Até os mais fortes, às vezes caem – Capitulo 10.
Autora: Karla Malfoy
Beta 1: Ada Kaline
Beta 2 e Consultora Holmes de Qualidade: SHOLMES
Par/Personagem: Sherlock Holmes&John Watson
Classificação:M 13+
Resumo: John é forçado a ver algo que está debaixo de seu nariz e que não queria ver. Às vezes as pessoas que estão do nosso lado são aquelas que são destinadas a ser nossa fortaleza. E quando essa fortaleza cai nos vemos perdidos. Será John capaz de aceitar o inevitável? Será ele capaz de fazer com que sua fortaleza volte a ser forte e indestrutível, sem que isso o destrua por dentro, mesmo que isso signifique abandonar o que lhe é mais precioso?
Disclaimer: Sherlock Holmes, suas histórias e seus personagensforam criados por Sir Arthur Conan Doyle, a serie televisionada foi criada por Steven Moffate e Mark Gatiss e são de propriedade da BBC. E eu sou só uma fã ardorosa de seus personagens, quer dizer de alguns, pois têm outros que dá vontade de matar... (cara de brava) e só para lembrar... Eu não quero e nem pretendo ganhar dinheiro com eles. Seria felicidade demais para uma pessoa só, deixo isso com o povo da BBC...
Avisos: Está fic é de conteudo Slash, ou seja, relacionamento entre homens. Se não gosta, por favor não leia. A fic está ficando meio apimentada.. xD~~
Aviso 2: Nesse capitulo teremos um pouco do ponto de vista do Lestrade.
Então Enjoy!
Tempo de Cuidar
John fechou os olhos com força, ele só queria que aquilo acabasse... Ele só queria que...
Foi quando o loiro sentiu alguém lhe segurar pelos ombros e depois sentiu mãos quentes em seu rosto. John sentiu o mundo voltar ao normal quando sentiu lábios quentes pressionando os seus.
Quando abriu os olhos viu que Sherlock o estava beijando.
Lestrade voltava para a recepção do hotel, seus homens conseguiram alcançar o rapaz que tinha feito a entrega da encomenda a John. O conteúdo do pacote devia ser algo terrível, pois o loiro havia ficado muito pálido. E conhecendo Sherlock como conhecia, assim que o detetive deu a ordem, ou melhor, berrou a ordem, ele mandou seus homens correrem atrás do entregador sem ao menos pestanejar.
Lestrade era Inspetor da Scotland Yard já algum tempo, ele tinha visto de tudo um pouco, logo, se considerava um policial com nervos fortes, mas sua experiência não lhe tinha preparado para a cena que viu quando chegou à recepção do hotel. Sherlock estava de costas para porta, a recepção estava em um silêncio sepulcral, e até mesmo seus homens mais falantes estavam calados, direcionando o olhar para o detetive consultor.
Anderson estava com a boca aberta e uma expressão de puro horror em seu rosto. O inspetor se aproximou e parou ao ver que Sherlock estava muito próximo a alguém. Seus longos dedos pousavam no rosto de uma pessoa loira e de menor estatura que a dele.
Quando se aproximou mais pôde ver algo que estarreceu seus sentidos: Sherlock beijava alguém, e esse alguém era ninguém menos que o doutor John Watson, seu único amigo.
John sentia os lábios quentes de Sherlock sobre os seus, quentes, úmidos. Tão doces quanto imaginou que fossem, mas algo no fundo, bem no fundo de sua mente lhe dizia que aquilo não estava acontecendo, isso não podia estar acontecendo, ou que tinha outra explicação para aquilo.
Os lábios de Sherlock estavam sobre os seus e ainda sim não acreditava no que estava acontecendo. Segundos depois ele sentiu o moreno se afastar e passar a olhá-lo. O loiro só conseguia observá-lo com os olhos em puro espanto.
- "Sugiro que feche a boca John!" – A expressão de Sherlock era neutra.
John piscou os olhos e fechou a boca. Olhou em volta tomando conhecimento de que tinham uma platéia.
Sherlock lhe beijou sem se importar com quem estava por perto.
As pessoas estavam com expressões que se divergiam. Havia espanto, alguns cochichos e os outros faziam sons como: "Ounnn" ou algo como suspiros. John se recusou a olhar na direção em que estava Anderson e Donovan.
O loiro já havia fantasiado como seria seu primeiro beijo com Sherlock. Sua imaginação era muito fértil, ora prevendo um beijo casto, outrora um intenso e apaixonado, com Sherlock o prensando contra a parede, seus corpos bem próximos, beijos sendo alternados em vários lugares, tendo a si próprio como o tomador da iniciativa, ou em seus dias de bom humor com Sherlock tomado à iniciativa. Mas em nenhuma de suas fantasias havia se imaginado em uma situação daquelas. Não havia tido a chance de aproveitar o beijo.
Ele só acreditava que seu amigo o tinha beijado, pois várias pessoas ao redor mantinham em seus rostos uma expressão de puro espanto. Logo, o beijo não poderia ter sido fruto de sua imaginação.
- "Consegue me escutar agora, John?" – Sherlock se aproximou e passou a mão por sua blusa, arrumando uma prega inexistente. John não confiando em sua voz, apenas balançou a cabeça em concordância. – "Bom. Tragam-me a caixa." - Disse para ninguém em específico.
John pode ver Donovan se aproximar de Anderson e perguntar
- " Você sabe explicar o que foi isso?" – Donovan olhava para Sherlock
- " Não sei, mas foi uma pouca vergonha total, eles acham que estão aonde? E o doutor todo cheio de não me toques quando a gente falava que ele era namorado da aberração." – Anderson riu com desdém. John sentiu que ficava mais vermelho, não tinha como piorar.
John sentiu que Lestrade o olhava. O inspetor lhe deu um pequeno sorriso, ele retribuiu o sorriso sem graça. Vendo que ninguém se mexia, o loiro viu o inspetor cutucar um de seus agentes, fazendo o homem saltar de susto.
- "Traga!" – Lestrade suspirou.
- "Agora se acalme, John." – Sherlock tinha o tom de voz neutro, assim como seu semblante.
O agente trouxe a caixa e colocou-a em cima da mesa, então se afastou, não querendo ficar na linha de fogo do detetive.
Sherlock se aproximou e se virou na direção de Lestrade.
- "Preciso de luvas!" – Voltou-se para a caixa e ficou olhando como quem vê algo que não está ali.
Um dos homens de Lestrade entregou um par de luvas para o moreno. Assim que as colocou, abriu a caixa e pegou seu conteúdo. O olhou por alguns segundos e com cuidado removeu a adaga. Ele moveu a mão em direção ao loiro que tremeu ao ver o coração em sua direção, na mão de Sherlock.
- "John, se você prestar atenção, poderá ver que esse coração não é humano. Veja!"
Com o final do susto, John conseguiu se aproximar do coração. Ele forçou o olhar em direção ao pedaço que outrora pertencera a alguém, e que agora permanecia nas mãos de Sherlock, mas não conseguiu ver nada além de um coração humano. John sentia a bílis subir-lhe a garganta.
- "Não consigo ver a diferença, Sherlock." – O doutor se afastou, sentindo que seu corpo tremia.
- "Observe John! Esse coração é de um suíno. Veja a veia hemiázigos, ela drena para o seio coronário!" – Sherlock apontou com o dedo. John tentou engolir o pânico que sentia e olhou para onde seu amigo apontava. Ele arregalou os olhos, seu amigo tinha razão.
- "Oh meu Deus! É verdade!"
- "Claro que é!"- Sherlock revirou os olhos, pegou o coração e colocou de volta na caixa. Sua atenção agora recaia sobre o bilhete com o nome "Sara".
- "Quem iria fazer uma brincadeira de mau gosto como essa?" – John perguntou indignado, sentindo a raiva ser substituída por choque. Sherlock o olhou.
- "Não é brincadeira, John. Contudo é de mau gosto sim, o pobre suíno deve ter sofrido, o coração foi retirado enquanto ele estava vivo."
- "Pobre do porco?" – John perguntou revoltado. – "Eles estão ameaçando a minha amiga e você está preocupado com a porcaria do porco?" – Sherlock deu de ombros. –
"Oh, Deus! Preciso ligar para Sara!" – John tirou o celular do bolso e discou o número da médica, ele ouviu o telefone chamar até cair na caixa postal. – "Mas que inferno!" – O médico xingou.
Ele resolveu discar o telefone da clínica, pois sabia que naquele horário, Sara já estaria trabalhando.
- "Messina Clínica, bom dia." – Uma moça com a voz sonolenta atendeu.
- "Daniely, aqui é o doutor Watson, onde está à doutora Sawyer?" – A ligação ficou muda por alguns segundos.
- "Doutor Watson?" – A atendente perguntou inserta.
- "Sim, onde está Sara?" – O loiro estava ficando impaciente.
- "Ela ligou dizendo que ia atrasar, por quê?"
- "Eu preciso falar com ela com urgência, ela não atende o celular. Assim que ela chegar peça a ela para me ligar e para não sair da clínica. Entendeu?" – John tinha alterado o tom de voz e não tinha percebido.
- "Entendi, tu..do... bem..." – A menina respondeu gaguejando.
- "Vou mandar alguns policiais para a casa dela, me passe o endereço e os demais endereços dos lugares que ela costuma ir, John." – Lestrade pegou um bloco e caneta e entregou ao loiro.
Ele anotou todos os endereços que lembrou. Vez ou outra John olhava para Sherlock, e o moreno andava de um lado para o outro conversando baixo como quem conversa consigo mesmo. Apesar da distância em que estava o loiro podia perceber um brilho de excitação em seus olhos azuis.
Quando o doutor estava quase terminando de anotar os endereços, o detetive que estava andando parou abruptamente e olhou para Lestrade como quem se lembra de alguma coisa muito importante.
- "Lestrade!" – Sherlock foi em direção ao inspetor.
- "Sim, Sherlock?" – Lestrade percebeu pelo tom de voz do moreno que era algo importante e urgente. O inspetor tentou lembrar se tinha se esquecido de fazer algo que o detetive tinha lhe pedido.
- "O homem!"
- "Que homem Sherlock?" – Lestrade perguntou confuso.
- "O homem que estava espreitando a cena do crime ontem. Onde ele está?"
- "No hospital, por quê?" – Lestrade não entendia onde Sherlock queria chegar.
- "Algum dos seus agentes está com ele?" – Sherlock estava agitado.
- "A última notícia que eu tive era de que ele estava em cirurgia. Por quê?"
- "Precisamos ser rápidos, caso contrário, ele vai ser a próxima vítima."
O inspetor fitou Sherlock tentando assimilar o que ele havia dito e suas implicações.
- " Lestrade, temos que ir, tenho receios de que se demorarmos muito ele poderá ser morto como o assassino da irmã de John.
Várias pessoas na recepção, incluindo John, deixaram escapar um "Oh!".
Lestrade ouviu Sherlock e se o moreno havia dito que tinha "receios" era 99,999999% de chance de que ele estava certo. O inspetor gritou para seus agentes se moverem e irem em direção ao hospital.
Sherlock e John foram em um carro separado. Lestrade bem sabia que se os três: o detetive, a sargento e o legista ficassem no mesmo lugar depois daquela cena do beijo, coisa boa não ia acontecer. O mais lógico que lhe pareceu, foi reservar um carro e um motorista para os dois.
John estava olhando pela janela do automóvel enquanto eles estavam indo em direção ao hospital. Sherlock digitava algo incessantemente em seu telefone, parecia algo importante a julgar pela expressão de concentração em seu rosto.
- "Posso lhe fazer uma pergunta, Sherlock?" – John perguntou meio sem graça, e sem levantar os olhos do teclado do telefone o moreno respondeu:
- "Você já fez."
- "Como?" – John perguntou confuso.
- "Você disse que queria me fazer uma pergunta e ao fazê-la você já fez a pergunta, se você quer me perguntar algo, faça. Se você quer minha permissão para fazê-lo então diga: Quero fazer duas perguntas." – O moreno olhou para John e sorriu ao ver a expressão de raiva do loiro.
- "Oh Deus, não sei por que me dou ao trabalho." – John cruzou os braços sobre o peito.
Se Sherlock o estive analisando ele teria dito que cruzar os braços sobre o peito era uma dica de que a pessoa estava na defensiva. A pergunta que ele queria fazer ao seu amigo poderia ser simples, mas não para ele, John Watson. O loiro criou coragem e limpou a garganta antes de perguntar.
- "Por que me ... beijou lá... na recepção do... hotel?" – Sua voz falhou e ele se detestou por isso.
- "Não é óbvio?" – Sherlock parou de digitar no seu telefone e focou sua atenção no loiro ao seu lado.
- "Não para mim." – John foi sincero, ele sentia como se tivessem várias borboletas em seu estômago. - "Ótimo!" - pensou. – "Agora estou reduzido a uma adolescente, de novo."
- "Você estava entrando em estado de choque, eu tentei lhe dizer que o coração não era humano, mas você não escutou." – Sherlock parou sua explicação e voltou ao seu celular.
- "E...?" – John insistiu, seu amigo o olhou novamente.
- "E o quê, John?" – Sherlock perguntou.
- "Eu não entendi o seu ponto." – John estava tentando não criar expectativa. Sherlock soltou um suspiro.
- "Você estava entrando em choque e eu não tinha um cobertor." – O loiro piscou instintivamente os olhos, sem entender.
- "O que um maldito cobertor tem a ver com isso tudo?" – John perguntou exasperado.
- "Não é o que as pessoas usam quando estão em estado de choque? Como eu não tinha um, eu fiz a coisa mais lógica."
John tinha a boca aberta e não conseguia dizer nada. Ele bateu a testa no vidro da janela do carro e em sua cabeça, xingou Sherlock de todos os palavrões que conhecia.
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Depois de alguns minutos, eles chegaram ao hospital. Como Sherlock havia previsto, havia algo de muito errado acontecendo. Quando ambos desceram do carro, John viu vários agentes da Scotland Yard contornando o hospital, todos fortemente armados. Havia também várias pessoas saindo do hospital correndo e gritando.
- "Chegamos tarde." – Sherlock declarou de forma sombria.
John o olhou. Ambos entraram e foram recepcionados por Lestrade, que tinha uma expressão soturna em seu rosto. O inspetor parecia cansado.
- "Mais uma vez você tinha razão, Sherlock. Ele está morto. Um tiro na cabeça, da mesma forma que o assassino da irmã do John."
- "Leve-me ao local." – Sherlock seguiu Lestrade pelos corredores do hospital. John os acompanhou sem dizer uma palavra.
Tudo estava acontecendo muito rápido. O que parecia ser mais um caso, estava se tornando um quebra-cabeça de proporções épicas. A pessoa que estava fazendo isso tinha um humor muito deturpado, quase negro, e que não media esforços para causar dor em quer que fosse. Ela parecia se divertir, aparentemente não tendo uma linha de raciocínio lógico. Bem, algum assassino tem? Também, não parecia seguir nenhum padrão de personalidade traçado pela polícia.
Era alguém que em um belo dia resolveu começar a explodir as pessoas e, quando viu que alguém lá fora atrapalhava seus planos - uma pessoa tão ou mais inteligente que ela - resolveu brincar de cão e gato, matando inocentes.
John deixou seu amigo e Lestrade entrarem no quarto do homem que haviam prendido e pegou seu celular, para tentar novamente falar com Sara. Já na primeira chamada à ligação caiu direto na secretária eletrônica. John ligou para clinica e Daniely atendeu novamente.
- "Daniely, aqui é o doutor Watson, a doutora Sawyer apareceu?" – John fechou os olhos rezando para que Sara estivesse sã e salva.
- "Bom dia doutor Watson, a doutora Sawyer ligou de novo dizendo que não iria mais vir trabalhar hoje, pois estava se sentindo indisposta." – John engoliu em seco.
- "Ah sim... Obrigada, Daniely." – John sentia uma mão apertando seu coração. Sabia que tinha algo errado. Algo de muito errado estava acontecendo e disso ele tinha certeza.
- "John!" – A voz de seu amigo o tirou de seus devaneios.
- "Sim, Sherlock." - John entrou no quarto do hospital, e a cena que pode ver foi a mesma que presenciou na central da Scotland Yard.
O homem estava deitado na cama, vários pedaços de massa cefálica estavam espalhados pelo chão do quarto. Sangue manchava os lençóis, o crânio completamente destruído, se eles não soubessem quem estava naquele quarto, seria difícil reconhecer a vítima.
John olhou para a janela e viu um pequeno orifício, que deveria ter sido o caminho que a bala percorreu, antes de chegar ao seu alvo.
- "É o mesmo modus operandi do atirador de Londres." – Sherlock comentou olhando o buraco na janela. – "Preciso ver o ângulo certo do tiro." – O detetive não esperou por comentários ou confirmações. Saiu do quarto e desceu as escadas do hospital com John em seu encalço.
Quando eles chegaram do lado de fora, o loiro viu que seu amigo olhava em todas as direções, e depois de alguns segundos, fixou o olhar ao lado esquerdo do hospital, aonde havia um prédio abandonado.
Sherlock começava a seguir em direção ao seu alvo quando John o segurou pelo braço.
- "Onde pensa que está indo?" – O médico fitava-o.
- "Vou entrar no prédio para ver se encontro vestígios do atirador." – Sherlock começou a andar, mas novamente foi impedido.
- "Sherlock, e se o atirador ainda estiver lá? Você pode levar um tiro!" – John tentou não deixar toda a sua preocupação e frustração transparecer em sua voz, mas conhecendo aquele homem do jeito que conhecia, sabia que o amigo havia percebido.
- "É por isso que você está armado." – Sherlock sorriu para John. O loiro suspirou e soltou o braço do detetive.
– "Certo, mas vou à frente!" – E assim entraram no prédio.
John andava a frente e sentia Sherlock andar a suas costas. Ele entrou no modo que chamava de "soldado". Todos os seus sentidos ligados, observando cada movimento do local. O loiro podia escutar a respiração de Sherlock a suas costas, os sons dos carros na rua e até mesmo o estalar do piso sob os seus pés. O prédio estava com pouca iluminação, com chão coberto de poeira. Parecia que aquele local não recebia visitas há muito tempo.
John pôde ouvir o detetive consultor parando a suas costas. O moreno deu um muxoxo e resmungou algo que não se pode entender.
- "Sherlock, o que houve?" – O moreno já tinha dado meia volta e estava saindo do prédio. – "Sherlock pelo amor de Deus, você pode me falar o que está acontecendo?" – John guardou a arma na sua cintura.
- "Não pode ver, John?" – Sherlock respondeu sem ao menos olhar para trás. O loiro precisou correr para alcançar o amigo, já que suas pernas não eram tão longas quanto às dele.
- "Sherlock, normalmente eu consigo acompanhar apenas alguns de seus raciocínios, e agora, é um belo exemplo de que não sei do que você está falando."
Ao sair do prédio, John parou por um momento para esperar um carro que vinha passando, mas seu amigo que estava envolto em seus pensamentos e observava um caminhão de lixo passando na frente do hospital mais a frente, não parou, e atravessou a rua sem olhar para os lados. O médico hesitou por um segundo, congelado pelo choque de prever a possibilidade do seu amigo ser atropelado. Foi então que seus instintos de sobrevivência transpareceram e ele se jogou na frente do caminhão, empurrando Sherlock ao chão. Por pouco não foram atropelados.
O caminhão passou, com seu motorista exasperado, gritando palavras não muito agradáveis.
John respirava com dificuldade, ele sentia o corpo de Sherlock debaixo do seu, tremendo e com a respiração ofegante. O loiro sentia que tinha esfolado os joelhos e as mãos ao cair no asfalto. Levantou o tronco e olhou para o moreno. Seu amigo mantinha os olhos fechados e os lábios ligeiramente abertos.
- "John, você está me sufocando com o seu peso." – Sherlock disse e sua voz era rouca. O médico percebeu que seu joelho estava na virilha do detetive.
- "Oh, me desculpe." - John rolou para o lado, continuando deitado no asfalto. Ele levantou as mãos na altura dos olhos e viu que ambas estavam sangrando.
Seu amigo já estava de pé, aparentemente sem nenhum arranhão. O cretino tinha sorte até nisso. Sherlock tirou a poeira do casaco e depois olhou para John que continuava deitado no chão.
- "Vai continuar deitado ai? Temos coisas a fazer!" - Sherlock tinha um tom entediado.
John se apoiou nos cotovelos e ficou olhando para o amigo.
- "Sua mãe não lhe ensinou que se deve olhar para os lados ao atravessar a rua?" – John tentava se levantar sem colocar as mãos no chão, mas estava tendo um pouco de dificuldade.
- "Olhar para os lados da rua é chato!" – Sherlock disse como se sua declaração revelasse todos os segredos do universo.
John parou de se mexer e fitou o moreno, incrédulo. Ele só podia estar brincando, não podia estar falando sério.
- "Chato, Sherlock? Chato?"
- "Você sabe que não gosto de ser repetitivo, John. E levante-se, estamos perdendo tempo!" – O detetive consultor já estava se mexendo quando ouviu a voz de John, e pelo tom de voz do mesmo, pode perceber que o loiro estava com muita raiva.
- "Sherlock, você poderia ter morrido!" – John tinha se levantado apoiando as mãos machucadas no chão sem se importar com a dor que sentiu ao fazer isso. – "Se eu não estivesse aqui, você... você... Você poderia estar morto, MORTO Sherlock!" – O loiro praticamente havia cuspido as palavras em um único fôlego.
John fechou os olhos e respirou longamente. Ele podia sentir o cheiro do amigo que agora estava impregnado em sua roupa, ele abriu os olhos e viu que Sherlock olhava-o.
- "Sherlock, você tem que ter cuidado. Eu não vou estar aqui para sempre." – John percebeu que sua voz tinha soado um pouco triste. – "Eu eventualmente vou morrer de uma forma ou outra, e acho que não vou conseguir ficar em paz sabendo que você está por ai sendo descuidado."
O loiro viu algo passar por aqueles olhos azuis, mas não conseguiu identificar o que era. Sherlock voltou seus olhos para o hospital.
- " Vamos, tenho que avisar para Lestrade que nosso atirador está dentro do hospital!" – Sherlock começou a andar.
- "Dentro do hospital?" – John perguntou começando a se locomover, mas parou no segundo passo, gemendo de dor. Havia-se esquecido que seus joelhos estavam esfolados.
- "John?" – Sherlock tinha voltado.
O loiro estava curvado pela dor que sentia, sua calça tinha sangue e estava rasgada nos joelhos. Sherlock se aproximou, pegou o braço de John e passou sobre seus ombros e o ajudou a andar e foram em direção ao hospital sem dizerem uma palavra.
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John ouvia Sherlock dar as explicações do que tinha acontecido a Lestrade, ele estava sentando em uma cadeira com as mãos enfaixadas, usando apenas uma cueca e uma toalha sobre o colo. A enfermeira passava um medicamento qualquer em seus joelhos. Ele ultimamente estava passando por várias situações constrangedoras, o loiro suspirou cansado. John pode ouvir Donovan reclamar.
- "Fale mais devagar aberração, só seu namorado consegue te acompanhar quando você começa a falar no modo automático." – Lestrade olhou feio para a sargento, Lestrade estava começando a perder a paciência com aquelas brincadeiras.
O inspetor viu Sherlock revirar os olhos e suspirar.
- "Vou falar mais devagar, para ver se seu cérebro acompanha o raciocínio. Andar com Anderson não está lhe fazendo bem, Sally." – Donovan abriu a boca para reclamar, mas foi interrompido pela mão levantada de Sherlock. – "Não me interrompa".
- "O atirador entrou pela porta da frente do hospital, deve ter esperado o momento certo para subir para esse andar sem ser registrado na recepção e sem ser notado. Provavelmente utilizou alguma vestimenta médica. Ele subiu as escadas, pois se usasse os elevadores, correria o risco de ser pego pelas câmeras. Assim que chegou nesse andar, ele achou o quarto do nosso suspeito. Atirou usando aquela arma com munição especial, abrindo um buraco no crânio dele, e usando outra arma comum, atirou no vidro para dar a impressão que a bala veio do alto." – O moreno se aproximou da janela, imitou com os dedos da mão uma arma e mostrou a posição que o atirador deveria ter usado para atirar daquele ângulo.
- "Mas Sherlock, todo mundo do hospital teria escutado esse tiro. Aquela arma não é necessariamente silenciosa." – Lestrade comentou.
- "Que bom que você comentou." – O dono dos olhos azuis tinha um enorme sorriso nos lábios. Ele puxou Lestrade para perto da janela. – "Está vendo aquele caminhão de lixo, bem ali naquela esquina a frente?" – Sherlock apontou a direção. Depois de uns bons segundos, o inspetor conseguiu ver para onde o moreno apontava. – "A julgar pela velocidade que o motorista estava na hora do tiro, o caminhão estava passando e prensando o lixo. Você já ouviu o barulho que essas máquinas fazem?"
- "Você está me dizendo que o atirador calculou a hora exata que o caminhão de lixo ia passar, e o usou como silenciador?" – O inspetor estava impressionado.
- "Sim, ele é muito esperto, mas não previu que vocês iriam chegar tão rápido por causa do meu aviso. Por isso o segundo tiro." – Sherlock apontou para a janela. – "Então como distração, ele usou uma arma normal com silenciador e atirou na janela para desviar a atenção para que ele pudesse sair do hospital. Ele sabia que eu iria para fora, para ver o ângulo do tiro." – Sherlock parou pensativo.
- "Então ele ainda está aqui?" – O inspetor perguntou.
- "Não, á essa hora ele deve estar longe." – Sherlock tinha as mãos sobre a boca.
John parou de prestar atenção na conversa de Sherlock com o pessoal da Scotland Yard quando percebeu que a enfermeira lhe perguntava algo.
- " Desculpe, o que perguntou?" – John perguntou sem jeito por não ter prestado atenção no que a moça conversava com ele.
- " Perguntei se o doutor é comprometido." – Ela tinha um sorriso muito bonito
- " Eu?" – John olhou em direção a Sherlock. – " Não, não sou." – Ele respondeu, seu tom de voz era triste.
- " Nossa, um homem tão bonito e inteligente, sozinho? Que desperdício! – John riu do comentário da enfermeira.
John levantou os olhos e viu Sherlock vindo em sua direção com Lestrade logo atrás dele.
- "Já terminou por aqui?" – Sherlock estava ao lado de John. O loiro gemeu de frustração, pois seu amigo estava com aquele tom de voz. Ele tentou salvar a menina, mas já era tarde demais.
- "Sim, senhor. Eu estava conversando um pouco com o doutor Watson." – A enfermeira sorriu, mas seu sorriso logo morreu ao olhar para o modo que aquele homem a encarava.
- "Eu sugiro que você para de flertar com meu amigo, já que é casada. Sim, eu sei que é casada, a julgar pela marca em seu dedo anular. Você tirou sua aliança. É casada há três anos. Seu casamento não está indo bem, por isso você trai seu marido, inclusive, um deles é aquele médico que está olhando para você nesse exato momento." - Ele pensou por um momento, para então prosseguir. - "E eu sugiro que você faça um exame de DST para Sífilis a julgar pelas feridas cor de rosa nas palmas das mãos daquele médico."
A enfermeira olhava para Sherlock, horrorizada. John tinha as mãos sobre o rosto e estava morto de vergonha, já Lestrade estava encostado ao batente da porta e não sabia se ria ou se ficava com pena da pobre enfermeira.
- "Seu cretino!" – A enfermeira saiu do quarto.
- "Sherlock, pelo amor de Deus!" – O médico gemeu.
- "Não se preocupe, você consegue coisa melhor!"
John estava sentado em uma cadeira só de cueca, com uma toalha sobre o colo. Ele viu seu amigo olhá-lo. Então lembrou-se que à noite aquela cueca estava no corpo do amigo, e que ele próprio havia a retirado. Se lembrou também do que tinha acontecido no banheiro. Foi então que ficou mais rubro, sendo que se tivesse um pote de extrato de tomate ao seu lado, poderia considerá-lo seu irmão.
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Sherlock e John estavam em um dos carros que Lestrade havia reservado e voltavam para o hotel, não haveria mais nada a se fazer no hospital. Descobriram mais tarde que, a vítima, se chamava Demian Lufus. Ela estava morta e mais nada poderia ser feito a respeito. O atirador havia saído do hospital da mesma forma que entrou: sem que ninguém o visse.
Lestrade havia mostrado a ambos a gravação da segurança do hospital. Depois de três horas de gravação, eles não haviam visto ninguém suspeito. Todos que por ali passaram foram registrados, além de interrogados exaustivamente.
Estavam novamente na estaca zero. John estava perdido em seus pensamentos. Tentava fazer um resumo de tudo o que envolvia o "Homem Bomba".
Duas pessoas encontradas mortas em casa, aparentemente sem vestígios de arrombamento, cada uma com uma marca de queimadura na perna, duas letras "E" e um "D". Para o médico essas duas letras não diziam nada. Dois assassinos mortos com o abdômen destroçado, o assassino da sua irmã morto. E agora essa imitação, de acordo com Sherlock. Demian estava morto, logo, nunca iriam saber a ligação dele nessa história toda.
Era tudo muito confuso e nebuloso, John não conseguia juntar as pontas. O loiro olhou para o lado e observou que seu amigo estava com os olhos fechados, com certeza em seu "palácio mental".
John olhou para as mãos esfoladas, ia ter que desmarcar todas as suas cirurgias nas próximas semanas, pois não conseguiria segurar um bisturi com aquelas mãos. Seus joelhos estavam em um estado lastimável também, só de pensar em andar, se sentia dolorido.
Chegando ao hotel, Sherlock abriu os olhos assim que o carro parou. Saiu, deixando John para trás.
- "Sherl..." – O loiro suspirou, abriu a porta do carro e se movimentou de forma lenta para que a dor em seus joelhos fosse mínima.
- "Deixe-me ajuda-lo, doutor Watson!" – O motorista do carro viu a dificuldade que possuía e o ajudou a descer do carro.
O senhor acompanhou-o até a recepção do hotel. John agradeceu e viu Sherlock próximo ao bar do hotel, ao telefone. O loiro pediu sua chave e estava se dirigindo ao quarto quando foi parado por Anderson, o legista o olhava de cima abaixo, e possuía uma expressão no rosto que não agradou o pequeno médico.
- "É doutor, com os joelhos machucados, vai evitar que a aberração te coloque para ficar ajoelhado... Quem sabe agora você ganhe um boquete." – E riu com escárnio.
John sentiu uma vontade absurda de socar aquele homem, mas engoliu a raiva que estava sentindo e preferiu ignorar. Resolveu continuar seu caminho até o quarto.
Chegando lá, o loiro sentou com cuidado na cama, precisava tomar banho e trocar de roupa, mas ainda sentia a raiva queimá-lo por dentro. Um dia iria perder as estribeiras com Anderson e certamente seria ser preso por agressão.
O loiro perdeu a noção do tempo que ficou deitado na cama, olhando para cima. Acordou quando ouviu a porta abrir e viu Sherlock entrar por ela. Seu amigo o olhou por um momento antes de fechar a porta atrás de si. O moreno tirou o cachecol e o casaco e os pendurou atrás da porta.
- "Não jantou." – O detetive foi em direção ao banheiro e John pode o ouvir ligar a torneira da banheira.
- "Não estou com fome, e ainda é cedo." – O louro levantou da cama e deu um gemido de dor, seus joelhos ainda estavam sensíveis.
- "São vinte e duas horas, John." – Sherlock respondeu do banheiro.
O doutor ficou surpreso. Foi em direção à janela do quarto e puxou as grossas cortinas olhando para fora. Estava escuro e ele podia escutar os grilos cantando.
- "Onde você esteve esse tempo todo?" – John voltou a se sentar na cama.
Sherlock saiu do banheiro com apenas uma toalha enrolada na cintura. O médico quase engasgou. Aparentemente, seu amigo não tinha problemas em ficar seminu na frente das pessoas.
- "Eu disse que voltaria a cena do crime para analisar umas amostras que tinha pegado." – O moreno tinha se encostado a parede.
- "Você não me disse nada, Sherlock. Você tem a péssima mania de conversar comigo quando eu não estou do seu lado."
O detetive consultor voltou para dentro do banheiro, e ao fazer isso, John pode ver o ferimento da facada que ele havia levado. Aquele curativo precisava ser trocado. O loiro pode escutar barulho de água, certamente seu amigo devia ter entrado na banheira. Mas, por que ele não fechou a porta do banheiro? John queria muito tomar banho, além de sentir fome.
- "Sherlock, você poderia andar rápido? Quero tomar banho também, preciso trocar de roupas." - John tirou sua jaqueta de frio, com cuidado, pois suas mãos doíam um pouco.
- "Se você queria tomar banho deveria ter feito isso na hora que chegou ao quarto." – O moreno disse do banheiro.
John suspirou cansado, começou a tirar seu pulôver, depois pôr-se a desabotoar sua camisa xadrez. Estava tendo dificuldades com a tarefa, pois suas mãos estavam enfaixadas e dificultava o processo. Levou um susto quando viu um par de mãos o ajudando.
- "Deixa que eu faço isso."
- "JESUS CRISTO! Que susto!" – Sherlock estava a sua frente, desabotoando sua camisa. – "Por que você não faz barulho ao se aproximar das pessoas?" – John tentava se acalmar, a visão de Sherlock seminu, só de toalha, molhado e cheirando a banho tomado não estava lhe fazendo bem.
- "Você é muito distraído, John!" – O tom de voz do moreno era o mais próximo da verdade máxima do universo.
- "Não, eu não sou." – Watson se sentia como uma criança de cinco anos.
- "Você é incrivelmente desatento para certas coisas, doutor." – O detetive terminou de desabotoar a camisa do loiro e a tirou, logo em seguida, tirou sua camiseta branca pela cabeça, e suas mãos foram para o cinto da calça do menor.
- "Wow, o que está fazendo"? – John se afastou, mas Sherlock ignorou e se aproximou novamente.
- "Suas mãos estão enfaixadas, estou apenas facilitando para você. E você está assim por minha causa." - John parou de protestar e deixou Sherlock fazer o que quisesse. Sentia o rubor subi-lhe a face, mas iria aproveitar aquela situação.
O detetive consultor tirou o cinto e jogou-o em cima da cama. John sentiu os dedos de seu amigo encostar-se a sua barriga ao desabotoar a calça. O loiro observou sua calça descer por suas pernas e parar em seus calcanhares. Sherlock empurrou o louro de leve em direção à cama e o fez sentar.
O moreno puxou a calça de John e a tirou pelos pés, jogando-a em um canto qualquer do quarto. Ele se aproximou e colocou os longos dedos no cós da cueca de John, fazendo o loiro prender a respiração e morder os lábios. John levantou os quadris para facilitar a retirada da peça.
John estava nu na frente de Sherlock, com o moreno só de toalha na cintura. Vários pensamentos passavam pela cabeça de John, mas ele não estava preparado para o que ouviu dos lábios de Sherlock.
- "Você é esteticamente agradável." – Seu amigo disse em um sussurro.
Conhecendo aquele homem como conhecia, Sherlock estava dizendo que ele era... Bonito? Seria isso mesmo? Devia estar sonhando.
- "Queria experimentar algo... Para fins científicos." – O tom de voz do moreno era levemente hesitante.
John balançou a cabeça, concordando. Não conseguiria dizer nenhuma palavra. Sherlock se ajoelhou e colocou suas duas mãos nas coxas de John, fazendo o loiro ofegar. O detetive o perscrutava com os olhos. O louro percebeu que o moreno estava se inclinando. Ele não iria... Não, claro que não... Sherlock se abaixou mais. Seu amigo não estava indo fazer um... Não... John sentiu o hálito quente da boca de Sherlock em seu membro.
- "Oh, Deus!" – John mordeu os lábios com força.
Mas por algum motivo, Sherlock se afastou, John gemeu de raiva e frustração e segundos depois a porta do quarto estava sendo aberta.
- "Sherlock, John! Achamos Sara, ela está internada em um hospital muito machucada e..." – Lestrade parou de falar quando reparou nos dois homens dentro do quarto. O moreno estava de pé, só com uma toalha na cintura, e olhava-o com um olhar assassino. O doutor Watson estava sentado na cama, nu e semiereto. – "Oh" – Lestrade virou nos calcanhares e saiu do quarto, mas antes deixou escapar um: – "Estou esperando vocês lá embaixo, temos que ir embora hoje." – E saiu correndo como se todos os demônios estivessem atrás dele.
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Depois de algumas horas, eles chegaram a Londres.
John não sabia se ficava feliz ou triste com a habilidade de Sherlock de fingir que nada tinha acontecido. Queria muito entender o que o moreno queria fazer no hotel. As evidências apontavam para um caminho, mas John duvidava que as intenções de seu amigo eram aquela. Era sorte demais. No máximo, isso só aconteceria em seus sonhos eróticos com o moreno.
O detetive havia ido ao necrotério para ver os corpos do homem que tinha morrido na catedral e de Demian, John foi ao hospital visitar Sara. Seus pensamentos de uma forma ou de outra iam sempre em direção a Sherlock. O loiro estava no táxi e olhava para fora. Percebeu que estava colecionando situações embaraçosas com seu amigo.
Também tinha notado que seu companheiro parecia gostar de constrangê-lo. No mínimo, ele usava-o para experimentos ou algo do gênero. Ou poderia estar escrevendo um livro, que John podia imaginar o título: "10 lições de como enlouquecer seu colega de quarto".
O loiro riu do pensamento idiota. Mas, convenhamos. Sherlock o estava deixando maluco. Hum, maluco não era bem a palavra. Para uma pessoa que todos diziam ser assexuada, ele tinha ficado bem animado no quarto do Hotel em Salisbury, quando tinha-lhe tirado a cueca.
John havia corrido para dentro do banheiro, demonstrando toda a sua covardia, admitia, mas ele queria dar a Sherlock o gosto do próprio remédio. Porém, no fim das contas, quem experimentou do próprio remédio, havia sido ele próprio. Ainda podia se lembrar com riquezas de detalhe o que acontecera depois de haver-se trancado no banheiro.
Lembranças do primeiro dia em Salisbury:
John encostou-se a porta do banheiro. Suas pernas tremiam, ria nervosamente, por dois motivos. Primeiro: pelo olhar de incredulidade que viu no rosto de Sherlock quando simplesmente saiu. Segundo: Sherlock Holmes havia ficado excitado.
O filho mais novo da família Watson quase enfartou ao ouvir uma batida forte na porta do banheiro.
- "John, abra a porta!" – era Sherlock. – "Agora."
O louro fechou os olhos. Sabia que ia se arrepender, mas não achava que iria ser tão rápido. E sem perceber, viu-se abrindo a porta para um Sherlock ainda nu e excitado.
O moreno entrou, passou por ele sem nem ao menos olhá-lo, e foi em direção ao Box do banheiro. Tinha ligado o chuveiro e pela sombra no Box, John pode ver o "homem-máquina" com uma mão apoiada na parede e a outra se tocando.
Arregalou os olhos e fez menção de sair, mas ficou grudado ao chão quando escutou um gemido do moreno. O loiro sentia a garganta seca e a respiração irregular, e ouviu outro gemido. Fechou os olhos com força e se obrigou a sair, mas sua força de vontade parecia não ser tão grande quanto achava que era.
Pôde perceber pela sombra no Box, Sherlock parar de se tocar e encostar as costas no azulejo deixando a água descer pelo seu corpo.
- "Problemas com a sua técnica?" – John quis se chutar assim que fechou a boca.
- "Não... Por quê? Quer me mostrar... Como se faz?" – A voz do moreno estava um pouco ofegante. John sentiu raiva, Sherlock estava brincando consigo novamente.
- "Não. Resolva os seus problemas sozinho!" O doutor ouviu o chuveiro ser fechado e Sherlock sair do Box. O moreno parecia normal, frio e impassível como sempre. Ele se aproximou de John e falou em uma voz baixa e rouca.
- "Eu controlo meu corpo, não deixo-me levar por instintos primais e selvagens, como a maioria das pessoas. Isso nubla minha mente e não me deixa pensar. Você pode tomar seu banho agora." – O moreno saiu do banheiro deixando um John muito "puto" para trás.
John gastou vários minutos desnecessários no chuveiro. Quando saiu, encontrou Sherlock sentando no sofá lendo um livro de aparência muito velha. John pode ler "Macbeth" na capa. O moreno o ignorou, então John fez o mesmo. Vestiu sua roupa e ficou olhando para o beliche.
- "Qual das duas?" – O companheiro de quarto perguntou.
- "Vou ficar com a debaixo, não gosto de alturas." – John arrumou suas coisas e entrou debaixo dos cobertores, tentando dormir.
Depois de meia hora, ainda não tinha conseguido adormecer. Sherlock ainda lia seu livro, sentando no sofá. O colchão de sua cama era mais duro que os colchões do exército, então, pode prever fortes dores nas costas no dia seguinte. O médico pensou em pedir para o moreno trocar de cama consigo, mas não queria dar o braço a torcer. Respirou fundo e virou de costas para parede, se forçando a se entregar nos braços da inconsciência.
Ele só não esperava ter pesadelos com Sherlock, ou sonhar com o que tinha acontecido no banheiro. Mas como John conhecia sua sorte, um dos dois ia acontecer. Suspirou cansado e por fim dormiu.
Fim das lembranças do primeiro dia em Salisbury
John sorriu, o filho de uma mãe sabia que o colchão de baixo era duro e não disse nada. E o pior? Provavelmente ele nem dormira.
Seu táxi chegou ao destino, ele desceu e foi ver Sara.
Quando chegou a seu quarto ela ainda estava desacordada, a médica tinha vários roxos pelos braços, além do lábio inferior cortado. O médico fechou os olhos tentando aplacar a fúria que ameaçava consumi-lo. Sara não merecia aquilo.
Quem tivesse feito àquela atrocidade, iria pagar, era uma promessa. O loiro estava sentando ao lado da amiga, quando sentiu seu celular vibrar indicando uma mensagem recebida.
"Outra morte, Rua Dicorina, Nº 7545. Venha! – S.H."
John suspirou cansado, e foi encontra-se com Sherlock.
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O loiro estava em mais outra cena de crime. Aquilo estava virando um massacre. O homem bomba estava brincando com eles. John ainda se sentia entorpecido com tudo que tinha acontecido em Salisbury. Vez ou outra, ele passava a mão sobre os lábios, lembrando-se do beijo que Sherlock tinha-lhe dado, do que tinha acontecido no banheiro, lembrando-se de Sherlock de joelhos em sua frente. O loiro foi tirado dos seus devaneios pela voz de Anderson.
- "E ai doutor, ainda sente alguma dor?" – Perguntou da forma mais sarcástica que conseguiu, fazendo John franzir as sobrancelhas.
- "Por que pergunta, Anderson"?
- "Queria saber se foi difícil ficar de quatro para a aberração te pegar, se é que me entende... estando com os joelhos machucados."
John arregalou os olhos, a última gota de paciência que lhe restava tinha escorrido pelo esgoto, mas foi poupado de uma resposta ou atitude quando sentiu alguém a suas costas, e viu Anderson arregalar os olhos.
- Por que, está interessado, Anderson? – A voz de Sherlock era fria e letal.
- Eu? Interessado em uma aberração como você? Nem se fosse mulher! E esse seu amiguinho, é um idiota por ficar perto de você. Ele parece um cachorrinho pronto para lamber suas botas a um simples comando seu.
John prevendo um desastre segurou Sherlock pela cintura. O moreno olhou-o e John balançou a cabeça em negativa.
- "Não vale a pena, Sherlock."
- "Você deve estar muito curioso não é, Anderson? Mas infelizmente não estou interessado. Peça a Sally para variar um pouco." – A voz de detetive era baixa e assassina.
Anderson girou nos calcanhares e saiu o mais rápido que pode.
- "John."
- "Esqueça. Vamos ver o corpo."
Continua...
Nota da Beta 1: Boa noite (levando em consideração o horário em que eu escrevi).
Que vos fala, é a nova beta dessa fanfiction. Fazia tempo em que eu não via nenhuma história dentro do fandom de Sherlock que me instigasse a ler. Porém, quando achei, apesar de ter um plot bem estruturado, a fanfiction em questão me dava certo desanimo em ler, por questões gramaticais. Foi quando me ofereci para ser Beta Reader e a autora aceitou. Sei o quanto o fandom de Sherlock é crítico e por vezes severo, levando em consideração a inteligência do Consulting Detective, e é por isso, que se por algum acaso, venha ocorrer erros gramaticais, que passem despercebidos por mim, não hesitem em me comunicar. Não sou perfeita, nem tenciono ser. Muito menos sou uma professora com mestrado em Língua Portuguesa, mas nem por isso me faço de ignorante e tento aprender o que há de melhor no nosso idioma. Bem, com as recomendações dadas, espero que aproveitem a (mudança) leitura.
Nota Beta 2 e Consultora Holmes de Qualidade: Olá People! Hi Ada, bem vinda ao time! o/ espero que se sinta em casa. A fic está ficando melhor a cada capítulo e quanto mais melhorada, mais vamos nos divertir, né? \o/
Nota da autora: Oie pessoal! \o\... esse é o décimo capitulo da fic, espero que tenham gostado... Dêem as boas vindas a Ada Kaline, ela faz parte do time de Beta da minha fic. Algumas pessoas me mandaram review dizendo dos erros de português. Como respondi para alguns, eu leio muito em inglês e escrevo também, por isso a minha grande deficiência em nossa idioma, minha beta a SHolmes faz milagres com o que escrevo e no tempo que mando a fic pra ela. Então dentre todos que comentaram a Ada Kaline perguntou e se prontificou a betar a fic para mim. Aceitei a oferta, claro! Espero que gostem das mudanças e que a qualidade de fic aumente cada vez mais.
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi do capítulo 9: LiaCollins, Downey, AyyaChan (capitulo 8), Maria Luiza, Lara (capitulo 8), Lara, Lia, DameKenshi, LHC, Nanda, Chrizes, Bentinho (capitulo 8), Piper Winchester, MellIchihara, MoeGreenishrage (capitulo 8), MoeGreenishrage, Aurora, Bentinho, Mylena, Iza Amai (capitulo 8), Iza Amai e Vamiranjo.
Se eu esqueci de alguém, forgive me!
Gostaria de agradecer também a todos que leram por um motivo ou outro não deixaram comentários... ahhh lindos... deixem de serem timidos.. xD~~~~
Resposta de Review sem login:
Maria Luiza: Até que enfim o John tomou atitude de homem xD~~~ mas fazer o que é o efeito Sherlock \o\... E o que aconteceu no banheiro?o bom agora você sabe..xD Bom, sobre o beijo, agora saber as motivações de Sherlock.. ele é uma mala *suspira* Obrigada por ler e comentar linda!
Chrizes: "minha personalidade forte x.x sou bem temperamental e
extrovertida, então foda-se xD" Ri horrores... xD~~~ O cara quer fuder com o John? Ui!
Em defesa do John eu digo que depois de várias vezes o Sherlock deixar ele não mão, ele vez a mesma coisa com o moreno, e logico se ferrou depois.. =D Fico imensamente feliz que tenha gostado. E o premio de melhor Moffat do ano vai paraaaa: Karla Malfoy \o\~~~
Mesmo com a betagem da Ada Kaline e da SHolmes se por acaso sobraram alguns erros, lembrem-se eles são todos meus.
Campanha faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida! \o/
Atualização no dia – 05 de Agosto
Próximo capitulo: Alguém vai ter um pequeno ataque de ciúmes, e alguém vai ler um soco merecido.
Cenas do próximo capítulo:
John colocou o presente em cima da mesa em frente a Sherlock.
- " Por que isso?" – Sherlock perguntou sem tirar os olhos do microscópio.
- " É um presente." – John respondeu.
- "Não precisava comprar outra blusa roxa para mim." – Sherlock disse.
- " Como sabe que é uma camisa roxa?" – John perguntou olhando para embalagem para ver se tinha alguma parte da camisa do lado de fora. – " Ok, tudo bem. Mas eu comprei porque a sua estragou quando viajamos e você gostava dela."
- "Eu não tenho preferência por cor, John." – John o olhou confuso.
- " Mas você a usava com mais freqüência."
- "Eu usava porque você ficava mais aberto a sugestões quando eu a usava." – Sherlock sorriu e foi em direção ao seu quarto.
- " - Cretino." – John disse em voz baixa.
