaria boa. O idiota caiu em cima do sofá mofado que eu me lembrava de ter visto na sala durante aquela horrível noite. Um arquejo seu foi o suficiente para eu saber que não havia quebrado nada naquele saco de bosta.
- Por que fez isso? – Jared estava tentando fazer uma cara zangada, mas falhava ao demonstrar os olhos brilhando de diversão depois de ter visto que Stefan estava bem. – Sabia que poderia tê-lo deixado com um machucado grave?
- Nah, vaso ruim não quebra! – retruquei enquanto o carregava. – Pronto?
- Isso não estava incluso no pacote de proteção. – disse Jared, sorrindo, apesar de demonstrar alguns vincos na testa, um sinal que eu notei que sempre aparecia quando ele achava que eu estava sendo superprotetor. Que se dane. Eu era mesmo.
- Dia de liquidação. – murmurei em seu ouvido, enquanto saltava para o andar de baixo. – Hoje você pode pedir o que quiser.
- Que bom. Já tenho um pedido na ponta da língua. – disse Jared, e eu não sabia mais se estávamos brincando ou flertando um com o outro. – Posso pedir?
- Claro. – respondi, mas nesse instante Stefan aparece entre nós dois, me olhando bastante irado. – Mas depois. Senão seu irmão vai enlouquecer de ciúmes.
- Vampiro idiota! – disse Stefan, me dando um empurrão. – Sabia que eu podia ter morrido nessa queda se não tivesse atingido o sofá? Traumatismo craniano ou coisa pior? – e tentou me dar um soco, mas eu o interceptei e torci o seu braço para trás, deixando-o imobilizado.
- Não fique me sugerindo ideias. – murmurei, bem suave. – Pode ser que eu as aprove.
- Não comecem! – disse Jared, outra vez se interpondo entre nós e salvando o seu irmão de uma possível fratura de braços. – Temos que sair daqui agora! Depois vocês podem se matar à vontade!
- Outra ideia que não é muito ruim. – sussurrei, mas um olhar de Jared me fez sentir que já era hora de parar com as gozações. – Tudo bem, então. Todos atrás de mim.
- E o que você vai fazer? – perguntou Jared, agora preocupado. – Não vai se entregar, certo? Porque...
- Fica tranquilo. – respondi, indo até a soleira da porta. – Mas eu não vou ter como enfrentar o que estiver aí fora escondido, certo?
- Pensei que o plano era darmos um jeito de despistar isso e fugir, não? – indagou Stefan, com toda a petulância que alguém podia imaginar. – E além do mais, você está fraco e Jared não é lá essas coisas de combate... Desculpe, mas é a verdade, maninho.
- Não se preocupe. – respondi, deixando um sorriso zombeteiro aparecer em meus lábios. – Tenho alguns truques escondidos na manga.
J2
Eu gostaria muito de saber que tipo de truques Jensen estava ocultando. Não que eu não confiasse nele, mas seria bom ter uma certa preparação para o que estava por vir.
Eu estava tanto querer ficar a sós com ele. Não por esses motivos, mas porque eu tinha certeza que Misha devia ter feito alguma coisa a ele durante o tempo em que o manteve cativo. Sua fraqueza era um sinal disso, não devia ser só por não ter se alimentado. E apesar de ele não estar reparando, estava andando de um modo engraçado, com as pernas arqueadas para fora, como se houvesse algo lhe incomodando dentro das nádegas. Stefan reprimiu alguns risinhos à custo de alguns beliscões, mas o meu terror não pôde ser reprimido.
O que aquele monstro havia feito com o Jensen? Meu coração dava solavancos com cada hipótese que a minha imaginação cruel forçava-me a imaginar, uma mais cruel com a outra. Será que Misha havia espancado Jensen. Teria sugado o seu sangue contra a vontade dele? Ou pior, teria ele... mas eu não podia pensar nessa última alternativa. Só de isso querer se esgueirar em minha mente já sentia os meus músculos se contraírem com vontade de socar a cara daquele imprestável. Jensen era meu. Somente meu. Minha propriedade. E eu não deixaria nenhum vagabundo querer habitar nela.
Agora estávamos chegando no meio do jardim que dava para a descida da colina. Jensen observava atentamente cada lugar. Era como se ele tivesse libertado uma parte animal de si mesmo. Como um lobo, ou uma cobra. Um morcego, ressaltou o meu pensamento, seria bem mais apropriado e convincente.
Mas eu também podia sentir a estática, como se algo estivesse nos observando, esperando pacientemente pelo sinal para nos matar. Era como se o ar estivesse tentando oprimir meus pulmões, lançar minhas tripas fora ou congelar o meu sangue. Até Stefan, com os seus sentidos limitados, podia pressentir algo. Era visível no modo como olhava para todos os lados, e também pelos calafrios que percorriam a cada poucos segundos.
- Está quieto demais. – disse Jensen em um dado momento.
- Talvez não tenha nada aqui. – observou Stefan, a voz saindo em um silvo, mostrando todo o receio que tentava esconder.
- Errado como sempre. – sussurrou Jensen, voltando a focar em tudo ao seu redor. – Seja o que for, já está aqui.
Nem bem ele acabou de dizer isso, vi que tinha razão. Uma mão fria segurou o meu ombro. Jensen e Stefan não estavam tão pertos para serem o dono de gestos. E um instinto mais antigo do que o início da civilização me dizia que aquele não era Misha.
Minha mente parecia ser uma câmera lenta, ao me virar. Consegui absorver várias coisas ao mesmo tempo. O rosto de Jensen estava fixo em mim. Ele já havia visto o que estava me tocando e sua expressão era de total incredulidade. Stefan também, mas a sua demonstrava pavor. E por último eu encarei a criatura.
Era algo horrendo. Não sabia dizer muito bem o que era, mas cheirava a podridão e sangue coagulado. Contudo, eu podia ver traços humanos por baixo daquilo. Maxilar destruído, olhos sem cílios e meio comido por vermes. Apenas um pedaço de nariz. E ruídos.
A minha mente não demorou para compreender o que estava a minha frente. Um zumbi. Tentei encontrar forças em mim para gritar, mas era como se algo estivesse em minha garganta, não permitindo a saída de qualquer som. A coisa se aproximou mais um pouco de mim, lentamente, como se suas pernas não tivessem forças para andar de um modo normal. E eu estava paralisado pelo terror. Eu, um vampiro imortal, parecia extremamente bondoso se comparado com aquela criatura. Ela soltou um grunhido animalesco e avançou, os dentes mirando alguma parte da minha pele...
Mas então ele voou, atingindo uma árvore a dez metros e caindo, todo desconjuntado. Jensen estava na minha frente, os braços erguidos protetoramente, a sua energia, que pela primeira vez notei ser roxa, estava pulsando de determinação, se tornando cada vez mais brilhante. Ele era mortal. Eu podia acreditar nisso agora que via.
- Jared. – chamou ele, a voz baixa e tranquila, mas eu podia sentir a fúria onisciente.
- Sim?
- Saia do mundo da lua. Vou precisar de vocês dois bastante alertas para sairmos desse lugar.
- Ah... ok. – falei, embora esse pedido tivesse me deixado um pouco amuado, eu não vivia sempre no mundo da lua. Só quando eu via Jensen, com seus lábios gordinhos de uma forma tão fofa. Seus músculos sexy, e quando aquela voz rouca dizia algo no meu ouvido...
Outra mão me tocou mas dessa vez eu já estava preparado, com um giro, dei um chute em sua cabeça, que se desprendeu do pescoço. Entretanto, a criatura continuou andando, apesar de desorientada pela falta de visão. Rápido como uma flecha, dei uma rasteira nele ao mesmo tempo em que tirava as suas pernas no ar com a minha força. A coisa se debateu por vários segundos, antes de permanecer imóvel.
- Jared!
Virei-me para Stefan, o dono da voz, e quando percebi, ele estava cercado por mais três zumbis, eles tentavam segurá-lo, mas meu irmão se sacudia e desferia socos, mantendo-os afastados, sem, no entanto, parecer muito eficiente. As criaturas o estavam vencendo a cada centímetro. Logo estariam com a sua pele entre os dentes.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa um borrão passou veloz até ele e arremessou um dos zumbis para o céu enquanto arrancava os braços de um e arrancava o coração do outro.
- Jared, venha! – gritou enquanto afastava os zumbis que chegavam com golpes, eu me uni à ele e fiz frente, junto com todos os seus socos, mas eu pude ver que Jensen estava ficando mais lento. Toda aquela explosão de poder estava cobrando muita energia e ele estava fraco. E a cada zumbi que ele destruía, dez chegavam.
De repente, Jensen balançou para trás e caiu. Meu coração deu um baque surdo, e com mais coragem do que pensei ser possível, joguei um zumbi que se aproximava para longe e aterrissava perto dele. Ele estava semiconsciente, acordado, mas quase incapaz de se mexer, tamanha era a sua fraqueza.
- Stefan, ajude!
- Mas o que eu posso fazer? – perguntou meu irmão, meio histérico, meio aterrorizado, contudo, de alguma forma, conseguiu chegar até mim.
- Mantenha-o seguro! – disse, empurrando-o para os braços dele. Meu irmão não pareci querer tocá-lo, mas ao meu olhar, levou-o até o pinheiro mais próximo e ficou lá, enquanto eu me virava para enfrentar os nossos inimigos.
Eram tantos! Só na primeira coluna que avançava eu podia contar vinte e dois. Mas eu sabia que havia uma horda muito maior por trás. Eles parecia avançar mais rápidos. Como se soubessem que estávamos vencidos. Cinquenta metros... eu gostaria que Stefan tirasse Jensen dali e se salvassem enquanto havia tempo, mais sabia que ele não faria tal coisa, comigo em perigo. Quarenta metros... Gostaria de ter me despedido de meus pais. Eu fiz eles passarem por maus bocados e não era nem um pouco justo o quanto eles iriam chorar com o nosso desaparecimento. Trinta metros... Jensen, espero que saiba que eu te amo. Por mais que eu não tenha demonstrado de uma forma mais insinuativa, acho que você sempre soube disso, embora tenha disfarçado a respeito. Vinte metros...Queria ter sabido como era o gosto de seus lábios. Puxá-los entre meus dentes e ouvi-lo arfar de prazer. Dez metros... Com certeza seria a música mais linda do mundo. Adeus, meu amor. Adeus, Stefan. Adeus, pai. E adeus a todo o resto...
Uma chama roxa explodiu do nada entre mim e os zumbis no último instante. Os zumbis pararam, temerários, como se tivessem medo que acontecesse algo caso passassem perto do fogo. Eu não estava entendendo nada. Seria mais um inimigo ou um aliado?
- Jared, venha!
Eu olhei para trás. Jensen estava de novo em pé, com as mãos para a frente. Pequenos pontos de luz apareciam nos seus dedos, enquanto ele se esforçava para consolidar a bola de chamas. Era ele o dono do poder. Mas como? Há um minuto atrás, o objeto de minha obsessão nem podia se pôr em pé, quanto mais conseguir lançar uma chama que parecia tão forte.
Mas eu não tinha tempo para questionar nada. Eu estava grato por não precisar mais encarar aquelas monstruosidades. Em um curto espaço de dois milésimos de segundo estava junto a eles. Esquecido de sua rivalidade, Jensen carregou meu irmão nas costas e começou a correr a toda a velocidade para fora da propriedade e eu o segui. Não fomos buscar o carro de Stefan. Jensen preferiu correr por floresta adentro, onde não tinha que fingir ser normal para os outros humanos. Não dissemos nada durante a corrida, apenas avançamos, até a mansão de Jensen estar a vista, entramos pela sala sem parar. Jensen joga ele de qualquer jeito no sofá e vai correndo para a cozinha.
- O que aconteceu? – perguntei a Stefan me sentando ao lado dele. – Como Jensen conseguiu reunir todo aquele poder? Ele estava tão fraco...
- Bem... – Stefan parecia se sentir desconfortável. Hesitante, puxou uma das mangas de sua camisa, expondo o seu pulso. Lá, estava duas pequenas feridas de mordidas com o sangue coagulado. – Naquela série que eu estava vendo, The vampire diaries, toda vez que aquele vampiro ficava fraco e sem forças, a protagonista dava seu próprio sangue para ele... então eu apenas tive uma ideia semelhante. E como é que ele me agradece... me jogando pela segunda vez em um sofá...
Eu o sufoquei com o súbito abraço que o dei, de tão contente que estava. Meu irmão, como eu me orgulhava dele. Apesar de tudo, ele sempre fazia o certo. Eu devia muito para ele, e um dia retribuiria, esperava que em breve.
- Valeu, mano!
- Tudo bem, maninho! – disse ele, dando uns tapinhas na minha costa. – Agora que tal parar a sua tentativa de me esmagar?
- Sem graça. – respondi, apesar de não poder conter o sorriso.
Jensen voltou ao cômodo alguns momentos depois. Seus lábios estavam vermelhos do sangue que ainda havia na geladeira. Eu devia saber que voltar a provar sangue fresco seria uma tentação muito grande, mas fiquei feliz por saber o quanto ele resistiu a sugar toda a vida de meu irmão. Ele pareceu meio constrangido de ficar ali, meio incerto do que fazer, mas por fim, suspirou e se sentou no braço do sofá.
- Stefan... – meu irmão se virou para encará-lo, curioso. – Obrigado por ter feito aquilo naquela hora. Sei que não era a sua intenção me ajudar, e sim Jared, quando deu um pouco do seu sangue para mim beber, mas mesmo assim sou grato. Outra vez, muito obrigado.
- Não por isso. – respondeu Stefan, voltando o olhar para qualquer ponto. – Não significa nenhum pouco que eu vou parar de odiar você.
- Stefan! – disse, ficando um pouco irritado por depois de tudo aquilo, ainda haver uma rixa entre os dois, mas Jensen não pareceu se ofender.
- O mesmo serve para você – disse, com a mesma frieza habitual. Em seguida se virou para mim. – Está com fome?
- Um pouco... – na verdade, muita. Tudo aquilo havia me deixado muito cansado. Mas havia coisas mais importantes para resolver. – E os zumbis? Eles não vão nos seguir, certo? – senti um arrepio involuntário percorrer a minha coluna ao imaginar aqueles seres entrando pela sala de estar.
- Quanto a isso, pode ficar tranquilo. – respondeu meu Jensen. – A energia principal dos zumbis vem daquela que Misha colocou em cima da casa. Não podem se afastar dela, e acho pouco improvável que Misha volte a usá-los. Ele com certeza vai acabar com eles quando chegar.
- Quem é esse Misha? – indagou Stefan. – Vocês falam toda a hora sobre ele, mas acho que estou boiando.
- Uma longa história. – Jensen não parecia olhá-lo, enquanto se virava para ele. De repente, percebi que ele estava envergonhado. Envergonhado por ter que depender de Stefan para ajudá-lo. Aff... Eu amava meu vampirão, mas às vezes ele era tão careta... – Resumindo tudo, conheci Misha há alguns séculos atrás. – ele não quis dizer que Misha era seu criador. – E por algumas coisas que aconteceu, ele tem ódio de mim e está resolvido a se vingar.
- E você colocou o Jared no meio da tempestade. – disse Stefan, de um modo que dizia com todas as letras VOCÊ É CULPADO.
- Stefan, chega.
- Tudo bem Jared, mas só vou fazer isso porque estou muito cansado. – deu um bocejo bem longo e se levantou. – Acho que vou para casa. Vejo você amanhã?
- Não precisa ir. – falei, me levantando junto. – Temos um quarto de hóspedes aqui. Tenho certeza de que Jensen não tem nenhum problema quanto a isso, não é, Jen?
Jensen não falou nada, de repente achando uma das almofadas muito interessante. Era inacreditável. Eu não sabia que ele era tão mal educado.
- Não maninho, tudo bem. – disse Stefan, já indo para a porta. – Não quero dividir o teto com alguém que pode me matar. Boa noite.
- Ok então. – respondi, acompanhando-lhe até a saída. – Se cuida, hein?
- Claro. Ah, pode pedir para o seu cachorrinho ir buscar o meu carro amanhã?
- Tudo bem... Ei! – disse, me dando conta da piada. – Ele não é meu cachorrinho.
- Discordo plenamente disso! – gritou, por já estar chegando perto do portão. – Tchau!
- Até amanhã!
Fiquei observando durante algum tempo até ele desaparecer pelos grandes pinheiros. Coitado. Gostaria de saber como ele vai lidar com o dia de amanhã, trabalhando com o papai, tentando passar o dia normal, mas sabendo que ontem enfrentou zumbis, em um mundo que não devia existir de acordo com a normalidade.
- Sabe, talvez ele não esteja tão errado sobre a parte do cachorrinho. – disse Jensen atrás de mim. Eu nem o havia notado, tal era os meus pensamentos. Talvez eu andasse mesmo pelo mundo da lua com muita frequência. – Se bem que no meu caso, talvez um termo de maior porte seja mais válido.
- Um pastor alemão. Ou um husky siberiano. – sinto minha respiração tentando ficar entrecortada quando suas mãos me abraçam por trás, trazendo o meu corpo para perto dele. Aquilo é apenas fraternal, disse a mim mesmo, Jensen apenas gosta de toque. Não seria de bom tom me virar e chupar os lábios dele até ficar roxo. – Mais eu prefiro um lobo selvagem.
- Auuuu! - fez Jensen, jogando a cabeça para trás. – E que tal você ir para o andar de cima comigo adorar a lua?
Eu gostaria de fazer outras coisas um pouco mais calientes. Mas também seria bom ter um pouco de descontração depois de tudo pelo qual passamos ontem.
- Com direito a algumas taças de sangue?
- Claro. Mas você está querendo mesmo aquele horrível sangue de geladeira? Não preferiria algo mais fresco? – a forma com a qual ele mostrou o seu próprio pescoço foi totalmente indecente, mas eu não pude dizer que não gostei de ter uma ereção com aquilo.
- Vamos. – disse. E segurando a sua mão, o levei para o nosso quarto, a fim de encerrar a nossa noite com chave de ouro. Por enquanto, não havia nada a temer.
Bem, sei que nem posso ter a cara de pau de me desculpar, mas mesmo assim vou dizer o que aconteceu. Na verdade, era para esse capítulo ter saído a meses, mas o meu irmão LESADO (e a culpa é toda sua, nem venha dizer que não), deletou ele sem querer ao ir mexer em uma porcaria de planilha do trabalho dele. Aí eu fiquei amuado e me recusei a escrever, mas acontece que eu estava morrendo de saudade de vocês. Então, aqui está o capítulo, totalmente refeito. O próximo capítulo vai sair semana que vem, provavelmente no fim de semana. Até mais! Reviews?
