Capítulo 10 – A Comida

Hermione se sentiu estranhamente irritada quando descobriu que a passagem de ano naquele tempo em que estavam vivendo não era festejada no ultimo dia de dezembro e sim no final de março respeitando o calendário Juliano implantado no tempo do Império Romano. Somente a partir do ano de 1582 e que o foi adotado o calendário Gregoriano que é o que era usado no seu antigo presente. Ela notou que a passagem de ano era norteada pelo equinócio da primavera por tanto, o começo do período de cultivo da terra.

Após o natal tudo parecia ter voltado ao normal na vila, salvo um surto de resfriado que fez Severo passar uma noite em claro cozinhando poções para gripe. Deixando-o de péssimo humor.

Hermione estava se acostumando a viver como trouxa novamente, apesar de poder usar sua varinha em casa, fora dela tinha que ser do "jeito mais difícil", como dizia Severo, nada de aparatar, voar em uma vassoura, ou transfigurar móveis novos para a casa, ela tinha pensado nisso, mas depois viu que não teria como explicar a ninguém a reforma. Portanto a mobilha desgastada e rasgada da sala tinha que continuar ali até eles terem condições de reforma-la. O tapete esfarrapado tinha ido parar no lixo junto com outras peças sem salvação, por tanto sua casa continuava meio decadente, apesar de limpa e arejada.

Ela chegou a imaginar como seria bom se o benfeitor desconhecido que tinha arrumado a casa para o natal desse um jeito na sala e no resto todo, seria incomodo explicar do mesmo modo, mas ai não seria escolha dela. Esse pensamento pareceu muito sonserino para e a fez rir, devia ser a convivência.

A mulher do ferreiro, senhora Isobel, Continuava a vir pedir tônico capilar, Hermione mesmo passou a prepará-lo, acrescentando a formula vários ingredientes, como aloe vera e folhas de bergamota para dar um cheiro agradável. A Senhora em questão não entendia que os cabelos dela não melhorariam, por que os danos eram causados pela idade avançada. Se Hermione pudesse usar magia com a varinha até poderia alcançar algum resultado, no entanto as poções não tinham a mesma eficácia.

Ela só não dispensava a senhora por que ela pagava com comida e utensílios que eram valiosos e eles não podiam dispensar. Todos os dias a Senhora voltava trazendo um frango gordo morto e limpo pela criada dela, uma ferramenta, ou uma vasilha utilitária de cerâmica que o marido também fabricava na olaria que mantinha junto à ferraria.

Era uma boa cliente e também uma grande fofoqueira, graças a falação que ela andou fazendo na vila, Hermione ganhou novas clientes para o tônico e também outras interessadas em xampu e cremes para os cabelos, a senhora elogiava tudo que ela produzia e a nova clientela ajudava a manter a dispensa cheia.

Os pacientes de Severo eram diferentes, a maioria doente de alguma enfermidade devido às péssimas condições sanitárias ou o frio que assolava o norte de Inglaterra por aqueles tempos. Muitos não podiam pagar as consultas e às vezes demoravam a ir procura-lo deixando a coisa piorar por orgulho bobo de admitir que não tinham meios para fazer o tratamento, nos casos em que isso acontecia, Snape não cobrava em dinheiro, trocava os remédios por algum serviço necessário na casa, dessa forma o telhado que tinha rachaduras foi trocado e as janelas da casa azeitadas, e o jardim limpo e preparado para o inverno. Toda semana uma senhora que tinha artrite na mão vinha ajudar na limpeza em troca de uma poção que deixava seus dedos menos duros e doloridos.

Aquela manhã Severo entrou espirrando e soltando impropérios pela sala, molhado e com os pés cheios de barro, Hermione que estava na cozinha brigando literalmente com as panelas para tentar fazer um almoço já que não sabia cozinhar nada além de macarrão instantâneo, iguaria não disponível na idade média, veio correndo ver o que tinha acontecido e viu bruxo que já estava sentado arrancando as botas suja que aquela altura já tinham deixado um rastro desde a porta. Ela olhou a sujeira meio desolada, teria que limpar aquilo rápido para não secar e ficar pior. Pegou a varinha e a apontou para a sujeira sendo interrompida pela voz potente de Severo pedindo a ela:

- Faça-me um favor, vá buscar um frasco de poção para gripe. – deu outro espirro forte e ela notou que o nariz dele estava vermelho e escorrendo. – Pegue também uma fortalecedora.

Snape tinha certeza que ia acabar contraindo essa maldita gripe depois de ter passado o dia levando tosse e espirro na cara de um monte de gente diferente pela vila. - Ele estava furioso. - Eu fui a casa do velho pescador, você lembra-se dele? Aquele velhinho que veio aqui outro dia pedindo atendimento para a neta que estava muito gripada e com tosse e pagou com aquele peixe que você tentou preparar e ficou seco. – Hermione disse que sim. – Pois então, ele também pegou a gripe e agora está em péssimo estado, a filha dele veio me buscar e eu fui trata-lo, no caminho fui sendo parado por um monte de gente que nem sei o nome, todas me pediam remédio para gripe, eu só tinha levado oito vidros de poção, tive que dispensar algumas pessoas por que se não, quando chegasse a casa do velho não teria mais nada. A parte boa é que consegui quatro moedas de bronze e uma de ouro, com essa saída. – Deu outro espirro forte e seu nariz escorreu. - Obviamente também arrumei a gripe e muita lama. – falou debochado

Hermione riu dele e foi buscar a poção correndo, sem limpar o chão por que quando ela ia terminar o que tinha começado ele voltou a espirrar furiosamente. Assim que o bruxo a bebeu se levantou rápido e disse que ia tomar um banho e mudar de roupa, estava se sentindo nojento de tanto espirro que levou.

- Severo o que eu devo fazer se vier alguém aqui atrás de mais poções?

- Pode vender todas menos umas duas que posso precisar para uma emergência. - apontou o próprio nariz. - Se precisassem de mais do que temos em estoque, diga que é para voltarem amanhã que darei um jeito. - Ela se ofereceu para ajudar no preparo da poção e ele aceitou entrando no banheiro apresado.

Severo se deitou logo após o banho para esperar o efeito da poção para gripe enquanto Hermione tentava fazer o almoço. A bruxa o chamou para comer depois de meia hora, o bruxo veio apesar de já saber que não deveria estar muito bom, visto que nunca estava. Sua esposa realmente não tinha talento para culinária, eles sentaram e começaram a comer. O arroz ficou mole e grudento, tinha obviamente passado do ponto e sido afogado em muita água, o frango assado está aceitável apesar de não ter gosto de nada, ainda assim era melhor que o anterior que parecia puro sal. Severo estava torcendo para alguma senhora que soubesse cozinhar pegar a gripe para poder dar umas aulas a sua mulher ou ele ficaria mais magro do que no tempo em que era espião e vivia sempre sendo torturado pelo lorde das trevas.

No entanto, como um marido indulgente ele nunca reclamava, não podia cobrar dela algo que ele também não sabia fazer, achou que se fosse ele a cozinhar provavelmente a comida estaria pior ou sairia andando pela cozinha de tantos feitiços que ele lançaria para tentar resolver os seus erros no preparo.

Enfiou a comida para dentro rápido para não sentir o gosto, levantou o rosto e vir sua esposa, ela estava com uma cara muito chateada. Arqueou uma sobrancelha e debochou: – Acabei de comer a ainda estou vivo, tivemos sorte hoje.

A bruxa não riu como ele imaginou, fechou a cara e se levantou começando a tirar a mesa. Severo queria só brincar com ela para aliviar a tensão no ar, mas pelo visto tinha piorado as coisas. Resolveu se levantar e ir embora antes que fizesse mais alguma coisa errada, quando ficou de pé viu que Hermione limpava os olhos com a parte de trás da mão, ela estava chorando por causa da brincadeira idiota dele, tomou a decisão de que precisava arrumar aquilo naquele momento.

Foi até ela e a abraçou puxando-a de costas contra seu peito. Enfiou seu nariz entre os seus cabelos e a cheirou profundamente, sentindo um aroma de mato e flores muito bom e fresco, deu vários beijos nos cachos enovelados e respirou fundo quando a viu relaxar contra seu peito e se entregar as caricias.

Quando notou que ela não chorava mais a virou e falou olhando em seus olhos. – Eu sei que você se esforçou e valorizo isso, estava só brincando, você não sabe cozinhar, e daí? Eu também não sei. Isso não é demérito algum. Você continua sendo a bruxa mais inteligente que eu já conheci. – vendo que os olhos dela brilhavam com o elogio ele teve que acrescentar - E também a que faz o frango mais assassino da historia, deveríamos ter tentado matar o lorde das trevas com algumas de suas receitas, teríamos poupado muitas vidas. - Fez uma cara séria a olhando meio de lado.

A mulher que derretida em seus braços estacou, deu um tapinha nervoso em seu peito e devolveu:

- Olha aqui, se eu parar de tentar não terá nada para comer e iremos morrer de fome, o que é demorado e doloroso. Morrer envenenado por alguma iguaria feita por minhas tão hábeis mãos será mais rápido, então escolha: Morte lenta ou rápida?

Severo deu uma risada divertido e a puxou para um beijo molhado e sensual que fez as pernas da bruxa bambearem. Um longo tempo depois ainda abraçados continuaram a conversa.

- Hermione, apesar de tudo não podemos continuar comendo desse jeito, temos que arrumar alguém para lhe ensinar a cozinhar pelo menos o básico.

A bruxa concordou, mas acrescentou petulante – Você também deveria aprender.

Snape riu – Acho que não vou conseguir tempo com tanta gripe por ai, mas não é má ideia, é sempre bom ser alto suficiente, imagine se você percebe a burrice que fez ficando comigo e achar outro sujeito mais rico e bonito que tenha um monte de criados e resolva fugir com ele. Como eu fico? Além de ter que amargar a sua falta terei que comer coisa muito pior que esse seu manjar dos deuses – apontou para os restos do almoço.

- Não seja bobo, eu te amo, nunca vou te deixar.

Snape a apertou nos braços e a beijou de novo. Soltou-a antes que ela percebesse o quanto ele tinha gostado da declaração, ultimamente estava se sentindo um tanto sem cotrole de seus sentimentos com relação a ela, já admitira que a amava com paixão, mas ainda não se permitia falar livremente sobre o assunto, esperava que ela entendesse e não se magoasse por que para ele era impossível se declarar de novo, não assim no meio da cozinha com a naturalidade com que ela o fez.

O bruxo atravessou foi até a dispensa, tirou de lá um caldeirão de estanho pequeno e um monte de ingredientes da poção para gripe, colocou os sobre a mesa que Hermione tinha acabado de esvaziar ponto a louça na pia enfeitiçando-a para que se lavasse sozinha.

Severo pegou o caldeirão e o aumentou varias vezes até que ficasse da altura de seus joelhos o colocou para cozinhar em um fogareiro também aumentando no chão. Hermione se espantou com aquilo. Como que ele pretendia fazer uma poção para gripe gigante!

- Dá para fazer uma poção tão grande? Como se faz? Você multiplica os ingredientes pelo tamanho do caldeirão ou tem que balancear as quantidades?

- Tem que balancear e calcular tudo de novo. Fiz isso ontem à noite quando não conseguia dormir, você nem me viu levantar.

Ela ficou curiosa: - Posso ver as suas contas?

- Pode sim, Sabe-Tudo, estão aqui. – Estendeu para ela um pergaminho todo rabiscado e rasurado. Apesar de ter feito cara feia para ele por tê-la chamado de Sabe-tudo ela pegou o papel e se sentou a mesa para lê-lo.

Severo riu da reação percebendo que a bruxa não se irritou de fato e admirou a forma devota com que ela lia cada parte da sua caótica anotação feita a luz de vela na madrugada.

- Severo você tem que me ensinar a fazer isso, é brilhante! Quero muito aprender. Eu sei que se não estivesse vindo para o passado provavelmente estaria estudando em uma universidade ou coisa assim. Queria ser mestre em poções como você.

O bruxo parou de cortar uma raiz estacando a faca quase no ar, era verdade ela parara de estudar por que veio para o passado, ele não se culpava por isso, afinal ela é que resolveu se meter onde não devia e pulou em frente ao feitiço do tempo, em todo caso ele entendia como ela se sentia e o que ela queria era fácil de resolver.

- Se você quer ser mestre em poções eu posso lhe ensinar tudo que eu sei, vai demorar bastante, mas acho que será até interessante ensinar alguém que gosta tanto de estudar. Pena que não temos muitos livros e material, você vai ter que contar apenas com o que está na minha cabeça e com alguns poucos livros que eu trouxe na sacola.

Os olhos da bruxa brilharam. – Você vai mesmo me ensinar? Eu vou adorar e prometo me esforçar você nunca se arrependerá.

Severo sorriu para ela. Nesse momento alguém bateu a porta fazendo-os parar de conversar. Hermione foi atender. Era o padre que estava os chamando.

O pároco que tinha sido batizado de Hélio não gostava que o chamassem pelo nome por considerá-lo pagão por ser de origem grega, preferia o sobrenome que era Ellis. Assim que a bruxa abriu a porta ele entrou apenas alguns passos e falou muito serio:

- A senhora poderia chamar o seu marido eu preciso falar com ele urgentemente. – Hermione que achava o jeito como ele a tratava revoltante resolveu ser chata.

- Boa tarde padre Ellis, que bom revê-lo! Espero que não seja nada muito grave, meu marido está fazendo um caldeirão de po... Digo remédio para gripe, - arranhou a garganta por ter quase cometido um deslize, mas não perdeu o tom. - Pode me adiantar o que é. Talvez eu possa ajuda-lo.

O padre fechou a cara se fazendo de ultrajado, mas manteve a pose ao responder:

- Boa tarde senhora. Infelizmente acho que o assunto tem que ser tratado diretamente com seu marido.

Hermione pediu licença ao homem e foi para a cozinha, Severo que escutava a conversa ao longe estava com um rizinho malvado de canto de boca.

- Quer que eu o castigue pela impertinência sendo desagradável?

- Não precisa, deixa que depois eu dou um jeito nele depois.

- Será que posso contar com minha nova e brilhante aprendiz. – Hermione sorriu orgulhosa. - Para me ajudar acabando de cortar esses ingredientes até eu ver o que o padre quer? Mas preste bem atenção aos procedimentos, serei muito rigoroso com o resultado.

Hermione estacou em posição de sentido: - Pode deixar senhor, farei o meu melhor.

Severo bufou rindo e foi para a sala saber o que o padre queria.

Snape o encontrou ainda perto da porta com uma postura muito rígida, mal mexia um músculo, assim que o viu o padre falou:

- Senhor Prince, Boa tarde, espero não estar incomodando. Acredito que o senhor já deve ter notado que sempre tive um pé atrás com a vossa pessoa, - Severo repirou fundo para não coloca-lo para fora. Quem esse padre idiota pensava que era para vir a sua casa ofendê-lo, resolveu ouvir o resto por pura curiosidade. - Vim aqui por que gostaria de dizer que depois desse tempo que tem vivido aqui entre nós tive que mudar minha opinião a seu repeito por que tem trabalhado muito bem para todos. Ultimamente tenho ouvido muitos elogios sobre seu trabalho e principalmente como é justo com o que cobra das pessoas por seu serviço. Acho que o senhor deve saber o motivo da minha postura inicial, eu receei a principio que o senhor fosse como muitos charlatões que já passaram por aqui, que vem com um monte de remédios milagrosos, caríssimos, que não funcionam e assim que tiram tudo do povo vão embora no meio da noite e nunca mais se tem noticia. Vi, no entanto, que esse não é seu caso, por isso peço-lhe desculpas e imploro que me perdoe e me conceda um favor pessoal.

Severo estava muito espantado, não esperava por essa, ele entendia os motivos do padre que era muito protetor com sua paróquia, admirava a maneira como esse homem era abnegado as suas funções, gostava de ver alguém que tinha prazer em fazer seu trabalho e todos na vila gostavam do padre.

- Não precisa se desculpar no seu lugar acredito que teria feito a mesma coisa, qual favor o senhor deseja? Se estiver ao meu alcance...

- O que venho lhe pedir é um ato humanitário, pois existe uma família, a mais pobre do povoado, eles mal têm onde morar vivem em uma cottage na beira do rio, um lugar muito úmido e em péssimo estado. Para ir direto ao ponto, o homem da casa, que se chama Alby está muito doente, com muita febre, eu tentei ajudar a esposa dele nos últimos dias, mas não tive êxito. Eles não o vieram procurar por vergonha por que não tem como pagar pelo atendimento nem mesmo com serviços visto que o homem está muito doente e a senhora tem que cuidar dele e ainda trabalha para a mulher do ferreiro, a senhora Isobel, por alguns trocados como lavadeira essa é atualmente a única renda da família.

- O senhor quer que eu os atenda de graça é isso? – o padre pareceu agradecido por Severo ter posto em palavras. – Na verdade sim, se for impossível para o senhor, digo isso por que sei que tem custos para fazer o remédio e precisa se sustentar também, eu posso pagá-lo com o dizimo da igreja, mas terá que ser parcelado por que arrecadamos muito pouco, o que temos esse mês mau da para manter a igreja.

Severo mediu o homem, ele conhecia-o e fazia ideia da situação, como o povoado era pobre provavelmente a igreja não devia ter muito dinheiro, além disso, conseguir com que o padre o aprovasse e não fosse mais uma ameaça a sua santa paz valia um frasco de poção para gripe bem forte.

- Eu o tratarei de graça se ele não objetar, não custa ter um pouco de caridade cristã com os menos afortunados. – Severo riu de si mesmo por ter falado desse jeito, tinha tirado a frase do sermão de natal do próprio padre e sabia que ele ia adorar.

As palavras fizeram o reverendo sorrir satisfeito. O pároco fez o sinal da cruz em agradecimento a Deus e perguntou se Snape podia ir com ele naquele momento mesmo, por que temia que o homem não passasse daquela noite.

Severo foi até a cozinha ver como "estavam as coisas" antes de sair. Hermione continuava cortando e separando ingredientes quando ele se aproximou por trás dela tentando manter uma postura professoral: – Muito bem Senhorita Granger, dez pontos para a grifinória.

A bruxinha sentiu todos os cabelos do pescoço se arrepiarem, ela não acreditava que estava se excitando com aquele tipo de comentário, mas era inegável o calor que sentiu passando por todo o seu corpo. Severo se espantou quando notou o rosto afogueado da sua esposa e achou inusitado, com certeza usaria esse tom de voz novamente com ela e talvez com um pouco mais de incentivo pudessem se divertir com aquilo. Guardou a ideia para mais tarde por que tinha que sair.

- Hermione, tenho que ver um paciente com o padre, era isso que ele queria comigo, não devo demorar, vai preparando os ingredientes e quando terminar, se eu ainda não tiver voltado me espera para começar a cozinhar a poção por que pode ser que eu tenha feito algum calculo errado e assim poderei corrigir a tempo.

- Eu espero você mais tarde. – Severo teve certeza que ela não estava falando da poção, principalmente por que tinha um brilho estranho nos olhos que ele preferiu ignorar para sua própria tranquilidade.

Os dois homens caminhavam lado a lado, Severo segurando o passo para acompanhar o reverendo idoso, quando já estavam no meio da praça o religioso perguntou.

- Senhor Prince, não pude deixar de ouvir a coversa que teve com o tutor há uns tempos atrás quando ele o perguntou sobre como conheceu sua esposa, e logo depois lhe contou aquela historia enfadonha do namoro dele que não deu certo. Severo recordava muito bem, principalmente por que por causa daquela ladainha Hermione tinha ficado um mês o evitando, só de lembrar seu semblante se fechou. O padre observou a mudança e percebendo que a conversa o afetava resolveu tirar a limpo.

- O senhor não quis entrar em detalhes com o tutor, fiquei imaginando se ele tinha razão e o senhor fugiu mesmo com sua mulher, desculpe a intromissão, mas desde aquele dia se difundiram muitos boatos na vila, um mais romântico que o outro sobre o seu casamento, do tipo que faz as senhoras suspirarem pelos cantos. Não sei se tem conhecimento do fato. – Severo não sabia e ficou furioso com isso, o padre percebeu e foi em frente, Por que ele tinha como verdade que: "Um homem com raiva não mede as palavras." Sentiu que tinha uma chance de saber a história verdadeira.

Severo estava mesmo com raiva, mas foi espião por muito tempo para perder o controle de sua boca, resolveu que era melhor contar uma historia plausível sobre seu casamento e acabar logo com esses boatos, ele sabia que o padre ia espalhar a noticia como um triunfo, respirou fundo e contou a mentira.

- Hermione e eu morávamos no mesmo castelo, eu era professor de estudos da natureza das crianças e atendia como medico – uma mentira com fundo de verdade. – Eu já morava lá há onze anos quando Hermione chegou, tinha acabado de perder os pais e a senhora do castelo a contratou como acompanhante – Teve vontade de rir, parecia enredo de romance barato – Um dia o castelo foi cercado de malfeitores, e todos tivemos que lutar por suas vidas e graças a Deus nós vencemos. – outra meia verdade. – Nesse dia eu me feri mortalmente e achei que ia morrer, ela me ajudou e cuidou de mim. Quando eu abri meus olhos pela primeira vez eu a vi com um anjo a beira da minha cama me tratando, nunca desde que minha mãe morreu alguém tinha sido tão bom comigo. – Isso não era mentira, quando ele ficou entre a vida e a morte por causa da mordida da Nagine foi Hermione que cuidou dele e de fato ele a achava "linda como um anjo" nessa época, coisa que tinha se esquecido, mas que agora lembrando o fato veio lhe a memória. – Eu me apaixonei por ela, no entanto não tive esperanças, pois sei que sou bem mais velho e não tenho posses. – Parou um pouco para dar dramaticidade à fala. - Naquela batalha o dono do castelo Lorde Dumbledore que era o chefe do clã morreu e a esposa dele lady Minerva me responsabilizou por que não pude atendê-lo, visto que estava de cama, ela não suportou a ideia de eu ter sobrevivido e ele não. Mas veja bem, eu não podia fazer nada e sou um homem jovem ainda sobrevivi aos ferimentos, já o Lorde tinha mais de setenta anos acredito que mesmo que o tivesse atendido era mais provável que fosse morrer. Por causa disso a senhora me mandou embora do castelo e quando fui me despedi de Hermione ela quis ir junto comigo, eu aceitei, então fomos ao chefe do clã, agora o sobrinho de Dumbledore. – Não conseguia ver o velho diretor com filhos. - E nos declaramos casado, como é o costume na Escócia. E assim, acabamos vindos parar aqui. Viu. A história não tem nada de mais. – Severo não acreditou que inventou aquilo tudo sem ter pensado antes, teria que se lembrar de todos os detalhes para contar a Hermione para que ela não o contradissesse.

O padre que tinha ouvido em silencio. Depois de tudo falou ponderado: – Não se deve julgar os desígnios de Deus, se o senhor achou que era a hora do lorde e não a sua a senhora devia ter aceitado. No final isso foi bom por que assim, nossa vila que ganhou um médico.

Severo sorriu e agradeceu. O padre continuou – É uma pena que não tenham se casado diante de um sacerdote, mas isso pode ser resolvido a qualquer momento.

Severo arregalou os olhos e percebeu que tinha falado demais.

Quando voltou da cottage já era quase hora do jantar, ele estava faminto de um jeito que pensou que seja lá o que sua esposa tivesse cozinhado ele ia achar uma delicia. Entrou na sala e viu Hermione sentada com suas anotações espalhadas pelo sofá, ela parecia muito entretida com a leitura, mas levantou a cabeça ao vê-lo entrar.

Ele se sentou em uma das cadeiras e contou tudo que tinha acontecido e toda a história sobre o suposto romance que viveram. Acrescentou no final o que achava ter sido uma burrada: Ter falado que não se casaram na igreja, ele explicou que temia que isso tivesse consequências.

Hermione riu a valer por ele ter usado o nome dos professores de Hogwarts e da criatividade dele para corrupiar a realidade. O tranquilizou dizendo que não acreditava que fosse acontecer alguma coisa por causa do casamento não religioso deles. Depois, resolveu falar de algo que tinha gostado na história.

- Você me achou linda como um anjo mesmo?

Severo pigarreou, esperava poder passar direto por esse assunto, mas pelo visto não ia dar. – Sim achei... – deu uma pausa olhando nos olhos de sua esposa – Mas não via você de forma comprometedora foi apenas um pensamento. – Hermione se aproximou dele passando os braços em volta seu pescoço sentindo os cabelos muito negros fazerem cosquinha em seu braço. Chegou sua boca bem perto da dele e falou tocando seus lábios com os dela. – E hoje tem pensamentos comprometedores a meu respeito ou ainda me vê como um anjo?

Severo gemeu sentindo um arrepio percorrer-lhe a nuca junto com seu sangue abandonando seu cérebro para ocupar outra parte do seu corpo. Puxou-a para mais junto fazendo com que ela notasse sua ereção.

Respirou para sentir o cheiro dela e suspirou. - Diabinha! – Hermione tentou rir, mas parou quando sentiu uma mão que subia sua saia e a levantava para encaixá-la de pernas abertas sobre seu marido. Snape esqueceu a fome e de qualquer outra coisa que não fosse os gemidos cálidos e doces que ele amava arrancar dos lábios de Hermione. Sentir o peso da mulher sobre sua ereção só aumentava seu desejo, o mexer dos quadris dela sobre ele o fizeram gemer alto e o impeliu a começar a arrancar o vestido dela louco para se intoxicar com a pele macia de sua mulher.

Hermione estava excitada desde a tarde quando ele falou a suas costas na cozinha tendo passado horas inteiras pensando na sensação que lhe provocou e em como queria que ele não tivesse saído de casa, se houvesse ficado o teria arrastado para o quarto.

Agora ali sentindo as mãos dele em seu corpo, à vontade com que ele arrancava as suas roupas a fez estremecer de desejo, ela viu suas próprias mãos trêmulas tentarem sem sucesso arrancar o cinto que prendia as roupas de Snape, teve que parar para deixar seu vestido passar por sua cabeça, quando achou que ia tentar de novo sentiu a boca de Severo sugando seu seio de forma quase bruta, seu ventre se contraiu e ela se mexeu indo de encontro à virilha dele que estava quase explodindo a roupa, ele gemeu em seu peito e a puxou mais beijando-a entre seus seios e indo se embrenhar em seu pescoço entre seus cabelos.

Ela aproveitou a chance e pegou sua varinha apontou para a roupa dele – Desvisto – Severo ficou nu, sua roupa foi para no chão. Ele estremeceu ao sentir o tecido sumir de seu corpo e gemeu alto quando a boca de Hermione tocou seu ombro o mordendo e sugando a pele rígida que recobria seus músculos. A bruxa sentiu a umidade entre suas pernas chegar a um ponto que poderia escorrer, ela fez o feitiço de desvestir nela mesma arrancando sua calcinha e agora estava sentada sobre o pênis dele, sentindo-o pulsar, ela o queria dentro de si e sem se fazer de rogada se ergueu um pouco empalando-se com desejava – Severo! – Gritou o nome dele quando sentiu que ele tinha chegado a seu fundo.

As mãos do homem cravaram na cintura da bruxa guiando o movimento dela, fazendo-a subir e descer por seu pau sentindo como ela estava quente e úmida, a forma como gemia o deixando doido. Não se lembrava de querer tanto uma mulher, de entrar tão gostoso em uma, de buscar o orgasmo com tanta vontade. Hermione apertou o pau de Snape dentro dela com toda força que conseguiu e como premio sentiu uma corrente elétrica percorrer todo seu corpo pela intensificação do contato. Com o aperto Severo gemeu – Gostosa, aperta mais vai. – Ela o apertou novamente e ele se enfiou o mais fundo que conseguiu. – Mais Severo... Mais...

Loucos de desejo, sentindo uma necessidade quase dolorosa de gozar eles aumentaram a velocidade e Hermione em um momento de puro delírio gritou – Vai professor...

Severo não acreditou quando ouviu, se ela queria o professor, ela teria, ele enfiou as mãos nos cabelos dela os puxando para ter acesso ao pescoço e falou perto de seu ouvido – Senhorita Granger você é deliciosa. 50 pontos para a grifinória por fuder tão bem com seu professor. – E entrou nela puxando-a para seu corpo com força.

Assim que ele disse a sentiu gozar com tudo, um gozo tão forte que a fez estremecer nos braços dele e no final ela gemeu – professor Snape... Foi o que bastou para ele ir junto com ela.

Ainda passaram alguns minutos sentados unidos esperando a respiração voltar ao normal. Hermione com a cabeça apoiada no ombro de Severo se deliciando com o cheiro da pele dele, sentindo seus cabelos sobre seu rosto e as mãos que ele passava em suas costas a mantendo bem junto a ele.

- Não sabia que você tinha tesão pelo "professor Snape". – o bruxo falou dando uma risada rouca. Hermione levantou a cabeça para olha-lo de frente e ele pode ver que ela estava meio envergonhada, mordia o lábio inferior como se temesse ter feito algo errado. – Na verdade, se é para confessar, tive um ou dois sonhos bem picantes com você no tempo em que era sua aluna, não dei importância por que achei que devia ser coisa da puberdade. – voltou a enfiar a cabeça no ombro dele para esconder o rubor incrivelmente forte que se apoderou de seu rosto.

- Hermione eu nunca imaginei isso, Jamais pensei em nenhuma aluna minha nesses termos. – disse espantado. – Mas sabe que eu gostei da brincadeira, a gente pode fazer de novo sempre que você quiser.

Hermione levantou a cabeça – É... – pensou um pouco e falou com uma voz um pouco rouquinha e sexual. - Você podia me dar uma detenção professor, e me punir por ser tão malvada em sala de aula. – Vendo a incredulidade no rosto dele não resistiu a piorar a coisa – Você podia me castigar me dando uma comida bem gostosa como essa que acabou de fazer. – Snape riu meio estrangulado sentindo sua ereção voltar com a ideia. Seu desejo foi interrompido por um cheiro delicioso que vinha da cozinha o fazendo lembrar-se de outras necessidades de seu corpo.

- Parece que você acertou a mão no jantar hoje, que cheiro bom! – Ela se ergueu e o olhou – Eu não fiz o jantar ainda.

Os dois se levantaram em um tiro usaram as varinhas para recolocar as roupas o mais rápido que puderam e foram para a cozinha, Snape de calça e camisa, cabelos em desalinho e varinha em punho. Hermione com o vestido jogado no corpo de qualquer jeito logo atrás dele.

Não havia ninguém na cozinha tudo estava quieto, quando olharam para mesa viram o que cheirava tão bem. Sobre uma toalha branca imaculada estava um frango muito bem assado dourado e suculento, arroz, salada, um pão fresco cheiroso, um queijo e uma garrafa de suco de abobora.

Os dois olharam para aquilo boquiabertos, sem explicação plausível resolveram apreciar a comida enquanto estava quente. Lá pelo meio do jantar Hermione perguntou:

- Será que o benfeitor nos viu lá na sala? – Severo ficou meio desconcertado – Espero que não Hermione e se viu tomara que fique calado, não quero virar assunto na boca de ninguém.

- Se nos viu vou morrer de vergonha, precisamos saber quem está fazendo isso se não, não terei paz nessa casa. – Severo concordou – Vou dar um jeito nisso, tenho que descobrir quem é.

Aquela noite Severo voltou a fazer a poção para gripe que tinha começado mais cedo e Hermione o acompanhou até certa hora quando o sono se tornou imperativo e ela foi para a cama, um pouco mais tarde ele se juntou a ela. Os anos de espionagem o fizeram ter o sono leve, se estava alerta a alguma coisa uma agulha podia acorda-lo, já era quase de manhã quando ouviu barulhos de passos pelo corredor, se levantou com a varinha na mão e foi pé anti pé para a porta olhou, não viu nada, estava escuro – lunos – acendeu a varinha foi andando pelo corredor e ouviu passos próximos à cozinha apontou a varinha e falou – Aparece ou eu vou lhe estuporar. – Do canto onde tinha ouvido o barulho viu surgir do nada uma pequena criatura de meio metro, orelhas pontudas, olhos grandes e vestida com um guardanapo velho. Um elfo domestico! Ele se aproximou do pequeno ser que se encolhia em um canto tremendo. Quando chegou perto a criatura falou:

- Mestre desculpa Prinny, Prinny boazinha não faz mal ao mestre.

- A quem você pertence e de onde você veio? – Snape perguntou seco ainda apontando a varinha para a elfo. Hermione que tinha acordado com o barulho estava na porta do quarto vendo tudo com sua varinha acesa.

- Prinny mora nessa casa, o senhor é o mestre de Prinny.

Snape não engoliu. - Como assim eu sou seu mestre? Eu nunca lhe vi antes. Fala logo quem mandou você aqui, foi alguém de Hogwarts? – Ele supões.

- Não mestre, Prinny nunca foi a Hogwarts, o senhor é o novo mestre de Prinny.

- Explique como? – falou bravo com um olhar duro. – Ou melhor, prove.

A elfo que tremia encostada no canto começou a contar:

- Prinny era elfo da antiga duquesa que é avó do duque que vive no castelo hoje, ela era uma boa mestra, mas que se casou com uma trouxa ele nunca soube que ela era uma bruxa. Quando a mestra veio morar aqui trouxe Prinny com ela. Muitos anos depois, a duquesa estava velha e doente e antes de morrer ela mandou Prinny ficar invisível e tomar conta da casa dela, não deixar ninguém mexer nas coisas de bruxa dela até que um novo mestre aparecesse para Prinny e Prinny o reconheceria por que ele ia mandar Prinny aparecer e Prinny ia ficar visível de novo, igual aconteceu agora.

Severo tentava entender, mas ainda não estava convencido. – Está bem vou fazer um teste com você. – A elfo sorriu meio sem jeito e esbugalhou os olhos esperando o teste. – Severo ergueu a varinha e lançou um feitiço muito antigo que mostra a lealdade dos elfos. Quando o elfo é atingido dele sai uma corrente feita de luz que une seu braço a de seu mestre. Assim que o feitiço foi lançado um feixe de luz em forma de corrente uniu a elfo a Severo e a Hermione, era a prova definitiva. Prinny sorriu e olhou Severo com adoração esse desfez o feitiço e falou.

- Bem vinda à família Prince, Prinny. – Virando-se para Hermione implorou. – Por favor, não tente liberta-la, ela cozinha que é uma beleza, não nos prive disso. – A elfo ficou muito nervosa. – Não, por favor, não faz isso com Prinny, mestra não gostou de Prinny, Prinny pode se matar...

Hermione apertou os olhos contrariada – por que não podemos continuar com ela e pagar um salário a essa criatura? – Severo respondeu – Ela está numa fila trouxa o que ela ia fazer com o dinheiro, além disso, pelo que ela acabou de falar acho que ela prefere morrer. – Sim Prinny prefere morrer.

Hermione olhou para a elfo e a tranquilizou – Prinny eu gostei de você e pode ficar tranquila que não vou tentar lhe dar roupas está bem?

A elfo ficou feliz da vida e como o sol já tinha nascido Severo desistiu de dormir e sentindo seu estomago roncar falou:

- Prinny eu adoraria um bom café da manhã, vou tomar um banho e você pode preparar tudo. – Virou-se no corredor e deu de cara com Hermione que o olhava brava e fazia um sinal como os que se fazem as crianças que se esquecem de falar alguma coisa. Severo virando os olhos disse: – Por favor, Prinny. – A elfo sorri e saiu correndo para a cozinha. Hermione livre das panelas voltou para a cama para esperar Severo sair do banheiro e depois sentarem junto à mesa para saborearem a comida.


Notas da autora:

O calendário juliano foi implantado pelo líder romano Júlio César, em 46 a.C., como uma importante e substancial alteração no calendário romano. Foi modificado ainda mais em 8 d.C., pelo imperador Augusto, e os nomes dos meses sofreram ainda várias mudanças ao longo do Império Romano. O calendário juliano acabou sofrendo sua última modificação em 1582, pelo Papa Gregório XIII, dando origem ao calendário gregoriano que foi adotado progressivamente por diversos países, e hoje é utilizado pela maioria dos países ocidentais. ( fonte wiki)

O feitiço Desvisto foi inventado.


Olá gente, mais um capítulo, estou muito animada quero att bem rápido, obrigada a todo mundo que comentou, eu fico muito feliz, vocês são meu estimulo.

Bjssss

Leyla