Disclaimer: Bleach e seus personagens não me pertencem, e sim ao Kubo-sensei!!!
N.A.: Quero agradecer novamente as reviews e por estarem acompanhando! ^^ Capítulo 10! Eu realmente não imaginaria que a fic duraria tanto!!!
Capítulo 10: Desacerto
- Sumimasen, Soutaichou. – ele pediu licença ao entrar a ampla sala do primeiro esquadrão. Olhou pela ampla abertura a qual dava para observar toda a Seireitei e verificou já ser tarde. – Konnichi wa. – cumprimentou curvando-se.
- Aizen Sousuke... – o comandante iniciou. – sabe por que o chamei até aqui?
Ele piscou os belos olhos castanhos, desentendido.
- Sinceramente não, sou-taichou.
- Entendo. – suspirou. – E sabe quanto ao paradeiro de sua fukutaichou?
- Hinamori-kun?! – num perfeito ato teatral ele fingia uma imensa preocupação. - O senhor sabe de algo sobre ela?! Durante o dia inteiro não a vi! Não se apresentou e não conseguiram localizá-la.
- Passou a manhã aqui. – respondeu secamente.
- Fico mais tranqüilo. – Aizen suspirou.
- Veio aqui retirar sua queixa contra o capitão da décima divisão, Hitsugaya Toushirou, ou melhor, ex-capitão e agora prisioneiro.
- Não acredito que Hinamori-kun tenha feito isso... – os olhos de Aizen refletiram uma profunda decepção assim que ele balançou a cabeça para os lados.
- Adverti a ela que estava passando por cima de seu capitão, afinal, antes de ela se retratar, precisaria de sua autorização, e me parece que isso não lhe foi dado.
- Realmente...
- Porém, Hinamori-fukutaichou me pareceu muito incerta em tudo o que disse. Tudo foi muito confuso. Nada convincente. Porém, se não houver mais a queixa, libertaremos ele...
- Sou-taichou, eu realmente não queria chegar a esse ponto, mas creio que precisarei afastar Hinamori-kun de seu posto por um tempo.
O homem olhou confuso. Parecia doloroso para Aizen anunciar aquilo.
- Como assim? Um oficial só pode ser afastado temporariamente por um motivo de saúde ou algo assim.
- Pois é. Hinamori-kun anda muito abalada com a prisão do Hitsugaya-kun. Estou extremamente preocupado com ela.
- Ela não tem cumprido seus deveres como fukutaichou?
- Sim, tem. Mas creio que zelarmos a saúde da Hinamori-kun é mais importante. Sei que posso dar conta de tudo enquanto ela estiver afastada. Pensei em procurar a Unohana-taichou. Hinamori-kun está muito perturbada e depressiva. Perdoe sua atitude impensada.
- Ela teria de ser punida caso testemunhasse em falso. E realmente pelo que me diz...
- Por favor. Ela não está bem, garanto ao senhor. – e com a expressão mais convincente do mundo, Aizen pediu. – Por favor, deixe-me que interceda por ela.
- Bem... Você sempre foi um rapaz muito responsável e dedicado a suas tarefas desde que entrou no Gotei 13, Sousuke... Admiro sua compreensão e seu carinho por sua subordinada. Então, eu deixarei em suas mãos o caso da Hinamori-fukutaichou.
- Não será muito tempo. Apenas o suficiente para que ela se recupere completamente.
- Está em suas mãos. – advertiu o homem novamente, mais de uma maneira de se colocar de fora do problema no quinto esquadrão, entregando-o a Aizen.
- Arigatou.
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A garota chegou correndo, seu coração disparado. Ofegante, ela cruzou vários membros do quinto esquadrão, realmente querendo parecer invisível naquele momento. Sempre havia um que a cumprimentava, afinal, era a fukutaichou do quinto esquadrão. Um tanto quanto exasperada e sem jeito ela cumprimentava enquanto seguia seu caminho. Chegou a sua sala em pouco tempo. Conseguira respirar normalmente após um longo suspiro. Fechou a porta rapidamente. Pelo menos aquele que temia que a encontrasse, que a visse chegando, não a encontrara.
- Konban wa, Hinamori-kun.
A garota sentiu um gélido frio subir pela espinha. Virou-se para trás lentamente sentindo as extremidades de seu corpo tremerem. Aquela voz era inconfundível. Mas aquela voz, não ressoava suavemente e agradável como de costume. Ela estava séria, firme e diferente demais do habitual.
Ele não tivera de sair dali para ir ao encontro do sou-taichou.
- A... Aizen-taichou... – ela balbuciou.
- Sente-se bem? Está pálida. – ele ressaltou sem mudar a itensidade com que pontuava suas palavras.
- Sim... Estou bem... – Hinamori sentia suas pernas fraquejarem com o balanço do tremor. – Eu... estou muito atrasada, taichou. Gommenasai. – ela se desculpou, curvando-se.
- Aconteceu algo? – ele perguntou ainda ajeitando os papéis sobre a mesa da garota, seus olhos castanhos ainda não haviam se cruzado com as orbes da menina.
- Eu... eu tive um problema. Não me sentia bem mais cedo. Tive que ir até o esquadrão quatro e...
- É mentira, Hinamori-kun.
Ele ergueu os olhos, encarando-a. As palavras e o olhar de Aizen foram como duas lâminas afiadas atravessando sua alma.
- Eu sei onde você esteve.
Hinamori sentia a reiatsu de Aizen engolir a sua facilmente apenas com aquela elevação em sua voz. Ele empurrou a cadeira de mogno para trás levantando-se e, lentamente, passo a passo, caminhou até a garota.
- Por que mente para mim?
- Eu... Eu tive medo... Que o senhor fosse contra e...
- Eu sou contra. Você sabe.
Hinamori ergueu o rosto para vê-lo tão próximo que sua expressão lhe assustava.
- Se eu era contra, por que prosseguiu?
- Eu... Eu não...
- Não sou seu capitão? – perguntou ele firmemente enquanto se curvava e segurava o queixo de Hinamori, forçando-a a encará-lo. – Por que não me obedeceu?
- Me desculpe, taichou! – exclamou a garota enquanto apertava os olhos. Amargas lágrimas escorriam por seu rosto. – Não... não se repetirá mais!
- Você me decepcionou muito, Hinamori-kun. Não posso mais confiar em você.
Ele soltou o rosto da garota, virando-se de costas.
- Aizen-taichou. Por favor... – agora ela tentaria argumentar. – Eu...
- Creio que nunca mais poderei depositar a confiança que depositava em você.
- Não, taichou...
Ela estendeu uma mão na direção do homem assim que o viu seguir seu caminho até sua sala. Aquele olhar, aquele desprezo, tudo aquilo que ela nunca queria ter de quem mais admirava em sua vida. Ele era a razão da sua vida, da sua existência, a única coisa que realmente a importava. Daria sua vida pela dele e o tinha decepcionado tanto. Que erro cometera, Hinamori, repetia a si mesma.
- Taichou! – ela o chamou.
- Diga. – respondeu um frio Aizen.
- Eu... eu vou começar minhas tarefas do dia, não se preocupe, eu... eu vou ajustar tudo o que não pude....
- Não. Pode tirar o resto do dia de folga. Não faz mais falta.
Aquilo era a gota d'água que faltava para o copo inteiro transbordar. As lágrimas contidas não agüentaram mais se conter nos cantos dos olhos. A força que lhe faltara nas pernas para se manter de pé diante do temor a seu capitão retornara quando pois se a correr para fora da sala de seu taichou. Correu o máximo que pôde, não se importando em dizer nada a Aizen, nem a ninguém dos muitos que perguntavam o que acontecera.
- Você é mau, taichou... – uma voz divertida afirmou.
- O que está fazendo ai, Gin? – perguntou um sorridente Aizen. – O show está apenas começando.
- Hm?! – Gin surgia detrás de uma estante repleta de livros. – Como assim?
- É agora que a Hinamori-kun será castigada...
- HINAMORI!
Um grito ecoou toda a cela do capitão da décima divisão. Ele se levantou em um único impulso sendo contido pelas mãos daquele que parecia ainda mais assustado ao vê-lo.
- Quem é você?! – ofegante ele perguntou.
- Acalme-se, Hitsugaya-taichou. – o simpático garoto pediu com um sorriso. – Está tudo bem. Sou Yamada Hanatarou, sétimo posto do yobantai.
Os olhos verdes de Hitsugaya passaram ao redor. Voltou a se deitar, confuso.
- Por que um oficial do quarto esquadrão está aqui?
- Geralmente os membros que cuidam dos prisioneiros são de patente mais baixa, mas como o senhor é um taichou, é natural que mandem oficiais de postos mais altos. Na verdade, quem deveria ter vindo era Isane-san. Mas ela estava muito ocupada e me mandou, me desculpe. –ele riu sem graça.
- Não estou perguntando por isso.
- Ah, sim! Bem... creio que sua saúde não está muito boa, afinal, o senhor não se alimenta por três dias seguidos. – comentou Hanatarou desviando o olhar. – Fui solicitado para vir vê-lo, então.
- Não se preocupe. Estou bem.
- O senhor diz isso, mas eu sei que não está.
Hanatarou o desafiou um tanto quanto temeroso. Hitsugaya piscou os olhos, confuso. Não era comum alguém agir assim com ele.
- Bem, não vim só para examiná-lo. – riu Hanatarou enquanto tirava algo do shihakushou. – Aqui está. – anunciou o rapaz enquanto lhe estendia um papel.
- O que é isso?!
- Ichigo-san mandou. Ele está muito preocupado também.
- Kurosaki...
O rapaz desdobrou o papel, verificando o que nele havia escrito.
"Toushirou, sua execução será daqui a três dias. Não se preocupe, na noite anterior nós iremos te buscar. Estamos apenas preparando tudo! Hanatarou está nos ajudando. Confie nele. Como já disse, não se preocupe."
- Baka... – ele apertou o papel com força. – Vão se colocar em risco...
- Se Ichigo-san disse que vai fazer uma coisa, Hitsugaya-taichou, acredite nele. – encorajava Hanatarou. – Enfim, nós temos um plano e eu preciso explicá-lo ao senhor.
Mal percebera já ter anoitecido. Correra tanto, até mesmo depois de sair da Seireitei. Não tinha idéia de onde estava. Pela vegetação ao redor deveria estar próximo ao distrito de onde viera, de Inuzuru, pensou. Logo seus passos iam diminuindo a velocidade, passando para um cansado e pesado caminhar. Ela pousou a mão direita sobre o peito, tentando recompor-se devido ao cansaço. Parou ofegante próxima a uma árvore onde se recostou sentando-se sob a mesma.
Olhou para o céu num ato inconsciente de tentar achar ali, naquela imensidão escura, iluminada apenas pela lua que se escondia por detrás das nuvens e estrelas que se encontravam na mesma situação. Abraçou os joelhos, apertando firmemente o tecido negro do hakama. Como sentia raiva de si mesma. Como conseguira agir de forma tão erra o tempo todo? Primeiro magoou tanto Hitsugaya, seu melhor amigo e sabia que, no fundo, também sentia algo especial por ele, condenou-o fazendo-o perder seu posto de capitão e, provavelmente, auxiliando em sua execução. Agora, a pessoa que lhe era mais cara, era aquele quem havia traído a confiança. Aquele que lhe dera um motivo na vida. Um motivo a mais para viver. Algo que antes de conhecê-lo não existia. Não havia volta. Não havia mais esperança para que algo desse certo? Questionou a si mesma, tendo como resposta apenas os sons emitidos pelos grilos e um suave som do farfalhar das folhas das árvores com o vento.
- Uma shinigami dando mole aqui?!
Ela ouviu uma voz.
- Deve ser uma novata! – anunciou o outro.
Hinamori virou-se para trás para ser surpreendida por quatro homens, todos usando shihakushous, shinigamis. Estranhou o modo dos mesmos falarem. Pensara ter sido algum bandido, afinal, Rukongai era um lugar nada pacifico.
- Ah, não... Olha que sorte temos! É aquela que levou nosso taichou para a prisão! – ria histericamente um dos homens.
- Quem são vocês? – Hinamori se levantou, dando um passo para trás. – De que esquadrão são?!
- Somos do décimo esquadrão... – observou um dos bandidos a garota dos pés a cabeça. – Mas ela é bonitinha. Vamos deixar ela viva que a gente lucra com ela mais de outra maneira! Vingar nosso taichou de forma... mais agradável.
Décimo esquadrão? O esquadrão de Hitsugaya, ela pensou. Nunca vira shinigamis de aparência e jeito tão agressivo de lidar com seus companheiros, até mesmo os do juuichibantai.
Ao perceber a aproximação deles, Hinamori levou a mão até a cintura. Pensou que a mesma escapara de sua mão, tendo de olhar para conferir. Droga! Havia esquecido sua zampakutou em seu esquadrão. Saíra tão de forma tão enlouquecida que nem se dera conta disso.
- Afastem-se! – ela pediu um tanto quanto nervosa. – Não quero feri-los...
- Olha só! – ironizou aquele que parecia ser o líder do bando. – Ela tem medo de nos ferir. – completou com uma risada. – Me diga então, shinigami, vai nos condenar ao sou-taichou?
Hinamori tentara concentrar sua reiatsu para usar um kidou, o que fora inútil. Sentia como se algo estivesse bloqueando usar de alguma magia. Alguma coisa estranha estava acontecendo ali, tinha certeza.
- Droga! – exclamou a garota ao perceber sua situação, não se dando conta do homem que se aproximara por trás e a segurara. – ME SOLTA! – ela gritou antes que tivesse os lábios cobertos pela mão do mesmo.
- Quietinha! A gente não gosta de mulher barulhenta, não...
- Socorro... - dizia a voz abafada pela mão do homem.
- Vai ser bem rápido! – o 'líder' anunciava tentando consolá-la.
O mundo ao redor de Hinamori girou. O homem que a surpreendera mantinha seus braços para trás, prendendo-a. Não havia como ela reagir sem utilizar algum kidou, algo estava fazendo com que não pudesse utilizar nenhum poder. Um imenso desespero começara a percorrer todo o seu corpo quando o homem que se aproximara desfizera o laço da faixa ao redor de sua cintura e abrira seu shihakushou.
- Não... – ela implorava balançando a cabeça fazendo o enfeite de seu cabelo cair, deixando os fios negros caírem por cima de seus ombros.
- Quieta! – o homem puxava-a pelo cabelo, aproveitando do novo acessório.
- É, essa aí não é de se jogar fora, não! – um deles observava maliciosamente o corpo da garota. – Mas eu vou te dar a honra de ser o primeiro...
- Claro, eu sou o chefe aqui! – eles discutiam entre si. – Agora, mocinha...
A garota se debatia de todas as maneiras possíveis para se desvencilhar do ataque. Não obteria sucesso, mas não podia se entregar tão facilmente. Não. Havia alguma esperança. Não poderia ser assim.
Ela se lembrou de quando Aizen havia a salvado em Rukongai. Havia tantos anos. Tanto tempo se passara. Naquela época nem o conhecia. Parecia que aquela situação estava ali para marcar os dois momentos importantes para eles: quando se conheceram, e quando se despediram. Não havia Aizen ali naquela vez. Não mais.
Uma nuvem negra foi lentamente cobrindo os olhos azuis de Hinamori. Não havia mais forças para relutar. Seu corpo já não reagia mais. Sentia as mãos nojentas do asqueroso homem apalpando-a. Logo uma intensa sensação de dormência a privou de tal sensação. A vista turva misturava as folhas das árvores, o rosto daquele homem e ele... Viu-o de forma desfocada. O haori branco esvoaçante como os cabelos castanhos, a Kyouka Suigetsu em suas mãos.
- Aizen-tai...
Não conseguira completar. A escuridão da inconsciência tomou sua vista quando seu corpo se chocou ao chão, livre. Os quatro homens desapareceram quase que instantaneamente. A única coisa que sobrara foram quatro shihakushous e hakamas. O luar brilho avidamente sobre a lâmina da zampakutou do capitão do quinto esquadrão. Ele observou a garota por alguns instantes antes que a embainhasse novamente. Caminhou até a garota desacordada, agachando-se e segurando-a em um braço.
- Pobrezinha... – ele sorriu enquanto terminava de fechar suas roupas como se fosse uma boneca sem vida em suas mãos. – Você demorou muito para perder os sentidos, Hinamori-kun. Não poderia utilizar a Kyouka Suigetsu na sua frente. Me desculpe. - Aizen olhou pelo canto dos olhos procurando algo em torno naquela floresta. - Ei, Kaname. – ele chamou.
O homem saiu por trás de uma das árvores. Sua expressão parecia bastante preocupada.
- Sim, Aizen-sama. – ele se agachou igualmente curvando-se.
- Eu disse que poderia interferir se ficasse um tanto quanto fora de controle...
- Perdoe minha displicência. Foi... um tanto difícil assistir a isso, Aizen-sama. – e realmente, Tousen parecia bastante perturbado.
- Eu sei. Sinto muito. Na verdade não pensei que chegaria a tanto, mas infelizmente, ela foi mais forte que eu pensei.
Aizen permanecia a ajeitar a menina. Refez até mesmo o seu penteado, devolvendo o adorno a seus cabelos. Enlaçou a fita azul delicadamente. Estava impecável. Retirou um lenço de dentro do shihakushou, secando as lágrimas que ainda marcavam o rosto da garota.
- Melhor deixar assim. É melhor para nossa cena, não acha? – Aizen perguntou recostando o corpo da garota em seu peito.
- Como o senhor achar melhor.
- Pois é, Hinamori-kun... Que triste, Shiro-chan colocou os membros de seu esquadrão atrás de você, não é? – ele riu acariciando suavemente seu rosto.
- Kaname, por favor, desfaça-se destas roupas. – pedia Aizen. Tousen apenas assentiu.
Havia pouco tempo para que libertassem Hitsugaya. Havia tempo demais para que Aizen pudesse manipulá-los da maneira que quisesse. Mais uma vez colocara Hinamori contra ele. Porém, desta vez talvez ele não quisesse colocar sua tenente, Hinamori, contra o capitão da décima divisão. Talvez fosse mais divertido brincar de outra forma com a garota.
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Notas
Sumimasen – com licença
Konnichi wa – boa tarde
Konban wa – boa noite
Haori – capa branca dos capitães
Shihakushou – parte de cima do uniforme shinigami.
Yobantai – quarto esquadrão
Juuichibantai – décimo primeiro esquadrão
Ichibantai – primeiro esquadrão.
